Planta usada na pecuária se torna alternativa para paisagismo urbano no Acre

O amendoim forrageiro ornamental está sendo plantado em praças e rotatórias da capital Rio Branco.

A BRS Mandobi ou amendoim forrageiro (Arachis pintoi), planta desenvolvida pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), com intuito de promover uma boa alimentação do gado e melhoria da qualidade de pastagens, recebeu outra finalidade na capital acreana. A planta está sendo utilizada para compor o paisagismo, em canteiros públicos e rotatórias do município de Rio Branco.

Os técnicos municipais perceberam que, além de ser de fácil reprodução, a cultivar apresenta pequenas flores amarelas e folhas de um verde intenso que ajudam a ornamentar a cidade. Além disso, é de fácil cultivo e resistente à variação de temperatura da região. No viveiro, a BRS Mandobi leva cerca de dez dias para estar pronta para ser transportada e plantada.

A ação faz parte de um acordo de cooperação técnica entre a Embrapa Acre, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semeia) e a Secretaria Municipal de Agropecuária (Seagro).

Foto: Reprodução/Prefeitura de Rio Branco-AC

Segundo o supervisor do Campo Experimental da Embrapa Acre, Rafael Clemêncio, a equipe do Viveiro de Plantas Ornamentais Manoel Cavalcante, localizado no Horto Florestal de Rio Branco, visitou a Embrapa e foi orientada sobre o cultivo da planta.

“Trabalhamos com o amendoim forrageiro há algum tempo. Por isso, temos experiência em campo. Além disso, foram realizadas adequações no manual de procedimentos para o plantio urbano e adaptamos para fazer uma espécie de viveiro com a prefeitura. Assim, eles podem multiplicar o material e espalhar em diversos lugares da cidade”, relatou Rafael.

A partir de algumas mudas e após as orientações, o amendoim forrageiro foi multiplicado no viveiro do município. Até agora, já foram produzidas aproximadamente 170 mil mudas, sendo que 20 mil foram utilizadas nos canteiros e rotatórias. “Além das mudas, realizamos os plantios e, periodicamente, a manutenção, como capinagem e roçagem dos espaços”, conta o jardineiro da Semeia, Renato Ribeiro.

De acordo com a docente do Centro Universitário Uverse e especialista em arquitetura sustentável Ana Velásquez, a área do paisagismo muitas vezes é confundida com jardinagem.  

“Um projeto paisagístico é pensado e concebido para que os cidadãos usufruam dos espaços públicos e privados. São levados em conta diversos elementos, como espécies de plantas da região, iluminação, mobiliário. Com esse planejamento, podemos proporcionar às pessoas um ambiente no qual se sintam pertencentes e comecem a cuidar dele”,

ressaltou Ana.

Um bom paisagismo urbano pode trazer diversos benefícios para as pessoas. Além de promover locais mais bonitos e agradáveis, busca contribuir na melhoria da qualidade do ar, redução do barulho, regular a temperatura e até mesmo ajudar a controlar a erosão do solo. Além disso, espaços verdes bem projetados e cuidados podem ser um importante ponto de encontro para a comunidade, com a oferta de áreas para lazer, exercício físico e convívio social.

O uso do amendoim forrageiro é um exemplo desses elementos regionais que podem integrar o planejamento urbano. “Ele se adapta muito bem com nosso clima e solo. As rotatórias estão lindas com o amendoim forrageiro. A paisagem dá vitalidade às cidades”, diz Velásquez. 

Foto: Reprodução/ Prefeitura de Rio Branco-AC

Amendoim forrageiro

A BRS Mandobi é uma cultivar de amendoim forrageiro (Arachis pintoi) propagada por sementes. Esta solução tecnológica foi desenvolvida pela Embrapa em parceria com outras instituições.É uma leguminosa forrageira que tem como características caule macio e maleável, possui de 20 a 35 cm de altura, longo tempo de vida e estrutura estolonífera que cobre rapidamente o solo e protege contra o impacto direto da chuva e sol.

Apresenta excelente capacidade de consorciação com gramíneas, elevado vigor e produtividade de forragem de alta qualidade. É bem consumida pelo gado, o que melhora a qualidade da dieta animal devido ao seu elevado teor de proteína e alta digestibilidade. É indicada tanto para formação de pastos novos em consórcio com gramíneas, quanto para plantio em pastagens já estabelecidos. A taxa de semeadura recomendada é de 12 kg de sementes puras viáveis por hectare. Em pastos já estabelecidos, sugere-se o plantio em faixas em 50% da área.

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