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Meio Ambiente

Pesquisa investiga causas da distribuição e riqueza de mamíferos em ilhas de rio na Amazônia Central

As ilhas de rio são ambientes dinâmicos e ainda pouco conhecidos pela ciência


Um artigo publicado em janeiro na revista científica Biotropica apresenta um panorama sobre a influência da paisagem na distribuição de mamíferos em ilhas fluviais no médio curso do rio Solimões, Amazônia Central. O estudo aponta que o tamanho dessas ilhas não determina a distribuição e variedade de espécies de mamíferos.

As ilhas de rio são ambientes dinâmicos e ainda pouco conhecidos pela ciência. O ritmo das águas fluviais, entre estações de cheia e seca, marca mudanças nessas porções de terra que podem surgir, mudar de lugar ou desaparecer em poucos anos.

De acordo com os pesquisadores, a quantidade de habitat disponível na paisagem, ou seja, a quantidade de floresta no entorno da ilha, pode ser um índice eficaz para avaliar a diversidade e composição animal. Ou seja, quanto mais floresta, maior a riqueza de espécies.






“A ‘hipótese da quantidade de habitat' foi recentemente proposta como sendo a melhor explicação para os padrões de distribuições das espécies que ocorrem em habitat fragmentados (como as ilhas de rio). Ela sugere que a quantidade de habitat disponível na paisagem seja o principal fator determinante da distribuição das espécies nesses tipos de ambientes”, explica o pesquisador associado do Instituto Mamirauá, Rafael Rabelo, que assina o artigo.

Rafael, que atualmente desenvolve uma tese de doutorado no Instituto de Pesquisas da Amazônia (INPA), ressalta a importância de usar índices de avaliação de rápida resposta e que sejam coerentes com a paisagem local, como as ilhas de rio, com foco na conservação da biodiversidade.

“No contexto dos desafios de conservação atuais, onde precisamos de tomadas de decisão rápidas e eficientes, precisamos de variáveis que sejam fáceis de medir e, ao mesmo tempo, sejam boas preditoras da distribuição das espécies”, diz.

Entre 2013 e 2014, a equipe de pesquisa coletou amostras em quatorze ilhas e também em florestas de várzea contínuas na região. Foram registradas espécies por observação visual e vestígios deixados pelos animais, como fezes. O grupo também levantou a ocorrência de onças-pintadas e espécies semi-arborícolas por meio de pegadas e sinais recentes de terra escavada.





Os dados também indicaram que algumas espécies têm menor chance de ocorrer nas ilhas, seja porque são mais sensíveis à quantidade de habitat disponível na paisagem, o que significa que vivem apenas em ilhas com maior quantidade de habitat, ou porque são naturalmente menos abundantes, tais como a mambira, o quati e o macaco-de-cheiro. No outro extremo, estão a onça, os guaribas e as preguiças, que são naturalmente mais abundantes e mais generalistas nesse quesito e ocorrem tanto em ilhas com pouca e com muita floresta no entorno.

O artigo, nomeado “Habitat amount hypothesis and passive sampling explain mammal species composition in Amazonian river islands”, é uma colaboração entre Rafael Rabelo e os pesquisadores Júlio César Bicca-Marques, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul; Susan Aragón, da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA) e Bruce Walker Nelson, do INPA. O trabalho está disponível em versão online no site da revista especializada (acesse aqui).

O Instituto Mamirauá é uma unidade pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC).

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Pesquisa investiga causas da distribuição e riqueza de mamíferos em ilhas de rio na Amazônia Central

As ilhas de rio são ambientes dinâmicos e ainda pouco conhecidos pela ciência

Redação

jornalismo@portalamazonia.com


Um artigo publicado em janeiro na revista científica Biotropica apresenta um panorama sobre a influência da paisagem na distribuição de mamíferos em ilhas fluviais no médio curso do rio Solimões, Amazônia Central. O estudo aponta que o tamanho dessas ilhas não determina a distribuição e variedade de espécies de mamíferos.

As ilhas de rio são ambientes dinâmicos e ainda pouco conhecidos pela ciência. O ritmo das águas fluviais, entre estações de cheia e seca, marca mudanças nessas porções de terra que podem surgir, mudar de lugar ou desaparecer em poucos anos.

De acordo com os pesquisadores, a quantidade de habitat disponível na paisagem, ou seja, a quantidade de floresta no entorno da ilha, pode ser um índice eficaz para avaliar a diversidade e composição animal. Ou seja, quanto mais floresta, maior a riqueza de espécies.






“A ‘hipótese da quantidade de habitat' foi recentemente proposta como sendo a melhor explicação para os padrões de distribuições das espécies que ocorrem em habitat fragmentados (como as ilhas de rio). Ela sugere que a quantidade de habitat disponível na paisagem seja o principal fator determinante da distribuição das espécies nesses tipos de ambientes”, explica o pesquisador associado do Instituto Mamirauá, Rafael Rabelo, que assina o artigo.

Rafael, que atualmente desenvolve uma tese de doutorado no Instituto de Pesquisas da Amazônia (INPA), ressalta a importância de usar índices de avaliação de rápida resposta e que sejam coerentes com a paisagem local, como as ilhas de rio, com foco na conservação da biodiversidade.

“No contexto dos desafios de conservação atuais, onde precisamos de tomadas de decisão rápidas e eficientes, precisamos de variáveis que sejam fáceis de medir e, ao mesmo tempo, sejam boas preditoras da distribuição das espécies”, diz.

Entre 2013 e 2014, a equipe de pesquisa coletou amostras em quatorze ilhas e também em florestas de várzea contínuas na região. Foram registradas espécies por observação visual e vestígios deixados pelos animais, como fezes. O grupo também levantou a ocorrência de onças-pintadas e espécies semi-arborícolas por meio de pegadas e sinais recentes de terra escavada.





Os dados também indicaram que algumas espécies têm menor chance de ocorrer nas ilhas, seja porque são mais sensíveis à quantidade de habitat disponível na paisagem, o que significa que vivem apenas em ilhas com maior quantidade de habitat, ou porque são naturalmente menos abundantes, tais como a mambira, o quati e o macaco-de-cheiro. No outro extremo, estão a onça, os guaribas e as preguiças, que são naturalmente mais abundantes e mais generalistas nesse quesito e ocorrem tanto em ilhas com pouca e com muita floresta no entorno.

O artigo, nomeado “Habitat amount hypothesis and passive sampling explain mammal species composition in Amazonian river islands”, é uma colaboração entre Rafael Rabelo e os pesquisadores Júlio César Bicca-Marques, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul; Susan Aragón, da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA) e Bruce Walker Nelson, do INPA. O trabalho está disponível em versão online no site da revista especializada (acesse aqui).

O Instituto Mamirauá é uma unidade pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC).

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