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Domingo, 09 Mai 2021

Brasil, Suriname e Guiana Francesa compartilham dados de ecossistemas fronteiriços em plataforma digital

Pesquisadores do mundo inteiro podem acessar documentos e informações sobre a biodiversidade dos rios Oiapoque e Maroni, que separam os países.

Representantes de nove países reinstalam o Parlamento Amazônico

Criado em 17 de abril de 1989, o Parlamaz funcionou por alguns anos, mas acabou desmobilizado. A ideia de reativá-lo, depois de oito anos inativo, voltou em 2019

Governo fecha fronteiras terrestres com países sul-americanos

A medida foi recomendada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A justificativa é o risco de contaminação e disseminação do novo coronavírus.

Países esquecidos da Amazônia: conheça o que há de encantador no Suriname

O Portal Amazônia segue com a série de matérias sobre os Países Esquecidos da Amazônia, para apresentar as peculiaridades, pontos turísticos e boas dicas do que fazer, se escolher, dessa vez, o Suriname para explorar. Vem com a equipe do Portal Amazônia conhecer mais da nossa diversidade regional.

Brasil e Suriname firmam acordo que reforça segurança nas fronteiras

Após reunião nesta quarta-feira (2), no Palácio do Planalto, entre os presidentes do Brasil, Michel Temer, e do Suriname, Desiré Bouterse, os dois países firmaram acordos em temas como segurança, facilitação de investimentos, educação e agricultura. Foram assinados seis acordos de cooperação. A migração e a situação da Venezuela também foram temas debatidos no encontro entre os presidentes.

Temer lembrou que Brasil e Suriname têm cerca de 600 quilômetros de fronteira comum e disse que, por isso, é fundamental a cooperação na área de segurança. Ele citou o acordo firmado entre a Polícia Federal brasileira e o Corpo de Polícia do Suriname, que “permitirá uma atuação mais coordenada para combater o crime transnacional e reforçar a segurança das fronteiras”.

Temer e Bouterse também conversaram sobre a preocupação humanitária com a questão dos refugiados venezuelanos. 
Foto: Divulgação/Agência Brasil
O presidente do Suriname destacou a importância da integração regional e de aprofundar relações com países fronteiriços como o Brasil. Desiré Bouterse disse que o Suriname está em posição ideal para funcionar como ponte no continente e está pronto para convidar empresas brasileiras para fazer negócios no país. “A assinatura de acordo de cooperação e investimento representa o alicerce jurídico para tanto”, disse.

Acordos

Ministros do Brasil e do Suriname assinaram acordos de cooperação técnica, de natureza econômico-comercial e de cooperação em defesa e segurança, entre outros temas.

Foram assinados acordos complementares para a execução dos projetos: Consolidação e Ampliação da Capacidade de Zoneamento Agroecológico e da Educação Ambiental do Suriname; Evoluindo da Agricultura Itinerante para Sistemas Agroflorestais no Suriname: Segurança Alimentar por meio da Agricultura Sustentável; Introdução do Cultivo Sustentável do Açaí no Interior do Suriname; Programa de Alimentação Escolar em Koewarasan, Distrito de Wanica.  
Foto: Divulgação
Representantes dos dois países firmaram ainda memorando de entendimento em cooperação interinstitucional entre a Polícia Federal do Brasil e o Corpo de Polícia do Suriname e o Acordo de Cooperação e Facilitação de Investimentos.

Comércio entre os países

O Suriname é parceiro estratégico do Brasil na fronteira norte. Ambos mantêm tradicional agenda de cooperação técnica e na área de defesa.O comércio bilateral voltou a crescer no ano passado, alcançando US$ 40,1 milhões, com superávit a favor do Brasil de US$ 29,4 milhões.

Colonizado pela Holanda, o Suriname tem como idioma o neerlandês. Com pouco mais de 2,8 milhões de habitantes, o país vive às voltas com uma economia instável e baseada na produção agrícola e mineral. Há grupos isolados de brasileiros que vivem no Suriname, a maioria garimpeiros em busca de metais preciosos.

Brasileiros orientam quilombos do Suriname na produção de arroz

Divulgar as boas práticas agrícolas na cultura do arroz de terras altas para um maior número de agricultores Quilombolas no Suriname, inventariar pragas e doenças da cultura, ministrar curso sobre produção de sementes ao técnicos do país, produzir sementes para doação aos agricultores e realizar seminário final de divulgação dos resultados alcançados, essas são as principais ações a serem desenvolvidas pela equipe do Projeto de Apoio ao Cultivo do Arroz no Suriname que está sob coordenação técnica do pesquisador Adriano Stephan Nascente, da área de fitotecnia da Embrapa Arroz e Feijão (GO) e conta com suporte da analista do Ministério da Agricultura de Suriname, Ruby Kromokardi.  Durante a missão no Suriname, iniciada no dia 19 de novembro, e segue até este sábado (25), Nascente e Kromokardi irão realizar reunião de avaliação, monitoramento e planejamento dos próximos passos do projeto, juntamente com a diretora de pesquisas do Ministério da Agricultura do Suriname, Yvonne Ramnarain, do coordenador administrativo do projeto, André Galvão, da Agência Brasileira de Cooperação  (ABC), além da representante da Embaixada do Brasil no Suriname, Gisele Stienstra e representantes do Ministério de Desenvolvimento Social e de Relações Exteriores do Suriname.
Durante a reunião foram apresentadas as ações já desenvolvidas no projeto, bem como identificado alguns pontos para melhoria. De acordo com Nascente, o projeto já teve grande sucesso e repercussão junto aos agricultores, entretanto, é necessário o apoio do Ministério da Agricultura no sentido de proporcionar condições aos agricultores para realizar o preparo do solo e a aquisição dos insumos, do contrário eles não irão obter incrementos significativos na produtividade de grãos do arroz, como era objetivo do projeto.    
Foto: Divulgação / EMBRAPA
Segundo Ruby, já existe demanda para a realização de demonstração das técnicas utilizadas para 120 produtores no Distrito de Sipaliwini e 20 produtores na região de Marowijne. Esse treinamento será realizado pela analista Ruby e sua equipe do Ministério. 
"Além da reunião, estão sendo implantadas Unidades de Demonstrativas (UDs) em Albina, capital de Marowijne e no distrito de Brokopondo, a instalação dessas UDs conta com a participação da comunidade local que auxilia em todas as atividades, já tomando conhecimento da técnica utilizada, o que facilita a adoção da tecnologia. Vamos aproveitar para testar dois espaçamentos entre plantas, 35 cm, o que foi utilizado nas Unidades Demonstrativas anteriores, com 25 cm, para verificar se reduz a infestação de plantas daninhas, sem afetar a produtividade", afirmou Nascente.
Cooperação Técnica
O projeto “Apoio ao melhoramento do cultivo do arroz em Suriname” visa apresentar tecnologias sustentáveis para proporcionar aumento da produtividade do arroz, obtida pela comunidade Quilombola, de Suriname. Esses pequenos agricultores utilizam técnicas rudimentares e possuem produtividade menor que 1.000 kg/hectare.
Foram realizados dias de campo e mostrado o potencial produtivo das cultivares com o uso de tecnologias. Os primeiros resultados mostraram que o uso de tecnologia proporcionou produtividade ao redor de 3.000 kg/hectare, o que é três vezes mais do que o obtido pelas comunidades com os métodos tradicionais de cultivo. Isso mostra que o uso de tecnologia proporciona incrementos significativos na produtividade de grãos da cultura auxiliando, ainda, na segurança alimentar do país.    
Foto: Divulgação / EMBRAPA
Próximos passos
Como próximas ações do projeto, se pretende realizar dias de campo para divulgar os resultados aos agricultores próximos das Unidades Demonstrativas instaladas e um levantamento das principais pragas e doenças de arroz no mês de fevereiro de 2018.No mês de maio, está previsto a realização de um curso técnico sobre produção de sementes de arroz e também a instalação de um campo de produção de sementes, sendo 1 hectare com a cultivar BRS Sertaneja e 1 hectare com a cultivar BRS Esmeralda.
Essas sementes serão doadas aos agricultores no seminário final, juntamente com um equipamento para a abertura das linhas de semeadura do arroz e o fertilizante necessário para a quantidade de semente recebida.
    
Foto: Divulgação / EMBRAPA
Parceria que rende frutos
Graças aos bons resultados obtidos no projeto trilateral em Suriname, o governo da Nova Zelândia decidiu apoiar outro projeto para o desenvolvimento da cultura do arroz de terras altas no Estado do Maranhão.O projeto visa proporcionar aumento da produtividade de grãos e melhorar a qualidade do arroz produzido no estado pelos agricultores familiares por meio da divulgação e validação de tecnologias sustentáveis de cultivo.
Tem duração de um ano e também prevê a instalação de UDs nos municípios de Igarapé do Meio, Itapecuru Mirim e Codó. O projeto será conduzido em parceria com as Prefeituras Municipais desses Municípios e com outras instituições como o MST e Associações de produtores do Estado do Maranhão. 

Conheça pontos turísticos na capital do Suriname

Na América do Sul, o Suriname é um dos países menos conhecidos. Na fronteira com os Estados do Pará e do Amapá, no Brasil, o país faz parte da Amazônia Internacional. É o menor país do continente e cerca de 90% de sua área é formada pela floresta amazônica. Sua capital é Paramaribo.

Colonizado pela Holanda, declarou independência em 25 de novembro de 1975. A moeda nacional é o Dólar do Suriname (em cotação do dia 13 de junho de 2017 via Banco Central do Brasil, R$ 1 equivale a SRD 2,25), mas também circula o Euro, por conta da maior parte dos visitantes serem europeus. Pela proximidade com o Pará, a companhia aérea Gol realiza vôos ao país partindo de Belém. O Portal Amazônia buscou por pontos turísticos para visitar em Paramaribo. Confira:

Fort Zeelandia 

Fortificação erguida no início do século XVII na margem esquerda do rio Suriname, tinha a função de defesa de um posto holandês. Em 1651 foi conquistado por forças britânicas e recebeu o nome de 'Fort Willoughby', uma homenagem ao Lord Francis Willoughby. Já em 1667 foi reconquistado pelos holandeses. Usado como uma prisão a partir de 1872 em diante, o Fort Zeelandia tornou-se a sede do Museu em 1972. No entanto, em 1982, após o golpe de Estado militar, o museu foi obrigado a deixar o lugar. Apenas em 1995 o museu reabriu. 
Foto: Reprodução/Shutterstock
Zoológico de Paramaribo O Paramaribo Zoo é o único zoológico no Suriname e fica cerca de 6,5 km do centro da capital. Macacos, jacarés, onças, cobras e aves compõem o zoológico. Há também um parque para as crianças. O local não vende alimentos e nem bebidas e abre das 9h às 18h, todos os dias.
Paramaribo Zoo. Foto: Reprodução/Suriname Tourism
PalmentuinPor causa das mil palmeiras imperiais plantadas no local é que ganhou este nome. Está localizado na Praça da Independência (Onafhankelijkheidsplein) e é apenas um grande jardim na Praça da Independência. Entrou na Lista do Património Mundial da ONU em 2002 e da UNESCO em 2009. 
Foto: Reprodução/Shutterstock

Mais de 20 mil militares atuam nas fronteiras da Amazônia Legal

A apreensão de drogas é frequente nas fronteiras da Amazônia Legal. Somente no início de janeiro, o Exército Brasileiro apreendeu 905 quilos (kg) de skunk, maconha com alto teor de THC, no rio Japurá. A droga foi encontrada boiando no rio após o naufrágio de um barco e os traficantes fugiram. Mais de 20 pacotes foram recolhidos e encaminhados à Polícia Federal.

O avanço do crime organizado na região é uma das principais preocupações das autoridades na região onde, atualmente, atuam 21 mil militares. Na década de 1950, mil profissionais exerciam a missão de garantir a tríade 'integridade nacional, soberania e defesa da pátria' nos 9.762 quilômetros (km) de fronteira brasileira da região com Venezuela, Colômbia, Peru e Bolívia. Nessa faixa, as Forças Armadas exercem o chamado poder de polícia em uma faixa de 150 km de largura dentro do território brasileiro, por meio de 24 pelotões e um efetivo de 1.500 militares provenientes de todo país. 
Pelotão especial de fronteira, em Vila Bittencourt, próximo à Colômbia. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Nas áreas de selva amazônica, que compreende o território de oito países, ainda atuam dissidentes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), que não aceitaram o acordo de paz com o governo do país, além de um efetivo de 400 guerrilheiros do grupo peruano Sendero Luminoso. No ano passado, o diálogo entre o governo colombiano e as Farc se intensificou e, após um acordo que não foi aceito pela população colombiano, as partes firmaram um novo acordo em novembro.

"Está havendo um processo de pacificação, de desarmamento, mas nos preocupa a Frente Número 1 [das Farc, composta por 200 guerrilheiros], que existem indícios de que alguns elementos talvez não fossem aderir ao processo de pacificação. A droga, a cocaína, o skunk, que entra aqui dentro no nosso país [por essa região] é proveniente dessa área”, explica o chefe do Comando Militar da Amazônia general Miotto.

Segundo o ministro da Defesa, Raul Jungmann, o arsenal de armas dos dissidentes das Farc pode inclusive chegar às facções criminosas responsáveis pela atual crise no sistema penitenciário brasileiro. "Com o acordo de paz [descumprido], o arsenal deles está ficando uma de parte na mão dos dissidentes ou mesmo não sendo entregue. Essas armas podem vir a chegar aos nossos centros metropolitanos, agravando a crise de segurança [pública no país]", aponta.

Fronteiras

O Brasil tem, ao todo, 17 mil km de fronteiras. Em toda a América do Sul, o país só não faz divisa com Chile e Equador. Os desafios, no entanto, vão além do tráfico de drogas. De acordo com o general Miotto, as tropas militares enfrentam diariamente a pesca ilegal, o tráfico de armas, contrabando, garimpo ilegal, dragas nos rios, imigração ilegal, desmatamento, infrações ambientais, pistas de pouso ilegais, extração ilegal de madeira e tráfico de animais silvestres.

"Tudo isso que ocorre na fronteira vai impactar nos grandes centros urbanos do nosso país e com organizações criminosas fomentando", disse. Segundo o militar, o tráfico internacional de animais silvestres paga valores exorbitantes por uma espécie rara ou em extinção, como a jiboia, que chega a ser negociada por US$ 1,5 mil; a cobra coral verdadeira, por US$ 31 mil e a arara-azul,que pode valer US$ 60 mil, com destinos a países europeus e aos Estados Unidos.

Isolamento

As grandes distâncias dos centros urbanos impõem aos militares e moradores das regiões de fronteiras limitações como infraestrutura precária e até mesmo ausência de serviços do Estado em decorrência de verdadeiros vazios demográficos. O acesso restrito é realizado por meio dos rios ou rotas aéreas que, em determinadas regiões, são quinzenais.

"Estou acostumada com o isolamento. A família militar aqui no pelotão é a minha família. Em uma cidade grande as opções de lazer são mais diversas. Aqui é uma vida muito tranquila e até mesmo limitada, mas a experiência nessa região é algo que vou levar para o resto da minha vida. Atendemos uma área muito importante para o país", conta a tenente Fernanda Nascimento, farmacêutica de 25 anos. A militar é uma das duas oficiais mulheres da tropa do Exército em Vila Bittencourt.

Quarenta minutos de lancha separam Vila Bittencourt de La Pedrera, a cidade mais próxima, na Colômbia. É de lá que os moradores podem sair de avião a cada quinze dias. A comunidade, que abriga um pelotão de fronteira, está localizada a 1.062 km da capital, Manaus. Aparelho presente na mão de vários moradores do vilarejo, o celular permite acesso ao restante do país por meio da internet. "Apesar de fraca, a internet nos conecta com o restante do país. Mas sinto falta do telefone, de ligar e ouvir a voz das pessoas da minha família", afirma Fernanda.

O técnico de enfermagem em Vila Bittencourt, cabo Rosuel Matos, de 22 anos, não pretende deixar a região. Nascido em Tabatinga (AM), o jovem pretende cursar enfermagem em Manaus e retornar para um dos pelotões de fronteira do país. "É perigoso conviver com a guerrilha, o local não tem infraestrutura adequada, às vezes tenho muito medo de ataques do narcotráfico, mas gosto dessa região e quero continuar na fronteira, apesar de todas as dificuldades", diz. Em geral, os militares vão acompanhados de seus familiares quando servem nos pelotões de fronteira por períodos que duram, no mínimo, um ano.

SisFron

Em visita ao centro de controle do Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (Sisfron), em Dourados (MS), o ministro Raul Jugmann ressaltou o importância da atuação do 35 mil militares da Marinha, Exército e Aeronáutica nas regiões de fronteiras de todo país. O sistema, desenvolvido pelo Exército Brasileiro, com orçamento de R$ 450 milhões previstos para 2017, permitirá a fiscalização da faixa limítrofe com os 10 países sul-americanos.

“A fronteira está distante fisicamente, mas está mais do que nunca, perto das nossas cidades, das nossas metrópoles. É na defesa delas, na segurança, que vamos conseguir reduzir essa onda de criminalidade. Vamos conseguir combater, aqui no seu início, as drogas, o contrabando, o descaminho”, ressaltou.