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Terça, 11 Mai 2021

Conheça espécies de macacos que só são encontradas na Amazônia

Na Amazônia, encontramos uma rica e diversa fauna. Das 156 espécies de primatas encontradas na América do Sul, 60% estão na Amazônia brasileira.

Durante a pandemia de coronavírus cresce o consumo de mel e outros produtos de abelhas nativas no Amazonas

Aumento na demanda pode estar relacionada ao uso medicinal; cadeia produtiva tem potencial de se tornar mais um componente de inovação na Bioeconomia.

Na Amazônia, Instituto Mamirauá realiza 1º manejo sustentável de jacaré em vida livre do Brasil

Atividade pode se tornar fonte de renda alternativa para comunidades ribeirinhas do interior da Amazônia

Pesquisador traça panorama do muiraquitã, amuleto símbolo da Amazônia

A monografia, chamada “Contextualização espacial histórica e tecnológica dos muiraquitãs amazônicos", foi escolhida com unanimidade pelo júri do prêmio Luiz de Castro Faria - 2018. A premiação é realizada desde 2013 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) junto ao Centro Nacional de Arqueologia (CNA). Também foram reconhecidos artigos científicos, uma dissertação e uma tese, todas no campo da preservação do patrimônio nacional e da arqueologia.

Muiraquitãs mostram a complexidade dos antigos povos da Amazônia

Um objeto de pedra verde, feito em forma de rã ou sapo e que cabe na palma da mão. Essa é a versão mais conhecida dos muiraquitãs, artefatos da Amazônia antiga que permanecem muito vivos na cultura local. Os “sapinhos” verdes atualmente são símbolos de sorte, proteção e amor. Para arqueólogos, como Márcio Amaral, eles também representam evidências de um passado movimentado e complexo em terras amazônicas. Uma jornada que começou bem antes do contato com os europeus e teve continuidade durante a colonização. 
Foto: Amanda Lelis/Instituto Mamirauá

De acordo com o pesquisador, ao longo de diversos trechos da Pan-Amazônia, existiam “extensas e ramificadas redes de trocas, que integravam diversidade étnica e mantinham relações conexas e intrínsecas em torno dos objetos de pedras verdes”.

Os muiraquitãs tinham alto valor, funcionando como moedas da época, e circulavam por diferentes sociedades que habitaram esse território séculos atrás, atravessando até milhares de quilômetros.

“Já foram encontrados muiraquitãs no Maranhão, nas Antilhas, nas Guianas, o que indica um extenso fluxo entre esses povos antigos”, conta o arqueólogo do Instituto Mamirauá. Os objetos estavam ligados “a rituais de fertilidade, à água, à fartura. Então tinha toda uma simbologia e ideologia tanto política, quanto religiosa, que era pano de fundo do muiraquitã”.
Foto: Márcio Amaral/Instituto Mamirauá

Um dos maiores centros de produção dos amuletos verdes ficava na região hoje conhecida como Baixo Amazonas, que abrange municípios paraenses como Prainha, Monte Alegre e Santarém. Esse foi o ponto de partida de Márcio Amaral, que buscou identificar as ferramentas e reproduzir a maneira como os muiraquitãs eram manufaturados pela sociedade indígena Tapajós, provavelmente, a partir do século 8 d.C. (depois de Cristo), em um tempo e contexto onde os metais não estavam na lista de ferramentas.

Para a pesquisa, foram analisados muiraquitãs arqueológicos da coleção Juma Janaína, pertencente à Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa). “Conseguimos estabelecer uma linha de pesquisa e, por meio de uma série de testes, reproduzir como esses materiais eram fabricados”.

Além da manufatura em si, Márcio traçou um panorama espacial e histórico das relações sociais envolvendo os muiraquitãs. “Fomos atrás de subsídios, desde a construção e formação de paisagens na Amazônia, trocas entre grupos indígenas que estavam geograficamente muito distantes, e questões ligadas à religião, à guerra, a fontes de matéria-prima e ao material utilizado para a confecção”.

O estudo foi realizado com orientação do Prof. Dr. Claide de Paula Moraes, dentro da graduação em Arqueologia da Ufopa, que Márcio Amaral cursou entre os anos de 2012 e 2017. Apesar de ser recém-formado, o pesquisador tem grande experiência na área, e atua como técnico de campo e laboratório desde o início dos anos 2000, tendo trabalhado com grandes nomes da arqueologia amazônica, como Anna Roosevelt e Denise Schaan. 
Foto: Everson Tavares/Instituto Mamirauá
Para Márcio Amaral, que desde 2015 integra o Laboratório de Arqueologia do Instituto Mamirauá, o reconhecimento com o prêmio Luiz de Castro Faria-2018 é “um estímulo, saber que o trabalho que se faz vai servir de referência para outras pesquisas. É assim que o conhecimento é ampliado e a ciência avança”.

A cerimônia do prêmio Luiz de Castro Faria-2018 acontecerá no próximo dia 25 de outubro na Sede do Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional – IPHAN em Brasília.

'Cemitério indígena' com mais de 500 anos é descoberto no Amazonas

Arqueólogos do Instituto Mamirauá anunciaram a descoberta de nove urnas funerárias de uma população indígena que habitou, há cerca de 500 anos, a região que hoje compreende a pequena comunidade Tauary, localizada na região central do Amazonas. Os vestígios são de um período próximo ao contato com os europeus.



A descoberta aconteceu em julho. Segundo o Instituto, as urnas estavam enterradas a uma profundidade de 40 centímetros da superfície, dentro de uma área de 4 metros quadrados nas imediações da escola comunitária.

“Urnas funerárias como as que foram encontradas são comuns pela Amazônia brasileira e nas partes amazônicas de países como Peru e Equador”, afirma o arqueólogo do Instituto Mamirauá, Eduardo Kazuo Tamanaha.
Foto:Divulgação/Instituto Mamirauá
“Mas os pesquisadores costumam recebê-las da mão de moradores do local, que de fato encontram os artefatos e os retiram da terra. Agora, escavar e encontrar uma cova com as urnas dessa cultura, do jeito que estavam, e realizar todo o registro científico, é algo inédito”, explica.

No Brasil, é a primeira vez que cientistas localizam e escavam urnas funerárias da chamada Tradição Polícroma da Amazônia diretamente do solo.

Conhecida pela decoração com uso de pinturas vermelhas e pretas, a Tradição Polícroma da Amazônia é um conjunto de cerâmicas que fazem parte da pré-história da região.
Foto:Divulgação/Instituto Mamirauá
“A Tradição Policroma da Amazônia é um estilo que tem larga abrangência nas terras baixas da América do Sul, presente em um eixo oeste-leste desde o sopé (das Cordilheiras) dos Andes até a boca do rio Amazonas e também é vista nos afluentes do rio Amazonas/Solimões”, afirma a pesquisadora Márjorie Lima, do Laboratório de Arqueologia do Instituto Mamirauá.

A carência de vestígios, como a terra preta de índio (solo muito fértil e característico de antigas ocupações humanas na Amazônia), e fragmentos de cerâmica indicam que aquela seria uma área específica do sítio arqueológico, possivelmente reservada ao enterro de corpos, como um cemitério da antiga sociedade que ali vivia.

“As urnas funerárias fazem parte das práticas mortuárias de muitos grupos indígenas. Elas eram mais comuns no passado, mas ainda há relatos de alguns sepultamentos em épocas recentes sendo feitos em urnas, mas também em cestarias ou redes. Elas são muito variadas e estão intimamente ligadas às crenças e religiões praticadas, parecido com o que é praticado nos cemitérios das cidades”, ressalta Anne Rapp Py-Daniel, arqueóloga e especialista no estudo de urnas arqueológicas na Amazônia, que também participou das escavações.
Foto:Divulgação/Instituto Mamirauá
Padrão intriga os cientistas

A maneira como as urnas foram encontradas chamou a atenção dos arqueólogos. “As urnas funerárias têm rostos desenhados, o interessante é que nenhum desses rostos estava ‘olhando’ para outro. Se uma urna foi enterrada com o rosto para cima, a urna ao lado dela estava ‘olhando’ para baixo, e a seguinte estava enterrada de lado. É como se elas não quisessem olhar uma para a outra. As urnas seguiam uma ordem, claramente elas foram enterradas daquele jeito e foi intencional”, comenta o pesquisador do Instituto Mamirauá.

O conjunto das urnas arqueológicas também se diferencia pela variedade entre tipos e adornos nos acabamentos cerâmicos, como a pintura de cabeças humanas, formas animais e a presença ou ausência de bancos, onde as urnas podiam ser colocadas.
Foto:Divulgação/Instituto Mamirauá
“Alguns grupos indígenas do passado representavam a identidade dos mortos ou símbolos (de entidades, de deuses, de animais mitológicos, etc.), que acreditavam ser importantes, nessas urnas. Ou seja, elas além de receptáculo para os mortos, também contam diferentes estórias sobre a sociedade que as produziram e no que ela acreditava. Infelizmente, na grande maioria das vezes, os arqueólogos não têm o ‘dicionário’ que permita fazer uma tradução exata desses símbolos”, conta Anne Rapp Py-Daniel.

O motivo ou motivos dessa organização curiosa e para tantos detalhes ainda são desconhecidos, mas a equipe de especialistas espera encontrar pistas a partir de análises mais aprofundadas no Laboratório de Arqueologia do Instituto Mamirauá, localizado na cidade de Tefé, no Amazonas.

“Esperamos ter essas informações a partir das próprias urnas, associando ao local em que elas estavam depositadas, a sua decoração, com a morfologia, o conteúdo que tinham dentro e juntar todos esses fatores em busca de algum sentido para elas estarem ali da forma que elas estavam”, explica Eduardo Kazuo.

Urnas foram enterradas sobre a “cama” de civilização ainda mais antiga

Com base nas avaliações preliminares do material e na profundidade das covas, os arqueólogos acreditam que as urnas podem ter sido enterradas ao mesmo tempo. “Se fossem momentos diferentes de enterramento, as urnas estariam em alturas distintas. É como se tivessem escavado uma única cova e depositado uma urna ao lado da outra”, aponta o arqueólogo.
Foto:Divulgação/Instituto Mamirauá
A escavação também revelou sinais de uma sociedade ainda mais antiga que aquela que produziu as urnas funerárias. São fragmentos de cerâmica que pertencem a um grupo que habitou a mesma região, mas em um tempo diferente. “A urnas do Tauary são próximas ao ano 1500 depois de Cristo. Mas essa outra cerâmica encontrada aparenta ser muito mais antiga, com uma diferença de 40 centímetros de profundidade em relação ao período das urnas, o que indica uma passagem grande de tempo”, conta.

“Nossa hipótese é que quando o grupo que escavou os buracos para depositar as urnas, eles encontraram esse material muito mais antigo, pegaram todo esse material, espalharam e fizeram quase que um piso de cerâmica, colocando as urnas em cima dele. É uma cerâmica mais antiga que provavelmente não tem a ver com os antepassados deles”, acredita o pesquisador do Instituto Mamirauá.

Tauary, lar de riquezas do passado da Amazônia

Na comunidade Tauary, existe um grande sítio arqueológico, cuja real extensão ainda está sendo levantada pelos arqueólogos.
Foto:Divulgação/Instituto Mamirauá
Em 2014, as primeiras urnas funerárias foram encontradas no lugar e, quatro anos depois, os pesquisadores retornaram para mais investigações sobre “a trajetória histórica de ocupação do Tauary e os vestígios encontrados, sejam materiais cerâmicos ou botânicos, na terra ou sobre a terra, no presente e no passado”, como define Eduardo Kazuo, que é coordenador do Laboratório de Arqueologia do Instituto Mamirauá.

Sobre o Instituto Mamirauá

O Instituto Mamirauá é uma unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). Trabalharam juntos na expedição arqueológica o Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo (MAE-USP), o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), a Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), a Universidade Estadual do Amazonas (UEA) e a Universidade Pompeu Fabra, de Barcelona.

Instituto Mamirauá monitora onça-preta da Amazônia

Com o estrondoso sucesso do filme de super-herói “Pantera Negra” nos cinemas, os grandes felinos com pelagem preta estão na moda. As onça-pretas (ou melânicas) são as representantes “nacionais” desse grupo, habitando diversos biomas do país, incluindo a Amazônia. Jacques, é a mais nova onça-pintada preta monitorada pelo Instituto Mamirauá.

O encontro com o felino aconteceu na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá. Localizada no estado do Amazonas, no médio curso do Rio Solimões, é na reserva onde pesquisadores do Instituto Mamirauá investigam a ecologia de onças-pintadas em ambientes de várzea, as florestas alagáveis da Amazônia.
Foto:Emiliano Ramalho/Instituto Mamirauá
Jacques é um jovem macho da espécie, em boas condições físicas. Com idade estimada entre seis e oito anos, pesa por volta de 55 quilos. A inspiração para o nome Jacques veio do oceanógrafo e conservacionista francês Jacques-Yves Cousteau (1910-1997).
Foto:Emiliano Ramalho/Instituto Mamirauá
Preta ou pintada?

Essa é a quinta onça-preta monitorada pelo Instituto Mamirauá em mais de dez anos de pesquisas com felinos. Esse tipo de animal é um caso raro na natureza, correspondendo a uma baixa percentagem entre onças-pintadas. O melanismo acontece por uma mutação genética que causa alta concentração de melanina no pelo do animal, o pigmento que lhe dá a cor preta.

Por causa disso, há quem acredite que a onça-preta não é uma onça-pintada, mas sim outra espécie de felino. O mal-entendido é revelado quando se olha imagens noturnas do animal, registradas com câmeras infravermelho. Nelas, é possível ver as “pintas” debaixo da pelagem escura.
Foto:Projeto Iauaretê/Instituto Mamirauá
De olho nas onças-pintadas para a conservação da espécie

O Grupo de Pesquisa Ecologia e Conservação de Felinos na Amazônia realiza, todos os anos, a captura de onças-pintadas. Elas são capturadas com o uso de armadilhas de laço, instaladas em trilhas na floresta. Em sequência, os especialistas ajustam um colar de telemetria e fazem exames clínicos e coletas de material biológico para avaliar a saúde do animal.
Foto:Divulgação/Instituto Mamirauá
“A captura dessa onça-pintada foi muito tranquila, é um animal que se mostrou quase dócil. O procedimento durou aproximadamente uma hora, para colocar o colar e coletar as amostras biológicas”, informa Emiliano Ramalho, líder do grupo de pesquisa em felinos do Instituto Mamirauá, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC).

Os colares de telemetria possuem um sistema GPS que permite acompanhar a locomoção das onças durante o ano inteiro. A partir dos dados levantados pelo monitoramento, nos últimos anos os cientistas têm descoberto novas informações sobre as onças-pintadas na Amazônia, que são importantes para a conservação da espécie.

As pesquisas com onças-pintadas do Instituto Mamirauá contam com financiamento da Fundação Gordon and Betty Moore.

Estudo caracteriza sistema respiratório de golfinhos-de-rio

O aparelho respiratório dos golfinhos amazônicos é semelhante ao de outros grupos de mamíferos aquáticos, incluindo outros cetáceos. O artigo "Posterior respiratory apparatus of Inia geoffrensis and Sotalia fluviatilis: structure and ultrastructure", publicado recentemente no “Internacional Journal of Morphology”, traz as características do sistema respiratório de duas espécies de golfinhos-de-rio: o boto-cor-de-rosa (Inia geoffrensis) e o boto tucuxi (Sotalia fluviatilis).
Foto:Reprodução/Instituto Mamirauá
Para realizar a pesquisa, foram analisadas carcaças de golfinhos coletadas no Lago Tefé e na Reserva Mamirauá, no Amazonas. As amostras foram coletadas entre os anos de 1995 e 2015. “O trato respiratório das duas espécies de golfinhos foram analisadas utilizando técnicas macroscópicas e microscópicas”, explica o autor do artigo, Luzivaldo Júnior. A pesquisa foi realizada em parceria com a Universidade Federal do Acre e a Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo.

O estudo identificou “traqueia, brônquio principal, brônquio traqueal e pulmão” no aparato respiratório dos botos estudados. A presença do brônquio traqueal sugere que esses animais possuem facilidade em realizar trocas gasosas.“Os botos e tucuxis, diferente dos humanos, possuem  brônquio traqueal, uma adaptação anatômica. Esse aparelho ajuda na entrada e saída de ar nos pulmões e faz com que eles acumulem mais oxigênio nos pulmões, não exigindo muito tempo de exposição à superfície para respirar”, afirma o pesquisador.

A análise revelou ainda a presença de esfíncteres mioelásticos, registrados pela primeira vez em golfinhos de rio. “Acreditamos que ele seja um órgão que ajude no armazenamento de oxigênio. Será necessário um estudo fisiológico para entender melhor a importância do esfíncter mioelástico para os cetáceos”, ressalta Luzivaldo.

Os resultados da pesquisa apontam que o aparelho respiratório do boto-cor-de-rosa e do boto tucuxi são semelhantes ao de outros grupos de mamíferos aquáticos. “A presença de brônquios e traqueias, além de facilitar as trocas gasosas, é a principal característica que diferencia o sistema respiratório desses animais de várias espécies de mamíferos terrestres, como o homem e o cão”. A pesquisa foi premiada no VII Encontro Nacional de Conservação e Pesquisa em Mamíferos Aquáticos, realizado em Natal (RN).

Ainda de acordo com o autor do artigo, o conhecimento da estrutura respiratória dos golfinhos amazônicos pode contribuir para compreensão da fisiologia do mergulho e como essas espécies são adaptadas ao habitat.

O artigo teve contribuição da líder do Grupo de Pesquisa em Mamíferos Aquáticos Amazônicos do Instituto Mamirauá, Miriam Marmontel. Há mais de dez anos, o grupo investiga a biologia, ecologia e estratégias de conservação desses animais na região do Médio Solimões na Amazônia.

Grupo Boticário oferece apoio ao Instituto Mamirauá em pesquisas com peixes-boi

Com experiência de mais de duas décadas no estudo sobre os peixes-boi amazônicos, o Instituto Mamirauá recebe agora o financiamento da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza com o objetivo de identificar áreas prioritárias para a conservação do peixe-boi em uma importante região da Amazônia: a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã.
Foto:Reprodução/Inpa
Com cerca de 2,3 milhões de hectares, Amanã, no estado do Amazonas, é uma das maiores áreas protegidas em florestal tropical do mundo e lar de vários espécimes de peixe-boi. Desde o início dos anos 2000, o Instituto Mamirauá desenvolve ações em conjunto com os moradores da reserva, unindo os saberes tradicionais aos conhecimentos científicos em projetos destinados à conservação do peixe-boi amazônico na área protegida. Uma dessas ações, o Centro de Reabilitação de Peixe-Boi Amazônico de Base Comunitária (mais conhecido como “Centrinho”), oferece assistência veterinária a peixes-boi encontrados em situação de risco.

Com o apoio da Fundação Grupo Boticário, o Instituto Mamirauá dá continuidade ao trabalho de monitoramento dos peixes-boi reabilitados depois que eles são reinseridos na natureza. Eles passam então a ser rastreados por telemetria, um método que permite localizá-los debaixo d´água buscando os sinais de rádio emitidos pelo cinto transmissor instalado em cada peixe-boi. Em cima de barcos e munidos de antenas, os pesquisadores recebem os sinais dos animais e podem assim identificar sua distribuição nos lagos da Reserva Amanã.

“Vamos relacionar as localizações dos peixes-boi com as variáveis ambientais (como profundidade, turbidez e velocidade da correnteza de superfície) para tentar identificar um padrão de uso do ambiente para esses animais”, explica a pesquisadora Camila Carvalho, uma das responsáveis pelo projeto. Os monitoramentos vêm sendo realizados durante dez dias consecutivos por mês desde setembro do ano passado e seguem até setembro de 2018, quando o projeto completa um ano. A meta é que quatro peixes-boi amazônicos (quatro fêmeas e um macho) sejam monitorados nesse período.

Camila Carvalho explica que o foco das pesquisas se concentra nas áreas de uso dos peixes-boi “para podermos entender todo esse grande cenário e tentar construir o passo a passo do caminho dos peixes-boi na região ”.

A comunidade envolvida

Seguindo a tradição do Instituto Mamirauá em envolvimento comunitário, outra diretriz do projeto dos peixes-boi é o trabalho junto com os moradores de Amanã. Durante o segundo semestre de 2018, serão realizadas reuniões para o mapeamento participativo das áreas de uso das comunidades. Os mapas serão elaborados a partir de imagens de satélite e das referências dos comunitários para identificação dos locais de pesca, tráfego intenso de embarcações e ocorrência de peixes-boi amazônicos.

Na fase final do projeto, acontecerá uma capacitação de dois dias com 25 agentes ambientais voluntários da Reserva Amanã para informar sobre os resultados, auxiliar na identificação de ameaças e na partilha de conhecimento através da orientação dos moradores de suas áreas de atuação. “Acredito que será muito interessante a interação com os AAVs, que é um diálogo que nunca tivemos antes, com pessoas que podem contribuir bastante com a conservação dos peixes-boi”, ressalta a pesquisadora do Instituto Mamirauá, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC).

Sobre a Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza

Desde o início dos anos 1990, a Fundação Grupo Boticário apoia iniciativas voltadas à conservação da natureza no Brasil. De acordo com o site da instituição, em 27 anos de atuação, a Fundação já viabilizou cerca de 1.528 iniciativas, colaborando para a descoberta de 164 novas espécies da fauna e flora brasileiras. A seleção das propostas ocorre por meio de editais para projetos ou cartas-consulta para programas de apoio à pesquisa.

Instituto Mamirauá abre seleção para bolsistas de iniciação científica

O Instituto Mamirauá está selecionando três bolsistas para o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica Sênior (PIBIC). As inscrições seguem até o dia 19 de janeiro e são destinadas exclusivamente para estudantes do ensino superior.
Foto:Divulgação/Instituto Mamirauá 
De acordo com a coordenadora de pesquisas do Instituto Mamirauá, Maria Cecília Gomes, o programa tem como objetivo contribuir para a formação de recursos humanos para a pesquisa, proporcionar a aprendizagem de métodos e técnicas de pesquisa ao jovem pesquisador, além estimular o interesse pela pesquisa e desenvolvimento tecnológico.

Para concorrer às vagas, o candidato deve preencher uma ficha de inscrição e entregá-la na portaria do Instituto Mamirauá, na Estrada do Bexiga, nº 2.584 Bairro Fonte Boa, em Tefé.  Junto à ficha de inscrição devem constar o currículo, cópia do RG, CPF e histórico escolar atualizado. A inscrição também poderá ser realizada online, por meio do envio da documentação digitalizada para o e-mail [email protected].

Para mais informações sobre as vagas disponíveis, acesse www.mamiraua.org.br/pibic.

Sobre o Programa de Iniciação Científica

Atualmente, são 15 jovens do município de Tefé, no Amazonas, participando da Iniciação Científica na instituição. Nos 14 anos do programa, o Instituto - unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) - já recebeu e orientou cerca de 350 estudantes em seus projetos no Pibic Júnior, voltado a alunos do ensino médio, e no Pibic Sênior, com foco em alunos da graduação.

Saiba mais sobre o programa, acessando mamiraua.org.br/pibic ou conheça a história de alguns estudantes do programa na edição especial do informativo O Macaqueiro

Mamirauá registra desova de mais de 450 quelônios em 2017

Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá registrou, de agosto até dezembro deste ano, a desova de 454 fêmeas de quelônios. Localizada no coração do estado do Amazonas, a reserva é nascedouro para centenas de iaçás, tracajás e tartarugas-da-amazônia. A desova dos quelônios acontece durante a temporada de seca dos rios, no mês de agosto, época em que os animais procuram praias e margens de lagos da reserva. Nesta época, é também quando começam as atividades de conservação, feitas voluntariamente por moradores de comunidades próximas às regiões de “berçário” dos animais, trabalho que recebe assessoria do Instituto Mamirauá.
Foto:Divulgação/Instituto Mamirauá
O cálculo é feito a partir da contagem da quantidade de ninhos formados na areia dos locais monitorados; cada ninho corresponde a uma fêmea. Desse total, a grande maioria é obra das pequenas iaçás (Podocnemis sextuberculata), com cerca de 82%; em segundo lugar ficaram as tartarugas-da-amazônia (Podocnemis expansa), responsáveis por 12,7%; e, por fim, os tracajás (Podocnemis unifilis) com 5,3% dos ninhos contabilizados.
Foto:Divulgação/Instituto Mamirauá
Os resultados são preliminares (a contagem será concluída ao final do período de nascimento dos quelônios, em janeiro), mas já dão um demonstrativo da temporada e ajudam no entendimento da ecologia desses animais nas áreas monitoradas, como e explica a pesquisadora do Instituto Mamirauá, Marina Secco. “É importante fazer o acompanhamento em longo prazo dos quelônios, registrar os dados de reprodução e nascimento para, futuramente, poder trabalhar o manejo das espécies e para que as populações da reserva possam consumir os animais de maneira sustentável”, afirma.

Nesse ano, o monitoramento de praias e beiras de lagos foi feito em sete comunidades da Reserva Mamirauá: Novo Tapiira, São Francisco do Bóia, Porto Braga, Horizonte, Caburini, Viola do Panauã e São Raimundo do Panauã. Até o mês de dezembro, quatro das comunidades entregaram os dados de conservação comunitária de quelônios.
Foto:Divulgação/Instituto Mamirauá
Guardiões da praia e das margens dos lagos

De agosto a janeiro, os comunitários se revezam para percorrer diariamente as praias e margens de lagos onde a desova acontece. Em fichas de papel, anotam todos os ninhos que encontram ao longo do caminho. Uma formação circular ou um “remexido” na areia pode ser indício de ninho, o que os olhos experientes da reserva logo confirmam. Outro dado importante é a quantidade de ninhos que foram atacados por predadores, incluindo seres humanos.

O Instituto Mamirauá, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), acompanha o monitoramento mensalmente in loco com as comunidades. A pesquisadora Cristiane Araujo segue a rotina dos vigilantes, dando orientações sobre o processo de coleta de dados e também aprendendo técnicas práticas de reconhecimento de ninhos. Em parceria com os moradores da reserva, o Programa de Pesquisa em Conservação e Manejo de Quelônios do instituto está desenvolvendo uma metodologia de contagem nessa região de várzea.

Na fase final do período reprodutivo, quando os ovos eclodem e os filhotes de quelônios começam a sair nas praias e lagos, os pesquisadores recolhem as fichas para fazer a análise da temporada. Para evitar a predação ou o afogamento com a subida de nível dos rios, alguns comunitários recolhem os recém-nascidos e os acomodam em tanques provisórios, onde são cuidados por cerca de uma semana, e são restituídos à natureza. No último mês de novembro, nos arredores da comunidade Porto Braga, cerca de 800 filhotes de quelônios foram soltos pelo trabalho de conservação comunitária.

Artesanato com cauaçu garante autonomia financeira a mulheres do Amazonas

Concentrada, Maria Marly das Chagas prepara um balaio, os dedos trançando com habilidade e esmero as talas do cauaçu. Aos poucos, o objeto vai ganhando forma e cor com o amarelo da fibra natural e o vermelho extraído da planta do crajiru. Na sequência, vêm cestos, peneiras, tupés, paneiros, jogos de mesa, tudo confeccionado em ritmo constante para responder à procura de um mercado que se encantou com o artesanato amazônico. Há 16 anos, esse é o trabalho de Marly e de um grupo de mulheres ribeirinhas organizadas no Teçume D´Amazônia. A história dessas artesãs foi contada pela antropóloga do Instituto Mamirauá, Marilia de Jesus Silva Sousa, em sua recente tese de doutorado.
Teçume D´Amazônia produz cestos, peneiras, tupés, paneiros, jogos de mesa, tudo confeccionado com fibras de cauaçu. Foto:Divulgação/Instituto Mamirauá
Mestras do cauaçu
Especialista em Antropologia Rural, Marilia acompanha e incentiva o Teçume D´Amazônia desde a criação do grupo, em 2001. De acordo com a pesquisadora, uma das marcas que diferencia o trabalho das artesãs é o manejo cuidadoso dos recursos florestais usados na confecção dos produtos. O Teçume D´Amazônia é um empreendimento formado por um coletivo de mulheres artesãs que desenvolve suas atividades no coração de uma das maiores áreas protegidas da América do Sul: a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã, com seus mais de 2 milhões de hectares de biodiversidade, no estado do Amazonas.
A antropóloga Marilia de Jesus Silva acompanha o Teçume D´Amazônia desde o início. Foto:Divulgação/Instituto Mamirauá
“Moradoras de uma unidade de conservação, as mulheres conhecem muito bem o ciclo natural de crescimento e maturação das plantas e são cautelosas na forma de extraí-las, quando esses recursos estão aptos para serem usados”, afirma. A fibra do cauaçu (Calathea lutea), que cresce em grande porte nas restingas altas em volta das comunidades, é a principal matéria-prima para as criações das artesãs. Desde a retirada na mata até os detalhes finais das peças, o trabalho é predominantemente feminino.
“Tudo é feito por nós. A gente vai na área de várzea, tira o talo, o cauaçu. Chega em casa, raspa, tira talinha por talinha, tira o ‘bucho’, que a gente chama, aí o que for para tingir a gente separa o que vai ser tingido ou não. Toda a tinta a gente tira da natureza: o crajiru pra fazer o vermelho, o açafrão pro amarelo e o anil pro azul. O crajiru com o anil fica uma cor muito linda, cor de açaí”, explica Marly, uma das líderes do grupo, com a experiência de quem lida com o ofício há mais de uma década. Hoje uma verdadeira mestra no artesanato de cauaçu, ela lembra que o começo do grupo não foi nada fácil.
Manejando recursos naturais e conflitos de gênero
Na época, a organização era chamada Grupo de Mulheres do Setor Coraci e, na raiz, estava a ideia de fortalecer o espaço das mulheres na vida das comunidades. O Instituto Mamirauá, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), incentivou a iniciativa e até hoje presta assessoria técnica ao grupo.
“Junto com a formação do grupo visando a participação social, tinha uma proposta de geração de renda. E o artesanato foi uma alternativa de renda apontada pelas mulheres”, conta a pesquisadora Marilia Sousa.  “A dinâmica sempre foi a de produzir artesanato e para produzir elas se reuniam, se planejavam, isso foi criando para as mulheres o exercício de envolvimento com um tipo de organização, o que levou também a elas terem a percepção da importância delas na organização maior, seja na Reserva Amanã, na associação, era também importante elas estarem participando”.
O artesanato proporcionava então grandes mudanças na dinâmica daquelas comunidades ribeirinhas na Amazônia, o que não foi conquistado sem conflitos, especialmente na relação com homens, que tiveram que se adaptar ao novo papel das mulheres, para além do perfil tradicional de mãe, dona de casa e esposa. “Nessa época, a gente era supercarregada de filhos. A que tinha menos, tinha 8 crianças. Tinha artesã que era mãe, esposa, estudava e trabalhava com artesanato. E tinha dia que ela não sabia o que fazia, não sabia por onde começar”, recorda Marly Chagas.
Com o artesanato, a liberdade
A antropóloga do Instituto Mamirauá avalia que o ofício de artesã construiu um novo projeto de vida para as mulheres do Teçume da Amazônia. “Se antes o tempo dessas mulheres estava dedicado exclusivamente às atividades agrícolas, às atividades domésticas, a cuidar do filho, em casa, com marido, elas tiveram que criar um outro espaço delas, para produzir artesanato. Mas, não era só produzir, era planejar, discutir, criar todo um sistema de atuação de um coletivo feminino”.
A pesquisadora afirma que a autonomia financeira vinda da produção e venda de artesanato fortaleceu ainda mais o grupo. “Foi esse ponto que trouxe o restante das conquistas, o prestígio social, as pessoas passaram a ouvi-las mais. Elas passaram a ter um ponto de vista, além de reflexivo, muito questionador, em relação às mulheres. Elas costumam dizer: com o artesanato, a gente ganhou liberdade”.
Com os ganhos de uma das primeiras vendas de artesanato, as mulheres compraram uma máquina de lavar e caixa d’agua para uso coletivo. Com os novos utensílios, se viram livres das caminhadas quase que diárias ao rio para coletar água e lavar a roupa, atividades cansativas e que tomavam muito tempo. “Esse momento foi muito emblemático, porque foi uma forma delas gerenciarem melhor o tempo e de ter poder de decisão e gerenciamento do orçamento doméstico, vindo de uma atividade que elas mesmo desenvolvem. Tudo isso dá a elas um novo lugar”, considera Marilia Sousa.
 “Agora a gente olha a realidade das mulheres com outros olhos, vê que as mulheres têm uma liberdade. Nós vamos nas feiras de artesanato e as pessoas nos respeitam. Então, a gente se acha mais liberta, mais elogiada”, conta a artesã Marly Chagas.
Sucesso nos negócios
Há 10 anos, o grupo de artesãs do Teçume D´Amazônia recebeu a consultoria do Serviço de Apoio às Pequenas e Microempresas (Sebrae) Amazonas por meio de uma parceria com o Programa de Artesanato do Instituto Mamirauá, visando a melhoria da qualidade dos produtos voltados para o mercado, na gestão do empreendimento, participação em feiras e eventos nacionais de artesanato. Desde lá, as vendas cresceram.
O grupo, formado exclusivamente por mulheres, foi formado em 2001. Foto:Divulgação/Instituto Mamirauá
“Trabalhamos com 12 tipos de grafismos. Esses trançados já existiam pelas antigas, mas se chamavam de outra forma. Nós fizemos oficinas e decidimos batizar com outros nomes, de bichos e plantas da Amazônia. Esse é o aracu, esse é o embuá, esse é orquídea, ali o ‘jiboia’ e o jacaré”, mostra Marly, ao exibir os trançados que fazem a fama e o sucesso de Teçume D´Amazônia, inclusive fora da região. “Graças a Deus a gente conseguiu. A dificuldade maior é comunicação, mas agora a internet chegou lá. E o nosso trabalho, a gente não vende só aqui no Amazonas, já foi até para os Estados Unidos, sempre tem feira em São Paulo, no Rio de Janeiro”.

Amazônia registra mais de 200 novas espécies de plantas

A Floresta Amazônica é reduto para 216 espécies de plantas recém descobertas por pesquisadores. O resultado foi divulgado no relatório “Atualização e Composição da lista Novas espécies de Vertebrados e Plantas na Amazônia (2014-2015)”, realizado pela iniciativa Amazônia Viva, do World Wide Fund for Nature (WWF), em parceria com o Instituto Mamirauá, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, que reuniu as novas descobertas da ciência na Amazônia entre os anos de 2014 e 2015.
Foto:Reprodução/Ideflor Bio
Embora seja rica em biodiversidade, a Floresta Amazônica permanece ainda com lacunas de conhecimento. De grande extensão, a região abarca o Brasil, a Bolívia, a Colômbia, o Equador, a Guiana Francesa, a Guiana, o Peru, o Suriname e a Venezuela. Para o desenvolvimento da publicação, foram consideradas como área de amostragem a Amazônia Hidrográfica, a Amazônia Ecológica e a Amazônia Política.
O levantamento botânico foi feito com base nas informações disponíveis no banco de dados do The International Plants Names Index (IPNI) e na Lista de Espécies da Flora do Brasil.  Nesse relatório também constam espécies descritas em 2013, que não estavam na edição anterior, com as novas espécies de 2009 a 2013, lançado pelo WWF. Na época, algumas espécies não fizeram parte do levantamento, em função do seu registro no IPNI ter sido realizado após a divulgação do relatório. Foram 44 espécies de plantas descritas no ano de 2013 após divulgação do relatório, totalizando 260 novas espécies, quando somadas às plantas descritas nos últimos anos. Desde 2009, foram catalogadas mais de 1.150 plantas da Amazônia.
Mariana Terrôla, pesquisadora do Grupo de Pesquisa em Ecologia Florestal do Instituto Mamirauá, foi uma das especialistas que participou do desenvolvimento do relatório. De acordo com ela, a publicação serve como uma forma de alerta para a sociedade, especialmente quando consideradas as ameaças à Floresta Amazônica.
“Ainda conhecemos muito pouco sobre a biodiversidade na Amazônia. E, aqui, não importa se a espécie é rara, endêmica ou de ampla distribuição. É uma questão de não conhecermos a biodiversidade e estarmos perdendo esta oportunidade por vários motivos como o desmatamento, a conversão de hábitat para pastagem e monoculturas, a alteração da paisagem por grandes obras hidrelétricas ou rodoviárias, e até mesmo as áreas sob ações de guerrilha. Isso tudo implica em agirmos sobre o ambiente sem conhecê-lo de fato”, afirmou.
O registro de novas espécies esclarece uma série de questões à ciência e pode contribuir para o estabelecimento de estratégias de conservação.  Mariana descreve a importância desse tipo de iniciativa em dois tópicos: o primeiro, considerando o conhecimento da história natural da evolução das espécies, e o segundo, considerando a utilização de algumas das espécies e dos ambientes em que ocorrem pelo homem.
“Quanto história natural, sistemática, a descoberta de novas espécies nos permite colocarmos mais uma peça no quebra-cabeça da evolução das espécies, sua linhagem, seu ponto de origem e dispersão. E aí a espécie humana é apenas mais uma peça neste quebra-cabeça. Nos dá também chances de descobrirmos novos alimentos, novos fármacos, novas fibras. Além de propiciar um melhor entendimento das relações existentes entre os organismos, plantas e animais, e de conhecermos melhor o ambiente em que as espécies se encontram e assim alterá-lo ou intervir na paisagem com mais conhecimento”, revelou.
A bióloga molecular e taxonomista botânica Tiina Särkinen, do Royal Botanic Garden Edinburgh, na Escócia, participou da descrição de algumas das espécies contempladas no relatório. Tiina reforçou a importância do desenvolvimento de pesquisas científicas e da disseminação de informações sobre as novas espécies descritas na Amazônia. “Minha esperança particular é que as pessoas, tanto em áreas de alta biodiversidade, bem como mais ao norte ou ao sul, aprendam nas escolas e nos meios de comunicação que nem tudo sobre o nosso planeta é conhecido, e que ainda há espaço para mais descobertas”.
Os pesquisadores brasileiros e estrangeiros continuam empenhados em realizar pesquisas científicas em prol do conhecimento e conservação da biodiversidade, mas, de acordo com eles, essa não tem sido uma tarefa fácil. Mariana destacou desafios para o trabalho como o que ela caracterizou como um embate entre o desenvolvimento e a sustentabilidade. Ela cita a dificuldade para conseguir financiamento para o desenvolvimento da logística de expedições e para a manutenção de pesquisas de longa duração, a pouca fixação de centros de pesquisa na Amazônia, entre outras.
“Não só pela extensão, mas pela diversidade de ambientes, a Amazônia ainda tem muito a revelar quanto biodiversidade. Precisamos de diferentes frentes de pesquisa. Investimento em expedições que visem os levantamentos de espécies. E pesquisas de longa duração, principalmente as que envolvem os moradores locais, pois darão resultados mais robustos, com entendimento do ecossistema. E aí, não será tão importante o nome da espécie ou ela em si, mas o papel funcional que ela desempenha neste ecossistema”, comentou.
Adaptação às perturbações
Da família Solanaceae, as plantas descritas por Tiina Särkinen e outros pesquisadores compõem uma publicação com quatro novas espécies dessa família descritas na América do Sul.  “A descrição da espécie Solanum arenicola é parte de um projeto em andamento para descrever e catalogar cerca de 1.500 espécies do gênero Solanum, do mundo todo”, comentou a pesquisadora.
Tiina destaca que esse é um gênero bem conhecido em nossa alimentação, que inclui o tomate, a batata, a berinjela e o tabaco. “Proteger os parentes das culturas selvagens dessas espécies, bem como a diversidade dentro do gênero, incluindo muitos da faixa de espécies restritas e endêmicas, é uma grande preocupação”, completou Tiina.
A planta ocorre na floresta de baixa altitude do Peru e Bolívia e na vertente oriental dos Andes e tem preferência por ambientes de solo arenoso, o que inspirou o seu nome científico. A pesquisadora contou que esteve em Madre de Dios, no Peru, em busca da planta e foi nessa região que aprendeu uma lição sobre a adaptação das plantas amazônicas aos sistemas hídricos e às perturbações. Ela havia reservado um dia inteiro para chegar a uma área remota da floresta, onde pensava que a planta estaria.
“Eu fui a um pequeno porto local para negociar um passeio de barco. Enquanto esperava o homem preparar o barco, eu me sentei em frente ao rio, no meio do porto, um ambiente muito perturbado. E ali eu descobri: a planta ama perturbação, apesar de achar que ela crescia apenas nas profundezas da floresta, percebi que ia crescendo a partir das margens degradadas do rio, ao lado de muitas plantas daninhas. A lição foi que nem todas as espécies na Amazônia são tímidas, muitas são adaptados aos sistemas fluviais dinâmicos que criam perturbação”, disse Tiina.
O relatório
Esses resultados fazem parte do Relatório de Novas Espécies de Vertebrados e Plantas na Amazônia entre 2014 e 2015. A publicação, desenvolvida pelo WWF e pelo Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá. Ao todo, foram 381 novas espécies descritas no período na Amazônia, sendo 216 plantas, 93 peixes, 32 anfíbios, 19 répteis, 01 ave e 20 mamíferos

Pesquisadores começam testes de som e imagem para monitorar fauna na Amazônia

Foto: Amanda Lelis/Instituto Mamirauá
Imagine ter informações sobre a biodiversidade da floresta amazônica em tempo real, tudo em seu computador ou smartphone. Muito além de um item de curiosidade, essa pode ser uma maneira inovadora para monitorar e proteger a biodiversidade da maior floresta tropical do mundo. Essa é visão do projeto 'Providence', uma parceria internacional de pesquisa liderada pelo Instituto Mamirauá. Em abril, na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, no Amazonas, tiveram início os primeiros testes das tecnologias que farão parte do projeto.

Os experimentos foram conduzidos na floresta e na água em longos trechos dos aproximados 11.000 km² da reserva. Além dos pesquisadores do Instituto Mamirauá, participaram dos testes de tecnologias de imagem um grupo da australiana Commonwealth Scientific and Industrial Research Organisation (CSIRO). O componente acústico está a cargo do Laboratório de Aplicações Bioacústicas da Universidade Politécnica da Catalunha, na Espanha, por meio da Fundação Sense of Silence, representada pelo especialista em bioacústica, Michel André.

Os resultados foram promissores para a equipe de cientistas. "Estamos muito animados com o andamento do projeto e os frutos que ele pode render para toda a sociedade", disse o coordenador de monitoramento do Instituto Mamirauá e líder do projeto, Emiliano Esterci Ramalho. 

Imagens da Amazônia para o mundo

Foram testadas tecnologias de gravação e detecção de espécies de animais em vida livre, como um dispositivo, que conjuga a captação de imagens em alta definição com as de câmeras infravermelho. "A ideia é unir esses métodos para melhor realizar a identificação de espécies", diz o pesquisador sênior Ash Tews, responsável pela tecnologia.

O engenheiro sênior de software da CSIRO, Ross Dungavell, está desenvolvendo um sistema de comunicação entre os sensores do Providence que serão instalados na floresta. Ele contou que "a maioria dos testes feitos na floresta mostraram bom desempenho das tecnologias na captação de imagens de animais e também na transmissão de dados para diferentes distâncias".

De volta à Austrália, a equipe da CSIRO segue no desenvolvimento das tecnologias, tendo consigo, agora, o conhecimento das adaptações e novas estruturas que serão necessárias ao projeto.

Os sons que vêm da floresta

"Captamos sinais das diferentes espécies da vida natural na Reserva Mamirauá, como onças e macacos, incluindo morcegos, animais com frequências ultrassônicas, e sons subaquáticos que vêm dos botos", explicou o cientista bioacústico, Michel André.
Foto: Amanda Lelis/Instituto Mamirauá
Michel André é uma referência mundial em bioacústica. Reconhecido por seu longo trabalho sobre poluição sonora nos oceanos, ele recebeu em 2002, o Prêmio Rolex por um projeto que previne colisões de navios contra baleias. Agora, o cientista bioacústico transporta sua experiência do fundo dos mares para a floresta amazônica.

"Temos uma equipe de doze cientistas fazendo a análise acústica dos dados coletados. O sistema que estamos construindo vai gravar todos os diferentes sons da fauna para classificar automaticamente as espécies tanto na floresta quanto na água, processá-los em tempo real e enviá-los ao mundo", disse.

Próximos passos

O coordenador do projeto pelo Instituto Mamirauá, Emiliano Ramalho, ressaltou que o foco do projeto é criar uma tecnologia que permita, pela primeira vez, o monitoramento da biodiversidade da Amazônia em tempo real. "Estamos na primeira fase do projeto, desenvolvendo testes com foco específico na Reserva Mamirauá para comprovar que o conceito do projeto funciona", afirmou.

O objetivo final dos testes é chegar a um modelo de equipamento, chamado de "módulo Providence", que vai unir os componentes de áudio e imagem para o melhor reconhecimento da fauna. "A meta inicial do projeto é construir dez módulos Providence e instalá-los em pontos diferentes da Reserva Mamirauá". A primeira fase do Providence vai até o primeiro semestre de 2018. Nas próximas etapas, os pesquisadores pretendem expandir a abrangência dos testes para outras regiões da Amazônia.

Junto com o Instituto Mamirauá, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, e as instituições internacionais, também faz parte do projeto Providence a Universidade Federal do Amazonas. O projeto conta com um financiamento de 1,4 milhão de dólares (cerca de 4,36 milhões de reais) da organização filantrópica e de apoio a ciência e biodiversidade Fundação Gordon and Betty Moore.

Fotógrafa de Manaus é destaque em concurso internacional

Foto:Divulgação/MMA
A foto feita pela manauense Aline Fidélix, 25 anos, durante uma expedição de campo com o Instituto de Desenvolvimento Sustentável de Mamirauá, recebeu destaque no concurso de fotografia para jovens organizado pela Convenção de Ramsar. A fotógrafa ficou entre os sete finalistas do certame, que recebeu mais de 700 inscrições do mundo todo, e foi a única selecionada das Américas.

Confira aqui as fotos finalistas

O concurso foi lançado no dia 2 de fevereiro, Dia Mundial das Áreas Úmidas, que teve como tema neste ano Áreas úmidas e redução de riscos de desastres. A fotografia retrata uma casa flutuante na comunidade de Curupira, no estado do Amazonas, durante a estação seca. “É um excelente retrato sobre a dinâmica da seca em nossa região”, comentou a assessora de comunicação Eunice Venturi, do Instituto Mamirauá. O Instituto foi vencedor de Prêmio Nacional da Biodiversidade, organizado pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), em 2015.“Essa iniciativa é importante para alertar sobre a importância das áreas úmidas, que são ecossistemas provedores de diversos serviços ecossistêmicos, para despertar o interesse dos jovens a respeito dessas áreas e para divulgar a própria Convenção Ramsar, que ainda é pouco conhecida no Brasil”, afirmou o analista ambiental Maurício dos Santos Pompeu, da Secretaria de Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente.

Motivação

Aline conta que quando viu a cena ficou tocada. “Não tive como não fazer essa foto! O contraste gigante daquela casa na paisagem, que daqui a seis meses estaria sobre o rio novamente”, conta Aline. “Na época da chuva, o rio sobe até onde eu estava para fazer a foto”.

A jovem revela que, por meio da fotografia, uma paixão na sua vida, espera sensibilizar as pessoas para a realidade do Norte. “Quero que as pessoas se importem. Quis passar uma realidade que tem aqui, das famílias ribeirinhas, para que o todo o Brasil e o mundo conheçam”, revela. Aline é formada em Relações Públicas e trabalha como fotógrafa freelancer, quando não está fazendo roteiros para uma produtora local de audiovisuais. Esta foi a sua primeira participação em concurso internacional de fotografias.

Instituto Mamirauá registra a maior onça-pintada na várzea amazônica

A enorme onça-pintada foi registrada por uma armadilha fotográfica do Instituto Mamirauá (Foto:Divulgação/Instituto Mamirauá)
Pesando 72Kg, Galego é a maior onça-pintada já registrada por cientistas na várzea amazônica. O animal foi encontrado na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, no estado do Amazonas, e surpreendeu os especialistas. O felino é um macho de aproximadamente seis anos de idade e está em excelentes condições físicas. 
"Essa é a maior onça que nós capturamos em quase dez anos de pesquisas com esses animais na Reserva Mamirauá. Ela tem cerca de 11 quilos a mais que o macho mais pesado que registramos até hoje", conta o pesquisador Emiliano Esterci Ramalho. Veja fotos do animal feitas por uma armadilha fotográfica do Instituto Mamirauá, momentos antes da captura. As imagens foram feitas com flashes infravermelhos.
Galego estava contido em uma das armadilhas de laço instaladas em trilhas da floresta. Depois de capturadas, as onças-pintadas são monitoradas por meio de colares de telemetria, que informam, via satélite, a posição dos animais.
Com 17 kg acima da média dos outros sete machos de onça-pintada atualmente monitorados pelo Grupo de Pesquisa (GP) de Felinos do Instituto Mamirauá, Galego também se diferencia em outro aspecto, que adiciona mais mistério a sua ocorrência nas florestas alagadas da Amazônia: em seu corpo foram identificadas cinco larvas de um tipo de mosca raramente visto na várzea.
"O acompanhamento do Galego será muito interessante para sabermos qual é o limite de tamanho de uma onça-pintada que é energeticamente viável para a várzea", afirma.
Depois de capturadas, as onças-pintadas são monitoradas por meio de colares de telemetria, que informam via satélite, a posição dos animais (Foto:Divulgação/Instituto Mamirauá)
Preservando a espécie
As pesquisas com onças-pintadas desenvolvidas pelo Instituto Mamirauá têm por objetivo entender a ecologia da onça-pintada nas Florestas de Várzea da Amazônia. Com os resultados, subsidiar ações efetivas de conservação da espécie e melhorar a qualidade de vida das pessoas que convivem com este grande felino. Em quase uma década de atuação, as pesquisas já descobriram que as florestas de várzea da Amazônia têm altas densidades de onças-pintadas com mais de 10 onças a cada 100 Km².
Outra descoberta é a de que as onças-pintadas que vivem nas florestas de várzea da Reserva Mamirauá exibem um comportamento único entre os grandes felinos. Durante a inundação, vivem durante cerca de quatro meses do ano em cima de árvores, onde criam os seus filhotes e se alimentam, nadando de uma árvore para a outra para procurar presas. A pesquisa é desenvolvida pelo Instituto Mamirauá, com financiamento do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) e da Fundação Gordon and Betty Moore.
Turismo científico
Com a comprovação científica de que as onças de Mamirauá permanecem na copa das árvores, a Pousada Flutuante Uacari, em parceria com a equipe do GP Felinos do Instituto Mamirauá, iniciou em 2014 a operacionalização de expedições científicas para turistas avistarem esses animais. As expedições são parte de uma estratégia de conservação que tem o objetivo de aumentar o valor da onça-pintada para as comunidades ribeirinhas. O recurso das expedições é utilizado para gerar benefícios econômicos para as comunidades locais e para apoiar a continuidade do projeto de pesquisa com onças-pintadas visando reduzir o conflito entre onças e comunidades locais. A Pousada Uacari é um projeto de turismo de base comunitária, cuja gestão é compartilhada entre o Instituto Mamirauá e comunidades da Reserva Mamirauá.

Instituto Mamirauá registra a maior onça-pintada na várzea amazônica

A enorme onça-pintada foi registrada por uma armadilha fotográfica do Instituto Mamirauá (Foto:Divulgação/Instituto Mamirauá)
Pesando 72Kg, Galego é a maior onça-pintada já registrada por cientistas na várzea amazônica. O animal foi encontrado na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, no estado do Amazonas, e surpreendeu os especialistas. O felino é um macho de aproximadamente seis anos de idade e está em excelentes condições físicas. 
"Essa é a maior onça que nós capturamos em quase dez anos de pesquisas com esses animais na Reserva Mamirauá. Ela tem cerca de 11 quilos a mais que o macho mais pesado que registramos até hoje", conta o pesquisador Emiliano Esterci Ramalho. Veja fotos do animal feitas por uma armadilha fotográfica do Instituto Mamirauá, momentos antes da captura. As imagens foram feitas com flashes infravermelhos.
Galego estava contido em uma das armadilhas de laço instaladas em trilhas da floresta. Depois de capturadas, as onças-pintadas são monitoradas por meio de colares de telemetria, que informam, via satélite, a posição dos animais.
Com 17 kg acima da média dos outros sete machos de onça-pintada atualmente monitorados pelo Grupo de Pesquisa (GP) de Felinos do Instituto Mamirauá, Galego também se diferencia em outro aspecto, que adiciona mais mistério a sua ocorrência nas florestas alagadas da Amazônia: em seu corpo foram identificadas cinco larvas de um tipo de mosca raramente visto na várzea.
"O acompanhamento do Galego será muito interessante para sabermos qual é o limite de tamanho de uma onça-pintada que é energeticamente viável para a várzea", afirma.
Depois de capturadas, as onças-pintadas são monitoradas por meio de colares de telemetria, que informam via satélite, a posição dos animais (Foto:Divulgação/Instituto Mamirauá)
Preservando a espécie
As pesquisas com onças-pintadas desenvolvidas pelo Instituto Mamirauá têm por objetivo entender a ecologia da onça-pintada nas Florestas de Várzea da Amazônia. Com os resultados, subsidiar ações efetivas de conservação da espécie e melhorar a qualidade de vida das pessoas que convivem com este grande felino. Em quase uma década de atuação, as pesquisas já descobriram que as florestas de várzea da Amazônia têm altas densidades de onças-pintadas com mais de 10 onças a cada 100 Km².
Outra descoberta é a de que as onças-pintadas que vivem nas florestas de várzea da Reserva Mamirauá exibem um comportamento único entre os grandes felinos. Durante a inundação, vivem durante cerca de quatro meses do ano em cima de árvores, onde criam os seus filhotes e se alimentam, nadando de uma árvore para a outra para procurar presas. A pesquisa é desenvolvida pelo Instituto Mamirauá, com financiamento do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) e da Fundação Gordon and Betty Moore.
Turismo científico
Com a comprovação científica de que as onças de Mamirauá permanecem na copa das árvores, a Pousada Flutuante Uacari, em parceria com a equipe do GP Felinos do Instituto Mamirauá, iniciou em 2014 a operacionalização de expedições científicas para turistas avistarem esses animais. As expedições são parte de uma estratégia de conservação que tem o objetivo de aumentar o valor da onça-pintada para as comunidades ribeirinhas. O recurso das expedições é utilizado para gerar benefícios econômicos para as comunidades locais e para apoiar a continuidade do projeto de pesquisa com onças-pintadas visando reduzir o conflito entre onças e comunidades locais. A Pousada Uacari é um projeto de turismo de base comunitária, cuja gestão é compartilhada entre o Instituto Mamirauá e comunidades da Reserva Mamirauá.

Instituto Mamirauá abre inscrições para curso em manejo participativo de pirarucu

Foto: Divulgação/Instituto Mamirauá
O Instituto Mamirauá está com inscrições abertas para o curso "Gestão Compartilhada dos Recursos Pesqueiros com foco no Manejo Participativo de Pirarucu (Arapaima gigas) em ambientes de várzea". A formação acontece em Tefé, no estado do Amazonas, e é indicada para profissionais ligados à implementação do manejo dos recursos pesqueiros em áreas protegidas da Amazônia. As inscrições vão até o primeiro dia de março. São 25 vagas.

Com 17 anos de história na aplicação de sistemas de manejo dos recursos naturais, junto às populações ribeirinhas, o Instituto Mamirauá, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), realiza o curso para preparar multiplicadores. Pessoas que possam promover a conservação do pirarucu em outras áreas da Amazônia.

O curso vai contar com uma equipe de instrutores e palestrantes, profissionais atuantes na área de manejo dos recursos naturais com ampla experiência na gestão do manejo participativo do pirarucu. No conteúdo, bases antropológicas e sociológicas sobre o modo de vida das populações, fundamentos da biologia e ecologia do pirarucu e a importância da várzea para a produtividade pesqueira, o desenvolvimento do método de contagem de pirarucu e suas implicações para o manejo, entre outros temas.

As atividades acontecerão na sede do instituto, em Tefé, e na Reserva Mamirauá, entre os dias 18 e 28 de abril de 2017.

Para se inscrever, os interessados devem enviar um e-mail para o endereço [email protected] com os seguintes documentos: carta de intenção solicitando a inscrição e descrevendo suas atuais atividades ou aquelas relacionadas com o curso em questão; declaração de um dos dirigentes de sua organização de origem concordando com sua participação e atestando a autorização para seu afastamento pelo período do curso; cópias escaneadas de seus documentos pessoais (RG e CPF); Curriculum Vitae resumido, onde conste também nº de telefone comercial, residencial ou celular, para contato; e declaração de que pode custear a sua participação no curso.

Os 25 participantes selecionados terão os seguintes custos cobertos: materiais didáticos, alojamento e alimentação nos dias do curso e translado até o local do curso, dentro da cidade de Tefé e na Reserva Mamirauá. Os custos de transporte dos participantes de seu local de origem até Tefé (ida e volta) deverão ser custeados por suas instituições ou pelo próprio candidato.

O curso "Gestão Compartilhada dos Recursos Pesqueiros com foco no Manejo Participativo de Pirarucu (Arapaima gigas) em ambientes de várzea" é financiado pela Fundação Moore. Confira aqui o edital do curso na íntegra.

Arqueólogos estudam como eram fabricados amuletos na Amazônia antiga

Arqueólogos analisando vestígios dos antigos amazônidas. Foto: Divulgação/Instituto Mamirauá
Envoltos de histórias e simbolismo, os muiraquitãsamuletos produzidos principalmente em pedras verdes –  são objetos bem conhecidos e parte importante no imaginário coletivo de quem vive na Amazônia. A lenda mais popular conta que aquele que o possui, terá boa sorte. Estudos arqueológicos encontraram vestígios da utilização do amuleto entre populações amazônicas nos séculos X e XIX. Um desdobramento da pesquisa relacionada ao muiraquitã que vem sendo desenvolvida no Instituto Mamirauá busca desvendar como populações indígenas fabricavam os muiraquitãs naquele tempo e quais eram as ferramentas utilizadas por esses povos.

“O muiraquitã é um dos objetos mais emblemáticos das terras baixas Amazônicas. Possuidor de simbologia muito grande, inclusive na atualidade. No período pré-colonial e colonial, ele tinha uma importância enorme. Utilizado como meio circulante, (uma espécie de valor monetário), dentro da lógica comercial e social indígena. Funcionando para compor alianças, casamentos e na compra de escravos. Além de funcionar também como algo que tinha um sentido sobrenatural, ele estava ligado a rituais de fertilidade, à água, à fartura. Então tinha toda uma simbologia e ideologia tanto política, quanto religiosa, que era pano de fundo do muiraquitã”, disse o técnico no laboratório de arqueologia do Instituto Mamirauá, Márcio Amaral.A pesquisa, realizada em conjunto com pesquisadores da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), por meio da arqueologia experimental, analisou peças da coleção arqueológica do Laboratório de Arqueologia Curt Nimuendajú, da Ufopa. A análise contribuiu para a identificação e funcionalidade de ferramentas para a fabricação dos muiraquitãs na área de Santarém por índios Tapajós. Márcio refez a sequência de produção dos objetos, para testar e identificar a produção dos amuletos em uma época em que, como destaca Márcio, não eram utilizados metais para corte, laminação e perfuração.

“Toda a sequência de ferramentas e implementos analisados proporcionou montar “toda” a cadeia operatória dos muiraquitãs. A documentação histórica e datações situam contextos para muiraquitã e cerâmica Tapajó entre o século X ao século XVI. Que foi, provavelmente, um período de expansão demográfica, e desenvolvimento cultural aqui na Amazônia, se estendendo no período colonial até meados do século XVII”, explicou Márcio. De acordo com ele, esses vestígios arqueológicos estão distribuídos não só na Amazônia brasileira, o que demonstra que as redes de troca, e o acesso de grupos ou de comerciantes aos objetos que saíam de Santarém e circulavam por regiões distantes.

De acordo com Márcio, a pesquisa evidenciou que, diferente do que era considerado em estudos arqueológicos anteriores, esses objetos eram produzidos na região de Santarém. No acervo arqueológico, estão peças como pontas brocas, abrasadores e outras ferramentas. Algumas delas, já desgastadas pelo uso, e outras incompletas, como é o caso de muiraquitãs inacabados.  “O resultado prático disso tudo é que a tecnologia utilizada pelas populações pré-coloniais é muito funcional, eles tinham capacidade cognitiva e tecnológica para perfurar pedras que, por exemplo, brocas de aço temperado hoje têm muita dificuldade. Com a sequência das peças da coleção originárias do sítio arqueológico urbano de Santarém percebemos que toda a cadeia operatória de produção e manufatura dessas ferramentas ocorriam dentro da área Santarém, ou seja, localmente, com matéria prima importada de outras áreas”, disse.

A arqueologia experimental permitiu reproduzir as técnicas até chegar a uma interpretação próxima do que era a cadeia operatória do muiraquitã na época. Para isso, matérias primas similares foram trazidas de outras áreas e testadas nos laboratórios de arqueologia da Ufopa e Instituto Mamirauá. Márcio destaca que, com o estudo, foi possível perceber outro aspecto da cadeia operatória voltada para a reciclagem e reaproveitamento dos materiais, que eram reutilizados em várias fases da cadeia operatória.

Simbologia

Márcio destacou que o muiraquitã transcorria pelo imaginário coletivo da Amazônia nos tempos antigos e ainda hoje é visto como um objeto de sorte. Ele ressalta que, no período colonial, esses objetos passaram a fazer parte também do imaginário europeu, incentivando um mercado de trocas e até a falsificação para envio de muiraquitãs para esse continente. A preferência pela coloração verde, de acordo com Márcio, tem grande simbologia. “O verde significava muita coisa: água, fertilidade, chuva, mudança de estação, bom agouro. O sapo também e possuidor vários sentidos na perspectiva ameríndia”, disse.

Uma curiosidade ainda sem resposta pela pesquisa é de onde vinham as pedras verdes para a fabricação do amuleto, como serpentina, jadeita, nefrita, amazonita, que não são encontradas na região de Santarém. “Conseguimos localizar um ponto onde tem uma fonte de pedra verde dentro do limite próximo da área Santarém. Na atualidade estamos trabalhando em várias linhas e estendendo a pesquisa para a região do Rio Negro e Médio curso do Rio Solimões para tentar equacionar algumas dessas problemáticas da pesquisa arqueológica na Amazônia.

O muiraquitã era de uso corrente entre as “elites” ameríndias em vários pontos da Amazônia, Antilhas e Maranhão. Por outro lado, as fontes de matéria prima eram provavelmente controladas em períodos pretéritos tendo sua localização desconhecida na atualidade. Perpassando a ideia que havia uma intenção deliberada de restrição ao acesso a estas fontes e produção de muiraquitã por parte dos controladores das extensas redes comerciais nas terras baixas amazônicas”, comentou Márcio.
Essa pesquisa é realizada por Márcio Amaral, técnico do Instituto Mamirauá, como continuidade e ampliação dos trabalhos iniciados no laboratório de arqueologia Curt Nimuendajú, parte do seu trabalho de conclusão de curso de bacharelado em arqueologia na Ufopa.

Pesquisa avalia riscos para a distribuição de espécie de primata amazônico

Macaco-de-cheiro da cabeça preta da espécie Saimiri vanzolinii. Foto: Marcelo Santana/Instituto Mamirauá
Um pequeno primata da Amazônia, o macaco-de-cheiro da cabeça preta (Saimiri vanzolinii), encontrado apenas na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, está preocupando pesquisadores. O motivo é que os indivíduos dessa espécie vivem restritos a uma pequena área, de 870 quilômetros quadrados (km²), na unidade de conservação. Os pesquisadores acreditam que o local de ocorrência da espécie vem reduzindo ao longo dos anos, o que pode levar, consequentemente, à diminuição da sua população.

As pesquisas desvendaram que, diferente do que ocorre em outras regiões da Amazônia, ou com outras espécies, as barreiras para a dispersão de Saimiri vanzolinii para outras regiões não são físicas, mas ecológicas. Umas das explicações relaciona-se à diferença na estrutura de floresta e disponibilidade de recursos utilizados para alimentação.

A pesquisadora do Instituto Mamirauá, Fernanda Paim, explica que são três espécies de macaco-de-cheiro vivendo na região. A hipótese dos pesquisadores é que as outras duas espécies, que ocorrem em maior abundância, poderiam estar pressionando a população do macaco-de-cheiro da cabeça preta.

“Em algum momento da história evolutiva dessas espécies, os animais entraram na várzea da Reserva Mamirauá e eu acredito que, de alguma forma, eles estão pressionando Saimiri vanzolinii, o que a longo prazo pode comprometer o tamanho de sua área de distribuição geográfica, podendo levar a espécies à extinção. É uma hipótese, que não podemos provar ou testar. Mas esse seria um caso de extinção natural”, disse Fernanda.

Fernanda explica que, durante a pesquisa, foi observado que há uma delimitação clara entre a área de ocorrência das três espécies na Reserva Mamirauá. Os pesquisadores imaginavam que os rios atuariam como barreiras geográficas, separando os limites de distribuição de cada espécie, mas são outros fatores que parecem estar limitando a distribuição. Então, a hipótese que surgiu era: se existe uma separação, uma área bem delimitada, qual é a causa? Na Reserva Mamirauá, a causa foi uma questão ecológica”, explicou.
Fernanda ressalta que a área de ocorrência de uma espécie é um dado importante para traçar estratégias de conservação. O macaco-de-cheiro da cabeça preta é classificado como vulnerável à extinção pela União Internacional pela Conservação da Natureza (IUCN, em inglês). Como a sua área de ocorrência está limitada a uma unidade de conservação, a partir de informações como da dieta e ecologia dessa espécie, poderiam ser sugeridas adequações ao plano de manejo da área, de acordo com a pesquisadora.

“Eu considero essa unidade de conservação um sítio biogeográfico muito importante para os macacos de cheiro. É um local de alguma forma especial. Porque três espécies (das sete conhecidas) conseguiram se adaptar e viverem juntas nessas áreas”, contou Fernanda.

O estudo demonstrou que os animais das três espécies utilizam de forma diferente o ambiente e os recursos naturais presentes no local. A ocorrência das três espécies foi avaliada em três diferentes habitats na área da Reserva: várzea alta, várzea baixa e chavascal. Os três ambientes se caracterizam como distintos tipos florestais e contêm diferentes características, mas uma semelhança: são sazonalmente alagadas em função da variação do nível do rio.

Foi observado na pesquisa que os indivíduos de macaco-de-cheiro de cabeça preta têm preferência pelo chavascal, em relação aos outros habitats. “Os chavascais da área de S. vanzolinii possui uma maior riqueza de espécies de árvores, quando comparado ao mesmo tipo florestal para a área das outras espécies de Saimiri”, de acordo com Fernanda.

Outro ponto interessante observado, como descreve a pesquisadora, é a grande presença de lianas na área de ocorrência do animal dentro dos três habitats. As lianas são um tipo de cipó muito utilizado por esses animais para alimentação. “Pode ser que esses dois fatores estejam interferindo na distribuição da espécie. Então, de alguma forma, essa região onde a espécie está restrita, apesar de ser tão pequena, oferece o que é necessário para ele viver. O que separa a distribuição deles não são rios, mas sim diferenças na estrutura de floresta e oferta de recursos, que são necessários para que a espécie possa sobreviver”, comentou a pesquisadora.

Essa pesquisa é parte do projeto de doutorado de Fernanda Paim na Universidade Federal de Minas Gerais, com recursos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) no programa de doutorado sanduíche, realizado em parte na McGill University, no Canadá.

Entidades se unem para devolver 352 animais à Floresta Nacional do Tapajós

Animais sendo soltos na Floresta Nacional do Tapajós. Foto: Instituto Mamirauá
Nesta quarta-feira (14), o Zoológico das Faculdades Integradas do Tapajós (ZOOFIT/UNAMA) em parceria com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e o 4º Grupamento de Bombeiros Militar realizaram a soltura de 352 animais. A ação que durou cinco horas e meia, soltou animais que estavam em processo de reabilitação no zoológico localizado no município de Santarém, Oeste do Estado do Pará, e agora voltaram para os seus habitats naturais: a Floresta Nacional do Tapajós.

Entre as espécies soltas estavam 28 Jacarés Tingas; 81 Jabutis Pata Vermelha; 11 Jacarés Coroa; 06 cágados de Barbicha; 100 Tartarugas; 04 Pitiús; 89 Tracajás; 26 Aperema; 01 Onça Jaguatirica; 01 Preguiça Real e 05 Marrecos. Para realizar essa ação é necessário que os animais estejam aptos a serem devolvidos para a mata nativa depois deles passarem pelos procedimentos médicos veterinários e biológicos. O processo de reabilitação dura cerca de três a seis meses de acordo com o estado clínico.

“A soltura não pode ser feita de qualquer forma, há todo um estudo prévio para saber quais as espécies que residem em determinado local, quais os principais predadores, presas, para que esses animais reintroduzidos tenham a capacidade de se manter no local sem interferência. Não podemos soltar um predador em um local onde não se tem presas, pois ele vai procurar outros locais para se alimentar. A Floresta Nacional do Tapajós tem um banco de dados com informações sobre fauna e nos permite dizer que lá foi o melhor local para fazer esta soltura”, afirma o especialista em anfíbios e répteis, o herpetólogo do curso de Biologia da FIT/UNAMA, Hipócrates Chalkidis.