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Sábado, 08 Mai 2021

225ª edição do Círio de Nazaré reúne 2 milhões de pessoas em Belém

Cerca de dois milhões de pessoas participaram da 225ª edição do Círio de Nazaré em Belém (PA). O percurso de 3,6 quilômetros foi realizado em cinco horas neste domingo (8), da Igreja da Sé até a Praça do Santuário.

Sacrifício, devoção e gratidão marcam Círio 2017

Ainda faltavam três horas para o início da Trasladação, a quinta das doze romarias do Círio, e a advogada Amanda Viveiros, 23 anos, já guardava seu lugar na corda. O sacrifício de acompanhar a procissão pela primeira vez segurando um dos principais símbolos do Círio era movido à gratidão. “Quando soube que minha avó iria passar por uma delicada cirurgia, no ano passado, me ajoelhei e pedi a Nossa Senhora que concedesse a cura para ela. Hoje, estou aqui com o coração transbordando de felicidade pela graça recebida”.

A cada ano, a corda de 400 metros que é atrelada à berlinda com a imagem de Nossa Senhora de Nazaré parece ficar menor diante do número de promesseiros que cresce a cada edição do Círio. Uma característica marcante da procissão noturna é a participação expressiva de jovens que acompanham a corda. Muitos estão ali para antecipar suas promessas, pedindo à Padroeira dos Paraenses a aprovação no vestibular.

“Eu tenho muita fé em Nossa Senhora que ela vai me fazer realizar o sonho de passar no vestibular para Medicina Veterinária. Tentei no ano passado, mas não consegui a aprovação. Dessa vez eu sei que, com a ajuda dela, tudo vai ser diferente”, apostou a estudante de 20 anos, Raissa Dias.

Na espera pela missa em frente ao Colégio Gentil Bittencourt, que abre oficialmente o início da Trasladação, centenas de pessoas buscavam se abrigar do sol. Mas bastou que a imagem peregrina chegasse ao palanque onde seria celebrada a missa para que o calor fosse esquecido. Lágrimas no rosto, mãos erguidas e olhares fixos na imagem de 28 centímetros, que apesar de pequena carrega toda a devoção de um povo.
Foto: Reprodução/Thiago Gomes

Gente que vem de longe como dona Maria Necy, 67 anos. Há 35 anos ela vem do município de Rurópolis especialmente para assistir à missa que antecede a Trasladação. “Este ano é especial, porque vim agradecer pela recuperação da minha neta, que se curou de epilepsia com a ajuda de Nossa Senhora. Enquanto eu estiver viva estarei aqui, agradecendo a ela por essa graça e pela honra de poder estar tão perto da nossa mãezinha”, disse a aposentada.

Por volta das 16h30 teve início a missa que antecedeu a saída da imagem peregrina, celebrada pelo Bispo Auxiliar de Brasília e secretário geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Leonardo Ulrich Steiner, no palanque armado em frente ao Colégio Gentil Bittencourt.

Enquanto isso, 46 homens da Guarda da Santa que faziam parte da primeira das cinco estações da procissão, esperavam pelo momento de atrelar a corda à berlinda. “Nossa responsabilidade é enorme, porque desse atrelamento depende o bom início e até o tempo da procissão. Qualquer detalhe pode fazer a diferença. Mas a alegria de estar aqui supera tudo”, disse o administrador Alan Brito, guarda da Santa há cinco anos e supervisor há três.

Entre os 1.700 homens que compõem a Guarda da Santa, Ronaldo Martins, 52 anos, chama a atenção ao primeiro olhar. Paraplégico há 17 anos, depois de um acidente de helicóptero, ele diz que foi salvo graças a um milagre de Nossa Senhora de Nazaré, e mesmo preso a uma cadeira de rodas, continuou como guarda da Santa desde o primeiro ano do acidente. “Essa é a minha missão na vida. Ser um exemplo de superação para as pessoas. Quando os promesseiros da corda pensam em desistir e me vêem aqui, nessa cadeira de rodas, realizando meu trabalho, eles se sentem inspirados e seguem em frente”, contou o ex-mecânico.

A procissão Foi debaixo de uma chuva inesperada que, por volta das 17h40, a imagem de Nossa Senhora de Nazaré foi finalmente colocada na berlinda e a procissão teve início. Ao longo dos 3,7 quilômetros de percurso, a imagem peregrina foi homenageada com hinos, louvores, chuva de papel picado e fogos, em um espetáculo de sons e cores que se repetiu por toda a caminhada. A procissão percorreu as avenidas Magalhães Barata, Nazaré, Presidente Vargas, Boulevard Castilhos França e Portugal, contornando a Praça do Relógio até a Igreja da Sé, no bairro da Cidade Velha.

Os promesseiros se agarravam a cada centímetro da corda para completar o trajeto. Comprimidos em uma gigantesca massa humana, os promesseiros desafiavam as próprias limitações físicas para permanecer ligados à padroeira. Pressão no peito, nas costas, o ar escasso, os pés machucados, tudo colaborava para uma desistência. Mas não de um devoto da Rainha da Amazônia, não de um filho que se entrega ao sacrifício por amor à Maria. A todo instante, os gritos de “Viva Nossa Senhora de Nazaré” empurravam a multidão.

Foto: Divulgação/Jornal do Commercio
Segurança

O esquema montado pelos órgãos de segurança pública do Estado mobilizou 167 homens do Corpo de Bombeiros, 609 da Polícia Militar, 15 da Polícia Civil, 80 do Departamento de Trânsito do Estado (Detran) e 39 do Centro de Perícias Científicas Renato Chaves.

Uma das inovações da “Operação Círio 2017” foi a instalação de 20 plataformas distribuídas ao longo do trajeto da Trasladação e do Círio. São cinco estruturas a mais do que no ano passado, onde ficam 40 militares da PM e dos Bombeiros, atentos a qualquer ocorrência.

Também durante o trajeto, oito postos de triagem da Polícia Civil funcionaram como pontos de apoio. Para lá eram conduzidas pessoas acusadas de ilícitos, custodiadas de forma provisória até o fim da procissão.

No palanque montado em frente à Estação das Docas, o secretário de Estado de Segurança Pública, Jeannot Jansen, e a secretária extraordinária de Municípios Sustentáveis, Izabela Jatene, assistiram à passagem da Santa. Na opinião de ambos, o Círio ganha a cada ano um significado diferente. “A cada edição, a devoção é diferente. Porque muda a vida das pessoas, mudam as condições e os desafios. Assim, quando eles se voltam para Nossa Senhora, acabam por também fazer um Círio diferente. È o sentimento das pessoas que renova tudo”, destacou a secretária.

Apesar dos esforços, a corda que conduzia a berlinda foi separada da segunda estação, à altura da avenida Boulevard Castilhos França, em frente à Estação das Docas. Com isso, a procissão ganhou mais fluidez e velocidade, chegando à Catedral Metropolitana de Belem às 22h35, depois de quase cinco horas de caminhada. 

A imagem peregrina pernoitará na Sé até a madrugada deste domingo (8), de onde sairá após a missa campal celebrada pelo arcebispo Dom Alberto Taveira, às 5 horas, fazendo o percurso oposto ao da Trasladação, na grande procissão do Círio.

Círio 2017 reúne mais de 2 milhões de fiéis em procissão pelas ruas de Belém do Pará

Naza, Nazica, Nazinha, Nazarézinha, com muito carinho e afeto os fiéis católicos se retratam à Virgem de Nazaré, Rainha da Amazônia. O segundo domingo de outubro é sempre o dia dela. No Amazonas, no Amapá e principalmente no Pará ela é homenageada através de romarias onde a imagem peregrina é conduzida pelos devotos que movidos pela fé pedem, agradecem, louvam e rendem os mais singelos e comoventes sentimentos a padroeira Nossa Senhora de Nazaré.

Em Belém do Pará é celebrada a maior procissão católica do Brasil, e uma das maiores do mundo, o Círio de Nazaré. São mais de 2 milhões de pessoas concentradas pelas ruas da capital paraense, que no segundo domingo de outubro tem seus olhos focados para a santa.
Foto: Divulgação / Fundação Nazaré
Neste ano, em sua 225ª edição, a programação começou com a celebração da missa em frente a Catedral da Sé, por volta das 5h, dando início a grande procissão que saiu por volta das 6h em direção à Basílica de Nazaré, trajeto de aproximadamente 3,6 km, onde a imagem recebe as homenagens dos fiéis que celebram esse momento. A chegada da berlinda à praça Santuário aconteceu por volta das 11h30, quando foi celebrada uma nova missa, completando assim, mais uma edição do círio.


O auxiliar administrativo Jorge Ramos, que mesmo com uma tragédia familiar recente, não deixou de ir acompanhar a procissão.


“Sou devoto (de Nazaré) desde que era adolescente e já perdi as contas de quantos círios participei. Todo ano é uma emoção diferente para mim e para minha família. Como gosto de motocicleta, a romaria tradição na minha vida é a motorromaria (Romaria de Motociclistas), que acontece no sábado, mas também participo no domingo. Todo ano a gente faz o tradicional almoço do Círio, mas nesse ano, essa tradição foi suspensa em função da morte do meu cunhado, há pouco mais de um mês, mas mesmo de luto, não deixei de ir ao Círio e agradecer a nossa senhora pelas bênçãos,” disse.


Segundo o professor universitário Diogo Miranda, participar do Círio é sempre uma emoção.


"Não só pelo momento cultural, que é reunir a família, receber parentes em casa, pelo convívio. É emocionante pela ligação que a fé nos proporciona. Esse ano de maneira muito especial, foi um ano de muitas provações e muitas graças: desemprego e novos trabalhos, doenças e tratamentos. O que para muitos poderia ser acaso, para mim e para minha família é uma oportunidade de olhar para as coisas e, a luz da fé, enxergar que Deus, por meio de Nossa Senhora de Nazaré, nos concede graça, para lutar contra as dificuldades e celebrar as vitórias," disse.
Foto: Diogo Miranda /Arquivo pessoal
História

Há diversas versões, mas a mais aceita é de que em 1700 o caboclo Plácido José de Souza encontrou uma imagem de Nazaré às margens do igarapé Murucutú, e a teria levado para sua casa, e quando percebe, no outro dia a imagem já não estava lá, Plácido então, retorna ao igarapé e para sua surpresa, a imagem estava no mesmo lugar. E esse fato se repetiu inúmeras vezes, quando a notícia se espalhou e a imagem da santa foi levada ao Palácio do Governo. Hoje a imagem encontrada por Plácido está na Basílica de Nazaré. O Círio de Belém do Pará é realizado desde 1793, e o segundo domingo de outubro ficou definido como o dia de realização da procissão do Círio em 1901. Já em 2014 foi registrado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial. 

Hospitais unem forças com a Cruz Vermelha no Círio de Nazaré

Este ano o projeto Círio 2017, da Cruz Vermelha do Pará, ganhou mais uma parceria para suporte no atendimento médico a romeiros na trasladação e no Círio de Nazaré, dias 7 e 8, respectivamente, com a disposição de profissionais de saúde do Hospital Jean Bitar, Hospital Geral de Tailândia, Hospital Regional Público do Leste, em Paragominas; Hospital Regional Público do Marajó, em Breves; e da Unidade de Alta Complexidade em Oncologia Dr Vítor Moutinho (Unacon), em Tucuruí.

A equipe é formada por médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem que estarão responsáveis pela assistência ao público no Posto de Atendimento da Companhia das Docas do Pará (CDP), a partir das 19h deste sábado (7) e das 4h30 do domingo (8).

Devoto de Nossa Senhora de Nazaré, o técnico de enfermagem do Hospital Jean Bitar, Cledson Silva, não esconde a ansiedade em participar como voluntário do projeto Círio 2017. “É uma grande emoção. Uma dupla satisfação: ajudar nossos irmãos e homenagear a Virgem de Nazaré. Estou agradecido por essa oportunidade e, por isso, este ano meu Círio será bem diferente”, disse, destacando o prazer em poder atuar com uma equipe de colegas de trabalho.
Foto: Divulgação/Agência Pará

Para o diretor de Operações do Instituto Nacional de Desenvolvimento Social e Humano (INDSH), Adriano de Lima, a participação da organizção social nos eventos do Círio de Nazaré, em parceria com a Cruz Vermelha e com apoio da Sespa, só fortalece os laços e o compromisso com a melhoria da saúde pública no Pará. “Participar com a nossa equipe de saúde da maior manifestação religiosa do Pará, e uma as mais importantes do país, é uma satisfação imensa. Essa parceria vai se expandir e nossa atuação também, em outros eventos em apoio à Cruz Vermelha”.

Ao conduzir a última reunião realizada na tarde do dia 5 de outubro, no Jean Bitar, em Belém, o diretor executivo do hospital, Giovani Merenda, agradeceu cada integrante do grupo pela atuação voluntária. “É muito importante valorizar a cultura regional e amparar as ações de responsabilidade social em favor da população, especialmente a mais desassistida. Estamos unidos com a Cruz Vermelha e governo do Estado nas ações da saúde do Círio de Nazaré”, comentou o gestor, que agradeceu ao presidente da Cruz Vermelha, Jair Bezerra, pela mais nova parceria firmada.

Todos esses hospitais são administrados pelo Instituto Nacional de Desenvolvimento Social e Humano (INDS), em parceria com o governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de saúde Pública (Sespa).

Imagem peregrina é recebida por fiéis após duas horas de procissão fluvial

Uma salva de fogos anunciou, às 5h30, a saída do cortejo que conduz a berlinda com a imagem peregrina de Nossa Senhora de Nazaré da Igreja Matriz de Ananindeua rumo ao distrito de Icoaraci, dando início à segunda romaria oficial do Círio de Nazaré 2017. Após uma noite de vigília e orações, a imagem foi acompanhada em carreata na Romaria Rodoviária, até o segundo destino da sua caminhada anual, o cais da Vila Sorriso, onde foi recebida por centenas de fiéis para a bênção que marcou a saída do Círio Fluvial pelas águas da Baía do Guajará.

Assim como no Traslado Rodoviário da última sexta-feira (6), milhares de devotos se prepararam desde as primeiras horas do dia para acompanhar a procissão que partiu da rodovia BR-316, passando pelo entroncamento e seguindo pela avenida Augusto Montenegro. No percurso de quase 24 quilômetros até o trapiche de Icoaraci, o segundo maior das romarias oficiais do Círio, novas e emocionantes homenagens à Virgem de Nazaré.

A imagem peregrina de Nossa Senhora de Nazaré chegou ao porto de Icoaraci às 8h40 e após a bênção aos fiéis, foi conduzida pelo arcebispo metropolitano Dom Alberto Taveira até a corveta Guarnier Sampaio, da Marinha do Brasil, que a transporta oficialmente e faz a sua escolta pelas águas do rio Pará até a escadinha da Estação das Docas, no centro de Belém, na Romaria Fluvial.

Foto: Reprodução/Facebook-Governo do Pará

Nessa, que marca a terceira romaria oficial do Círio, a imagem peregrina é acompanhada em um trajeto de mais de 18 quilômetros – o equivalente a 10 milhas náuticas - pelas águas da baía do Guajará em uma procissão de aproximadamente duas horas de duração. Na chegada à escadinha da Estação das Docas, ela é retirada da cúpula de vidro que a protege durante o deslocamento e conduzida até a Praça Pedro Teixeira, onde recebe honras de chefe de Estado, pela Polícia Militar, como determina a Lei Estadual nº 4371, de 15 de dezembro de 1971, que proclamou a Virgem de Nazaré, Padroeira do Pará e Rainha da Amazônia.

O Círio das Águas, como também é chamada a Romaria Fluvial, é realizado há 32 anos, e começou por iniciativa do historiador Carlos Rocque, presidente da então Companhia Paraense de Turismo (Paratur) - hoje Secretaria de Estado de Turismo (Setur) -, como forma de permitir aos moradores da região das Ilhas de Belém a chance de também homenagear a padroeira do Pará. Ao longo de mais de três décadas, a Romaria Fluvial cresceu exponencialmente. Prova disso está no número de embarcações participantes, que de 50, na primeira edição, em 1986, passaram a quase 500, no último ano.

Após o desembarque na escadinha do cais do porto, pouco depois das 11h, e a recepção protocolar de autoridades do município e do Estado, a imagem peregrina chegou à orla da Estação, onde estava sendo aguardada por uma multidão que, desde muito cedo, procurou o melhor lugar para companhar a chegada da Romaria Fluvial e poder chegar o mais perto possível do símbolo maior dos católicos do Pará.

Já em terra, a imagem peregrina recebeu as homenagens militares e de autoridades governamentais na Praça Pedro Teixeira, sendo conduzida em seguida pelas mãos do bispos auxiliares Dom Antônio de Assis Ribeiro e Dom Irineu Romam para a bênção da população. Colocada novamente em uma réplica da berlinda, a imagem iniciou à penúltima jornada deste sábado (7), rumo ao colégio Gentil Bittencourt, num percurso de pouco mais de dois quilômetros, dando início à quarta romaria do Círio: a Moto Romaria.

Berlinda deve percorrer 52 km no primeiro dia do Círio de Nazaré

Começou nesta sexta-feira (6) o Traslado da Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Nazaré de Belém para Ananindeua. As festividades iniciaram com uma missa presidida pelo bispo auxiliar de Belém, Dom Irineu Roman, na Basílica Santuário. Ao todo, serão realizadas 12 romarias durante o Círio de Nazaré, a imagem da santa percorrerá 52 km. 

Foto: Reprodução/Facebook - Círio de Nazaré Oficial

Conheça o percurso de 52 km do Traslado do Círio desta sexta-feira:

Saída da Basílica de Nazaré, segue pela Av. Magalhães Barata, Almirante Barroso, BR-316, Passagem São Benedito, Passagem Jarbas Passarinho até a Rodovia Transcoqueiro, Rodovia Mário Covas, Avenida 3 Corações, Passagem da Providência, WE 16, Estrada da Providência, Avenida Dom Vicente Zico, SN 3, WE 31, SN 17, WE 32, SN 19, Avenida Dom Vicente Zico, WE 53, Avenida Guajará 1, WE 68, SN 21, WE 72, SN 23, WE 75, SN 24, Avenida Arterial 5, Estrada Icuí-Guajará, Rua Santa Fé, Rua Jovelina Carneiro, Estrada do Guajará, Avenida Arterial 5, Avenida Rio Solimões, Estrada do Curuçambá, Estrada do Maguari, Rua Cláudio Sandres, BR-316, até Marituba e volta pela BR 316 até a Igreja Matriz de Ananindeua.

Pará prepara recepção de turistas para o Círio de Nazaré

Foto:Reprodução/Agência Pará
O Pará inicia as ações de receptivo aos turistas que vão a Belém por ocasião do Círio de Nazaré, nos principais portões de entrada da capital paraense, a partir do meio dia desta terça-feira (3), com a visita da Imagem Peregrina ao Aeroporto Internacional da capital.

A mesma ação terá início no Terminal Rodoviário, nesta quarta-feira (4), e também no Terminal Hidroviário, na quinta-feira (5). O trabalho, que se estenderá até o sábado, 7, véspera da grande procissão, é feito em parceria com a Infraero, Belemtur, Sinart, Companhia de Portos e Hidrovias (CPH) e Prefeitura Municipal de São Caetano de Odivelas.

A programação de receptivo dos visitantes conta com decoração temática da festividade religiosa nas áreas de desembarque de passageiros, apresentação de grupos de carimbó, distribuição de fitinhas do Círio de Nazaré e a presença de display para que os turistas possam fazer fotos para recordação ou compartilhamento em mídias sociais, além do cortejo com o Boi de Máscaras Tinga e a exposição da cultura de São Caetano de Odivelas. Ainda de acordo com a Infraero, estão confirmados 45 voos extras para o período de 2 a 13 de outubro.
Foto:Reprodução/Agência Pará
“O Círio de Nazaré é o principal produto turístico do Estado e como tal merece atenção especial da Setur, em seu Plano Estratégico de Turismo Ver-o-Pará", explica o secretário de Estado de Turismo, Adenauer Góes. Ainda segundo ele, o Brasil é um país católico, no qual mais de 3% dos turistas nacionais viajam por motivação religiosa. Todos os anos são realizadas 1,7 milhão de viagens religiosas, gerando mais de R$ 6 bilhões em negócios no país, segundo o Ministério do Turismo.

"O Círio envolve toda uma cadeia produtiva, uma rede de prestação de serviços que precisa estar organizada e preparada para receber esse turista. São várias as iniciativas que desenvolvemos, como a divulgação e promoção do Círio como produto turístico junto a veículos de comunicação do Brasil e exterior, jornalistas, blogueiros, operadores turísticos nacionais e internacionais”, completa Adenauer.

Números

De acordo com pesquisa realizada em conjunto pela Setur e Dieese-PA, a estimativa do número de turistas em visita a Belém no Círio deste ano é de 77,6 mil. A previsão é de que o gasto médio destes visitantes seja de aproximadamente 29,1 milhões de dólares. Ainda segundo a pesquisa, os principais Estados emissores de turistas para o Círio em 2016 foram o Maranhão, com 17,3%, seguido do Rio de Janeiro, com 13,3% dos visitantes. Além disso, a divisão entre o público masculino e feminino foi bem aproximada no Círio do ano passado: 52,9% de homens e 47,1% de mulheres.

A faixa etária que predomina entre os turistas no Círio está entre 35 e 50 anos, com 35,4% das pessoas. No quesito faixa salarial, a maior parte dos que vêm a Belém para a festa recebe de três a cinco salários-mínimos, com 35,4%. A Basílica de Nazaré continua sendo o lugar mais visitado pelos turistas durante a festa religiosa. Aparece com 23,1%, seguida do Ver-o-Peso, com 21,4%, e da Estação das Docas, com 20,8%.

“Cabe agora ao empresariado se apoderar dessas pesquisas e fazer o recorte que cada segmento de mercado achar interessante, no sentido de potencializar cada vez mais os recursos financeiros que ficam no Estado do Pará em função do Círio de Nazaré”, conclui Adenauer Góes.

Confira a programação de Círio de Todos os Timbres

Em alusão aos festejos do Círio de Nazaré, o Núcleo de Arte e Cultura (NAC), da Universidade do Estado do Pará (Uepa), realiza a sexta edição do 'Círio de Todos os Timbres', projeto de extensão que leva linguagens artísticas a diversos pontos da cidade durante o mês de outubro.

O primeiro dia de programação ocorrerá nesta quarta-feira (4) no Coliseu das Artes, do Espaço São José Liberto, com a apresentação de bandas de louvores; Coral Madrigal da Uepa e convidados; e Quarteto de Cordas Paulino Chaves. O evento também terá exposição de fotografia e materiais artesanais, poesia e dança.
Foto: Divulgação

As ações ocorrem desde 2012 e envolvem profissionais da Uepa, professores, técnicos, acadêmicos e voluntários. De acordo com o coordenador do NAC, Marcos Araújo, a programação faz uso da cultura local como instrumento catalisador para ações educativas. “O projeto propõe-se a celebrar o Círio de Nazaré pela perspectiva da policromia das diversas linguagens artísticas e culturais produzidas no chão amazônico”, declarou.

Confira a agenda:

Dia 4/10 - Coliseu de Artes – Espaço São José Liberto – 17h

Atrações: Bandas de Louvores; Coral Madrigal da Uepa e convidados; Quarteto de Cordas Paulino Chaves.

Dia 6/10 – Centro de Ciências Biológicas e da Saúde (CCBS) – 10h

Atração: Grupo Projeto Voluntariado Arte e Cultura.

Dia 17/10 – Museu de Arte Sacra – Igreja de Santo Alexandre – 17h

Atrações: Coral Madrigal da Uepa; Coral Cynthia Charone; e coral convidado.

Dia 20/10 – Catedral Metropolitana de Belém – 19h30

Atrações: Dione Colares de Souza e Paulo José Campos.

Dia 24/10 - Capela de São José Liberto – 17h

Atrações: Solistas convidados e pianista convidado.

Coleção 'Joias de Nazaré' é apresentada no São José Liberto

O Círio de Nossa Senhora de Nazaré, festa da padroeira dos paraenses realizada no segundo domingo de outubro, já se anuncia em muitos eventos realizados por todos os cantos de Belém, mostrando várias facetas desse momento, que representa uma das maiores manifestações católicas do Pará e do Brasil. A partir desta quarta-feira (27) será aberta no anfiteatro do Coliseu das Artes do Espaço São José Liberto, a 14ª edição da exposição “Joias de Nazaré – Sentidos da fé”.

A coleção é produzida por designers e marcas do setor joalheiro local que participam do Programa Polo Joalheiro do Pará. Inspirada nos significados do Círio, a mostra apresenta pingentes, colares, braceletes, brincos e outras peças produzidas por designers paraenses. Além de incrementar a produção joalheira religiosa, tendo como inspiração a Festa do Círio de Nazaré, e de se configurar como um instrumento de difusão dessa produção local, o evento visa contribuir para o fortalecimento do turismo religioso e, neste sentido, já integra a agenda turística do Estado, coordenada pela Secretaria de Estado de Turismo (Setur).
Foto: Reprodução/Agência Pará

“Joias de Nazaré” conta neste acervo com uma coleção de peças religiosas em ouro, prata e gemas minerais tipicamente brasileiras e paraenses, como madrepérola de rio, turmalina, crisoprásio, ametista, citrino, topázio azul, topázio rosa, safiras azuis, rubi, água marinha, diamante, pérolas, granada, praziolita, além do compósito de açaí. Com um trabalho de ourivesaria que valoriza a produção artesanal foram utilizados materiais diversificados, como fibra de miriti e palha da costa, fitilho de cetim, fitas do Círio e torçal. Os designers aplicam técnicas da ourivesaria tradicional, incrustação paraense, trançados em fitas e fibras e esmaltação translúcida.

Riqueza artesanal

O trabalho de criação e produção dos empreendedores começa a partir do workshop para geração de produtos e consultoria individualizada. Este ano foram gerados 369 projetos de joias para a formação da coleção 2017.

A segunda etapa deste processo compreendeu a realização da “Feira de Projetos”, na qual foram comercializados os projetos dos designers para as marcas de joias paraenses, sob a coordenação da designer Rosângela Gouvêa. As joias entram em processo de produção de acordo com os projetos comercializados e/ou financiados pelos designers autores, mobilizando toda a cadeia produtiva e a rede colaborativa criativa do setor de gemas e joias do estado do Pará, compreendendo os segmentos de designers, ourives, lapidários, cravadores, empresários formais e produtores informais.
Foto: Reprodução/Agência Pará

Essa nova exposição do Espaço São José Liberto foi concebida a partir da representação de alguns símbolos e objetos do Círio de Nazaré, como a corda, a Basílica Santuário e a Catedral de Belém, a berlinda, o manto, a coroa, os promesseiros, as velas, as fitinhas de Nossa Senhora de Nazaré e o resultado foi a criação de 80 joias que integram a coleção gerada por 28 designers, sendo 24 profissionais e quatro estudantes de design. As peças foram produzidas por 22 marcas de joias paraenses, 18 ourives, lapidários prestadores de serviços e 14 empreendedores informais, totalizando o número de 82 empreendedores do setor de gemas e joias paraenses.

Para mostrar essa coleção ao público, a ambientação foi projetada pela artista plástica e designer Celeste Heitmann, que produziu 11 telas, de 30 cm por 40 cm, e uma tela de 70 cm por 90 cm, em pintura acrílica, tendo como tema os Momentos do Círio. Para a ambientação das vitrines foram produzidos displays, também feitos à mão, sob a batuta do artesão e empresário paraense Guilherme Júnior.

Serviço

A abertura será às 19h desta quarta-feira (27) depois da missa que será rezada no local. A atração especial da noite é apresentação da Emufpa Jazz Trio, da Escola de Música da Universidade Federal do Pará, instituição parceira do evento. “Joias de Nazaré “poderá ser visitada até o dia 30 de outubro, das 9h às 18h30. Aos domingos e feriados, das 10h às 18h.

A experiência entre o homem e o sagrado nos círios do Pará

O Estado do Pará possui aproximadamente 8 milhões de habitantes, dos quais cerca de 5 milhões são católicos, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em mais de 100 dos 144 municípios paraenses são realizadas procissões, com estrutura semelhante ao Círio de Nossa Senhora de Nazaré, que ocorre na capital, Belém, e por isso também são denominados círios. Estas informações fazem parte do estudo sobre os Círios do Pará, de autoria do mestre em Ciências da Religião e doutor em Educação, Antônio Paraense.

Nossa Senhora de Nazaré é venerada em 35 círios; 12 são dedicados a Nossa Senhora da Conceição; 60 homenageiam as diversas aparições da Virgem Maria, e seis procissões homenageiam santos, como São José, São Sebastião e Santo Antônio.

O estudioso explica que o ser humano tem a necessidade de transcender o cotidiano e se ligar (ou religar, sentido da palavra religião) ao divino. A formação do povo paraense, colonizado por católicos portugueses, deixou uma herança e tradição próprias a esse tipo de manifestação. Para o pesquisador, a aproximação do homem amazônico com a natureza possibilita ainda mais o desenvolvimento da religiosidade.
Foto: Divulgação/Agência Pará

Antônio Paraense destaca que os círios proporcionam momentos de agregação, como o retorno de filhos da terra durante as festividades, para reencontrar suas origens.

Segundo estimativas da Secretaria de Estado de Turismo (Setur), o número de turistas que visitarão Belém no Círio deste ano vai superar 77 mil. Entre estes estão paraenses que retornarão a Belém para passar o Círio com suas famílias.  “O paraense é um povo que tem muito orgulho de suas raízes e identidade, e o Círio é a oportunidade de ligação com essa identidade e retorno a essas raízes”, ressalta.

A festa do Círio de Nazaré, em Belém, conta Antônio Paraense, é uma das maiores manifestações religiosas do mundo realizadas em um só dia. Ele explica que em alguns países, como a Índia, há manifestações religiosas intensas, que se prolongam por vários dias, “mas aqui todas as manifestações se concentram no mesmo dia”.

Um elemento formador do Círio que está presente nas procissões, e chamou a atenção do estudioso, diz repeito aos pagadores de promessas. Para ele, esta é uma forma de agradecimento e ligação com o divino. “O que é forte é a necessidade de demonstrar ao outro, humildemente, que ele foi agraciado com um olhar do divino sobre ele, e o sacrifício demonstra a intensidade com que o pagador recebeu a graça. O importante é que mostre que, quanto maior for a graça, maior é a dívida e a forma do agradecimento”, afirma.
Foto: Divulgação/Agência Pará

Graças e agradecimentos
  


Em Vigia de Nazaré, município do nordeste paraense, o pedreiro Rosivaldo Pereira Leal, 46 anos, todo ano acompanha o Círio carregando um saco de cimento na cabeça. O sacrifício foi a forma que Rosivaldo encontrou para agradecer pela construção de sua casa própria. “Enquanto vida eu tiver, eu irei agradecer a Nossa Senhora por esta graça”, conta o pedreiro.

“É como se houvessem pesos e medidas para medir a graça recebida. Se você observa uma pessoa segurando um objeto leve, como uma vela, você logo interpreta que a graça é menor da de alguém que caminha de joelhos durante toda a procissão”, explica o pesquisador.

Antonio Paraense também destaca que os Círios são acompanhados por grandes demonstrações de fé. Mas, ao mesmo tempo, trazem um lado alegre, profano, marca das festividades religiosas no Pará.

“O sacrifício, o agradecimento, sempre vêm acompanhado da alegria e da satisfação pelo ato, o que gera o lado profano da festividade. Além de tudo, é uma coisa muito nossa. Outro fato agregador das manifestações dos círios é a reunião de mais um elemento da cultura paraense, que é a aparelhagem. Sempre o dia anterior à procissão é marcado por festas de aparelhagens, uma forma de expressão típica do povo paraense. A festa não diminui a fé que o devoto tem na santa”, garante. Somado a este fato, vem ainda a culinária. “Os círios também agregam a alimentação do espírito e do corpo através da fartura de alimentos”, acrescenta.

Antônio Paraense, professor da Universidade do Estado do Pará (Uepa), sonha em poder acompanhar todas as procissões religiosas dos municípios paraenses. Está esperando apenas sua aposentadoria para concretizar esse desejo.

“Um dado que se repete muito nas procissões é a predominância do feminino como devoção maior. O fato de Nossa Senhora estar em 60 das procissões marca a presença da mulher e esse apego ao acolhimento, à maternidade e ao nascimento”, informa o pesquisador.

Peculiaridades

Entre o incomum, ele destaca os círios fluviais, como o realizado no município de Oriximiná, na região oeste, em homenagem a Santo Antônio, que ocorre há mais de meio século. Uma manifestação de fé e cultura dos católicos da região, que nos últimos anos também virou atração turística, por conta do espetáculo de luzes e cores que toma conta do Rio Trombetas em uma noite de agosto.

“Cada Círio tem peculiaridades e características próprias. É como se a comunidade quisesse que os fiéis se sentissem em casa. Em alguns municípios, como Primavera, no nordeste paraense, a realização do Círio nasceu de uma iniciativa da própria população. Uma das características do religioso é agregar e formar grupos, comunidades em torno de algo comum. Assim é a fé que marca o povo paraense. Ela  agrega, fortalece, dá identidade e sentido de comunidade aos municípios”, finaliza o pesquisador.

Em Vigia está a origem dos Círios no Pará

O Círio da “Imagem milagrosa de Nossa Senhora de Nazaré”, no município de Vigia de Nazaré, é a primeira procissão da qual se tem conhecimento no Pará. O padre Jesuíta José Ferreira, em 1697, visitou Vigia e deixou o relato histórico que firmou a procissão como o primeiro círio do Estado: “A milagrosa imagem de Nossa Senhora de Nazaré... que de todas as partes se frequenta de romeiros que vão lá fazer suas romarias e novenas”.

A experiência do sagrado no Círio leva o homem a modificar sua vida, e produz uma experiência de fé, que se concretiza na realidade subjetiva do ser e se perpetua nas gerações, tornando-se uma intervenção da devoção mariana na identidade histórica e cultural do homem paraense, explica o padre Pedro Paulo Espírito Santo Queiroz em seu estudo “Círio de Nazaré: Identidade religiosa, histórica e cultural do povo paraense”.

Foto: Divulgação/Agência Pará

Realizado sempre no segundo domingo de setembro, o Círio de Vigia de Nazaré traz todos os elementos que inspiraram as outras procissões registradas no Pará. É como uma arqueologia e um retorno às origens deste tipo de manifestação religiosa.

Entender como o homem amazônico se entrega integralmente a uma manifestação de fé motivou o estudo feito pelo padre. Mais do que um evento religioso que marca a sociedade paraense em diversos fatores, o aspecto sagrado que ocorre no Círio influenciou diversas gerações, mudou hábitos, tradições, reformulou a vida social do romeiro.

“Desenvolver o aspecto da origem e motivação do Círio é percorrer um caminho que nos leva a entender a identidade de um povo. Pois esta manifestação reúne, em si, principalmente os aspectos religiosos, históricos e culturais da identidade do paraense”, explica em seu artigo.

Vigia de Nazaré é banhado por um braço do Rio Amazonas, em frente à costa do Arquipélago do Marajó. É o centro pesqueiro de maior importância do Pará. Os símbolos da cultura pesqueira são muito presentes na procissão e nas homenagens prestadas a Nossa Senhora de Nazaré.
Comércio e evangelização

O município foi fundado seis dias antes de Belém, em 1616. Ali funcionaria um posto de fiscalização das embarcações que abasteciam Belém. A história do município é também a história da fé cristã do paraense.

Os padres da Ordem de Jesus desbravaram a região para converter e espalhar a fé cristã, catequizando os habitantes que, naquele tempo, ficavam em aldeias dos índios Tupinambás, que deram o nome de Uruitá.

Os jesuítas trouxeram para a região as devoções aos santos, como a Nossa Senhora de Nazaré, e utilizaram a mão de obra indígena e dos negros escravos para ajudar a construir monumentos e ajudar a transmitir a evangelização, como a Igreja de Pedra e a Igreja Matriz, também chamada Igreja dos Romeiros.

O escritor vigiense José Ildone, 75 anos, poeta e membro da cadeira 31 da Academia Paraense de Letras, com mais de 30 livros publicados, defende que a história do Círio de Vigia é anterior à chegada dos jesuítas naquele município, em 1730. Segundo ele, há registros históricos concretos relativos às viagens realizadas ainda no século XVII.

José Ildone reafirma a importância da crônica dos padres jesuítas da época na datação dos primeiros círios do município. A “Crônica dos Padres da Companhia de Jesus no Estado do Maranhão”, do padre João Felipe Bettendorf, foi editada na década de 90 do século passado, mas é do século XVII o registro mais antigo do trabalho dos jesuítas na região.

No documento, o padre faz duas referências à “Milagrosa Imagem da Virgem Nossa Senhora de Nazareth”. “Além da referência a uma imagem milagrosa, o documento comprova que o Círio, que neste ano se realiza em sua 320ª edição em Vigia, é o Círio do qual o documento histórico faz referência, e que já era venerada por romeiros que vinham de todas as partes fazer suas romarias e novenas”, afirma o escritor.

O milagre no rio e a promessa na romaria

O pescador Juraci Moraes Corrêa, 70 anos, foi vítima de um naufrágio e ficou durante três dias à deriva, com fome e sede, em cima de uma canoa com mais três amigos. “Foram três dias e três noites de dificuldades, e quando eu pensei em desistir pedi a Nossa Senhora de Nazaré para que ela mandasse socorro, pois nós já víamos a morte diante de nós”, narra Juraci Corrêa.

Após esse apelo, conta ele, apareceu uma embarcação, e Juraci prometeu que, enquanto tivesse saúde, acompanharia a procissão da forma como se encontrava na hora que o socorro chegou. Todos os anos ele acompanha a procissão realizando suas preces, de corpo molhado pelas águas do rio, e segurando um instrumento de navegação.

Em o “Círio de Nazaré: Identidade religiosa, histórica e cultural do povo paraense”, o padre Pedro Paulo Queiroz explica que a religiosidade do paraense é composta principalmente do cristianismo popular, resultado de um processo histórico, no qual o povo foi seu próprio doutrinador e responsável por sua fé.

Segundo ele, após a expulsão dos jesuítas do Brasil pelo Marquês de Pombal, a fé popular ficou desprovida de religiosos, e o povo acabou construindo sua fé. A construção dos símbolos, do tempo e do espaço, relata o padre em seu estudo, veio como consequência da experiência que aquela comunidade teve com Nossa Senhora.

“Neste sentido o Círio de Nazaré apresenta-se como a principal identidade religiosa do paraense, pois demonstra uma manifestação religiosa onde o povo é soberano em sua relação de fé com o sagrado, não havendo uma obrigação de uma mediação institucional. Portanto, no círio manifesta-se o cristianismo popular”, assegura o pesquisador.

Além do promesseiro pescador, molhado pelas águas do rio, e que muitas vezes traz as boias que salvaram ele e seus amigos, o Círio de Vigia também possui símbolos característicos de suas crenças que, de certa forma, influenciaram as demais procissões pelo Pará, como o carro de madeira puxado por boi ou búfalo, que segue à frente do cortejo, conduzindo um fogueteiro, que a cada quarteirão acende um foguete como anúncio da chegada da imagem.

Simbologia

A queima de fogos é outra característica da procissão no município. Segundo José Ildone, em Vigia se localizavam muitas pequenas fábricas de foguetes, cuja produção abastecia o Estado inteiro. O carro de fogos já fez parte do Círio de Nossa Senhora de Nazaré, em Belém, mas foi abolido por causa dos riscos aos romeiros.

Um símbolo presente na procissão de Vigia que não se repete em outros círios é a figura do “Anjo do Brasil", uma menina ou menino montado em um cavalo, vestido de túnica verde e amarela, levando a Bandeira Nacional, o que representa a Proclamação da República Brasileira.

A sede municipal de Vigia, cheia de Igarapés, semelhante à cidade de Belém, motivou o maior e mais forte símbolo da procissão, a corda, que servia para puxar a berlinda quando atolava, e depois se transformou em instrumento de sacrifício para pagadores de promessas, e de agradecimento por graças recebidas.

“O círio de Vigia tem como peculiaridade o encontro entre a história e a origem da congregação das famílias ao redor da fé em Nossa Senhora. Em Vigia começou todo o processo da evangelização do nosso povo. A fé é a base da vida e o Círio faz com que a fé robusteça em todos ", explica o padre José Charles, pároco de Vigia de Nazaré.

Projeto Círio de Nossa Senhora 2017

A Secretaria de Estado de Comunicação (Secom) abre sua programação para a maior festa religiosa do povo paraense. Neste ano, acompanhando o Círio de Nazaré, todas as ações estarão no endereço www.cirio.pa.gov.br, repleto de conteúdos sobre a romaria e a cultura local, como a Ciriopedia – glossário com os principais termos da festividade; #MeuCirioeAssim – reunindo fotos e vídeos de seguidores, marcados com a TAG nas redes sociais; Notícias da Agência Pará; Agenda Cultural – com os principais eventos do Estado relacionados ao Círio; KD a Berlinda? – aplicativo da Prodepa (Empresa de Tecnologia da Informação e Comunicação do Estado do Pará) e vídeos.

A TAG #MeuCirioeAssim terá conteúdos produzidos pelos seguidores, que também serão enviados para transmissão da TV Cultura no dia do Círio de Nazaré. Os conteúdos digitais do endereço círios.pa.gov.br conterá informações indispensáveis para turistas, relacionadas às procissões, e a série de fatos sobre os números grandiosos do Círio de Nazaré, que, em outubro, movimenta positivamente a economia do Estado. Serão cinco vídeos.

Uma segunda série intitulada “Círios do Interior” contará as histórias de fé que movem romeiros do interior do Pará até a capital para acompanhar o Círio de Nazaré. A ideia é mostrar esse trajeto de devoção, renúncia e entrega, que conecta a realidade dessas pessoas em suas cidades e a festividade em Belém.

Para quem gosta de música, a Secom vai dispor de uma playlist no Spotify, com muita música paraense. A Secretaria também terá uma Sala de Imprensa, que disponibilizará à imprensa local e nacional um espaço para descanso, produção de conteúdo, carregamento e envio de materiais, com internet, água e alimentação nos dias da Trasladação (sábado, dia 7) e do Círio de Nazaré (domingo, dia 8).

Em Belém, exposição reúne estandartes do Círio e imagem rara

A energia que cerca o Círio de Nazaré, a maior manifestação de fé do povo paraense, chega à Fundação Hospital de Clínicas Gaspar Vianna (FHCGV) na forma de uma exposição. Com o nome 'Expressões da Fé', nela está presente um dos mais antigos símbolos da quadra nazarena: os estandartes, uma forma de homenagem aos mantos que cobrem a imagem da padroeira dos paraenses. O responsável pela confecção das peças é o estilista Carlos Amilcar, que também já produziu o tradicional manto por dois anos seguidos. Ele trouxe também para a mostra a maior imagem de Nossa Senhora já esculpida em terracota.

Raimundo Expedito, paciente da Clínica Cardiológica, nunca havia visto de perto uma imagem de Nossa Senhora de Nazaré em tamanho maior que as tradicionais. Ao visitar a exposição, ele enfatizou a beleza dos estandartes que ilustraram os mantos em vários anos do Círio de Nazaré. “Eu estou achando tudo muito interessante. Nunca tinha visto os mantos e nem uma imagem em barro. Está muito bonito, ainda mais na época do Círio”, declarou o paciente.

A imagem tem cerca de 1,50 m, esculpida em terracota (argila manufaturada). Ela foi oferecida ao estilista em 2011 por um artista do Distrito de Icoaraci (pertencente a Belém), que pediu anonimato. O parentesco com o guerrilheiro Ernesto Che Guevara, que seria tio-avô do artesão, foi o motivo do pedido para que a autoria da obra não fosse revelada.
Foto: Divulgação

Humanização

Em todas as ações alusivas ao Círio no hospital os pacientes têm a oportunidade de participar, sempre visando à inclusão e à humanização do tratamento. “A gente abre esse espaço para o paciente porque, como muitos são católicos, esse espaço se torna um recurso terapêutico para que se possa quebrar o cotidiano do hospital, sempre criando artifícios para que seja menos dolorosa a parte de hospitalização do paciente”, explicou a terapeuta ocupacional residente, Alice Moraes.

A exposição foi idealizada para que a Festa do Círio de Nazaré também estivesse presente na rotina da comunidade hospitalar. “A exposição é importante porque trazemos a fé, religiosidade, beleza e a arte envolvida no Círio de Nazaré, para que todos possam sentir gratidão, fé e outros sentimentos positivos”, disse a diretora do Hospital de Clínicas, Ana Lydia Cabeça.

O estilista Carlos Amilcar informou que a exposição mistura arte e cultura local, além de homenagear todos os artistas que fizeram mantos para recobrir a imagem de Nossa Senhora de Nazaré. “A exposição é uma releitura e uma homenagem a todos os estilistas que já fizeram essas obras de arte que vestem Nossa Senhora de Nazaré. Então, é uma forma de homenagear, retratando o legado deixado por diversos artistas”, ressaltou Carlos Amilcar.


Foto histórica

Antes da abertura da exposição foi descerrada uma placa em homenagem a uma foto histórica do médico e cientista Gaspar Vianna, cedida pelo maior biógrafo do médico, Edgar Falcão. A foto faz parte do livro biográfico de Gaspar Vianna, de autoria do médico e pesquisador Habib Fraiha Neto, que será lançado pelo Instituto Evandro Chagas. “Esta fotografia foi cedida juntamente com o acervo do Museu Gaspar Vianna, pelo maior biógrafo da vida de Gaspar Vianna. A fotografia fazia parte do acervo fotográfico que deveria sair no meu livro pelo Instituto Evandro Chagas. A administração da Fundação do Hospital de Clínicas Gaspar Vianna me pediu que a imagem fosse cedida para reproduzi-la em um painel, a figurar no hall da escada do hospital”, contou Habib Fraiha Neto.

Gaspar Vianna realizou pesquisas e descobertas científicas importantes para toda a humanidade. Habib Fraiha Neto destacou que a homenagem ao médico foi “um momento de muita sensibilidade, gratificante. Gaspar Vianna era um homem de uma seriedade enorme, parecia prever a sua vida breve, depois de ter realizado uma obra monumental pela cura de leishmaniose. É um momento que exalta a figura do grande paraense”.

Papa Francisco recebe convite para visitar a Amazônia e conhecer o Círio de Nazaré

Após a audiência geral realizada na Casa de Santa Marta na manhã desta quarta-feira (8), no Vaticano, o governador do Pará, Simão Jatene, convidou o Papa Francisco a visitar a Amazônia e conhecer o Círio de Nazaré. "Disse que certamente o povo do Pará e da Amazônia ficaria muito honrado com a presença dele entre nós", disse o governador paraense. O Papa Francisco respondeu comentando que "o futuro do mundo passa pela Amazônia".

O Papa Francisco esteve brevemente com o governador Simão Jatene. Foto: Divulgação/Agência Pará
O governador Simão Jatene estava acompanhado da primeira-dama, Ana Jatene, do Cardeal Arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani Tempesta, que já foi Arcebispo Metropolitano de Belém, e outras autoridades eclesiásticas, como o Cônego Ronaldo Menezes, de Belém.

No encontro, Jatene agradeceu a postura que o Papa tem tido e o exemplo que tem dado para o mundo. "Rapidamente comentei que ele tem tentado construir uma sociedade mais pacífica, mais solidária e menos desigual. Também agradeci, enquanto amazônida, o carinho e a atenção especial que ele tem tido quando trata da questão da Amazônia, pela liderança que representa", disse Jatene.
 
Simão Jatene concedeu ainda entrevista na Rádio Vaticano, onde destacou a atenção que o Papa Francisco vem dando à Amazônia em suas falas. "Que ele continue tratando a Amazônia como tem tratado. Porque acho que a visão que foge da polarização é fundamental para que a gente possa, no caso da nossa região, enfrentar nossos dois maiores adversários: a pobreza e a desigualdade. Ou seja, ver como superar esses indicadores precários sem uma visão imediatista que termine fazendo com que a região se esgote em uma ou duas gerações. Esse é um grande desafio. E palavras nessa direção, vindas do Papa, tem o condão de nos incentivar e estimular a todos, mas, sobretudo, de nos levar a uma profunda reflexão sobre o papel da Amazônia", declarou. Confira parte da entrevista aqui.

Viagem

Segundo a Agência Pará, o governador comunicou na última semana à Assembleia Legislativa do Estado que se ausentaria do país para viagem até Roma, na Itália, atendendo convite da Arquidiocese do Rio de Janeiro e para fins particulares, custeando sua estadia e transporte. Apenas um integrante da Casa Militar acompanha a viagem, cumprindo determinação expressa no regulamento da instituição do Estado.

Coral de detentos faz apresentação com Fafá de Belém no Círio 2016

Ao som de 'Ave Maria' o Coral Timbres, formado por detentos do Centro de Recuperação do Coqueiro (CRC) e do Centro de Recuperação Feminino (CRF), emocionou os fiéis ao lado da cantora Fafá de Belém durante o 224º Círio. Os 16 integrantes do coral se prepararam durante cinco meses com a maestrina Vera Santos.

Cantora Fafá de Belém se emociona durante o Círio de Nazaré. Foto: Divulgação

No repertório, 15 músicas que falam sobre fé e esperança como 'Maria de Nazaré', 'Lírio Mimoso', 'Senhora da Berlinda', 'Isso é Amor' e 'Tente Outra Vez'.
Há um ano no grupo, a interna Carmem Ribeiro falou sobre a felicidade de poder fazer parte de um momento tão importante da fé paraense. "Fico muito agradecida e feliz por poder participar de um momento tão especial como esse. Para nós que estamos dentro de um presídio essa oportunidade significa muito. Sentir essa energia que vem da fé de quem passa caminhando é algo até difícil de explicar", contou.

A cantora Fafá de Belém que fez o convite pelo segundo ano consecutivo para que o coral se apresentasse com ela, explicou a importância do projeto. "Trazer o lado social para dentro da varanda é muito importante, para esses homens e mulheres essa apresentação é muito mais do que cantar, é uma oportunidade, um resgate social", garantiu.

Quem não segurou a emoção foi a detenta Silvana Sales, que quando estava em liberdade participou de várias procissões como romeira. "Eu nunca imaginei que um dia estaria aqui fazendo essa homenagem para Nossa Senhora, cantando para ela. Não é a melhor condição, eu sei, mas é muito, muito emocionante para mim e para a minha caminhada de vida estar aqui hoje", avaliou.

A cantora lírica Patrícia Oliveira já fez várias apresentações com o Timbres e também esteve presente na homenagem à padroeira dos paraenses. "Nós já cantamos algumas vezes juntos em ‘Um Canto Para Maria’ e para mim é uma honra poder contribuir de alguma forma com o trabalho deles, poder passar um pouco das técnicas que aprendi e poder fazer da homenagem algo mais especial".

O grupo Timbres é um projeto social da Susipe, que conta com o apoio do Núcleo Articulação e Cidadania, da Casa Civil da Governadoria do Estado, e consiste na reinserção de internos através do canto e da música. O projeto tem como objetivo a capacitação técnica na música, com aulas de canto.

Círio de Nazaré reúne milhares de pessoas neste domingo em Manaus

Foto: Suelen Gonçalves/ G1 AM
MANAUS - Milhares de pessoas acompanharam, na manhã deste domingo (9), o Círio de Nazaré, em Manaus. A procissão, que teve início às 7h, saiu da Igreja Nossa Senhora de Fátima, no bairro Praça 14, na Zona Sul, seguiu por ruas da cidade rumo à Igreja Nossa Senhora de Nazaré, no bairro Adrianópolis, na Zona Centro-Sul. Após o Círio, uma missa foi realizada por Dom José Albuquerque, bispo auxiliar de Manaus, na sede da igreja de Nossa Sra de Nazaré.
Foto: Suelen Gonçalves/G1 AM
Foto: Suelen Gonçalves/ G1 AM

Emoção e fé marcam imagens do Círio de Nazaré em Belém

O Círio de Nazaré acontece há mais de dois séculos, todos os anos na segunda semana de outubro. O evento é uma das maiores manifestações da fé católica no mundo. O evento reúne, a cada edição, cerca de dois milhões de romeiros numa caminhada de fé pelas ruas de Belém, capital do Pará, em ações de devoção por parte dos fiéis. O Portal Amazônia fez uma galeria de imagens para você ver de perto toda a beleza deste que é um dos maiores eventos da Amazônia
Foto: Divulgação/Basílica Santuário de Nazaré 
Foto: Divulgação/Agência Pará

Círio de Nazaré celebra a devoção mariana de 2 milhões de fiéis

Foto: Divulgação/Agência Pará
Após a tradicional missa em frente à Catedral de Belém, a procissão do 224º Círio de Nazaré começou um pouco antes das 06h30 e carregou um mar de gente em torno da berlinda com a imagem da padroeira do povo paraense e Rainha da Amazônia: Nossa Senhora de Nazaré. A Imagem da Virgem vai percorrer cerca de 3,6 quilômetros de distância, para chegar até a praça Santuário de Nazaré. A previsão inicial da Diretoria da Festa é que este ano a procissão se encerre às 12h e leve para as ruas da capital paraense mais de 2 milhões de pessoas.
Ainda no início da procissão, no Largo da Sé, entre fitas que tremulam, sorrisos e gestos mais contidos, Zuleide Farias, 51, e o esposo Sebastião Mendes, 49, fixam uma ilha no burburinho que acabou de se calar ao som da missa: um pequeno carrinho de mingau guarda panelas quentes. “Nunca tinha visto um Círio assim”, concorda. Há nove anos eles vêm vender mingau no Círio.  “Ainda é preciso. Mas torço para o dia em que estaremos melhor e eu possa vir só agradecer, estar aqui só para ela”, diz Zuleide.
Com três filhos para criar. Eles vendem o copo de mingau por três reais. “No final eu sempre dou o que sobra aqui mesmo”, sorri Sebastião. Ao todo, estima-se que imagem peregrina de Nossa Senhora de Nazaré irá percorrer 140 quilômetros durante as 13 procissões oficiais do Círio de 2016. A distância das romarias somadas é 10 quilômetros maior do que a percorrida nas procissões de 2015. A Berlinda percorre o trecho inicial da procissão sem a corda.
A imagem de Nossa Senhora encontrará os fiéis que já esperam o atrelamento apenas no Boulevard Castilho França. Lá, milhares já esperam a procissão desde as primeiras horas do dia. Atrelamento A corda do Círio este ano mede 400 metros e pesa 600 quilos. Feita em Santa Catarina, foi trazida de caminhão para Belém. Estima-se que cerca de 8 mil pessoas a carregarão durante a procissão. 
O bom atrelamento da corda do Círio à Berlinda é crucial para as procissões. Segundo a Diretoria da Festa, quando tudo corre bem nesse passo, a Berlinda tem mais chances de chegar no horário previsto na Basílica Santuário de Nazaré. Cerca de 400 homens da Guarda de Nazaré e Diretoria da Festa integram os três núcleos da corda do Círio que são cruciais para o andamento da procissão: as chamadas Estação 1, núcleo e a retaguarda da Berlinda. Semanas antes do Círio, eles fizeram treinamentos para garantir que tudo corra bem, numa grande revisão de passos e verificação de necessidade de manutenção de materiais e processos.  
A berlinda passou a ser atrelada à corda no Boulevard Castilho França com a avenida Portugal, em frente ao Mercado do Ver-o-Peso, desde o Círio de 1995. Desde então a berlinda sai da Catedral de Belém protegida por um cordão humano, formado por homens da Polícia Militar, Marinha, Exército, Aeronáutica e Guarda Municipal, além dos veteranos da Guarda de Nazaré. Originalmente a Corda, em formato de “U”, seguia em volta da Berlinda. Isso dificultava o ritmo das romarias e trechos críticos como a curva da avenida Presidente Vargas. Em 2004 a Diretoria da Festa decidiu que a corda passaria a ser linear, formada por dois núcleos (a cabeça e a berlinda) e cinco estações. 
A corda passou a fazer parte do Círio de Nossa Senhora de Nazaré há 161 anos: em 1855, quando a imagem ainda era conduzida por um carro de boi, o atolamento do veículo perto do Mercado do Ver-o-Peso fez com que romeiros atassem uma corda para puxar a imagem. Assim a tradição se fixou. E apesar de proibida entre 1926 e 1930, a Corda voltou ao Círio, a pedido dos fieis, em 1931.
Saiba onde está a procissão Para quem quer acompanhar em tempo real o trajeto percorrido pela Berlinda, o aplicativo “Kd a Berlinda?”, desenvolvido pela Empresa de Tecnologia da Informação e Comunicação do Estado do Pará (Prodepa), é mais uma vez uma das atrações entre os romeiros. Gratuito, o APP, pode ser baixado no site é acessível a qualquer dispositivo móvel ou computador. Utilizando o serviço de mapas do Google, o “Kd a Berlinda?” permite verificar fluxos de trânsito e velocidades médias de tráfego nas vias ao redor da procissão. Outra ferramenta, “Trajetos fáceis”, auxilia escolher melhores caminhos de um ponto a outro, não necessariamente onde a Berlinda esteja.

Kd a Berlinda? Página começa a monitorar primeira das 12 procissões do Círio 2016

Foto: Reprodução/Secom-PA
'Kd a Berlinda?', aplicativo desenvolvido pela Empresa de Tecnologia da Informação e Comunicação do Estado do Pará (Prodepa) começou a monitorar a primeira das doze romarias do Círio de Nazaré, o Traslado para Ananindeua, nesta sexta-feira (7). No sábado (8), vai acompanhar a ida para o distrito de Icoaraci, a Romaria Fluvial, a Motorromaria e a Trasladação. Já no domingo (9), o Círio 2016 em Belém.

Por ter o maior trajeto, o Traslado para Ananindeua ainda é a mais extensa das romarias, com 52 quilômetros, em três municípios (Belém, Ananindeua e Marituba). Realizada em um dia de semana, é também a romaria que mais afeta a rotina da população, que conta com o serviço, para melhor se locomover durante toda a sexta-feira.

“Por onde passa a romaria, há uma verdadeira movimentação com relação a todos os órgãos de segurança. Tem defesa civil, bombeiros, polícia militar, trânsito. Uma série de agentes que precisam ter acesso à localização da berlinda em tempo real, além das pessoas. Principalmente para poder se planejar com relação aos postos de atendimento, às unidades volantes, às ambulâncias, tudo aquilo que serve de apoio, o aplicativo é usado por esses órgãos para monitorar o andamento real das procissões”, destacou o diretor de Desenvolvimento de Sistemas da Prodepa, Lourenço Monteiro.

Tecnologia

Como serviço de utilidade pública, a ferramenta tem sistema georreferenciado, em que as coordenadas da berlinda são capturadas por GPS em tempo real e transmitidas para um servidor. “O compromisso é com a prestação do serviço público. Nós disponibilizamos o mapa para as redes de televisão, que é consumido até pelas equipes de reportagem. É um serviço importante num evento de tantas pessoas na rua. Todos que tem um celular conseguem rapidamente consultar”, reforça Lourenço. 
Foto: Ascom/Prodepa
O site é acessível por qualquer dispositivo móvel ou computador, onde é possível acompanhar o trajeto percorrido. Utiliza aplicações ajustáveis, que se adaptam ao tamanho da tela. A página é acessada com todas as suas funcionalidades, independente do dispositivo utilizado, computador, tablet ou celular.

Utilizando o serviço de mapa do google, o "Kd a Berlinda?" oferece um indicativo do fluxo de trânsito. A informação desse tráfego, dessa intensidade, também está disponível ao usuário através de cores, indicando a velocidade média nas vias ao redor da procissão. A cor verde indica uma velocidade média acima de 80 km/h; a amarela indica velocidade de 40 a 80 km/h e a cor vermelha, de até 40 km/h.

A ferramenta ‘trajetos fáceis’ auxilia o usuário a ir de um ponto a outro, não necessariamente onde a berlinda esteja. Considerado um aplicativo nativo, é possível fazer o download direto da loja dos aplicativos para o celular, de graça, sem nenhum custo, e com um ícone já abrir direto no mapa para visualizar onde está a berlinda.

Outras seis romarias, que serão realizadas após o Círio: Ciclorromaria, Romaria dos Corredores, Romaria da Juventude, Romaria das Crianças, Procissão da Festa e o Recírio, também contarão com o serviço, abrangendo as 12 procissões e totalizando mais de 140 quilômetros monitorados pela ferramenta.

224° Círio de Nazaré espera reunir mais de 5 milhões de pessoas em Belém

Uma missa na Basílica Santuário de Nazaré marcou a abertura oficial da 224ª edição do Círio de Nossa Senhora de Nazaré, nesta terça-feira (4), em Belém (PA). Com o tema 'Salve Rainha, Mãe de Misericórdia', a celebração à Padroeira do povo paraense e Rainha da Amazônia acontece no segundo domingo de outubro. Assim, dia 9, às 5h, haverá a Missa Campal com Dom Alberto Taveira, Arcebispo Metropolitano de Belém, na Igreja da Sé. Em seguida, às 6h, acontece a saída da procissão em direção à Praça Santuário de Nazaré, em um trajeto de 3,6 quilômetros.

De acordo com o diretor-coordenador do Círio 2016, Roberto Souza, anualmente o evento, que é uma das maiores procissões católicas do mundo, reúne pelo menos dois milhões de romeiros que caminham em homenagem à padroeira. "Isso apenas no Círio, domingo. Como temos 12 procissões, um estudo do Dieese aponta que cinco milhões de pessoas participam de todo o evento. Mas a gente considera que a mesma pessoa pode participar de várias procissões", explica.
Romaria fluvial é uma das mais conhecidas. Foto: Reprodução/Círio de Nazaré
Segundo Souza, 40 entidades estão envolvidas com o Círio. Entre elas, mais de 23 mil pessoas prestam serviços como segurança, atendimento médico, monitoramento do trânsito, entre outros. "A gente tem feito um trabalho que procura sempre preservar a segurança das pessoas que vão participar das romarias. Tudo é programado junto aos órgãos e, se Deus quiser, vamos fazer mais um Círio abençoado, sem nenhum tipo de problema grave", disse. Entre as entidades estão a Polícia Militar, Marinha e Cruz Vermelha, por exemplo.

Outro serviço, de acordo com o Governo do Pará, é o atendimento à turistas estrangeiros nas línguas espanhola e inglesa. Se houver necessidade de registrar algum tipo de ocorrência policial, basta o turista estrangeiro acionar o número de emergência 911, usado nos Estados Unidos, e o 912, usado na Europa, que automaticamente a ligação será redirecionada para os plantonistas do Centro Integrado de Operações (CIOP), que também atende no 190. São 60 policiais, incluindo oficiais, capacitados para agir na área de segurança em apoio aos turistas, nos principais pontos de visitação da capital.

Na programação, 12 romarias oficiais fazem parte da quadra nazarena. As procissões iniciam na sexta-feira (7) com o traslado da Imagem Peregrina para o município de Ananindeua e finalizam com o Recírio, no dia 24 de outubro. Entre as mais conhecidas estão a Romaria Fluvial e a Romaria da Juventude. Confira a programação completa

Em Belém, detentas produzem artesanato para o Círio de Nazaré

Faltando pouco mais de quatro dias para a maior procissão católica do mundo, o Círio de Nossa Senhora de Nazaré, detentas que fazem parte da Cooperativa de Trabalho Arte Feminina Empreendedora (Coostafe), que funciona no Centro de Recuperação Feminino (CRF), em Ananindeua, trabalham a todo vapor para entregar as encomendas feitas para este período.



Artesanato feito pelas detentas do Centro de Recuperação Feminino (CRF). Foto: Divulgação

O projeto já é realizado desde 2013 pelas 30 internas que trabalham na cooperativa. Todo ano elas começam produzindo os tradicionais mantos, camisas customizadas, pesos de porta, chaveiros e garrafas. Em 2016, a novidade são as canetas com a imagem da santa, o oratório e os aventais para cozinha. Os produtos variam de R$ 7 a R$ 50.

Segundo Carmem Botelho, diretora do CRF, as detentas têm se dedicado até nos finais de semana para dar conta de tudo. “Elas estão muito empolgadas com essa produção. Sempre há uma procura maior até por conta da movimentação que o Círio provoca na cidade, com muitas pessoas de fora do Estado e do país e esse público gosta dos artesanatos mais diferentes, mais elaborados e acabam chegando até as meninas da cooperativa. Este ano criamos produtos novos e um deles está fazendo muito sucesso, que é o avental, pois nessa época todo mundo vai pra cozinha preparar o tradicional almoço e nada melhor do que fazer isso com muito estilo”, destacou a diretora.

Maria do Socorro Cruz é a detenta mais antiga da cooperativa e diz que todos os anos faz o trabalho com muito orgulho. “Eu já esqueci da vida que eu tinha antes de entrar aqui, não gosto de lembrar, porque hoje eu sou outra pessoa. Faço trabalho com corte e costura e quando eu sair daqui quero ter meu próprio negócio, quero mostrar para as pessoas que eu sou capaz de mudar, que eu errei, mas já aprendi a lição. Eu só quero mostrar agora o que de bom eu aprendi na Coostafe”, disse a detenta.
Maria do Socorro Cruz é a detenta mais antiga da cooperativa. Foto: Divulgação
Outra novidade é que agora os produtos da cooperativa também estão sendo vendidos pelo site Conexão Liberdade, uma ONG que funciona em Florianópolis (SC) e é comprometida com a geração de renda para pessoas cujas vidas tenham sido marcadas pela privação de liberdade. “A oportunidade de trabalho diminui a reincidência. Isso é uma grande oportunidade para essas meninas, porque agora o trabalho delas vai ficar conhecido no mundo todo e isso abre um leque de opções para elas. Quando saírem daqui elas até podem vir a se tornar empreendedoras de sucesso e assim mudarem de vida. 180 mulheres já passaram aqui pela cooperativa desde que ela começou e dessas nenhuma voltou a rescindir, o que é muito positivo”, relatou Carmem.
Para a detenta Maria Juceli, que está há pouco mais de um ano na Coostafe, o trabalho é um exemplo para a família. “Antes de entrar aqui eu não era uma boa referência para os meus filhos, não podia servir de exemplo para eles e hoje eu posso, eu tenho uma profissão e quando eu sair daqui já vou dar andamento aos meus projetos. Eu quero que eles tenham orgulho de mim e por isso eu me dedico tanto. As peças do Círio são as que a gente mais gosta de fazer, é algo que encanta todo mundo e nós fazemos com muito carinho”, disse a detenta.
A Cooperativa Social de Trabalho Arte Feminina Empreendedora é a primeira formada exclusivamente por mulheres presas no Brasil. Em quase dois anos de existência, as atividades já atenderam 180 mulheres. Além do shopping, as peças produzidas pelas detentas também estão disponíveis para venda na internet. Os consumidores podem acessar o perfil @coostafe no Instragam ou no site www.conexaoliberdade.org. O envio é feito para todo o Brasil, via Correios. O custo da remessa é acrescido ao valor final do produto. Quem tiver interesse nas peças pode entrar em contato pelos telefones (91) 98030-4370 e 98842 3479.

Belém recebe exposição de artesanato em homenagem à Nossa Senhora

Pelo segundo ano consecutivo, o Espaço São José Liberto (ESJL) recebe exposição de artesanato em homenagem à padroeira dos paraenses. 'Nossa Senhora de Nazaré entre santos' é o tema da mostra de santos em gesso pintados artesanalmente com diversas técnicas, que será aberta nesta terça-feira, 4, às 18h, na Capela São José, com apresentação do Madrigal da Universidade do Estado do Pará (Uepa). As peças serão comercializadas no local. A entrada é gratuita.

Cerca de 40 imagens compõem a exposição. Foto: Divulgação

A mostra reúne cerca de 40 imagens de santos e anjos pintadas à mão com diversas técnicas, trabalho meticuloso das artesãs do Grupo EntreSantos, que ano passado, no mesmo local, promoveu a exposição “Nazaré e outras Marias”, retratando várias fases da vida de Maria, a mãe de Jesus.

A ambientação da nova mostra é da designer Barbara Müller. As imagens representando Nossa Senhora de Nazaré ficarão dispostas no centro da capela, rodeadas pelas demais imagens. No espaço também haverá painéis explicativos contando a história dos santos e santas.

“Este ano pensamos em trazer santos variados, mas é sempre uma homenagem para Nossa Senhora. Dessa vez quisemos mostrar santos no lugar de outras Marias (outras denominações de Nossa Senhora). Procuramos os santos mais populares e outros nem tão conhecidos assim”, conta a artesã Lilia Chaves, que integra o experiente grupo de pintura artesanal, também formado por Amélia Franco, Betty Castro, Cídia Martins e Linda Toscano.

O público que visitar a mostra poderá ver santos de sua devoção e apreciar os santos e anjos pintados, como São José, São Pedro, São Judas Tadeu, São Sebastião, Sagrado Coração de Jesus, Santo Expedito, São Miguel, São Rafael, São Gabriel, São Longuinho, São Bento, São Bernardo e o Menino Jesus de Praga, entre outros. Entre as santas, estarão expostas Santa Catarina, Santa Edwirges, Santa Rita e Santa Terezinha.


A exposição ficará aberta ao público no horário diferenciado do Espaço São José Liberto (Praça Amazonas, s/n, Jurunas) no mês de outubro: de segunda a sábado, de 9h as 18h30, e aos domingos, de 10h as 18h. No sábado da procissão da Trasladação, 8 de outubro, funcionará das 9h às 15h. No domingo do Círio, dia 9, funcionará das 14h às 18h.