Falta de estrutura dificulta transplante de órgãos no Amapá e Mato Grosso

Segundo dados do Registro Brasileiro de Transplantes (RBT), divulgados pela Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), os Estados do Amapá e Mato Grosso não tem nenhum doador de órgão efetivo. O estudo reúne informações atualizadas, referentes ao período entre os meses de janeiro e junho.

O estudo informa, por outro lado, que o Amapá registrou 8 potenciais doadores nesse período. O estado é um dos três onde os procedimentos de transplantes nem chegaram a iniciar. Nesta quinta-feira (27) é celebrado o Dia Nacional da Doação de Órgãos.

De acordo com informações do G1 Amapá, no Estado existe a Central Estadual de Transplantes (CET), responsável por notificar, capacitar e distribuir de órgãos e tecidos. O coordenador da unidade, Eduardo Cardoso, descreveu que o estado tem credencial no Sistema Nacional de Transplantes (SNT), mas ainda não pode fazer procedimentos na área por falta de profissionais qualificados, ambulatórios e exames específicos.

Foto: Divulgação/Sesa-ES
Segundo Cardoso, três médicos foram capacitados para a área clínica, mas faltam ser formados especialistas cirúrgicos. Ele acrescentou que cerca de 40 multiprofissionais do quadro do estado passaram por curso de formação para se tornarem coordenadores hospitalares de transplantes de órgãos e tecidos, responsáveis por captarem possíveis doadores.

Em março, a CET anunciou que pretendia possibilitar a doação de órgãos até o fim deste ano. Mas o planejamento foi alterado, e agora o sistema de doação e transplantes de órgãos no Amapá deve funcionar em 2019. A proposta é que o estado inicie com os transplantes de rins e córneas.

“Vamos terminar a capacitação das equipes de médicos e multiprofissionais, credenciar, implantar o ambulatório pré e pós-transplante, o exame de HLA [que identifica a compatibilidade de doador e receptor]. Aí sim o estado vai estar pronto para realizar o transplante de rins e córneas. Esse projeto está se encaminhando desde 2014 para a previsão de execução de transplantes intervivos para o segundo semestre de 2019”, declarou Cardoso.

Foto: Fabiana Figueiredo/G1

Doação de órgãos no Brasil

O Amapá não tem doadores e nem cirurgias que contribuem com o índice do serviço no Brasil, que torna o país referência mundial em transplantes e o deixa como o 2º maior transplantador do mundo, atrás apenas dos EUA. Para passar pelo procedimento, o amapaense precisa ser encaminhado para outro estado onde há vagas para a cirurgia e doadores de órgãos.

Através do Sistema Único de Saúde (SUS), os pacientes brasileiros recebem assistência integral e gratuita, incluindo exames preparatórios, cirurgia, acompanhamento e medicamentos pós-transplante.

Doar órgãos é considerado um ato de amor e solidariedade, segundo o Ministério da Saúde. É um processo que ajuda a salvar vidas, no caso de órgãos vitais como o coração, ou devolver a qualidade de vida, quando o órgão transplantado não é vital, como os rins, por exemplo.

Como me tornar doador de órgãos?

No site do Ministério da Saúde são dadas orientações para os interessados em se tornar um doador. O primeiro passo é avisar a família, já que no Brasil a doação só é feita após a autorização de familiares.

Há dois tipos de doador:

Doador vivo: aquele que concorda com a doação, desde que não prejudique a própria saúde. Nesses casos pode ser doado um dos rins, parte do fígado, parte da medula óssea ou parte do pulmão.

Doador falecido: são pacientes com morte encefálica, geralmente vítimas de catástrofes cerebrais, como traumatismo craniano ou AVC (derrame cerebral).

Os órgãos doados vão para pacientes que necessitam de um transplante e estão aguardando em lista única, definida pela Central de Transplantes da Secretaria de Saúde de cada estado e controlada pelo Sistema Nacional de Transplantes.
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