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Quarta, 28 Outubro 2020

Os coloridos sapos-ponta-de-flecha: pequenos no tamanho e gigantes em beleza (e veneno!)

Os coloridos sapos-ponta-de-flecha: pequenos no tamanho e gigantes em beleza (e veneno!)
 
Os sapos-ponta-de-flecha (Família Dendrobatidae) são pequenos sapos (a maioria das espécies tem tamanho variando de 1,5 a 3 cm quando adultos), super coloridos e que ocorrem nas florestas tropicais da região neotropical, inclusive na Amazônia. Esses animais possuem atividade diurna, se deslocando no chão da floresta onde se alimentam principalmente de formigas, e em menor quantidade de cupins, ácaros e outros artrópodes menores. 

Dendrobatídeo da espécie Ranitomeya toraro fotografada em um município do estado do Amazonas (Foto: Alexandre Almeida/Divulgação)

Os sapos-ponta-de-flecha têmesse nome pelo fato de que algumas espécies foram documentadas como sendo utilizadas por algumas tribos indígenas na Colômbia para envenenar dardos de zarabatana para a caça de animais, como macacos. Pode isso, Arnaldo?

O pontente veneno é “fabricado” por esses sapos a partir da dieta e por isso a importância da alimentação para esses animais vai além de conseguir nutrientes para se manter, pois os dendrobatídeos (como são chamados os sapos da família Dendrobatidae) conseguem alcalóides, substâncias químicas potentes utilizadas pelo sapo na defesa contra predadores, através da dieta, principalmente de formigas. Inclusive, sapos criados experimentalmente em laboratórios e com uma dieta pobre em alcalóides, não apresentam alcalóides na pele e são menos tóxicos. Mas na natureza esses animais são extremante tóxicos e fazem questão de demonstrar isso. E eu já te explico como!

Dendrobatídeo comum na Amazônia brasileira, Ameerega trivittata, fotografada no estado do Amazonas (Foto: Luciana Frazão/Divulgação)

Em biologia aprendemos o conceito de aposematismo ou coloração aposemática/de advertência, que nada mais é que uma adaptação que algumas espécies adquirem ao longo da evolução para se defender de predadores. Essas espécies aposemáticas possuem cores vivas que já deixam claro para o predador que elas não possuem um gosto bom (impalatavéis) ou que são venenosas, como é o caso dos dendrobatídeos, que abusam dessa estratégia, com espécies com as mais variadas cores: vermelhos, azuis, laranjas, amarelo e até verde-limão!  

Espécie Adelphobates quinquevitattus, dendrobatídeo encontrado na Amazônia (Foto: Alexandre Almeida/Divulgação)

O colorido dos dendrobatídeos alerta os predadores naturais, mantendo-os longe, mas atraem os predadores humanos, que se aproveitam da beleza desses animais e do seu veneno. Isso porque, uma das maiores ameaças para a conservação desses animais é o tráfico para criação desses sapinhos como “pets”, estando esses animais dentre as espécies mais visadas no tráfico de animais no Brasil, segundo o Instituto Chico Mendes. Além do colorido chamativo, o que torna esses animais bastante carismáticos para criadores ilegais, os alcalóides presentes no veneno desses animais apresenta um grande potencial farmacológico, sendo que mais de 200 tipos de alcalóides já foram descritos a partir das espécies de dendrobatídeos. 

A complexidade dos dendrobatídeos vai além da dieta especializada para a síntese de veneno. Esses animais também apresentam um complexo comportamento, sendo as espécies territorialistas e com cuidado parental, isso mesmo, os sapos papais e mamães cuidam, e muito, dos seus girinos! E desenvolveram diversas estratégias para isso! Mas isso é assunto para a nossa próxima publicação, então fiquem ligados para saberem mais sobre os incríveis sapos-ponta-de-flecha! Espero que tenham gostado do texto de hoje! Abraços de sucuri pra vocês e até ao próximo animal incrível da nossa exuberante Amazônia! 

Dendrobates tinctorius, espécie de dendrobatídeo (Foto: Maël Dewynter/Divulgação)

Para saber mais: 

Sobre os dendrobatídeos: http://www.herpetofauna.com.br/Dendrobatideos.htm Sobre a evolução do colorido em uma espécie de sapo-ponta-de-flecha. Artigo em inglês, publicado por pesquisadores do INPA e UFAM: https://www.nature.com/articles/s41437-019-0281-4 

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