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Domingo, 09 Mai 2021

Casa Mamãe Margarida: mais que acolhimento, um espaço fraterno

"Eu vim parar aqui por conta do meu pai ter me violentado por oito anos, desde quando eu era criança". O depoimento é de Aysha Melissa (nome fictício para preservar identidade da vítima), de 14 anos, uma das 278 meninas em vulnerabilidade social atendidas pela Casa Mamãe Margarida, em Manaus.


Aysha tem duas irmãs e um irmão, e a violência começou quando a mãe adoeceu e não pôde mais cuidar dos filhos. O caso dela se enquadra em alta complexidade, que envolve as vítimas de violência física, psicológica, sexual e de negligência.


Foto: William Costa/Portal Amazônia

A assistente social da Casa Mamãe Margarida, Kelly Fonseca, lembra que os casos que o abrigo recebe são de crianças muito problemáticas.


"São famílias desestruturadas, onde há a questão da droga, do álcool, da violência doméstica. Neste ano, só da escola, temos 12 crianças em que foi descoberta a situação do abuso sexual intrafamiliar, e hoje essas meninas estão em nosso acolhimento institucional", ressalta Kelly.


Sobre a saúde mental dessas meninas, Kelly lembra que elas chegam fragilizadas e pedem socorro.


"Logo que a família nos procura, muitas delas não colocam a situação e depois do nosso acompanhamento que vamos descobrindo a situação real dessas meninas, e as crianças e adolescentes nos revelam o que acontece no seio familiar. Nos casos de abuso, identificamos isso, e chamamos a família para orientar sobre isso, e o que mais acontece é a falta de coragem de muitas dessas mães em fazer a denúncia, pois geralmente o abusador é o pai, o irmão, um tio, e nesses casos as mães ficam sem reação", disse.

Foto: William Costa/Portal Amazônia

Os casos identificados são repassados também para o Conselho Tutelar e Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), do Amazonas.


"A gente faz a porta de entrada com o Conselho Tutelar, e quando não conseguimos, vamos com essas crianças e adolescentes até a delegacia, para fazermos a denúncia", orienta.

 
A Casa Mamãe Margarida funciona desde 1986 e faz parte da Rede Salesiana, e atua como escola de ensino fundamental e abrigo, tanto para as meninas que vem do acolhimento institucional (casos enviados pelo juizado), e as da comunidade, que chegam através dos parceiros como o Conselho Tutelar, que orienta a matrícula de meninas em situação de vulnerabilidade, como extrema pobreza, por exemplo.


Foto: William Costa/Portal Amazônia

Vanuza Siqueira é orientadora social da Casa Mamãe Margarida a mais de 20 anos e ressalta a importância do trabalho realizado pela instituição.


"A instituição funciona em dois sistemas, no abrigo institucional atendemos 35 meninas, que vivem aqui e que tiveram os direitos violados e são encaminhadas pelo Juizado da Infância, e temos a escola que vai de 2º período ao 5º ano, um convênio com a Secretaria Municipal de Educação (Semed), e atendemos de 0 a 18 anos, pois temos os bebês das acolhidas que ficam aqui com elas, mas na escola são de 5 a 18 anos", ressalta Vanuza.


Para as meninas que fazem parte da Casa Mamãe Margarida, há atividades no contra-turno que são pensadas para elas, e o que o voluntariado é muito importante para manter a instituição.


Foto: William Costa/Portal Amazônia

"Temos 278 meninas e quase 50 profissionais divididos entre arte-educadores de teatro, dança e música, informática, cuidadoras, além dos professores. Os voluntários são sempre bem-vindos e os chamamos de acordo com nossa necessidade. Hoje, precisamos de alguém para nossa biblioteca", disse.


Os trabalhos realizados pela Casa vão além dos muros, e a família é parte importante nesse processo, tanto na escola, quanto no abrigo.


"Há vários casos e cada caso é diferente do outro, uns, por exemplo, seguem em segredo de justiça e nem sabemos a história, pois estão em proteção máxima, nesses o juizado determinará se pode haver ou não o contato com a família. Mas é muito priorizado o convívio familiar e comunitário. E é todo um trabalho feito com elas e com as famílias, para que possam acolher e conviver com essa menina", conta Vanuza relembrando que é uma ex-aluna e chegou à casa pelo abrigo institucional.


Foto: William Costa/Portal Amazônia  

Entre os voluntários, o artesão Valmir Miranda Cardoso, que no momento da nossa entrevista pintava em uma das paredes da quadra da Casa, um imagem que representa Dom Bosco e suas ações em prol do próximo.


"Eu faço com maior prazer, eu tenho muito haver com a casa, quando eu era de menor, com 13 anos de idade, eu vinha pra cá, brincava e as irmãs foram muito importantes na minha vida. Hoje tenho 46 anos, tenho família e sou avô, e devo muito à elas, e sempre que me chamam estou aqui para ajudar, assim como fui ajudado um dia. Eu me sinto grato, sou grato", conta Valmir.


Casa Mamãe Margarida



É uma Obra Social inaugurada em 24 de fevereiro de 1986, com ação evangelizadora, educativa e social desenvolvida e empenhada em gerar, promover, defender e cuidar da vida, tendo como ponto de partida a Caridade de Cristo Bom Pastor.


O Projeto tem como princípio básico a colher, defender e promover a vida de crianças e adolescentes do sexo feminino, que estejam vulneráveis ou já envolvidas nas várias formas de violência, sendo as principais o uso de drogas, abuso e violência sexual, violência doméstica, dentre outros.


Foto: William Costa/Portal Amazônia

A gravidez precoce também desponta como realidade do atendimento que a obra social oferece às suas usuárias, motivo pelo quais crianças e adolescentes são encaminhadas para a instituição, sendo que nestes casos o acolhimento acontece para a mãe e para o bebê.


A Casa também atua em dois tipos de Programas: Fortalecimento de vínculos familiares e comunitários e acolhimento institucional. Defendendo os direitos da criança e adolescente.


A direção da Casa é da irmã Liliana Maria Daou Lindoso.


Doações



Como é uma obra social, os custos mensais são grandes, e mesmo com os parceiros, com a Semed, que paga os professores do ensino fundamental, e a Secretaria de Assistência Social do Amazonas (Seas), que arca com 60% dos custos atuais das meninas do abrigo, a demanda por parceiros que ajudem a casa se manter é essencial.


Para ser voluntário e fazer doações para Casa, basta entrar em contato no número: (92) 3248-2331 (em horário comercial), ou mandar e-mail para [email protected].


A casa fica na Rua Penetração II, nº 27, bairro São José Operário, zona leste de Manaus.





Bella Causa 

Mulheres elaboram 10 sugestões para efetivação da Lei Maria da Penha no Amazonas; confira

Indígenas, negras e transexuais do Amazonas elaboraram 10 medidas para a efetivação da Lei Maria da Penha (LMP) no Amazonas. Esse foi o resultado do Seminário A Lei é Para Todas – A aplicação da Lei Maria da Penha do ponto de vista do feminismo internacional, realizado em Manaus nesta segunda-feira (12).

Seminário dá voz a mulheres para debate sobre efetividade da Lei Maria da Penha no Amazonas

Passados treze anos da sanção da Lei Maria da Penha, ainda existem barreiras para que a legislação que visa a proteção de mulheres contra a violência doméstica seja efetivamente cumprida. Para que as amazonenses discutam o tema, acontece em Manaus, no dia 12 de agosto, o seminário “A Lei é Para Todas – A aplicação da Lei Maria da Penha do ponto de vista do feminismo interseccional”.

Violência sexual contra as meninas da Amazônia: uma realidade que ainda assusta

Mais de 49 mil casos de crimes contra mulheres foram registrados pela Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM), entre janeiro a junho de 2019, na capital amazonense, enquanto, no mesmo período de 2018, foram 42 mil. Desse número, apenas 13 mil foram denunciados para as autoridades. Em entrevista ao Portal Amazônia, a titular da Delegacia Especializada em Crimes Contra a Mulher (DECCM), Débora Mafra, fez um balanço sobre os direitos que as mulheres ganharam nos últimos anos.


De acordo com Mafra, a violência doméstica era tratada como outro crime qualquer, ou seja, a vítima não tinha apoio das autoridades. Mas as coisas mudaram quando a Lei Maria da Penha entrou em vigor, em 2006. Nesta quarta-feira (7), a lei completa 13 anos de sancionada.

“Antigamente, ser submissa era uma regra para as mulheres, tanto que as mães aconselhavam as filhas para que obedecessem seus esposos. E quando elas eram abusadas e realizavam a denúncia, o marido pagava duas certas básicas e retornava para casa, ou seja, não existia proteção nenhuma”, explicou.
Foto: Reprodução/Shutterstock

Natural de Osasco (SP), Débora mora no Amazonas há 27 anos, e desde 2001 integra a Polícia Civil do Estado. Durante os anos de profissão, ela afirma que viu vários tipos de violência contra mulheres. “Em alguns casos, a violência é extrema, por esse motivo, que, em 2015, foi sancionada a Lei do Feminicídio. Graças a Deus que as mulheres não estão mais sofrendo caladas, e, o principal, contam com o apoio das autoridades competentes. Por exemplo, agora disponibilizamos o serviço de acompanhar a mulher para pegar seus pertences, ou, em outros casos, o próprio marido sai da casa, e é obrigado a manter uma distância da vitima”, disse.


Outro tipo de crime comum é o abuso contra menores de idade, mais comum em lugares afastados das grandes metrópoles. “Desde pequena, a mulher é amparada pela Lei Maria da Penha, então, se você souber de alguma criança ou adolescente que é aliciada ou sofre abuso sexual, você pode denunciar. O primeiro passo é a denúncia, e, de acordo com o caso, as autoridades vão tomar as medidas devidas. Não podemos deixar as crianças à mercê de tanta violência”, pediu a delegada.

Lei Maria da Penha e Feminicídio


Durante a entrevista ao Portal Amazônia, a delegada Débora Mafra destacou a Lei nº 11.340/2006, também conhecida como Lei Maria da Penha. Mas você sabe a história por trás dela? Bom, a personagem responsável por essa evolução no tratamento aos casos de violências domésticas é a farmacêutica Maria da Penha Maia Fernandes que foi vítima de abusos durante 23 anos.

Em 1983, o marido tentou assassiná-la por duas vezes. Na primeira vez, com um tiro de arma de fogo, deixando Maria da Penha paraplégica. Na segunda, ele tentou matá-la por eletrocussão e afogamento. Após essa tentativa de homicídio, a farmacêutica tomou coragem e o denunciou. O marido de Maria da Penha foi punido somente após 19 anos.
Foto: Reprodução/Shutterstock
 
Já a Lei do Feminicídio foi sancionada pela ex-presidenta Dilma Rousseff em 2015, e colocou a morte de mulheres no rol de crimes hediondos e diminuiu a tolerância nesses casos.Na opinião da delegada Débora, essa iniciativa transformou e salvou a vida de muitas mulheres, principalmente, na região Norte, onde muitos casos eram registrados.
“A violência contra a mulher não é apenas física, pode ser psicológica, de patrimônio (quando seus pertences são destruídos) e sexual. Hoje em dia, o acesso a esse tipo de informação é mais rápido, por esse motivo, é necessário denunciar”, destacou.

Bella Causa


Para dar visibilidade a luta contra a violência e abuso sexual sofrido pelas mulheres, a Fundação Rede Amazônica criou o projeto 'Bella Causa'. A ideia é desenvolver uma rede de apoio que possa identificar e ajudar unidades institucionais (abrigos com meninas de até 18 anos) nos seis estados da Região Norte com presença do Grupo Rede Amazônica.
Foto: Diego Oliveira/Portal Amazônia
 
Além disso, cada Estado contará com uma rede de embaixadoras que apoiarão a causa através de ações como palestras, exposições, bazar e campanhas de divulgação. Em Manaus, por exemplo, a embaixadora escolhida foi a jornalista Mazé Mourão. Já a primeira instituição que participará do 'Bella Causa' será a Casa Mamãe Margarida, que atende jovens mulheres em situação de vulnerabilidade social.

A secretária-geral da Fundação Rede Amazônica, Márcya Lira, explicou ao Portal Amazônia que os números de vítimas de abusos  na Amazônia é assustador. “Nós fizemos um levantamento e o resultado é impactante, em um primeiro momento, a nossa equipe mostrou esses números para as primeiras participantes do Bella Causa. A proposta dos nossos encontros é que eles aconteçam com uma periodicidade envolvendo públicos distintos, desde mulheres da alta sociedade, passando pelas comunidades, e que possam ser voz ativa pela causa”, disse.

 

Com estoque baixo, banco de Leite Humano no Tocantins precisa de doadoras

O Banco de Leite Humano do Hospital Maternidade Dona Regina, em Palmas, no Tocantins, possui 100 doadoras cadastradas. Esse número só consegue atender metade da demanda de 300 litros por mês. Atualmente, 46 bebês estão internados no local.
Foto: Divulgação

Segundo informações do governo do estado, o leite é destinado a bebês prematuros, com baixo peso, com infecções ou que tenham passado por processos cirúrgicos em que as mães não tenham condições de proceder com o processo de amamentação.

As mães que desejam ser doadoras podem se cadastrar ligando para o Disque Amamentação (0800-6468283) ou no telefone (63) 3218-7734.

Eleita, Joênia Wapixana é a primeira mulher deputada federal indígena por Roraima

Joênia Batista de Carvalho é a primeira mulher indígena eleita deputada federal neste domingo (7), pelo estado de Roraima
Foto: Divulgação
Com pouco mais de 8 mil votos, Joênia Wapixana, da Rede Sustentabilidade é a segunda indígena que chega à Câmara dos Deputados, em 1982, Mário Juruna do PDT já tinha ocupado o cargo.

Joênia é formada em direito e usa o sobrenome de sua etnia, Wapixana.

Dia Internacional da Mulher Indígena é lembrado pela morte da aymara Bartolina Sisa

O dia 5 de setembro é lembrado em todo o mundo como o Dia Internacional da Mulher Indígena. A data teve origem em um encontro de organizações e movimentos da América em que uma mulher indígena foi homenageada por sua luta contra a opressão a que as mulheres indígenas foram submetidas pelos conquistadores.

Esta mulher era a guerreira aymara Bartolina Sisa, que morreu em 5 de setembro de 1782, quando esteve à frente das tropas contra a opressão dos conquistadores europeus. Ela era uma tecelã. Junto com o marido Tupac Katari, liderou a resistência dos povos andinos contra o domínio espanhol em Cuzco, no Peru.
Tupac Katari e a esposa Bartolina Sisa | Foto: Divulgação
Além da homenagem a Bartolina Sisa, esse dia lembra milhares de mulheres que, como ela, morreram na luta contra a discriminação e os abusos cometidos a povos indígenas ao longo da história.

Estados da Amazônia lideram casos de estupro no país

Quando se fala em estupro contra mulheres, os estados da Amazônia lideram os casos no país. Segundo dados do Anuário Brasileiro da Segurança Pública, divulgados em 2014, Roraima é o estado com maior taxa deste tipo de crime com 66,4 casos para cada 100 mil habitantes.

Aparecem na lista do Anuário também, Rondônia, com 48,1 casos em 3º lugar, seguido pelo Amapá com 45,4 casos em 4º lugar. O Acre aparece em 6º com 44,3 casos, seguido por Mato Grosso com 44, Pará com 37,7 e Amazonas com 37,5 casos para cada 100 mil habitantes. Segundo o próprio anuário, muitos desses estados lideram pela falta de qualidade nas informações repassadas.

De acordo com dados do Mapa da Violência, em 2013 foram registrados quase 5 mil assassinatos de mulheres, onde cerca de 50% foram cometidos por familiares, e 30% destes por parceiro ou ex-companheiro. Essas quase 5 mil mortes representam 13 homicídios femininos diários em 2013.

Já o Panorama da Violência divulgado pelo DataSenado, revela que a taxa de homicídio de mulheres na Região Norte em 2014 foi em média de 5,6 para cada 100 mil mulheres. O Estado de Roraima lidera com 9,5 homicídios, seguido por Rondônia com 6,4 e Pará com 6,1. 
Foto: Reprodução / Internet
No Amazonas, dados mais recentes do Sistema Integrado da Secretaria de Segurança Pública mostram que de janeiro de 2016 a setembro de 2017 foram registrados mais de 50 mil casos de violência contra a mulher. Desses, cerca de 50% são de violência doméstica.

Para a delegada titular da Delegacia Especializada em Crimes contra a Mulher (DECCM) em Manaus, Débora Mafra, a violência sempre começa com atitudes mínimas, mas que representam muito para essas mulheres. " Geralmente a violência começa com as ameaças, injúrias e xingamentos, antes de ir para vias de fato com as lesões corporais. Toda mulher que sofre com a violência já foi vítima primeiro de uma ameça", disse.

Pergunta sobre a partir de qual momento há a violência, a delegada afirma que assim que acontecer a violência moral, ela deve procurar ajuda. "A violência contra a mulher começa com a violência moral, onde os xingamentos começam, logo após são as injúrias, ofensas, inclusive em locais públicos. A sociedade se cala, pois pensa que a culpa é da mulher, mas não é. É importante que assim que acontecer a mulher procure uma delegacia ou ligue no 181, para que não se chegue a óbito", concluiu.
Foto: Divulgação / Agência Brasil
Delegacias da Mulher  ManausAv. Mário Ypiranga, 3395 - Parque Dez de Novembro, Manaus - AM



Boa VistaRua Lindolfo Bernardo Coutinho, nº 1451 – Tancredo Neves (Próximo a Escola Tancredo Neves), Boa Vista - RR



Porto VelhoRua Euclides da Cunha nº 7818 - Centro - (Esquina com Avenida 7 de Setembro), Porto Velho - RO



BelémTravessa Mauriti entre Duque Rômulo Maiorana nº 2394 - Marco, Belém - PA



MacapáRua São José, s/n, bairro Centro – Macapá - AP



Rio BrancoVia Chico Mendes, 803 - Vila do Dner, Rio Branco - AC



São LuísAv. Beira Mar, 534 - Centro, São Luís - MA



PalmasQuadra 604 Sul Alameda 14 Lote 37 - Plano Diretor Sul - Centro - Palmas - TO
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