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Quarta, 28 Julho 2021

Uýra Sodoma: drag queen da Amazônia luta pela preservação dos igarapés

Uýra Sodoma: drag queen da Amazônia luta pela preservação dos igarapés
A água é uma substância primordial para a sobrevivência dos seres vivos, mas infelizmente, o líquido tão precioso é tratado de uma maneira irresponsável pelos seus usuários. Em Manaus, o biólogo e mestre em ecologia, Emerson Munduruku, iniciou o projeto 'Mil Quase Mortos', que usa a arte em prol a preservação do meio ambiente. Para o manifesto, Munduruku encarna a drag queen Uýra Sodoma, e, através de uma performance artística, mostra os impactos da poluição nos igarapés da cidade. 

Munduruku afirma que é um ambientalista por natureza. Natural de Santarém, no Pará, o biólogo lembra que sempre esteve em contato com a natureza. “Sempre fui interessado sobre o tema preservação. Quando me formei, percebi que eu precisava solucionar muitas questões ambientais, ainda mais quando me mude para Manaus e passei a morar em uma área  que alaga”, afirmou o jovem. 
 
Público assiste a perfomance de Uýra Sodoma, em Manaus. Foto: Matheus Belém/Divulgação
Mas como nasceu a Uýra? Segundo Mundukuru, a personagem surgiu para ser uma ponte entre o profissional e o público. “Quando tive a ideia de usar meu corpo como instrumento de manifestação, agregando as narrativas indígenas, percebi que seria uma possibilidade diferente de se comunicar. Uso a arte para massificar ainda mais a preservação, sabe, de uma forma democrática e acessível. A linguagem da arte é muito mais atrativa para as pessoas. Comecei a investir nisso, meu tempo e estudo”, explicou o jovem. 
 
Projeto 'Mil Quase Mortos' visa trazer reflexão para a sociedade. Foto: Matheus Belém/Divulgação
Cenário desolador

Já o projeto 'Mil Quase Mortos' visa debater a poluição nos igarapés que cortam a capital amazonense. De acordo com Munduruku, a maioria dos igarapés que serviam de lazer para as famílias manauaras estão desaparecendo. Ele acredita ainda que o problema se tornou invisível aos olhos da sociedade.

“As pessoas passam e não veem os igarapés, eles se tornam apenas paisagem, e isso é aceito, se tornou ótima. Afinal, se eu não consigo enxergar um problema, não vou ser obrigado a resolvê-lo”, destacou o biólogo. 
 
Foto: Matheus Belém/Divulgação
Quem pensa que o trabalho é fácil, está muito enganado. Além de registrar, Mundukuru realiza performances para chamar a atenção das pessoas. As imagens do projeto são feitas pelo fotógrafo Matheus Belém, e até o momento, o jovem fotografou em duas localidades distintas, a Ponte do São Jorge, na Zona Centro-Oeste, e na Ponte da Feira do Mutirão, que são banhadas pelo Igarapé do Mindu. A maquiagem é feita pelo próprio biólogo e os adereços são inspirados na mitologia indígena. 

Não pense você que as fotos são apenas posadas, segundo Munduruku, a ideia é chocar quem passa. Por exemplo, na  última performance que fez, Uýra representava a cobra-Mãe Boiúna, com uma gigante cauda.

“As pessoas ficam impactadas de uma forma ou de outra, gosto de trazer esse sentimento de reflexão, afinal, tudo isso poderia ser evitado se houvesse uma conscientização melhor, tanto da sociedade, quanto do poder público”, afirmou o jovem.
 

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