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Quarta, 28 Outubro 2020

Estiagem pode paralisar fluxo de produtos no Rio Madeira e prejudicar o agronegócio

Estiagem pode paralisar fluxo de produtos no Rio Madeira e prejudicar o agronegócio
O nível do Rio Madeira já ultrapassou a marca histórica de 2015. Dados do Serviço Geológico do Brasil(CPRM) apontam que o rio Madeira está, em relação ao mesmo período do ano passado, 5 metros mais baixo. A estiagem tem afetado o transporte de produtos no rio e já tem causado prejuízos na produção agropecuário da região.
Em entrevista, o Vice-presidente do Sindicato das Empresas de Navegação Fluvial do Estado do Amazonas(Sindarma), Claudomiro Carvalho Filho disse que atualmente o percurso entre Manaus e Porto Velho tem tido problemas com a vazante. De acordo com ele as embarcações precisam distribuir o peso das cargas e aumentar o tempo de viagem para manter a logística de produtos no trajeto.
Para Claudomiro Carvalho, com esses obstáculos o custo de viagem já aumenta significativamente, aproximadamente 30% maior, e que até o momento esse aumento não foi repassado para o preço do frete. Entretanto ele acredita que se a estiagem continuar comprometendo o serviço de transporte a empresa pretende repassar o aumento de custo para o preço do frete.
Ainda de acordo com ele se o ritmo da vazante continuar a navegação deverá ser interrompida. “Se o ritmo da vazante continuar no ritmo que está em outubro não será mais possível navegar pelo rio Madeira. Toda a produção que utiliza o Rio Madeira vai ser deslocada para os trechos entre Manaus e Belém, além de percursos marítimos através do porto de Santos. Isso vai representar um aumento de mais ou menos 25% no valor do frete”, disse Carvalho.
Para o presidente do Instituto de Pesquisas Agropecuárias de Rondônia(Faperon), Hélio Dias, a situação é preocupante no momento com a estiagem, mas que ele acredita que o cenário de interrupção da navegação no Madeira não vai acontecer. De acordo com ele o seca do Rio Madeira está no seu pior momento, mas que em breve o rio vai começar a subir.
Em relação aos prejuízos na agropecuária do Estado de Rondônia, Claudomiro enxerga prejuízos nas cadeias produtivas de peixe, madeira e carne. Entretanto o setor de grãos, um dos mais importantes do Estado, não vai sofrer tanto porque o período de pico da safra de milho e soja acontece entre janeiro e junho. Os impactos nesse período de agosto a novembro são inferiores a 20% de toda a produção de grãos do Estado.
No Amazonas os prejuízos ainda não são grandes. De acordo com o Presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Amazonas, Muni Lourenço, o único trajeto que foi prejudicado pela enchente foi entre os municípios de Humaitá e Apuí, onde o baixo nível dos rios desencadeou uma paralisação total das balsas.
Para Lourenço os municípios de Humaitá e Santo Antônio do Matupí são polos produtivos rurais de destaque no Estado, mas que por causa da paralisação do trecho estão tendo prejuízos. “Nos temos notícias de produtores que estão na fila de caminhões esperando a balsa de apuí para poder comprar sementes e insumos. Além disso o combustível nessa região tem sido comprado em Itaituba, no Pará, à 700km de Apuí”, disse Lourenço.
O clima
A estiagem agravante nesse período é fruto do fênomeno El Niño. De acordo com o superintendente do CPRM, Marco Antônio de Oliveira, o fenômeno causou uma diminuição na quantidade de chuvas na Amazônia no período que vai do final do ano de 2015 até o mês de maio desse ano.
Com uma cheia pequena, agora no período da estiagem os rios estão com o nível menor do que o normal. “A tendência é que o nível dos rios continue abaixo até o início do mês de outubro. Entretanto o Rio Madeira acaba de entrar no pico da seca e não vai muito mais do que já está, talvez dois ou três metros ainda. Já no Amazonas nos começamos agora a estiagem e ainda vai durar dois meses, pelo menos”, disse Antônio.

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