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Segunda, 26 Julho 2021

'Bate-palma' de Manaus: conheça a rua Marechal Deodoro

batepalma



Você já foi à rua Marechal Deodoro, em Manaus? Muitos manauaras podem não saber identificá-la com esse nome. Agora se perguntarmos, você já foi ao bate-palma? A reposta, com certeza, vai ser sim. Localizada no Centro de Manaus, a rua é um dos principais pontos comerciais da cidade. Mas, porquê, a Marechal Deodoro recebe este nome tão peculiar? O Portal Amazônia descobriu o motivo e foi ao bate-palma conhecer a rotina das pessoas que lá trabalham.

A rua Marechal Deodoro está localizada no Centro de Manaus. Foto: Diego Oliveira/Portal Amazônia
 

Segundo o escritor Roberto Mendonça, a rua Marechal Deodoro sempre foi um importante ponto para a economia da cidade. Ela foi fundada no final do século XIX e início do XX, sendo sede de grandes firmas e exportadoras. Mesmo com a queda da borracha, o local manteve seu privilegio. Encontrava-se nela na época, o J.G Araújo, uma grande loja, e outras menores, cujos edifícios ainda se encontram de pé.

A criação da Zona Franca de Manaus (ZFM) tornou a Marechal Deodoro um lugar melhor.  Mendonça explica que com as empresas se afastando para outras áreas da cidade, os prédios foram sendo alugados e uma nova era nasceu para o local. “A ZFM trouxe um novo tipo de comerciante para o local, os árabes ou turcos, que foram ocupando devagar o local. A grande ocupação deve ter sido a aquisição do terreno onde esteve o prédio do JG, que um incêndio destruiu”, contou.


Vendedores batem palma para atrair a atenção dos clientes. Foto: Diego Oliveira/Portal Amazônia
 


E o nome bate-palma? De acordo com o escritor, o termo surgiu por causa a insistência dos vendedores da rua Marechal Deodoro. “Com a chegada dos imigrantes e o crescimento da área, os vendedores começaram,  então a ficar na frente das lojas chamando os clientes, naquele famoso esquema 'entra-compra'. Por isso, a população manauara conhece a rua Marechal Deodoro como 'bate-palma'”, revelou o escritor.



Na opinião de Mendonça, a famosa rua do 'bate-palma' é de suma importância para a cidade. Ele diz que apesar de toda mudança sofrida pelo local, a população contínua lotando o centro comercial. “A Marechal parece este imã, liga a periferia com o porto. Os interioranos vêm em busca dela, da mesma forma as pessoas que moram nas outras zonas de Manaus. Seguirá marcante, não tenho dúvidas”, disse. 



Foto: Diego Oliveira/Portal Amazônia


Importância econômica

Para o presidente da assembleia geral da Associação Comercial do Amazonas (ACA), Ismael Bicharra, a rua Marechal Deodoro é de suma importância para a economia de Manaus. Em entrevista ao Portal Amazônia, ele destacou fases importantes do local. "É necessário que puxemos a história da Marechal Deodoro para entendermos o impacto da mesma na economia da cidade, como por exemplo, a importância dos árabes para o crescimento da área ou normatização criada no Brasil que afetou a ZFM, logo, diminuindo a economia", falou.


Mas apesar dos preços baratos e da procura do público pelos produtos, o bate-palma também foi afetado pela crise econômica que assolou o Brasil nos últimos anos. Segundo Bicharra, as vendas caíram em torno de 50%, mas que o Natal e Ano Novo podem aquecer as vendas. “Para você ter uma ideia, uma loja que tinha 10 funcionários, hoje possui apenas cinco. Acreditamos que teremos boas vendas no fim do ano, ou seja, o número de contratações temporárias devem aumentar”, explicou.


Foto: Diego Oliveira/Portal Amazônia
Trabalhadores da área

Para trabalhar no bate-palma é necessário ser 'sem vergonha'. Foi o que disse o vendedor Clécio Ferreira. Ele começou a trabalhar recentemente no local, e garante que consegue vários clientes batendo palma. "As pessoas gostam de simpatia, então não podemos parecer tristes aqui. Eu chamo, converso e procuro envolver o cliente em questão. Timidez aqui não tem vez", revelou.


Há 18 anos, a vendedora Maria Nazaré, trabalha na Marechal Deodoro. A profissional explicou que muitas coisas mudaram. Mesmo com a Marechal Deodoro lotada, Maria disse que a clientela está escassa. "Vi muita coisa mudar por aqui, principalmente o movimento. Ei sei que parece ter muita gente, mas antes as pessoas mal conseguiam andar pela rua. Espero que os próximos meses transformem esse cenário", disse.


Apesar da correria do dia a dia, a rotina dos trabalhadores do bate-palma é bem emocionante. Quando a reportagem do Portal Amazônia foi ao centro comercial, encontrou um personagem um pouco incomum no local. Era o morcego, batizado de louro pelos vendedores de uma loja. "Ele apareceu hoje, a gente se depara com essas coisas às vezes. Nunca um dia é igual ao outro. Mas apesar de tudo, a gente não mexe com os animais, né? Deixamos eles quietos", contou a vendedora Madalena Cunha. 
Morcego dorme tranquilamente no agito da rua Marechal Deodoro. Foto: Diego Oliveira/Portal Amazônia

Clientela

Curiosos com as promoções, os clientes entram de loja em loja. Para o administrador Vanderlan Farias, pechinchar é a palavra de ordem. "Não compre na primeira loja que você encontrar no bate-palma, apenas pesquise. Tenho certeza que encontrará um material similar em algum lugar. Não se deixe enganar pelas palmas", aconselhou.


Com as mãos cheias de sacolas, a comerciante Lita Medeiros, diz que adora uma promoção. "Aqui na Marechal Deodoro encontro produtos baratos, fora que existem mais opções do que no shopping, por exemplo. Aproveito para vir também em épocas especiais, como por exemplo, nas festas de fim de ano", comentou.
 

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