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Quinta, 01 Dezembro 2022

Phelippe Daou: sua trajetória à época na presidência da União dos Estudantes do Amazonas - UEA

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Os homens que lograram êxito em suas histórias tiveram como principais atributos a coragem, a fé e o espírito empreendedor. São, sobretudo, seres que acreditaram e acreditam nos seus sonhos e projetos – e, movidos pelo entusiasmo e pelos ideais, legaram à sociedade uma história de feitos e conquistas.

A maior herança desses espíritos esclarecidos e altivos é o exemplo que deixam para seus descendentes, especialmente para os mais jovens, de que transformar sonhos em realidade não é impossível. A história exemplar do jornalista Phelippe Daou é ilustrativa da capacidade de superação e realização do ser humano.

Faz parte da linhagem de homens que trabalhando muito, foram fortes para vencer o desconhecido, superar os próprios limites e construir uma história vitoriosa e edificante. Por força de sua liderança na área de comunicação, tornou-se um dos empreendedores mais respeitados na Amazônia, gozando de reconhecimento e admiração.

Como empreendedor soube vencer os desafios e construir não só um patrimônio, mas, uma reputação que lhe rendeu homenagens e admiração, fruto de seu trabalho e de suas realizações em defesa da Amazônia.

O jornalista e empresário das comunicações Phelippe Daou, nasceu em Manaus, no dia 15 de dezembro de 1928. Filho do comerciante José Nagib Daou e da Sra. Nazira Chamma Daou. Fez seus primeiros estudos na Escola Progresso de Manaus, dirigida pela professora Julita Barjona. Em seguida, ingressou no Colégio Estadual do Amazonas, onde concluiu o secundário e científico.

Prestou vestibular para a Faculdade de Direito do Amazonas, onde bacharelou-se. Muito cedo ainda, iniciou no jornalismo, como repórter do Jornal do Comércio, mas a ascensão na carreira começaria um ano depois, com sua transferência para a empresa Archer Pinto, proprietária, na época, de O Jornal e Diário da Tarde, onde exerceu diversas funções redacionais. Atuou ainda como redator da Rádio Rio Mar.

Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

Breve histórico da UESA

A união dos Estudantes Secundaristas do Amazonas (UESA), foi fundada em 13 de janeiro de 1952, em sessão solene realizada com representantes de várias escolas reunidos em Congresso realizado no Teatro Amazonas.

A UESA que teve como seu primeiro presidente o então estudante, Aníbal Teixeira, que mais tarde chegou a ser ministro do Planejamento do Governo José Sarney, organizava-se sob lideranças de estudantes como Milton Cordeiro, Dantas Brito, Plínio Coêlho Júnior, Aguinelo Balbi, Euripedes Lins e, mais tarde de outros como a sua primeira presidente e foi estudante do IEA, Tarcila Mendes, Robério Braga, entre outros. Sua primeira Sede passou a funcionar junto à Sede da entidade universitária estadual, a UEA (União dos Estudantes do Amazonas) que na época ficava situada na Rua Barroso, Centro de Manaus, ao lado da Casa do Estudante.

A UESA lutou pela melhoria do atendimento aos estudantes durante as décadas de 50 e 60, prova disso é que quando não queriam aceitar a Meia Entrada para estudantes no então Cinema Odeon (Edifício Manaus Shopping Center – Rua Saldanha Marinho esquina com a Avenida Eduardo Ribeiro), os estudantes revoltados sob a liderança da UESA incendiaram o próprio, isto tudo por volta de 1956.

A UESA também lutou contra a ditadura militar, sofreu perseguições, teve todos seus grêmios no Amazonas dissolvidos, assim como a própria entidade foi proibida de funcionar visto que a Sede da Rua Barroso foi fechada em 1967, e depois demolida, sendo naquela época seu presidente Edson Oliveira, que posteriormente tornou-se presidente da OAB-AM.

Somente em 1981, os estudantes sentiram-se fortes com a reativação da UNE e da UBES no sul do país, para aqui no Amazonas reativar a UESA e, fizeram isso com uma bandeira de luta, queriam e conquistaram a Meia Passagem (passe estudantil) nos transportes coletivos urbanos. Foi após um quebra-quebra de ônibus pelos estudantes, muita perseguição e tortura pela PM que obrigava os estudantes a se refugiarem na torre da Igreja São Sebastião que pressionado o governador da época, José Lindoso e o seu prefeito José Fernandes autorizaram em maio de 1980 a liberação do passe estudantil que permanece até hoje uma conquista da UESA.

O primeiro presidente após a reativação da UESA em 1981, foi Vicente Filizola, de 81 à 82. Seguindo-se de Francisco Sávio, da tendência comunista, que administrou de 83 à 84, foi ele o primeiro presidente eleito diretamente nas escolas e não em Congresso. Assumiu depois, Lindalva Rocha, de 84 à 85 encerrando o ciclo comunista da UESA.

No XXII Congresso da entidade realizado no dia 1.º de novembro de 1986, assumiu um novo grupo liderado pelo vice-presidente da UBES, Ícaro Moreno, então foi eleita a Chapa Revolução encabeçada por Emanuel Bindá, começando um novo ciclo de atrelamento político da UESA aos governantes do Amazonas, Bindá ficou na direção da UESA por dois mandatos sendo o primeiro de 1986/87, e no XXIII Congresso, ficando de 1987/89, sendo que nesse período a gestão passou a ser de dois anos, durante seu mandato conseguiu realizar além da reativação de vários grêmios, a fundação de diversas uniões municipais, como é o caso da União dos Estudantes Secundaristas de Itacoatiara, em 26 de março de 1987.

Dr. Phelippe Daou na qualidade de presidente da União dos Estudantes do Amazonas, no lançamento da pedra fundamental da Casa do Estudante. Na foto vê-se ainda: Milton Cordeiro, Almir Diniz, Hamilton Trigueiro Raimundo Parente (muito depois Senador da República), Murilo Branco e Silva, Rebouças e Salgado (depois fotógrafo). Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal 

Seguiu-se dele o estudante Airton Carvalho, também do mesmo grupo, que apesar do atrelamento, conseguiu a aprovação do aumento do número de passes estudantis que podem ser vendidos, de 60 para 120, assim como a eleição direta para diretores de escolas públicas na Constituição Estadual, Airton presidiu a entidade no período de 1989 à 1991, tendo sido eleito no XXIV Congresso Estadual da entidade.

Em novembro de 1991, durante o XXV, o grupo político que dirigia a UESA começou a enfraquecer, a oposição se fortalecia, mas não conseguiu tomar a entidade por seu sectarismo partidário. Foi eleito presidente da UESA, Alcimar Pinheiro e seu vice Roberto Amorim. Contudo, Alcimar renunciou a entidade no ano seguinte para sair candidato à vereador, assumindo a entidade Roberto Amorim, que em 1993 recebeu 1 bilhão de cruzeiros da Prefeitura de Manaus, para realizar atividades com os estudantes e estruturar a entidade. Em seguida a entidade entrou em fase de abandono e decadência. Ainda em setembro de 1993, quando houve uma tentativa frustrada da diretoria da UESA de realizar o XXVI Congresso da entidade, que acabou não ocorrendo, por não ter o apoio dos estudantes. Encerrava-se assim o ciclo de alinhamento político da UESA aos governantes.

A UESA a partir de setembro de 1993 passou os anos de 94, 95 e quase todo o ano de 96 desativada, isto é sem diretoria e atividades. Sendo assim a UEA (União dos Estudantes do Amazonas) atual entidade universitária estadual, incentivou os estudantes secundaristas a se mobilizarem para a reativação e reorganização da UESA, e foi assim que realizou-se nos termos do Estatuto da UESA, resgatado o Conselho Estadual de Entidades de Bases (CEEBs), contando com a participação de representantes de várias escolas e grêmios ou comissões Pró-Grêmio, que decidiram no dia 11 de dezembro de 1996, reativar a UESA, graças a iniciativa do seu então ativista e Conselheiro Geral, Mário Lúcio, que indicou para dirigir a entidade uma Comissão constituída pelos estudantes Hissa Nagib Abrahão Filho (La Salle) e Antonio Gonçalves de Almeida Filho (Centro Supletivo da Seduc), que exerceram a presidência da UESA, voltando a entidade a funcionar junto à Sede da entidade UEA, localizada na Av. Eduardo Ribeiro, 906 (altos) - Centro (próxima a Pça. do Congresso).

Entre as realizações destas gestões foi lançada uma ampla campanha de reestruturação e criação dos Grêmios Estudantis e das Uniões Municipais e Metropolitanas, já entrou com uma Representação na justiça pela devolução dos valores cobrados a mais na taxa do vestibular da Universidade do Amazonas.

Em 26 de janeiro de 1998, foram escolhidos pelos Grêmios filiados os membros da nova Diretoria, assumindo a administração da UESA, o estudante Mário Lúcio da Silva (aluno do Colégio Normal Ajuricaba), que juntamente com outros estudantes promoveram atos pela redução da Taxa de Inscrição do Vestibular da Universidade do Amazonas, ingressaram e ganharam um Mandado de Segurança contra a Secretaria Estadual de Educação, assegurando assim o fim do Mini-Vestibular para acesso às escolas públicas de nível médio, também atuaram em fiscalização ao cumprimento da Lei da Meia-Entrada, difundiram e organizaram diversas Comissões Pró-Grêmios nas Escolas de Manaus.

Em 2000, esta diretoria foi renovada ingressando novos membros, e tendo como principal luta a redução da taxa do vestibular na Universidade do Amazonas e a criação de Grêmios entre eles o da Escola Benjamin Constant e o da Escola Simon Bolivar, além da luta incessante para a modificação da lei da meia-entrada.

Em 2001, como principal vitória da UESA está a nova lei da meia-entrada, elaborada pela entidade em conjunto com a UEA (União dos Estudantes do Amazonas), e que garantiu de forma definitiva que todos os shows artísticos somente poderão ter licença se mandarem fazer ingressos para os estudantes. Além disso mais recente a UESA também entrou na justiça para garantir o direito dos pré-vestibulandos e cursinhos a continuar pagando a meia-passagem no ônibus, direito esse também garantido na modificação atual da lei, beneficiando assim cerca de 50 mil estudantes.

No dia 14 de novembro de 2001, a UESA realizou no Ginásio Monsenhor Francisco Pinto, na Escola Estadual Estelita Tapajós, o XXVI Congresso Estadual dos Estudantes Secundaristas (UESA), com a participação de diversos grêmios estudantis filiados à entidade, ocasião em que foi aprovado o seu plano de trabalho, suas posições políticas, educacionais e estudantis, além da escolha de sua nova diretoria, que mantém como presidente, Mário Lúcio da Silva, então aluno de magistério do Colégio Normal Ajuricaba.

A partir desse congresso a UESA dinamizou a organização de grêmios estudantis nas escolas, e a realização de cursos gratuitos e palestras nas escolas públicas estaduais. Possuindo cerca de 60 (sessenta) grêmios em atividade em Manaus, filiados à UESA, a entidade promoveu em 12 de novembro de 2004, seu XXVII Congresso, reunindo lideranças e aprovando sua plataforma de trabalho, além de reeleger Mário Lúcio, na sua terceira gestão, tendo se destacado neste ano por estender a meia entrada para o interior do Estado do Amazonas.

No XXVIII Congresso realizado em 14 de novembro de 2007, que elegeu o estudante Mário Lúcio, para um quarto mandato, tendo durante este período se destacado pela realização do Projeto Oficinas do Saber que qualificou profissionalmente e gratuitamente mais de 3 mil jovens e adultos, e pela garantia da compra de até 120 meias passagens estudantis, através de uma ação na justiça que barrou a modificação na lei orgânica de Manaus garantindo este direito.

Finalmente, em 2010, no XXIX Congresso da UESA, os estudantes e delegados das diversas escolas, definiram novas lutas para a entidade e reconduziram mais uma vez o atual presidente Mário Lúcio que segue acompanhado do seu vice-presidente, Alexandre Gabriel, para um novo mandato de 3 anos. Já no ano de 2012 a UESA completa seus 60 anos de existência e em 2013 foi realizado o XXX Congresso da UESA e em 2016 o XXXI Congresso Estadual dos Estudantes Secundaristas -CEES que manteve a luta pela ampliação do PRONATEC e pelas discussões e efetivação dos Planos Nacional, Estadual e Municipais de Educação (PNE, PEE e PME), além de escolher os novos gestores da entidade.

Já no ano de 2016, entre as polêmicas da Reforma do Ensino Médio e o teto de gastos nos investimentos públicos, especialmente em educação, foi realizado o XXXI CEES (Congresso Estadual da UESA), com abertura na Sede Estadual da entidade, que aprovou as novas diretrizes da entidade para o próximo triênio, reconduzindo na presidência o estudante do curso técnico em transações imobiliárias do CEPI Interdígitus Educação Profissional, Mário Lúcio, no comando da UESA e mudança em praticamente toda sua diretoria executiva.

No ano de 2017, a UESA (União dos Estudantes Secundarista do Amazonas) deu início a uma série de lutas que vão da organização estudantil até o debate sobre a reforma do ensino médio.

No ano de 2019 retomou com o projeto piloto JUVENTUDE ATIVA com diversas ações educativas complementares executando atividades extraclasse com componentes voltados ao exercício da cidadania.

Ainda no ano de 2019, foi eleita em Assembleia Geral dos Estudantes Secundaristas - AGES a nova gestão que irá até 2022, ocasião quando a entidade completará seus 70 anos de existência.

Phelippe Daou e colegas de faculdade em frente a Faculdade de Direito. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

Luta há mais de 80 anos em defesa da classe universitária

A União dos Estudantes do Amazonas (UEA) foi fundada em 4 de janeiro de 1942, pelos então estudantes João Martins da Silva (primeiro presidente da UEA), Samuel Benchimol (secretário Geral), Plínio Coêlho, José Lindoso, Antônio Lindoso, Áureo Mello, Agnello Uchôa Bittencourt e Aderson de Menezes, entre outros. Em 2 de maio do mesmo ano, foi considerada de Utilidade Pública pelo Decreto-Lei n.º 798, do Interventor Federal no exercício do Governo do Estado, Dr. Álvaro Botelho Maia.

Em 1942, nos passos da União Nacional dos Estudantes (UNE), a qual era filiada, lutou pela participação do Brasil na 2ª Guerra Mundial ao lado dos aliados e contra o nazi-fascismo. Também pela criação da Escola de Agronomia e Veterinária no Amazonas.

Em 1945, lutou pela volta da democracia e pelo fim do Estado Novo, ditadura do então presidente Getúlio Vargas. Conquistou ainda neste mesmo ano, a Meia Entrada nos cinemas para estudantes.

Em 1947, deu início no Amazonas, da campanha "O petróleo é nosso" pelo monopólio estatal do petróleo brasileiro, surgindo como resultado em 1953, a criação da Petrobrás, empresa estatal responsável pela exploração do petróleo. Ainda neste mesmo ano lutou contra a internacionalização da Amazônia, quando o então presidente da República, Eurico Gaspar Dutra, tentou entregar o desbravamento da região a grupos estrangeiros. 

Também foi no dia 6 de dezembro de 1947, que através da Lei n.º 115, o então governador Leopoldo Amorim da Silva Neves doou à UEA um prédio situado na Rua Barroso n.º 267, para abrigar a Sede Própria da entidade, cujo edifício foi denominado de "Casa do Estudante do Amazonas", uma conquista do presidente da UEA, Antônio Lindoso, e do seu sucessor Armando Andrade de Menezes. No local eram desenvolvidos serviços como assistência social aos estudantes pobres, biblioteca, teatro, cursos preparatórios, entre outras atividades.

Em 1949, o presidente da UEA, Armando Andrade de Menezes, deu início a uma campanha contra o fechamento da Faculdade de Direito do Amazonas, então única escola superior no Estado que havia sido federalizada e estava em péssimas condições de funcionamento. Também coordenou em 1950, a reforma estatutária da UEA.

Em 1951-52, sob gestão do presidente da UEA, Phelippe Daou, foi inaugurado o Restaurante do Estudante, obra de cunho assistencial, que funcionava no prédio da Sede Própria da UEA. Em 1952, é criada a União dos Estudantes Secundários do Amazonas (UESA), congregando os estudantes de nível secundário no Estado.

Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

Em 1954 - 55, na gestão do presidente da UEA, Raimundo Parente, foi doado pelo comendador Agesilau Araújo à entidade um terreno ao lado de sua Sede Própria na Rua Barroso, para construção do "Dormitório do Estudante".

Em 1956, a UEA já composta exclusivamente por universitários, lidera um movimento contra a carestia no Amazonas, protestando contra o aumento da tarifa nos bondes, pedindo a redução no preço das passagens, e até o passe livre, assim como também lutava contra o monopólio da empresa inglesa "Manaus Tramwais", o que resultou na cassação da licença de concessão da mesma, passando o serviço de bondes a ser administrado pelo Governo do Estado, na administração do governador Plínio Coêlho, destacando-se nessas os então presidentes da UEA, Adherbal Andrade de Menezes e Aguinelo Balbi.

Em 1959-60, na gestão do presidente da UEA, Rui Dantas, é impulsionado o projeto de construção do Dormitório, com a aprovação de verbas, a obra é iniciada.

Em 15 de janeiro de 1961, na gestão do presidente Francisco Marques de Vasconcelos, é realizado pela primeira vez em Manaus, o Conselho Nacional de Estudantes, da União Nacional dos Estudantes (UNE), sob os auspícios da UEA, na Faculdade de Direito do Amazonas.

Em 1962-63, na gestão do presidente, José Renato Frota Uchoa, a entidade inicia uma luta pela melhoria do ensino superior no Amazonas, assim como pela instalação da Universidade do Amazonas.

Em 1964, a UEA foi às ruas manifestar seu apoio às reformas de base, do presidente da República, João Goulart, nesse período destacando a frente da entidade estudantes como o acadêmico da Faculdade de Direito, Amazonino Mendes, um dos principais oradores.

Em 31 de março de 1964, é desencadeado o golpe que depôs o presidente João Goulart, iniciando assim o longo período de ditadura militar, neste mesmo dia no Rio de Janeiro, a Sede da UNE é incendiada por populares direitistas. A UEA protesta no Amazonas contra a repressão, mas também é atingida quando em maio do mesmo ano assume a presidente da entidade, Luiz Augusto Santa Cruz Machado, de tendências conservadoras. Em maio do mesmo ano a UNE é extinta por lei.

Em 1964-65, na gestão do presidente da UEA, Luiz Augusto Santa Cruz Machado, em 9 de novembro de 1964, através da Lei Federal n.º 4.464, (Lei Suplicy), as entidades estudantis perdem sua autonomia administrativa.

Em 1966, na gestão do presidente Marcondes Fonseca Luniére, o estatuto da UEA é reformado, e também é concluído o "Dormitório do Estudante", inaugurado em janeiro de 1967. Ainda neste ano a UEA é proibida de funcionar pelo Regime Autoritário, sendo a sua Sede Própria fechada e posteriormente demolida.

Assim como o Dormitório que foi entregue à Universidade do Amazonas, que o denominou de "Casa do Estudante Universitário".

No final dos anos 70 com o movimento pela Anistia (perdão pelos crimes políticos), o movimento estudantil passou a ressurgir, especialmente com o Congresso de Reconstrução da UNE, realizado em Salvador ainda em 1979.

Somente em agosto e setembro de 1992, após diversas reuniões de grupos de estudantes, foi deliberado a constituição de uma Comissão de Reconstrução da UEA, composta de estudantes secundaristas e universitários.

Em Manaus, somente em 20 de novembro de 1992, é realizada pela Comissão de Reconstrução da UEA, na Casa da Trabalhador, uma Assembleia Geral, reunindo estudantes de todos os níveis de ensino, quando foi aprovada a reativação da UEA, sendo aprovada a proposta de reforma do estatuto e também mantida a Comissão de Reconstrução da UEA: Mário Lúcio Silva Costa Cóvas - presidente; Luiz Evaldo Vianna - 1.º vice-presidente; Andreia Castro Ribeiro - 2.º vice-presidente.

Ainda em novembro e dezembro de 1992, iniciamos o processo de reestruturação da entidade, legalizando todos os documento referente a mesma, e providenciando uma Sede Provisória na Rua Comendador Clementino; também foi editado o primeiro número do jornal da UEA "Folha Estudantil".

Em 1993, em maio a entidade participava de uma manifestação convocada pela UNE, em junho se integra ao Comitê Regional da Ação da Cidadania contra a Fome e a Miséria; em setembro lança a Carteira de Estudante da UEA; em outubro conquista a Meia Entrada nos cinemas para estudantes mediante a apresentação da carteirinha da UEA; em novembro consegue uma doação de mobiliário para sua Sede.

Em 1994, a UEA inicia a publicação de uma coluna de sua responsabilidade denominada "Manifesto Estudantil" no jornal Diário do Amazonas; apresenta as suas propostas aos candidatos ao Governo do Estado; instala sua Sede Central num prédio situado à Av. Eduardo Ribeiro; realiza o Festival Estudantil de Cultura.

Em 1995, houve a realização II Festival Estudantil de Cultura. Foram realizadas ainda diversas atividades pela UEA, como a reformulação do Estatuto da entidade; retomada de posse do terreno de sua antiga Sede na Rua Barroso; participação no Fórum do Orçamento, aprovando várias emendas; fiscalização do cumprimento da Lei da Meia Entrada nos Cinemas, Teatros, Espetáculos Culturais e Desportivos, aprovada em dezembro de 1996, além do imprescindível apoio na reorganização da entidade secundarista estadual, a UESA.

Em 1997, apoia a reativação da Federação Amazonense Universitária de Desportos (FAUD), realiza o Dia Nacional de Luta dos Estudantes e se integra ao Fórum pela Ética na Política.

Em 1999, inaugura sua nova Sede na Av. Epaminondas, bem como instala o seu Departamento de Cursos promovendo pré-vestibular, idiomas, entre outros cursos, contratando universitários como instrutores.

Em 2000, luta pela aprovação de uma nova Lei que garantiu a partir de 2001 a meia entrada em todos os shows artísticos e casas noturnas de Manaus. Também foi por iniciativa do presidente Mário Lúcio, criado o DCE-OBJETIVO.

Em março de 2001, foi aprovado o novo Estatuto da UEA e em 7 de abril de 2001, a UEA realiza no Auditório do Taj Mahal Hotel, o XXVII Congresso Estadual dos Estudantes Universitários (CEEU), com participação de Delegados de todas as instituições de educação superior no Amazonas, no qual foi aclamada a nova diretoria da entidade, mantendo como presidente: Mário Lúcio (Direito/Objetivo) e como vice, Francinete Tavares (Física/UFAM), essa gestão teve mandato até abril de 2004.

Ainda em 2001, foi criado o DCE-ESBAM, e em 2002 foi realizada uma exposição comemorativa da UEA, bem como foi criado o Fórum da Meia Passagem, e a instalação de posto de passes estudantis e de meia entrada na Sede da entidade. E em 2003, foi criado pela iniciativa da UEA com os estudantes o DCE-UNIP.

Em março de 2004, também foi convocada a eleição da nova Diretoria Executiva da entidade, tendo sido no mês de maio, de acordo com o Estatuto, empossada automaticamente por aclamação a chapa "Renovação Estudantil", cuja gestão mantém como presidente, o acadêmico Mário Lúcio, atualmente acadêmico de Pedagogia na UFAM, e como vice-presidente, Marcel Castro Cruz, acadêmico do curso de Comércio Exterior do CIESA, entre outros dirigentes, que terão mandato de 3 (três) anos até maio de 2007.

Entre os projetos dessa nova gestão em 2005, inicia-se o Programa Amazonas Cidadão, desenvolvido em parceria com a UESA, voltado para a educação e profissionalização, bem como também destaca-se o projeto de construção da nova Sede Própria na Rua Barroso, Centro de Manaus-AM, também dá início a discussões pela Reforma Universitária.

Em 2006, dá continuidade ao seu Programa Amazonas Cidadão, também intensifica a campanha de criação de Centros Acadêmicos nas instituições particulares de educação superior.

Já em 2007, completa 65 anos de existência, realizando exposição comemorativa em sua Sede Estadual, instala novas representações nos Municípios amazonenses. Também completa 10 (dez) anos de parceria com o Centro Acadêmico de Direito - CAD/UFAM, na doação da totalidade da renda das carteiras estudantis solicitadas na faculdade para a compra de livros para a biblioteca setorial daquela unidade de ensino. Além disso também realiza seu XXVII Congresso Estadual dos Estudantes Universitários, no Taj Mahal Hotel Manaus, atualizando seu Estatuto, e reelegendo para o período 2007-2010, o seu atual presidente Mário Lúcio da Silva, acadêmico de pedagogia da UFAM, com sua nova gestão "Força Universitária", e tendo como vice-presidente o acadêmico Cliferthon Lucas, do curso de Jornalismo da UNINORTE.

Em 2008, a União dos Estudantes do Amazonas (UEA) junto com a UESA, atuam em defesa da meia passagem, ingressando com Representação junto ao Ministério Público do Estado para garantir o desbloqueio dos cartões estudantis da meia passagem e impetrando na justiça um Mandado de Segurança cuja liminar garantiu o direito de mais de 500 mil estudantes, a compra de até 120 meias passagens por mês.

Em 2009, a UEA convoca a primeira de uma série de manifestações contra a redução da meia passagem, ocorrida no dia 4 de maio na Bola do Coroado, contando com a presença massiva de estudantes da UFAM e de escolas públicas, que deram o passo inicial para diversos protestos que paralisaram as ruas de Manaus. Em decorrência disto a Prefeitura de Manaus, resolveu modificar a lei aprovada pela Câmara Municipal, reinserindo alguns direitos que estavam ameaçados como o fim da meia passagem nos finais de semana e a limitação de apenas uma meia passagem de ida e outra de volta por dia.

Em 2010, houveram novas mudanças na Diretoria Executiva da UEA, cuja gestão eleita foi renovada e passou a contar com seu quadro administrativo mantendo na presidência o estudante Mário Lúcio da Silva (Pedagogia/UFAM e Direito/FAMETRO) e tendo como vice-presidente a acadêmica Paloma da Silva Cavalcante (Administração/Faculdade Salesiana Dom Bosco - FSDB), para uma gestão de 2010 a 2013, em conformidade com deliberação do Congresso da entidade e de acordo com o Estatuto da UEA.

A UEA manteve o projeto de organização estudantil nas instituições de ensino superior, instalando o Diretório Central dos Estudantes – DCE da Faculdade Metropolitana de Manaus, fundado em 2010, o DCE-FAMETRO, além de criar várias Comissões Pró-Centros Acadêmicos nas faculdades particulares do Amazonas, realizando ainda a escolha de sua gestão 2013-2016.

Já nos anos seguintes a UEA prosseguiu no trabalho de organização estudantil nas instituições de ensino superior do Amazonas, tendo promovido a reorganização dos discentes em suas organizações representativas. Também lutou contra cortes de vagas no FIES (Fundo de Financiamento Estudantil).

Finalmente em 2016, lutou contra a corrupção participando de coleta de assinaturas pela 10 Medidas Contra a Corrupção propostas pelo Ministério Público, também luto pela democracia e pela garantia de mudanças conjunturais e por uma Reforma Política. Finalmente, assumiu uma nova diretoria, mantendo o presidente Mário Lúcio (pedagogia/Fametro) e com renovação quase total nos demais componentes.

Em 2017 a UEA (União dos Estudantes do Amazonas) completou no dia 4 de janeiro, seus 75 anos de existência, recuperando novas lutas, inclusive pela defesa do ensino público e gratuito nas Universidades mantidas pelo poder público e pela garantia de mais investimentos na educação superior.

Em 2019 encampou a luta contra programas como o Future-se e o corte de verbas para as universidades públicas. Ainda nesse ano em Assembléia Geral foi eleita a nova gestão da entidade que irá representar os interesses da UEA até 2022 quando completará seus 80 anos de existência.

*Informações cedidas pelo professor Mário Lúcio da Silva Costa Cóvas

Sobre o autor

Abrahim Baze é jornalista, graduado em História, especialista em ensino à distância pelo Centro Universitário UniSEB Interativo COC em Ribeirão Preto (SP). Cursou Atualização em Introdução à Museologia e Museugrafia pela Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas e recebeu o título de Notório Saber em História, conferido pelo Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas (CIESA). É âncora dos programas Literatura em Foco e Documentos da Amazônia, no canal Amazon Sat, e colunista na CBN Amazônia. É membro da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), com 40 livros publicados, sendo três na Europa.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista


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