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Domingo, 23 Janeiro 2022

J. A. Leite e Companhia – Memória importante do período do látex

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Muitos foram os nomes daqueles homens e mulheres que por lá passaram, dentre eles Lourenço da Silva Braga, Joaquim José Azevedo de Macedo e tantos outros que foram capaz de divisar a trilha sinuosa dos rios da Amazônia.

A empresa aviadora dos seringais no Amazonas que, entre tantas outras, marcou época no período áureo da borracha, tinha o seu escritório e armazéns na Rua Guilherme Moreira os fundos para rua Marcílio Dias, onde havia o recebimento e beneficiamento dos produtos trazido do interior do estado, especialmente dos seringais, que eram posteriormente exportados e, cujo, prédio foi vendido na década de 1970.


Antônio José D'Almeida Leite Loureiro. Foto: Acervo/Abrahim Baze

A casa aviadora J. A. Leite e Companhia foi uma da mais antiga de Manaus, tendo sido fundada em 1884, com Sede na Rua Marechal Deodoro, ano em que o Amazonas aboliu definitivamente a escravidão negra. Foi seu principal fundador, o senhor Rodrigues de Magalhães, natural de Santo Tirso e, que mais tarde, foi vendida ao senhor José Antônio Loureiro, natural de Besteiros-Amares e posteriormente passou a residente no Lugar do Cano em Bouro, Santa Maria.

Posteriormente acrescentou seu sobrenome Leite, como forma de identificação nominal a empresa a qual era sócio majoritário. Coube ao Sr. José Antônio Leite Loureiro a organização da empresa, trazendo para sociedade os senhores José Rodrigues de Magalhães, Abílio da Silva Sá e Antônio José de Almeida Leite Loureiro, dentre outros. 

Abilio da Silva Sá. Foto: Acervo/Abrahim Baze

Naquele período e, mesmo após o falecimento do Sr. José Antônio Leite Loureiro, ainda corriam bons ventos, muito embora já em decadência o principal produto exportação, a borracha, também negociavam a castanha, a sorva, a piaçaba, a malva e a juta, assim como outros produtos regionais, incluindo as peles, principalmente de jacaré, fato que motivou seus sócios a continuar no mesmo ramo de negócio. A empresa neste período, navegava os rios da Amazônia: no Juruá até Cruzeiro do Sul e seus afluentes e no Rio Purus até Sena Madureira, com sua frota própria de navios que no período mais abastado contava com 25 embarcações, sendo dois navios, o Industrial e o Ayapuá.

O tempo passa e o coração generoso de seus fundadores aliado aos interesses dos funcionários e auxiliares levou a empresa a condução de novos sócios que reforçando o caixa deram continuidade ao empreendimento, eram eles: Ermindo Fernandes Barbosa, Francisco Fernandes Barbosa, Manuel Soares da Cunha, Armando Leopoldo Fernandes, Alberto Gomes da Costa Sanches, Antero Fernandes Barbosa, Paulo Severino de Rezende Machado, Edgard de Vasconcelos Pessoa, Afonso Castelo Branco Galvão, Eduardo Barbosa, Edith Barbosa, Maurício Barbosa, José Cunha, José de Souza Gomes, Paulo Machado, Raul Gomes Filho e Milton César de Araújo Lima e Múcio Barbosa, dentre outros. Com este número expressivo de sócios a empresa tornou-se uma grande e afetuosa família.

Essa empresa marcou uma época, como uma das mais extensas fornecedoras dos seringais da Amazônia, tendo nos anos de 1938 e 1939, exportado 1.297.760 e 1.337. 757 quilos de borracha. 

Foto: Joaaquim José de Azevedo. Foto: Acervo/Abrahim Baze

Essa empresa que navegava os rios da Amazônia com sua frota própria de navios, marcou um período importante da vida econômica da cidade de Manaus, tendo sido proprietária dos seguintes navios: Republicano, Manauense, Ayapuá e a lancha Minas Gerais, possuindo ainda, outras embarcações que mantinham a navegação permanente nos rios Purus, Acre, Juruá e as cidades menores do Pará e Baixo Amazonas.

Vale a pena destacar que a empresa J. A. Leite e Companhia foi possuidora da primeira carta de navegação do Amazonas e entre os anos de 1967 e 1968, vendeu a titulação da carta de navegação a empresa Nissin Pazuelo. Foi um período importante da nossa história e de grande contribuição econômica para nosso estado. 

O senhor José Loureiro Leite, morava na Praça do Congresso, esquina com a Rua Ramos Ferreira e tinha um sítio na Vila Municipal onde passou a morar posteriormente, chamado Águas Verdes e que, mais tarde, foi vendido a empresa Santa Cláudia. A enorme quantidade de sócios, vem do tempo da compra da empresa, que para evitar indenizações, o senhor José Leite Loureiro, incorporou todos os antigos sócios e vários outros funcionários. E essa cultura permaneceu na empresa. A empresa abastecia todo interior do estado. Na ida os barcos levavam mantimentos, remédios, vestuário e combustível, além de outros materiais que eram necessários para manutenção e sobrevivência nos seringais. O combustível para os barcos e para venda nos seringais, seguia atracado ao barco principal, a uma alvarenga que também levava a carga explosiva como pólvora.

Num período inteiramente da economia do látex a empresa ocupa uma posição singular. Muitos foram os nomes daqueles homens e mulheres que por lá passaram, dentre eles Lourenço da Silva Braga, Joaquim José Azevedo de Macedo e tantos outros que foram capaz de divisar a trilha sinuosa dos rios da Amazônia que permitiria a Amazônia se destacar com a sua economia, foi realmente um período de riqueza para nossa região. 

Joaquim Jose Macedo e seu irmão, José Paulo Macedo. Foto: Acervo/Abrahim Baze

 O Trabalho e a Primeira Viagem de Lourenço da Silva Braga

"[…] Duas horas antes da saída do navio, em companhia do amigo Paulo que se ofereceu para deixá-lo a bordo, conduzindo a gaiola, meu pai apresentou-se ao mestre Justino a quem lhe pediu permissão para levar o idolatrado pássaro, o mestre não permitiu como também o aconselhou a colocá-lo em seu camarote protegendo-o de um possível acidente provocado por algum volume de carga que o navio ainda estava recebendo.

Pontualmente às vinte horas, o "Timoneiro" deixou o Porto de Manaus conduzindo carga e passageiros para Porto Velho e portos intermediários, além de um intrépido jovem esperançoso de conquistar a sua independência financeira e econômica.

Quem parte leva saudade no coração de quem fica chorando de dor, querendo partir também, sendo, portanto, diferente da alegria de um barco voltando, conduzindo dezenas de pessoas ansiosas pelo reencontro de seus entes queridos, incluindo os tripulantes, vítimas da saudade oriunda da separação familiar em cumprimento dos deveres profissionais, indispensável para viverem condignamente.

Postou-se na polpa do navio para melhor vislumbrar a cidade de Manaus que fica cada vez mais distante, recordando tudo quanto de bom e de ruim, aconteceu depois de haver chegado a Manaus, em companhia de seu saudoso pai. Absorto em seus pensamentos não percebeu que Manaus desaparecera de sua visão, sendo despertado pelo mestre convidando-o a acompanhá-lo até a proa para ser apresentando à tripulação do convés e de máquina, dos quais ia ser o seu taifeiro. Feito isto, sugeriu-lhe procurar o melhor para armar sua rede e a seu lado colocar a gaiola de seu pássaro, no que foi prontamente atendido e agradecido pelo jovem." Pág. 25-26.
José Alves Gomes, ex-funcionário. Foto: Acervp/Abrahim Baze

Os homens e as mulheres que lograram êxitos em suas histórias, tiveram comoprincipal atributo a coragem e o espírito empreendedor. Foram sobre tudo, seres queacreditaram em seus sonhos, projetos e movidos pelos entusiamo e pelos ideais, legaram àsociedade uma história de feitos e conquistas. A maior herança desses espíritos esclarecidos e altivos é o exemplo que deixam paraseus descentes e a comunidade, especialmente para os mais jovens, de que transformarsonhos em realidade é impossível.

A história exemplar do imigrante português José de Souza
Gomes, que nascera em Viana do Castelo e veio para o Brasil, deixando Maria Tereza Alvesem Portugal. Depois de algum tempo, casaram-se por correspondência, assim, ela tambémemigra para o Brasil para viver com seu esposo, que tiveram dois filhos: José Alves Gomes eManoel Alves Gomes. José Alves Gomes casou-se com Nayd do Carmo Alves e que trouxeram ao mundoquatro filhos: Jozenaide Alves Gomes, José de Souza Gomes Neto, Francisco Carlos AlvesGomes, Marcos José Alves Gomes.


Pavilhão Universal. Foto: Acervo/Abrahim Baze

Manoel Alves Gomes casou-se com Odete Monassa Gomes e trouxeram ao mundouma filha Andrea Monassa Gomes. Mário Alves Gomes permaneceu solteiro e Maria deFátima Gomes da Silva, casada com o português Manoel Nogueira da Silva, o casal não tevefilhos.A cidade de Manaus banhada pela baia do Rio Negro era bem a vitrine do quesignificou o poderio do período do látex.

Apesar de ser um período difícil para economia do 
E stado do Amazonas muitos navios de todos os tipos e calados permaneciam fundeados aolado da baia do Rio negro, cujo, contato com a terra era ligado por dezena de catraiasremadas por portugueses da Póvoa do Varzim que traziam e levavam passageiros etripulantes desses barcos nacionais e internacionais, que aguardavam por suas cargas aserem transportadas para New York, Liverpool, Hamburgo e outras praças.


Lourenço da Silva Braga, ex-funcionario. Foto: Acervo/Abrahim Baze

A vida é uma aventura em que os justos e bons, apesar das provas e desafios, afirmam,com aforça de seu caráter e com suas ações as marcas de sua singularidade e da grandeza desuas atitudes. Eis aí o diferencial que distingue as obras nobres, daquelas que vivem nassombras ou se contentam com a pequenez de seus sentimentos.

A trajetória do imigrante
português José de Souza Gomes e sua prole é reveladora de seus múltiplos compromissos edemonstraram que os homens não valem pelo privilégio da fortuna de que desfrutam ou dopoder que, eventualmente, conseguem empalmar, mas pelo que produziram em prol dasociedade em que viveram.José de Souza Gomes, que fora a época sócio da empresa J. A. Leite e Companhia,faleceu antes da empresa fechar e seu filho José Alves Gomes permaneceu na empresa até oseu fechamento definitivo. 

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