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Segunda, 06 Julho 2020
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Reforço no isolamento: aldeias do Alto Acre bloqueiam entrada e saída de pessoas

O indígena Lucas Manchineri gravou um vídeo para alertar os demais povos indígenas da cidade de Assis Brasil, no interior do Acre, sobre a importância de manter o isolamento social para evitar contaminação pelo novo coronavírus. Nas imagens, ele pede que os indígenas não saiam de casa para a cidade e não deixem que ninguém de fora entre nas aldeias.

A cidade de Assis Brasil tem sete casos confirmados de Covid-19, segundo último boletim divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre) neste sábado (23). Outros 34 casos foram descartados.

O vídeo foi divulgado na página oficial da Comissão Pró-Índio do Acre no Instagram. A comissão informou que não recebeu nenhuma notificação de casos confirmados de indígenas com Covid-19 em aldeias do Acre. Mas, que já existem casos de índios que vivem nas cidades acreanas que foram infectados pelo novo coronavírus. Porém, a comissão não tem esses números.

A coordenadora do Distrito Sanitário Especial Índigena (Dsei) do Alto Rio Purus, que abrange as cidades acreanas de Assis Brasil, Santa Rosa do Purus, Manoel Urbano e Sena Madureira e outras cidades no Amazonas e Rondônia, Carla Mioto, também informou que não existe nenhum caso de indígena com Covid-19 em aldeias. A mesma informação foi confirmada pela coordenadora do Dsei Vale do Juruá, Iglê Monte.

Foto: Arquivo Pessoal

Lucas Manchineri afirma que as aldeias Extrema, Lago Novo, Jotobá, Santa Cruz e Peri, em Assis Brasil, estão todas bloqueadas para entrada e saída de pessoas.

"Não saia da terra indígena para ir à cidade e também não deixe entrar pessoas da cidade para as aldeias. Moramos na tríplice fronteira, onde tem muita trafegabilidade de pessoas que vêm de outros estados do Brasil e também do Peru e Bolívia. Por isso que estão pedindo às autoridades que ajudem eles também a combater a entrada de pessoas dentro das terras indígenas por precauções para evitar o espalhamento da Covid-19", disse.

O vídeo foi gravado na última quarta-feira (20). Segundo Manchineri, um indígena da mesma etnia, que mora na cidade, está com Covid-19 e outros dois índios que também estão na cidade estariam com suspeita da doença.

"É uma precaução que estão usando para evitar contaminação de pessoas da terra indígena. Imagina se o vírus chegar dentro da terra indígena e começar a contaminar várias pessoas, não vão ter condições de ajudar no resgate, o município também não tem suporte. Desde o dia 14 estão fechadas, ninguém pode entrar ou sair", afirmou o indígena.

Foto: Arquivo Aldeia Nova Esperança/Yawanawa

Outras aldeias fechadas

No início do mês de maio, após a confirmação dos primeiros casos de Covid-19 no município de Tarauacá, no interior do Acre, índios da etnia Yawanawa resolveram fechar as aldeias Nova Esperança e a Sagrada com troncos de árvore no Igarapé Carrapateira, que dá acesso às aldeias.

Segundo a indígena Edna Yawanawá, membro da comunidade Yawanawa, todas as aldeias da região estão com orientações para que os moradores não saiam de casa e com placas informando que não podem receber pessoas de outros locais.

No final de março, índios da etnia Puyanawa, na região do município de Mâncio Lima, também fecharam a aldeia com correntes para evitar a contaminação do povo. O objetivo é evitar a entrada de não indígenas e de indígenas no local.

Entre as terras indígenas que estão fechadas por conta da pandemia, segundo a Pró-índio do Acre, estão a Mamoadate, em Assis Brasil, dos povos Manxineru e Jaminawa; Kampa, do Rio Amônia, em Marechal Thaumaturgo, da etnia Ashaninka; Poyanawa, em Mâncio Lima, da etnia Puyanawa; Kaxinawa Ashaninka, do Rio Breu, em Marechal Thaumaturgo, do povo Ashaninka e Huni Kuī; Katukina/ Kaxinawa, no município de Feijó, da etnia Huni Kuī e Shanenawa e a terra indígena Rio Gregório, em Tarauacá, da etnia Yawanawa.

De acordo com o G1 Acre, no final de março, a Fundação Nacional do Índio (Funai) informou que o fechamento oficial das aldeias, proibindo a entrada de outras pessoas, foi feito no último dia 18 de março, após a publicação de uma portaria que suspendeu todas as autorizações de visitas. 

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Terça, 07 Julho 2020

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