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Sábado, 25 Junho 2022

Bumba Meu Boi concorrerá ao título de Patrimônio Cultural da Humanidade

Bumba Meu Boi concorrerá ao título de Patrimônio Cultural da Humanidade
Considerado Patrimônio Cultural do Brasil desde 2011, o Bumba Meu Boi, expressão emblemática do Maranhão, está mais próximo de ganhar uma nova distinção: o status de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. Nesta quinta-feira(5), o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) entregou ao Ministério das Relações Exteriores a candidatura do Bumba Meu Boi para concorrer ao novo título, que é conferido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

Com esse passo, a previsão é de que a decisão sobre a inclusão do Bumba Meu Boi na lista de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade seja anunciada já no começo do próximo ano. Segundo a presidente do Iphan, Kátia Bogea, a própria fundamentação documentada em forma de dossiê exigiu que os profissionais designados para a tarefa se voltassem à diversidade artística dessa manifestação.

Fazem parte do Bumba Meu Boi a brincadeira, a música, a dança e as artes cênica e plástica. A versão final do dossiê, que será enviado a Paris, acabou sendo composta por dois vídeos - um que aborda o que é o Bumba Meu Boi e outro só de depoimentos. Também foi desenvolvida uma pesquisa que detalha os elementos e reconta a história dessa arte desde os primórdios.

"Ele [o Bumba Meu Boi] estava em todos os livros de registro, envolve tudo. Desde aquele primeiro momento, a gente percebia a diversidade e a complexidade dessa manifestação. Eu tenho certeza absoluta de que, pela beleza, por tudo que o boi representa, é uma manifestação que é a cara do Brasil, um país tão diverso", disse Kátia. 
Foto: Divulgação/Governo do Maranhão
Cultura popular

Somente no Maranhão, o Bumba meu boi é difundido por mais de 400 grupos, em 79 municípios. No estado, que segundo Kátia "respira" e é "totalmente contaminado" diante das primeiras notas dos instrumentos, a manifestação é dividida em cinco estilos principais, conhecidos como sotaques: Matraca, Orquestra, Zabumba, Baixada e Costa-de-mão.

"Você poderia fazer milhões de recortes no boi. O boi de Orquestra não tem nada a ver com o de Matraca, que não tem nada a ver com o Costa-de-mão. É uma diversidade tão grande, não só de coreografias, de musicalidade, religiosidade - tem os bois dos encantados, tem o boi ligado aos terreiros, tem o ligado à religião católica, o dos festejos de Minas Gerais. O boi é batizado, depois morre, ressuscita. O ano inteiro, esse ciclo do boi, que é a própria vida da gente", completou.

Segundo Kátia, que é historiadora, maranhense e funcionária do instituto há 38 anos, para o povo de seu estado natal, o boi "é uma questão muito séria, que traduz a própria vivência das pessoas". "A gente fala até em sociologia do boi, antropologia do boi." Em outros pontos do país, como na região Sudeste, por exemplo, o Bumba Meu Boi muda de nome para Boi Pintadinho. Em Santa Catarina, se chama Boi de Mamão.

Fascinado pelo Bumba Meu Boi desde os 8 anos, o servidor do Banco Central Tarquínio Costa Cardoso, participante do Meu Boi do Maracanã, do Maranhão, e Seu Teodoro, de Brasília, disse considerar "sagrada" a alegoria do animal. Cardoso, que é integrante dos grupos há mais de 30 anos, acredita que o status, se concedido pela Unesco, trará mais condições de o trabalho ser divulgado e um orçamento menos apertado para o desenvolvimento das atividades. Foi por se envolver desde pequeno com o Bumba Meu Boi que ele chegou aos 65 anos sabendo tocar pandeiro, tambor-de-onça e matraca. 
Foto: Divulgação/Governo do Maranhão
Unesco

Caso o comitê responsável pela definição dê um parecer favorável, o Brasil passará a ter cinco bens reconhecidos sob a classificação, junto a Arte Kusiwa - Pintura Corporal e Arte Gráfica Wajãpi (2003), o Samba de Roda no Recôncavo Baiano (2005), o Frevo: expressão artística do Carnaval de Recife (2012), o Círio de Nossa Senhora de Nazaré (2013) e a Roda de Capoeira (2014).

"É um momento muito importante para que as pessoas respeitem a cultura afrobrasileira e não torçam o nariz para ela", afirmou o presidente da Fundação Palmares, Erivaldo Oliveira da Silva, também otimista com a possibilidade de ampliação de recursos destinados ao Bumba Meu Boi.

Silva ressaltou a sensibilidade do Iphan de legitimar o valor da cultura popular ao selecionar uma expressão de matriz africana para concorrer ao título, como anteriormente feito com o samba e a capoeira. Conforme explicou Kátia Bogea, o Iphan pode submeter somente uma única candidatura por ano e a escolha teve princípio em agosto de 2011.

Confira um dos vídeos que o Iphan submeteu junto ao dossiê para candidatura do Bumba meu boi, do Maranhão a Patrimônio da Humanidade:

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