Votos brancos e nulos superam votos de candidatos a prefeito em três capitais da Amazônia

Nas eleições municipais deste domingo (2), em capitais como Cuiabá (MT), Belém (PA) e Porto Velho (RO) o número de abstenções, votos brancos e nulos, foi maior que a quantidade de votos do candidato a prefeito mais votado. Além disso, em todas as capitais da Amazônia foram contabilizados 685.990 abstenções e 384.439 votos brancos e nulos. Esse número é superior, ao total de votos válidos de cidades como Palmas, São Luís e Rio Branco. Veja no infográfico abaixo a comparação dos números em todas as capitais da região. 

Análise

Para o cientista político, Helso Ribeiro, o cenário não é único. Em eleições anteriores, os votos inválidos também foram representativos. De acordo com ele, isso acontece, principalmente, porque o voto é obrigatório no Brasil. “Apenas Brasil, Grécia, Bélgica e Turquia, se não me engano, têm o voto obrigatório. Então nesses países a pessoa é obrigada a votar e acaba utilizando a abstenção, os votos nulos e brancos, como forma de demonstrar o seu desencanto ou falta de interesse pela política”, avalia.

Ele acrescenta que essa taxa é muito maior em países onde o voto não é obrigatório. “Em Manaus, a taxa de abstenção foi relativamente pequena. Se você comparar com países como Hungria e Suécia, onde as taxas de abstenção chegam a 60%, e onde o voto não é obrigatório, é possível perceber que as pessoas votam porque realmente se sentem representadas por algum candidato. Nestes casos, dificilmente alguém faz voto de protesto ou algo do gênero”, diz.

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