Reivindicação: indígenas ocupam e fecham prédio de distrito sanitário no Amapá

Cerca de 60 índios de aldeias localizadas no Amapá e Norte do Pará ocupam, desde terça-feira (4), o prédio do Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei), localizado no bairro Trem, na Zona Sul de Macapá. Eles cobram melhorias na assistência em saúde. O grupo também propõe que uma indígena assuma a gestão do órgão.

As comunidades citaram dificuldades no serviço de saúde, como a falta de medicamentos e estrutura precária, que afeta os atendimentos nas aldeias. O Dsei pertence à Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) do Ministério da Saúde e foi criado para prestar assistência a essa população.

Os índios tomaram o controle do portão e não deixam os funcionários entrarem no prédio, somente para despachos de urgência. A ocupação é liderada pela Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Amapá e Norte do Pará (Apoianp) e acontece por tempo indeterminado.

Foto: Reprodução/Rede Amazônica

“A secretaria foi criada em prol das comunidades indígenas. Por isso nós queremos que eles olhem nossa realidade, como a questão de atendimento, tudo que envolve a saúde indígena. Precisa ser resolvido o mais rápido possível”, disse Gilberto Iaparrá, coordenador do Conselho de Caciques dos Povos Indígenas de Oiapoque.

Os indígenas informaram que solicitaram reunião com o Dsei para tentar um acordo quanto aos problemas de saúde nas aldeias. Eles citam que foram afetados com a saída dos médicos cubanos do programa Mais Médicos, mas que alguns profissionais foram repostos. No encontro, os índios também querem propor que uma indígena assuma a coordenação do Dsei.

“Tentamos dialogar com os servidores daqui e evitar que pessoas que já assumiram, não voltem a assumir aqui. Não queremos mais a antiga coordenadora, porque já nos causou muito problema. E queremos que nossa saúde indígena seja melhor atendida. Tem recurso pra isso. […] Nossa indicação é que uma parenta nossa assuma a coordenação, Simone Karipuna, de Oiapoque”, comentou o cacique Josieldo Palikur, presidente da Associação Indígena Palikur (Aipa).

O cacique também acrescentou que o movimento é contra a municipalização da saúde indígena. De acordo com os manifestantes, uma medida provisória do Governo Federal modifica a política indigenista brasileira e acaba com a Sesai.

“A gente não quer a municipalização da saúde indígena. A população em geral já tem dificuldade, não consegue ser atendida, imagina o indígena. Fica muito mais difícil”, falou.

Em 2016, indígenas amapaenses também ocuparam o prédio do Dsei cobrando melhorias no serviço de saúde prestado às aldeias, assim como a exoneração da coordenadora da instituição na época, Vanderbilde Marques.

Ela saiu do cargo após mobilização do grupo. Atualmente ela é chefe do Serviço de Logística do departamento sanitário. Na ocupação iniciada na terça-feira os indígenas pedem que ela seja afastada do Dsei.

A atual coordenação do Dsei informou que está em transição e que deve se pronunciar em breve. O G1 tenta contato com Vanderbilde.

Nesta quinta-feira (6), o Ministério Público Federal (MPF) enviou representantes ao prédio para conversar com os indígenas. O MPF informou que requereu à Justiça Federal audiência de conciliação, em caráter de urgência, para tratar sobre o assunto.

Publicidade
Publicidade

Relacionadas:

Mais acessadas:

Dromedários na Amazônia? Grupo de animais asiáticos vive em fazenda no Tocantins

No início deste ano os dromedários chamaram atenção para sua existência na Amazônia depois de um vídeo viralizar nas redes sociais.

Leia também

Publicidade