Imigrantes recebem apoio em Manaus

Mesmo com a crise econômica no país, as casas de apoio a imigrantes de Manaus não deixam de receber doações para a ceia de Natal. Na paróquia São Geraldo, que acolhe e acompanha os imigrantes haitianos, venezuelanos e cubanos, o apelo a alimentos e agasalhos foi solicitado pela própria instituição.

Neste mês de dezembro, a Paróquia recebeu 100 cestas básicas, 10 caixas de frango e muitas roupas e calçados. “Foram beneficiadas diretamente 30 famílias e 70 pessoas que estão nas casas de passagens. Mas levando em consideração que cada família tem em média 4 pessoas, foram beneficiadas ao todo 190 pessoas”, salienta o padre Valdecir Molinari.Conforme o padre, o motivo da diminuição das doações foi a não realização, pela a arquidiocese de Manaus, no período que antecipam as festas, da campanha “Natal Sem Fome”. “Este ano, com a crise, e também pela realidade de cada paróquia, não foi realizada essa convocação de doação de alimentos e vestuários. Por isso, cada igreja teve que se mobilizar para realizar a sua própria arrecadação de alimentos e roupas”.

E sobre a confraternização de natal, o padre ressalta que alguns grupos de imigrantes da paróquia, por país de origem, farão suas próprias confraternizações.

O ano todo

Sobre a arrecadação de alimentos, Molinari explica que a realidade da Paróquia São Geraldo é bem diferente das demais. “Estamos o ano todo precisando de doações, porque a quantidade de gente vinda de outros países é grande, e nós precisamos estar os acompanhando e assistindo em nosso Estado”.

Molinari ressalta que, desde 2010, mais de 10 mil haitianos passaram pela Paróquia, e nos últimos tempos, estão chegando venezuelanos e cubanos. “Pela nossa casa, já passaram uns trinta e cinco cubanos. E os venezuelanos, só nos buscam para auxílio na retirada de documentação. Uma vez, que muitos deles já têm parentes e amigos que moram em Manaus, onde ficam hospedados.”

Atualmente, segundo ele, há 2.500 haitianos trabalhando no mercado formal e informal em Manaus.

“E no curso de língua portuguesa que oferecemos, chegamos a ter mais de 180 venezuelanos estudando. E o nosso papel, é de orientá-los para a retirada documentação. E como a Venezuela não faz mais parte do Mercosul, eles encontram mais dificuldades para se regularizarem em qualquer Estado do nosso país”, lamenta Molinari.

O tratado

O Mercado Comum do Sul (Mercosul) foi criado em 26/03/1991 com a assinatura do Tratado de Assunção no Paraguai. Os membros deste importante bloco econômico da América do Sul são os seguintes países: Argentina, Brasil, Uruguai, Paraguai e Venezuela (atualmente suspensa). O presidente atual do bloco é Tabaré Vázquez (presidente do Uruguai).

Criança Imigrante

Outra ação solidária da Paróquia com os imigrantes que chegam em Manaus, foi a criação, há três anos, da Casa da Apoio as Crianças Filhas de Imigrantes São Geraldo.

De acordo com a coordenadora da casa, Rosana Nascimento, o local só dar assistência para 24 crianças filhos de estrangeiros. “Desde que começou, já passaram pela casa 70 crianças. E o critério para que elas fiquem aqui, é de que os pais estejam trabalhando. E como a cidade é deficitária de creche, então a Paróquia disponibilizou este espaço para ficar com as crianças”.

As crianças, de faixa etária de quatro meses a quatro anos, ficam na Casa das 7h às 17h, com direito ao café da manhã e almoço. “A gente não oferece a elas uma proposta pedagógica, como ensinar a ler e escrever, mas sim os cuidados com a higiene; uma alimentação balanceada, com o apoio de uma nutricionista; e brincadeiras, que estimulam o cognitivo e as habilidades sociais delas. E após esta idade, nós as encaminhamos para a rede municipal de ensino”.

E para o encerramento das atividades da Casa de apoio, uma programação especial foi preparada pela paróquia, e que teve a participação de três grupos solidários: da Igreja Nossa Senhora, de senhoras solidárias; e de alguns adolescentes da escola Sílvia Guerra, que distribuíram presentes, alimentos, utensílios para as mães imigrantes, além da apresentação teatral de rua. Seguida de brincadeiras e leitura de histórias para toda a criançada.

Casa de passagem e de ajuda

Outra instituição que recebe imigrantes, na sua maioria Venezuelanos e Cubanos, é a Casa dos Imigrantes João Batista Scalabrini, localizada no bairro Santo Antônio, zona Oeste da cidade.

De acordo com a colaboradora da Casa, Amanda Ferreira, atualmente residem na instituição oito imigrantes. “Essa casa é só de passagem, ou seja, eles ficam aqui por 30 dias, que é o tempo necessário para que regularizem suas documentações junto aos órgãos governamentais, como a Polícia Federal e o Ministério do Trabalho”.

Amanda ressalta que, por ser uma intuição de passagem, a casa sempre está precisando de doações, tanto de alimentos como de roupas e calçados.

E para o Natal deste ano, a colaboradora espera pela solidariedade da população manauara. “Nós recebemos doações de alimentos que chegam pela Paróquia São Geraldo, na zona Centro-Sul de Manaus, que é a nossa mantenedora. Mas espero que, mesmo com a crise, sejamos abençoados com uma ceia maravilhosa. Essas pessoas merecem”, disse a colaboradora, ao salientar que, o brasileiro é um povo solidário, mas quem deveria custear a vida dos imigrantes no país eram os governantes.

Islã

Até na comunidade Síria de Manaus, o presidente da junta diretora do Centro Islâmico do Amazonas, Walid Ali Musa Saleh, explica que todos os imigrantes daquele país, que vieram para o Estado recebem um amparo necessário para que fiquem no Estado, como abrigos e serviços de documentação, para torná-los legal no país.

Walid explica que os Islâmicos, tem como porta de entrada no Brasil a Venezuela. “Eles vêm em busca de uma vida melhor, que não têm em nosso país, por conta da guerra civil”, salienta ela.

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