Publicidade

Flavio Guimarães

As áreas com mais falta de profissionais na Região Norte

"Em nossa região temos um déficit significativo em muitas áreas de atuações, considerando, principalmente, funções de níveis técnicos e superiores"

Flávio Guimarães

flavioguimaraesjr@hotmail.com


Em tempos de crise, falar sobre vagas que sobram no mercado de trabalho parece loucura. E realmente sobram, nas mais diversas áreas e segmentos empresariais. Da Indústria ao Terceiro Setor. Em nossa região temos um déficit significativo em muitas áreas de atuações, considerando, principalmente, funções de níveis técnicos e superiores. Algumas delas parecem até absurda como, por exemplo, a de Engenheiros Navais. Estamos no meio da Amazônia e de nossos lindos rios, mas ainda não temos um mercado aquecido em relação ao empreendedorismo na área naval. Inclusive, muitas empresas vêm de outros países para ganharem dinheiro aqui nesse segmento. Elas constroem, projetam, executam manutenções e administram embarcações.

A falta de oferta de profissionais em determinadas áreas é um assunto amplo, que poderíamos passar horas e horas escrevendo uma lista. No entanto, algumas áreas se destacam como maiores preocupações de profissionais de RH. São:

- Técnico Eletrotécnico (Indústria e Serviços): é a profissão que atua em sistemas elétricos e eletrônicos de equipamentos, máquinas e afins, podendo realizar manutenções, operação, planejamentos e testes. Muitas empresas precisam desses profissionais, no entanto, quando abrem seus processos seletivos não conseguem preenche-los. Assim, cancelam a vaga.

- Profissionais diversos com inglês ou outro idioma fluente (Indústria e Instituições de P&D – Pesquisa e Desenvolvimento): nessa categoria está as mais diversas funções, das mais operacionais a executivas. Quando vamos a outros países temos que nos adaptar aos idiomas deles. Infelizmente, aqui é a da mesma forma. Se fôssemos pensar de maneira igualitária, eles deveriam se adaptar a nós quando aqui chegassem. Mas não. Nós continuamos tendo que ter o idioma deles, seja o inglês, japonês, coreano, chinês, espanhol, francês, enfim. A falta desses idiomas faz com que muitas vagas sobrem no mercado.

- Engenheiros com especializações na área de Humanas (Indústria e Serviços): essa é categoria mais difícil de achar profissionais. Por um fator simples que não é regra, mas é maioria: quem segue para a área de Exatas, no caso a Engenharia, dificilmente gosta de Humanas. E quem segue para a área de Humanas dificilmente gosta de Exatas. Assim, nós criamos dois polos em caminhos opostos: ou profissionais especialistas apenas em Exatas ou profissionais especialistas apenas em Humanas. Um exemplo disso: a busca por um Engenheiro(a) Mecânico(a) que possa atuar como Gerente Comercial leva, em média, de 08 a 10 meses. Esse prazo é o tempo de busca em outros Estados ou até países, com contatos, entrevistas, propostas para o aceite e assim por diante.

- Engenheiro de Telecomunicações (Serviços): essa categoria envolve empresas telefonia fixa e móvel, TV a cabo, internet e afins. Temos uma escassez enorme de profissionais de projetos, implantações e gestão dos mesmos. Normalmente, temos o profissional que desenha o projeto, porém, não tem habilidade técnica suficiente para geri-lo com os conhecimentos em gestão de custos, pessoas, processos, projeções, identificação de demandas de comportamento de clientes, etc.

- Médicos hepatologistas (Saúde): são especialistas que tratam fígados, seja com doenças crônicas ou mais simples. Nessa modalidade temos o destaque de escassez de profissionais em todo o Brasil, não somente na Amazônia. Muitos pacientes vão a outros Estados ou países para se tratarem.

- Cientista de Dados (Tecnologia e P&D – Pesquisa e Desenvolvimento): é uma das profissões mais bem pagas do mundo. São especialistas que atuam com informações, segurança de informações, interpretação de dados, estatística, solução de problemas, diagnósticos para tomadas de decisões, programação, identificação de tendências de consumo e similares. Ele atua em empresas ou instituições de pesquisa e desenvolvimento, tecnologia, startups e outros. No século onde quem mais fatura é quem mais tem informações, é uma necessidade real agora e para as próximas décadas.

- Desenvolvedores de softwares/aplicativos (Tecnologia e P&D – Pesquisa e Desenvolvimento): nessa categoria podemos citar toda a evolução que hoje está ao nosso redor. Se quisermos pedir comida japonesa, temos um aplicativo. Se quisermos ir de um bairro para o outro, temos um aplicativo. Se quisermos achar um(a) companheiro(a), temos um aplicativo. A tecnologia está em tudo, exatamente tudo. E para isso, há a demanda de desenvolvedores de softwares e aplicativos que facilitem a vida das pessoas e organizações de uma forma geral. É o software que pode otimizar o processo de produção. É o software que pode otimizar o processo logístico. É o software que pode otimizar as vendas em comércios, enfim. Temos um mar de oportunidades para desenvolvermos e criarmos.

- Motoristas Carreteiros – CNH E - (Serviços): essa categoria envolve muitas empresas prestadoras de serviços logísticos e transportes locais, interestaduais e internacionais. Muitas vezes, o profissional sabe dirigir uma carreta, porém, não tem a habilitação formal. Para a empresa somente a habilidade não é suficiente. Muitas delas possuem ISOs implantadas ou recebem fiscalizações de órgãos públicos. Ter um motorista sem habilitação em quadro funcional é multa na certa. Logo, não querem correr o risco.

A verdade é que estamos com um déficit enorme em relação ao nosso quadro de especialistas. Somente a área de Tecnologia da Informação tem a carência de quase 50 mil profissionais. Estima-se que o Brasil deixará de faturar R$ 115 bilhões até 2020 pela falta de profissionais para desenvolverem negócios e projetos com muito potencial. Preocupante, muito preocupante.

Para sairmos desse negativo, temos duas opções:

- Assistir e ver outros países ganhando o nosso mercado.

Ou

- Começarmos a criar uma nova geração de especialistas.

Cabe a nós a decisão final.

*Flávio Guimarães é diretor da Guimarães Consultoria, Administrador de Empresas, Especializado em Negócios, Comportamento e Recursos Humanos, Articulista dos Jornais Bom Dia Amazônia e Jornal do Amazonas 1ª Edição, CBN Amazonas, CBN Rondônia e Portal Amazônia.
 

Flavio Guimarães

Home > Opiniao > Flavio-guimaraes

As áreas com mais falta de profissionais na Região Norte

"Em nossa região temos um déficit significativo em muitas áreas de atuações, considerando, principalmente, funções de níveis técnicos e superiores"

Flávio Guimarães

flavioguimaraesjr@hotmail.com


Em tempos de crise, falar sobre vagas que sobram no mercado de trabalho parece loucura. E realmente sobram, nas mais diversas áreas e segmentos empresariais. Da Indústria ao Terceiro Setor. Em nossa região temos um déficit significativo em muitas áreas de atuações, considerando, principalmente, funções de níveis técnicos e superiores. Algumas delas parecem até absurda como, por exemplo, a de Engenheiros Navais. Estamos no meio da Amazônia e de nossos lindos rios, mas ainda não temos um mercado aquecido em relação ao empreendedorismo na área naval. Inclusive, muitas empresas vêm de outros países para ganharem dinheiro aqui nesse segmento. Elas constroem, projetam, executam manutenções e administram embarcações.

A falta de oferta de profissionais em determinadas áreas é um assunto amplo, que poderíamos passar horas e horas escrevendo uma lista. No entanto, algumas áreas se destacam como maiores preocupações de profissionais de RH. São:

- Técnico Eletrotécnico (Indústria e Serviços): é a profissão que atua em sistemas elétricos e eletrônicos de equipamentos, máquinas e afins, podendo realizar manutenções, operação, planejamentos e testes. Muitas empresas precisam desses profissionais, no entanto, quando abrem seus processos seletivos não conseguem preenche-los. Assim, cancelam a vaga.

- Profissionais diversos com inglês ou outro idioma fluente (Indústria e Instituições de P&D – Pesquisa e Desenvolvimento): nessa categoria está as mais diversas funções, das mais operacionais a executivas. Quando vamos a outros países temos que nos adaptar aos idiomas deles. Infelizmente, aqui é a da mesma forma. Se fôssemos pensar de maneira igualitária, eles deveriam se adaptar a nós quando aqui chegassem. Mas não. Nós continuamos tendo que ter o idioma deles, seja o inglês, japonês, coreano, chinês, espanhol, francês, enfim. A falta desses idiomas faz com que muitas vagas sobrem no mercado.

- Engenheiros com especializações na área de Humanas (Indústria e Serviços): essa é categoria mais difícil de achar profissionais. Por um fator simples que não é regra, mas é maioria: quem segue para a área de Exatas, no caso a Engenharia, dificilmente gosta de Humanas. E quem segue para a área de Humanas dificilmente gosta de Exatas. Assim, nós criamos dois polos em caminhos opostos: ou profissionais especialistas apenas em Exatas ou profissionais especialistas apenas em Humanas. Um exemplo disso: a busca por um Engenheiro(a) Mecânico(a) que possa atuar como Gerente Comercial leva, em média, de 08 a 10 meses. Esse prazo é o tempo de busca em outros Estados ou até países, com contatos, entrevistas, propostas para o aceite e assim por diante.

- Engenheiro de Telecomunicações (Serviços): essa categoria envolve empresas telefonia fixa e móvel, TV a cabo, internet e afins. Temos uma escassez enorme de profissionais de projetos, implantações e gestão dos mesmos. Normalmente, temos o profissional que desenha o projeto, porém, não tem habilidade técnica suficiente para geri-lo com os conhecimentos em gestão de custos, pessoas, processos, projeções, identificação de demandas de comportamento de clientes, etc.

- Médicos hepatologistas (Saúde): são especialistas que tratam fígados, seja com doenças crônicas ou mais simples. Nessa modalidade temos o destaque de escassez de profissionais em todo o Brasil, não somente na Amazônia. Muitos pacientes vão a outros Estados ou países para se tratarem.

- Cientista de Dados (Tecnologia e P&D – Pesquisa e Desenvolvimento): é uma das profissões mais bem pagas do mundo. São especialistas que atuam com informações, segurança de informações, interpretação de dados, estatística, solução de problemas, diagnósticos para tomadas de decisões, programação, identificação de tendências de consumo e similares. Ele atua em empresas ou instituições de pesquisa e desenvolvimento, tecnologia, startups e outros. No século onde quem mais fatura é quem mais tem informações, é uma necessidade real agora e para as próximas décadas.

- Desenvolvedores de softwares/aplicativos (Tecnologia e P&D – Pesquisa e Desenvolvimento): nessa categoria podemos citar toda a evolução que hoje está ao nosso redor. Se quisermos pedir comida japonesa, temos um aplicativo. Se quisermos ir de um bairro para o outro, temos um aplicativo. Se quisermos achar um(a) companheiro(a), temos um aplicativo. A tecnologia está em tudo, exatamente tudo. E para isso, há a demanda de desenvolvedores de softwares e aplicativos que facilitem a vida das pessoas e organizações de uma forma geral. É o software que pode otimizar o processo de produção. É o software que pode otimizar o processo logístico. É o software que pode otimizar as vendas em comércios, enfim. Temos um mar de oportunidades para desenvolvermos e criarmos.

- Motoristas Carreteiros – CNH E - (Serviços): essa categoria envolve muitas empresas prestadoras de serviços logísticos e transportes locais, interestaduais e internacionais. Muitas vezes, o profissional sabe dirigir uma carreta, porém, não tem a habilitação formal. Para a empresa somente a habilidade não é suficiente. Muitas delas possuem ISOs implantadas ou recebem fiscalizações de órgãos públicos. Ter um motorista sem habilitação em quadro funcional é multa na certa. Logo, não querem correr o risco.

A verdade é que estamos com um déficit enorme em relação ao nosso quadro de especialistas. Somente a área de Tecnologia da Informação tem a carência de quase 50 mil profissionais. Estima-se que o Brasil deixará de faturar R$ 115 bilhões até 2020 pela falta de profissionais para desenvolverem negócios e projetos com muito potencial. Preocupante, muito preocupante.

Para sairmos desse negativo, temos duas opções:

- Assistir e ver outros países ganhando o nosso mercado.

Ou

- Começarmos a criar uma nova geração de especialistas.

Cabe a nós a decisão final.

*Flávio Guimarães é diretor da Guimarães Consultoria, Administrador de Empresas, Especializado em Negócios, Comportamento e Recursos Humanos, Articulista dos Jornais Bom Dia Amazônia e Jornal do Amazonas 1ª Edição, CBN Amazonas, CBN Rondônia e Portal Amazônia.
 

TAG empregofalta de profissionaisartigoFlavio Guimaraes