Flávio Lauria

Por que os políticos mentem?

O desencontro entre a ética e a política pode ser observado na facilidade com que a mentira impera na vida pública


 

Foto: Reprodução/Shutterstock

 

O leitor não encontrará evidentemente no presente artigo a resposta para o título do mesmo, mas, se alguns políticos o lerem, poderemos ter uma mudança de hábito. O desencontro entre a ética e a política pode ser observado na facilidade com que a mentira impera na vida pública. Para o cidadão que busca o decoro e a compostura dos comportamentos dos seus representantes, dizer a verdade é um imperativo.

A presença de práticas e comportamentos transgressores dos valores e normas no comportamento dos políticos colabora para o desaparecimento do respeito à lei e às regras da sociedade. Por que os políticos mentem? O argumento de que o governante teria o direito de mentir se fosse para benefício da comunidade contrapõe-se ao direito à informação verdadeira por parte dos governados.

Quando se debate, às vésperas de uma eleição, as verdadeiras intenções, o objetivo é revelar ao eleitor a verdade daquele que pleiteia um cargo público. Para Platão, a mentira na política depende das circunstâncias para ser considerada válida. Ela pode ser útil quando a usamos contra os inimigos ou falamos deles em benefício de nossa comunidade. Nos demais casos, não.

Na política, só a verdade é nobre e merecedora de aplauso. Precisamos urgentemente educarmo-nos para proteger a verdade na política. Não é evidente que a ilusão e a mentira dominem totalmente o espaço do poder. Os políticos precisam compreender que a sociedade valoriza a verdade. Ela é a base da confiança, alicerce da vida em comum. Os políticos precisam inverter os termos da relação verdade/mentira na política, desaprender a concepção na qual a mentira é um mal menor. Os políticos precisam aprender que a mentira é um ingrediente ruim para a vida pública.

Estamos no limite da política quando os políticos a tomam como prática comum da vida pública. Eles esquecem que em todo o mundo líderes políticos tiveram sua imagem destruída quando se tornou pública a verdade. No mundo marcado pela espetacularização, é um erro pensar que a mentira não virá à tona. Na vida pública, a vontade pessoal não pode ser maior que a decisão da sociedade, e a mentira, maior que a verdade.

Na “rés pública”, a mentira é associada à corrupção. A sociedade tem o voto como instrumento de defesa contra políticos que mentem e que não dão valor à sua palavra. Verdadeiro “remédio contra mentira” na vida pública, ensina aos políticos serem verdadeiros e a basearem suas ações pela busca da verdade, único caminho para a construção de uma sociedade democrática. Como dizia Frei Beto: "Pobre política dos discursos desajuizados, proferidos na veemência despida de ética, ecoando rancores. E das aleivosias moldadas pela conveniência, disfarçadas de firmeza enquanto os pés chafurdam no lodo das negociatas".

Pobre política da veneração desmesurada ao poder, do desfibramento ideológico, da despolitização dos eleitores, da indigência de estratégias imunes ao calendário do próximo pleito. Pobre política da prepotência de quem ignora que cargos não alongam estaturas, nem a moral, e enche o peito de virtuais medalhas concedidas pela própria vaidade de quem se julga acima da média. 

 


Flávio Lauria

Por que os políticos mentem?

O desencontro entre a ética e a política pode ser observado na facilidade com que a mentira impera na vida pública

Flávio Lauria

lauriaferreira@hotmail.com


 

Foto: Reprodução/Shutterstock

 

O leitor não encontrará evidentemente no presente artigo a resposta para o título do mesmo, mas, se alguns políticos o lerem, poderemos ter uma mudança de hábito. O desencontro entre a ética e a política pode ser observado na facilidade com que a mentira impera na vida pública. Para o cidadão que busca o decoro e a compostura dos comportamentos dos seus representantes, dizer a verdade é um imperativo.

A presença de práticas e comportamentos transgressores dos valores e normas no comportamento dos políticos colabora para o desaparecimento do respeito à lei e às regras da sociedade. Por que os políticos mentem? O argumento de que o governante teria o direito de mentir se fosse para benefício da comunidade contrapõe-se ao direito à informação verdadeira por parte dos governados.

Quando se debate, às vésperas de uma eleição, as verdadeiras intenções, o objetivo é revelar ao eleitor a verdade daquele que pleiteia um cargo público. Para Platão, a mentira na política depende das circunstâncias para ser considerada válida. Ela pode ser útil quando a usamos contra os inimigos ou falamos deles em benefício de nossa comunidade. Nos demais casos, não.

Na política, só a verdade é nobre e merecedora de aplauso. Precisamos urgentemente educarmo-nos para proteger a verdade na política. Não é evidente que a ilusão e a mentira dominem totalmente o espaço do poder. Os políticos precisam compreender que a sociedade valoriza a verdade. Ela é a base da confiança, alicerce da vida em comum. Os políticos precisam inverter os termos da relação verdade/mentira na política, desaprender a concepção na qual a mentira é um mal menor. Os políticos precisam aprender que a mentira é um ingrediente ruim para a vida pública.

Estamos no limite da política quando os políticos a tomam como prática comum da vida pública. Eles esquecem que em todo o mundo líderes políticos tiveram sua imagem destruída quando se tornou pública a verdade. No mundo marcado pela espetacularização, é um erro pensar que a mentira não virá à tona. Na vida pública, a vontade pessoal não pode ser maior que a decisão da sociedade, e a mentira, maior que a verdade.

Na “rés pública”, a mentira é associada à corrupção. A sociedade tem o voto como instrumento de defesa contra políticos que mentem e que não dão valor à sua palavra. Verdadeiro “remédio contra mentira” na vida pública, ensina aos políticos serem verdadeiros e a basearem suas ações pela busca da verdade, único caminho para a construção de uma sociedade democrática. Como dizia Frei Beto: "Pobre política dos discursos desajuizados, proferidos na veemência despida de ética, ecoando rancores. E das aleivosias moldadas pela conveniência, disfarçadas de firmeza enquanto os pés chafurdam no lodo das negociatas".

Pobre política da veneração desmesurada ao poder, do desfibramento ideológico, da despolitização dos eleitores, da indigência de estratégias imunes ao calendário do próximo pleito. Pobre política da prepotência de quem ignora que cargos não alongam estaturas, nem a moral, e enche o peito de virtuais medalhas concedidas pela própria vaidade de quem se julga acima da média. 

 

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