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Manaus 30º • Nublado
Sábado, 08 Mai 2021

Violência doméstica: Entre o medo de morrer e a coragem de denunciar

O ciclo de violência doméstica começa com atitudes que configuram baixo risco de morte, como discussões e ciúmes

AM apresenta crescimento de 34% no registro de ocorrências de violência doméstica contra mulher

Denúncias de casos podem ser feitas através dos telefones 180 e 181, que é o disque-denúncia da SSP-AM

Estudantes da rede estadual discutem violência contra a mulher em concurso de redação, música e teatro

Quinze estudantes classificados no 7º Concurso Estadual de Prevenção à Violência contra as Mulheres receberam as medalhas dos organizadores e apoiadores da ação, nesta terça-feira (10), no auditório da Ordem dos Advogados do Brasil no Amazonas (OAB-AM). Os alunos premiados foram os três primeiros colocados nas categorias: Cartazes; Redação 1, para o ensino fundamental; Redação 2, para o ensino médio; Música; e Teatro.
Foto:Cleudilon Passarinho/Governo do Amazonas 

Os estudantes receberam medalhas, e o primeiro lugar de cada categoria ganhou um celular doado pelo Samsung Instituto de Desenvolvimento de Informática para Amazônia (Sidia), parceiro da ação promovida pelas secretarias estaduais de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc), de Educação e Desporto e com apoio do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher (Cedim).


Letícia Gondim, de 14 anos, aluna do 1ª ano do ensino médio na Escola Frei Silvio Vagheggi, no Centro de Manaus, ficou em primeiro lugar na categoria Teatro com uma peça que retratou as violências físicas, morais e sexuais. Ela e os colegas se apresentaram para o público presente na premiação. A encenação foi montada a partir de sugestões dos atores, que colocaram casos presenciados.


“A peça foi para retratar a violência e discriminação contra a mulher quando ela quer fazer o que quiser, na hora que quiser. A cada dia que fomos ensaiando, a gente foi procurando saber mais sobre a violência e a vida dos colegas para podermos ajudar de alguma forma. Não foi só uma aula de teatro que tivemos com os alunos da UEA, foi uma ajuda, porque a gente entendeu que não podemos fazer tudo sozinhos e que nós precisamos de ajuda”, avaliou Letícia.


A secretária executiva adjunta da capital, Arlete Mendonça, ressaltou que é necessário discutir o tema nas escolas. “Todos nós conhecemos ou já ouvimos falar de violência contra mulheres. É um tema que não é de felicidade tratar, mas sabemos que é real e é exatamente nessas atividades que conseguimos impactar positivamente as pessoas, as nossas famílias e confirmamos que a constância na escola, que é um local privilegiado, é onde podemos discutir todos os temas e trabalharmos ao lado do bem”, afirma.


Ganhadores


Cartazes

1º lugar: Valesca Cavalcante, 5º ano, Escola Plácido Serrano, CDE 1 Orientada pela professora Luzia Nascimento.
2º lugar: Anjelina Siqueira, 5º ano, Escola Ayrton Sena, CDE 7. Orientada pela professora Maria do Perpétuo Socorro Oliveira.
3º lugar: Mariele Arbella, 5º ano, Escola Santa Terezinha, CDE 3. Orientada pela professora Joice Fernandes.


Redação 1

1º lugar: Hanna Reis, 9º ano, Escola Alfredo Campos, CDE 2. Orientada pela professora Dina Reis.
2º lugar: Heloisa Souza, 7º ano, Escola Prof. Roberto Vieira, CDE 7. Orientada pelo professor Ezequias Ferreira.
3º lugar: Elias Albuquerque, 9º ano, Escola Dom Milton Correa, CDE 6. Orientado pela professora Simone Machado.


Redação 2

1º lugar: Letícia Felix, 3º ano, Escola Prof. Ruy Alencar, CDE 7. Orientada pelo professora Liliane Silva.
2º lugar: Ana Silva, 3º ano, Escola Dep. Josué de Souza, CDE 5. Orientada pelo professor Valdemir Costa.
3º lugar: Eloisa Nascimento, 3º ano, Ceti Gilberto Mestrinho, CDE 2. Orientada pelo professor José Filho.


Música

1º lugar: Carlos Silva, Rafael Coelho, William Nunes, Harrison Mori, João Bisneto e Jairo Junior, 2º e 3º anos, Ceti João Braga, CDE 7. Orientados pelo professor Alex Souza. Música “Útero do mundo”.
2º lugar: Hemilly Cunha, 1º ano, Escola Jairo Rocha, CDE 5. Orientada pelo professor Feliz Jaqtinon. Música “A força da mulher”.
3º lugar: Jeferson Medeiros, 3º ano, Escola Maria Calderaro, CDE 3. Orientado pela professora Thaise Alves.


Teatro


1º lugar: Letícia Gondim, 1º ano, Escola Frei Silvio Vagheggi, CDE 1. Orientada pela professora Larissa Penha.
2º lugar: Mileide Vieira, Mayra Graziely, Matheus Oliveira, Raquel Silva, Lucas Oliveira e Lucas Belleza, 2º ano, Escola Ernesto Pinto Filho, CDE7. Orientados pelo professor Ivan Batista.
3º lugar: Dhiuly Caldas, 1º ano, Escola Prof. Jacimar da Silva Gama, CDE 2. Orientada pela professora Guilianne Zagury.




Campanha Bella Causa, da Fundação Rede Amazônica, ganha comercial televisivo; assista ao vídeo

A Fundação Rede Amazônica (FRAM) lançou nesta semana, em Manaus, o comercial de TV da Campanha Bella Causa, que tem o objetivo de dar visibilidade à luta contra a violência e abuso sexual sofrido por mulheres na região Norte. A iniciativa pretende desenvolver uma rede de apoio que possa identificar e ajudar unidades institucionais nos estado do Amazonas, Amapá, Roraima, Rondônia, Acre e Pará, onde o Grupo Rede Amazônica (GRAM) tem atuação.

Foto:William Costa/Portal Amazônia


A jornalista Mazé Mourão é uma das embaixadoras da Bella Causa, e já articula parcerias que possam ajudar na Campanha.



"Não é uma causa que vai acabar depois de amanhã, é uma causa perene que a gente vai continuar trabalhando por muito tempo. E já tenho conversado com algumas pessoas, entre eles, empresários,  que demostram o interesse em participar com a gente", conta Mazé.



A Bella Causa está apoiando, nesse primeiro momento, a Casa Mamãe Margarida, que atende crianças e adolescentes mulheres em situação de vulnerabilidade social. A presidente da FRAM, Cláudia Daou Paixão e Silva ressalta que a campanha tem a proposta de defender as meninas.

"Nós abraçamos essa causa, e a instituição escolhida foi a Casa Mamãe Margarida, em Manaus, para defendermos essas meninas, e é nossa obrigação defendê-las", disse.



Os vídeos da Campanha Bella Causa já estão sendo exibidos nas emissoras do GRAM, além do Amazon Sat.



Confira:



   

Com atividades em Manaus, campanha estimula sociedade a combater violência sexual contra crianças

Cerca de 300 milhões de crianças em todo o mundo vivem em constante situação de violência, seja física, sexual ou moral. O dado, divulgado em 2017 pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), integra o relatório “Um Rosto Familiar: Violência na Vida de Crianças e Adolescentes”. 

Seminário dá voz a mulheres para debate sobre efetividade da Lei Maria da Penha no Amazonas

Passados treze anos da sanção da Lei Maria da Penha, ainda existem barreiras para que a legislação que visa a proteção de mulheres contra a violência doméstica seja efetivamente cumprida. Para que as amazonenses discutam o tema, acontece em Manaus, no dia 12 de agosto, o seminário “A Lei é Para Todas – A aplicação da Lei Maria da Penha do ponto de vista do feminismo interseccional”.

Santarém está há mais de um mês sem registro de homicídios, aponta polícia

A Polícia Civil contabilizou, nessa terça-feira (30), mais de um mês sem registros de homicídios em Santarém, município da região do Baixo Amazonas, no oeste do Pará. O último caso de homicídio ocorreu no dia 28 de junho, na comunidade Pajuçara, zona rural do município, e já foi esclarecido pela polícia. 

Ananindeua é selecionada para projeto piloto de segurança do Ministério da Justiça

O município de Ananindeua, na região metropolitana de Belém, foi um dos cinco selecionados no Brasil para receber a implementação de um projeto piloto, realizado pelo Ministério da Justiça, na área da segurança pública e promoção social. O anúncio foi feito, na manhã desta quarta-feira (15), pelo governador Helder Barbalho, durante o lançamento do Programa Nacional de Enfrentamento à Criminalidade Violenta que acontece em Brasília (DF).


“Festejo de maneira muito particular Ananindeua ser uma das cinco cidades selecionadas pelo Ministério da Justiça para a implementação deste projeto piloto de segurança púbica e transversalidade de ações, que possam definir o novo patamar de proteção e promoção para a sociedade”, destacou Helder.
Foto:Divulgação/Prefeitura de Ananindeua

O Programa é apresentado durante o primeiro dia do 1º Seminário de Alinhamento do Programa Nacional de Enfrentamento a Criminalidade Violenta (PNECV) | Fase 1 - Força-tarefa, que ocorre na sede do Ministério da Justiça e Segurança Pública, conduzido pelo ministro Sérgio Moro.  


O PNECV, em fase de planejamento, associa ações de força-tarefa e de promoção social para implementação de políticas públicas de Segurança Pública. Com início previsto para o segundo semestre deste ano, o projeto piloto será implementado, inicialmente, em cinco municípios brasileiros distribuídos nas regiões do país, com previsão de expansão.







Paradigmas da leniência

Me desculpem os caros leitores amazonenses, mas tenho uma afinidade pelo Rio de Janeiro e costumo dizer que sou amazonense por um acidente geográfico. Sou carioca de coração, e quando você recebe no Rio a conta da Light no seu nome, se sente mais carioca ainda. No Rio políticas equivocadas regadas a paternalismo omisso fizeram com que lacraias virassem serpentes.

Audiência pública discute propostas contra a violência doméstica em Macapá

Professoras universitárias, gestoras de órgãos públicos e mulheres da sociedade geral participaram na manhã desta sexta-feira (15), na Câmara Municipal de Macapá (CMM), de uma audiência pública que discute ações que possam diminuir os números de violência doméstica na capital.

Com o tema "Enfrentando a Violência Contra a Mulher", o encontro teve relatos de experiências e realidades das mulheres que vivem em Macapá, além de discussão, reflexão e apontamentos de estratégias para efetivação da política de direitos da mulher.

De acordo com o G1 Amapá, a iniciativa foi do vereador Rinaldo Martins (PSOL), que tem um projeto de criação de um dossiê, reunindo todos os dados relativos à problemática na capital, dando assim, subsídios a melhor abordagem do poder público para as intervenções contra a violência doméstica.


Foto: Reprodução/Shutterstock

"Temos dados de diversos órgãos, setoriais, municipais e estaduais. A proposta é ter tudo isso num local só, para que possamos identificar como podemos combater da melhor forma cada tipo de violência que a mulher sofre", explicou.

Para Aline Medeiros, diretora do Centros de Referência em Atendimento à Mulher (Cram) da Zona Norte de Macapá, a educação e o incentivo ao empoderamento feminino são formas de tirar as mulheres deste "ciclo de violência".

"Muitas mulheres ainda ligam violência doméstica com agressão física, por isso que intervenções mais sutis como palestras, visitas a unidades de saúde podem ser mais efetivas neste primeiro passo. Afinal, não cooptamos essas mulheres, elas devem vir até nós [órgãos públicos de apoio à vítimas de violência doméstica] e devemos facilitar o processo", ressaltou.

Números da violência contra a mulher

Mais de 1,4 mil casos de violência contra mulher foram registrados em menos de três meses em Macapá. O número representa aumento de 10% em relação ao primeiro trimestre de 2018.

Por outro lado, de acordo com o Monitor da Violência, em 2018 o Amapá registrou quatro casos de feminicídios, enquanto que no ano anterior foram sete. A pesquisa foi baseada em dados divulgados pela Secretaria de Estado da Justiça e Segurança Pública (Sejusp).

O número também diminuiu em casos de homicídios dolosos contra mulher: 13 em 2018 e 23 no ano anterior. O índice de homicídios contra mulheres foi de 1 morte a cada 100 mil mulheres amapaenses no ano passado.

Pelo país foi registrado um aumento de 12% no número de registros de feminicídios em um ano: foram 1.173 no ano passado, ante 1.047 em 2017.

Uma das alternativas de ajuda às vítimas é o Cram que presta auxílio por meio de ações sociais e trabalhos de acolhimentos. Ao todo, foram somados mais de 3 mil atendimentos em 2018, sendo 80 deles com acompanhamento direto, informou o centro.

Mais de cem indígenas foram assassinados em 2017 no Brasil, aponta Conselho Indigenista

Cento e dez indígenas foram assassinados em 2017. É o que aponta relatório divulgado nesta quinta-feira pelo Cimi Conselho Indigenista Missionário. O documento também destaca que ocorrências de apropriação indevida das terras tradicionais, casos de suicídio e mortalidade na infância continuam a preocupar. As informações são da Agência Brasil.
Foto:Marcello Casal jr/Agência Brasil
O Relatório Violência contra os Povos Indígenas no Brasil constatou um aumento na maioria dos 19 tipos de violência contra a pessoa, o patrimônio e a omissão do poder público.

De acordo com o Cimi, ano passado, foram registrados oito assassinatos a menos que em 2016.

Mas conselho ressalta que usa dados repassados pela Secretaria de Saúde Indígena e que a própria Sesai informou que os números são parciais pois ainda há possibilidade de receber notificação de novos assassinatos.

De acordo com a antropóloga Lucia Rangel e uma das organizadoras do estudo, os assassinatos estão relacionados diretamente com os conflitos de ocupação de terras.

O Cimi identificou 20 conflitos relativos aos direitos territoriais em 2017.

Entre os destaques, o ataque de 200 pessoas contra o povo Akroá-Gamella, no Maranhão. Dois indígenas foram baleados e outros dois tiveram as mãos decepadas.

Laércio Gamela destaca que a comunidade pretende resistir e conquistar o território.

Os três estados responsáveis por 70 por cento dos assassinatos de indígenas são Roraima, Amazonas e Mato Grosso do Sul.

Com relação as mortes por omissão do estado, o Cimi apontou 702 casos de mortalidade na infância.

Outra questão considerada dramática pelo Conselho é a quantidade de registros de suicídio: 128 casos, um aumento de 20 por cento em um ano. Segundo o ministério da Saúde, a taxa de suicídios entre indígenas é 3 vezes superior à média do país.

Antes de embarcar, os venezuelanos passam por procedimentos de regularização de documentos e atualização da caderneta de vacinação.

O major Tássio de Oliveria, chefe de Comunicação da Operação Acolhida, diz que as metas do programa de interiorização estão sendo cumpridas.

Manaus declara situação de emergência em função da violência na cidade

Manaus decretou Situação de Emergência, na noite desta segunda-feira (17). A medida foi anunciada pelo prefeito Arthur Virgílio Neto, na última sexta-feira (14), por conta da grave crise na segurança pública da capital, que vem registrando inúmeros ataques contra unidades de serviços públicos da Prefeitura, como unidades de saúde, escolas e transporte coletivo. Servidores e usuários dos serviços têm sido vítimas frequentes dos assaltos.

"É a ferramenta mais eficaz para nós enquanto gestão municipal. Até por não possuirmos a gerência sobre a questão da segurança pública. É o que podemos adotar para tentar pôr fim nessa onda de violência. Vamos buscar a parceria de órgãos estaduais, federais e até de organismos internacionais para denunciar o que vem acontecendo com o povo da cidade que eu governo, que já não está seguro nem ao buscar socorro em uma unidade de saúde, por exemplo", declarou o prefeito, fazendo menção aos frequentes casos de roubos e furtos em Unidades Básicas de Saúde (UBSs).

O decreto ressalta que será indicado ao Ministério da Justiça a necessidade de utilização da Força Nacional de Segurança, nos termos do Decreto Federal nº 5.289/2004, para coibir a crescente onda de violência e do crime organizado da qual têm sido vítimas os munícipes de Manaus.
Foto: Divulgação/Agência Brasil
Ainda conforme a publicação, para o enfrentamento da crise na segurança pública, por meio da Situação de Emergência, caberá à Casa Militar municipal elaborar e implementar escala especial para os guardas municipais, com o objetivo de ampliar a atuação de seu efetivo, para resguardar e auxiliar a conservação do patrimônio municipal.

O documento também prevê que a Casa Civil do município adote providências, entre elas, o levantamento e relatório de todas as ocorrências criminais verificadas contra o patrimônio e servidores municipais, registradas até a data de entrada em vigor do Decreto, além de propor medidas cabíveis, após contato com os órgãos e entidades municipais atingidos.

O relatório será encaminhado aos ministérios públicos Estadual (MPE-AM) e Federal (MPF-AM)) e demais autoridades competentes, bem como a organismos internacionais voltados à defesa dos direitos humanos. Dentre os quais, a Organização da Nações Unidas (ONU) e a Organização dos Estados Americanos (OEA).

Conforme prevê o documento, a Situação de Emergência autoriza, ainda, a adoção de outras medidas judiciais e administrativas necessárias à imediata resposta por parte do poder público municipal.

Ocorrências

De janeiro até o último dia 13 deste mês foram registradas 53 ocorrências de roubos e furtos em UBSs, além de 1.854 ocorrências de roubos em veículos que integram o sistema de transporte coletivo da capital. Além disso, outros 87 casos de assaltos, furtos e vandalismos em escolas municipais foram registrados de janeiro até a primeira quinzena de agosto.

Leia o decreto na íntegra

Acorda Brasil

A sociedade brasileira não é pior nem melhor que as outras, moralmente falando, e, noutros aspectos, diferencia-se para cima. Não temos conflitos étnicos sérios, nem religiosos – sobra-nos tolerância e versatilidade –; somos abertos a inovações e às artes.

O brasileiro pobre encheria teatros, óperas e espetáculos musicais eruditos, se lhes fossem oferecidos! Toda vez que concertos, espetáculos de música e dança se fizeram a céu aberto, o sucesso foi estrondoso.

O Teatro Municipal do Rio enfrenta filas de quarteirões, o povo quer ver concertos e óperas ao custo de R$ 1. É uma pena vê-lo imbecilizado pelos enlatados norte-americanos ou plantado diante da telinha, a ver programas nem sempre edificantes.

Em verdade, falham as elites bem postas na economia, na política e na criminalidade. Refiro-me à corrupção política, à ganância de certos empresários, às propinas, às falsificações odiosas de produtos, de remédios, de combustíveis, de tudo em que se possa pensar, em peso e qualidade.

Falham os governos quando tratam os pobres, ora com o caritativismo pequeno burguês, ora com a brutalidade policial do tempo dos capitães do mato.

Os mais sofredores são os pobres que vivem nos mocambos e favelas das periferias, tão perto do inferno e tão longe de Deus. A polícia – como se não bastassem a fome, a falta de emprego e a bandidagem infiltrada entre eles – trata-os com casca e tudo.

Como nas guerras que vemos na TV, vemos os nossos palestinos e iraquianos civis a levarem tiros por todos os lados.

É mais do que evidente que o Estado deve estar presente em favelas e mocambos, com educação, saúde, agências de apoio e proteção, em vez de só mandar bala nos bandidos e neles, os tais efeitos colaterais.

Tampouco a corrupção é endêmica, sempre existiu, só que agora está sendo exposta todos os dias, mas não são tomadas as medidas cabíveis, daí uma certa confusão na cabeça das pessoas.

Parece que o mundo vai se acabar entre as operações espetaculosas da Polícia Federal, o noticiário da imprensa e a reiteração criminal sem notícia à vista de punição, pouco divulgada, embora ocorram, todo santo dia, sentenças condenatórias Brasil afora.

Existem mais de 120 mil mandados de prisão expedidos e incumpridos. Ora falta a captura, ora o bandido; ora a vaga a ele destinada. Para piorar, tem preso bom, que já devia ter saído e continua preso, cumprida a pena, por culpa do Estado. Preso não dá voto. Aí começa o falatório.

Uns dizem que a Bíblia previu, o Messias vai chegar, o apocalipse está às portas. No curso da história ocidental, ele já foi previsto dezenas de vezes. Não vai chegar nunca, a menos que toquemos, nós próprios, fogo no mundo. Ou então é o “país que não tem jeito mesmo” – o conformismo dos vencidos e dos inermes.

Apesar disso, o Brasil vai em frente. Em verdade, faltam cadeias, inteligência policial (aparato técnico preventivo e repressivo) e ordem na persecução penal. Está na hora de ver o que outros povos já fizeram e agir. Causa-me espanto três estamentos de repressão penal estanques: polícia, Ministério Público (MP) e Justiça criminal.

À polícia cabe o inquérito, que se finda num relatório ofertado ao MP federal ou estadual, dependendo do crime, a quem cabe examinar o inquérito, arquivá-lo, devolvê-lo ou aceitá-lo, para oferecer denúncia ao juiz criminal, que poderá rejeitá-la ou dar curso à ação, salvo nos casos de queixa incondicionada.

Isso é arcaico, demorado e conflituoso, gerando grande demora na concretização da justiça. Depois da condenação penal irrecorrível, abre-se, ainda, outra etapa nas varas de execução penal, incumbidas de fazer valer as penas e as suas vicissitudes, sem falar no júri popular, nos crimes contra a vida praticados com dolo, ou seja, os que não decorrem de imprudência, imperícia e negligência, a cargo do juiz singular.

É um sistema muito complicado. É preferível o norte-americano, de “salas”. A polícia atua ligada a um promotor e grande parte dos crimes vai direto ao magistrado. Oferece-se ao réu uma transação penal.

Se assumir a culpa, obtém vantagens e poupam-se delongas processuais. No Brasil, muita vez, em razão da chamada prescrição retroativa da pena em concreto, que começa a fluir da data do ilícito, quando o réu é condenado ou mesmo antes, o crime já prescreveu e o réu se livra solto. Um advogado diligente é tudo de bom! Acorda, Brasil.

O medo embota a consciência

A insegurança atingiu índices alarmantes, em Manaus e em todo o Brasil. Imaginem uma senhora de 61 anos internada no Hospital Santa Marta, o maior de Niterói no Rio de Janeiro, foi atingida no rosto por uma bala perdida. E o crescimento ocorre desde o furto, pouco mais do que ocasional, ao caco de vidro na mão. Deste, à arma em punho. Em seguida, ao dedo no gatilho. Em tão curto espaço de tempo social, um salto gigantesco foi dado: de trombadinha a latrocida.

Foto:Reprodução/Shutterstock
No automatismo do ato, o automatismo da vida. Não se encontrando, esta, presa a quase nada, exceto a um tênue fio social que tem se revelado inútil. Corpos esquálidos hiperinflados de si mesmos, sem noção de limites e possuídos por um misto de alucinação e vertigem, saem à cata das suas vítimas pelas ruas e avenidas das cidades.

São os meninos-caranguejos, os adolescentes-guabirus, e os adultos jovens-guarás, sempre à espreita da próxima presa, em cada esquina. Uma abordagem repentina, várias ordens de comando, alguns gritos, e escutam-se estampidos. Vidas estão sendo ceifadas a céu aberto. O clamor é geral. Nem poderia ser diferente. A perda e o luto dilaceram a carne e roem os ossos de quem fica.

A sangria afetiva revela-se sem fim. E deixa a todos em estado de estupor permanente, acuados, aterrorizados e perplexos. Exigem-se respostas imediatas e ações efetivas no combate a criminalidade, o que é de se esperar em qualquer sociedade minimamente civilizada. Todavia, a vida em sua dimensão única é seccionada em duas partes distintas: a dos que matam alucinadamente e a dos que se mantêm ainda vivos a prantear os seus mortos. Tudo se torna muito simples e fácil de explicar. O medo embota a consciência, é sabido. E o pensamento binário se constitui em sua lógica imediata. E igualmente perversa.

De um lado, vidas produtivas embaladas em berço esplêndido ou forjadas pelo esforço próprio. Do outro, dejetos humanos prontos para serem lançados nos esgotos, os seus possíveis lugares de origem. Mas, de lá, eles teimam em voltar. Espalhando medo e gerando pânico. Criaturas desnaturadas, abortos da vida, comenta-se à boca miúda e graúda – verdadeiros monstros, também dizem. Há, ainda, quem abra bem os olhos para um dos lados da questão, é quando falam em inversão de valores, assim como há, também, quem os feche, na mesma proporção, no que concerne ao outro lado da mesma – para esses, a inversão de valores não passa de um arraigado preconceito de classe.

O que não remove, nem uns nem outros, do pensamento binário. Mas tão-somente os coloca num beco social e político sem saída. Para pôr fim a tal binarismo, cujos efeitos são socialmente desastrosos, é preciso que nós nos olhemos mais de perto no espelho. Sem medo e sem pejo do que o mesmo poderá vir a refletir ou a nos dizer: a vida é sempre única, embora existam múltiplas formas de expressão da vida. Em sendo única, todos nós somos co-partícipes do que dela fazemos de melhor e de pior, em termos da sociedade que construímos para nós mesmos. O que exige muito mais do que um simples se ater à esperança quanto ao futuro, imediato ou longínquo. E um bom começo para tal é romper com o pensamento binário e os sentimentos dele decorrentes – quer sejam de amor ou de ódio. 

Secretaria de Segurança anuncia operação em Manaus para conter onda de violência

A Polícia Militar tem percorrido as ruas de Manaus (AM) realizando a Operação Horus para tentar conter a onda de violência que tem afetado a cidade. No fim de semana, 14 assassinatos foram registrados na capital amazonense. 

Acompanhamento escolar é parte de tratamento de crianças vítimas de abuso

A última matéria sobre violência contra crianças e adolescentes em Manaus (AM) destaca a importância da escola no acompanhamento das vítimas. Falta de profissionais de assistência social prejudica na recuperação ou identificação dos casos. 

Violência contra crianças e adolescentes aumenta em Manaus

A violência contra crianças e adolescentes aumentou em Manaus (AM). Dados da Secretaria de Segurança Pública mostram que até março foram 99 vítimas de maus tratos ou lesão corporal. Em 2017, foram 48 registros neste período. A quantidade de crianças abandonadas também aumentou mais de 100%.

Amazonas é o terceiro Estado com maior proporção de casos de feminicídio

Em um levantamento do Conselho Nacional de Justiça, o Amazonas é o terceiro Estado com maior proporção de casos de feminicídio. O Estado registrou entre oito e dez novos casos de feminicídio a cada 100 mil mulheres em 2017.

Consciencialização da violência contra a pessoa idosa

A violência contra o idoso é considerada crime, no entanto essa é uma realidade bastante comum no Brasil. Você sabe identificar os tipos de violência que podem afetar a pessoa idosa e quais as penalidades para cada uma delas?

Para discutir a conscientização da violência contra a pessoa idosa, celebrada nesta quinta-feira (14), Fábio Melo recebe no Audiência Pública Manaus, a delegada titular da Delegacia do Idoso, Ivone Azevedo; e a psicóloga da Secretaria de Estado de Educação, Janira Moraes.

Ouça a segunda parte:
Ouça a terceira parte:
Ouça a quarta parte:
Ouça a última parte: 
Para participar do Audiência Pública Manaus, envie mensagens para o (92) 98115-8557 (whatsapp) ou para o e-mail [email protected], de segunda à sexta.

Conselho Nacional de Direitos Humanos faz reuniões no Pará após denúncias de violência

O Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH) realiza, a partir desta segunda-feira (11), uma série de reuniões em Belém, no Pará. A visita ocorre devido ao volume de denúncias de violações de direitos humanos no estado que chega ao conselho, principalmente relativas à violência no campo, conflitos socioambientais e violência urbana.

O Caderno Conflitos no Campo Brasil, divulgado este mês pela Comissão Pastoral da Terra, aponta o Pará como campeão de mortes por questões agrárias no país, com 22 assassinatos, em 2017. Este ano, segundo o CNDH, os assassinatos continuam e só no começo deste mês mais duas lideranças de movimentos de luta pela terra foram brutalmente assassinadas. Também há registro de ameaças a defensores e defensoras de direitos humanos.

Os moradores da Região Metropolitana de Belém acompanharam o crescimento de chacinas. Nos dois últimos dias de abril, pelo menos 28 pessoas foram assassinadas com características de execução.

O número de policiais mortos nos quatro primeiros meses de 2018 é quase o mesmo de todo o ano passado. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, entre janeiro e abril deste ano, já são 21 policiais militares e um civil mortos.

Na terça-feira (12), a audiência pública "Violações de Direitos Humanos no Pará” terá início às 9h no Centro de Eventos da Universidade Federal do Pará. A audiência é aberta ao público.