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Domingo, 09 Mai 2021

Hemopa Tucuruí recebe reforço no estoque de sangue da Torcida Palmeirense

Com a pandemia, os estoques de sangue ficaram comprometidos e a necessidade de voluntários da doação é diária.

Índios Assurini relatam à Justiça 40 anos de danos da Usina de Tucuruí

Distante das salas frias da Justiça, no próprio território em que vivem e que consideram sagrado, os índios Assurini relataram para o juiz federal Hugo Frazão, da subseção judiciária federal de Tucuruí, representantes de órgãos públicos, pesquisadores e estudantes, os cerca de 40 anos de danos gerados pela Usina de Tucuruí (PA) em suas vidas, desde o fim dos anos 1970, quando a hidrelétrica começou a ser instalada, sem consulta ou aviso prévio, nas águas do Rio Tocantins.

“Quando encheu, a água levou tudo: motor, remédio, farinha, arroz, máquina. A Eletronorte tinha que pagar, estamos cansados de esperar”, disse o cacique Cajuangawa Assurini. Pirá Assurini, filho do cacique, detalhou que, os que ali viviam, “perderam as castanhas, as mandiocas, os milhos, as batatas, a máquina de arroz, a maior parte do seringal que ficava na beira do rio”. Pirá continuou seu relato: “Nunca conseguimos de volta o que tínhamos antes e até hoje, andando na beira do rio, continuam os impactos. A erosão provocada pela barragem levou cemitérios do nosso povo e continua comendo o nosso território”.
Foto: Divulgação

A Eletronorte chegou a ser obrigada a fazer um pagamento mensal de R$ 150 mil pela demora em oferecer medidas de compensação, a partir de 2012, mas depois conseguiu reverter os valores em medidas emergenciais. O representante da empresa, o advogado Bernardo Fosco, disse que ela não se nega a dialogar com o povo Assurini, mas admitiu que as incertezas provocadas pela crise econômica e a possível privatização da estatal dificultam o avanço das propostas de compensação. Tucuruí é a terceira maior usina do país em termos de capacidade instalada, com mais de 8 mil megawatts de potência, perdendo para Itaipu e Belo Monte.

Entre os pedidos dos índios, estão a garantia de água e esgoto na comunidade e a reocupação territorial, bem como a garantia de ônibus para atendimento dessa população. De acordo com o MPF, o veículo foi adquirido em 2016, mas até agora não foi entregue à comunidade. Também não houve a garantia de assistência e outras medidas compensatórias.

Audiência na aldeia

Realizada na aldeia Trocará, a audiência foi solicitada pelo Ministério Público Federal (MPF), que acompanha há oito anos a ação que busca compensação e reparação pelos danos sofridos pela etnia Assurini com a construção da usina hidrelétrica de Tucuruí. A procuradora da República Thais Ruiz, atualmente responsável pela ação judicial, disse que “este ato, por si só, já é uma vitória da comunidade indígena e da sociedade brasileira, já que o respeito à pluralidade étnica é um dos objetivos da República consagrados na Constituição Federal”.

Thais Ruiz ressaltou que, entre as várias etnias que sofreram graves impactos da usina construída no período da ditadura militar, os assurini estão entre os que não receberam nenhum tipo de compensação ou mitigação. Atualmente, há propostas da empresa e dos índios, mas nenhuma é consensual. De acordo com o juiz Hugo Frazão, será criada uma comissão interinstitucional, com a presença de índios, pesquisadores e representantes de várias instituições para analisar as propostas apresentadas pelos dois lados. A expectativa é que uma proposta seja apresentada no fim deste semestre.

Município de Tucuruí registra três casos de Doença de Chagas

Três pessoas da mesma família foram diagnosticadas com doença de Chagas no município de Tucuruí, no Pará. Segundo a Prefeitura da cidade, elas estão recebendo atendimento ambulatorial e medicamentos.

A suspeita é que a doença tenha sido contraída pelo consumo do vinho de açaí contaminado pelo barbeiro, inseto vetor do mal de Chagas.

Uma equipe da Vigilância Sanitária de Tucuruí esteve no local onde os pacientes adquiriram o produto e verificou que o estabelecimento já não funcionava mais.

Outros membros da família também consumiram o vinho do açaí e estão sendo acompanhados pela Secretaria Municipal de Saúde. Eles fizeram os exames necessários e as amostras foram encaminhadas para o Lacen, Laboratório Central do Estado do Pará.
Foto: Divulgação / Agência Pará
A prefeitura informou que será realizada nesta sexta-feira (9) uma reunião emergencial para intensificar as campanhas de conscientização das boas práticas no preparo do vinho de açaí e as inspeções nos estabelecimentos.

A doença de Chagas é infecciosa e causada pelo parasita Trypanosoma cruzi, transmitido pelo barbeiro. A contaminação do açaí ocorre quando o produto é triturado junto com o inseto ou as fezes dele. Entre os principais sintomas estão problemas cardíacos, inchaço e febre. A doença pode levar à morte se não for tratada.

Semas reúne com prefeitos para tratar sobre a UHE de Tucuruí

Foto: Divulgação/Agência Pará
O Governo do Pará, por meio da Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade, promoveu uma reunião com prefeitos, vereadores e gestores de municípios paraenses, como Tucuruí, Nova Ipixuna, Itupiranga, Jacundá, Limoeiro do Ajuru, Oeiras do Pará, Novo Repartimento, Goianésia do Pará, na última quarta-feira (3) no Centro Integrado de Monitoramento Ambiental do Pará (Cimam).

O titular da Semas, Luiz Fernandes, abordou as Oficinas Colaborativas, projeto que terá prosseguimento entre os dias 8, 10 e 12 deste mês tendo os polos de Tucuruí, Itupiranga e Jacundá como sedes. As Oficinas Colaborativas discutem a revisão do Licenciamento Ambiental da Usina Hidrelétrica (UHE) de Tucuruí, sudeste do Pará. A ideia do projeto é ampliar o diálogo e a construção com as comunidades que são influenciadas direta e indiretamente pelo empreendimento, a fim de debater subsídios para o processo de revisão do licenciamento.

Na oportunidade, Luiz Fernandes apresentou o funcionamento do Cimam, cuja função é monitorar os projetos. O secretário ponderou que o monitoramento se dá no Estado, independente se o empreendimento licenciado é federal, estadual ou municipal. "Iremos monitorar as condicionantes e avisar o órgão para subsidiar a gestão ambiental", disse Luiz Fernandes. Dessa forma, o Governo trabalhará em conjunto com as prefeituras, como reiterou o secretário adjunto de Regularização Ambiental da Semas, Thales Belo. “Faremos uma ação corretiva com o apoio da prefeitura”.

Sobre as Oficinas Colaborativas, Thales considerou que é uma estratégia que qualifica a questão social do projeto. “Iremos dialogar para abordar os programas elencados e a conscientização sobre o empreendimento licenciado, o que a comunidade entende que deve ser desenvolvido. Queremos que eles sejam protagonistas desta ação”.

Os participantes, de forma consensual, parabenizaram o titular da Semas pela iniciativa de mostrar o trabalho desenvolvido. O prefeito de Tucuruí, Jones William, avaliou que a união do município e do estado fortalece o desenvolvimento amplo. “É importante que tenhamos o Governo do Estado como o nosso parceiro para desenvolver um trabalho em conjunto”. Jones entregou uma carta assinada por prefeitos da região, indicando que a Semas represente os municípios, verificando o andamento de um plano de ações ambientais, junto a empresa que gerencia a Usina Hidrelétrica.

Governo de Roraima pede ajuda para concluir Linhão de Tucuruí

A governadora de Roraima, Suely Campos (PP), pediu ajuda ao presidente Michel Temer para avançar com a construção do Linhão de Tucuruí, de forma a amenizar os riscos de apagão no estado. A maior parte da energia elétrica consumida em Roraima (72,2%) tem como origem a Venezuela. O restante (27,8%) é gerado a partir de quatro usinas termelétricas.

O Linhão de Tucuruí se  estenderá da capital do estado, Boa Vista, até Manaus (AM), e de lá ao Sistema Interligado Nacional (SIN). O leilão desse trecho foi feito em 2011, sendo vencido pelo consórcio TransNorte, ao custo de R$ 1,5 bilhão.
Linhão de Tucuruí vai incluir Roraima ao Sistema Interligado Nacional (Foto:Reprodução/Agência Brasil)
Segundo a governadora, a obra não avança porque depende de uma autorização da Fundação Nacional do Índio (Funai). “Ela sequer saiu do papel, uma vez que não obtivemos autorização para a passagem do Linhão pelos 125 quilômetros da Terra Indígena Waimiri-Atroari”, disse ela ao reafirmar que a instalação de 250 torres de transmissão nessa área “não causará nenhum impacto”.

"Somos o único estado que não está interligado ao SIN e isso está atrapalhando o nosso desenvolvimento. Não é possível que 1,6 mil indígenas possam impedir o crescimento [econômico] de um estado com 600 mil habitantes”, argumentou Suely Campos.

A reunião contou com a participação de parlamentares do estado e do presidente da Funai, Antônio Costa. Segundo a governadora, Costa recebeu de forma muito positiva a demanda apresentada e se comprometeu a abordar o assunto com os indígenas.“O presidente da Funai tem força de vontade para tratar [do assunto] com os índios. Ele tem conhecimento e tem abertura com eles”, disse a governadora.

Segundo ela, a obra já recebeu a licença ambiental do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), mas falta ainda a licença de instalação.