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Domingo, 09 Mai 2021

Soltura histórica de peixes-bois da Amazônia reforça importância da conservação da espécie

Doze peixes-bois da Amazônia, espécie que está na lista de animais ameaçados de extinção, foram devolvidos à natureza neste fim de semana na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Piagaçu-Purus (a 173 km de Manaus). A ação faz parte do Programa de Reintrodução de Peixes-bois do Projeto Mamíferos Aquáticos da Amazônia, realizado em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC).

A atividade de Reintrodução, que já devolveu aos rios da região amazônica mais de 30 animais que foram vítimas da caça ilegal, é executada pela Associação Amigos do Peixe-boi (Ampa), que atua há 18 anos na conservação dos mamíferos aquáticos da Amazônia.
 
Foto: Fernanda Farias/Inpa
Segundo a coordenadora do Projeto, a pesquisadora do Inpa, Vera da Silva, a devolução dos animais é uma das etapas mais importantes para o Projeto. “A reintrodução dos peixes-bois para a natureza nos mostra que conseguimos concluir com os objetivos de resgatar, reabilitar e devolver esses animais, que estão ameaçados de extinção, à natureza”, explica.

O responsável pelo Programa de Reintrodução, Diogo de Souza, enfatiza o fundamental apoio da comunidade nessa etapa. “Sem o apoio da comunidade a gente não faria nada. Eles são de extrema importância para o sucesso do Projeto. São eles que fazem o monitoramento por telemetria dos peixes-bois que recebem o cinto com o transmissor e conseguem coletar dados que ajudam na pesquisa para conservação”, diz o biólogo lembrando que são ex-caçadores de peixes-bois que realizam, atualmente, o monitoramento dos animais.

A Reintrodução de peixes-bois da Amazônia recebe o apoio do Projeto Museu na Floresta, Universidade de Kyoto, do Aquário de São Paulo e da Secretária de Estado de Meio Ambiente (Semas).

“Peixe-boi sem nome não tem graça”

Um dos 12 peixes-bois escolhidos para voltar para casa ainda não tinha nome, o número #183, como era chamado pela equipe do Projeto, ganhou um nome indígena durante a campanha “Peixe-boi sem nome não tem graça”. O nome escolhido foi “Iberaba” que significa “o brilho da água”.

A atividade de Educação Ambiental foi realizada na Escola Municipal Bom Jardim na comunidade do Cuianã, local próximo ao que os animais foram soltos. Para a educadora ambiental do Projeto Mamíferos Aquáticos da Amazônia, Jamylle de Souza, a ação fortalece o protagonismo dos comunitários em relação às responsabilidades de manter o ambiente aquático saudável e também para alertar sobre a importância da espécie para os ecossistemas aquáticos.

“As ações educativas, especialmente com gestores, docentes e outros atores locais, motivam os jovens e crianças a atuarem em prol da conservação, principalmente dos peixes-bois que possuíam um forte histórico de caça localmente”, comenta a bióloga, completando que quando os jovens se sentem valorizados e acabam se envolvendo mais nas atividades.

Reserva no AM recebe a maior soltura de peixes-bois da Amazônia da história, diz Inpa

Doze peixes-bois da Amazônia serão reintroduzidos, neste fim de semana, na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Piagaçu-Purus, próximo ao município de Beruri (a 173 quilômetros de Manaus). Esta será a maior soltura de peixes-bois da Amazônia já realizada na história, de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC).

Os animais que serão devolvidos à natureza foram vítimas de caça ilegal ou captura acidental, conforme o responsável pelo Programa de Reintrodução de Peixes-bois, biólogo Diogo de Souza. “Os peixes-bois filhotes resgatados são reabilitados no Inpa em tanques de fibra. Geralmente, eles perdem a mãe para a caça ou são pegos em redes de pesca”, diz Souza, que é mestre em Biologia de Água Doce e Pesca Interior pelo Inpa.
 
Foto: Luciete Pedrosa/Acervo Inpa
A coordenadora do Projeto, a pesquisadora do Inpa Vera da Silva, alerta que o peixe-boi da Amazônia (Trichechus inunguis) é uma espécie ameaçada de extinção e por isso o Programa de Reintrodução é essencial para a conservação da espécie. “Eles são animais dóceis e com movimentos lentos, por isso acabam sendo alvos para a caça. E para restabelecer a população dessa espécie, que é muito importante para o equilíbrio dos ecossistemas aquáticos, a Ampa e o Inpa realizam o Programa de Reintrodução de Peixes-Bois há dez anos”, explica a pesquisadora, que é doutora pela Universidade de Cambridge.

O Inpa já reintroduziu aos rios da Amazônia 23 peixes-bois. Desde 2016, eles são soltos na RDS Piagaçu-Purus, baixo rio Purus, onde as comunidades dessa unidade de conservação do estado do Amazonas são parceiras do Programa. A última soltura aconteceu em abril de 2018, quando foram reintroduzidos dez animais, cinco machos e cinco fêmeas. 

“Nossa ideia é levar de maneira recorde doze animais de uma só vez. O sucesso das solturas passadas com os animais se readaptando muito bem à natureza, nos permitiu acelerar o processo”, ressalta o responsável pelo programa de Reintrodução.

A ação, que inicia nesta sexta-feira e encerra na próxima segunda-feira (25), é realizada pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC), em parceria com o Projeto Mamíferos Aquáticos da Amazônia e o Museu na Floresta.

O Projeto Mamíferos Aquáticos da Amazônia é patrocinado pela Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental, e executado pela Associação Amigos do Peixe-boi (Ampa) em parceria com o Projeto Museu na Floresta, uma cooperação com a Universidade de Quioto (Japão).

Readaptação à natureza

Após a reabilitação, os animais passam pela etapa de semicativeiro em uma Fazenda de piscicultura em Manacapuru durante um ano, antes de serem selecionados para serem soltos na natureza. Já na área de soltura, a várzea da Reserva Piagaçu-Purus, os animais estão aptos para se alimentar sozinhos, explica Souza.

“Eles comem por dia o equivalente a cerca de 10% do seu peso e no cativeiro, em Manaus, são alimentados prioritariamente com vegetais cultivados e capim membeca. Na Reserva, estes animais terão uma diversidade na dieta de mais de 60 espécies de plantas aquáticas”, comenta.

Os animais selecionados têm idade entre três e 16 anos, pesam cerca de 120 quilos e medem em média 2 metros de comprimento. Os resultados clínicos foram satisfatórios e selecionados os doze animais mais aptos para a soltura (sete fêmeas e cinco machos). Os machos são o Terra Nova, Otinga, Piraporã, Manicoré e #183 (ainda sem nome); e as fêmeas Ayara, Poraquequara, Janã, Jaci, Maná, Anibá e Urucará.

Conforme Souza, os animais estão em boas condições de saúde, com peso e tamanho adequados. “Dos 12 animais, cinco receberão os cintos transmissores para monitoramento pós-soltura”, destaca o biólogo ao acrescentar que os outros sete serão soltos diretamente na natureza e não serão monitorados em razão de 100% de sucesso na adaptação dos outros indivíduos que já foram reintroduzidos.

Foto: Luciete Pedrosa/Acervo Inpa

A operação

A equipe sairá da sede do Inpa, em Manaus, na madrugada da sexta-feira (22) e deverá chegar ao amanhecer no lago do semicativeiro, em Manacapuru. Lá, os doze peixes-bois selecionados deverão ser recapturados e retirados do lago um a um e transportados de caminhão até o barco, numa distância de 500 metros.

O barco, ancorado as margens do rio Solimões, estará equipado com três piscinas de fibra para acondicionar os animais durante a viagem, que deverá durar 15 horas até a Reserva Piagaçu-Purus, localizada entre os interflúvios Purus-Madeira e Purus-Juruá.

Durante a viagem, os animais serão monitorados em tempo integral pela equipe do Laboratório de Mamíferos Aquáticos (LMA/Inpa), para avaliar o comportamento dos animais, verificar a frequência respiratória e troca de água das piscinas.

A chegada dos peixes-bois na Reserva está prevista para a manhã sábado (23), quando haverá uma atividade de educação ambiental com os moradores das comunidades da reserva para conscientizar sobre a importância da preservação do peixe-boi.  À tarde do mesmo dia, a expedição segue para o local de soltura, um lago de várzea na RDS Piagaçu-Purus.

Serão soltos na natureza oito animais no primeiro dia, e outros quatro no segundo dia, e iniciado o monitoramento por radiotelemetria. Após o encerramento das atividades, previsto para a tarde do dia 24 de março (domingo), a equipe retorna para a capital devendo chegar na manhã seguinte (25).
 

Unama realiza maior soltura de peixes-bois com rádios transmissores, no Pará

O Zoológico da Universidade da Amazônia (ZOOUNAMA) fará a soltura de quatro peixes-bois, no dia 14 de março, no Porto Marques Pinto, em Santarém. É a primeira vez que os mamíferos serão monitorados por um rádio transmissor nas águas dos rios Tapajós e Amazonas.

Os animais estão localizados na base flutuante do “Projeto Peixe–boi”, que tem sido referência no município de Santarém com mamíferos ameaçados pela caça ilegal nos rios Tapajós e Amazonas, na comunidade Igarapé do Costa.

Todos os animais mantidos pelo projeto são chamados pelo nome, recebem um tratamento especial e ficam em piscinas artificiais adequadas ao tratamento de reabilitação. Além de receberem acompanhamento de biólogos, veterinários e tratadores de animais.

Foto: Divulgação

Os peixes-boi chegaram no projeto ainda filhotes, quando passaram pela 1° fase do processo de reabilitação nas piscinas do zoológico. Concluída esta etapa, eles foram transferidos para a 2° fase, em uma base flutuante de 100m² no rio. Neste período, os animais puderam apreciar águas naturais e correntes. Agora, na 3° fase, serão soltos em seu habitat, sem limitações de espaço.

Segundo Jairo Moura, médico veterinário do ZOOUNAMA, o processo é feito de forma gradual e com acompanhamento técnico. Quando filhotes, os animais recebem, diariamente, uma dieta láctea sem lactose, acrescida de suplemento vitamínico, óleo de canola e óleo mineral, além de atendimento especializado quando a ocasião exige.

“Paulatinamente, é feita a substituição da dieta láctea sem lactose pela com lactose, após constatação de que o animal tolera este dissacarídeo. Gradativamente, a inclusão de macrófitas aquáticas – plantas aquáticas - é efetuada nos itens alimentares até a retirada total da dieta láctea, possibilitando a ida do espécime para a base flutuante, situada em um lago de uma comunidade próxima a Santarém”, frisa Moura.

No rio, os animais têm contato com a água corrente, enquanto nas piscinas é água de poço. A aclimatação natural faz com que haja alterações comportamentais quando comparadas aos animais que estão em recuperação nas piscinas. Os mamíferos ficam aproximadamente três anos na aclimatação e depois seguem para a base do rio.

Jairo também ressalta que, hoje, o projeto ainda conta com dez animais na aclimatação e que passarão por coletas de sangue para avalição do perfil sanitário. “Com os rádios transmissores, nós, do zoológico, faremos o acompanhamento e observaremos o comportamento no habitat natural dos mamíferos”, explica.

Os animais variam de 5 a 10 anos e pesam, em média, 115 quilos.

Ao longo de seus dez anos, o Zoológico da Universidade da Amazônia (ZOOUNAMA) tem desenvolvido trabalhos agregados à iniciação científica, reabilitação de animais e educação ambiental no município de Santarém, Oeste do Pará. A soltura será realizada pela equipe do Zoológico, do Instituto Chico Mendes (ICMBio), do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama) e da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma).

Peixe-boi da Amazônia

O peixe-boi de água doce tem o nome científico de Trichechus inunguis, é endêmico da bacia amazônica e encontra-se na lista dos animais brasileiros ameaçados de extinção. Mesmo protegido por lei, a caça a este animal ainda acontece principalmente com as fêmeas lactantes. Historicamente, a partir do século XVI, esse mamífero aquático foi caçado indiscriminadamente para obtenção da carne e a utilização do couro que é, pelo menos, seis vezes mais resistente que o couro de um bovino.

Uma das descrições mais antigas acerca do peixe-boi da Amazônia foi efetuada pelo Padre José de Anchieta, em 1560, na qual relaciona características particulares entre o peixe-boi de água doce e de água salgada. A carne deste animal foi muito apreciada pelos primeiros viajantes, naturalistas, pelos índios e pelos colonizadores. Além da carne, seu couro, seus ossos e sua banha tiveram durante quase dois séculos preços excelentes e com uma reputação considerada tanto como produto para iluminação, como para alimento, ou ainda como material para fazer objetos que necessitassem de resistência maior que a da sola.

Morfologicamente, difere do peixe-boi de água salgada Trichechus manatus, quanto à cor, peso e tamanho. Enquanto o de água doce tem a coloração escura, pode pesar até 450 kg e medir até 2,5 metros de comprimento, o de água salgada possui a coloração cinza, pesando 700 kg e medindo até 4,5 metros. Outra particularidade é que somente o de água salgada tem unhas nas nadadeiras e a maioria dos espécimes de água doce apresenta uma característica exclusiva na região ventral que é uma mancha branca ou rosa com formato diferenciado, o que facilita a identificação individual.
 

Centenas de filhotes de tartarugas saem dos ninhos rumo às águas do rio Solimões

A temporada de nascimento de tartarugas na praia do Horizonte, no Amazonas, teve uma taxa geral de ninhos e nascimentos, neste ano, superior às últimas contagens registradas no local. Entre o final de novembro e o começo deste mês, centenas de filhotes das espécies tracajá, iaçá e tartaruga-da-amazônia saíram dos ninhos rumo às águas do Rio Solimões.

O Instituto Mamirauá, em parceria com moradores locais, realiza anualmente o monitoramento e a soltura dos quelônios. “Até o momento, registramos um aumento expressivo no número de ninhos, em especial de tartarugas-da-amazônia e de tracajás, comparado a anos anteriores”, disse a pesquisadora do Instituto Mamirauá, Marina Secco.
Foto: Marina Secco/Instituto Mamirauá
 Marina cita como exemplo os ninhos de tracajá, que, em 2016, foram contabilizados em um total de 15. Neste ano, já foram registrados 43 ninhos da mesma espécie. “Isso não quer dizer necessariamente que o número de animais está aumentando, é possível que as condições do rio e da praia tenham favorecido essas espécies a desovarem mais”, explicou.

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O ano de 2018 foi atípico nessa porção da Amazônia, onde o regime de cheias e secas do Rio Solimões dita mudanças drásticas no ambiente. A pesquisadora, que faz parte do Programa de Pesquisa em Manejo e Conservação de Quelônios do Instituto, conta que quando o rio deveria estar secando mais rápido, entre agosto e setembro, ele ainda cheio, e a seca aconteceu de repente.

Por conta disso, conforme a pesquisadora, esse ano não houve muitas desovas de iaçás, visto que o tempo que elas tiveram foi curto. “As tartarugas-da-amazônia, por outro lado, começaram a desovar mais cedo e acabaram mais tarde. Inclusive ainda está ocorrendo a desova delas, o que não deveria acontecer", contou. "Vimos muitos ninhos predados de tracajás. Particularmente uma área da praia perto do poço, onde as pessoas entram muito clandestinamente pra pegar os bichos. Todos os ninhos foram predados e a maioria era de tracajá".
 
Foto: Marina Secco/Instituto Mamirauá 
De olho nos filhotes de tartarugas

Desde o mês de julho, a praia é monitorada continuamente. Em agosto, tem início a reprodução de tartarugas. Pesquisadores e comunitários se alternam na tarefa diária de percorrer a faixa arenosa de atuais nove quilômetros de extensão à procura de pontos de desova. Feita a identificação, placas de metal são enterradas na areia próximo aos ninhos, para facilitar futuras localizações (que são feitas com o auxílio de detectores de metais).

De acordo com o período de eclosão dos ovos de cada espécie (um filhote de iaçá, por exemplo, leva cerca de 60 dias para sair do ninho), a equipe volta aos ninhos e monta telas de proteção em volta deles. Revisões cotidianas são realizadas em cada ninho até o nascimento dos jovens quelônios.

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“Quando os filhotes nascem, a tela é retirada, e contamos o número de tartarugas por ninho. Também são medidas a profundidade e a distância de cada ninho até à água, além de coletas de amostras de areia, que serão comparadas com outras amostras de pontos de não desova, para analisar diferenças estruturais que podem indicar a preferência dos quelônios na reprodução”, explicou Mariana.

Antes de serem soltos, os filhotes também são medidos, fotografados e passam por testes de mobilidade no Flutuante Horizonte, base de pesquisa do Instituto Mamirauá na região. Enfim, chega o momento da soltura, que reúne parte dos habitantes da comunidade Horizonte, vizinha à praia. “Quando tem bastante filhotinho, como está sendo em 2018, convidamos as crianças da comunidade para ajudar na soltura também, elas adoram”, disse.

Veja abaixo imagens da soltura, feitas pelo Instituto Mamirauá:
 


Conservação de quelônios na Amazônia

O Programa de Pesquisa em Conservação e Manejo de Quelônios do Instituto Mamirauá desenvolve pesquisas sobre a biologia e ecologia de quelônios amazônicos na região do médio rio Solimões, focando principalmente em três espécies: a tartaruga-da-Amazônia, o tracajá e a iaçá. O programa trabalha também com a participação das comunidades tradicionais na conservação dessas espécies que são consideradas ameaçadas de extinção.

O Instituto Mamirauá é uma unidade do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). As ações para conservação de quelônios feitas pelo instituto também contam com recursos da Disney Conservation Fund e da Rufford Foundation.

Toffoli derruba decisão que mandou soltar presos em 2ª instância; defesa de Lula recorre

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli, suspendeu ainda na noite desta quarta-feira (20) a decisão do ministro Marco Aurélio que determinou a soltura de todos os presos que tiveram a condenação confirmada pela segunda instância da Justiça.

O ministro Toffoli atendeu a um pedido de suspensão liminar feito pela procuradora-geral da República, Raquel Dodge.

Com a decisão, a liminar (decisão provisória) de Toffoli terá validade até o dia 10 de abril de 2019, quando o plenário do STF deve julgar novamente a questão da validade da prisão após o fim dos recursos na segunda instância. O julgamento foi marcado antes da decisão de quarta-feira (19) do ministro Marco Aurélio. 
Foto: Divulgação/STF

Ao justificar a suspensão da decisão, Toffoli disse que Marco Aurélio contrariou "decisão soberana" do plenário que, em 2016, autorizou a prisão após segunda instância. "A decisão já tomada pela maioria dos membros da Corte deve ser prestigiada pela presidência", decidiu Toffoli.

O entendimento atual do Supremo permite a prisão após condenação em segunda instância, mesmo que ainda seja possível recorrer a instâncias superiores. Essa compreensão foi estabelecida em 2016 de modo provisório, com apertado placar de 6 a 5. Na ocasião, foi modificada jurisprudência que vinha sendo adotada desde 2009.

O assunto voltará ao plenário da Corte, em 2019, quando os ministros irão analisar o mérito da questão.

O que a OAB diz?

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cláudio Lamacchia, defendeu nesta quarta-feira (19) que o Supremo Tribunal Federal (STF) decida, de forma definitiva, sobre os condenados em segunda instância. Para ele, a decisão definitiva dará segurança jurídica e esclarecerá situações envolvendo casos penais.

“A OAB defende há muito tempo que o Supremo dê, em nome da segurança jurídica, uma posição definidamente sobre a questão da presunção de inocência”, afirmou Lamacchia em áudio divulgado por sua assessoria.

Para a OAB, a definição do Supremo contribuirá na agilidade processual, para combater a corrução e a impunidade.

“É fundamental que a Constituição seja cumprida e de extrema importância que o STF resolva esta questão o quanto o antes, de modo que o sistema de Justiça tenha um norte para atuar nos casos penais, também com isso se combatendo a impunidade e a corrupção a partir de regras claras e celeridade processual.”

A reação de Lamacchia ocorre no momento em que o ministro Marco Aurélio Mello, do STF, determinou a soltura dos condenados em segunda instância. A decisão gerou diferentes reações entre os políticos. 

Leia Mais: Ministro do STF determina soltura de condenados em 2ª instância, incluindo Lula 

Defesa Lula

A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que a decisão que determinou a soltura de todos os presos condenados em segunda instância da Justiça seja aplicada.  
Foto: Divulgação/Agência Brasil

A petição foi protocolada após a liminar do presidente do Supremo, Dias Toffoli, que suspendeu a decisão de Marco Aurélio, relator do caso, que autorizou as solturas. Em razão do período de recesso na Corte, o pedido também será analisado pelo presidente. 

Segundo os advogados, a liminar não poderia ter sido revogada. "Em razão do descabimento de suspensão liminar em ações de abstrato de constitucionalidade, conforme inúmeros precedentes da Corte, requer-se seja reafirmada a competência de Vossa Excelência, eminente Relator da ADC nº 54/DF, para analisar o pedido de alvará de soltura do Peticionário [Lula]", diz a defesa.

Mais cedo, a juíza federal Carolina Lebbos, da 12ª Vara Federal em Curitiba, pediu parecer do Ministério Público Federal (MPF) e adiou decisão sobre outro pedido de liberdade feito pela defesa de Lula com base na decisão de Marco Aurélio.

Soltura de peixes-bois no Peru vai contar com pesquisadora de Mamirauá

A pesquisadora do Instituto Mamirauá, Miriam Marmontel, em atividade de monitoramento de peixes-bois. Foto:Amanda Lelis/Instituto Mamirauá
No próximo sábado (25), a equipe do Rainforest Awareness Rescue Education Center (RAREC), devolverá às águas nos arredores de Iquitos, Peru, três peixes-bois amazônicos adultos: Marvino, Daniel e Bui. A pesquisadora do Instituto Mamirauá, Miriam Marmontel, é especialista em reabilitação e soltura desses mamíferos aquáticos e está desde o início da semana na região junto à equipe, prestando consultoria para o grande dia.

A oceanógrafa Miriam Marmontel também vem prestando assessoria à reabilitação dos peixes-bois nos últimos meses, na orientação sobre os cuidados necessários para que os animais estejam em plena forma para retornarem ao habitat natural. Em Iquitos, onde a RAREC construiu sua sede de operações de resgate e educação ambiental, a pesquisadora está acompanhando a condução dos protocolos de transporte e vai assistir no treinamento para as comunidades que ajudarão na soltura.

Resgate, reabilitação e soltura

Marvino, Daniel e Bui, nomes dados ao trio de peixes-bois, foram resgatados em 2016 pela RAREC, alguns deles em zoológicos privados, longe das condições ideais de vida. Os animais foram transportados para a sede da organização, onde têm recebido tratamento de veterinários e biólogos desde então, em um processo de reabilitação que chegará ao fim no próximo sábado, com a “volta à casa”.

Depois de receber autorização do governo do país, a soltura dos três peixes-bois será feita em uma área protegida da Amazônia Peruana, próxima a cidade de Iquitos. Depois começa o processo de monitorar os mamíferos em natureza, acompanhando os primeiros passos no habitat.

“A RAREC também tem três indivíduos jovens, ainda em reabilitação, que também irei orientar no processo de reabilitação”, conta a pesquisadora Miriam Marmontel.

Instituto Mamirauá: experiência em cuidados de peixes-bois

No Instituto Mamirauá, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), Miriam Marmontel atualmente é líder do Grupo de Pesquisa em Mamíferos Aquáticos Amazônicos. Tem vasta experiência no estudo da biologia, ecologia e estratégias de conservação dos peixes-bois amazônicos. Durante anos, conduziu o Centro de Reabilitação de Peixe-Boi Amazônico, na Reserva Amanã, Amazonas, para tratamento de animais resgatados em situação de risco e posterior soltura em natureza.

Atualmente, a equipe de pesquisa do Instituto Mamirauá também faz o monitoramento dos peixes-bois reabilitados por sinais enviados por colares telemétricos ajustados no corpo dos animais, momentos antes das solturas. A tecnologia ajuda a analisar e entender padrões de deslocamento, alimentação e comportamento dos peixes-bois

Sobre a RAREC

A Rainforest Awaranesse Rescue Education Center é uma associação cujo foco é o resgate de animais em risco de espécies ameaçadas na bacia amazônica e educação ambiental. Sediada no Peru, a RAREC centra esforços na conservação dos peixes-bois amazônicos. As ações de resgate, reabilitação e soltura de peixes-bois no Peru são financiadas pela organização internacional Save The Manatee.

Para saber mais, acesse o site https://amazonmanateerescue.com

Peixes-bois iniciam readaptação no lago do semicativeiro em Manacapuru, no AM

Foto:Reprodução/Inpa
Quatro peixes-bois machos, de um total de 12 animais, foram levados, na madrugada desta terça-feira (15), dos tanques do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC) para um lago, próximo a Manacapuru (a 68 quilômetros de Manaus). A translocação dos animais prossegue nesta quarta-feira (16), quando serão levadas quatro fêmeas, e na quinta-feira (17), mais um macho e três fêmeas. O trabalho visa garantir a readaptação gradual à natureza para que no futuro possam ser devolvidos novamente aos rios da Amazônia.

Com idades que variam de três a sete anos e pesando cerca de 150 quilos cada, os quatro peixes-bois (Rudá, Itacoati, Orebe e Gurupá) foram embarcados num caminhão-baú devidamente adaptados com colchões de espuma, previamente molhados, onde foram acomodados para seguirem viagem até um lago na Fazenda Seringal, 25 de Dezembro, que funciona como semicativeiro. A operação mobilizou dez colaboradores, entre pesquisadores, veterinário, biólogos, tratadores e técnicos do Laboratório de Mamíferos Aquáticos (LMA/Inpa), que se revezaram por duas horas de viagem para avaliar o comportamento e manter a hidratação dos animais.

A atividade faz parte da quinta edição do Programa de Reintrodução de Peixes-bois da Amazônia, coordenado pela pesquisadora Vera Silva, líder do LMA/Inpa. Conta com o apoio do Projeto Museu na Floresta, uma pareceria do Inpa com a Universidade de Kyoto, no Japão.

“Como os animais foram criados em tanques de fibras e alimentados artificialmente, este estágio de semicativeiro permitirá que os animais se familiarizem com o ambiente natural e busquem seu próprio alimento”, explica Silva. “E dessa forma, terão uma ideia do que vão encontrar na natureza quando forem soltos definitivamente”, acrescenta a pesquisadora.

O responsável pelo Programa de Reintrodução de Peixes-bois da Amazônia, o biólogo e mestre em Biologia de Água Doce e Pesca Interior pelo Inpa, Diogo Souza, explica que a etapa de semicativeiro favorece a readaptação à natureza dos animais, já que o lago oferece as condições naturais dos rios da Amazônia. “O lago é paralelo ao rio Solimões e sofre influência desse rio”, explica. “Por mais que seja um lago de piscicultura, fechado, as águas do rio se conectam com o lago trazendo um aporte de nutrientes com o aumento de ofertas de plantas”, acrescenta Souza.

Com a translocação dos 12 animais para o semicativeiro, o número de peixes-bois que estão em processo de readaptação à natureza sobe de 10 para 22. O lago está situado na Fazenda Seringal 25 de Dezembro, na altura do quilômetro 74, na área rural de Manacapuru, no ramal do Lago do Calado. No local, os peixes-bois têm a oportunidade, ainda, de entrar em contato com outras espécies de peixes, quelônios e plantas e explorar a lama do lago à procura de alimento.
Foto:Reprodução/Inpa
Readaptação

O Inpa recebe de oito a dez filhotes resgatados por ano e tem um plantel atual de 64 animais, a maioria com potencial de ser devolvido para a natureza. “O sucesso do projeto permitiu que mais animais sejam levados para o semicativeiro. E com os resultados positivos obtidos nos últimos dois anos, nada mais justo acelerar o processo”, comemora Diogo Souza.

O projeto de reintrodução dos animais teve um grande sucesso após a inclusão dessa fase intermediária do semicativeiro. Agora, o processo que inicia com o resgate, passa pela reabilitação, chega à fase do semicativeiro até a soltura definitiva do animal na natureza.
Foto:Reprodução/Inpa
Até o momento, foram realizadas seis translocações de peixe-boi do Inpa para o semicativeiro.  Anteriormente, a cada ano, eram levados de três a cinco animais. “Este ano resolvemos aumentar este número de indivíduos translocados porque as informações científicas dão conta que as etapas têm tido sucesso”, diz Souza. “Tanto é que os animais na etapa de semicativeiro têm aumentado de tamanho e crescido de comprimento, assim como também na readaptação deles na natureza, por isso essa necessidade de acelerar as etapas para que mais animais sejam devolvidos à natureza”, destaca.

Souza explica que, pelo Protocolo de Reintrodução, os animais com mais de 15 anos não são aptos para voltarem à natureza, ao contrário dos indivíduos jovens que têm mais chance de terem sucesso de readaptação  por terem passado menos tempo no cativeiro.

Reintrodução

Desde 2008 até agora já foram devolvidos para a natureza 12 animais. No início, as reintroduções eram feitas diretamente do cativeiro para o ambiente natural, mas os resultados não foram satisfatórios, pois os animais tiveram dificuldades de se readaptarem à natureza.

Em 2011, a nova etapa de semicativeiro foi adotada com a escolha de um lago de piscicultura de 13 hectares de extensão (equivalente à área do Bosque da Ciência do Inpa, em Manaus/AM) e profundidade média de 2 metros, considerados ideais para a readaptação dos animais ao ambiente natural.

Os animais que vivem no cativeiro em média oito anos são selecionados para a etapa de translocação para o semicativeiro, onde permanecem de um a três anos. Lá, são acompanhados semanalmente pela equipe do LMA que avalia o processo de readaptação e as condições dos animais. Os mais aptos são fortes candidatos para serem devolvidos à natureza.

Soltura

As solturas, nos últimos dois anos, foram feitas na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Piagaçu-Purus, no baixo rio Purus, no município de Beruri (a 173 quilômetros de Manaus), e  os nove peixes-bois reintroduzidos tiveram sucesso. A próxima soltura (a terceira edição) está prevista para o início de 2018.

“Soltamos quatro animais em 2016 e mais cinco neste ano de 2017 e todos têm sobrevivido e se adaptado ao ambiente natural, explorando os habitat específicos para peixe-boi. O principal é que conseguiram passar um pulso de inundação completa e isto é um indicador muito forte para se adaptar à natureza”, diz o responsável pela reintrodução.

Ele conta que os peixes-bois que foram soltos no ano passado completaram 550 dias de reintrodução na natureza e os que foram soltos esse ano já faz 120 dias, e são acompanhados diariamente por ex-caçadores, comunitários da reserva, e o resultado tem sido excepcional.*Deixe o Portal Amazônia com a sua cara. Clique aqui e participe.

Inpa prepara soltura de 12 peixes-bois em Manacapuru

Após viverem cerca de seis anos no cativeiro, doze peixes-bois jovens e adultos serão levados do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC) para um lago, no semi-cativeiro, em Manacapuru (a 68 quilômetros de Manaus) para futuramente serem soltos na natureza. A translocação dos animais, sendo sete fêmeas e cinco machos, terá início na madrugada da próxima terça-feira (15) e prosseguirá na quarta e quinta-feira (16 e 17), quando serão levados quatro animais por dia.
Foto:Divulgação/Inpa
Prevista para iniciar por volta das 3h30 da manhã, a ação envolverá cerca de 10 colaboradores, entre pesquisadores, veterinários, tratadores e técnicos do Laboratório de Mamíferos Aquáticos (LMA/Inpa). A saída para Manacapuru, via terrestre, será às 5h da manhã e o retorno está previsto para às 12h do mesmo dia.

A atividade faz parte do Programa de Reintrodução de Peixes-bois da Amazônia, coordenado pela pesquisadora do Inpa, Vera Silva, líder do LMA, e conta com o apoio do Projeto Museu na Floresta, uma parceria entre o Inpa e a Universidade Kyoto, do Japão.

Segundo o responsável pelo Programa, o biólogo e mestre em Biologia de Água Doce e Pesca Interior pelo Inpa, Diogo Souza, as ações tiveram início em 2008 e até agora já foram devolvidos para a natureza 12 animais. Souza conta que no início a reintrodução era feita diretamente do cativeiro para o ambiente natural, mas percebeu-se com os resultados iniciais que os animais tiveram dificuldades de se readaptarem à natureza.

“Desde 2011 implementamos uma nova etapa, chamada de semi-cativeiro, em Manacapuru”, diz o biólogo. “É um lago semi-natural de piscicultura com 13 hectares de extensão (equivalente à área do Bosque da Ciência do Inpa, em Manaus) e profundidade média de 2 metros, que detém as condições ideais para a readaptação gradual dos animais ao ambiente natural”, destaca.

Segundo o biólogo, nesta fase intermediária, os animais podem se alimentar sozinhos e terem a oportunidade de manter contato com outros peixes-bois, já que chegam ao Inpa ainda filhotes. “Este é um grande problema, pois eles chegam aqui, no Instituto, filhotes e muito debilitados após serem resgatados da caça ilegal”, diz Souza.

Na opinião do responsável pelo Programa de Reintrodução de Peixes-bois da Amazônia, esta é a fase mais crucial para a sobrevivência dos animais - a do berçário. “Mas depois que passam dessa fase, se o animal tem sucesso na reabilitação, permanece no cativeiro por um período de até 6 anos”, diz Souza.

Após serem selecionados no cativeiro é feita a etapa de translocação para o semi-cativeiro, onde permanecem por pelo menos um ano. Lá, são feitas capturas anuais, geralmente, em outubro, para avaliar as condições físicas dos indivíduos. A partir daí, os mais aptos são selecionados para serem devolvidos à natureza.*Deixe o Portal Amazônia com a sua cara. Clique aqui e participe.

Inpa e a Ampa farão nova soltura de peixes-bois do semi-cativeiro no Amazonas

Cinco dos quinze peixes-bois que vivem no semi-cativeiro, em Manacapuru (a 68 km de Manaus), dois jovens machos e três fêmeas, serão soltos na próxima quarta-feira (5), na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Piagaçu-Purus, em Beruri (a 173 km de Manaus, no Amazonas). A ação é realizada pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e a Associação Amigos do Peixe-Boi (Ampa), após o sucesso da primeira soltura dos peixes-bois à natureza, há um ano. A expedição retornará no sábado (8).
Cinco peixes-bois serão soltos na nova expedição. Foto: Divulgação/Inpa
O retorno dos peixes-bois para natureza é fruto de um trabalho de mais de quatro décadas de pesquisadores do Laboratório de Mamíferos Aquáticos (LMA). Os estudiosos aumentaram o conhecimento sobre a biologia dessa espécie endêmica da Amazônia e desenvolveram técnicas para tentar conservá-la.

Para fechar o ciclo (resgate, reabilitação e soltura), a reintrodução desse animal foi um desafio enfrentado pelos cientistas com a ajuda da Ampa, organização criada para fomentar as atividades para a preservação dos mamíferos aquáticos da região.

Os peixes-bois chegaram filhotes ao Inpa, todos vítimas da caça ilegal e captura em redes. Em 2008 e 2009, ocorreram as primeiras tentativas de reintrodução com a soltura de quatro machos adultos. Nestas primeiras tentativas, os animais tiveram dificuldades de readaptação à natureza. Nos anos seguintes, o Programa de Reintrodução de Peixes-bois da Amazônia sofreu mudanças e criou-se uma importante etapa de semi-cativeiro, em um lago fechado de 13 hectares.

“Por se tratar de um projeto de longo prazo, as experiências e resultados acumulados até o momento são extremamente importantes para traçar as diretrizes de manejo e conservação dessa espécie vulnerável e endêmica da Amazônia”, diz Diogo Souza, biólogo e colaborador da Ampa. “A fase de pré-soltura (semi-cativeiro) revelou-se como requisito fundamental para auxiliar a readaptação gradual de peixes-bois da Amazônia criados em cativeiro às condições dos rios amazônicos”, acrescenta o biólogo.

Em 2016, quatro animais, que passaram por este ambiente, foram reintroduzidos na natureza, na RDS Piagaçu-Purus, em Beruri. Um ano após a soltura, os animais encontram-se adaptados a natureza, explorando os principais ambientes usados por peixes-bois selvagens.

Um dos cinco peixes-bois que serão soltos é a fêmea Anori. Ela chegou ao Inpa, em 2004, com cerca de dois meses de vida, vindo do município de Anori (distante da capital do Amazonas 195 quilômetros). Foi encontrada sozinha, magra e com alguns ferimentos superficiais, mas logo aceitou a mamadeira e todas as condições do cativeiro, reabilitando-se com sucesso.

Em 2012, Anori foi selecionada como uma das candidatas aptas para retornar à vida livre e por isso foi transferida para o semi-cativeiro, em Manacapuru. Hoje, está saudável e pronta para retornar à natureza. Segundo o biólogo, as atividades de reintrodução de espécies ameaçadas são complexas e necessitam de enorme esforço para que os animais obtenham o sucesso após o retorno para o ambiente natural.

“É esperado que a sociedade garanta a preservação do peixe-boi da Amazônia para que as próximas gerações desfrutem de um meio ambiente saudável e equilibrado, respeitando todas as formas de vida”, diz. “Estamos felizes por proporcionar a Anori e aos demais peixes-bois essa experiência. Ela lutou pela sobrevivência e merece voltar a viver livre nos rios da Amazônia", reflete Souza.

Projeto Pé-de-Pincha realiza soltura de quelônios em Careiro Castanho, no Amazonas

O projeto Pé-de-Pincha realiza na próxima terça-feira (7), uma cerimônia de soltura de quelônios na comunidade Santo Antônio, localizada do Ramal do Mamori (km 64, da BR-319), que pertence ao município do Careiro Castanho (a 88 km em linha reta de Manaus).
Crianças são ensinadas sobre a importância dos animais para o meio ambiente. Foto: Pedro Moraes/Ipaam
Durante o evento, que ocorrerá de 8h às 17h, o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) irá promover diversas atividades aos participantes, entre elas, a oficina de leitura na Biblioteca Móvel Juscelino Batista. O acervo, que contém cerca de 600 títulos com variados temas sobre o meio ambiente e preservação, estará disponível para leitura.

Os técnicos da Gerência de Educação Ambiental do Ipaam estarão presentes para levar informações à comunidade sobre o risco das queimadas na área rural e sobre a importância da gestão de resíduos sólidos para o meio ambiente.

O Projeto Pé-de-Pincha é um programa de extensão da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) que ajuda as populações tradicionais na conservação de quelônios ameaçados pela caça predatória. O número de quelônios a ser solto nesta ação não foi informado. 

Mato Grosso resgata 1,4 mil animais silvestres em 2 anos

Em dois anos a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), em parceria com o Batalhão de Polícia Militar de Proteção Ambiental (BPMPA), resgatou 1.420 animais silvestres em Mato Grosso. Desse total, 151 estão no centro de triagem da sede do Batalhão, em Várzea Grande, outros 1.075 foram soltos na natureza, 49 destinados para criadouros ou guarda provisória e cerca de 140 vieram a óbito.  

O médico veterinário da Coordenadoria de Fauna e Recursos Pesqueiros da Sema, Christiano Justino, explica que a maioria dos animais resgatados foi vítima de atropelamento na beira da estrada, invadiu alguma área particular ou estava convivendo ilegalmente na propriedade de alguém.

Foto: Reprodução/Ascom

Assim que é resgatado, se ele estiver com alguma fratura ou debilitado o animal passa por uma avaliação clínica no Hospital Veterinário da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) ou no Centro Universitário de Cuiabá (Unic). Caso os animais estejam aptos para voltar à natureza são soltos, mas se eles estiverem domesticados ou com alguma deficiência física que os impossibilitem de serem reintroduzidos no habitat natural tem que ser mantido no centro de triagem da Sema e disponibilizado para guarda provisória ou enviados para criadouros.

Por enquanto, a Sema não possui um Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (CRAS), por isso alguns são encaminhados para instituições com uma metodologia de criadouro conservacionista, em que o animal passa por um processo de reintrodução na natureza ou para fins de reprodução. “Muitos bichos não possuem mais as habilidades de um animal silvestre. São dóceis e precisam desenvolver seu sistema de caça e defesa para viver conforme sua espécie. Essas instituições têm essa finalidade”.

Este ano, 11 animais foram encaminhados para instituições parceiras: dois gatos mouriscos, dois veados catingueiros, dois tamanduá bandeiras, um gavião de penacho, uma anta, uma jaguatirica e duas onças (parda e pintada). Entre as instituições parceiras estão o Refugio Biológico Bela Vista e os institutos Mata Ciliar e Onça-Pintada (IOP).

Para o gerente de fauna da coordenadoria, o biólogo e sargento da PM Joelson do Nascimento de Paula, o trabalho da Sema e do batalhão ao longo desses dois anos tem sido positivo, principalmente para os animais. “As duas instituições exercem o mesmo papel e a partir do momento que elas trabalham em parceria o serviço têm mais qualidade, trazendo benefícios ao meio ambiente que fica mais equilibrado”.

Guarda provisória

A destinação de animais silvestres para guarda provisória atende à Resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) n° 457/2013 que estabelece critérios a serem seguidos. No momento a Sema não possui animais disponíveis para guarda. Um novo levantamento deve ser realizado pela Sema a partir da segunda semana do mês de janeiro para atualizar a condição dos animais.

Christiano explica que os técnicos entrarão em todos os recintos para identificar a situação dos animais e assim avaliar a condição física, se há aqueles em processo de recuperação ou mesmo aptos. Assim que o levantamento for finalizado o número de animais disponíveis pra guarda será informado.


Foto: Reprodução/Ascom

“Qualquer pessoa pode ser um guardiã desde que não esteja cumprindo pena de restrição de direitos relacionados a crimes ambientais. Só podem solicitar a guarda moradores de Mato Grosso”. Clique aqui para saber mais informações sobre guarda provisória.

Uma novidade para 2017 é que a coordenadoria está estudando uma maneira de descentralizar este serviço de forma que, além da sede, as regionais da Sema também tenham autonomia para conceder termos de guarda. “Assim o processo fica mais ágil, pois pessoas de outros municípios poderão entrar em contato com a regional da Secretaria mais próxima para solicitar a guarda de um animal impossibilitado de ser solto”.

Soltura assistida

Além dos serviços de resgate e soltura imediata à natureza, a Sema passou a realizar este ano a soltura assistida, em que o animal é monitorado por alguns meses pela equipe do órgão ambiental para ter sua aclimatação no habitat natural avaliada. “Alguns animais precisam se adaptar ao local e reaprender de forma gradativa a conviver na natureza”.

Christiano pontua que esse acompanhamento é feito porque há solturas que não podem ocorrer de maneira abrupta, “sem um preparo o animal pode se tornar presa fácil para outros animais”.

Há quase nove meses, uma anta filhote foi o primeiro animal resgatado pela Sema destinado à soltura assistida, ela foi resgatada em agosto de 2015 em uma fazenda localizada no município de Santa Rita do Trivelato (344 km ao norte de Cuiabá) e foi solta em março de 2016 em uma área de 5 mil m², situada a cerca de 50 km do Parque Nacional de Chapada dos Guimarães, perto do Rio da Casca. Leia mais sobre a soltura da anta filhote neste link. Em novembro foi realizado a soltura assistida de outras duas antas.

Atualmente existem seis áreas para reintrodução de animais. Todas elas foram cedidas voluntariamente sem custo algum ao Estado. “As pessoas se solidarizam com a causa e cedem suas propriedades para realizarmos a soltura assistida. Elas constroem o recinto de acordo com a necessidade do animal”.  

Criar animal silvestre é crime

A Lei Nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, estabelece pena de seis meses de detenção e multa para quem manter em casa animais silvestres sem a devida autorização/licença do órgão competente. A sanção vale também para quem matar, caçar, vender ou transportar estes animais. “Nossa equipe e os parceiros que fiscalizam e trabalham no resgate à fauna no estado estão empenhados em combater os crimes contra os animais”.

Denúncias ou informações

A Sema orienta que quem presenciar atropelamentos ou outras situações, como abandono, por exemplo, tenha cuidado. Alguns animais silvestres oferecem riscos, especialmente quando machucados. Para outras informações ou mesmo em caso de resgate, ligue para o número 190, da Polícia Militar. Em caso de dúvida, entre em contato com a Coordenadoria de Fauna: (65) 3613-7291/ [email protected]