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Domingo, 09 Mai 2021

Causas históricas de naufrágios no olhar dos profissionais da navegação

O barco continua sendo o principal meio de transporte utilizado na Amazônia

Pesquisadores brasileiros e australianos avaliam efeitos do garimpo no rio Madeira

Apesar de ter entrado em declínio a partir de 1985, o garimpo de ouro em minas de aluvião nas margens e leito do rio Madeira tem deixado um rastro de poluição por metais tóxicos no maior afluente do rio Amazonas.

Um estudo feito por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Rio Claro, em parceria com colegas da Queensland University of Technology, da Austrália, encontrou um nível relativamente alto de mercúrio acumulado em sedimentos de lagos do rio Madeira – gerado pela extração artesanal de ouro.

Os resultados do trabalho, apoiado pela FAPESP no âmbito da modalidade São Paulo Researchers in International Collaboration (SPRINT), foram publicados na revista Ecotoxicology and Environmental Safety. O estudo tem a participação de pesquisadores da Universidade Federal de Rondônia (Unir) e da Shenzen University, na China.


“Embora tenha diminuído a intensidade da extração de ouro por mineração artesanal e de pequena escala no rio Madeira nas últimas duas décadas, essa atividade continua a ser a principal fonte de emissão de mercúrio que encontramos em sedimentos de lagos daquela bacia”, disse Daniel Marcos Bonotto, professor da Unesp de Rio Claro e primeiro autor do estudo, à Agência FAPESP.

O projeto é o segundo que Bonotto realiza com apoio do SPRINT da FAPESP. O primeiro foi em 2016, quando ele se associou a Trevor Elliot, professor da Queen’s University Belfast, da Irlanda, em um estudo sobre traçadores ambientais para a gestão de recursos hídricos.

“O SPRINT favorece a mobilidade e a identificação de projetos em colaboração com pesquisadores do exterior, mesmo que ainda não estejam formatados”, disse Bonotto.

Colaborações internacionais

A criação de novas parcerias em pesquisa é justamente um dos objetivos do SPRINT, modalidade que completa cinco anos. Lançada em abril de 2014, com o objetivo de promover o avanço da pesquisa científica por meio de colaborações entre pesquisadores vinculados a universidades e instituições de pesquisa no Estado de São Paulo e cientistas parceiros no exterior em projetos conjuntos de médio e longo prazo, essa estratégia de organização da FAPESP oferece financiamento para a fase inicial de colaborações internacionais em pesquisa – o chamado seed funding (financiamento semente).

“A expectativa da FAPESP é que o seed funding oferecido, somado aos recursos da universidade parceira, permita aos pesquisadores interagir em um projeto e, ao mesmo tempo, desenvolver uma colaboração que leve a uma proposta de pesquisa conjunta de médio ou longo prazo a ser submetida à Fundação e às agências estrangeiras acessíveis pelo pesquisador parceiro”, disse Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP.

Como explicou Marilda Solon Teixeira Bottesi, assessora para colaborações em pesquisa da FAPESP, os objetivos do SPRINT são consolidar parcerias de pesquisa já existentes ou estimular novas colaborações por meio do financiamento de missões científicas.
“Por meio dos projetos apoiados pelo SPRINT, os pesquisadores participantes têm a oportunidade de visitar as instituições e conhecer os laboratórios e as pesquisas conduzidas por seus parceiros e, com isso, propor projetos conjuntos”, disse.

A parceria de Bonotto com pesquisadores australianos, por exemplo, permitiu ampliar a investigação que o grupo dele na Unesp iniciou ainda na década de 1990, quando começaram a coletar sedimentos de diferentes profundidades e rochas circundantes de lagos do rio Madeira, em Porto Velho (RO), a fim de avaliar as concentrações e determinar as fontes de mercúrio.
O metal tóxico, que representa um risco para a saúde ao ser ingerido por meio do consumo de peixes, pode contaminar as águas do Madeira naturalmente ao ser transportado do solo para cursos de água, ou pelas emissões atmosféricas de erupções vulcânicas dos Andes. Além disso, também pode ser gerado pelo garimpo de ouro de aluvião, explicou Bonotto.

“Chegamos a presenciar durante estudos em campo o descarte direto de mercúrio por garimpeiros em lagos do Madeira”, disse Bonotto.

A fim de estimar a contribuição de fontes naturais e do garimpo de ouro de aluvião para as concentrações de mercúrio encontradas em lagos do rio Madeira, os pesquisadores fizeram uma análise dos dados de sedimentos e de rochas de nove lagos, baseada em redes bayesianas.

Esses modelos gráficos, que representam de forma simples as relações de causalidade das variáveis de um sistema, têm sido usados para entender redes ambientais complexas, como para a predição de abundância de espécies em função de características de hábitat.

“Nossos colegas da Austrália, especialistas nessa abordagem estatística, acharam interessante tentar usá-la para avaliar a contribuição das diferentes fontes de emissão de mercúrio em lagos do rio Madeira com base nos dados de sedimentos que coletamos”, afirmou Bonotto.

Os resultados das análises indicaram que, embora as formações geológicas e do solo dos ecossistemas amazônicos influenciem o transporte de mercúrio nos lagos do rio Madeira, o garimpo de ouro de aluvião tem uma grande parcela de contribuição na geração do metal encontrado nessa bacia.

Os pesquisadores constataram que os sedimentos de fundo dos lagos apresentavam concentrações significativamente mais elevadas de mercúrio do que as rochas circundantes – o que afasta a hipótese dessas últimas serem a fonte de emissão do metal.

Uma vez que a mineração de ouro diminuiu significativamente na região nos últimos anos, as emissões anteriores de mercúrio por essa atividade contribuíram para as altas concentrações do metal encontradas nos sedimentos dos lagos, apontaram os autores do estudo.

“Normalmente, os sedimentos de fundo de lagos costumam reter muitas evidências de poluição. As colunas de sedimentos que coletamos, por exemplo, de diferentes profundidades, retêm registros de poluição por mercúrio de vários anos”, disse Bonotto.

Cheia do rio Madeira gera transtornos e prejuízos em estrada que dá acesso à portos de Porto Velho

O rio Madeira continua acima da cota de transbordamento, de 17 metros, deste o último sábado (2), e tem causado transtornos e prejuízos na estrada do Belmont, que dá acesso aos portos da capital Porto Velho, onde a água invadiu casas e já desabrigou famílias ao longo da estrada. Carreteiros que passam pelo local, e moradores reclamam da situação na vida. As informações são do G1 Rondônia. 
Foto: Cássia Firminino/Rede Amazônica

Segundo o coronel Gilvander Gregório, subcomandante do Corpo de Bombeiros, a corporação tem visitado as áreas alagadas pelas cheias em várias regiões do estado, dentre elas a estrada do Belmont, e rotas alternativas tem ajudado a não prejudicar os serviços nos portos.

“Nossa equipe visitou o Cain’água, a região de Candeias do Jamari, Araras, Abunã. Aqui (estrada do Belmont) nós vamos solicitar que seja feito um aterramento com pedras, pois a tendência é que o nível do rio continue subindo e aqui é uma rota importante para os portos e as empresas do estado”, disse. 
Foto: Cássia Firminino/Rede Amazônica

Famílias atingidas

De acordo com a Defesa Civil, cerca de 400 pessoas já foram atingidas pelas cheias, e mais de 10 famílias também seguem desabrigadas, além de outras 28 desalojadas, desde o último sábado (2), quando o rio ultrapassou a cota de transbordamento.

Entre as famílias atingidas está a da dona Terezinha Pereira da Silva, de 35 anos, que permanece na casa, mesmo com o terreno inundado.

“Eu já não estou mais na parte de baixo, já fui lá para cima. E não vou sair porque a escola da minha filha é bem aqui pertinho. Para onde estão levando a gente fica muito longe, e eu estou desempregada e não tenho recurso para ficar indo e vindo. Quando cobrir a parte de cima talvez eu saia. Ontem mesmo nós já matamos cobra, escorpião, aparece um monte de coisa”, disse a dona de casa, lembrando que já recebeu a visita da Defesa Civil e teve alguns móveis removidos do local para o alojamento. 
Foto: Cássia Firminino/Rede Amazônica
A equipe de reportagem tentou contato com o Departamento de Estrada e Rodagens e Transporte (DER) e também com a Secretaria Municipal de Obras (Semob) para saber a previsão do trabalho paliativo na região, mas ainda não teve retorno.

Em Rondônia, cota de inundação do rio Madeira chega ao 5º dia seguido

Afetando mais de 100 famílias, a cota de inundação do rio Madeira chegou, nesta quarta-feira (6), ao 5º dia consecutivo em Porto Velho (RO). Nesta quarta, cinco dias após atingir a cota de transbordamento, o rio Madeira amanheceu registrando 17,27 metros.

O nível de transbordamento do rio, de 17 metros, começou no sábado (2). No domingo (3) o nível chegou aos 17,35 m e a água começou passar por cima da BR-319, próximo da cabeceira da ponte que liga Porto Velho e Humaitá (AM).

Na segunda-feira (4) o nível do rio permaneceu acima dos 17 metros, oscilando entre 17,18 e 17,27 metros. Mesmo com a lâmina de água na pista da BR-319, o tráfego de veículos não foi interrompido.
 
Foto: Pedro Bentes/Rede Amazônica 
A previsão é que o nível do rio deve variar entre 17,20 e 17,40 metros nos próximos dias, segundo previsão do Sistema de Alerta Hidrológico da Bacia do Rio Madeira (SAH Rio Madeira). No distrito de Abunã, provavelmente o nível do rio Madeira irá se elevar.

Famílias afetadas

Mais de 110 famílias já foram afetadas diretamente pela cheia na capital, entre desalojadas e desabrigadas. Para ajudar as famílias atingidas pela cheia do rio, a Legião da Boa Vontade e a Associação Amigos da Leitura iniciou uma ação solidária para arrecadar alimentos, roupas e produtos de higiene pessoal (veja onde entregar).

Quando registrou a cheia histórica, em 2014, o nível do rio Madeira atingiu mais de 19 metros. Milhares de pessoas foram retiradas de casa. Outro ápice do nível do rio foi em 9 de abril de 2007, quando o Madeira chegou a 17,52 metros. Na época, a enchente invadiu bairros, distritos e afetou cerca de 1,6 mil famílias somente em Porto Velho.
 

Com o transbordamento do rio Madeira, mais de 110 famílias estão desabrigadas

O rio Madeira, em Rondônia, continua subindo. A cota de inundação chegou ao 5° dia seguido em Porto Velho. Até o momento, mais de 110 famílias foram afetadas, entre desalojadas e desabrigadas, pela cheia do rio. As informações são do G1 Rondônia.O transbordamento do rio Madeira começou no último sábado (2), quando chegou a 17 metros. Já no domingo (3), o nível esteve em 17,45 metros, quando começou a ultrapassar a BR-319, na altura da ponte que liga Humaitá, no Amazonas, à Porto Velho, em Rondônia.Na segunda-feira (4) o nível do rio continuou acima dos 17 metros, e mesmo com a lâmina de água na BR-319, o tráfego de veículos não foi interrompido.Nesta quarta-feira (6), o rio Madeira amanheceu registrando 17,27 metros, ou seja, continua na cota de transbordamento.Para ajudar as famílias atingidas pela cheia do rio, a Legião da Boa Vontade (LBV) e a Associação Amigos da Leitura iniciou uma ação solidária para arrecadar alimentos, roupas e produtos de higiene pessoal.Doações
- Sede da Legião da Boa Vontade
Endereço: Avenida Farquar, 3470, bairro Pedrinhas
Contato: (69) 3221-0747
- Sede da Associação Amigos da Leitura 
Endereço: Rua Tenreiro Aranha, 1501, apartamento 02
Contato: (69) 9 9300-5209
Previsão
Segundo previsão do Sistema de Alerta Hidrológico da Bacia do Rio Madeira (SAH Rio Madeira), O nível do rio deve variar entre 17,20 e 17,40 metros nos próximos dias.

Nível do rio Machado atinge 11,45 metros e deixa famílias desabrigadas em Rondônia

O nível do rio machado em Ji-Paraná (RO) atingiu o nível de 11,45 metros nesta segunda-feira (18). De acordo com a Defesa Civil, quase 20 famílias estão desabrigadas e desalojadas na Região Central do estado.

“Desde sexta-feira (15) nós estamos fazendo a retirada de famílias. As solicitações estão sendo realizadas através do 193 do Corpo de Bombeiros. Nós estamos em estado de alerta, já que a previsão é do nível continuar subindo”, destacou a coordenadora da Defesa Civil, Meire Zanettin.







Segundo a Secretaria Municipal de Assistência Social (Semas), duas famílias desabrigadas foram encaminhadas durante o final de semana para o abrigo Adão Lamota no segundo distrito do município.

Uma das pessoas encaminhadas ao abrigo falou sobre a cheia do rio. “Eu vim para o abrigo ontem à tarde. Isso é um sofrimento muito grande e não temos sossego. Entrou muita água lá em casa e com isso eu perdi muitas coisas”, destacou a doméstica Franscimar de Lima.

De acordo com informações do G1 Rondônia, essa é segunda vez neste ano que a dona de casa Graciele Patrícia precisou deixar a residência e ir ao abrigo municipal.

“Nós saímos de lá com a água no joelho. Os bombeiros tiveram que retirar as crianças, desta vez a situação foi complicada. Nós estamos tristes porque pelo jeito vamos demorar um pouco para retornarmos para casa”, destacou.

Maiores cheias registradas

De acordo com a Agência Nacional de Águas (Ana), uma das piores marcas foi em fevereiro de 2014, quando o rio atingiu 11,62 metros. Em 1985 o rio registrou 11,55 metros.

Em 2014, 98 famílias ficaram desalojadas e 36 desabrigadas. Na época, os atingidos foram acolhidos no Ginásio de Esportes Gerivaldão.

Rio Madeira atinge nível de alerta e preocupa comunidades de Porto Velho

Comunidades ribeirinhas de Porto Velho, em Rondônia, correm o risco de ficarem isoladas com a subida do Rio Madeira. Depois de atingir o nível de alerta, definido pela Defesa Civil, de 14 metros, algumas estradas já começam a ser afetadas pela água.

O ramal que dá acesso a comunidades como Maravilha 1 e 2 e Niterói está interditado por conta do rio. Para chegar à capital, os moradores precisam enfrentar um desvio de quase 10 quilômetros.

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Nessa quarta-feira (2), o Rio Madeira atingiu o nível de 14,96 e continua subindo. O coordenador da Defesa Civil, Marcos Santos, informou que a situação do ramal foi repassada para a Semulsp, que deve fazer a desobstrução do canal.
 
Foto: Toni Francis/Arquivo/Rede Amazônica 
Santos disse ainda, em entrevista à Rede Amazônica, que a travessia pelo ramal pode colocar a vida dos moradores em risco, visto que pode haver a presença de animais peçonhentos e até jacarés.

Moradores da área contaram que alguns veículos já deixam de passar pelo ramal e alguns utilizam até canoa. Muitos precisam fazer o percurso para chegar à escola, trabalho e hospital, e ficam com a única alternativa de fazer um trajeto duas vezes maior.

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A minuta do decreto de estado de alerta deve ser assinada nos próximos dias, segundo informou o coordenador da Defesa Civil. Desde a semana passada, o órgão intensificou o trabalho com moradores de áreas de risco.

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Dentre as atividades realizadas, uma delas é a de sensibilização dessas pessoas em relação aos perigosos que a cheia do Rio Madeira traz. Dentre as orientações estão:

- evitar contato com a água da enchente, pois pode estar contaminada;

- retirar objetos de valor de casa, como eletrodomésticos e documentos;

- cuidado com animais peçonhentos, aranhas e ratos, principalmente ao movimentar objetos ou se deslocar;

- retirar lixo de casa e dar destino correto a eles, em outras regiões onde não haja previsão de enchente;

- jogar fora medicamentos ou alimentos que tenham tido contato com a água da enchente, para evitar contaminação.

Após construção de hidrelétricas oferta de peixes cai no Madeira

A comunidade pesqueira do Rio Madeira, que integra a bacia Amazônica teve participação decisiva em pesquisa que comprova queda de 39% da produção média anual de pescado, após a construção das hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau. As usinas, que desde 2012 compõem o Sistema Interligado Nacional, alteraram o ciclo hidrológico natural, uma das potenciais causas do sumiço dos peixes no maior rio do mundo em ictiofauna.

A pesquisa desenvolvida pelo doutorando Rangel Eduardo dos Santos, do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), teve seus resultados publicados em artigo na revista americana Fisheries Management and Ecology, com participação de pesquisadores das universidades federais do Amazonas, de São João del-Rei e do Sul da Bahia. A redução da pesca, já prevista pelos próprios pescadores e medida antes e depois do represamento do rio, acarreta prejuízos anuais estimados em mais de R$1,3 milhão.

A colônia Dr. Renato Pereira Gonçalves, ou Z-31, localizada à jusante das usinas, no município de Humaitá, Amazonas, é dividida em 17 pontos de pesca. Rangel Santos, que imergiu na vida da colônia, afirma que foi surpreendido pela riqueza das informações fornecidas pelos pescadores. “Pude constatar que, de domingo a domingo, o produto da pesca é desembarcado em um flutuante ancorado no Rio Madeira, onde um funcionário anota, à mão, a data, o nome popular das espécies e o volume (em quilogramas) dos peixes capturados”, conta.

Segundo ele, cobra-se uma taxa por peso da carga, que segue para comercialização no Mercado Municipal de Humaitá, onde a catalogação é refeita. “Esse processo garante um banco de dados pesqueiro, de mais de 20 anos, na região”, relata. O estudo é embasado pelos inúmeros cadernos preenchidos pelos colonos, somados aos dados anteriores à construção das usinas, fornecidos pelos demais pesquisadores que assinam o artigo. 
Hidrelétrica de Santo Antônio | Foto: Beethoven Delano/Arquivo Pessoal
No período anterior ao represamento (2002-2011), foram capturados, em média, 22,9 mil quilos de pescado por mês. Após a instalação das usinas (2011-2017), o volume caiu para 15 mil quilos. No conjunto analisado, houve redução média anual de 267 mil kg para 163,1 mil kg de peixes.

Somente a instalação das usinas, de acordo com a análise, provocou uma redução imediata de 10% no estoque pesqueiro, sem considerar outros fatores. No artigo, Rangel Santos pondera que é difícil mensurar qual impacto das hidrelétricas é mais danoso ao ecossistema. “Alguns fatores ecológicos são notáveis, como alteração na qualidade da água, turbidez e condutividade, dos quais os peixes dependem para realizar suas funções biológicas”, observa.

Ciclo às avessas

No entanto, na avaliação do pesquisador, a alteração no ciclo hidrológico natural do rio é o fator que mais interfere na qualidade e quantidade do pescado na região, pois é esse processo que regula a concentração dos cardumes e os períodos de migração. “A troca dinâmica e fértil entre o ambiente terrestre e o ecossistema aquático contribui para a riqueza da ictiofauna”, afirma Rangel.

Durante as cheias, o rio inunda as florestas, atraindo os peixes para a fartura de alimentos oferecida pela matéria orgânica submersa. É o momento propício para o desenvolvimento reprodutivo e aquisição de energia para a futura migração. Quando as águas começam a baixar, os peixes, orientados por suas condições abióticas, retornam à calha central do rio. É nesse período que os 1.655 pescadores registrados de Humaitá investem em combustível, gelo e contratam ajudantes para a pescaria, que pode durar até 15 dias.

Entretanto, a vazão do rio, agora controlada pelas usinas para garantia da eficiência energética, tem provocado alteração nesse ciclo. “No período das enchentes, vem ocorrendo diminuição da média mensal da fluviometria, e na vazante, significativo aumento dessa média. Essa alteração está afetando toda a biologia reprodutiva das espécies locais, que, ao perceberem o rio subindo, novamente se dispersam para as florestas alagadas, o que faz o pescador perder em qualidade e quantidade do pescado.”
Foto: Rangel Santos/UFMG
O prejuízo é constatado também com a redução de espécies migratórias, de maior valor econômico na região. Nas águas do Rio Madeira, que nascem dos Andes, na Bolívia, e percorrem os estados de Rondônia e Amazonas, vivem em torno de 1 mil espécies de peixes. Boa parte delas, como os siluriformes (pele de couro), tem o Amazonas como habitat, mas percorrem até três mil quilômetros para se reproduzirem na montante do Madeira. Mas, com o bloqueio da rota imposto pelas usinas, explica o pesquisador, “os peixes não conseguem cumprir seu percurso e se reproduzir, o que resulta no desaparecimento das populações ao longo do tempo”. Por isso, os impactos chegam à Bolívia e ao Peru.

No artigo, os pesquisadores destacam ainda a importância social e cultural do Rio Madeira, que faz da região a maior consumidora per capita de peixes do mundo – 369 g por dia, ou 135 kg por ano. E o pescado, além de ser a única fonte de proteína para grande parte da população de 52 mil habitantes, gera atividade de subsistência de difícil substituição pela população local.

Artigo: The decline of fisheries on the Madeira River, Brazil: the high cost of the hydroeletric dams in the Amazon Basin
Autores: Rangel Eduardo dos Santos, Ricardo Motta Pinto Coelho, Rogério Fonseca, Nadson R. Simões e Fabício B. Zanchi

Helicóptero da polícia persegue pescadores em Rondônia

Pescadores foram perseguidos por um helicóptero da Polícia Militar (PM) no Rio Madeira, em Rondônia. Uma guarnição fazia patrulhamento no rio quando viu duas embarcações saindo das comportas da Hidrelétrica Santo Antônio.

Perda de produção chega à 70% com enchente em Manicoré, no Amazonas

O nível da cheia do Rio Madeira em Manicoré, no Amazonas, este ano, foi de 26,35 metros. A enchente causou perda na produção de banana de até 70% no município. Mudas serão doadas aos que perderam as plantações. 

Rio Madeira ultrapassa cota de alerta em Porto Velho

O Boletim de monitoramento do Rio Madeira, do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), aponta que em Porto Velho, Rondônia, o rio já ultrapassou a cota de alerta e se aproxima da cota de transbordamento. A medição é de 16 metros e 12 centímetros. A cota de transbordamento é de 17 metros.

No entanto, de acordo com a Defesa Civil, a tendência é que o nível do rio comece a baixar em Porto Velho, como explica o diretor da Defesa Civil Estadual, Capitão Artur.

“Nós vemos que na bacia formadora do Madeira, que é a região do Rio Beni e o Rio Madre de Dios, na Bolívia e no Peru, respectivamente, tem chovido menos nos últimos dias. A previsão é que em mais duas semanas também chova menos. Então é provável que a partir de agora comece a baixar, gradativamente, e saia dessa cota de alerta”.
Foto: Divulgação / Agência Brasil
A Defesa Civil municipal de Porto Velho tem atuado na retirada das famílias de áreas de risco e também na distribuição de água potável.

Nos municípios de Guajará Mirim e Abunã, também em Rondônia, o rio se aproxima da cota de alerta.

Rio Madeira apresenta estabilidade em Porto Velho, afirma CPRM

Equipes do Serviço Geológico do Brasil (CPRM) estão mobilizadas para medição diária do Rio Madeira em Porto Velho (RO). De acordo com o órgão, o rio apresenta estabilidade e enchente não deve alcançar nível da cheia de 2014. 

Apuí decreta Situação de Emergência no distrito de Sucundurí, no Amazonas

O município de Apuí, no Amazonas, decretou 'situação de emergência' no distrito de Sucundurí devido à subida do nível do rio Madeira. Chuvas intensas têm causado a elevação. A Defesa Civil do Amazonas faz avaliação técnica de danos para atendimento.

Quarta família é desalojada em Porto Velho em função do nível do Rio Madeira

Mais uma família foi retirada de casa no Bairro São Sebastião II, em Porto Velho (RO), devido ao avanço do Rio Madeira nesta terça-feira (20). O nível do rio atingiu 16,06 metros. Segundo a Defesa Civil municipal esta é a quarta família desalojada pela cheia em menos de uma semana. 

Quarta família é desalojada em Porto Velho em função do nível do Rio Madeira

Mais uma família foi retirada de casa no Bairro São Sebastião II, em Porto Velho (RO), devido ao avanço do Rio Madeira nesta terça-feira (20). O nível do rio atingiu 16,06 metros. Segundo a Defesa Civil municipal esta é a quarta família desalojada pela cheia em menos de uma semana. 

Nível do Rio Madeira está mais de um metro acima da cota de alerta em Rondônia

Com a cota de alerta em 15,27 metros, o nível do Rio Madeira preocupa em Porto Velho (RO). O rio pode atingir os 17 metros, nível estimado pelo Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam), nos próximos dias. Com a previsão de chuvas até abril, as variações podem causar retiradas de famílias nas regiões próximas ao rio.

Após discussão, mulher desaparece no Rio Madeira em Porto Velho

Uma mulher não identificada desapareceu no Rio Madeira, em Porto Velho (RO), nesta terça-feira (6). Ela teria desaparecido depois de um desentendimento com um homem de 27 anos, com quem teria combinado um programa sexual, que afirmou à polícia ter sido atacado com uma faca por ela. Ao se defender, ele conta que a mulher caiu na água e não foi mais vista. Bombeiros fazem buscas na região.

Monitoramento do Rio Madeira em Rondônia é intensificado pela Defesa Civil do Acre

A Defesa Civil do Acre realiza vistorias ao Rio Madeira no Distrito de Abunã, em Rondônia, em um trecho da BR-364, que liga os dois Estados. Em 2014 a área alagou e levou à cheia história, com o isolamento do Acre por via terrestre. O acompanhamento faz parte de uma série de ações para elaborar estratégias para uma possível cheia. Segundo Carlos Batista, coordenador da Defesa Civil acriana, o Rio Madeira mantém o mesmo nível há dias e a situação não é preocupante.

Nível do Rio Madeira sobe, e Porto Velho entra em estado de alerta

A Defesa Civil de Porto Velho decretou estado de alerta após a elevação da cota do Rio Madeira. Na sexta-feira (19), a cota atingiu 14,55m. Nesta segunda-feira (22), após as chuvas do fim de semana, o nível do rio chegou a 14,78m. Cerca de mil famílias estão em áreas consideradas de risco, localizadas em diferentes bairros da capital de Rondônia.

O coordenador de Proteção e Defesa Civil de Porto Velho, Marcelo Santos, pede atenção da comunidade, mas afirma que não há motivo para pânico. “Quando o rio ultrapassa 15 metros, já começa a inundar algumas casas. Nós já temos quais são, quem são, quem tem mais objetos em relação a facilitar o trabalho de retirada com caminhões. Isso aí é trabalhar preventivamente”, disse Santos.

O estado de alerta em Porto Velho tem vigência de 90 dias e representa o reconhecimento, pelo Poder Público, de uma situação atípica e tem como objetivo mobilizar todos os órgãos e entidades da administração pública.

Em 2014, a capital rondoniense registrou a maior cheia da série histórica, com a cota do Rio Madeira em 19,74m. A expectativa para este ano é que a cota fique entre 16m e 17m. Em caso de inundação, para solicitar apoio, a população deve ligar para o número 199.
Foto: Hosana Moraes / Rede Amazônica
Decreto na íntegra:

Art. 1°. Fica Decretado ESTADO DE ALERTA no Município de Porto Velho, objetivando mobilizar todos os órgãos e entidades da Administração Pública Municipal, bem como a comunidade e as entidades responsáveis pelas ações de Defesa Civil, para que estejam organizados e alertas para atender eventuais ocorrências, com a finalidade de prevenir e minimizar danos, além de assistir a população afetadas.

Art. 2°. Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação, devendo viger por um prazo de 90 (noventa) dias.

Art. 3º. Revogam-se as disposições em contrário.

HILDON DE LIMA CHAVES
Prefeito

Com a cheia, rio Madeira está a um metro de encobrir a BR 364

Empresários no Acre estão estocando produtos, por conta da cheia do Rio Madeira, pois de acordo com a Defesa Civil, nesta terça-feira (16) o nível do Rio Madeira ultrapassou os 20 metros nas regiões do Abunã e Mutum, em Rondônia, devido ao volume de chuvas na região Amazônica.

Se o nível do rio chegar aos 21 metros há risco de as águas do Madeira invadirem a BR-364, única rodovia de ligação do Acre com o resto do Brasil. O rio passa muito próximo da estrada. Há pontos onde a água está a menos de um metro da BR.

De acordo com Associação Comercial do Acre (Acisa), os principais atacadistas do estado já tem estoque de comida e medicamento para abastecer a população por 45 dias. Mas o presidente da Acisa, Celestino Bento, lembra que nem todos os produtos podem ser estocados em grande quantidade, é o caso dos alimentos perecíveis e da gasolina.

“A preocupação principalmente com o combustível, que vem via terrestre, pra gente aqui pela rodovia. Pode ser um complicador porque o combustível a gente não pode fazer grandes estoques.”
Foto: Divulgação / Governo do Acre
A medida é uma precaução caso as águas do rio invadam a rodovia. Em 2014, a BR ficou alagada, gerando uma crise de abastecimento por quase 60 dias no Acre devido isolamento terrestre.O Governo Estadual pediu à Agência Nacional das Águas que as usinas hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau, construídas em Porto Velho, Rondônia, diminuam a vazão e façam o controle da quantidade de água liberada pelas comportas.