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Segunda, 10 Mai 2021

Comissão rejeita transformação de recifes de corais do Amazonas em área de proteção

A Comissão de Integração Nacional, Desenvolvimento Regional e da Amazônia rejeitou nesta quarta-feira (11) proposta que torna os recifes de corais da foz do Rio Amazonas, localizados no litoral do Pará e do Amapá, como Área de Preservação Permanente (APP).
Foto:Divulgação/Greenpeace


O Projeto de Lei 10333/18 foi apresentado pelo ex-deputado, e atual senador, Veneziano Vital do Rêgo (PSB-PB), e relatado pelo deputado Átila Lins (PP-AM), que pediu a rejeição.


Lins afirmou que a transformação dos recifes amazônicos em APPs inviabilizaria a exploração do potencial petrolífero da foz do rio Amazonas. Ele lembrou que em 2013 a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) leiloou concessões de exploração de petróleo na bacia da foz do rio.


“As negociações atraíram um número recorde de ofertas porque as empresas acreditam que essa bacia pode ser uma nova fronteira petrolífera, com recursos potencialmente significativos”, disse Lins.


Ele afirmou ainda que a exploração de petróleo nessa área deverá vir acompanhada de medidas de proteção ambiental “particularmente rigorosas”. “Essas medidas devem ser estabelecidas no processo de licenciamento ambiental e fiscalizadas pelo poder público”, afirmou.


Descoberta


Avistados pela primeira vez em 2010 pelos pesquisadores, os recifes da foz do Rio Amazonas estão localizados entre os estados do Maranhão e do Amapá. Eles formam o que os cientistas chamam de Grande Sistema de Recifes do Amazonas (GARS, em inglês), com 56 mil quilômetros quadrados de extensão.

Foto:Divulgação/Greenpeace


A descoberta causou surpresa, pois pensava-se que estas formações se davam bem apenas em águas cristalinas. Os amazônicos estão alojados em águas profundas e barrentas, de até 120 metros de profundidade. Em vez de usarem a luz do sol, esses organismos utilizam compostos inorgânicos, como o ferro, nitritos e o enxofre, para gerar a energia necessária para sobreviverem.


Tramitação


O projeto, que tramita em caráter conclusivo, será analisado agora pelas comissões de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável; e Constituição e Justiça e de Cidadania.






Cientistas garantem: recifes da Amazônia existem, e estão vivos

Chegaram a dizer que eles estavam mortos, ou nem mesmo existiam; como um “fake news” da ciência. Nada disso. Os recifes da Amazônia existem, sim; estão vivos e passam muito bem, obrigado — pelo menos por enquanto —, segundo um novo trabalho publicado por cientistas da Universidade de São Paulo (USP) e outras cinco universidades públicas de pesquisa, na revista Scientific Reports.

Foto:Ronaldo F.F./Greenpeace


As conclusões são baseadas na datação de rochas e organismos que compõem os recifes marinhos localizados na foz do Rio Amazonas, entre os Estados do Maranhão e do Amapá. Descobertos há apenas cinco anos, eles formam o que os cientistas hoje chamam de Grande Sistema de Recifes do Amazonas (GARS, em inglês), com 56 mil quilômetros quadrados de extensão — do tamanho do Estado da Paraíba.


Assim como no caso da Grande Barreira de Corais da Austrália, não se trata de um único gigantesco recife, mas de uma grande rede de ambientes recifais que se conectam ecologicamente, formando o que os pesquisadores acreditam ser um “corredor de biodiversidade” entre o Mar do Caribe e o Atlântico Sul.


“É uma área extremamente complexa, com uma diversidade enorme de habitats”, diz o pesquisador Ronaldo Francini Filho, da Universidade Federal da Paraíba.


A descoberta causou surpresa mundial em 2016 — pois muitos não acreditavam ser possível haver um ecossistema desse tipo debaixo da pluma de água doce e barrenta do Amazonas — e acabou gerando uma situação de conflito entre cientistas, ambientalistas, políticos e empresas privadas, interessadas em explorar petróleo e gás na região. A organização não-governamental Greenpeace abraçou a causa e lançou uma campanha mundial pela proteção dos “corais da Amazônia”, exigindo a exclusão de atividades petrolíferas do local.


Foto:Reprodução/Jornal da USP

Nesse contexto, alguns pesquisadores passaram a questionar a existência do GARS, argumentando que não havia luz suficiente debaixo da pluma para sustentar um ecossistema recifal e que os tais recifes, na verdade, eram estruturas pré-históricas, sem vida, já mortas e soterradas pela lama. Parlamentares, militares, empresários e alguns cientistas da região começaram a se referir aos recifes como fake news.


Não faltam evidências, porém, da existência deles, incluindo centenas de horas de vídeo, fotografias, imagens de sonar, amostras físicas de rochas, sedimentos e organismos marinhos de diversos tipos. O trabalho que sacramentou a descoberta, em abril 2016, na revista Science Advances, é assinado por 39 pesquisadores, de 14 instituições; e vários outros estudos já foram publicados sobre o GARS desde então, aprofundando o conhecimento científico sobre ele. Uma descrição mais detalhada foi publicada em abril de 2018, na revista Frontiers in Marine Science.


“É um debate entre opiniões e evidências científicas”, diz o pesquisador Eduardo Siegle, do Instituto Oceanográfico (IO) da USP, coautor de diversos trabalhos sobre os recifes.


“Negar a existência dos recifes é como negar o desmatamento da Amazônia”, compara Francini Filho, que foi o primeiro cientista a mergulhar na região com um minissubmarino (o Deep Worker, do Greenpeace) e ver os recifes do Amazonas com os próprios olhos, em 2017. “Realmente, causa perplexidade ver alguns colegas assumirem essa posição.”


A questão da disponibilidade de luz já foi resolvida por um estudo publicado no ano passado, na revista Continental Shelf Research, mostrando que, mesmo nas regiões mais densas da pluma, há uma incidência mínima de luminosidade sobre o leito marinho, que é suficiente para manter um ecossistema recifal funcionando.
Foto:Ronaldo F.F./Greenpeace


Já esse novo estudo, publicado dia 23 na Scientific Reports, desmonta o argumento de que os recifes estão mortos, usando datações diretas de sua estrutura para demonstrar que eles continuam crescendo, em todos os setores do GARS, de norte a sul.


“Mesmo debaixo da pluma, os recifes estão vivos”, destaca Michel Mahiques, professor do IO-USP e especialista em sedimentologia marinha, que liderou o estudo. “Datamos diretamente o calcário dos recifes, e não há dúvida de que eles estão crescendo.”


Ele ressalta que as datações foram realizadas no laboratório Beta Analytics, nos Estados Unidos, “considerado o maior laboratório comercial para cronologia de radiocarbono no mundo”, e que a coleta das amostras foi realizada a bordo do Navio Hidroceanográfico Cruzeiro do Sul, da Marinha do Brasil, “seguindo os mais estritos padrões de amostragem oceanográfica”.


Historicamente, os resultados indicam que os recifes começaram a se formar no setor norte do GARS (o mais escuro atualmente, por conta da pluma de sedimentos do Amazonas, que flui principalmente naquela direção), entre 14 mil e 12 mil anos atrás. Depois, pararam de crescer por um período de 5 mil anos, em que o nível do mar subiu rapidamente, intensificando os efeitos da pluma. A partir de 7 mil anos atrás, em condições mais favoráveis, voltaram a crescer e começaram a se espalhar para o sul, até atingir sua configuração atual.





Nesse ponto, é importante entender o que é um recife e como ele funciona. Recifes são estruturas rígidas de origem biótica — ou seja, construídas por organismos vivos, via deposição de carbonato de cálcio — que servem de habitat para diversas espécies de fauna e flora marinha.


Os mais famosos são os recifes coralíneos, construídos e cobertos por corais, como os clássicos recifes coloridos de águas rasas do Caribe e da Austrália. Mas eles não são os únicos. Muitos recifes, especialmente os que crescem em ambientes mais fundos e menos luminosos (chamados mesofóticos), como é o caso de muitos recifes brasileiros, são construídos por algas calcárias e outros organismos, que também depositam carbonato de cálcio, mas não precisam de tanta luz para sobreviver. Eles podem até ter corais crescendo sobre eles, mas isso não significa que os corais sejam seus principais construtores. Fazendo uma analogia, é como se o coral fosse um inquilino, vivendo num prédio construído por outros organismos.


Esse é o caso dos recifes do Amazonas, que são estruturas construídas principalmente por algas calcárias, em ambientes mesofóticos e rarifóticos (entre 70 e 220 metros de profundidade, na sua maioria), com baixa ocorrência de corais — mas que, mesmo assim, sustentam uma grande diversidade de vida marinha.


Por isso, mesmo concordando com a necessidade de proteção, muitos pesquisadores discordam do slogan “corais da Amazônia”, usado pelo Greenpeace — já que os corais, de fato, não são os organismos predominantes nesse ecossistema. “Isso dá brecha para os negacionistas dizerem que os recifes não existem”, reclama Mahiques. “Funciona bem para o Greenpeace, mas não ajuda quem faz ciência. O mais importante, nesse caso, não são os corais, mas toda a biodiversidade marinha que esses recifes possibilitam existir ali”, acrescenta.

Foto:Ronaldo F.F./Greenpeace


Os pesquisadores acreditam que o GARS funciona como uma ponte — ou mais simbolicamente, um túnel — entre os ecossistemas marinhos do Caribe e do Atlântico Sul, permitindo que espécies transitem de uma região para outra, passando por baixo da pluma do Amazonas; o que ajudaria a explicar algumas semelhanças entre a biodiversidade marinha daqui e de lá.


Eles estimam que só 5% desse grande sistema foi investigado cientificamente até agora. Ou seja, há muita coisa para se descobrir ainda.


Empresa não encontra petróleo na Guiana Francesa, perto dos Corais da Amazônia

A poucos dias, a petrolífera Total S/A, declarou que não encontrou petróleo no poço que estava perfurando na Guiana Francesa, segundo informações do Greenpeace. A área é cercada por corais, e segundo a Ong, a exploração de petróleo na área era uma ameaça ao ecossistema daquela região.

Em maio do ano passado, durante nossa expedição para estudar os Corais da Amazônia, a ong descobriu que esse ecossistema se estende até a Guiana Francesa, área onde a Total estava prestes a perfurar o fundo do mar perto dos recifes ali.

Foto: Divulgação/Greenpeace

A empresa francesa também já havia tentado explorar petróleo na costa do Brasil e, também, a poucos quilômetros dos Corais da Amazônia. Mas o Ibama negou a licença para isso.

Uma lei, aprovada pelo governo francês em 2017, passou a vetar qualquer nova fronteira de exploração de petróleo na França ou em seus territórios extra-mares.

Foto: Divulgação/Greenpeace

No Brasil, ainda não há nenhuma lei como a da Guiana, e as empresas podem iniciar estudos para explorar o petróleo do fundo do mar.

Floresta tem papel crucial na manutenção dos corais da Amazônia

Foto: Divulgação/Greenpeace
A Floresta Amazônica é fundamental para a existência do recife de corais da Amazônia, localizado na costa do Amapá próximo a foz do rio Amazonas. A afirmação é do pesquisador e oceanógrafo da Universidade Federal do Rio Janeiro, Fabiano Thompson, que faz parte da expedição do Greenpeace que fez as primeiras imagens do local.

Para Fabiano, um bioma como esse só pode existir devido os nutrientes da Floresta Amazônica. "Detectamos duas características existentes só nos corais da Amazônia: a turbidez da água e a alta concentração de nutrientes, oriundas da Floresta Amazônica, que são essenciais para a manutenção desses ecossistema", revelou em entrevista ao Portal Amazônia.
As águas da região são turvas e levam consigo pedaços da floresta. São restos decompostos de árvores, terra, animais e tudo o que tiver caído na correnteza do rio Amazonas. A turbidez, causada pelos detritos, impede que a luz consiga chegar ao fundo do mar. De maneira geral, corais comuns precisam de luz e oxigênio para viver. Os corais da Amazônia contam com bactérias que ajudam a produzir matéria orgânica e energia a partir dos nutrientes provenientes da decomposição da floresta.

O recife de 9,5 quilômetros quadrados que compõe os corais da Amazônia foram localizados em 2016. A estrutura abrange a faixa que vai da fronteira do Brasil com a Guiana Francesa até o Maranhão. A descoberta deixou cientistas de todo o mundo impressionados, já que  corais só existem em condições específicas. Outra coisa que surpreendeu os pesquisadores do Greenpeace, são as espécies que vivem e conseguiram se adaptar ao local.

Na opinião de Thompson, a importância do ecossistema subaquático é inestimável. "A descoberta de todo um ecossistema nessa região é de valor incalculável. É praticamente toda uma floresta submersa desconhecida com pelo menos 9,5 mil quilômetros quadrados. São inúmeras espécies que ainda precisam ser estudadas e protegidas", afirma o pesquisador.
Foto: Divulgação/Greenpeace
Evidências

As primeiras pistas sobre a existência de recifes ocultos na foz do rio Amazonas surgiram em 1975, a partir da análise de espécies de peixes e esponjas da região feita por pesquisadores norte-americanos. A alta produtividade de pesca regional de lagosta era um outro indício da possível presença de um recife na região. Mas somente em 2010 cientistas começaram a investigar e, em 2016, veio a confirmação.

Segundo Fabiano Thompson, a expedição do Greenpeace confirmou o estudo publicado por pesquisadores em 2016 e mostrou através de imagens a existência de uma rica biodiversidade. "Fiquei bastante contente e impressionado. A gente observa que é um recife com uma biodiversidade exuberante. Não vimos na primeira descida nada parecido. Isso mostra que estamos em um mosaico, com diferentes formações, o que faz da região ainda mais especial", avalia o especialista. 
Lagostas indicavam a existência de um recife na região. Foto: Divulgação/Greenpeace
Ameaças

A principal ameaça ao recife de corais da Amazônia é a exploração petrolífera na região. Segundo informações do Greenpeace, as empresas Total e a BP pretendem realizar perfurações próximas a região dos corais para averiguar a viabilidade econômica da exploração de petróleo na região. Um acidente ambiental na região poderia causar danos irreversíveis ao bioma. Os processos de licenciamento ambiental estão em andamento.

O Greenpeace quer coletar assinaturas para impedir que as duas empresas fazem perfurações que possam ameaçar a região. Para isso a organização sem fins lucrativos criou a campanha 'Defenda os Corais da Amazônia'. Para contribuir com a petição, basta acessar a página do Greenpeace.

Greenpeace divulga mais imagens inéditas dos corais da Amazônia

Imagens dos corais da Amazônia captadas neste sábado (28), do submarino lançado do navio Esperanza, na costa do Amapá. Foto: Divulgação/Greenpeace
O Greenpeace divulgou nesta segunda-feira (30) mais imagens inéditas dos corais da Amazônia, formação de recifes com 9.500 quilômetros quadrados (km²) na costa do Amapá, entre o Maranhão e a Guiana Francesa. As fotos mostram mais detalhes sobre a vida submarina encontrada por cientistas no local. As primeiras imagens foram divulgadas neste sábado (28), quando a expedição teve início.
Imagens dos corais da Amazônia captadas neste sábado (28), do submarino lançado do navio Esperanza, na costa do Amapá. Foto: Divulgação/Greenpeace
O submarino de dois lugares, tripulado pelo piloto John Hocevar, da campanha de Oceanos do Greenpeace Estados Unidos, e pelo professor de Biologia Marinha Ronaldo Francini Filho, da Universidade Federal da Paraíba, em duas horas de mergulho, localizou um paredão de carbonato de cálcio a 220 metros de profundidade e a mais de 100 km da costa brasileira.
Imagens dos corais da Amazônia captadas neste sábado (28), do submarino lançado do navio Esperanza, na costa do Amapá. Foto: Divulgação/Greenpeace
No recife, foram observados corais, esponjas e rodolitos (algas calcárias), peixes como o atum e a cioba e peixes herbívoros, o que comprova a presença de algas, apesar da pouca luz do sol que chega até lá. “Ali existe um ecossistema bem diverso. Em boa parte do recife, o chão é cheio de vida. Estou me sentindo como alguém que volta de outro planeta”, conta Ronaldo. O mais surpreendente para o cientista foi ver alguns peixes-borboletas que segundo ele, podem ser de uma nova espécie.
Imagens dos corais da Amazônia captadas neste sábado (28), do submarino lançado do navio Esperanza, na costa do Amapá. Foto: Divulgação/Greenpeace
Para Thiago Almeida, da campanha de Energia do Greenpeace Brasil, as imagens mostram o que está em risco caso empresas explorem petróleo na região. “Ainda pouco conhecemos esse ecossistema e um vazamento poderia ser desastroso. Um dos blocos de petróleo está a apenas oito quilômetros do recife. Devemos defender toda a região da bacia da foz do rio Amazonas da ganância corporativa que coloca o lucro à frente do meio ambiente. Os processos de licenciamento ambiental já estão a caminho", afirma.
Imagens dos corais da Amazônia captadas neste sábado (28), do submarino lançado do navio Esperanza, na costa do Amapá. Foto: Divulgação/Greenpeace
De 23 de janeiro a 10 de fevereiro, uma equipe do Greenpeace e de cientistas estará na costa do Amapá, a bordo do maior navio da organização, o Esperanza, para registrar as primeiras imagens deste novo bioma, cuja descoberta foi anunciada ao mundo apenas no ano passado. A expedição faz parte da campanha 'Defenda os Corais da Amazônia', que pede que as empresas Total e BP cancelem seus planos de explorar petróleo na Foz do Amazonas. 
Imagens dos corais da Amazônia captadas neste sábado (28), do submarino lançado do navio Esperanza, na costa do Amapá. Foto: Divulgação/Greenpeace  
Imagens dos corais da Amazônia captadas neste sábado (28), do submarino lançado do navio Esperanza, na costa do Amapá. Foto: Divulgação/Greenpeace  
Imagens dos corais da Amazônia captadas neste sábado (28), do submarino lançado do navio Esperanza, na costa do Amapá. Foto: Divulgação/Greenpeace 

Veja as primeiras imagens dos corais da Amazônia

Imagens do recife na foz do rio Amazonas e no fundo do oceano Atlântico. Foto: Divulgação/Greenpeace
“Estou me sentindo como alguém que volta de outro planeta”, disse o professor Ronaldo Francini Filho, da Universidade Federal da Paraíba, logo após voltar à tona, sem esconder a emoção. Ele foi o primeiro cientista a mergulhar com o submarino para ver os recifes de corais da Amazônia. Junto dele estava o piloto John Hocevar, diretor da Campanha de Oceanos do Greenpeace USA.

Juntos, o pesquisador e o piloto trouxeram à superfície as primeiras imagens do até então desconhecido recife de corais no Oceano Atlântico, próximo a foz do rio Amazonas. As imagens, feitas a 220 metros de profundidade, trazem a tona uma resposta: Além de ser um rico ecossistema, os corais da Amazônia servem de local de acasalamento de espécies importantes para economia de pescado da região.

Segundo o relatos do pesquisador nessa profundidade foi possível encontrar um grande paredão de carbonato de cálcio com uma série de espécies como o cardume de atum e o cioba, uma espécie muito importante para a economia da região do Amapá, altamente dependente da pesca. O cioba está ameaçado de extinção. 
Estruturas de carbonato no fundo do mar. Foto: Divulgação/Greenpeace
Esses peixes usam os recifes como locais de reprodução. Ali também estavam peixes herbívoros, comprovando a presença de algas mesmo onde chega pouca luz do sol. O mais surpreendente para Ronaldo, no entanto, foi ver alguns peixes-borboletas. Segundo ele, podem ser de uma nova espécie. “Espécies deste peixe têm sido descobertas frequentemente em áreas de águas profundas. E é emblemático vê-los aqui também”, afirma.

A expedição anterior realizada em 2014, havia utilizado redes para coletar exemplares. Desta vez, com apoio do Greenpeace os pesquisadores puderam fazer a primeira observação desse novo bioma embaixo d'água. Isso faz toda a diferença, ao permitir entender mais sobre esse universo que já está ameaçado. 
O pesquisador Ronaldo Francini e o piloto John Hocevar no submarino. Foto: Divulgação/Greenpeace
Defesa dos Corais

A Bacia da Foz do Rio Amazonas é justamente a próxima fronteira de exploração petrolífera no mar brasileiro. As empresas Total e a BP pretende perfurar o território para conhecer as reservas do petróleo. A apenas oito quilômetros do recife está um dos pontos que a Total quer explorar. Os processos de licenciamento ambiental estão em andamento.

O Greenpeace está fazendo uma campanha chamada defenda os corais da Amazônia, que busca coletar assinaturas e impedir que as duas empresas fazem perfurações que possam ameaçar o bioma. Para participar da petição é só acessar o página do Greenpeace. 

Único no mundo, recife de corais da Amazônia podem sofrer com extração de petróleo

Foto: Divulgação/Nasa
No norte do Brasil, na foz do Rio Amazonas, existe um tesouro natural recém-descoberto. Um recife de corais escondido em uma região onde ninguém imaginaria ser possível. Sua extensão é gigantesca: são 9,5 mil quilômetros quadrados de formações, que incluem esponjas gigantes com mais de 2 metros de comprimento e algas calcárias, chamadas de rodolitos. O Greenpeace dvai realizar uma expedição com o barco Esperanza para fotografar e registrar o coral embaixo de camadas de sedimentos do Rio Amazonas. Além disso a instituição pretende divulgar esses registros e conscientizar o mundo da existência desse mundial único bioma.

A existência dos corais amazônicos foi divulgada em abril de 2016, com a publicação de um artigo feito por pesquisadores de institutos de pesquisa e universidades brasileiras. Eles consideraram os corais da Amazônia como um novo bioma marinho, que vai do Brasil até a Guiana Francesa. E estão ainda aprofundando os estudos sobre isso e sobre as novas espécies encontradas ali.

A Bacia da Foz do Rio Amazonas é justamente a próxima fronteira de exploração petrolífera no mar brasileiro. A Total e a BP são as duas empresas que pretendem perfurar o território para conhecer as reservas do óleo. A apenas 8 quilômetros do recife está um dos pontos que a Total quer explorar. Os processos de licenciamento ambiental estão em andamento. “Queremos defender os corais e toda a região da Foz do Amazonas da ganância corporativa, que coloca o lucro na frente do meio ambiente”, diz Thiago Almeida, da Campanha de Clima e Energia do Greenpeace Brasil.A atividade petrolífera ali significa trazer o risco iminente e constante de um derramamento. Isso é uma ameaça não apenas aos corais, mas a todo o ecossistema da Bacia da Foz do Amazonas. Vivem ali, por exemplo, o peixe-boi-marinho, o tracajá e a ariranha, espécies que já têm algum risco de extinção, segundo a lista da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) de 2014.Com o objetivo de unir forças na proteção aos corais, o Greenpeace Brasil lança a campanha “Defenda os Corais da Amazônia”. “Vamos unir pessoas do mundo todo para dizer às empresas: desistam já dos planos de explorar petróleo perto dos corais”, diz Thiago Almeida.
Expedição vai ser realizada pelo Esperanza. Foto: Divulgação/Greenpeace
A primeira missão do Greenpeace é mostrar os corais da Amazônia ao mundo. Uma expedição será realizada para ver os recifes debaixo d’água pela primeira vez. O meio de transporte e a estação de trabalho da organização será o Esperanza, que chegou ao Brasil dias atrás. A tripulação do maior e mais ecológico navio do Greenpeace levará a equipe de ativistas e especialistas em vida marinha, que irão até as profundezas do oceano Atlântico para observar o coral de perto. Um submarino será usado para coletar informações no fundo do mar.O Greenpeace também realizou uma petição online para pedir às empresas petrolíferas que desistam de explorar petróleo próximo a um recife de coral único em todo o mundo. Se você quiser assinar a petição é só acessar esse link

Recife de coral descoberto na Amazônia tem cerca de mil metros

Imagens de satélite da foz do Rio Amazonas. Foto: Divulgação/Nasa
Submerso pela água barrenta, mistura da vazão da Bacia Amazônica com o mar, um recife se estende por cerca mil quilômetros, entre a costa do Maranhão e da Guiana Francesa. Diferente da imagem conhecida, de recifes formados por corais coloridos, na costa amazônica predominam esponjas e algas calcárias, que se adaptam melhor à falta de luz.

A descoberta foi publicada na edição de 18 de abril, da revista científica Science, por uma equipe de pesquisadores brasileiros e americanos, e é resultado de duas expedições, a primeira realizada a bordo do navio americano RV Atlantis e a segunda, já com uma equipe totalmente nacional, no navio da marinha brasileira Cruzeiro do Sul.

“O que chama a atenção nesse recife são as esponjas”, conta o principal responsável pela descoberta, o biólogo brasileiro Rodrigo Leão Moura, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. “Não é um recife de coral, como estamos acostumados, mas é um recife diferente, com muitas esponjas e algas calcárias, porque chega pouca luz”, disse.

De acordo com ele, nesse ambiente de mais de 9 mil quilômetros quadrados, área equivalente à Grande São Paulo, é possível dar uma ideia de como o cenário de mudanças climáticas extremas pode afetar os recifes. “Os corais morrem, as esponjas se tornam mais abundantes e, principalmente, os microorganismos passam a dominar o sistemas, principalmente bactéria e arqueas”, explica.


Pesquisadores descobrem recife de coral na região Norte. Foto: Divulgação
Americanos surpresos

A descoberta surpreendeu os americanos que realizavam a primeira expedição no RV Atlantis, pois a intenção principal da viagem era estudar como os elementos carregados pelo Rio Amazonas afetavam a absorção de Dióxido de Carbono pelo mar. Moura e outros brasileiros tinham aproveitado a viagem para confirmar a existência e localizar um recife que se esperava encontrar naquela região. “A gente já vinha juntando indícios há alguns anos”, diz Rodrigo Moura. “Tinha que haver um recife grande em algum lugar. As estatísticas de pesca indicavam. Tem muita produção de lagosta no Pará, de onde vem? Tem muita produção de pargo, de onde vem?”.

A descrença inicial dos americanos foi superada graças a um artigo escrito em 1977 que demonstrava a existência de espécies típicas de recifes sendo dragadas na foz do Amazonas. Ao longo de duas semanas e meia de trajeto entre Barbados, no Caribe, e a costa amazônica, os brasileiros tinham pouco tempo, mas aproveitaram para ficar atentos ao sonar que descrevia o fundo do mar. Assim, quando teve a oportunidade, Moura sabia onde jogar a draga para confirmar a existência do Recife.

Ele lembra que foi uma grande alegria encontrar no material trazido do fundo do mar, corais, esponjas, estrelas do mar, que confirmavam a existência do ambiente. Em 2014, os brasileiros voltaram à região para mais estudos, desta vez a bordo do Cruzeiro do Sul, navio científico da Marinha.

Neste ambiente recém-revelado, a pluma do Amazonas tem um papel fundamental. Ela é formada pelo material que desce carregado pelo grande rio. Na parte sul, onde essa camada de lama cobre o fundo apenas três meses por ano, ocorre mais fotossíntese, permitindo o crescimento de corais mais coloridos. Porém, ao norte, onde a pluma do Amazonas cobre o fundo do mar por mais da metade do ano, esse recife é dominado por esponjas e criaturas carnívoras.

Novas perguntas

Para Rodrigo Moura, ainda há desafios a serem vencidos. Um deles é estudar melhor a biodiversidade e o potencial biotecnológico das espécies da região. Entretanto, mais importante é conhecer melhor o ambiente, já que a região poderá ser palco de uma futura exploração de gás e petróleo. “A gente precisa entender os detalhes da distribuição destes recifes, inclusive para  evitar o conflito com a exploração da área de óleo e gás”, defende o pesquisador. “É preciso fazer um mapeamento mais detalhado, para que dutos e estrutura usados na exploração sejam colocados em local que prejudique menos o sistema.”, afirmou.

Pesquisadores descobrem recife de coral na foz do Rio Amazonas

Imagem de satélite da foz do Rio Amazonas. Foto: Divulgação/NASA
Um grande recife de coral foi encontrado na foz do rio Amazonas, entre a fronteira da Guiana Francesa com o Estado brasileiro do Amapá e se estende até o Pará. Em matéria publicada no El País, a descoberta se deu por um grupo de cientistas do Brasil e Estados Unidos, que exploraram a região em três expedições oceanográficas.

Liderados, pelo pesquisador da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Rodrigo Leão de Moura, a equipe identificou uma extensa área de algas coralinas e alto nível de partículas em suspensão,  características geradas por condições diferentes das que formam os típicos recifes tropicais de coral. No estudo, os autores alertam que o desenvolvimento em escala industrial do Amazonas, com perfurações para extrair petróleo perto dos recifes, pode representar um grande desafio para esse sistema, que é único.

A descoberta tem maior relevância porque os corais responsáveis pela formação dos recifes estão entre as espécies mais ameaçadas pela mudança do clima e outros fatores de estresse provocados pelo homem. Em pesquisa publicada há poucos dias, o professor John Pandolfi, da Universidade de Queensland (Austrália), afirma que os corais Acropora (chifre-de-veado), de rápido crescimento, são responsáveis por boa parte do desenvolvimento dos recifes modernos. E apesar de existirem há pelo menos 50 milhões de anos, esses corais vêm sofrendo forte declínio em sua abundância ao redor do mundo.