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Manaus 30º • Nublado
Terça, 11 Mai 2021

Casas mais antigas de Manaus são reformadas

Feitas à base de taipa – barro e madeira – e pedra, as casas mais antigas de Manaus, 69 e 77, localizadas no Centro Histórico, reformadas pela Prefeitura de Manaus, entram em fase de adequações de acessibilidade da estrutura e da troca da cobertura, com a substituição das telhas de barro por capa de canal, tipo de telha que remete à época de fundação das casas, datadas do período colonial.

A obra, de responsabilidade da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf), já teve a fase de retirada dos revestimentos das residências concluída e já foram confeccionados o lastro de concreto, alvenaria, estrutura de madeira da cobertura, instalações elétricas e sanitárias. Agora, a Seminf acompanha a troca das telhas e o serviço no forro em madeira. As casas também receberão pisos em ladrilhos desenhados e em madeira, sempre remetendo aos materiais originais.

Localizadas na rua Bernardo Ramos, as casas 69 e 77 carregam em sua arquitetura uma parte da história de Manaus, do período colonial, e são consideradas as residências mais antigas da capital amazonense, construídas em 1819. Depois de dez anos fechadas e após a desistência de três empresas em operar a reforma, a Prefeitura de Manaus retomou a obra com recursos do Fundo Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico e Cultura (Funpatri), que elegeu as casas para aplicação do recurso.

Foto: Divulgação/Manauscult

Cessão de uso


De acordo com o diretor-presidente da Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (Manauscult), Bernardo Monteiro de Paula, as casas compõem um conjunto arquitetônico que é muito importante para a revitalização do Centro Histórico de Manaus. Após reformadas, será concedido, por meio de edital, a cessão de uso do espaço, de forma que a sociedade e turistas possam ter acesso às construções e à história das casas. O objetivo, segundo ele, é dar prosseguimento às ações de ressignificação do Centro Histórico da Cidade.

Para isso, estão sendo feitas adaptações a fim de garantir acessibilidade de todos, segundo projeto coordenado pela Manauscult. “Toda a estrutura seguirá as normas de acessibilidade, com rampas, banheiros adaptados e todos os equipamentos necessários para que seja acessível ao público manauara e aos turistas”, comentou Bernardo Monteiro de Paula.

Histórico


A casa 69 possui 137,86 m², onde funcionava um escritório de contabilidade, há mais de dez anos, quando foi desapropriada pela Prefeitura por conta do valor histórico da residência. A casa de número 77, que faz esquina com o Beco José Casemiro, tem 151,24m², e já foi um bar antes de ter a desapropriação aprovada.

Em Manaus, o Funpatri foi criado pela Lei nº 722, de 4 de dezembro de 2003, e regulamentado pelo Decreto nº 8.525, de 21 de junho de 2006.

Gisele Bündchen publica vídeo em defesa da Amazônia

"E se nós perdermos a Amazônia?" É com esta pergunta que a modelo Gisele Bündchen abre vídeo publicado nesta quinta-feira (31) nas redes sociais. Na gravação, feita no Museu da Amazônia (Musa), em Manaus, a top model conversa com o cientista Antonio Nobre, que explica os prejuízos que a devastação da Amazônia poderá causar ao planeta.

No texto, ela convoca seus seguidores a assinarem a petição contra a exploração de minérios na região.

Desde o anúncio da extinção da Reserva Nacional de Cobre e Associados (Renca), localizada entre os estados do Pará e do Amapá, a modelo vem utilizando as redes sociais para se posicionar contra a decisão do Governo Federal e em defesa da Amazônia.

Confira:



Uatumã é pioneira no uso sustentável

Com quase 425 mil hectares, mais de três vezes o tamanho da cidade de São Paulo, a Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Uatumã, no estado do Amazonas, é pioneira no ordenamento de uso público sustentável, com objetivo de conservação dos recursos naturais, a partir do envolvimento da comunidade local.
Foto:Divulgação/MMA
Localizada nos municípios de São Sebastião do Uatumã e Itapiranga, a reserva tem como missão proteger a biodiversidade e, ao mesmo tempo, fortalecer o modo de vida tradicional. Dessa forma, promove o desenvolvimento social através da conservação da natureza e do resgate do extrativismo florestal, garantindo sustentabilidade para a comunidade.

Desde 2010, a RDS é apoiada pelo Arpa, o que tem possibilitado o fortalecimento do envolvimento da comunidade na gestão da unidade. “Segundo os moradores, os processos de implementação das atividades não ocorriam da mesma forma que estão ocorrendo com a chegada do programa. A unidade está melhor estruturada para conduzir a atividades planejadas, de forma a garantir a participação de todos na conservação dos recursos naturais disponíveis e o uso sustentável dos mesmos”, informou o gerente da unidade, Cristiano Gonçalves.

Em pouco mais de sete anos, o Arpa investiu R$ 680 mil na formação do Conselho, sinalização, proteção, equipe técnica, equipamento e monitoramento na unidade. “A reserva de Uatumã agora conta com sinalização dos principais pontos, o que facilita o entendimento definido no Plano de Gestão da unidade. Além disso, as atividades de proteção melhoraram muito com o aporte de recursos do programa”, contou Gonçalves.Biodiversidade

Entre os meses de agosto e dezembro, mais de mil turistas visitam as áreas da Reserva de Uatumã, que são compostas por serras, praias de areia branca, cachoeiras, sítios arqueológicos e a imensidão da floresta amazônica. Além da beleza cênica, a unidade abriga diversas ações de preservação e conservação da biodiversidade.

Um exemplo é o Projeto Quelônios do Uatumã, desenvolvido pelo Centro de Preservação e Pesquisa de Quelônios Aquáticos (CPPQA), com apoio da comunidade local, que é capacitada para atuar na vigilância de tabuleiros de quelônios, transplante e criação filhotes em berçários até que os mesmos atinjam tamanho mínimo para retornarem para o rio.

Segundo o gerente da RDS, a participação e o envolvimento da comunidade garantem a preservação das espécies. “Os tucunarés, por exemplo, que já estavam quase extintos devido à grande pressão da pesca predatória, já recuperaram os estoques e estão gerando renda para os moradores devido à alta procura de pesca esportiva na região”, disse.*Deixe o Portal Amazônia com a sua cara. Clique aqui e participe.

Arpa apoiará novas unidades na Amazônia

Foto:Andre Dib/Ascom-MMA
No mês em que completa 15 anos, o Programa Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa), coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), anuncia o apoio a três novas unidades de conservação. São elas a Reserva Biológica do Guaporé e o Parque Nacional Pacaás Novos, em Rondônia, e o Parque Nacional do Monte Roraima, na tríplice fronteira entre Brasil, Venezuela e Guiana.

A decisão foi tomada pelo Comitê do Arpa nesta quinta-feira (10/08), em reunião ordinária no Ministério do Meio Ambiente. Dessa forma, o programa vai superar a meta de apoiar 60 milhões de hectares, com 60,7 milhões de hectares em 117 unidades de conservação. O comitê é formado pelo MMA, sociedade civil, doadores e gestores dos órgãos ambientais.

Com o apoio financeiro, as UCs poderão elaborar plano de manejo, realizar reuniões do conselho e providenciar proteção e aquisição de equipamentos para consolidação da proteção ambiental. Segundo o diretor do Departamento de Áreas Protegidas do MMA, Warwick Manfrinato, foram três meses intensos de tratativas no comitê. “Internalizamos a compreensão do Arpa entre os membros, da complexidade em que nos encontramos e da importância desse apoio tanto financeiro quanto de governança que faz o Arpa ser um programa muito importante para o governo”, disse.

O diretor ressaltou que a experiência obtida com o programa permite transferir os benefícios conquistados a áreas não atendidas pelo Arpa. “Definitivamente, precisamos expandir, até no sentido de transferir a tecnologia para outros biomas, inclusive para umas das regiões que o Brasil precisa proteger que é a região oceânica”, disse. Em setembro, o governo brasileiro participa do 4º Congresso Internacional de Áreas Marinhas Protegidas (Impac4), no Chile.

Nesta quinta-feira (10/08), também foi oficializado Acordo de Cooperação entre o estado de Roraima e o Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio) para a implementação das ações do Programa Arpa. Entre as ações, está a elaboração de estudos necessários à criação de seis novas unidades de conservação no estado.

Sobre a ARPA

Coordenado pelo MMA e executado em parceria com agências de áreas de proteção federais e estaduais, instituições privadas e sociedade civil, o Arpa é gerenciado financeiramente pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio) e financiado com recursos do Global Environment Facility (GEF), do governo da Alemanha (KfW), da Rede WWF, Moore Foundation e do Fundo Amazônia, por meio do BNDES, além de empresas como a Anglo American, sempre podendo ser apoiado por outros parceiros interessados.

A consolidação do programa Arpa significa a implantação de uma estrutura mínima de gestão que garanta a integridade das unidades de conservação no curto prazo e viabilize o planejamento a médio prazo. Com isso, essas áreas podem cumprir as finalidades para as quais foram criadas.*Deixe o Portal Amazônia com a sua cara. Clique aqui e participe.

Inpa prepara soltura de 12 peixes-bois em Manacapuru

Após viverem cerca de seis anos no cativeiro, doze peixes-bois jovens e adultos serão levados do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC) para um lago, no semi-cativeiro, em Manacapuru (a 68 quilômetros de Manaus) para futuramente serem soltos na natureza. A translocação dos animais, sendo sete fêmeas e cinco machos, terá início na madrugada da próxima terça-feira (15) e prosseguirá na quarta e quinta-feira (16 e 17), quando serão levados quatro animais por dia.
Foto:Divulgação/Inpa
Prevista para iniciar por volta das 3h30 da manhã, a ação envolverá cerca de 10 colaboradores, entre pesquisadores, veterinários, tratadores e técnicos do Laboratório de Mamíferos Aquáticos (LMA/Inpa). A saída para Manacapuru, via terrestre, será às 5h da manhã e o retorno está previsto para às 12h do mesmo dia.

A atividade faz parte do Programa de Reintrodução de Peixes-bois da Amazônia, coordenado pela pesquisadora do Inpa, Vera Silva, líder do LMA, e conta com o apoio do Projeto Museu na Floresta, uma parceria entre o Inpa e a Universidade Kyoto, do Japão.

Segundo o responsável pelo Programa, o biólogo e mestre em Biologia de Água Doce e Pesca Interior pelo Inpa, Diogo Souza, as ações tiveram início em 2008 e até agora já foram devolvidos para a natureza 12 animais. Souza conta que no início a reintrodução era feita diretamente do cativeiro para o ambiente natural, mas percebeu-se com os resultados iniciais que os animais tiveram dificuldades de se readaptarem à natureza.

“Desde 2011 implementamos uma nova etapa, chamada de semi-cativeiro, em Manacapuru”, diz o biólogo. “É um lago semi-natural de piscicultura com 13 hectares de extensão (equivalente à área do Bosque da Ciência do Inpa, em Manaus) e profundidade média de 2 metros, que detém as condições ideais para a readaptação gradual dos animais ao ambiente natural”, destaca.

Segundo o biólogo, nesta fase intermediária, os animais podem se alimentar sozinhos e terem a oportunidade de manter contato com outros peixes-bois, já que chegam ao Inpa ainda filhotes. “Este é um grande problema, pois eles chegam aqui, no Instituto, filhotes e muito debilitados após serem resgatados da caça ilegal”, diz Souza.

Na opinião do responsável pelo Programa de Reintrodução de Peixes-bois da Amazônia, esta é a fase mais crucial para a sobrevivência dos animais - a do berçário. “Mas depois que passam dessa fase, se o animal tem sucesso na reabilitação, permanece no cativeiro por um período de até 6 anos”, diz Souza.

Após serem selecionados no cativeiro é feita a etapa de translocação para o semi-cativeiro, onde permanecem por pelo menos um ano. Lá, são feitas capturas anuais, geralmente, em outubro, para avaliar as condições físicas dos indivíduos. A partir daí, os mais aptos são selecionados para serem devolvidos à natureza.*Deixe o Portal Amazônia com a sua cara. Clique aqui e participe.

Fundo Amazônia vai investir R$ 150 milhões em novos projetos

O Fundo Amazônia abre nesta quarta-feira (9) chamada pública para projetos de conservação e uso sustentável da floresta com foco em atividades produtivas sustentáveis. Serão selecionados até dez projetos na Amazônia Legal, que receberão de R$ 10 milhões a R$ 30 milhões. O total financiado será de R$ 150 milhões.
Foto:Reprodução/Fapeam
“Queremos aumentar a base de projetos e entidades que possam receber do Fundo Amazônia e fazer uma aplicação de recursos mais ágil e efetiva”, disse a diretora de Gestão Pública e Socioambiental do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Marilene Ramos.

O fundo é gerido pelo banco, em cooperação com o Ministério do Meio Ambiente, e mantido com recursos de doações, destinadas a projetos de prevenção, monitoramento e combate ao desmatamento e de promoção da conservação e do uso sustentável da floresta. Em seus 8 anos de atuação, o Fundo Amazônia já investiu cerca de R$ 1,4 bilhão em 89 projetos de diferentes segmentos e regiões da Amazônia Legal.

Os projetos da nova chamada pública deverão trabalhar para o fortalecimento da atividade econômica de comunidades que possam atuar como guardiões da floresta, como povos e comunidades tradicionais, populações ribeirinhas, famílias assentadas pela reforma agrária, projetos de agricultura familiar, povos indígenas e quilombolas que vivem na Amazônia Legal.

Para o BNDES, essas comunidades têm um papel fundamental na defesa da Amazônia, pois trabalham de forma natural com os recursos da sociobiodiversidade florestal, gerando renda e desenvolvimento econômico e social. Ou seja, elas valorizam a floresta em pé, pois tiram de lá o seu sustento.

Os projetos poderão ser apresentados por associações, cooperativas, fundações de direito privado e empresas privadas, na modalidade aglutinadora. Ou seja, a entidade proponente deverá aglutinar pelo menos três subprojetos de outras organizações, de forma integrada e coordenada. Eles terão que abranger pelo menos uma das seguintes atividades econômicas: manejo florestal madeireiro e não madeireiro, incluindo manejo de fauna silvestre; aquicultura e arranjos de pesca; sistemas alternativos de produção de base agroecológica e agroflorestal; e turismo de base comunitária.

O período de inscrição termina em 7 de dezembro de 2017 e a divulgação final dos aprovados está prevista para 13 de abril de 2018. As informações estão no site do Fundo Amazônia.

Outras duas chamadas serão feitas pelo fundo este ano. A primeira voltada para os municípios e a segunda para ações de restauração de áreas degradadas, o que vai contribuir para o compromisso brasileiro no Acordo de Paris de restaurar 12 milhões de hectares de florestas degradadas até 2030. Há a previsão ainda de outra chamada para apoiar projetos de assentamentos rurais.

Desmatamento na Amazônia Legal

As iniciativas vão reforçar as ações de preservação da floresta, após dois anos seguidos de aumento do desmatamento na Amazônia Legal. Desde 2004, o desmatamento na Amazônia foi reduzido em mais de 70%, após o segundo pico mais alto da história do monitoramento do bioma, com 27.772 km² de floresta derrubada naquele ano. De 2009 a 2015, o ritmo do desmatamento manteve-se estagnado em um patamar médio de 6.080 km² por ano.

A nova seleção de projetos foi anunciada hoje (9) durante a apresentação do Relatório de Atividades 2016 e dos resultados do Fundo Amazônia, para dar transparência e publicidade sobre os recursos do fundo, principalmente para os seus doadores.Desde 2009, o Fundo Amazônia já recebeu um aporte de mais de R$ 2,8 bilhões, provenientes de três fontes: do governo da Noruega, cerca de 97,4% do total (aproximadamente R$ 2,775 bilhões); da Alemanha, com 2,1% (cerca de R$ 60,697 milhões); e da Petrobras, com 0,5% (R$ 14,7 milhões).

Em junho, durante a visita do presidente Michel Temer à Noruega, a primeira-ministra norueguesa, Erna Solberg, disse que o aumento do desmatamento na Amazônia, vai levar à redução das contribuições ao fundo este ano. Em 2016, foram mais de R$ 330 milhões, mas os valores para 2017 ainda não foram divulgados.

Durante o evento, a embaixadora da Noruega no Brasil, Aud Marit Wiig, confirmou que os pagamentos ao fundo refletem os resultados na redução do desmatamento, mas disse que o governo norueguês está satisfeito com os resultados do fundo. “As conquistas do Brasil nas últimas décadas são impressionantes e fizeram do país uma liderança global em questões de mudanças climáticas. Até 2015, os resultados eram massivos e enchiam os olhos. As recentes tendências do aumento do desmatamento não são encorajadoras e merecem reflexão, boas estratégias e esforços para reverter a situação”, disse.

O primeiro compromisso da Noruega de doar até US$ 1 bilhão foi cumprido. Com o sucesso da pareceria, o país anunciou o aporte de mais aproximadamente US$ 600 milhões durante Conferência das Partes de Paris (COP-21). Entretanto, as doações vão acontecendo anualmente conforme as regras estabelecidas pelo governo do país, de atrelar os valores ao desmatamento do ano anterior, em comparação aos últimos dez ou cinco anos.

A diretora do BNDES, Marilene Ramos, explicou que a redução dessas doações não restringe os projetos que estão em execução pelo Fundo Amazônia e nem os que estão sendo planejados, já que o fundo ainda tem R$ 1,4 bilhão para serem investidos.

Segundo Marilene, com a declaração da primeira-ministra norueguesa, ficou a ideia errada de que os governos doadores têm ingerência sobre as políticas para a Amazônia. Ela explicou que o fundo é brasileiro e a definição de projetos é feita por um comitê orientador tripartite e estão em conformidade com as diretrizes do Plano de Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm) e a Estratégia Nacional de REDD+ (ENREDD+).

“Toda atuação do Fundo Amazônia é feita totalmente ancorada em política pública nacional”, disse.
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Embrapa: 174 milhões de hectares de mata preservada estão em áreas privadas

Foto:Reprodução/USP
Cálculos do Grupo de Inteligência Territorial Estratégica (Gite) da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) indicam que mais de 174 milhões de hectares de vegetação nativa preservados estão dentro de imóveis rurais particulares. A quantidade corresponde a 47,7% da área total dos imóveis rurais brasileiros cadastrados no Sistema Nacional de Cadastro Ambiental Rural (SICAR) até dezembro de 2016, excluindo os estados do Mato Grosso do Sul e do Espírito Santo, que ainda não estão no sistema. As informações são da Agência Brasil.

“Em todos os estados, os agricultores preservam mais do que a lei exige. Eles estão todos acima do mínimo. Esse mínimo é por bioma. No bioma Mata-Atlântica é 20%, no bioma Cerrado e Pampa também. Passa a 35% quando o cerrado está na Amazônia Legal, enquanto no bioma Amazônia é 80% [a exigência] de área preservada”, destacou o coordenador do estudo e pesquisador da Embrapa Evaristo de Miranda.

O Cadastro Ambiental Rural (CAR) é um registro eletrônico, obrigatório para todos os imóveis rurais. Ele foi instituído pelo novo Código Florestal. Os agricultores têm prazo para cadastrar todo o seu capital ambientalaté o fim de 2017. No entanto, a maioria dos registros já havia sido feita até dezembro de 2016.

Oportunidade

“O governo fala de pagamentos de serviços ambientais, diz que é bom para o planeta, para a bacia hidrográfica e para a chuva. Mas quem está bancando sozinhos são os agricultores, muitos deles pequenos produtores. Às vezes, para eles isso é pesado. Acho que a gente deveria, com esses números, se inspirar para buscar caminhos que pudessem ajudar um pouco esses agricultores pelo que eles fazem por todos”, acrescentou Miranda.

Para o gerente do Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora), Luís Fernando Guedes, a grande quantidade de mata preservada dentro dos imóveis rurais pode representar um diferencial e uma oportunidade comercial para o país.

“É uma oportunidade potencialmente comercial de colocar aos mercados internacionais que nossa produção está associada à conservação, usando para isso as certificações e vários outros instrumentos. Podemos atrair recursos capitais que vão manter a floresta em pé, para os serviços ambientais. É uma questão de reputação e imagem do Brasil na comunidade internacional”, destacou.

Agenda

Guedes afirmou que a quantidade de mata preservada não deve ser encarada como justificativa para uma elevação no desmatamento. “A agenda que o Brasil protege muita floresta é uma agenda positiva. É uma oportunidade e ela não é um argumento para justificar que precisa desmatar mais.”

“Não tem nenhum argumento que justifique desmatar para aumentar a produção agropecuária. O aumento da nossa safra, da riqueza gerada pelo setor ela pode acontecer pela via da intensificação, de uso mais racional da terra, de um aproveitamento melhor das áreas abertas”, concluiu.

Jaru registra 223 espécies de mamíferos e aves

A equipe da Reserva Biológica (Rebio) do Jaru, em Rondônia, participou de expedição de campo para a primeira coleta de dados de mamíferos de médio e grande portes diurnos e aves cinergéticas (alvos de caça) e a segunda coleta de borboletas frugívoras (alimentam-se de frutas).
Foto:Divulgação/ICMBio
Na coleta de mamíferos e aves, foram feitos 88 avistamentos, totalizando 223 espécimes, como cutia, cachorro do mato, veado vermelho, veado roxo, cateto, tamanduá-mirim, macaco de cheiro, sagui, macaco aranha, barrigudo, zogue-zogue, cuxiú, jacamim, mutum, jacu e várias espécies de inhambu.

Já na coleta de borboletas, realizada nas três unidades amostrais do Programa de Monitoramento In Situ da Biodiversidade, implantadas na reserva, no rio Tarumã, foram capturados 224 espécimes de 8 tribos diferentes – ageroniini, epicaliini, epiphilini, coeini, preponini, morphini, brassolini, satyrini. Em cada unidade foram implantadas quatro subunidades com quatro armadilhas cada, totalizando 16 armadilhas por unidade.

As três trilhas de mamíferos e aves, de cinco quilômetros cada, foram varridas e posteriormente percorridas diariamente a uma velocidade de aproximadamente 1 km/h para realização dos avistamentos.

Urbanização altera qualidade da água do igarapé da Bolívia, em Manaus

A qualidade da água do igarapé da Bolívia, que tem sua nascente na Reserva Florestal Adolpho Ducke, em Manaus, tem sido alterada devido as características da urbanização. Estas foram as conclusões do estudo “Hidrologia e hidroquímica em igarapés com origem em Reserva Florestal sob crescente pressão antrópica no seu entorno”, do químico e doutor em Engenharia Ambiental, Sávio José Filgueira Ferreira, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).

Ainda de acordo com a pesquisa, que contou com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), na mesma reserva outros igarapés ainda têm suas nascentes preservadas e em condições naturais.
Na Reserva Florestal Adolpho Ducke as águas saem claras da nascente e vão adquirindo uma coloração mais escura (Foto:Divulgação/Fapeam)
Segundo o coordenador do estudo, o levantamento tinha a proposta de estudar os igarapés nas condições naturais, avaliar a passagem das águas por sítios e balneários na área urbana, para entender os processos de degradação dos recursos hídricos. O estudo buscou investigar que impactos as águas drenadas da reserva, que fazem parte da bacia do Tarumã, sofrem ao sair da reserva.

“Observamos que a medida que área urbana de Manaus vai aumentando, vários cursos da água são atingidos. Vários igarapés da cidade foram atingidos. Classicamente, conhecemos o problema do Mindu, que vem da zona leste e passa pelo Parque 10. O igarapé já foi muito utilizado pela sociedade e hoje não tem condições de uso. Quer dizer, aquilo que era um recurso para sociedade foi perdido”, disse o pesquisador.

Sávio informou que a partir do estudo foi possível comprovar que as águas de dentro da reserva ainda estão preservadas. À medida que as águas saem da reserva e passam por sítios e balneários elas mantêm suas características. No entanto,  a pesquisa indica que a urbanização impacta na qualidade da água. “Os resultados mostraram que quando há um adensamento da população, ou seja, as características de uma urbanização, aí sim, há um processo de degradação”, afirmou o pesquisador.
O pesquisador Sávio José Filgueira Ferreira comprovou que as características da urbanização altera a qualidade da água do igarapé da Bolívia (Foto:Divulgação/Fapeam)
De acordo com o pesquisador, durante dois anos o grupo de pesquisa, composto por pesquisadores do Inpa e universitários bolsistas de Iniciação Científica, ia a campo semanalmente coletar amostras de águas dos igarapés da reserva em locais distintos. A cada 15 dias os pesquisadores retornavam ao local e coletavam uma nova amostra para analisarem no laboratório de química ambiental do Inpa.

“O que observamos é que grande parte da reserva os recursos hídricos se encontram em condições naturais, ou seja, as águas nesses locais de terra firme são ácidas, tem baixo teor de nutrientes, de íons na água, são águas muito pobres. A exceção é o igarapé da Bolívia que recebe um afluente de outro igarapé que vem da parte urbana da cidade. Esse outro igarapé adentra a reserva e se encontra com o igarapé Bolívia. A partir do encontro o Bolívia já sai poluído de dentro da reserva”, explicou o químico.

Os resultados alcançados são de grande relevância e permitem auxiliar decisões políticas e ambientais, mas é preciso dar continuidade, conforme o pesquisador. O monitoramento desses recursos hídricos precisa ser constante.

"A cidade está cada vez mais pressionando a Reserva. A cidade tem um grande número de automóveis que causa poluição atmosférica, precisamos avaliar se está havendo modificações com o tempo. Também sabemos que há estudos que comprovam alterações climáticas, temos que estudar quais são as influências de tudo isso nos nossos recursos hídricos”, disse Sávio.
A pesquisa pretende avaliar a passagem das águas por sítios e balneários na área urbana e saber a degradação dos recursos hídricos (Foto:Divulgação/Fapeam)

Moradores de Mamirauá sofrem com pesca ilegal e o desmatamento na região

Foto: Divulgação/Instituto Mamirauá
As reservas de Mamirauá e Amanã ficam localizadas próximas ao município de Tefé. Conhecidas mundialmente pelo seu trabalho com a preservação de espécies amazônicas, atualmente segundo comunitários da Associação de Agentes Ambientais Voluntários a região vem sendo dominada pela pesca ilegal e pelo desmatamento. Quatro agentes ambientais voluntários vieram até Manaus dialogar com representantes e órgãos ambientais para tentar chegar a uma solução.

As duas reservas estão localizadas a cerca de 600 km a oeste de Manaus. Elas abrangem mais de 3,4 milhões de hectares de terras. Entretanto, toda essa área tem apenas a presença de 122 agentes ambientais voluntários da própria comunidade que trabalham orientando a população com relação a preservação e manutenção dos recursos ambientais das reservas.

Segundo o agente ambiental, Muniz Correia Torga, uma das principais preocupações é referente à pesca ilegal do pirarucu. “Praticamente todo mundo que mora nessas regiões depende do manejo do pirarucu. Entretanto a falta de fiscalização tem trazido várias pessoas de fora da região atrás de pescado ilegal, fora das regras do manejo. Isso faz com que o nosso preço caia bastante e está ficando cada vez mais difícil sustentar a família”, afirma.

Segundo os próprios comunitários, enquanto em Tefé o quilo do pirarucu fresco fica em torno de R$17,00, os atravessadores compram dos pescadores da reserva a R$3,00 o quilo, aproximadamente R$13,00 mais barato. Um dos motivos é a compra ilegal de pescado na própria reserva.

O também agente ambiental voluntário Luiz Sérgio afirma que o desmatamento também tem sido uma das preocupações. “A gente sabe que existe desmatamento na reserva. Entretanto somos apenas agentes e não temos poder de polícia. Por isso viemos até Manaus falar com os órgãos ambientais e ver se conseguimos ser ouvidos, a comunidade está esperando de nós essa resposta”, afirmou Luiz.
Os agentes se reuniram hoje com o deputado Luiz Castro, presidente da Comissão do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Caama) da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas. Segundo o parlamentar todas as reivindicações perpassam pela responsabilidade do Estado. “De uma maneira ou de outra, com os cortes de verbas para os órgãos de meio ambiente o Estado do Amazonas acabou deixando que sérias situações acontecessem em Mamirauá”, afirma o deputado.

Os agentes ambientais estão em Manaus ainda essa semana e tem agenda marcada com representantes do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) e a Secretaria de Estado de Meio Ambiente do Amazonas. Luiz Sérgio acredita que o diálogo pessoal pode trazer grandes frutos. “Mamirauá é uma das mais conhecidas áreas de preservação do país. Turistas de todo o mundo se encantam com nossas belezas naturais. Mesmo num período de crise é importante continuarmos mantendo essas regiões”, finalizou o agente.

Sema desenvolve ações voltadas à sustentabilidade em Mato Grosso

Apesar de ser um gigante também das águas, abrigando em seu território três das 12 bacias hidrográficas no país, entre elas, a Amazônica, a maior do mundo com 4 milhões de km² em território brasileiro, Mato Grosso não está livre de viver uma crise hídrica.


No dia Mundial da Água, o secretário de Estado de Meio Ambiente e vice-governador, Carlos Fávaro, lembra da recente escassez vivida pela população de Tangará da Serra (239 km a médio-norte da capital), que ocorreu no ano passado por causa da ausência de chuvas. “Não queremos que uma crise hídrica severa chegue ao nosso estado, afetando o abastecimento da população e também a produção”.

Para isso, ele explica que a Sema, em parceria com outros órgãos públicos federais, estaduais, municipais e o terceiro setor, vem desenvolvendo há cerca de 20 anos políticas públicas voltadas à conservação desse bem vital para a humanidade.

Entre as ações estão: fomento e apoio aos Comitês de Bacias Hidrográficas (CBHs), que atua na regionalização da gestão da água; implementação do instrumento de outorga na área do licenciamento; monitoramento dos rios, tanto em qualidade como em quantidade; a confecção de planos de bacias, feito conjuntamente com a sociedade civil organizada; e a criação, em 2003, do Conselho Estadual de Recursos Hídricos (Cehidro).

Mato Grosso não está livre de viver uma crise hídrica. Foto: José Medeiros/Gcom-MT

Além disso, o governo do estado também integra o Pacto das Cabeceiras do Pantanal, que reúne 25 municípios da bacia hidrográfica do Alto Paraguai e outros parceiros da sociedade civil organizada, que assumiram 34 desafios que compreendem várias ações prioritárias para implantação até 2020, como a recomposição de matas ciliares nas nascentes de rios da região.

Referência no Centro-Oeste

Desde a publicação da Política Estadual de Recursos Hídricos (Lei nº 6945/1997), o estado se tornou referência na gestão da água na região Centro-Oeste e Norte do país ao ser o primeiro a aprovar o Plano Estadual de Recursos Hídricos (2009), logo após a aprovação do Plano Nacional de Recursos Hídricos (2006).

Também está implantado e em funcionamento o Cehidro desde 2003, cuja competência é exercer funções normativas, deliberativas, consultivas e recursais para a formulação e acompanhamento da política de recursos hídricos no estado, o que garante vaga a Mato Grosso junto ao Conselho Nacional de Recursos Hídricos e participação efetiva junto a duas câmaras técnicas: de água subterrânea e de integração de procedimentos, ações de outorga e ações reguladores.

Mato Grosso abriga em seu território três das doze bacias hidrográficas existentes no país: Paraguai, Araguaia/Tocantins e Amazônica, das quais esta última a maior do mundo com 7 milhões de km² de extensão (4 milhões km² em território brasileiro).

Rios: monitoramento da água

Além de desenvolver esses projetos focados em prevenção, a Sema também avalia a qualidade da água por meio de atividades de monitoramento da qualidade da água dos rios de Mato Grosso. De acordo com o coordenador de Monitoramento da Qualidade Ambiental, Sérgio Batista de Figueiredo, o estudo de balneabilidade, realizado anualmente visa subsidiar a atuação das prefeituras e dos órgãos de fiscalização e prever consequências futuras que decorreriam de uma expansão das atividades na área e de desenvolver medidas adequadas de controle.
Foto: José Medeiros/Gcom-MT

O laboratório da Sema recebeu no ano passado investimentos de R$ 600 mil da Agência Nacional da Água (ANA), a partir da aquisição de equipamentos, veículos, barcos e motores. A proposta é dar início este ano à operação da Rede Nacional de Monitoramento da Qualidade da Água, do programa Qualiágua, que prevê mais R$ 1,6 milhão em recursos para Mato Grosso ampliar o número de estações de monitoramento de 82 para 150, nos próximos cinco anos. As ações práticas de modernização do trabalho já se iniciaram e visam analisar os índices de poluição nos rios mato-grossenses.

Aproximação com municípios

Para assegurar que a população tenha acesso a água é imprescindível a manutenção dela nos rios e isso acontece também a partir de do mecanismo administrativo dirigido pelos Comitê de bacias Hidrográficas (CBHs). A gerente de Fomento e Apoio a Comitês de Bacias Hidrográficas da Sema, Leonice de Souza Lotufo, explica que Mato Grosso tem hoje 10 comitês instituídos e 6 empossados. Outros quatro estão em processo de posse, o próximo será o comitê de Cuiabá, nesta quarta-feira (22.03), e do médio-teles pires no dia 31 de março. Outros dois tomarão posse ainda este ano. “A Sema também atua oferecendo suporte técnico e incentivando a criação de novos CBHs, além de ser responsável por validar as ações dos comitês antes delas serem implementadas”.

Investimentos de R$ 5 milhões

Em abril de 2017, a Superintendência de Recursos Hídricos da Sema dará continuidade ao Programa de Consolidação do Pacto Nacional pela Gestão das Águas (Progestão), cuja primeira etapa ocorreu entre os anos de 2013 e 2017. No Progestão 2, será investimento R$ 1 milhão anual, no período de 5 anos, com metas federais e estaduais a serem cumpridas, com o acompanhamento do Cehidro. “Esse programa tem como objetivo de fortalecer a política estadual de recursos hídricos, gerando mais ações aos municípios do estado”, afirma o superintendente da área na Sema, Luiz Henrique Noquelli.

No Dia Mundial da Floresta, Ministro defende uso sustentável de recursos

Preservação da biodiversidade, sobretudo da Amazônia, por meio da sustentabilidade e, não apenas, por ações de comando e controle. Esta foi a ideia defendida pelo ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, na manhã desta terça-feira (21). No Dia Mundial da Floresta, o ministro participou da premiação dos vencedores do IV Prêmio Serviço Florestal Brasileiro em Estudos de Economia e Mercado Florestal. O evento aconteceu no auditório da Confederação Nacional das Indústrias (CNI), em Brasília.

“Temos instrumentos para atuar nessa vertente. Mas ela não pode ser a única. Quando falha, o desmatamento dispara, como aconteceu nos últimos dois anos”, alertou.
 
Foto:Divulgação/Ascom-MMA
Sarney Filho entregou o prêmio ao vencedor da categoria Profissional, José Antônio Sena do Nascimento, com o trabalho Contas Econômicas Ambientais de Florestas-Ceaf: Uma proposta de trajetória metodológica e institucional para aplicação no Brasil.

A diretora de Relações Institucionais da CNI, Mônica Messenberg, disse que a indústria tem interesse no desenvolvimento do setor florestal brasileiro baseado nos parâmetros da sustentabilidade. “A parceria com o Ministério do Meio Ambiente é estratégica para isso. Precisamos ter um diferencial competitivo e instrumentos como o Cadastro Ambiental Rural (CAR) e o Sistema Nacional de Controle da Origem e dos Produtos Florestais (Sinaflor) são esforços fundamentais do governo nessa direção”, disse.

Concessões

De acordo com o ministro, o Brasil tem a necessidade de uma nova visão sobre a biodiversidade, baseada na preservação dos serviços ecossistêmicos dos biomas, e o ministério está reforçando sua atuação nesse sentido.

Sarney Filho afirmou que a pasta aumentou o número de concessões florestais desde o início de sua gestão e defendeu ainda as iniciativas de manejo como forma de dar sentido econômico às florestas. “Quando se fala em atividade florestal, se fala naquilo que nós desejamos, acrescido à inclusão social e ao combate à pobreza ao mesmo tempo em que os serviços ambientais são mantidos”, disse.

De acordo com ele, a participação da sociedade civil, produtores, órgãos institucionais e federados, estados e municípios é fundamental para que a estratégia mude a relação do Brasil com suas florestas. “Essa luta é para defender os direitos difusos da sociedade e das pessoas que ainda nem nasceram”, afirmou.

Prêmio

A IV edição do Prêmio teve 50 inscritos. Realizado pelo Serviço Florestal Brasileiro em parceria com a Escola de Administração Fazendária (ESAF) e Confederação Nacional das Indústrias (CNI), o objetivo é estimular a produção de estudos de economia e mercado florestal.

Para discutir a temática da produção florestal sustentável na academia e nos setores produtivos o concurso tem como tema a Economia e os Mercados Florestais – e subtemas variados.Além de promover o debate econômico sobre o uso produtivo e sustentável das florestas brasileiras, o SFB pretende criar um portfólio de estudos para ser utilizado pelo órgão para o aprimoramento de políticas públicas.

Foram distribuídos R$ 53 mil entre os ganhadores. Na categoria Profissional, R$20 mil, R$10 mil e R$8 mil ao primeiro, segundo e terceiro lugares respectivamente. Os ganhadores da categoria Graduando recebem R$ 7 mil, R$ 5 mil e R$ 3 mil.
Veja aqui os premiados.

MPF/AM pede delimitação de áreas de preservação para sauins-de-coleira

A prefeitura de Manaus terá que realizar, com urgência, estudos para identificar e delimitar as áreas de ocorrência do sauim-de-coleira (Saguinus bicolor). A determinação atende a uma ação civil pública ingressada pelo Ministério Público Federal no Amazonas (MPF/AM) na Justiça Federal.  A pesquisa deverá contar com a participação do Grupo de Trabalho do Plano de Ação Nacional para a Conservação do sauim-de-coleira (PAN Sauim). 

Na ação, o MPF requer que a prefeitura publique, no prazo de até 180 dias, um decreto com a completa descrição das áreas de preservação permanente a serem criadas, sob pena de multa diária de R$ 10 mil, a recair sobre o patrimônio pessoal do prefeito de Manaus.
Foto:Maurício Noronha/Agência de Notícias de Direitos Animais
Caso o Poder Executivo municipal não identifique quais fragmentos florestais devem ser preservados, a ação pede que a Justiça proíba a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas), o Instituto de Proteção Ambiental do estado do Amazonas (Ipaam) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) de conceder autorização para qualquer desmatamento legalizado, até a edição do decreto com a completa descrição das áreas de preservação permanente a serem criadas.

Ameaça real

A espécie é considerada “criticamente em perigo” pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), desde 2003.

Devido a sua distribuição geográfica restrita – só existe nos municípios de Manaus, Rio Preto da Eva e Itacoatiara, a extinção local significa a extinção total da espécie na natureza. Por isso, o MPF defende que as áreas de vivência do sauim-de-coleira sejam prioritariamente preservadas, diante da real ameaça de extinção da espécie.

O MPF observa a necessidade implementar e colocar em prática o que está previsto no artigo 32, inciso IV, do Código Ambiental do Município de Manaus. Trata-se do dispositivo que decretou como áreas de preservação permanente aquelas “que abriguem exemplares raros, ameaçados de extinção ou insuficiente desconhecidos da flora e da fauna, bem como aquelas que servem de pouso, abrigo ou reprodução de espécies migratórias”.

De acordo com a Constituição Federal, a alteração ou supressão de área de preservação permanente é permitida somente por meio da lei, e somente ocorrerá em caso de utilidade pública, interesse social ou intervenções de baixo impacto ambiental, devendo ser previamente autorizadas pelo órgão competente, em processo administrativo próprio, motivado tecnicamente e observando as condições estabelecidas na Resolução do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) 396/2006.A ação civil pública tramita na 7ª Vara e aguarda decisão da Justiça. 

Jovens de Manaus aderem ao movimento 'Lixo Zero'

Quem tem 50 anos ou mais, com certeza lembra de uma Manaus antiga bem mais limpa do que a atual. As ruas não tinham lixo esparramado pelas calçadas e os igarapés não eram cheios de garrafas PET, e outros dejetos, além de não serem poluídos. Hoje o lixo toma conta do planeta e para combatê-lo surgiu o movimento Lixo Zero.

Em Manaus, ainda timidamente, alguns jovens começaram a prática do Lixo Zero num empreendimento, o Vila Vaga Lume que, além de promover essa prática radical de nunca produzir lixo, adota outras iniciativas inusitadas como reunir numa residência o sistema da economia criativa. No restaurante, por exemplo, onde o cardápio é vegano, cada um paga o quanto acha que valeu a comida, a bebida e o serviço.

"Nosso objetivo é melhorar o mundo. Queremos ser agentes transformadores, por isso o lixo zero está inserido nessa melhora de mundo. Tentamos, diariamente, não produzir lixo algum. Levamos sacolas de pano para o supermercado ou feira, aqui no restaurante não usamos guardanapos de papel, nem copos descartáveis. Descartáveis aqui não são bem-vindos", falou Flávia Loureiro, 20 anos, a responsável pelo restaurante junto com o marido João Jarmi. Flávia contou que começou a pensar assim quando parou para refletir sobre a quantidade de lixo que produzia em casa e isso multiplicado pelo lixo produzido no mundo. Logo convenceu o marido e os amigos mais próximos a segui-la.

Em 2015, de acordo com o site do Juventude Lixo Zero, produzia-se no mundo em torno de 1,4 bilhão de toneladas de lixo no planeta. E eles perguntam: pra onde vai todo esse lixo? Temos o costume de jogar 'fora', porém, do ponto de vista do planeta, não há "fora".

Flávia e João Jarmi dividem a casa com os casais Maurício e Vivi, que produzem artesanato e pequenos quadros com imagens de figuras principalmente do cinema e da música; Igor e Kelly, músicos; e Breno, publicitário e apaixonado por agricultura. Breno cultiva o jardim do local e uma horta onde constam desde temperos, plantas medicinais e  plantas alimentícias não convencionais (pancs). E ainda faz ornamentos e decoração com plantas. 
Alguns jovens começaram a prática do Lixo Zero num empreendimento. Foto: Walter Mendes/Jornal do Commercio
Somos contra o consumismo

A vida comunitária que levam os jovens da Vila Vagalume lembra bem as comunidades hippies surgidas no planeta, principalmente nos Estados Unidos, no final da década de 1960. A diferença é que os hippies queriam mudar o mundo de forma radical, mais parecida a uma rebeldia típica de jovens contra os pais antiquados, tanto que mudaram seu pensamento quando ficaram adultos. Na Vila Vagalume não existe isso. "Aqui temos um espaço cultural. Começamos em novembro do ano passado com eventos musicais, depois passamos a servir comida vegana e agora estamos organizando oficinas de artesanato todo final de semana. Já teve oficina de pintura de vasos e de cosméticos naturais", falou Breno.

"Pregamos o cooperativismo e somos contra o consumismo e os produtos industrializados porque entendemos que são ruins para o planeta e para as pessoas. Muitos dos produtos do dia a dia, nós mesmos fazemos, como o sabão em pó e a pasta de dente. Nossas roupas e sapatos são comprados em brechós e evitamos ao máximo gastar dinheiro", contou Flávia, que tem como inspiração a americana Lauren Singer. Graduada em Estudos Ambientais, a nova-iorquina Lauren Singer sempre se incomodava quando seus colegas traziam embalagens de alimentos para a sala de aula e as jogavam no lixo, ao fim do dia. Foi então que viu a quantidade de embalagens que ela mesma utilizava em sua casa.

Percebendo-se uma grande hipócrita, por falar sobre sustentabilidade e meio ambiente e não aplicar esses conceitos em seu dia a dia, a garota, então com 23 anos decidiu mudar. Em 2012 Lauren adotou o estilo de vida lixo zero.

Dia após dia ela se acostumou a negar recibos de papel, sacolas plásticas e folhetos. Além disso, Lauren descobriu as vantagens dos alimentos produzidos localmente, e adotar um estilo de vida muito mais simples. Segundo ela, os resultados dessa mudança de hábitos foram: economia de dinheiro; alimentação melhor; e se sentir mais feliz por agir de acordo com os conceitos sustentáveis em que acredita.

Enquanto isso, em Manaus, o pessoal da Vila Vagalume quer ir mais longe. "Nosso próximo passo é criar uma ecovila, em algum sítio nas proximidades da cidade, onde não exista dinheiro", adiantou Flávia. O Vila Vagalume funciona às terças-feiras, servindo comida vegana, e às quintas, no happy hour, apresenta cantores e músicos dos mais variados estilos musicais, das 18h às 23h. Quem desejar se integrar ao movimento Lixo Zero será bem-vindo. Av. Fernão Dias Paes, 80, Dom Pedro I. 

O que fazer?

De acordo com a definição proposta pela Zero Waste International Alliance (ZWIA), o conceito Lixo Zero representa um objetivo ético, econômico, pedagógico, eficiente e visionário focado na orientação da sociedade para a mudança do estilo de vida e para práticas que incentivem a sustentabilidade, em que todos os materiais são encaminhados e reinseridos na cadeia produtiva.

Encaminhe corretamente:
Busque informações a respeito da coleta seletiva da sua cidade, onde estão localizadas as cooperativas de catadores, comporte seu resíduo orgânico, procure pontos de destinação de resíduos especiais. Organize e higienize seus resíduos para evitar a proliferação de mau cheiro e outros vetores.

Composte:
conjunto de técnicas aplicadas para estimular a decomposição de materiais orgânicos, com a finalidade de obter adubo. É uma forma de reciclar o resíduo orgânico contribuindo para evitar o esgotamento do solo e propiciando adubo de excelente qualidade. Algumas das técnicas são a compostagem seca e a vermicompostagem.

Determinação e Pró-atividade:
Busque entender a realidade da sua cidade: há coleta seletiva? Existem catadores? Cooperativas de reciclagem? Existem pontos de entrega para resíduos que precisam de tratamento diferenciado?

Sema instala sinalização informativa na Chapada dos Guimarães

A Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) instalou 40 placas de sinalização ao longo da Área de Proteção Ambiental-APA de Chapada dos Guimarães, Unidade de Conservação da Categoria de Uso Sustentável, que abrange porções dos municípios de Cuiabá, Chapada dos Guimarães, Campo Verde e Santo Antônio do Leverger. Além de informações turísticas, as placas também mostram cuidados com a travessia de animais silvestres restrições para algumas atividades no interior da Unidade de Conservação.


Foto: Divulgação
Alguns dos locais onde foram colocadas as placas são: Balneário Mutuca e a Cachoeira da Mata Fria, Praça Dom Wunibaldo (área urbana de Chapada) e Distrito de Água Fria, onde o turista pode saber mais sobre a fauna e a flora da região, localização da unidade de conservação e atividades que são desenvolvidas no local. “É muito importante para a população ter mais informação sobre a importância da unidade, todos têm um papel fundamental na conservação da natureza, juntamente com a Sema”, explica a servidora da Coordenadoria de Unidades de Conservação, Simoni  Ziober.

O recurso para a instalação dessas placas é proveniente de uma compensação ambiental, no valor de R$ 262 mil, relacionada a um empreendimento de transmissão de energia que passa pela APA de Chapada dos Guimarães.