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Sábado, 08 Mai 2021

INDT promove novas oportunidades de negócio ao Polo Industrial de Manaus

Instituto traz nova perspectiva de negócios com foco em oportunidades e novos investimentos na Indústria 4.0

Mesmo com pandemia, Polo Industrial de Manaus deve fechar 2020 com faturamento de R$ 115,2 bilhões

Dados do desempenho foram divulgados pelo presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Antonio Silva.

Setor da indústria no AM sugere medidas para 'salvar' empregos e aliviar efeitos do coronavírus

O documento reúne, em 9 tópicos, propostas de medidas como parceria do Estado com o Setor Privado e intensificar programa de compras governamentais

Instituto desenvolve parceria com empresas do PIM para atingir a Manufatura 4.0

Inaugurada em 2017, unidade conta com mais de 60 colaboradores que atuam no desenvolvimento de soluções tecnológicas. Há 17 vagas de emprego em aberto

PIM abre vagas pelo quarto mês seguido

Pelo quarto mês consecutivo o Polo Industrial de Manaus (PIM) registrou crescimento no índice de postos de trabalho com carteira assinada. Conforme os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), no mês de setembro o saldo entre admissões e demissões foi de 681 vagas de trabalho. Em agosto, o saldo havia sido positivo em 1,1 mil colaboradores.
PIM abre vagas pelo quarto mês seguido. Foto: Walter Mendes/Jornal Commercio
Por outro lado, setores como o da construção civil e do comércio apresentaram queda no volume de empregos. Para os empresários, o cenário negativo, que ainda é reflexo dos problemas econômicos nacionais, deve mudar a partir dos novos direcionamentos da economia brasileira.

Para o presidente da Federação da Indústria do Estado do Amazonas (Fieam), Antônio Silva, os resultados positivos relacionados ao segmento industrial contabilizados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) ainda não devem ser considerados como uma retomada econômica. Ele explica que as medidas iniciais implementadas pelo governo federal, somadas a algumas ações de mercado conduzidas pelas empresas locais começam a refletir no polo fabril. Porém, as demissões ainda acontecem, mesmo que em volume menos expressivo.

“A criação de empregos, neste momento, ainda não representa uma retomada econômica. Podemos considerar o fato como uma pequena movimentação em função de medidas econômicas e de ações tomadas por alguns segmentos de mercado como por exemplo o relojoeiro, o eletroeletrônico, e o de bebidas, com o polo de concentrados que é exportado”, comentou o empresário.

Segundo Silva, a previsão é que as contratações voltem a acontecer mais expressivamente a partir do segundo semestre de 2017. “A economia brasileira precisa de medidas econômicas, mas também de reformas tributária, previdenciária, política e judiciária. A partir destas mudanças o setor fabril, assim como os demais segmentos econômicos, terão melhores resultados com a consequente abertura de novas vagas de trabalho”, frisou.

Conforme o Caged, o último resultado negativo, deste ano, referente ao setor industrial foi registrado em maio com perda de 290 postos. Em junho, houve crescimento com 320 novas oportunidades e em julho, com 273 admissões.

Ao contrário do setor industrial, o segmento da construção civil registrou perda de 308 postos de trabalho em setembro. Em relação a agosto deste ano, a variação foi de 1,1%, mês em que houve 171 demissões.

Segundo o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Amazonas (Sinduscon-AM), Frank Souza, o mercado da construção civil mostra equilíbrio, apesar do volume negativo de postos de trabalho. Ele considera a variação de 1,1% como pouco representativa. “Os números mostram que o mercado está equilibrado. Não está contratando. Porém, a diferença entre a entrada e a saída de funcionários é pouco representativa. Neste ano, já tivemos quatro lançamentos imobiliários e há previsão de melhoras a partir das mudanças na economia brasileira com a redução da taxa de juros, da inflação, do dólar”, comentou o presidente.

Souza acredita que ações que incentivem o consumidor a adquirir um imóvel gerem novas construções. “Feirões imobiliários e outras ações reduzem os produtos em estoque. Logo, surgem novas ofertas e lançamentos”, afirmou. Outro setor que também manteve queda no volume de emprego foi o comércio com o fechamento de 75 postos. A variação em relação a agosto foi de 0,08%. No oitavo mês do ano o total de desligamentos chegou a 119.

Acordos garantem vagas no Polo Industrial de Manaus, com renda menor

  

O enfraquecimento do mercado de trabalho e a crise econômica foram apontados como principais causas para a redução de horas extras na indústria, uma tentativa de frear custos de uma produção que se encontra em marcha lenta. Em junho de 2016, segundo a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) os custos da indústria amazonense com salários, encargos e benefícios sociais (excetuando temporários e terceirizados) foram de R$ 2.612.240.944 (com R$ 160.908,2 apenas para eletroeletrônicos/bens de informática), fazendo com que as expectativas até o fim do ano sejam parecidas com os números de todo o ano de 2015, que teve custos de R$ 5.475.172.861.

Dos empregados nas 457 empresas do PIM em junho de 2016, 30.636 estavam na faixa até um salário mínimo e meio (R$ 1.320); 16.066 entre 1,5 e dois salários; 18.616 recebiam de dois a quatro salários mínimos e 6.119 de quatro a seis s.m.. Nas faixas de seis a 10; de 10 a 15 e acima de 15 salários mínimos, os números foram de 4.337, 1.744 e 1.311, respectivamente.

Reduzir horas extras
Foto: Walter Mendes/Jornal do Commercio
O artifício usado no PIM pode ajudar a conservar vagas, mas representa redução de renda e poder de consumo do trabalhador. Segundo os dados nacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para o fim do segundo trimestre deste ano, a parcela de pessoas que trabalhavam em jornadas diárias de 10 horas (49 ou mais horas por semana) esteve restrita a 10,9%, ou 6% a menos do registrado em 2012, ano de início da série histórica.

A redução nas horas extras é mais uma das soluções temporárias da indústria para manter vagas, junto com as férias coletivas e o Programa de Proteção ao Emprego (PPE). Segundo o economista Francisco Mourão Júnior, são esses acordos que têm garantido empregos. “No caso da redução de extras, esta é a melhor opção para se manter o emprego. É bom ter essa segurança, o que também viabiliza negócios. Já que o fornecedor de serviços e produtos também estará seguro”, conta o economista.

Mas a redução na renda do empregado acaba criando um círculo de quedas, iniciado nas baixas vendas do comércio. “Com menos vendas a esses trabalhadores, o comércio não aciona a indústria para novos pedidos. O que é perigoso, pois há tempos a indústria não opera em sua capacidade plena. Isso pode refletir no Produto Interno Bruto (PIB), causando demissões”, afirma Mourão. A isso se somam outros fatores, conta o economista. “Inflação em alta, endividamento e a incerteza de estar empregado, inibem o consumo”.

De acordo com Mourão, a espera por dias melhores pode se estender ainda mais. “Os primeiros meses do governo Temer não serão suficientes. A alta no PIB e a estabilidade da economia estão previstas para 2017 apenas. O fim do ano, na questão trabalhista, ainda nos reserva os acordos sobre dissídios. Daí vêm os reajustes, que tendem a acompanhar a inflação, mas ainda é cedo para números”, ressalta.

Comércio atento

A queda da renda dos empregados no PIM (entre efetivos, temporários e terceirizados) afeta principalmente o comércio, conta o gerente de vendas, Wanderley Teixeira. “Muita gente usa das extras para aumentar os ganhos e com a redução destas, há menos renda e menos consumo. Entre os temporários é ainda mais difícil, a incerteza em saber se vai continuar ou não no cargo tem inibido as vendas”, fecha.

Ajustes

Em 2012, com a economia aquecida e grande demanda para a indústria, a saída foi usar de horas extras para acompanhar a produção. Já em 2016, o grupo das 10 horas diárias tenta se encaixar entre os que trabalham 40 e 44 horas semanais. E este mesmo grupo já reduziu as extras em 5,9 pontos percentuais, registrando 11,8% nesse segundo trimestre.

Ministro comanda pauta recorde em reunião do CAS em Manaus

O Conselho Administrativo da Superintendência da Zona Franca de Manaus (CAS) realiza hoje, a partir das 11h, no auditório da sede da Suframa, sua 276ª Reunião Ordinária, sob a presidência do ministro do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic), Marcos Pereira.
Ministro Marcos Pereira vai comandar reunião do CAS em Manaus. Foto: Reprodução/Fiep
A 276ª Reunião do CAS - quinta reunião do colegiado em 2016 - possui a pauta mais expressiva em termos de investimentos e mão de obra adicionalentre todos os encontros realizados neste ano. Os 27 projetos industriais e de serviços submetidos à análise –sendo oito de implantação e 19 de ampliação, diversificação e atualização – representam, no conjunto, investimentos totais de US$ 1.194 bilhão e a geração de 1.280 empregos diretos no Polo Industrial de Manaus (PIM) em um período de até três anos.

Além da presença do ministro do Mdic, a 276ª Reunião do CAS terá também a participação da superintendente da Suframa, Rebecca Garcia, do governador do Amazonas, José Melo, de conselheiros representantes dos diversos ministérios e entidades vinculados ao colegiado e de parlamentares federais, entre outros De acordo com a superintendente da Suframa, Rebecca Garcia, a pauta de projetos com níveis expressivos de investimentos e empregos, aliada ao recente crescimento nos indicadores de faturamento e mão de obra do PIM, permite projetar um momento mais positivo para a indústria regional, sobretudo, a partir do próximo ano.

“Vivemos um momento de recuperação e esta reunião do CAS é um perfeito exemplo do aumento da confiança dos empresários e investidores na nossa indústria”, afirmou Rebecca. “É muito importante também ressaltar a regularidade na realização das reuniões do Conselho, pois a agenda tem sido cumprida e as empresas ficam seguras quanto à análise e à aprovação dos pleitos apresentados. Isso demonstra que o compromisso assumido pelo governo federal com a Suframa foi concretizado”, complementou.

Projetos

Um dos maiores destaques da pauta é o projeto de implantação da empresa Boreo Indústria de Componentes Ltda., ligado ao segmento Eletroeletrônico e destinado à produção de placa de circuito impresso montada (de uso em informática), bateria para telefone celular e unidade de armazenamento de dados, não volátil, em meio semicondutor (SSD - Solid State Drive). Somente neste projeto, estão previstos investimentos totais de US$ 613.140 milhões e a geração de 990 empregos diretos no PIM.

Outros destaques da pauta são os projetos de ampliação e atualização da empresa Positivo Informática S.A., voltado à fabricação de telefone celular digital combinado ou não com outras tecnologias, com investimentos totais de US$ 204.336 milhões, e da empresa GBR Componentes da Amazônia Ltda., para produção de placa de circuito impressa montada (de uso em informática), com investimentos totais de US$ 41.687 milhões.

O projeto de diversificação da empresa Futura Tecnologia Ind. e Com de Produtos Eletrônicos da Amazônia, direcionado à produção de gravadores e reprodutores digitais de áudio e vídeo com câmeras de vídeo remotas, para sistema de segurança, é outro que merece ênfase, pois além de projetar investimentos totais de US$ 7.148 milhões, também estima exportações de aproximadamente US$ 25 milhões a partir do terceiro ano de funcionamento das linhas de produção.

O segmento de Duas Rodas também está contemplado com novos investimentos da empresa Masa da Amazônia Ltda., que apresentou projeto de diversificação para produção de motonetas entre 100 e 450 cilindradas, com recursos estimados de US$ 6.648 milhões.

Meta do Amazonas é qualificar 168 mil trabalhadores

O Amazonas terá que qualificar 168 mil trabalhadores em ocupação industrial para o período de 2017 a 2020. Os dados constam no Mapa do Trabalho Industrial produzido pelo Serviço de Aprendizagem Nacional Industrial (Senai). Segundo os dados, são mais de 11 mil trabalhadores que precisarão ser qualificados para novas vagas visando atender a demanda por formação inicial. Em relação a demanda de aperfeiçoamento serão mais de 156 mil trabalhadores que já ocupam cargos em setores industriais que precisarão se requalificar.
Mapa do Trabalho Industrial mostra necessidade de qualificação. Foto: Walter Mendes/Jornal do Commercio
“Uma parte das vagas serão abertas nos próximos anos e outra serão de trabalhadores ocupados que precisarão se requalificar para continuar atuando no mercado”, explica a gerente geral de Educação Profissional do Senai, Sílvia Barros. Entre os setores que mais demandarão profissionais nos próximos anos, tanto para formação inicial quanto aperfeiçoamento estão construção (42.616), meio ambiente e produção (35.224), energia (28.876), metalomecânica (23.832), alimentos (10.533), veículos (8.568), petroquímica e química (5.356), entre outros.

De acordo com a presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos do Amazonas (ABRH-AM), Kátia Andrade, no panorama local os setores de meio ambiente e produção, além de metalmecânica se encaixam melhor devido o Polo Industrial do Amazonas (PIM). Ela conta que há uma nova matriz sendo desenhada no Estado. “Os segmentos de alimentos, madeira e móveis, novas alternativas de energia e a própria química são elementos da bioeconomia, que é uma economia sustentável baseada nos setores que utilizam recursos biológicos. Esses empreendimentos na escala industrial são pequenos, mas somados ao movimento sendo feito governo do Estado devem fortalecer a demanda”, explica Kátia.

Segundo ela, mesmo diante do cenário recessivo da economia do país que aumentou a quantidade de desempregados no Amazonas, há empregos que não são ocupados por falta de qualificação profissional dos candidatos. “As pessoas têm qualificação, mas não atendem ao mercado devido a sua rápida velocidade, o diferencial antes não é mais hoje, é preciso acompanhar as inovações na carreira e a empresas estão buscando esses profissionais. Independente da profissão, pede-se qualificações para atender as novas demandas do mercado atual”, afirma. Entre as profissões mais procuradas no mercado industrial amazonense com formação técnica e qualificação profissional estão os profissionais na área da engenharia.

Na avaliação da presidente, o profissional qualificado tem mais chances de manter o emprego e também pode conseguir uma nova vaga mais facilmente. “Em ambiente de escassez econômica a empresa tem que produzir mais e melhor em menos tempo.

Com isso, ela tem de conseguir se cercar de melhores profissionais com agilidade, produtividade e qualificação”, disse. Além da qualificação técnica e profissional, o trabalhador que tiver estagnado do ponto de vista de conhecimento perderá espaço no mercado.

Formação e qualificação

De acordo com Kátia Andrade a área de Meio Ambiente e Produção destaca-se na demanda por formação técnica, entre outros fatores, porque as empresas passaram a ter maior controle sobre os impactos ambientais dos processos produtivos diante de mudanças recentes na legislação. “O cuidado com o meio ambiente é uma exigência mundial e as indústrias tem se preocupado e mantido o compromisso com a preservação da floresta. No Amazonas, por exemplo, o PIM é responsável por manter 98% da floresta em pé, porque os empregos estão aqui”, afirma.

Na avaliação da presidente, referente a qualificação profissional, o segmento de metalmecânico é um setor de base da indústria que mais atende a nossa realidade e tende a crescer à medida que os setores de bens de consumo duráveis voltarem a ter uma demanda mais forte. “Esse segmento se destaca por conta do segmento de duas rodas que é bastante forte no PIM”, ressalta. Já a necessidade de profissionais no setor de alimentos no Amazonas está direcionada para área de processamentos e serviços. Conforme ela, entre as profissões mais procuradas no mercado industrial com formação técnica e qualificação profissional estão os profissionais na área da engenharia.

Nacional

De acordo com a projeção do Mapa do Trabalho Industrial, elaborado pelo Senai que aponta que a indústria terá que qualificar 13 milhões de trabalhadores nos níveis superior, técnico e de qualificação até 2020. Entre os setores que mais demandarão profissionais nos próximos anos estão construção, meio ambiente e produção, metalmecânica, alimentos, tecnologia de informação e comunicação, energia, petróleo e química. De acordo com os dados do Senai, será necessário formar 1,8 milhão de técnicos e 3,3 milhões com média qualificação. A demanda por formação inclui a requalificação de profissionais que já estão empregados e aqueles que precisam de capacitação para ingressar em novas oportunidades no mercado.

Segundo o estudo, seis áreas se destacam na demanda por formação de técnicos: meio ambiente e produção; Metalmecânica; Energia; Tecnologias de Informação e Comunicação; Construção; e Petroquímica e Química. Já referente a qualificação profissional, de acordo com o Mapa do Trabalho Industrial 2017-2020 serão: Alimentos, Metalmecânica, Vestuário e Calçados, Construção, Veículos e Energia.

Cenário

Referente ao Norte ser a última região em necessidade de profissionais capacitados em ocupações industriais, Kátia argumenta que, a indústria local representa um número pequeno na produção nacional. A maior demanda se concentra no Sudeste e no Sul do Brasil, alinhada com a participação das regiões no Produto Interno Bruto (PIB). “Essas regiões abrangem os Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais que são as maiores populações do país. O Norte representa 5,5% do PIB e se for olhar apenas o Amazonas o percentual é menos de 2% da indústria nacional. A indústria é importante para a nossa região, mas se for comparar com o resto do país se torna pequeno”, conclui a presidente da ABRH-AM.

De acordo com o vice-presidente da Federação das Indústrias do Amazonas (Fieam), Nelson Azevedo, o país inteiro carece de profissionais qualificados em qualquer setor. Ele explica que, desde a educação básica até as academias, muitas pessoas saem sem formação adequada. “Muitos candidatos sentem dificuldades em testes simples de português e matemática, com isso observamos uma deficiência em assimilar informações importantes. O país precisa de mão de obra especializada para assumir cargos”, afirma.

Segundo Azevedo, conhecer as necessidades do mercado é fundamental para o planejamento da oferta de formação profissional. “Ter estatísticas permite suprir a carência de mão de obra através de capacitações independente do setor para atender a demanda do mercado como um todo. Temos instituições de ensino preparando esses profissionais e as empresas estão cada vez mais investindo em seus trabalhadores”, finaliza o vice-presidente da Fieam.

Temporários revitalizam vagas perdidas na indústria do PIM

O maior número de admitidos na Indústria de Transformação amazonense em agosto, fez do mês o terceiro melhor em empregabilidade, segundo os Indicadores de Desempenho do Polo Industrial de Manaus (PIM). Com 85.819 empregados no PIM entre efetivos, temporários e terceirizados (quase três mil a mais que o registrado em julho), e abaixo apenas de janeiro (87.775) e fevereiro (86.319), os bons números de agosto parecem ser a volta dos indicadores positivos. Dos setores que mais empregam, o polo Eletroeletrônico (incluindo Bens de Informática) empregou até agosto 31.414 trabalhadores, seguido pelo polo de Duas Rodas, com 14.026 empregados e o Termoplástico com 7.404.
 
Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), a comparação entre admitidos e desligados no PIM em agosto foi de 1.188 (3.757 novos postos contra 2.569 demissões), a melhor média do ano que entre janeiro e maio teve mais demitidos que admitidos. Os contratados em junho e julho foram 2.095 e 2.665 (respectivamente) contra 1.775 e 2.392. Mesmo sendo altos, estes números ainda estão distantes de março, que registrou 4.001 demitidos e 2.189 contratados.

Os temporários foram responsáveis em parte pelo bom número de empregos. Foto: Divulgação

Multinacionais e temporários

Os temporários foram responsáveis em parte pelo bom número de empregos, conta o presidente do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam) Wilson Périco. "Multinacionais abriram vagas para temporários em eletroeletrônicos e condicionadores de ar. Mas tudo depende de produção e demanda e o mercado anda fraco. Creio não haver mais expectativas para o ano, mas espero que estes números positivos se mantenham até que a produção se estabilize e haja mais entrada no mercado, principalmente o exterior", conta. 

As reformas políticas e econômicas deram um noivo gás à indústria, o que garantiu as novas vagas, conta Périco. "Após o impeachment, houve a volta da confiança do consumidor e com isso logo a produção volta a ser estável. Ainda há o medo de se perder o emprego, mas o fim de ano sempre representou boas vendas e novas contratações", disse o executivo. 

Sinal positivo

A expectativa de recuperação econômica também é compartilhada pela superintendente da Superintendência da Zona Franca de Manaus(Suframa), Rebecca Garcia. "Depois de muitos meses, tivemos um resultado positivo na geração de empregos em relação a contratações e demissões. Este é um bom sinal, além de outros que estamos tendo na indústria", afirmou. "Com certeza, é um momento de otimismo e estamos confiantes de que essa tendência de recuperação poderá se confirmar nos próximos meses", comenta a superintendente.

Admitidos e desligados

De janeiro a maio, a indústria de transformação amazonense sofreu duros golpes na geração de empregos, mantendo o saldo da relação entre admitidos e desligados sempre em baixa. Em janeiro foram registradas pelo Caged 2.330 admissões contra 3.176 demitidos. Os admitidos em fevereiro foram 2.291 contra os 3.624 desligados e os números foram caindo nos três meses seguintes. Março, abril e maio tiveram 2.189, 1.992 e 2,093 admissõe (respectivamente). Já as demissões nesses três meses foram de 4.001 em março, 3.022 em abril e 2.383 em maio.

Junho foi o primeiro mês do ano a registrar mais admitidos que demitidos (2.095 para 1.775 respectivamente). Em julho os admitidos foram 2.665, frente aos 2.392 demitidos, já agosto teve 3.757 novas contratações e 2.569 desligamentos.

Plano para o PIM na Indústria 4.0

No caminho sem volta da Indústria 4.0, a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) já vislumbra a imersão total da cadeia produtiva amazonense na chamada “quarta revolução industrial” para os próximos dez anos. Na última terça-feira (4) a superintendente da autarquia, Rebecca Garcia apresentou na sede da Associação Nacional de Fabricantes Eletroeletrônicos (Eletros) em São Paulo o Plano Diretor Industrial (PDI) “Diretrizes Táticas para a área de Atuação da Suframa 2017-2025". 
A Suframa prepara o PIM para a indústria 4.0. Foto: Diego Queiroz/ Jornal do Commercio
A discussão com lideranças nacionais do setor eletroeletrônico envolveu a automação, troca de dados e internet das coisas e seus impactos no Polo Industrial de Manaus (PIM), além de possíveis novos investimentos. "Conversar e trocar ideias com representantes da indústria de bens de consumo da linha branca, áudio e vídeo, além de portáteis, abre uma janela para atrair mais investimentos e fortalecer a indústria da Zona Franca de Manaus", disse Rebecca Garcia.

De acordo com a superintendente as ações da autarquia, a partir do conceito da Indústria 4.0 -visam acompanhar o que já vem acontecendo em todo o mundo. “Nosso PDI contempla diversas áreas temáticas e diretrizes táticas, tais como Logística, Ciência e Tecnologia, Atração de Investimentos, Desenvolvimento Organizacional e Inserção Internacional, que estão associadas à Zona Franca de Manaus, à Amazônia Ocidental e ao projeto Zona Franca Verde, buscando integrar a instituição aos novos padrões globais de competitividade e integração tecnológica”, afirmou Rebecca.

O PDI sinaliza uma clara iniciativa da autarquia com vistas a organizar sua estrutura interna, instruindo o planejamento de suas atividades e de suas rotinas de trabalho, tornando a ZFM mais competitiva, disse Rebecca Garcia. “Precisamos desburocratizar e modernizar a prestação de nossos serviços, para que o movimento da Indústria 4.0 encontre também um governo 4.0. É muito importante que tanto o governo quanto a indústria vivam este novo momento para que possamos nos inserir cada vez mais no mercado internacional e nos fortalecer ao ponto de períodos de crise com mais facilidade e robusteza”, complementou a superintendente.

Investir

A Indústria 4.0 pede adaptação dos profissionais. Com fábricas mais automatizadas, novas demandas surgirão enquanto algumas deixarão de existir, como os trabalhos manuais. Abre-se um novo mercado para profissionais tecnicamente capacitados, com formação multidisciplinar, fazendo com que as fábricas inteligentes aumentem a demanda por P&D. O maior desafio causado pela indústria 4.0 reside nos investimentos necessários para acompanhar os novos tempos e na maior capacitação de pessoal.

Para o presidente do Centro das Indústrias do Estado do Amazonas (Cieam), Wilson Périco, investir no conceito Indústria 4.0 não pode ser considerado despesa. “O retorno financeiro é garantido com maior produtividade, agilidade nos processos e maior procura por Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I). Mas cada empresa escolhe sua forma de trabalhar, se a automação, por exemplo, for vista como benéfica e trazer competitividade, deve ser implantada”, afirma.

Ações planejadas

O uso interno de dispositivos móveis interligando os setores de vendas, logística, estoque e controle de qualidade de empresas do comércio e indústria é algo inevitável para se manter no mercado de forma eficiente, disse o vice-presidente de expansão de mercado da Avanade (fornecedora global de soluções de tecnologia de negócios e serviços gerenciados) no país, Hamilton Berteli. “O que sugerimos é que estas ações sejam iniciadas em setores menos críticos, com pequenos projetos que possam ser feitos de forma rápida e em ambiente controlado, evitando atrasos no andamento dos negócios. Ao se constatar o sucesso destas, surgem patrocínios internos para novas mudanças”, conta.

Polo Industrial de Manaus cria 1,1 mil postos de trabalho em agosto

Pelo terceiro mês consecutivo o Polo Industrial de Manaus (PIM) registrou crescimento no índice de postos de trabalho. Conforme os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), em agosto foram criadas 1.188 vagas. No mês foram contratados 3,757 trabalhadores, contra 2,569 demissões. Em julho o setor admitiu 273 novos colaboradores. Para os empresários, o resultado demonstra a leve recuperação na confiança por parte dos investidores e também do consumidor. Porém, eles acreditam em uma retomada gradativa da produção industrial com resultados mais consolidados a partir de 2017.

Segundo o vice-presidente da Federação da Indústria do Estado do Amazonas (Fieam), Nelson Azevedo, no último ano as fabricantes reduziram boa parte do quadro fabril por conta da crise econômica e agora, operam com o quantitativo mínimo e essencial para atender à de manda. Ele afirma que houve interrupção nas demissões, e salienta que não são todos os segmentos que estão em fase de contratação de mão de obra. Fabricantes de itens da linha branca, de eletroeletrônicos e de produtos químicos têm impulsionado os resulta dos produtivos e também de mão de obra.

Azevedo informou que as medidas econômicas anunciadas pelo governo federal nos últimos dias animam a classe empresarial quanto a expectativas para melhores dias. “Sentimos que os investidores e consumidores estão retomando gradativamente a confiança. A recuperação não acontecerá rapidamente, mas acreditamos que a partir de medidas implementadas pela equipe econômica o equilíbrio fiscal será retomado. Estamos confiantes em melhores resultados a partir de 2017”, disse. Na avaliação da titular da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), Rebecca Garcia, a criação de postos de trabalho no polo industrial representa a recuperação do setor fabril. “Após um longo período de saldo negativo a indústria passou a empregar mais do que demitir. Isso é uma demonstração clara da recuperação dos empregos na indústria”, declarou.

Conforme o Caged, o último resultado negativo, deste ano, referente ao setor industrial foi registrado em maio com perda de 290 postos. Em junho, houve crescimento com 320 novas oportunidades e em julho, com 273 admissões. Ao contrário do crescimento no setor industrial, o segmento de serviços registrou queda de 290 vagas, em agosto. O comércio também encerrou agosto com saldo negativo de 119 postos de trabalho.

Segundo o presidente da Associação Comercial do Amazonas (ACA), Ataliba Antônio Filho, o comércio de Manaus continua demitindo. Ele explica que devido a retração econômica e menores índices nas vendas as empresas ainda estão em fase de desligamentos de colaboradores e que neste período é quase impossível prever contratações para o período de final de ano.

“Continuamos demitindo. Pode haver melhora sim, mas acredito que paulatinamente. A economia brasileira é volátil e pode acontecer uma melhora. Geralmente, no período do final de ano contratamos colaboradores temporários, mas neste ano estamos em observação para ver se teremos melhoras nas vendas”, disse. “O consumidor continua cuidadoso na hora de fazer compras, priorizando os itens mais necessários”, completou.

Logística em Manaus enfrenta engarrafamento

O volume de negócios gerados pelo Polo Industrial de Manaus (PIM) é o grande sustentáculo do discurso pela manutenção da Zona Franca de Manaus (ZFM), mas essa potência industrial contrasta com a carência de gêneros de primeira necessidade, o que faz com que a capital amazonense recorra continuamente a produtores externos. Como fazer com que estes insumos (para a indústria e comércio) circulem com eficácia nas ruas já fisicamente limitadas é um dos maiores desafios do setor de logística no Amazonas.

A proibição de tráfego para carretas com contêineres e caminhões acima de oito toneladas ainda que restrita a poucas ruas de Manaus compromete a ‘alimentação’ do Distrito Industrial, conta o secretário executivo do Setcam (Sindicato das Empresas de Agenciamento, Logística e Transportes Aéreos e Rodoviários de Cargas do Amazonas), Raimundo Augusto Neto. “Manaus tem uma frota de 700 mil veículos, 300 mil a mais do que os engenheiros de trânsito dizem suportar. Isso afeta as operações de carga e descarga para o PIM e as autoridades parecem não atentar para o fato de que o Polo é o grande empregador do Estado”, ressalta.

Na época dos primeiros debates (em 2013) sobre o tema, Augusto ressaltava o apoio da categoria para o disciplinamento do tráfego em Manaus, mas com o tempo a opinião é outra. “Nesta última semana de setembro tivemos uma reunião no Cieam (Centro das Indústrias do Estado do Amazonas) para discutirmos a questão e o que devemos apresentar como proposta para o prefeito eleito seja ele qual for”, disse.

Segundo o secretário, as medidas ‘disciplinadoras’ e as restrições são ações para agradar alguns setores da sociedade. “A faixa azul nas avenidas Noel Nutels, Max Teixeira e Torquato Tapajós, na zona Norte, por exemplo, retira um caminhão e coloca três ônibus no lugar.

As restrições de tráfego na área central impedem o bom trabalho de carga e descarga e nos horários noturno, além dos extras, temos que nos preocupar com segurança, que é uma questão que não nos compete”, comenta Augusto. A falta de estrutura é o que obriga o uso das vias urbanas por caminhões pesados.

“Não existem portos públicos próximos ao DI, esses portos desafogariam em muito o trânsito já caótico. A saída e chegada de insumos via aeroporto seria melhorada com o arco rodoviária, ligando o DI a zona Norte, mas ainda não temos uma data para isso. E quando este for entregue, já estará defasado, pois a frota não para de crescer. O que era ‘para ontem’ está sendo pensado para daqui a 20 anos”, finaliza o secretário.

Setor primário

Dirigir um caminhão baú pelas ruas de Manaus já é difícil e transportar mercadorias perecíveis em horários 'apertados' tornam o trabalho de motorista ainda mais árduo, conta o responsável pelo transporte na empresa Tomateti (na Ceasa). “Da sede da empresa até a área central, ainda temos corredores que facilitam o acesso, como é o caso da Manaus Moderna que liga a zona Sul ao porto. Mas se as entregas forem para outras zonas, só temos como caminho cruzar a cidade por dentro. Aí vemos a falta de capacidade do trânsito de Manaus em comportar a enorme frota de veículos”, afirma Hildebrando Franco.

Franco ainda cita as restrições de horário para circulação em algumas vias da cidade como fator de encarecimento do transporte. “Vemos as restrições de horário como algo necessário, mas também é hora de as autoridades pensarem em estratégias, como fazer da Manaus Moderna, por exemplo, um corredor exclusivo para cargas, já que disputamos espaço com carros particulares, temos poucas vagas de estacionamento e a maioria dos barcos parte durante o dia e embarcar cargas na madrugada onera o empresário que precisa pagar horas extras”, finaliza o motorista.

Com alguns serviços prestados ao Distrito Industrial, o caminhoneiro Francisco Mauro também precisou adequar-se às restrições. “Para o DI foi fácil cumprir os contratos de frete, era tudo muito específico, horários e itinerários bem definidos. Já para outros serviços como entrega de alimentos, mudanças e outros fretes, temos que trabalhar com os horários em que as demandas chegam e tudo com muito mais agilidade, o que é dificultado pelo trânsito muitas vezes engarrafado. E trabalhar em horário noturno ou madrugada, pede um ajudante que precisa ser pago por isso, aumentando os custos para o contratante”, resume o profissional.

Segmentos da indústria do Amazonas alcançam resultados positivos em 2016

 

Dentre os 23 subsetores existentes no Polo Industrial de Manaus (PIM) apenas oito registraram índice positivo no faturamento no período entre janeiro e julho deste ano em relação a igual período de 2015, segundo os Indicadores de Desempenho da Suframa. Entre os segmentos que obtiveram crescimento estão o químico, com vendas de R$ 6,2 bilhões e crescimento foi de 4,13%. O setor relojoeiro também mantém os resultados positivos de 0,38%, com o faturamento de R$ 717,4 milhões. Nos dois casos, a comparação está relacionada aos sete meses de 2015. Conforme os empresários, os números mostram que a indústria tenta se equilibrar e manter o volume produtivo em meio à instabilidade econômica nacional.
Setores químico e relojoeiro estão entre a parte da indústria cujo faturamento se encontra estável. Foto: Walter Mendes/Jornal do Commercio
O presidente do Sindicato das Indústrias Químicas e Farmacêuticas de Manaus, que também é o dirigente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Antônio Silva, explica que o crescimento de 4,13% contabilizado pelo setor químico está atrelado ao aumento nas exportações de concentrados para a fabricação de bebidas. Logo, houve aumento na demanda pelo preparo e maior produção por parte das fabricantes amazonenses.

De acordo com o presidente, a indústria local teve um pequeno aquecimento produtivo no último mês, o que segundo ele, refletiu no volume demandado. Apesar do saldo positivo, os indicadores de desempenho apontam que no período entre janeiro e julho de 2015 os números mostravam um crescimento para o setor de 6,36% e faturamento de R$5,9 bilhões.

“É um período difícil para todos os setores da economia e industriais. Em função do pequeno aquecimento algumas indústrias tiveram crescimento em atividades laboratoriais, algumas que fazem parte de componentes, controle de qualidade e no preparo de concentrado para bebidas”, disse Silva.

Conforme o presidente do Sindicato das Indústrias de Relojoaria e Ourivesaria de Manaus, e também vice-presidente da Fieam, Nelson Azevedo, o desempenho do setor relojoeiro é justificado pela constante demanda pelos produtos de adorno utilizados por praticamente todas as faixas etárias. Ele comenta que uma das alternativas encontradas pelas fabricantes para manter o ritmo produtivo e ao mesmo tempo atrair o consumidor foi o lançamento constante de novos modelos de relógios para todos os públicos e idades.

“É um setor que tem mantid uma certa estabilidade nos últimos anos. O cliente procura sempre por relógio porque o utiliza como adorno. Modelos diferenciados e modernos atraem o cliente. Isso tem impulsionado o polo relojoeiro”, comenta.

Azevedo acredita que a proximidade às datas comemorativas do final do ano como o Dia das Crianças e logo após o Natal e o Ano Novo deve impulsionar ainda mais as vendas e a produção local, que atende ao mercado interno. “O Dia das Crianças sempre movimenta o setor porque os pequenos também gostam de relógios”. A indústria relojoeira passou a receber pedidos mais expressivos desde o mês de agosto e segundo Azevedo, deve manter o índice demandado até dezembro. Os pedidos devem ser entregues entre os meses de outubro e novembro.

“Os pedidos atendem ao mercado interno e são recebidos no início do segundo semestre. Vale lembrar que neste ano as indústrias ainda têm estoques abastecidos que serão escoados a partir de agora. Acreditamos que fecharemos o ano com um leve crescimento em relação a 2015”, disse.

Hoje, o polo relojoeiro conta com cinco empresas instaladas no PIM que empregam cerca de dois mil trabalhadores. Azevedo destacou que as indústrias, diferentemente de anos anteriores, não contrataram mão de obra para o período de final de ano.

MPF-AM busca regularizar embalagens

O Ministério Público Federal no Amazonas (MPF-AM) firmou acordo com o Sindicato da Indústria de Bebidas em Geral no Amazonas para regularizar o sistema de embalagem retornável de uso exclusivo de garrafões de água mineral de dez e 20 litros. A medida visa sanar irregularidades em relação às denúncias de falsificação de lacre, utilização de galões fora da validade e procedência duvidosa da água mineral, além de armazenamento e transportes inadequados.

Pelos termos do acordo, os vasilhames com a logomarca moldada em resina só poderão ser envasados pela empresa responsável pela identificação visual da garrafa. Caso a água industrializada não seja mineral, a embalagem não poderá ser azul e deverá conter alerta de que a água não é mineral, devendo a fonte desse alerta ter ao menos 50% do estilo de letra utilizada para a marca do produto, com o objetivo de preservar o direito do consumidor.

O MPF e o Sindicato da Indústria de Bebidas em Geral do Amazonas deverão promover a fiscalização nas empresas para garantir o uso adequado dos garrafões de água. Será aplicada multa de R$ 10 mil por garrafão encontrado no mercado comprovadamente utilizado de forma indevida no envasamento de água.

Para as empresas em funcionamento, as cláusulas do acordo passam a valer no prazo de 120 dias. Garrafões já em circulação no mercado com as respectivas marcas das empresas, mas fora dos padrões de uso exclusivo, poderão ser utilizados pelos próximos três anos, quando perderão a validade. Novas empresas do ramo já devem entrar no mercado devidamente adequadas aos termos do acordo.

Rotação de embalagens

As empresas associadas ao sindicato envasam água mineral em garrafões retornáveis, cujas características permitem a rotação e o envase por outras empresas que atuem no mesmo segmento. No documento, o MPF e a entidade patronal do setor ressaltam que a embalagem retornável de uso exclusivo para o engarrafamento de água mineral fomentará positivamente a exploração e o desenvolvimento de novos nichos de mercado, tendo em vista a possibilidade diferenciação do produto ofertado.

Atualmente, a identificação da água contida no vasilhame se restringe ao rótulo afixado sobre o garrafão e lacre de garantia aplicado sobre a tampa, sendo ambos de fácil remoção, inclusive no transporte. Dessa forma, eventuais investimentos na aquisição de garrafões que poderão ser reutilizados por empresas concorrentes não dão às empresas a garantia de retorno após o primeiro uso.

Para o MPF-AM, o desconhecimento dos responsáveis pela fabricação do produto põe em risco a garantia da responsabilidade objetiva de reparação dos danos causados aos consumidores. “Além de ser um produto essencial para a saúde e para a vida das pessoas, a água é um recurso mineral da União. Por isso, o MPF deve acompanhar o processo de envazamento em garrafões retornáveis e atuar para coibir eventuais irregularidades”, explica o procurador da República, Rafael Rocha.

Recuperação do Polo Industrial de Manaus fica para o segundo semestre de 2017

O desequilíbrio econômico nacional ainda reflete negativamente na atividade do Polo Industrial de Manaus (PIM). De janeiro a julho deste ano o polo registrou faturamento de R$40,4 bilhões, uma queda de 8,4% em relação ao volume faturado no mesmo período de 2015 (R$ 44,1 bilhões). No mesmo intervalo, os resultados negativos ainda foram contabilizados na redução de 10,16% das exportações.

Enquanto em julho, houve diminuição de 19,05% no quantitativo da mão de obra industrial, em comparação a igual mês do ano anterior. Os dados são dos Indicadores de Desempenho do PIM divulgados pela  Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), ontem. Para os empresários, o cenário negativo é resultante da crise econômica nacional. Há expectativas, segundo eles, de melhores resultados a partir do segundo semestre de 2017. 
Foto: Divulgação
 De acordo com o presidente do Centro da Indústria do Estado do Amazonas(Cieam), Wilson Périco, o parque fabril amazonense ainda sente o impacto da desaceleração econômica que atingiu o país somada à instabilidade política. Ele explica que o aumento no índice de desemprego acarretou a redução no poder de compra, e consequentemente, na menor produtividade das fábricas.

Périco afirma que a expectativa é que no final deste ano a situação comece a melhorar com uma retomada expressiva na produção a partir do segundo semestre de 2017. “As indústrias do PIM atendem ao mercado interno. Mas, o alto índice de desemprego reduziu o poder de compra do consumidor e quem está empregado ainda não retomou a confiança de que vai se manter na vaga. Isso reflete na demanda por novos produtos e principalmente nas linhas de produção”, disse. “A expectativa é que tenhamos um período de estabilização”, completou.

O presidente ressalta que a gravidade da situação não foi resultante de um equívoco, mas sim, de uma série de medidas equivocadas. Ele considera que a necessidade de mais uma série de medidas, mas agora, acertadas, para recuperar a atividade industrial no Amazonas. “Não foi um equívoco que nos trouxe a esta situação, mas uma série de medidas equivocadas. Para reverter esse cenário serão necessárias medidas acertadas na busca de estabilização seguida de uma retomada da produção. Acredito que tenhamos uma melhora nos índices industriais no final deste ano e a recupe ração no segundo semestre de 2017", disse.

Périco também ressaltou que atualmente, o PIM opera com aproximadamente 60% da capacidade instalada para atuação. Conforme os indicadores, o faturamento, analisado em dólar também aponta retração de 22,71%, US$ 11.4 bilhões faturados nos sete primeiros meses deste ano contra US$ 14.7 bilhões no mesmo intervalo de 2015.

Nos sete meses do ano também houve queda nas exportações totalizando R$ 969,3 milhões (US$ 269.4 milhões) entre janeiro e julho, o que indica uma queda de 10,16% (24,51% em dólar) em relação aos resultados de vendas externas apurados no mesmo intervalo de 2015. Quanto à mão de obra, o polo industrial fechou o mês de junho deste ano com o saldo de 82.981 trabalhadores, entre efetivos (77.540), temporários (1.783) e terceirizados (3.658). Em julho de 2015 o parque fabril contava com 102.518 colaboradores. Houve diminuição de 19,05%.

Segmentos e produtos

Os cinco maiores segmentos do PIM no mês de julho, com base no percentual de participação em relação ao faturamento global do Polo, foram Eletroeletrônico (27,05% de participação), Bens de Informática do Polo Eletroeletrônico (18,35%), Duas Rodas (15,60%), Químico (15,34%) e Termoplástico (6,04%). Na comparação do faturamento em reais apresentado por esses segmentos entre janeiro e julho deste ano com o mesmo período do ano passado, chama atenção, principalmente, o desempenho dos setores Químico e de Bens de Informática do Polo Eletroeletrônico, que apresentaram, respectivamente, variações positivas de 4,13% e 3,99%.

Outros segmentos que também apresentaram crescimento, em reais, no mesmo período comparativo, foram Relojoeiro (0,36%), Madeireiro (14,64%), Beneficiamento de Borracha (27,75%), Brinquedos -exceto Bens de Informática (18,87%) e Isqueiros, Canetas e Barbeadores Descartáveis (12,19%). Os dez principais produtos do PIM no período de janeiro a julho de 2016, por ordem de faturamento, foram televisores com tela de LCD; motocicletas, motonetas e ciclomotos; telefones celulares; condicionadores de ar split system; receptores de sinal de televisão; relógios de pulso e de bolso; aparelhos de barbear; fornos micro-ondas; autorrádios e aparelhos reprodutores de áudio; e microcomputadores portáteis.

Demissões diminuem 43% no PIM

O Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas (Sindmetal-AM) registrou no período de janeiro a agosto deste ano redução de 43,3% no volume de demissões das empresas do Polo Industrial de Manaus (PIM), em relação ao mesmo período de 2015. Conforme o sindicato e a classe patronal, a paralisação nos desligamentos significa que as indústrias operam, agora, com o quantitativo mínimo necessário ao funcionamento e buscando alternativas para assegurar os postos de trabalho existentes. Os empresários acreditam em melhores resultados econômicos no primeiro semestre de 2017.

Segundo o Sindmetal-AM, de janeiro a agosto deste ano houve 12.177 homologações. Os meses de desligamentos mais expressivos foram fevereiro com 2.559 e março com o registro de 2.457 demissões. Em igual período de 2015 o sindicato contabilizou 21.478 rescisões. Os meses que tiveram maior volume de cortes foram em maio com 3.539 e julho com 3.485.

O diretor do sindicato João Brandão explica que desde 2014 as indústrias buscavam alternativas para manter os colaboradores na empresa. Porém, em 2015 a crise econômica nacional agravou e atingiu expressivamente a atividade industrial na capital o que resultou nos cortes em massa nas fábricas. Segundo Brandão neste ano, as empresas contam com quadro fabril reduzido, o quantitativo necessário para atender à demanda atual.

“As empresas investiram em vários recursos com o intuito de segurar o funcionário, como por exemplo, a suspensão do contrato e férias remuneradas. Em 2015 houve uma otimização do processo e hoje, as empresas operam com produções enxutas porque não houve aumento no volume de produção”, comentou.

Brandão ainda citou o Programa de Proteção ao Emprego (PPE) implementado pelo governo federal no último ano como uma alternativa aderida por várias empresas do PIM. O programa permite a redução da jornada de trabalho em até 30%, com redução também do salário. “Algumas empresas já aderiram ao programa e continuamos recebendo as empresas no sindicato para tratar sobre essa alternativa”, disse.

O diretor afirma que apesar do cenário negativo, o sindicato registra diariamente uma média de dez contratações, número que segundo ele, desanima e descarta possibilidades de maiores índices para o final de ano. “As contratações acontecem lentamente. Não acreditamos em admissões para o final do ano porque a economia nacional não nos fornece indicativo de melhoras rápidas. Pode acontecer de em março do próximo ano termos novos resultados, positivos”, estima.

Para o vice-presidente da Federação da Indústria do Estado do Amazonas (Fieam), Nelson Azevedo, a redução de 43,3% no índice de demissões do PIM mostra que o maior impacto da retração econômica ocorreu em 2015, mas que neste ano ainda não houve recuperação e as empresas tentam manter os empregos existentes a partir da mão de obra qualificada operante.

“O impacto foi forte e as indústrias tiveram que se ajustar à nova realidade. Hoje, os empresários tentam manter os empregos que restaram. Mas, isso não significa que tivemos melhoria no índice produtivo. Continuamos com os resultados em queda”, explicou. Azevedo descartou a possibilidade de contratações para o período de final de ano.

Abraciclo aposta em retomada de vendas de motos nos próximos meses de 2016

Acompanhando os resultados negativos nas vendas mês a mês, o Polo de Duas Rodas registra quedas no comparativo anual. Agosto teve registrado 83,2 mil unidades vendidas para o mercado interno, um recuo de 18,3% em comparação com agosto de 2015 (101,9 mil unidades). E mesmo com dois dias úteis a mais que o mês anterior, a média diária de vendas nacionais apresentou queda de 6,2%, passando de 3,5 mil em julho para 3,3 mil motocicletas em agosto. Mas segundo o presidente da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo), Marcos Fermanian, o panorama pode melhorar nos próximos meses.

A retração também se fez presente na comparação com o oitavo mês de 2015, quando foram comercializadas 4,6 mil motos, contra 3,3 mil (variação negativa de 28,9%). Segundo o presidente da Abraciclo, as medidas a serem tomadas pelo governo Temer podem ser benéficas à indústria de duas rodas. “Muito embora o resultado de agosto tenha sido um dos piores do ano, o setor tem expectativa de recuperação das vendas para os próximos meses em função das medidas econômicas a serem implantadas”, afirma Fermanian.

O baixo volume de vendas é atribuído ao desemprego e alta inflação, o que desestabiliza o setor que já é enfraquecido pela baixa produtividade, explica o diretor-executivo de relações institucionais da Moto Honda, Paulo Takeuchi. “Em junho falávamos de manter a estabilidade na produção, estabilidade que cresceria junto a melhora do panorama econômico. A produção veio caindo e as vendas também não foram boas, agora a expectativa de melhora fica para o futuro quando o ‘novo’ governo que aí está poderá implantar as reformas econômicas prometidas”, afirma o representante da Honda.

Concordando com as previsões da Abraciclo e também confiante, o consultor de vendas da Canopus (concessionária Honda em Manaus), Marcos Lamego vê melhoras para outro período. “Agosto teve vendas favoráveis, ainda que poucas, sei que já houve tempos melhores, mas fechei bons negócios nesse mês. Esperamos o mesmo para setembro, mas sabemos que a crise vem dificultando a aquisição de novas motos pelo consumidor”, disse o consultor para quem às vezes, um dia compensa outro.

“O mercado está variando entre dias bons e outros nem tanto. Mas algumas unidades da concessionária têm se destacado no ranking de vendas. Manaus usa motocicletas por necessidade, mas ainda assim, há o recuo nas vendas. Tudo embalado pelo receio de não ter como quitar dívidas no caso de se ficar sem emprego”, disse o consultor.

Baixa produção

Em agosto, por exemplo, foram produzidas 92,7 mil motocicletas, uma redução de 18,6% em relação ao mesmo mês de 2015 (113,9 mil unidades). De acordo com a Abraciclo os números são justificados por terem sido computados no período de férias coletivas do Polo Industrial de Manaus (PIM) o que diminui naturalmente o volume das fábricas.

No acumulado do ano, de janeiro a agosto, o setor de duas rodas segue registrando números negativos para produção e vendas: 30,8% (913,9 mil x 632,3 mil unidades) e 29% (854,6 mil x 607,1 mil unidades), respectivamente.

Arranque nas exportações

No acumulado de janeiro a agosto, as exportações cresceram 9% ou 39.454 unidades vendidas. Agosto teve 724 motos vendidas a mais que 3,7 mil de julho, um crescimento de 19,1%. Mas, em comparação ao mesmo mês de 2015 (9,3 mil), a queda foi de 51,7%.

Emplacamentos
Com base nos licenciamentos realizados pelo Registro Nacional de Veículos Automotores (Renavam), foram licenciadas 76,4 mil motocicletas em agosto, o que representa um crescimento de 2,7% ante o volume de julho, com 74,4 mil unidades, e queda de 22,1% em relação a agosto de 2015 (98,1 mil).


PIM detém 40% da produção nacional de bicicletas

Há 40 anos inserido no Polo Industrial de Manaus (PIM), o Setor de Duas Rodas consolidou-se como o segundo mais importante da Zona Franca, sendo responsável por um faturamento de R$ 10,3 bilhões, em 2015. Os associados da Abraciclo respondem por 98% do total da produção brasileira de motocicletas e 40% de bicicletas.

“Protagonista dos quase 50 anos da Zona Franca de Manaus (ZFM), o polo de Duas Roda teve papel fundamental na consolidação do modelo de desenvolvimento econômico. O setor evoluiu e ajudou a escrever a história industrial do Amazonas e do país, tendo destaque na geração de empregos e tornando-se fator determinante para o crescimento profissional de milhares de trabalhadores”, afirma o vice-presidente do segmento de bicicletas da Abraciclo, Eduardo Musa.

No âmbito nacional, o segmento de bicicletas produz 3,5 milhões de unidades anuais (excluindo brinquedos), sendo o quarto maior produtor, atrás da China, Índia e Taiwan. O PIM se posiciona como o maior polo de fabricação fora da Ásia. Responsáveis por 100% da produção de bicicletas em Manaus, os associados da Abraciclo -Caloi, Houston, Ox Bike e Sense –possuem 70% de participação no valor de mercado, decorrente do mix de produtos de alto valor agregado –seguindo a mudança do perfil do consumidor.

Juntas, as quatro empresas, que possuem 11 marcas consagradas no mercado (Audax, Caloi, Cannondale, GT, Houston, Mongoose, Oggi, Ox, Schwinn, Sense e Sense Eletric Bike), investiram nos últimos três anos cerca de R$ 200 milhões em instalações, equipamentos e capacitação de profissionais no PIM, com o intuito de formar uma cadeia produtiva consistente, inovadora e atrativa.

Com mais de mil empregos diretos nas fábricas, elas possuem uma capacidade instalada de 2 milhões de unidades/ ano. “Com novas marcas, o segmento de bicicletas da entidade ganha mais representatividade. Queremos expandir a cultura da bicicleta por todo país, com produtos de padrão internacional”, comenta Musa.

Segundo dados divulgados pela entidade, em julho, foram fabricadas 60.165 bicicletas, o que corresponde a uma queda de 20,1% em relação ao mesmo mês de 2015 e um recuo de 6,5% em comparação a junho. No acumulado no ano, houv retração de 15,8%, passando de 445.730 unidades para 375.298.

“Assim como todos os setores, o segmento de bicicletas também é afetado pela crise política e econômica. Projetamos uma queda de cerca de 30% na produção nacional, fechando 2016 em torno de 2,5 milhões de unidades. Os associados da entidade devem ser responsáveis por 1,3 milhão de bicicletas. Desta forma, pela primeira vez, os associados da Abraciclo representarão 52% da fabricação nacional. Apesar do recuo no desempenho, nos sentimos vitoriosos por alcançar tal resultado. Estamos no caminho certo”, finaliza Musa.

Produção de motos cai 18,6% em agosto, diz Abraciclo

A produção de motocicletas no país totalizou 92.791 unidades em agosto. O número representa uma queda de 18,6% na comparação com o mesmo período do ano passado, quando foram produzidas 113.982 unidades, de acordo com dados divulgados hoje (12) pela Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo).
Foto: Arquivo/ABr
Em comparação com julho, quando a produção somou 75.233 motos, houve alta de 23,3%. No acumulado do ano, o total produzido chega a 632.381 unidades, queda de 30,8% em relação a igual período de 2015 (913.972).

Em agosto, as vendas para as concessionárias chegaram a 83.236 unidades, 18,3% a menos do que no mesmo período do ano passado (101.927 unidades). Em julho, foram comercializadas 71.760 motocicletas, o que corresponde a uma elevação de 16%. De janeiro a agosto, as vendas somaram 607.185, redução de 29% sobre o mesmo período do ano passado (854.674).

“Muito embora o resultado de agosto tenha sido um dos piores do ano, o setor tem expectativa de recuperação das vendas para os próximos meses em função das medidas econômicas a serem implantadas”, disse o presidente da Abraciclo, Marcos Fermanian.

Segundo a entidade, foram licenciadas em agosto 76.460 motos contra as 98.188 unidades vendidas no mesmo período de 2015, o que mostra um recuo de 22,1%. Em relação a julho, quando foram emplacadas 74.417 motocicletas, houve aumento de 2,7%.

Você confere mais informações sobre a produção de motocicletas no Polo Industrial de Manaus (PIM) no Portal Amazônia na manhã desta terça-feira (13).

Exportações de produtos do Amazonas registram queda de 25%

O volume de exportação dos produtos amazonenses apresentou redução de 25,84% no período de janeiro a agosto deste ano, em comparação a igual período de 2015, segundo dados da Secex. Nos oito primeiros meses deste ano o Estado exportou US$ 389,2 milhões contra US$ 524,9 do mesmo período ano passado. Nos sete primeiros meses do ano o índice negativo foi de 23,92%. Entre os cinco principais países compradores do Estado, somente a Colômbia e a China apresentaram números positivos.
Em agosto o Amazonas teve maior queda nas comercializações com a Argentina, com saldo negativo de 21,80%. Enquanto nos sete primeiros meses de 2016 a variação foi de 12,83%. Segundo os empresários, a redução foi motivada pelas barreiras comerciais impostas pelo governo argentino. O governo brasileiro deve se reunir nos próximos dias com os representantes vizinhos para tentar revitalizar as negociações internacionais.
Na avaliação do gerente executivo do Centro Internacional de Negócios (CIN-AM) departamento da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), José Marcelo Lima, as recentes medidas econômicas adotadas pelo novo governo argentino têm dificultado as comercializações tanto com o Brasil como com os demais países. Logo, os resultados negativos refletem nos números das exportações amazonenses.
Segundo Lima, somado aos entraves ligados às relações comerciais, está a redução na demanda do comércio argentino. O Amazonas envia produtos eletroeletrônicos e também do segmento de duas rodas para o país vizinho.
"O governo argentino está adotando uma série de medidas com o intuito de fomentar as exportações argentinas. Porém, estão impondo barreiras para que as importações aconteçam. Há uma série de restrições quanto a cobrança de tributos. Houve queda nas exportações e o Amazonas sofreu o reflexo. Isso está aliado à redução na demanda pelos produtos que exportamos para a Argentina", explicou.
Com a Argentina, de janeiro a agosto deste ano o Amazonas faturou US$80,6 milhões com redução de 21,8% nas exportações. Enquanto de janeiro a julho de 2016 o Estado contabilizou US$72,1 milhões com variação negativa de 12,83%. Em comparação aos oito primeiros meses de 2015, o faturamento do Estado foi de US$103,1 milhões com crescimento de 19,65%.
"Recebemos um comunicado da Confederação Nacional da Indústria (CNI) informando que uma comitiva do Brasil vai à Argentina para discutir sobre os acordos comerciais na tentativa de revitalizar as negociações estrangeiras", informou Lima.
A Colômbia teve o terceiro melhor desempenho no volume importado do Amazonas. Até o mês de agosto os colombianos compraram US$64 milhões. No mesmo período de 2015 o faturamento foi de US$52,4 milhões. A variação foi de 22,09%. Conforme o gerente do CIN, o mercado colombiano está reaquecendo e apresenta uma economia estável, o que favorece as comercializações com o Amazonas.
"A valorização da moeda e a economia em crescimento resulta no aumento do volume de negócios exportados e importados. A questão do cessar-fogo com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) deve impactar positivamente ainda mais até o final deste ano", disse Lima.
A Colômbia compra concentrados para o preparo de bebidas e material eletroeletrônicos do Polo Industrial de Manaus (PIM). O Amazonas ainda exportou US$24,8 milhões à China até o último mês, com uma variação positiva de 144,23%. Em igual período de 2015 o faturamento foi de US$10,1 milhões.
Importações menores acompanham o PIM
Devido à menor produção do PIM, o Estado também está importando menos. Países como China, Coreia do Sul, Estados Unidos, Taiwan, Japão, dentre outros, apresentaram menores índices de compra do Amazonas.
Houve exceção para o Uruguai, a Arábia Saudita e o Peru. Na avaliação do conselheiro do Conselho Regional de Economia do Amazonas (Corecon-AM), Marcus Evangelista, a menor importação está relacionada à menor produção do polo industrial.
"O PIM ainda sofre o efeito crise econômica com a menor produção e demissão em massa. Logo, a tendência foi reduzir o volume produzido e diminuir as compras de insumos importados utilizados para a fabricação. Com certeza, os países que tiveram índices positivos na importação não estão ligados à atividade industrial", explicou.

Polo Industrial de Manaus aposta em Michel Temer

Foto: Beto Barata/Presidência da República
O impeachment de Dilma Rousseff e a posse do presidente Michel Temer devem gerar mudanças positivas no cenário econômico nacional e estadual. Esta é a expectativa da classe empresarial amazonense. Credibilidade e retomada da política industrial são considerados como pontos chaves para o novo momento no país. Os empresários acreditam em melhores resultados para o Polo Industrial de Manaus (PIM) ainda nos próximos meses.O economista e consultor, Francisco Mourão Júnior, acredita que a partir de agora, Temer definirá medidas que viabilizem a recuperação econômica nacional. Logo, o Amazonas, também será beneficiado pelas novas decisões. “A economia deverá voltar aos trilhos. Serão necessárias medidas que visem o controle de gastos e a retomada de uma nova política industrial”, disse.Segundo Júnior, após um ano de instabilidade econômica e política, com a elevação do índice de desemprego e a menor confiança dos investidores estrangeiros, todos os setores econômicos foram atingidos e dentre eles, está o industrial. Para ele, a apreciação de uma pauta, na reunião do Conselho de Desenvolvimento do Estado do Amazonas (Codam), hoje, que prevê investimentos estimados em R$3,2 bilhões e abertura de mais de 2,8 mil vagas de trabalho no Estado, representa a retomada da confiança do investidor em relação ao Amazonas.“Os empresários estavam no aguardo de um sinal quanto à posse ou não de Temer. Mas, a partir de agora, eles poderão confiar em destinar investimentos ao Estado. Então, os empregos começarão a surgir e o mercado deve começar a reagir positivamente”, explicou.Para o vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Nelson Azevedo, o resultado do afastamento de Dilma já era esperado. Ele acredita que este novo período da história brasileira se resumirá em retomada da confiança da população e dos empresários, principalmente. “É preciso recuperar a confiança do país perante o mercado internacional. Acredito que a mudança será positiva a partir de novas medidas, reformas políticas e na equipe econômica.Neste processo ainda é necessário ouvir a sociedade, a classe empresarial, os técnicos. Temer já coletou várias ideias e sugestões pela classe industrial brasileira. Agora, é só trabalhar”, comentou. “Temos esperança e acreditamos em melhores resultados na economia brasileira. Sabemos que mudanças não acontecem rapidamente, mas vamos observar a situação pelos próximos 60 dias”, completou.De acordo com o presidente da Fieam, Antonio Silva, a política nacional começa a tomar novo rumo um novo direcionamento que deverá resultar em benefícios ao setor industrial amazonense. Ele ainda destacou a segurança jurídica como um ponto forte durante este período. “A palavra-chave deste período é: credibilidade. A mudança no regime político trará uma série de benefícios, a credibilidade e a esperança de melhores resultados produtivos. Acredito que essa mudança deverá acontecer nos próximos meses”, disse.ImpeachmentOntem o plenário do Senado aprovou, por 61 votos favoráveis e 20 contrários, o impeachment de Dilma Rousseff. A ex-presidente foi condenada sob a acusação de ter cometido crimes de responsabilidade fiscal –as chamadas "pedaladas fiscais" no Plano Safra e os decretos que geraram gastos sem autorização do Congresso Nacional. Porém, Dilma não foi punida com a inabilitação para funções públicas. Com isso, ela poderá se candidatar para cargos eletivos e também exercer outras funções na administração pública. O presidente Michel Temer tomou posse do cargo na tarde de ontem.