Sidebar Menu

Manaus 30º • Nublado
Sábado, 08 Mai 2021

Um oásis de biodiversidade encravado no coração de Belém

Visitamos um lugar que é um oásis de biodiversidade e ao mesmo tempo é um dos mais ameaçados da Amazônia.

Trilhas no Parque do Utinga são uma verdadeira conexão com a natureza

Visitar o Parque Estadual Ambiental do Utinga é como ter a experiência de entrar num portal mágico. Basta deixar a rotina da vida corrida um pouco de lado e se embrenhar floresta à dentro, em uma das 11 trilhas ecológicas da unidade de conservação, localizada bem no pulmão da cidade de Belém. Além de opção de lazer, o lugar é perfeito para curtir as férias.


Mas antes de mergulhar nessa aventura, é importante saber que para aproveitar pelo menos sete trilhas (as maiores e de mata mais fechada), é necessária a ajuda de um condutor ambiental e de um auxiliar de retaguarda, que são uma espécie de guias dentro da floresta e conhecem bem o lugar. São eles que dão orientações importantes para os visitantes durante o passeio.

Foto: Divulgação

“Estamos numa unidade de conservação ambiental, então as trilhas também obedecem uma série de regras, capacidade de carga, de pessoas, o uso sustentável do percurso. Ao avistar um cacho de fruta, por exemplo, não pode retirar daqui e levar pra casa. Só pode observar”, explica Daniel Neres, condutor ambiental.

Durante o passeio, também não é permitido levar alimentos, apenas uma garrafa com água, nem descartar lixo no local.A trilha da Mariana é uma das opções. Nela, os visitantes podem usufruir da companhia de uma grande borboleta azul, que é característica da região tropical da Amazônia e, no parque, leva o mesmo nome da trilha. “Ah essa borboleta é conhecida como Mariana e considerada também a mãe d’água. Ela é encontrada aqui porque temos áreas alagadas na trilha, temos lagos”, explica o guia.


Aliás, Mariana é o nome da trilha porque tem a ver com uma antiga moradora do lugar. A história é curiosa: diz a lenda que, há anos, antes de se tornar uma Unidade de Conservação Ambiental, essa parte remota da cidade de Belém era o lugar onde pessoas com pneumonia buscavam ar puro. E a primeira moradora do local tinha esse nome. Ela morreu e se tornou a protetora da floresta.


E quem entra ali se sente convidado a proteger esse santuário natural, que nem parece estar no coração da capital paraense. Caminhando na trilha, a floresta ora encanta com o som dos pássaros e cigarras, ora traz uma paz e um silêncio ensurdecedor. É assim que o visitante se desconecta do meio urbano e se torna parte da natureza. Aos poucos, vai conhecendo as árvores centenárias, algumas com mais de 25 metros de altura, plantas e cipós. Todos guardam lendas e sabedorias populares.

Foto: Divulgação
 

Educação ambiental


Além de oferecer o turismo ecológico de aventura, o Parque Ambiental do Utinga tem como principal objetivo promover a educação ambiental. Grupos de crianças, jovens e adultos fazem visitas guiadas, diariamente, no espaço.
Cerca de 40 alunos do 8º e 9º da Escola Estadual Maria de Nazaré Marques Rios, que fica no conjunto Icuí Guajará, em Ananindeua, e fazem parte do Programa Territórios pela Paz (TerPaz) visitaram o parque, na sexta-feira (6).
“Eles estão encantados, olhando para todos os lados pra tentar compreender o que é o parque. E nós trouxemos professores de Ciências para mostrar a importância de valorizar o meio ambiente, de sair do espaço escolar e também aprender aqui” - Rosa Teixeira, diretora da unidade de ensino.


Como coordenadora de Educação Ambiental da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas) no Terpaz, Andreia Monteiro falou da importância de incentivar esse tipo de visita no espaço. “É para se sensibilizar sobre as temáticas ambientais. O grupo vai agora fazer a trilha do Patuá, com ajuda de uma guia do Ideflor-bio, depois seguirão para conhecer o Lago Bolonha e entender que é daqui que sai a água que temos em casa. Eles estão ansiosos e, para a maioria, é a primeira vez”.


O Batalhão da Polícia Ambiental (BPA), da Polícia Militar do Pará, também organiza passeios nas trilhas com o objetivo de promover a conscientização ambiental. “Não é só um passeio, uma diversão. A gente quer dizer para eles que a selva tem de tudo, aqui encontramos alimento, abrigo, fogo, água, por isso não podemos destruir, se desfazer. Ensinamos eles a não desmatar, a não jogar lixo, a não poluir”, reforçou o sargento Valcir Chagas, do BPA.

No Feriado deste domingo, Estação das Docas, Mangal e Parque do Utinga funcionarão; confira os horários

A Organização Social Pará 2000 que administra Estação das Docas, Parque Zoobotânico Mangal das Garças e o Parque Estadual do Utinga informa que o funcionamento desses espaços no final de semana do feriado de N. Sra. da Conceição (comemorado dia 8 de dezembro) será normal.

Foto:Divulgação/Agência Pará

Confira os horários e programações:



Estação das Docas

07/12 (sábado) - 10h às 02h
08/12 (domingo) - 09h às 00h



Programação:

07/12 (sábado)
- Estação Natal – 17h às 18h – Orla do Armazém 3 – Coral Metropolitano de Belém
- Estação Natal – 17h às 21h – Visita do Papai e Mamãe Noel


08/12 (domingo)
- Estação Natal – 17h às 18h – Orla do Armazém 3 – Coro Musical de Belém – COMBEL



Mangal das Garças



Horário de Funcionamento

07/12 (sábado) - 09h às 18h
08/12 (domingo) - 09h às 18h



Programação

- 10h / 16h  – Momento Soltura das Borboletas no Borboletário
- 11h / 15h / 17h30  – Momento Alimentação das Garças no Recanto da Curva

A entrada no Parque é gratuita. Para visitar os espaços monitorados é necessário adquirir ingresso por R$ 5 cada espaço.



Parque Estadual do Utinga


Horário de Funcionamento

07/12 (sábado) - 06h às 17h
08/12 (domingo) - 06h às 17h



Confira o horário de funcionamento de complexos turísticos de Belém, neste feriado de finados

A Organização Social Pará 2000, que administra a Estação das Docas, Parque Zoobotânico Mangal das Garças e Parque Estadual do Utinga informa ao público o horário de funcionamento dos complexos neste final de semana, do feriado de Finados.
Foto:Divulgação/Ideflor PA


Parque Estadual do Utinga


Dia 01/11 (sexta-feira) - das 06h às 17h
Dia 02/11 (sábado) - das 06h às 17h
Dia 03/11 (domingo) - das 06h às 17h


Estação das Docas


Dia 01/11 (sexta-feira) - das 10h às 02h
Dia 02/11 (sábado) - das 10h às 02h
Dia 03/11 (domingo) - das 09h às 00h


Programação:


Dia 01/11


- Pôr do Som - Grupo Trilhas da Amazônia- 18h30 às 20
- Exposição Belém das Águas e da Fé, de 23 de outubro a 3 de novembro de 2019, no armazém 2 da Estação das Docas (Boulevard Castilhos França). Aberta ao público das 10 às 22 h.


Parque Zoobotânico Mangal das Garças


Dia 01/11 (sexta-feira) - das 09h às 18h
Dia 02/11 (sábado) - das 09h às 18h
Dia 03/11 (domingo) - das 09h às 18h
03/11 - 10h – Entorno do Memorial Amazônico da Navegação - Momento EcoZoo – Marreca Asa de Seda / Mangal Ecológico - Oficina de brinquedos de papel


Programação diária


10h / 16h  – Momento Soltura das Borboletas no Borboletário
11h / 15h / 17h30  – Momento Alimentação das Garças no Recanto da Curva
A entrada no Parque é gratuita. Para visitar os espaços monitorados é necessário adquirir ingresso por R$ 5 cada espaço.





Orquídea da espécie Vanilla pompona é descoberta no Parque do Utinga, em Belém

Após meses de observações e estudos, foi confirmada a existência da orquídea Vanilla pompona no Pará. A espécie foi descoberta em território paraense pelo pesquisador da Coordenação de Botânica do Museu Goeldi, Leandro Ferreira, no Parque Estadual do Utinga. É do fruto dessa planta que se extrai o aromatizante de baunilha, muito utilizado na culinária.
 

Parque do Utinga registra aparição inédita de espécie de rã na Grande Belém

A rã da espécie Pseudis paradoxa, mais conhecida como rã-paradoxal, é um anfíbio encontrado nos estados do Amazonas, Amapá e Maranhão, e em algumas regiões do Pará. Um animal dessa espécie foi encontrado no Parque Estadual do Utinga durante as ações de limpeza das macrófitas aquáticas no Lago Bolonha. Esse é o primeiro registro de uma rã-paradoxal na Região Metropolitana de Belém.

“O animal já foi avistado em outras partes do Pará, como Baixo Amazonas, Marajó e na região entre o Pará e o Maranhão, mas havia uma disrupção (interrupção) na presença da rã aqui na região conhecida como área de endemismo Belém. O registro desse animal no parque é muito importante, pois ele fecha o gap (lacuna) que existia na distribuição da espécie no Pará”, conta o gestor ambiental Augusto Jarthe, um dos responsáveis pelo resgate de fauna durante a limpeza das macrófitas no Lago Bolonha.

A presença do animal no Parque é um indicador do sucesso na preservação da biodiversidade do Utinga. “Esses animais são muito exigentes. Então, eles só vivem em lugares com boas condições ambientais. Apesar de toda a pressão antrópica (ação do homem) que o parque sofre por estar dentro de uma área urbana, ele consegue favorecer que espécies mais que especiais se desenvolvam”, acrescenta.
Foto: Divulgação/Agência Pará
Fenômeno

Além do registro inédito na região de Belém, o caso é curioso pelas próprias características do animal. A Pseudis paradoxa é um dos únicos organismos vivos cuja forma adulta é menor que as formas iniciais. O girino da espécie é mais de duas vezes maior que a rã adulta. “O nome Paradoxa vem desse fenômeno. No crescimento, o girino perde a cauda e por isso fica menor”, explica Augusto Jarthe.

Para o gerente do Parque Estadual do Utinga, Julio Meyer, o registro da rã-paradoxal é mais uma amostra da riqueza da biodiversidade local. “Esse achado é emblemático, pois fala que, além daquelas espécies que já conhecemos, ainda há uma biodiversidade a descobrir. Fala também sobre o cuidado tomado com a fauna e a flora em todos os serviços que são realizados no Parque. Afinal, eles são os principais habitantes desse espaço”, destacou.
Foto: Divulgação/Agência Pará
Manejo

A rã-paradoxal foi encontrada durante as ações de limpeza de macrófitas no Lago Bolonha, um dos mananciais existentes no Utinga, fonte de abastecimento de água para cerca de 70% da população da Região Metropolitana de Belém. Além de sua função de abastecimento, o lago também é berço de diversos animais e vegetais. São mais de 90 espécies de peixes, além de anfíbios, cobras e lagartos.

As macrófitas são plantas que crescem, de forma acelerada, sob a lâmina do lago, formando pequenas ilhas que servem de habitat para alguns animais, mas podem causar prejuízos. Augusto Jarthe ressalta que um dos principais danos é a diminuição na penetração da luz solar no lago. “Um dos efeitos é a morte e decomposição de animais e plantas dentro do lago, por isso essas macrófitas precisam ser retiradas periodicamente”, acrescenta.
Foto: Divulgação/Agência Pará
Entretanto, a retirada das macrófitas pode levar à morte de animais que vivem nas pequenas ilhas formadas pelas plantas. A fim de evitar esses efeitos, a legislação nacional e estadual exige que junto com a limpeza seja feito o resgate dos animais, que são levados para uma área de soltura, de aproximadamente três hectares, no meio do lago. “Durante essa limpeza do Bolonha, que iniciou em outubro de 2007, já resgatamos mais de 2.500 bichos, dos quais 99% são espécies de herpetofauna: cobras, lagartos e anfíbios. Dentre eles estava a Pseudis paradoxa”, informa Augusto Jarthe.

O animal foi coletado e será enviado para integrar a coleção herpetológica do Museu Paraense Emílio Goeldi, considerada uma das maiores do mundo nessa área.