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Terça, 11 Mai 2021

Pacaraima decreta toque de recolher entre 21h e 6h para conter avanço da Covid-19

Entre as medidas proibidas que constam no documento, estão a circulação de pessoas que não estejam utilizando máscara de proteção em qualquer local aberto, fechado, público ou privado

Campanha de vacinação contra a poliomielite é prorrogada até sexta-feira (20) em Roraima

Campanha foi estendida para alcançar meta estipulada pelo Ministério da Saúde. Até o final de outubro, Boa Vista era o município com um dos menores índices de cobertura vacinal, com 22,6%. Em seguida, aparecem Pacaraima, com 12%, Uiramutã, com 4,7% e Normandia, com 3,2%.

Espaço para venda de artesanato de indígenas venezuelanos é inaugurado em Boa Vista

Recursos obtidos com a venda serão revertidos para a população indígena abrigada pela Operação Acolhida em Roraima

Estados da Amazônia pedem fechamento da fronteira com Venezuela

Ator Liam Neeson visita refugiados venezuelanos em Roraima

O ator irlandês Liam Neeson está em visita oficial a Roraima, no Norte do Brasil, como embaixador da Boa Vontade do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). Nesta terça-feira (7), ele foi à cidade de Pacaraima, na fronteira entre Brasil e Venezuela.


De acordo com a operação Acolhida, que cuida da migração venezuelana, a visita do ator está ao encargo do Unicef, que também atua no acolhimento dos refugiados no estado.


Foto: Arquivo Pessoal



"Por questões de segurança, as informações sobre essa atividade não são públicas”, informou o Unicef, acrescentando que vai divulgar os detalhes da atividade nos próximos dias.


Em Pacaraima, Liam Neeson conheceu as instalações da operação, dançou com crianças, e também esteve no ponto que marca a fronteira entre os dois países. Fotos e vídeos que mostram o ator na cidade circulam nas redes sociais.

Indicado ao Oscar por protagonizar o clássico "A Lista de Schindler", o ator de 67 anos se tornou embaixador da Boa Vontade do Unicef em 2011. Em 2016, ele esteve no maior campo de refugiados do mundo, situado próximo à fronteira com a Síria.



Na fronteira com a Venezuela, Roraima é o estado brasileiro que mais recebe venezuelanos em fuga da crise em seu país natal. Até setembro de 2019, 224 mil venezuelanos pediram refúgio ou residência no Brasil, quinto país da América Latina a receber o maior número de venezuelanos.

Infância refugiada: 10 mil crianças venezuelanas já entraram no Brasil

Hoje é o Dia das Crianças e no alojamento BV8 em Pacaraima (RR), fronteira do Brasil com a Venezuela, os cerca de 400 meninos e meninas que vivem temporariamente por lá têm um pedido: cholas, ou em português, chinelos. Alguns deles não têm calçados para proteger os pequenos pés que cruzaram caminhos difíceis até chegar ao Brasil.


Desde 2017, mais de 200 mil venezuelanos já entraram no Brasil fugindo da crise econômica, política e social do país. De acordo com estimativas do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), entre eles estão quase 10 mil crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade, considerando o período de 2015 a 2019. O número é uma projeção, já que não há um dado oficial. Uma delas é Diego Hernandéz, de 10 anos. Ele está com a mãe e irmãos no BV8, um abrigo temporário que acolhe principalmente o público mais vulnerável, até que possam seguir para Boa Vista ou para outros estados dentro do processo de interiorização.


“Queremos chinelos e roupas para sermos crianças limpas. Quando as crianças não têm roupa, elas se sentem tristes”, explica Diego.

Foto:Reprodução/TV Brasil


O tenente-coronel Barcellos, coordenador da Operação Acolhida em Pacaraima, conta que as crianças chegam com necessidades muito básicas como roupas e fraldas.


“Muitas vezes elas chegam sem entender o que está acontecendo. A gente vê que para elas tudo é novo, diferente”, diz Barcellos.


A Operação Acolhida é coordenada pelas Forças Armadas com apoio do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), além de outros órgãos do poder público e entidades da sociedade civil.


Apesar das difíceis condições, o menino agradece o acolhimento no Brasil e fala com propriedade sobre a crise que levou ele e sua família a cruzarem a fronteira. “Pelo menos vocês estão nos ajudando porque a Venezuela está pobre, já a metade da população se foi porque a situação está muito feia por lá”, lembra Diego.


As crianças são uma preocupação ainda maior no contexto da migração, já que direitos muito básicos como a alimentação adequada ficam comprometidos. “Essas pessoas foram deslocadas de suas residências então tem um impacto desse deslocamento, a chegada no local. Às vezes a vida num abrigo também é muito distinta da realidade que essas crianças estavam vivendo na Venezuela. Isso tudo tem feito com que esse processo tenha um impacto muito forte nas crianças”, aponta Thais Menezes, chefe de relações institucionais da Acnur.


Primeira infância


A vida no alojamento BV8 e nos outros abrigos mantidos pela Operação Acolhida pode não ser a ideal. Mas lá, as crianças têm ao menos três refeições por dia e um lugar seguro para dormir. Entre os cerca de 700 moradores temporários do local – o espaço está sendo ampliado para receber até mil pessoas – estão cerca de 60 crianças com até 7 anos. A maioria delas está na chamada primeira infância, período que vai do nascimento até os 6 anos de vida. A primeira infância é uma fase decisiva para o desenvolvimento infantil, pois é quando o cérebro é moldado a partir das experiências, dos estímulos e do ambiente em que a criança vive.


“Os primeiros anos são muito importantes porque tudo está acontecendo ali ao mesmo tempo e rapidamente. Quanto maior a estimulação, o cuidado e a atenção dos pais em relação a essas crianças em desenvolvimento e, no caso da migração da sociedade também, isso vai permitir o desenvolvimento de seres saudáveis”, explica a professora do Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília (UnB), Ângela Uchoa. Ela destaca que o estresse e a desnutrição, além de aspectos afetivos, têm impacto no desenvolvimento da criança.

Foto:Reprodução/TV Brasil


Na tentativa de mitigar os efeitos negativos da migração, o Unicef mantém os Espaços Amigos da Criança, onde as crianças recebem atendimento pedagógico e participam de atividades recreativas. Ao todo, 23 unidades estão em funcionamento no estado de Roraima e mais de 15 mil crianças e adolescentes já foram atendidos.


Em Pacaraima, bem próximo das instalações onde os adultos cuidam de questões burocráticas de documentação e identificação para poderem entrar no Brasil, dezenas de crianças cantavam, dançavam e brincavam sob o comando dos monitores da Visão Mundial, organização que apoia o Unicef nas ações.


Lá estava Sophia Valentina Curapiaca, 5 anos, que está com a mãe e os irmãos em Pacaraima enquanto aguarda as ações de interiorização para encontrar o pai, que já está morando em São Paulo. Ela lista as brincadeiras que gosta de fazer: jogar pelota (bola, em espanhol) e desenhar. “Aqui não tenho amigos, meus amigos ficaram na Venezuela. Mas brinco com meus irmãos”, diz Sophia.


A venezuelana Sorimar Tremária atua como professora social no espaço do Unicef há dois anos. Na Venezuela, trabalhava como enfermeira e educadora, mas viu-se obrigada a deixar o país em razão da crise econômica: seu salário chegou a valer apenas R$ 8.


“Nosso espaço é chamado pela nossa equipe de espaço da alegria. Porque as crianças esquecem toda realidade da Venezuela, aqui é outro mundo. Só um lápis de cor e um papel fazem a diferença para eles. Eles nos falam: ‘tia é difícil encontrar uma folha para escrever na Venezuela e vocês dão para nós, fazemos atividades’, coisas que na Venezuela não se faz porque é muito caro um lápis”, exemplifica Sorimar.


Apesar dos efeitos negativos dessas privações no desenvolvimento infantil, a professora Ângela Uchoa destaca que há um grande poder de recuperação das crianças em razão da plasticidade do cérebro. “Mesmo tendo passado por situações estressantes, o potencial de recuperação do ser humano é imenso e a gente tem que sempre apostar nesse potencial. É a resiliência, é a capacidade de resistir”, analisa Uchoa.


Quando a nossa equipe de reportagem visitou o BV8, as crianças ensaiavam uma coreografia para apresentar na festa do Dia das Crianças, organizada pela coordenação da operação. Perguntado sobre o que gostaria que os adultos fizessem pelas crianças imigrantes e refugiadas, Diego resume com a simplicidade de quem só tem 10 anos, mas já carrega uma história dura para contar: “Eu quero que todas as crianças tenham roupas, chinelos, vivamos a vida feliz e quando formos grandes tenhamos estudo aqui no Brasil. Sejamos homens de bem”, diz.



Ao menos 400 crianças venezuelanas chegaram ao Brasil sozinhas


De um lado Santa Helena, Venezuela. Do outro Pacaraima, Brasil. Em média, 500 venezuelanos fazem esse trajeto, todos os dias. Desde 2017, mais de 200 mil já entraram no país fugindo da crise política, econômica e social do país.  Muitas vezes são famílias inteiras que entram no território de Roraima fugindo da fome. Mas uma situação em particular preocupa as autoridades brasileiras: as crianças imigrantes que chegam ao país desacompanhadas.

Foto:Reprodução/TV Brasil

Levantamento da Defensoria Pública da União (DPU) apontou que no período de 11 meses, de agosto de 2018 a junho de 2019, quase 400 crianças chegaram ao Brasil totalmente desacompanhadas. Outras 1.499 vieram separadas dos pais e 1.701 com documentação insuficiente.


“São histórias tristes de pessoas que estão fugindo de um futuro tenebroso. Às vezes os pais são mortos, às vezes no fluxo migratório perdeu-se o contato entre os membros da família, outras vezes simplesmente a criança ou adolescente nunca teve contato com a família na Venezuela e continua na situação de vulnerabilidade quando chega no Brasil”, explica o defensor público federal Thiago Parry.


No âmbito da Operação Acolhida, que é coordenada pelas Forças Armadas brasileiras, a DPU dedica atenção especial ao atendimento dos casos de criança com “dificuldades migratórias”, que são as desacompanhadas, separadas dos pais ou indocumentadas.


“Há relatos de crianças que caminham por mais de 6 ou 7 dias, sozinhas ou acompanhadas de pessoas conhecidas no meio do caminho, porque simplesmente verificam que tem pessoas fazendo esse trajeto, ouvem que é melhor no Brasil e decidem fazer essa travessia”, conta Parry.


O tenente-coronel Barcellos aponta que uma das dificuldades é a diferença documental entre os dois países no caso das crianças. “Documento com foto na Venezuela eles cobram a partir dos 9 anos, aqui no Brasil é mais cedo. Criança lá não tem CPF, aqui praticamente já emitimos o CPF no nascimento. E algumas crianças, principalmente de comunidades indígenas venezuelanas, chegam aqui apenas com a declaração de nascido vivo”, compara.


Nestes casos, o trabalho da defensoria, com auxílio de assistentes sociais, é investigar por meio de uma entrevista qual é a situação da criança. Ela pode receber  autorização para entrada no Brasil com o adulto que a acompanha, ou ser encaminhada para um serviço de acolhimento.


“Se a criança estiver acompanhada de familiares da famílias extensa, como tios e avós, e for verificada que de fato é uma situação regular e não há risco de que essa criança esteja sendo traficada ou vítima de algum tipo de aliciamento, ela é geralmente encaminhada para o pedido de refúgio. Regulariza-se esse fluxo migratório da criança e ela pode seguir para dentro do Brasil. Se essa criança vem absolutamente desacompanhada, ela vai ser tratada aqui como se uma criança brasileira fosse encontrada no meio da rua, ela tem os mesmos diretos que uma criança brasileira”, explica.


Acolhimento


No abrigo Pedra Pintada, mantido pela prefeitura de Boa Vista, vivem atualmente quatro crianças imigrantes: um menino de 11 anos, um bebê de pouco mais de 1 ano e dois recém-nascidos. Carlos (nome fictício), o mais velho, foi encontrado sozinho perambulando pelas ruas da capital e encaminhado ao abrigo pelo conselho tutelar.


“Ele chegou na instituição bem retraído, a gente percebia que ele estava com medo, atordoado, fragilizado. Não conseguia passar informação”, lembra a gerente do abrigo, Ivanilde Teixeira. Não há informações sobre como ao menino chegou até Boa Vista sozinho, mas a Cruz Vermelha e o consulado trabalham para identificar a família que ficou na Venezuela.


Os dois mais novos moradores do abrigo são um casal de gêmeos, filhos de uma mãe venezuelana nascidos em Boa Vista e, portanto, brasileiros. Eles foram deixados na maternidade pela mãe, que ainda não foi identificada, e trazidos para o abrigo com pouco mais de 20 dias.
“Essas crianças, por serem gêmeos, chegaram abaixo do peso, por isso tem todo um cuidado. Eles chegaram através do conselho tutelar, não temos nenhum histórico da mãe. A gente tem um tempo pra buscar a família e, quando não é encontrada, a gente toma as providências cabíveis até essas crianças chegarem no Cadastro Nacional de Adoção”, explica Ivanilde.


Ao menos enquanto estiverem no abrigo, as crianças podem dormir em quartos limpos, recebem carinho a atenção das assistentes e as seis refeições por dias garantem a barriga cheia. Realidade muito diferente da que Carlos, agora matriculado pela primeira vez numa escola, vivia antes nas ruas. “Vez ou outra, ele manifesta que quer voltar para a Venezuela. Mas, para isso, a gente precisa saber informações da família, onde ela está para a gente poder entregar essa criança com segurança”, diz Ivanilde.



Música ajuda a curar dor de crianças refugiadas em Pacaraima



O poder curativo da música é a aposta da maestrina Miriam Blos para transformar a dura vida de 113 crianças venezuelanas, de 4 a 16 anos, no projeto Canarinhos da Amazônia. Em uma casa em Pacaraima (RR), cidade brasileira que faz fronteira com a Venezuela, os meninos e meninas recebem refeições diárias, participam de atividades complementares à escola e formam o coral Canarinhos da Amazônia. No repertório, canções em português e espanhol.


“Eles chegam bem destruídos, sem esperança, como se ‘e agora?’. Para a criança é mais fácil fingir, mas quando começa a fome, bate o desespero na mãe, e ela não sabe o que fazer. Havia muitas crianças na rua e isso nos levou a abrir a Casa da Música”, conta Miriam. Ela já desenvolvia o projeto desde a década de 90, em Boa Vista. Mas quando teve início a crise migratória dedicou-se a atender apenas crianças venezuelanas. Todos os dias cerca de 500 pessoas, em média, atravessam a fronteira para o Brasil.


“A gente está muito preocupado com o futuro das crianças porque é a geração futura. É muito importante essa integração Brasil-Venezuela porque nós sempre fomos irmãos”, diz Miriam. No coral há ainda crianças indígenas venezuelanas de três etnias diferentes.


O projeto conta com o apoio do Exército e do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur). Os trabalhos na Casa da Música começam às 5h quando os alunos chegam para tomar café da manhã e vão para a escola. No período da tarde, retornam para as atividades extras. E, antes de ir embora, comem o jantar.  Miriam diz que não recebe mais alunos por falta de espaço, mas na hora do almoço sempre há crianças do lado de fora, aguardando por um pouco de comida.


As músicas são escolhidas a dedo: mensagens positivas e melodias que acalmam são pré-requisito. “A criança começa a mudar os pensamentos. A fome já não é mais a mesma, eu já tenho o amor, alguém me acolheu. A  música é esse instrumento lindo, esse instrumento de harmonia que conduz esse processo. Agora você vê o resultado de crianças que estão estudando, bem alimentadas e que já podem voltar a sonhar com um futuro para o nosso planeta”, relata Miriam.



Roraima investe na primeira infância e acolhe crianças refugiadas


As mãozinhas pequenas e a aparente fragilidade escondem um enorme potencial. A primeira infância, que vai do nascimento aos 6 anos de vida, é quando o cérebro do indivíduo está em formação: são mais 1 milhão de novas conexões cerebrais por segundo. O ganhador do prêmio Nobel de economia James Heckman defende que o investimento nesta fase traz o maior retorno para a sociedade. A partir das evidências, alguns governos já desenvolvem programas específicos para a primeira infância, como é feito há seis anos pela prefeitura de Boa Vista (RR).


“Assim como é importante a gente trabalhar na drenagem, no asfalto, na iluminação, é importante trabalhar com a primeira infância. Tem o mesmo peso. Isso porque é a fase mais importante da vida de uma pessoa”, defende a prefeita da cidade, Teresa Surita.


O programa Boa Vista Capital da Primeira Infância reúne uma série de ações para atender essa fase, incluindo atendimento a gestantes, aumento de vagas na educação infantil e a criação de praças e espaços públicos para a criança, dentre outros.


Mas, em meio à implantação do programa, que já é referência para outros estados, Boa Vista se viu de frente a outro enorme desafio: a crise migratória. Desde 2017, mais de 200 mil venezuelanos já entraram no Brasil fugindo da crise política e social do país. De acordo com a prefeita, já são 70 mil venezuelanos vivendo na cidade – incluindo milhares de crianças até 6 anos de idade em situação de vulnerabilidade.


“Nós não vemos diferença entre a criança brasileira e a venezuelana, elas são tratadas da mesma forma e atendidas nos programas sociais da mesma maneira. Por exemplo, hoje, no programa Bolsa Família, cerca de 26% das famílias atendidas são venezuelanas, em um programa que a princípio era para brasileiros. Porque a gente entende que, dessa maneira, nós vamos evitar a xenofobia e trabalhar para que essas crianças que chegaram encontrem seu lugar. A gente cuida da primeira infância e sabe da importância que é você ter segurança, trabalhar os vínculos afetivos. Uma criança nessa situação chega toda fragilizada”, afirma Surita.


Uma das políticas públicas para a primeira infância do município é o espaço Família que Acolhe, onde mães e bebês recebem atendimento especializado. Além das consultas médicas, as gestantes participam de aulas sobre amamentação e aprendem a fazer brincadeiras estimulantes com os bebês. O foco principal, além de cuidar da saúde, é fortalecer os vínculos afetivos, que são fundamentais para o desenvolvimento infantil. Em seis anos, o programa já atendeu 15 mil famílias e mais de mil são venezuelanas.


Foto:Reprodução/TV Brasil


Entre as mães atendidas está Leonela Azocar, que chegou ao Brasil grávida, como muitas venezuelanas. Deixou lá a filha Bárbara, de 2 anos, que hoje vive com os avós. Dormiu na rua e passou fome enquanto esperava o nascimento de Antonela, que hoje tem 5 meses.


“Me trataram tão bem, foi a primeira vez que eu tinha sido tratada tão bem assim no Brasil. Aqui me ensinaram muito porque eu já tinha minha primeira filha, mas lá eu tinha minha mãe e meu pai que me ajudavam. Aqui eu estava sozinha”, compara.


Leonela sonha com o dia em que poderá trazer a outra filha para o Brasil.


“Todos os dias é como se faltasse um pedacinho do meu coração porque ela está longe. Quando eu como, eu penso: será que minha filha está comendo? O que será que minha filha, meu pai, minha mãe, estão comendo?”, diz.
Educação


Na rede municipal de Boa Vista, 12% das matrículas já são de crianças venezuelanas. Na Escola Waldinete de Carvalho Chaves, dos 333 alunos, seis são venezuelanos. Um deles é Elvis Rivas, que tem 4 anos e vive com a família no Brasil há três.


A mãe dele, Keiddy Rivas, conta que ele teve problemas no começo com o idioma, mas agora já exibe todo o vocabulário que aprendeu em português. Para ela, a escola teve um papel importante na adaptação do filho e conta que as professoras foram muito compreensivas com as diferenças linguísticas e culturais. Ela sente saudades da família e do país, mas por enquanto não pensa em voltar. “Pode ser no Brasil, na China. A gente pensa primeiro neles, na qualidade de vida dos nossos filhos”, reconhece Rivas.


Na escola, o projeto De Mãos Dadas busca integrar crianças brasileiras e venezuelanas. Alguns dos principais espaços da unidade, como o banheiro e a copa, receberam identificação nas duas línguas – espanhol e português.


De acordo com a prefeita, os professores e assistentes da rede foram capacitados em espanhol para facilitar a adaptação.  “A criança dentro da escola, eu diria que é o que tem de mais simples porque elas se integram. E como toda sala de aula tem venezuelanos, acaba sendo uma coisa natural. Acaba que o problema entre crianças praticamente não existe. O problema maior está na rua, com os adultos”, compara Teresa.


Na cidade, muitos moradores reclamam da vinda dos imigrantes. Dizem que a qualidade de vida de Boa Vista piorou com a chegada dos imigrantes, principalmente a criminalidade, o atendimento nas unidades de saúde e a quantidade de pessoas morando nas ruas. Para a prefeita, a população ainda está se adaptando à nova realidade.


“É difícil você ver essa situação na rua, Boa Vista não tinha gente pedindo esmola. A violência também aumentou, com pequenos furtos. A população sofre com isso. Agora, a população que chega também precisa ser assistida. Então, é um aprendizado tanto de quem está recebendo, quanto de quem tá chegando. Eu acredito que daqui há 15 anos, nós vamos ver os benefícios dessa migração, assim como aconteceu no Sul do país anos atrás. Eu como prefeita tenho que olhar os dois lados: aquilo que os brasileiros sentem, mas eu também não posso deixar de olhar o que os venezuelanos precisam. Então, é trabalhar essa integração da melhor forma possível”, defende Surita.

Alto comissário da ONU para refugiados pede apoio internacional a acolhida de venezuelanos

O alto comissário da Agência para Refugiados da ONU (Acnur), Filippo Grandi, afirmou que veio ao Brasil conhecer a situação pessoalmente para poder pedir à comunidade internacional mais recursos para que os países da região tenham a capacidade de acolher os milhões de venezuelanos.


O representante da ONU para refugiados esteve em Brasília onde se reuniu com os ministros da Justiça, das Relações Exteriores, da Casa Civil, da Cidadania e com um representante do ministério da Defesa que teriam garantido que a Operação Acolhida e a interiorização de venezuelanos vão continuar no Brasil.
Foto:Jackson Félix/Rede Amazônica

O país já transferiu de Roraima para outros estados mais de 12 mil imigrantes.
 

O representante da ONU também visitou abrigos em Boa Vista e Pacaraima, no estado de Roraima, e abrigos em Manaus, no Amazonas. Ele também fez uma visita de dois dias ao Chile, um dos países que tem recebido muitos venezuelanos.


O representante da ONU afirma que cerca de 4.3 milhões de venezuelanos migraram nos últimos anos e que esta é a maior onda de imigração da região de toda a história. Filipo Grandi também pediu que os países da região continuem de portas abertas para os venezuelanos.


Pacaraima está a beira de colapso social com aumento de imigração, diz prefeito

O prefeito de Pacaraima, Juliano Torquato, disse nesta segunda-feira (6) no Senado, que o município está à beira de um colapso social com o crescente número de venezuelanos que chegam e se instalam na cidade. Torquato participou de uma reunião da Subcomissão Temporária criada para tratar da crise na Venezuela, bem como suas consequências para o Brasil.


Torquato disse que tem, de todas as formas, tentado solucionar o problema na fronteira do Brasil com a Venezuela. “Só que infelizmente chegou a um momento em que eu peço ajuda de vocês. Não consigo mais. A gente vai entrar num colapso na sociedade, na educação e na saúde”, disse o prefeito.


Há vários meses, a Venezuela passa por uma severa crise econômica. Atingido pela hiperinflação, o país sofre com o desabastecimento cada vez mais intenso e com a falta de emprego e perspectivas sociais e políticas. Milhares de venezuelanos têm deixado o país em busca de oportunidades de emprego em países vizinhos, dente eles o Brasil. Com isso, a cidade de Pacaraima, na fronteira com a Venezuela, é a porta de entrada e, muitas vezes, o destino final dos refugiados.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Torquato explicou que o município tem recebido um número muito maior de alunos do que o suportável pela rede de ensino pública. “Em 2017, eu tinha 1.743 alunos; em 2018, eu passei para 2.072 e, neste ano, eu tenho 2.772 alunos, um aumento de 35% com a mesma renda do Fundeb [Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica], sem aumentar um real, sendo que, desses 2.700 alunos, 903 são venezuelanos”.


O prefeito disse que o município tem sofrido com “furtos, roubos, assaltos, homicídios e sequestros”. Ele também citou um aumento no número de armas dentro de Pacaraima e problemas com drogas. Segundo ele, a larga faixa de fronteira permite a entrada de pessoas sem verificação prévia de antecedentes criminais.


O deputado estadual Jeferson Alves (PTB) pediu que os recursos da União destinados ao estado pudessem ser geridos pelo governo local. Para ele, o estado está sozinho. “Acho um absurdo deixar o estado de Roraima sozinho nessa situação, tendo em vista que arcamos com uma responsabilidade maior de educação, segurança e saúde”.



Fechamento da fronteira com a Venezuela completa dois meses

O fechamento da fronteira do Brasil com a Venezuela completa dois meses neste domingo (21). Oficialmente, o tráfego de pessoas e veículos continua restrito. Na prática, contudo, venezuelanos têm se aventurado por rotas alternativas para transitar entre os dois países, carregando alimentos e outros produtos adquiridos do lado brasileiro. Ainda assim, os impactos econômicos e políticos são sentidos dos dois lados da fronteira terrestre.



E-book reúne narrativas orais de anciões da Terra Indígena São Marcos

Financiado desde 2007 pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o livro ‘Panton Pia: Narrativa Oral Indígena - registro na Terra Indígena São Marcos’, que reúne uma série de entrevistas com índios do município de Pacaraima, em Roraima, já está disponível para leitura. O projeto coordenado pelo pesquisador e professor da Universidade Federal de Roraima, Devair Antônio Fiorotti, pode ser acessado de forma gratuita em de e-book.

Pacaraima tem comércio prejudicado devido fechamento da fronteira

O fechamento da fronteira com o Brasil determinada pelo presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, no dia 21 de fevereiro, está impactando a economia de Pacaraima (RR), cujo o comércio atende a população do sudeste do país vizinho, em especial de Santa Elena de Uairén, a 17 quilômetros de distância.

O empresário Fabiano Coelho de Moraes, dono de um laboratório clínico e de uma farmácia em Pacaraima relatou à equipe de reportagem que já demitiu duas pessoas por causa da baixa procura no comércio. “A situação é a mais crítica. Do nada, cortaram tudo. Há muito estoque de mercadoria e o pagamento dos boletos dos fornecedores estão em atraso. Não temos como pagar”, contou, ao assinalar que a situação de supermercados e vendas com produtos perecíveis é ainda mais crítica.

Combustível

Os comerciantes e a população de Pacaraima também perderam acesso aos postos de combustíveis na Venezuela. Não há postos na cidade fronteiriça brasileira e para conseguir abastecer diretamente o carro precisam ir até a capital Boa Vista, a 215 quilômetros. O preço do combustível vendido em toneis em Pacaraima chega a R$ 8 o litro, cinco vezes mais caro do que o valor pago na Venezuela (R$ 1,5).

Foto: Reprodução/Rede Amazônica

Apesar do fechamento da fronteira, alguns venezuelanos conseguem atravessar a fronteira dos dois países por dois caminhos menos fiscalizados pela polícia venezuelana para se abastecer e retornar ao país. Mas há um contingente que não tem meios de voltar e acaba sendo atendido pela Operação Acolhida, do Exército brasileiro e pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur).

Imigrantes

Na cidade, cerca de 700 venezuelanos dormem em dois abrigos da Acnur e há mais de mil pessoas nas ruas. A presidente da Associação Cultural Canarinhos da Amazônia, que atende a 238 famílias (80 crianças) reconhece o trabalho do Exército e da Acnur, mas assinala que a distância da cidade, no extremo norte do Brasil, e a proximidade com a Venezuela em conflito político e em situação social precária é muito preocupante. “Estamos ilhados aqui. O Brasil precisa nos ver com outro olhar”.

De acordo com o IBGE, 95% da renda de Pacaraima depende das transferências federais e do estado de Roraima. A população, estimada em 15 mil habitantes, tem renda per capita de R$ 13,5 mil ao ano - e salário médio mensal de 1,8 salário mínimo.

O Ministério das Relações Exteriores informou à Agência Brasil que mesmo com a fronteira fechada com a Venezuela, o consulado em Santa Elena tem conseguido trazer brasileiros que procuram o serviço diplomático. Nos últimos dois dias, mais de 90 brasileiros conseguiram deixar a Venezuela e regressar pela divisa de Pacaraima graças ao Itamaraty.

Fronteira fechada do Brasil com a Venezuela chega ao 11º dia

Já é o 11º dia consecutivo em que a fronteira do Brasil com a Venezuela, no município de Pacaraima, em Roraima, está fechada, conforme orientações do presidente Nicolás Maduro. As informações são do G1 Roraima.

Foto: Alan Chaves/Rede Amazônica
Estão sendo convocados, pelo presidente autodeclarado Juan Guaidó, para essa segunda-feira (4), a partir das 11h, em todo o país. “Amanhã voltamos às ruas em toda a Venezuela, às 11 horas. Estamos indo bem porque estamos indo juntos, porque estamos indo com tudo! Vamos, Venezuela!”, afirmou Guaidó Guaidó.

Segundo um tuíte da embaixadora da Venezuela no Brasil, Maria Belandria, os protestos foram convocados em pelo menos 50 cidades venezuelanas, distribuídas em 22 estados. 
Ao convocar as manifestações, Guaidó voltou a falar sobre a possibilidade de prisão.

“Se o usurpador (Maduro) e seus cúmplices ousam tentar me deter, será um dos últimos erros que estará cometendo. Deixamos um caminho claro, com instruções claras a serem seguidas por nossos aliados internacionais e irmãos parlamentares. Estamos muito mais fortes do que nunca e não é hora de fraquejar”, afirmou.

Brasil enviará remédios e alimentos para Venezuela

O governo brasileiro vai disponibilizar medicamentos e alimentos para a população da Venezuela. Segundo o porta-voz da Presidência, Otávio do Rêgo Barros, a ajuda será disponibilizada nas cidades de Pacaraima, na fronteira com a Venezuela, e em Boa Vista, ambas em Roraima. A ideia é que os alimentos e remédios sejam recolhidos por caminhões venezuelanos, conduzidos por cidadãos venezuelanos, que vão cruzar a fronteira para levar a ajuda.

A pedido de Juan Guaidó, que se autoproclamou presidente interino da Venezuela há quase um mês, vários países se uniram para enviar alimentos, medicamentos e gêneros de primeira necessidade.

“A ideia inicial é a aproximação logística de Pacaraima. E aguardar nessas regiões a chegada dos caminhões conduzidos por venezuelanos direcionados pelo presidente encarregado, Guaidó”, disse Rêgo Barros. Uma reunião ocorrida na tarde de hoje, no Itamaraty, foi convocada para definir os detalhes do planejamento. 
Foto: Divulgação/Agência Brasil
A decisão do governo de ajudar o país vizinho com mantimentos foi tomada após reunião entre a cúpula dos três Poderes da República, no Palácio do Planalto. Os presidentes do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli; do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP); da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) estiveram no Planalto com o presidente Jair Bolsonaro. Também participaram da reunião os ministros Fernando Azevedo (Defesa), Ernesto Araújo (Relações Exteriores) e Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional).

Guaidó coordena a distribuição de doações na Venezuela e pretende fazer um evento no próximo dia 23, quando faz um mês que está como "presidente encarregado". No entanto, o presidente Nicolás Maduro impede a entrada da ajuda humanitária, colocando contentores na fronteira com a Colômbia, sob a alegação que há uma orquestração para desestabilizá-lo.

O Brasil foi um dos primeiros países na América Latina a reconhecer o governo interino de Guaidó. O presidente Jair Bolsonaro prometeu apoio político e econômico ao processo de transição “para que a democracia e a paz social voltem à Venezuela". Mesmo com a possibilidade de ver o acesso dessa ajuda à Venezuela impedido pelos apoiadores de Maduro na fronteira, o governo brasileiro não pretende levar, por conta própria, os mantimentos ao país vizinho. A ideia é respeitar a soberania da Venezuela.

Indígenas fecham fronteira entre Brasil e Venezuela após confronto com militares

Indígenas da tribo Pemon fecharam a fronteira entre Brasil e Venezuela, nesta quarta-feira (12), na região de Pacaraima (RR), após um confronto com militares venezuelanos deixar um índio morto e outros dois feridos. O confronto ocorreu em Canaima, a 20 quilômetros da fronteira, nessa terça-feira (11).
 
Foto: Reprodução/Rede Amazônica 
O confronto ocorreu entre os índios e militares da Direção-Geral de Contra-Inteligência Militar da Venezuela. Até o momento, ainda não se sabe o que pode ter ocasionado o conflito, porém, o líder da tribo Pemon afirma que o governo do País vizinho tem atacado indígenas perto da região de Salto Angel.

Além do fechamento da fronteira, os manifestantes definiram uma paralisação em toda a região da Gran Sabana e exigem uma reprogramação dos comícios do Congresso Nacional Eleitoral do município.

Até a publicação desta matéria, o governo de Nicholás Maduro não havia se pronunciado sobre a situação. Apenas pedestres conseguem atravessar a fronteira, na região de Pacaraima.

Setenta e cinco mil venezuelanos buscam regularizar situação no Brasil

A Polícia Federal (PF) divulgou nesta quinta-feira (6) números atualizados a respeito do fluxo migratório de venezuelanos no Brasil. Segundo a PF, 75.560 venezuelanos buscaram a regularização de sua situação migratória no país. Desse total, 46,7 mil solicitaram refúgio e 14,9 mil pediram residência. Outros 13,8 mil agendaram atendimento nos postos da PF em Roraima.


Foto: Reprodução/Ag. Brasil

A corporação também informou que 154,9 mil venezuelanos entraram no Brasil por Pacaraima, município de Roraima, fronteiriço com a Venezuela, entre 2017 e 2018. Desse total, 79,4 mil já deixaram o Brasil, seja por fronteiras ou aeroportos. “Entre os venezuelanos que deixaram o Brasil, 54.560 saíram por fronteiras terrestres – 65% por Pacaraima – e 24.842 embarcaram em voos internacionais, 57% em Guarulhos”, disse a Casa Civil, em nota.

Interiorização

O governo federal decidiu intensificar o processo de interiorização dos venezuelanos que entram por Pacaraima. Segundo a Casa Civil, serão transferidos 400 pessoas por semana. O deslocamento está sendo coordenado pelo governo federal em parceria com agências da Organização das Nações Unidas (ONU) e apoio de entidades da sociedade civil e autoridades locais. Segundo o governo, 43% dos venezuelanos já interiorizados conseguiram emprego.

Governo descarta uso de senhas na fronteira com a Venezuela

Presidência da República informou nesta quarta-feira (29) que o governo não pretende limitar o ingresso de venezuelanos, por Roraima, a partir da distribuição de senhas. Também negou a possibilidade de fechamento da fronteira com a Venezuela, como defendem algumas autoridades de Roraima. A alternativa de distribuição de senhas foi cogitada pelo presidente Michel Temer em entrevista hoje à Rádio Jornal, de Pernambuco.
Foto:Reprodução/Rede Amazônica
Em nota, a Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República informou que o mecanismo das senhas "visa a aprimorar um processo de atendimento humanitário em Roraima, o que não pode ser confundido, em hipótese alguma, com fechamento à entrada de venezuelanos no Brasil".

Pela manhã, Temer mencionou a possibilidade de adotar o uso de senhas para organizar a entrada de venezuelanos no Brasil. Segundo ele, a medida teria como objetivo estruturar a situação em Roraima.

Pelas estimativas oficiais, de 800 a 700 imigrantes venezuelanos entram no Brasil por Roraima todos os dias.

O comunicado da Presidência da República informa ainda que o governo ao promover a interiorização dos venezuelanos busca "melhorar os mecanismos de controle" para que se tornem "mais eficientes no atendimento aos refugiados". Porém, ressalta que há uma preocupação também de "preservar as estruturas de atenção às famílias brasileiras".

Íntegra da Nota à imprensa

“O governo federal esclarece que a “possibilidade de distribuição de senhas” a que o presidente da República, Michel Temer, referiu-se na entrevista à Rádio Jornal de Pernambuco, nesta quarta-feira (29), visa a aprimorar um processo de atendimento humanitário em Roraima, o que não pode ser confundido, em hipótese alguma, com fechamento à entrada de venezuelanos no Brasil.

Uma vez que o presidente determinou que se intensificasse a interiorização, impõe-se melhorar os mecanismos de controle, torná-los ainda mais eficientes no atendimento aos refugiados e, ao mesmo tempo, preservar as estruturas de atenção às famílias brasileiras.

Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República".

Governo estuda adotar senhas para limitar entrada de venezuelanos

governo brasileiro poderá adotar o uso de senhas para limitar a entrada de imigrantes venezuelanos no país. A informação foi dada pelo presidente Michel Temer na manhã desta quarta-feira (29), em entrevista concedida pela manhã à Rádio Jornal, de Pernambuco.
Foto:Marcelo Camargo/Agência Brasil
Segundo ele, a medida tem como objetivo organizar a situação em Roraima. Temer reiterou ainda críticas ao governo venezuelano por ter recusado a ajuda brasileira, o que, segundo o presidente, poderia ter evitado tantas migrações, bem como a “desarmonia no continente sul-americano”.

À Agência Brasil, o secretário especial de Comunicação Social da Presidência da República, Márcio Freitas, afirmou que a proposta é apenas uma cogitação e não há nada de concreto por enquanto.

O presidente criticou o que ocorre na Venezuela. "É inadmissível o que acontece lá porque está colocando em desarmonia o continente sul-americano”, disse. “O governo deles [dos venezuelanos] inclusive recusou nossa ajuda humanitária e, depois, os venezuelanos acabaram vindo para cá. Nossa política é acolher aqueles que entrem no país, mas o ideal é que eles recebessem nossa ajuda humanitária e lá pudessem permanecer”, acrescentou.

Temer disse que o decreto publicado hoje, autorizando o emprego das Forças Armadas em Roraima, foi feito pensando nos cidadãos brasileiros que vivem no estado. “Tudo que o fazemos é em função do cidadão brasileiro. Mandamos mais de R$ 200 milhões para saúde e alimentação [em Roraima]. Estamos dando todo apoio aos venezuelanos com vistas também a proteger os serviços estaduais prestados aos brasileiros”, disse o presidente pouco antes de criticar o governo venezuelano.

Senhas

O presidente afirmou ainda que o governo cogita distribuir senhas para a entrada de venezuelanos no Brasil a fim de controlar melhor a entrada de imigrantes e dar melhores condições para a prestação de serviços públicos tanto para brasileiros como para venezuelanos.

“Outra providência que talvez venha a ser tomada é que, como entram entre 700 e 800 venezuelanos por dia, criam-se problemas para vacinação e para organização. Pensamos então [em] colocar senhas, de maneira que entrem [de] 100 a 200 por dia, para organizar um pouco mais essas entradas.”

Nomeação

Questionado se definiu quem substituirá o senador Romero Jucá (MDB-RR) na liderança do governo no Senado, Temer disse que, neste primeiro momento, a função ficará com o primeiro vice-líder, senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE).

“Fernando Bezerra Coelho continuará na primeira vice e responderá pela liderança do governo. Não é algo que me preocupa neste momento, porque o Congresso está praticamente em recesso branco e só volta a trabalhar para valer depois das eleições”.

Médicos e enfermeiros voluntários já estão em Roraima para atender imigrantes

Um grupo de 41 voluntários médicos, enfermeiros e técnicos de laboratório ligados aos hospitais universitários federais vinculados à Rede Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) participa de hoje (27) até o próximo dia 1º de uma ação médico-humanitária na capital Boa Vista e na cidade de Pacairama, na fronteira com a Venezuela.
Eles embarcaram em um avião da Força Aérea Brasileira (FAB), que decolou da Base Aérea de Brasília na manhã desse domingo (26). Entre os voluntários está a médica ginecologista Gizeli de Fátima Ribeiro dos Anjos, de Uberlândia, em Minas Gerias.
Ela disse que sempre quis participar de uma ação desse tipo. “A ajuda humanitária faz parte da nossa profissão e acredito que eles estão precisando muito. Espero levar um pouco de medicina e, também, muitas palavras de carinho nesse momento difícil”. Os profissionais vão oferecer atendimento nas especialidades de ginecologia, obstetrícia, pediatria, infectologia, oftalmologia para os venezuelanos que estão na região.
É a Operação Acolhida, que é coordenada pela Casa Civil da Presidência da República e envolve os ministérios da Defesa, Saúde, Desenvolvimento Social, Educação, Trabalho e Emprego, Forças Armadas, Organização das Nações Unidas (ONU), além da Polícia Federal.
O vice-presidente da Ebserh, Arnaldo Medeiros, informou que a Ebserh realiza anualmente uma ação desse tipo. Segundo ele, este ano Roraima foi o destino escolhido devido ao elevado número de imigrantes venezuelanos que têm cruzado a fronteira com o Brasil. “Sem o apoio da Casa Civil e da Força Aérea, essa ação não seria possível. Estamos recebendo todo o apoio aqui”, disse.
Em Boa Vista, as ações serão voltadas aos venezuelanos que ocupam os abrigos na cidade, e em Pacaraima, haverá vacinação para os imigrantes. São previstas ações educacionais preventivas em saúde, exames, testes para Hepatites B, C, HIV e VDRL, glicemia, verificação de pressão arterial, citologia de colo de útero, orientação sobre escovação dentária, prevenção e orientação sobre parasitoses intestinais, orientações sobre nutrição, consultas e orientações da oftalmologia, orientações para gestantes e amamentação, dentre outros procedimentos.
Os insumos e materiais a serem utilizados para a ação foram disponibilizados pelos hospitais universitários federais da Rede Ebserh e Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde (SVS-MS).
Ebserh
Estatal vinculada ao Ministério da Educação, a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) atua na gestão de hospitais universitários federais. O objetivo é, em parceria com as universidades, aperfeiçoar os serviços de atendimento à população, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), e promover o ensino e a pesquisa nas unidades filiadas.

Governo libera mais de R$ 100 mil para combate ao sarampo em Pacaraima

O Fundo Municipal de Saúde de Pararaima (RR) vai receber repasse de R$ 102.834 do Fundo Nacional de Saúde para auxiliar no combate ao surto de sarampo na região. A portaria foi publicada na edição desta sexta-feira (24) Diário Oficial da União.

Os recursos serão usados para a implementação de ações de vigilância epidemiológica, laboratorial, imunizações e para educação em saúde.
Foto:Divulgação
A preocupação com o surto de sarampo na cidade, em meio à entrada de milhares de venezuelanos no Brasil, foi uma das argumentações apresentadas pelo governo de Roraima, no novo pedido de fechamento da fronteira, encaminhado no dia 20 ao Supremo Tribunal Federal (STF). O pedido já foi contestado pela Advocacia-Geral da União e, agora, aguarda decisão da Justiça.

No pedido de liminar feito pelo estado ao STF, foi solicitado que a Suprema Corte determine ao governo federal a implementação de barreiras sanitárias a fim de evitar epidemias de sarampo, malária e outras doenças. Também foi pedida a manutenção de hospitais de campanha do Exército e o envio dos venezuelanos a outros estados.

Ministério descarta liberação de recursos para Roraima

Foto:Reprodução/Portal Brasil
Em visita a Pacaraima, município de fronteira que tem recebido centenas de imigrantes venezuelanos, o ministro da Segurança PúblicaRaul Jungmann, afirmou que, no momento, não há possibilidade de liberação de novos recursos para o governo de Roraima. Segundo ele, o estado ainda não gastou toda a verba disponibilizada pelo governo. As informações são da Agência Brasil.

“O governo do estado tem R$ 70 milhões que ainda não gastou na área da saúde. Além disso, o governo teve o apoio de todo esse aparato em recursos humanos procurando construir abrigos e equacionar essa questão”, disse Jungmann.

“Você tem duas atitudes perante essa dificuldade que nós estamos vivendo: uma é ver as falhas e procurar resolver isso, dar as mãos. Uma outra postura é procurar dividendos em uma crise e eu não acho isso saudável. Vamos continuar procurando atender, superar falhas e problemas porque acredito que isso é uma forma construtiva”, destacou.

De acordo com o ministro, o governo está presente e atento aos problemas do estado.

“O presidente Michel Temer colocou à disposição do governo do estado as Forças Armadas para Garantia da Lei e da Ordem. Se em algum momento, a governadora entender que existe risco e perda do controle ou que algo pode acontecer, o governo federal está de mãos estendidas e é só a governadora requisitar que o presidente vai autorizar e em 48 horas as Forças Armadas estarão aqui no comando da segurança”, garantiu.

O ministro destacou ainda o caráter generoso do povo brasileiro e disse que países vizinhos têm enfrentado uma crise migratória ainda maior.

“Acabo de vir da Colômbia onde mais de 1,2 milhão de venezuelanos já cruzaram a fronteira. É uma situação muitas vezes mais crítica do que nós temos aqui. E o governo da Colômbia, em momento algum, se propôs a fechar a fronteira porque ele entende que é uma crise humanitária, uma tragédia que atinge os venezuelanos”, afirmou.

Agenda

O ministro chegou por volta das 13h30 para visitar as instalações dos serviços emergenciais prestados aos imigrantes venezuelanos que pretendem solicitar refúgio ou residência temporária no Brasil.

Jungmann conversou com alguns refugiados, ouviu pedidos de ajuda para que o governo garanta condições de trabalho, abrigo e dignidade.

Pacaraima está no centro de uma crise na fronteira com a Venezuela. No último fim de semana, moradores de Pacaraima atacaram barracas e abrigos de venezuelanos, ateando fogo e provocando o retorno de 1,2 mil imigrantes para o país vizinho. Após o ocorrido, o governo enviou uma comissão interministerial para avaliar a situação.

Recursos

Nesta quarta-feira (22) o ministro do Gabinete de Segurança Institucional, Sérgio Etchegoyen, disse que dos R$ 185 milhões liberados pela União para o governo de Roraima e prefeituras do estado investirem na área da saúde, R$ 70 milhões ainda estão disponíveis.

Sobre o pedido do governo de Roraima para arcar com as despesas de quase R$ 200 milhões que o estado já teve com a chegada em massa dos venezuelanos na região de Pacaraima, Etchegoyen disse que “não há por quê” colocar mais dinheiro agora porque o governo federal já enviou recursos à região.