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Quinta, 13 Mai 2021

Pesquisadores são surpreendidos com descoberta de sapo bilíngue na Amazônia; veja o vídeo

Da coleta dos sons até a publicação do artigo, anunciando o “sapinho” bilíngue, foram sete anos de pesquisa

Riqueza de espécies de peixes na bacia amazônica segue padrão inesperado; confira

A bacia amazônica concentra a maior diversidade de peixes de água doce do mundo: são 2.257 espécies descritas ou 15% do total conhecido pela ciência para o hábitat de água doce em todo o mundo. No entanto, um novo estudo descobriu que essa grande variedade de espécies está distribuída de modo desigual na Amazônia, seguindo um padrão completamente diferente do esperado.

Mico munduruku: Nova espécie de primata que ocorre no interflúvio Tapajós-Jamanxim, estado do Pará

Na América do Sul ocorrem cerca de 156 espécies de primatas, sendo que 60% desse total estão na Amazônia brasileira. Os saguis, são primatas de pequeno porte, que se alimentam de frutas, invertebrados e da seiva de árvores, principal fonte da sua dieta. E é dentro desse grupo de saguis que se encontra a nova espécie descrita: o Mico munduruku, batizado em homenagem aos índios Mudurukus, já que a nova espécie ocorre na Terra Indígena Munduruku.

Filme ‘Novas Espécies - A Expedição do Século’ terá exibição especial no Teatro Amazonas

As aventuras e emoções de um grupo de cientistas do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC) na floresta, em um maciço de montanhas de quase 2 mil metros de altitude, onde talvez nenhum homem tenha estado lá antes da expedição, serão mostradas no longa-metragem inédito - “Novas Espécies - A Expedição do Século”, da Grifa Filmes. Nesta quarta-feira (11), o documentário terá uma exibição aberta ao público, com entrada franca, às 20 horas, no Teatro Amazonas, Centro de Manaus.

Um convite para conhecer nossa maior riqueza

A Amazônia é a maior floresta tropical do mundo. Está relacionada ao funcionamento de diversos ecossistemas, como por exemplo, a disponibilidade de chuvas no sudeste e sul do Brasil, e apresenta uma riqueza inestimada de espécies de plantas e animais.

Conheça seis novas espécies descobertas nos últimos dois anos, na Amazônia

Criada pela Organização das Nações Unidas (ONU), o Dia Internacional da Biodiversidade visa conscientizar a população sobre a importância da diversidade biológica, além da necessidade de proteção da vida. E apesar de toda degradação da fauna e flora, ainda há esperança. A prova disso é a Amazônia, a maior floresta tropical do mundo, que abriga muitas espécies de animais, plantas e frutos, algumas inclusive nunca vistas pelo homem.


O Portal Amazônia preparou uma lista com animais que foram descobertas recentemente; confira:

 
Monodelphis saci. Foto: Divulgação
 


Monodelphis saci



Alguns animais apesar de numerosos só não são encontrados por ausência de dados, como por exemplo, o caso do marsupial batizado de Monodelphis saci, descoberto por pesquisadores do Brasil e Estados Unidos, incluindo a cientista, Silvia Pavan, do Museu Paraense Emilio Goeldi. O nome Saci foi escolhido por conta da tonalidade avermelhada dos pelos do animal.


Representantes do gênero Monodelphis são popularmente conhecidos como catitas (ou cuícas-de-cauda-curta). São da mesma família do gambá – conhecido na Amazônia como mucura - mas bem menores (variam de 7 a 20 centímetros de comprimento). Possuem hábito terrestre a semi-fossorial, o que quer dizer que apresentam algumas adaptações físicas para cavar e realizar atividades no subsolo. Para a espécie em questão, Monodelphis saci, o comprimento do corpo é de cerca de 10 centímetros.


Rã-Cuidadora



Descoberta no início deste ano, pelos pesquisadores Paulo Melo, Renan Oliveira e Ivan Prestes, a nova espécie de rã-cuidadora, a Allobotes tinae, foi nomeada em homenagem a pesquisadora Albertina Pimentel Lima. A principal característica da pequena rã é uma faixa lateral marrom escura.


Rã-cuidadora é o nome popular (traduzido do inglês "nurse frog") que os biólogos usam para designar as espécies de anuros que cuidam de sua prole em algum estágio do desenvolvimento, mais especificamente com o transporte dos girinos no dorso até um ambiente que seja seguro para ele completar sua metamorfose.

 
Foto: Divulgação


Pupunha branca



E quem disse que só os animais fazem parte da biodiversidade da Amazônia? Por exemplo, a pupunha, alimento tem consumido na culinária regional também tem suas surpresas. No Pará, a professora Orquídea Vasconcelos dos Santos, encontrou a pupunha albina, chamada cientificamente de Bactris gasipaes kunt.


Como o nome sugere, a pupunha albina possui a coloração branca, bem diferente das cores com as quais estamos acostumados. De acordo com a pesquisadora, pela aparência, já é possível perceber que o fruto perdeu vitamina A, pois esse composto é responsável pela característica cor avermelhada.


Além disso, o óleo da pupunha branca também sai perdendo em comparação com as outras, pois possui entre 10 e 15% a menos de teor lipídico. Esse aspecto faria a albina pouco competitiva. Em compensação, o seu valor de fibras é maior do que o das outras espécies.



Foto: Divulgação


Voz de passarinho



Alguns animais são conhecidos pelos sons que emitem, mas uma nova espécie de rã surpreendeu ao entoar um canto mais parecido com o de uma ave. A descoberta foi publicada no periódico American Museum Novitates. O sapinho pertence ao gênero Adenomera, que inclui diversas outras espécies distribuídas em quase toda a América do Sul.


A diversidade do grupo ainda é subestimada e muitas espécies têm sido reveladas a partir de estudos genéticos e bioacústicos (área da biologia que estuda os sons emitidos pelos animais).


O nome da espécie é uma alusão ao seu canto. Os pesquisadores explicam que o nome ‘phonotriccus’ quer dizer aquele que tem “voz” de “triccus”, onde triccus geralmente identifica um grupo de passarinhos que inclui diversas espécies de papa-moscas e maria-sebinha.


Foto: Divulgação



Orquídea rara



A orquídea 'Lepanthes suelipinii' foi encontrada em 2018 durante estudos de preservação ambiental e o reconhecimento aconteceu em março, com uma publicação científica na revista Biota Amazônia, da Universidade Federal do Amapá (Unifap). A identificação da orquídea, batizada de 'Lepanthes Suelipinii', contou com a participação especialistas do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e do Instituto Chico Mendes da Biodiversidade (ICMBio).


O nome da nova orquídea foi em homenagem a única mulher desembargadora do Tribunal de Justiça do Amapá (Tjap), Sueli Pini, por conta da representatividade da magistrada no estado.


Foto: Divulgação


Sapo Bilíngue



Sim, um sapinho bilíngue. Ele é da espécie Amazophrynella bilinguis, e sua incidência ocorre na Fazenda Taperinha, região de Santarém, no Pará. A descoberta foi feita por pesquisadores da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia.


Segundo os pesquisadores, os  sapos têm uma única vocalização com som próprio, o que chamam de canto de anúncio, mas no caso da descoberta, a nova espécie emite sons diferentes. Da coleta dos sons até a publicação do artigo, anunciando o “sapinho” bilíngue, foram sete anos de pesquisa que culminou com a publicação.  


Foto: Divulgação
 

Museu Emílio Goeldi divulga novas espécies de animais, plantas e fungos

O Museu Paraense Emílio Goeldi divulgou a lista com as novas espécies de animais, plantas e fungos, descobertas a partir do intenso trabalho realizado por pesquisadores e colaboradores da instituição entre os anos de 2014 e 2018. Do reino animal, foram 55 novos vertebrados reconhecidos pela ciência, sendo 20 peixes, 18 anfíbios, 14 répteis e três mamíferos. Entre os invertebrados, foram 141 aracnídeos, 23 insetos, nove microcrustáceos atuais, sete microcrustáceos fósseis, dois anelídeos e um equinodermo.



Confira agora algumas curiosidades sobre os novos animais, destacando a importância das descobertas e a inspiração dos pesquisadores no momento de atribuir-lhes um nome. A lista completa com as novas espécies já está disponível na mais recente edição do Destaque Amazônia; confira:






Aranhas



Os aracnídeos são predadores pertencentes a uma subclasse do filo dos artrópodes que inclui, aranhas, ácaros, carrapatos, escorpiões, opiliões, entre outros. Estima-se que existam mais de 60 mil espécies diferentes de aracnídeos, classificados em 11 Ordens, sendo as mais conhecidas a Acari (ácaros e carrapatos), Scorpiones (escorpiões) e Araneae (aranhas). As aranhas se distinguem de outros aracnídeos pela fisiologia e pela capacidade de produzir seda. São animais com grande diversidade de estilos de vida, com hábitos diurnos ou noturnos e diferentes estratégias de predação, utilizando teias ou caça por busca ativa e emboscada.



A observação do trabalho dos sistematas na classificação das novas espécies permite entender como se dá o avanço da ciência e também revela um momento curioso: ao nomear as espécies, os cientistas se divertem homenageando colegas, a cultura do lugar onde a descoberta foi realizada, sem falar nas referências do mundo pop. Os artigos publicados em revistas especializadas de Zoologia são a principal forma de comunicar ao meio científico a descoberta das espécies.





O grupo do pesquisador e coordenador de Pesquisa e Pós-Graduação do Museu Goeldi, Alexandre Bonaldo, fez a reclassificação da família Oonopidae, descrita em 1800 e atualmente em fase de alterações. A grosso modo, diferenças na estrutura do abdômen de machos e fêmeas de espécies descritas mais recentemente fizeram com que as subfamílias até então conhecidas não servissem mais para classificá-las, exigindo a reformulação das categorias pelos pesquisadores envolvidos.



“O grupo de pesquisa em sistemática de aranhas do MPEG descreveu 141 espécies novas para a ciência nos últimos cinco anos. Estes esforços são geralmente realizados no contexto de revisões taxonômicas, trabalhos que abordam as descrições de espécies novas e, também, a contextualização das espécies previamente conhecidas. Nas revisões, o número de espécies avaliadas é, em geral, maior do que o número de espécies reconhecidas como novas. Outra peculiaridade desses estudos é que o corte é taxonômico e não geográfico”, acrescenta Bonaldo.



“Sapo morcego”



Ozzy Osbourne, uma das figuras mais lendárias e anedóticas do heavy metal mundial, já foi homenageado diversas vezes em sua vida como rockstar. Um grupo de cientistas brasileiros, fãs do músico e de sua banda Black Sabbath, descobriram uma nova espécie de sapo na floresta amazônica, a qual deram o nome de Dendropsophus ozzyi.


O anfíbio pertence ao gênero Dendropsophus, do qual fazem parte outras 88 espécies. Um aspecto que diferencia o D.ozzyi de seus “parentes” e da maioria dos anuros (sapos, rãs e pererecas) é a habilidade dos machos de se comunicarem por meio de cantos de anúncio de alta frequência, que podem alcançar a marca de nove quilohertz, comparável apenas aos sapos das espécies Odorrana tormota e Huia cavitympanum.



Ao ouvirem o trinado agudo e potente da nova espécie, os pesquisadores lembraram o som de um morcego, como explicou o biólogo que fez parte da equipe da descoberta, Pedro Peloso, pesquisador colaborador do Museu Goeldi e atualmente integrado ao quadro da Universidade Federal do Pará. A associação seguinte foi com o “Príncipe das Trevas”, Ozzy Osbourne, que em um show espantou a plateia ao arrancar com uma mordida a cabeça de um morcego atirado ao palco – mais tarde, Osbourne explicou ter pensado que o animal fosse de plástico. Daí veio o epíteto final “ozzyi” e a homenagem.





No estudo publicado pelo grupo de cientistas no periódico Zootaxa, que contou com a participação do biólogo Marcelo Sturaro, do Museu Goeldi e da Universidade de São Paulo, outros traços únicos do Dendropsophus ozzyi foram descritos. A começar pelo grande saco vocal, um pedaço de pele transparente que infla e garante a comunicação em alta frequência. O sapo também pode ser reconhecido pelo tamanho diminuto (já que não chega a dois centímetros), dedos pontudos, olhos saltados e uma coloração dorsal marrom com manchas escuras.



Até o momento, exemplares do D.ozzyi foram identificados em duas localidades: uma no lado ocidental do estado do Pará e a outra na parte oriental do estado do Amazonas, região do Baixo Amazonas. Os espécimes coletados para a descoberta desse anfíbio foram encontrados na Floresta Nacional de Pau-Rosa, localizada no município amazonense de Maués, e agora integram a coleção de anfíbios do Museu Goeldi.



A terra dos “zogue zogue”



A região de floresta amazônica, na fronteira dos estados do Amazonas e Mato Grosso, é uma morada de Callicebus, um gênero da ordem de primatas. Há uma grande presença de espécies diferentes do gênero na porção de terra cortada pelos rios Roosevelt, Guariba e Aripuanã. Além disso, elas também podem ser encontradas em boa parte do subcontinente sul americano e em pontos da América do Norte.



A descoberta de Plecturocebus miltoni ampliou a diversidade do lugar. A nova espécie de zogue zogue ou titi, como são popularmente conhecidos esse tipo de macacos, foi anunciada em artigo publicado no periódico Papéis Avulsos de Zoologia. O zoólogo e pesquisador do Museu Emílio Goeldi, José de Sousa e Silva Júnior, mais conhecido como Cazuza, é um dos responsáveis pelo trabalho de identificação e determinação da distribuição geográfica do primata.



“O primeiro espécime foi recolhido na Reserva Extrativista Guariba-Roosevelt, no Mato Grosso. Ele não era parecido com nenhuma das espécies conhecidas, então fizemos estudos de campo para ver se era o caso de uma nova espécie ou se era apenas um indivíduo aberrante”, conta o pesquisador. A cor avermelhada da cauda é a característica que faz o exemplar se destacar em meio aos outros Callicebus que habitam a região. Por causa desse traço singular, foi apelidado de “Rabo de Fogo”.


Depois de quatro expedições à região, outros espécimes foram identificados no sul do Amazonas, especificamente na área de terra firme entre os rios Aripuanã e Roosevelt. Uma das hipóteses levantadas pelos pesquisadores da espécie recém-revelada é que a limitação territorial imposta pelos dois rios gerou esse tipo único de Callicebus.

O nome científico do animal é uma homenagem ao cientista Milton Thiago de Mello, um dos estudiosos pioneiros na pesquisa sobre primatas no Brasil. “Percebi que todos os principais primatólogos já haviam sido homenageados, com exceção do Milton, então resolvi dedicar essa descoberta a ele”, disse José de Sousa.



Entre as novas espécies descritas por pesquisadores do Goeldi em 2018, também foi descoberta mais uma espécie de Callicebus: o novo primata recebeu o nome de Plecturocebus grovesi.

Espécies novas do passado amazônico



Os estudos dos seres vivos do passado da região amazônica permitem contar um pouco da história natural do presente. Achados de fósseis de peixes primitivos (Agnatha) e conchas (Brachiopoda) de hábito marinho na Amazônia atestam que, em seus primórdios, a região era dominada pelos mares. Os fósseis foram identificados como pertencentes à transição do período Siluriano para o Devoniano, há aproximadamente 416 milhões de anos.



De 2014 a 2016, foram descritas sete espécies de microcrustáceos fóssil (Ostracoda) por paleontólogos do Museu Goeldi, registrando novos exemplos da influência marinha no passado da Amazônia. Os Ostracoda são espécies tipicamente marinhas, encontradas em ambientes lacustres, que se estabeleceram durante o Mioceno (23 a 11 milhões de anos atrás). As hipóteses de onde, quando e como eles foram parar no local em que foram encontrados ainda geram muito debate no mundo acadêmico. A hipótese mais aceita é que o mar tenha entrado mais de uma vez, durante o Mioceno, pelo portal do Caribe, promovendo a formação de estuários e mangues, que se estendiam, ora mais, ora menos, para dentro do continente, salinizando os lagos e permitindo que a fauna adentrasse cada vez mais para longe da costa. Com o soerguimento dos Andes e a maior descarga fluvial, os ambientes foram se modificando e a fauna se adaptando aos ambientes atuais. Entre as sete novas espécies de microcrustáceos fósseis, destacam-se Pellucistoma curupira e Cyprideis ituiae.

Pesquisadores descobrem novas espécies de insetos na Floresta Nacional do Amapá

O Instituto de Pesquisa Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá (Iepa) divulgou nesta semana, os resultados das pesquisas de campo realizadas na área da Floresta Nacional do Amapá (Flona), especificamente para busca de novas espécies de insetos e botânicas. O resultados foram apresentados em seminário no Museu Sacaca, em Macapá.

As pesquisas foram feitas em parceria com o Museu Paraense Emílio Goeldi (Mpeg) do Pará, para o desenvolvimento e inovação no uso da biodiversidade amazônica. Em uma das áreas da Flona, no município de Porto Grande, foram encontradas novas espécies de formigas, moscas e vespas.

Foto: Maksuel Martins/Secom
Segundo o diretor de pesquisa do Iepa, Allan Kardec Ribeiro, as pesquisas fazem parte do Programa de Pesquisa em Biodiversidade (PPBio) com intuito de ter detalhes do que o Amapá apresenta em sua biodiversidade.

“Nós, juntamente com pesquisadores paraenses, realizamos diversas ações diretamente nos campos da Flona, no município de Porto Grande, e conseguimos extrair boas amostras de novas espécies de insetos e botânicas. Posteriormente, aprofundaremos os estudos dessas novas espécies encontradas”, declarou o diretor.

A pesquisadora titular do Museu Paraense Emílio Goeldi, Marlúcia Martins, considera que a biodiversidade amazônica ainda é pouco conhecida e cada pesquisa é uma novidade. Para ela, é necessário aprofundar esses estudos.

“Somente em nosso grupo de trabalho, que envolve insetos, foram três novas espécies encontradas, fora os demais grupos. Isso mostra a riqueza, a diversidade e o potencial da Flona do Amapá em conservar a biodiversidade e, consequentemente, reforçar a importância de manter as áreas de conservação no Estado”, disse Marlúcia. 

Foto: Maksuel Martins/Secom
PPBioO Programa de Pesquisa em Biodiversidade (PPBio) foi criado em 2004 com objetivo de intensificar estudos sobre biodiversidade no Brasil, descentralizar a produção científica dos centros desenvolvidos academicamente, integrar atividades de pesquisa e divulgar resultados para diferentes finalidades, como gestão ambiental e educação. É estruturado em três componentes principais: inventários, coleção e temáticos. Além das pesquisas, o PPBio destinou recursos para a reforma do prédio das coleções zoológicas do Iepa que, dessa maneira, já apresenta um espaço adequado para armazenar o material coletado.

Ministério do Meio Ambiente divulga nova lista de espécies nativas

O Diário Oficial da União (DOU) da última terça-feira (10) publicou a Portaria Interministerial nº 284, com lista de espécies da sociobiodiversidade para fins de comercialização in natura ou de seus produtos derivados. Com essa nova publicação, fica revogada a Portaria nº 163 que tratava do tema.
Biribá | Foto: Divulgação/Prefeitura de Belém
Ficam definidas como espécies nativas da sociobiodiversidade brasileira com valor alimentício as seguintes:

Abacaxi, abiu, açaí, amendoim, amora preta, araticum, araçá, araçá-boi, araçá-pera, aroeira-pimenteira, arumbeva, babaçu, bacaba, bacupari, bacuri, baru, beldroega, biribá, buriti, butiá, cacau, cagaita, caju, caju-do-cerrado, Cambuci, cambuí, camu-camu, cará-amazônico, castanha-do-pará, chicória-de-caboclo, chichá, coquinho-azedo, crem, croá, cubiu, cupuaçu, erva-mate, fisalis, gabiroba, goiaba, grumixama, guabiroba, guaraná, gueroba, jabuticaba, jambu, jaracatiá, jatobá, jenipapo, juçara, jurubeba, licuri, macaúba, major-gomes, mandacaru, mandioca, mangaba, mangarito, maracujá, mini-pepininho, murici, ora-pro-nobis, patauá, pequi, pera-do-cerrado, pinheiro-do-paraná, pitanga, pupunha, puxuri, sapota, sete-capotes, taioba, tucumã, umari, umbu, taperebá, urucum, uvaia e uxi.

As espécies serão incluídas no Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), no Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e na Política de Garantia de Preços Mínimos para os Produtos da Sociobiodiversidade (PGPMBio).

Expedições à Amazônia revelam novas espécies de sapos, lagartos, aves e plantas

A ideia de passar um mês rodeado pelos barulhos da floresta tropical, sem sinal de internet ou chuveiro com água quente, dormindo em redes ou em barracas e trabalhando das cinco horas da manhã à meia-noite até mesmo nos fins de semana pode parecer estressante para muitas pessoas. Mas para o zoólogo Miguel Trefaut Rodrigues esse tipo de viagem é “a coisa mais relaxante do mundo”.

Nos últimos meses, o professor do Instituto de Biociências (IB) da Universidade de São Paulo (USP) liderou duas expedições científicas a regiões praticamente inexploradas da Amazônia. São dois os objetivos principais: expandir o conhecimento sobre os padrões evolutivos da biota neotropical e desvendar, por meio dos estudos com esses animais e plantas, as relações que a floresta atlântica e a Amazônia tiveram no passado. 
Foto: Divulgação/FAPESP
Cada viagem durou cerca de 30 dias e mobilizou ao menos 10 pesquisadores de diferentes especialidades, além da equipe de apoio logístico. O custo foi financiado pela FAPESP, por meio de projetos coordenados por Rodrigues e por sua colega do IB-USP Cristina Miyaki – ambos realizados no âmbito do Programa BIOTA-FAPESP.

“Na primeira expedição, foram coletados mais de 700 exemplares de 104 espécies diferentes, entre répteis, anfíbios, pequenos mamíferos, aves e plantas. O material ainda está sendo analisado, mas acreditamos que será possível descrever várias espécies novas. Na segunda viagem, foram coletados mais de mil espécimes de aproximadamente 110 espécies – a maioria de lagartos”, contou Rodrigues em entrevista à Agência FAPESP.

Expedições

Realizada entre os meses de outubro e novembro de 2017, a primeira expedição foi concentrada na região do Pico da Neblina – o ponto mais alto do Brasil, situado a 2.995 metros acima do nível do mar em uma unidade de conservação integral da natureza perto da fronteira com a Venezuela.

Como parte do Parque Nacional do Pico da Neblina se sobrepõe ao território pertencente aos índios Yanomami, os pesquisadores necessitaram de autorização da Fundação Nacional do Índio (Funai) e do Exército para conduzir o trabalho de campo.

“Foi uma longa negociação. Estivemos a ponto de desistir, mas conhecer a fauna da região mais alta do Brasil era um desejo de muitos anos”, contou Rodrigues. 
Foto: Divulgação/FAPESP
Ao final, decidiu-se que a expedição ocorreria sob a tutela e com o apoio logístico do Exército, que mantém um batalhão de apoio aos Yanomamis na comunidade de Maturacá, distante 150 quilômetros do município de São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas.

O grupo seguiu de Manaus para Maturacá, onde permaneceu durante 15 dias para as primeiras coletas. A segunda metade do trabalho de campo foi conduzida no alto do Pico da Neblina.

“Sabemos que em altitudes superiores a 1.700 metros prevalecem paisagens que não têm absolutamente nada a ver com a Amazônia atual: são campos abertos e com clima muito mais frio que o da floresta, possivelmente parecido com o que imperava na América do Sul durante os períodos mais frios do Quaternário [aproximadamente de 2,6 milhões de anos até cerca de 10 mil anos atrás]”, disse o pesquisador.

Entre os 700 espécimes coletados, o grupo identificou 12 espécies novas só de sapos e lagartos – além de uma pequena coruja nunca antes descrita pela ciência.

“Em relação às plantas, por enquanto, já foi identificada uma espécie nova. Mas acredito que haja pelo menos uma dezena. São grupos complexos e têm de ser avaliados por especialistas. Os pequenos mamíferos também ainda estão sob análise e muito possivelmente teremos boas surpresas”, disse Rodrigues. 
Foto: Divulgação/FAPESP
Segundo o pesquisador, o material coletado não servirá apenas para a descrição das novas espécies. Também permitirá entender padrões evolutivos e filogeográficos da fauna sul-americana.

“Vários grupos de animais estão sendo estudados sob o ponto de vista genético, morfológico e fisiológico. Alguns desses estudos ajudarão a avaliar o risco de extinção dessas espécies caso a temperatura desses locais se eleve nos próximos anos”, disse.

Já foi possível observar, por exemplo, que as espécies presentes no Pico da Neblina não têm qualquer relação de parentesco com a biota encontrada nas demais regiões amazônicas. Na avaliação de Rodrigues, tal fato indica que a floresta ainda não estava ali quando o complexo maciço que abriga a montanha se formou.

“Isso é importante, pois sugere uma possível relação da biota do Pico da Neblina com a existente nos Andes, na floresta atlântica e outros biomas. Evidências para isso já temos. Uma das espécies de lagartos que encontramos, o papavento  Anolis neblininus, faz parte de uma radiação que abrange espécies andinas e das montanhas da floresta atlântica, no Sudeste do Brasil”, disse.

A barreira fluvial

A segunda expedição amazônica foi realizada entre abril e maio de 2018, desta vez sem o apoio do Exército. “Tivemos de alugar um barco – a única maneira de se deslocar pela floresta. Passamos um mês dormindo em redes dentro do barco, onde também fazíamos todas as refeições e montamos nosso laboratório. Em cada ponto diferente do rio era necessário contratar um guia local. O Rio Negro é cheio de pedras e é muito fácil acontecer um acidente”, contou Rodrigues. 
Foto: Divulgação/ICMBio
O grupo navegou de Manaus até cerca de 80 quilômetros acima do município de Santa Isabel do Rio Negro – passando pela região em que o Rio Branco desemboca suas águas barrentas no Rio Negro. Espécimes foram coletadas em diferentes pontos desse trajeto, em ambas as margens.

“Por sua baixa densidade e alta acidez, o Rio Negro é considerado pobre do ponto de vista faunístico. Queríamos estudar a influência das águas do Rio Branco na diversidade e abundância de espécies. Outro objetivo foi entender o papel do Rio Negro como barreira geográfica para a diferenciação das espécies. Por isso coletamos em ambas as margens”, explicou Rodrigues.

Armadilhas feitas com baldes e lonas de plástico foram instaladas na mata para capturar pequenos animais – sobretudo répteis e anfíbios. A linha de pesquisa coordenada por Rodrigues tem como objetivo entender a evolução de cobras, lagartos, sapos e pererecas da fauna sul-americana.

“São animais extremamente interessantes do ponto de vista ecossistêmico, pois formam a base da cadeia alimentar. E, nesta segunda expedição, conseguimos uma coleta espetacular, mais de mil exemplares”, disse o pesquisador.

O número elevado de espécimes coletado foi necessário para atender a um dos objetivos da segunda expedição: desvendar os mecanismos de origem de um complexo de espécies de lagartos partenogenéticos do gênero Loxopholis, ou seja, espécies formadas apenas por fêmeas que se reproduzem assexuadamente. 
Foto: Divulgação/FAPESP


Esse projeto, conduzido por dois pós-doutorandos supervisionados por Rodrigues – Sérgio Marques de Souza e Tuliana Oliveira Brunes –, também procura compreender por que essa região da Amazônia concentra um alto número de lagartos partenogenéticos.

“Coletamos lagartos do gênero Loxopholis em muitos pontos diferentes. Em algumas dessas populações conseguimos encontrar machos. Existem populações bissexuais e outras formadas apenas por fêmeas com cariótipos diploides e triploides [formados por dois ou três conjuntos de cromossomos, diferentemente dos gametas sexuais humanos que possuem apenas um conjunto cromossômico].”

Também foram coletados lagartos arborícolas do gênero Anolis com o intuito de investigar a evolução dessas espécies na América do Sul – objetivo do projeto de pós-doutorado de Ivan Prates, que atualmente é bolsista da Smithsonian Institution, nos Estados Unidos. 





Durante a viagem, o grupo descobriu em três locais diferentes do Rio Negro espécies partenogenéticas pertencentes a outro gênero de lagartos: Gymnophthalmus.

“Curiosamente, encontramos esses animais em pontos mais estreitos do rio, sobre dunas de areia que testemunham uma época em que o Rio Negro tinha um clima muito mais seco que o atual. Vamos comparar a amostragem feita em cada margem e avaliar se é a mesma espécie partenogenética ou se são clones diferentes e quando se separaram. Isso vai contribuir para compreender a história do Rio Negro”, disse Rodrigues.

Apesar de ainda ter pela frente um vasto material a ser analisado, a equipe da USP já planeja a próxima expedição à Amazônia, que deve contar novamente com apoio do Exército. Desta vez o objetivo é amostrar a fauna dos altos campos do Parque Nacional de Pacaás, em Rondônia, juntamente com o time de parasitologistas do professor Erney Plessman de Camargo, do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP.

Amazônia registra 20 novas espécies de mamíferos entre 2014 e 2015

O carismático Zogue-zogue Rabo de Fogo, duas espécies fósseis e uma de golfinho fluvial: estas foram algumas das 20 novas espécies de mamíferos registradas na Amazônia entre os anos de 2014 e 2015. Os dados estão no relatório realizado pelo World Wide Fund for Nature (WWF) e Instituto Mamirauá, unidade de pesquisa do Ministério da Tecnologia, Inovações e Comunicações.
De grande extensão, a região abarca o Brasil, a Bolívia, a Colômbia, o Equador, a Guiana Francesa, a Guiana, o Peru, o Suriname e a Venezuela. Para o desenvolvimento da publicação, foram consideradas como área de amostragem a Amazônia Hidrográfica, a Amazônia Ecológica e a Amazônia Política.

O desenvolvimento do relatório foi possível a partir do levantamento bibliográfico com descrições de mamíferos e consulta a pesquisadores especialistas na área. A maioria das espécies de mamíferos recém-descobertas já eram conhecidas. O levantamento foi realizado com base na consulta em coleções amazônicas e a especialistas. Foram mais de 60 publicações científicas analisadas.

Entre as novas descobertas registradas entre 2014 e 2015, destaca-se uma nova espécie de golfinho fluvial. Os botos fazem parte do imaginário coletivo na Amazônia e são facilmente avistados nos rios da região.
Foto:Gabriel Melo Santos/Instituto Mamirauá
A descrição da espécie Inia araguaiaensis, desconhecida pela ciência até 2014, foi possível a partir da análise de carcaças encontradas em um lago do rio Araguaia, em Goiás. Os especialistas acreditam que essa espécie tenha se separado das populações da bacia do Amazonas há quase três milhões de anos. De acordo com o Instituto Mamirauá, o registro se configura como a primeira descoberta desse tipo no último século.
As análises dos ossos do crânio demonstraram que a espécie se distingue das outras duas do gênero Inia conhecidas atualmente, o boto da Amazônia e o boto da Bolívia.

O relatório destaca que a nova espécie descrita tem sua distribuição restrita às bacias dos rios Araguaia e Tocantins, regiões sujeitas à construção de hidrelétricas e indústrias, além de outras atividades que se configuram como potenciais ameaças à espécie.

Miriam Marmontel, pesquisadora do Grupo de Pesquisas em Mamíferos Aquáticos Amazônicos do Instituto Mamirauá, disse que a descoberta é interessante por tratar-se de uma espécie distinta e de grande porte, que foi identificada por meios genéticos e morfométricos. “Ainda pouco se sabe da ecologia da nova espécie, mas suspeita-se que tenha distribuição limitada às bacias dos rios Araguaia e Tocantins, e que não exceda mais de 1000 indivíduos. Considerando as atividades antropogênicas correntes na região, como hidrelétricas, agricultura, pecuária e indústria, a nova espécie já pode estar em situação preocupante de conservação”, comentou.

A pesquisadora também enfatizou a importância de que estratégias de conservação de espécies devem levar em conta suas características ecológicas e demográficas. “A identificação da nova espécie, com distribuição limitada e abundância aparentemente baixa, ocorrendo em locais sob variadas pressões antrópicas, sinaliza para uma atenção especial, diferenciada do que se consideraria para, por exemplo, a espécie Inia geoffrensis, que se encontra muito mais amplamente distribuída pela bacia amazônica, embora também sofrendo pressões”, disse.

Zogue-zogue Rabo de Fogo

Outra espécie de destaque que compõe o relatório é o Zogue-zogue Rabo de Fogo (Plecturocebus miltoni). A distribuição geográfica do Zogue-zogue recém-descoberto é o interflúvio dos rios Roosevelt e Aripuanã, nos estados do Mato Grosso e Amazonas. A área de ocorrência do primata, endêmico do Brasil, está nos limites de importantes unidades de conservação: a Reserva Extrativista Guariba-Roosevelt, a Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Aripuanã e o Parque Nacional dos Campos Amazônicos.

Foto:Reprodução/Instituto Mamirauá
A publicação com a descrição do primata foi um trabalho conjunto dos pesquisadores Júlio César Dalponte, do Instituto para a Conservação dos Carnívoros Neotropicais (Pró-Carnívoros), Felipe Ennes, do Instituto Mamirauá, e José de Souza e Silva Júnior, conhecido como Cazuza, coordenador de Zoologia do Museu Paraense Emílio Goeldi.

Júlio Dalponte espera que a descrição da espécie possa contribuir para iniciativas que preservem o uso sustentável da floresta e também alavancar pesquisas na região, e sugere que esse carismático primata poderia ser a espécie-bandeira da campanha de defesa da causa. “O sonho é poder estabelecer um núcleo de pesquisa e conservação na RESEX Guariba-Roosevelt, coração da terra do rabo-de-fogo, tendo essa nova espécie como carro-chefe da conservação da região noroeste. E que ajude a manutenção do uso sustentável da floresta, de certa forma já promovida por comunidades extrativistas de castanha-do-Brasil, localmente”, disse.

De acordo com o pesquisador, após a descrição da espécie, o próximo passo seria o estudo sobre a ecologia e a história natural da espécie, além da verificação da sua ocorrência em outras porções da sua área de distribuição conhecida atualmente.

O relatório

Esses resultados fazem parte do Relatório de Novas Espécies de Vertebrados e Plantas na Amazônia entre 2014 e 2015. A publicação, desenvolvida pela WWF e pelo Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá. Ao todo, foram 381 novas espécies descritas no período na Amazônia, sendo 216 plantas, 93 peixes, 32 anfíbios, 19 répteis, 01 ave e 20 mamíferos.