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Domingo, 09 Mai 2021

Rondonienses contam experiência de doar leite materno

Amamentar é um gesto nobre, que demonstra o desprendimento, o amor e a relação mais íntima e pura entre mãe e filho. Mas se já é um ato de nobreza o aleitamento materno, o que dizer das conhecidas como “mães de leite”, que mesmo no anonimato doam o leite para recém-nascidos internados em Unidades de Tratamento Intensivo (UTI) do estado?

A história de Gabriela Sales Lima da Silva é um exemplo. Pela segunda vez a jovem de 29 anos é doadora do Banco de Leite Santa Ágata, anexo ao Hospital de Base Dr. Ary Pinheiro, em Porto Velho. O banco atende à demanda da UTI local e de unidades particulares que solicitam o serviço. Mãe de Grazyela, 7 anos, e de Mikael, 5 meses de vida, Gabriela considera gratificante o gesto de doar.

“Comecei logo após a chegada da minha primeira filha, quando descobri o Banco de Leite. Eu tinha tanto leite que meio seio chegava a doer. Lá as técnicas me ensinaram como massagear a mama para evitar que empedrasse o leite, e também me incentivaram a doar. Aceitei no mesmo instante, e me sinto muito feliz de poder ajudar a crianças que precisam do alimento. Mesmo que eu nunca as conheça, me sinto responsável por ajudar a esses bebês”, diz a doadora.
Foto: Divulgação

Com o kit que recebe semanalmente da equipe do Banco de Leite, Gabriela faz a coleta gradualmente durante a semana ou de uma só vez. Ela lava bem as mãos e braços, coloca a touca e a máscara que compõem o kit, e com o vidro com tampa de plástico, faz a coleta do leite para congelar. O prazo de validade do leite coletado é de 15 dias, por isso é importante etiquetar o vidro com o nome da doadora e a data da coleta. Se a coleta é gradual, a data a ser marcada é a da primeira retirada de leite. Nas próximas coletas para o mesmo frasco, é utilizado um copo descartável ou de vidro esterilizado, para então misturar o liquido ao retirado anteriormente, que estará fechado e congelado na geladeira da própria doadora.

Uma vez por semana a equipe do banco passa nas residências das doadoras recolhendo a coleta feita durante a semana. Gabriela coleta por semana cerca de 300 mililitros. “Na primeira experiência, eu doei até os oito meses de vida da minha filha, período em que ela mamou. Agora pretendo ir também até o máximo possível, pois é saúde para o meu bebê e mais tempo de doação para os que precisam”, afirma. Gabriela completa que o estado de espírito da doadora influencia na quantidade de leite que consegue coletar, e que a tranquilidade e o apoio da família são essenciais. “E não precisa se preocupar que o leite vai acabar ou não vai dar para alimentar seu filho. Isso é mito, não vai acabar. Quando mais você coleta, mais você produz. Por isso eu aconselho a todas as mães a doarem vida através do alimento a outros bebês”, conclui.

Para Nathália Ferreira Batista, 26 anos, “o Banco de Leite foi uma descoberta maravilhosa. Eu nem sabia que isso existia até ter a minha primogênita. O parto foi lá na maternidade do HB, e nos dias seguintes ao nascimento os meus seios jorravam leite. A equipe do banco passou lá e marcou a primeira consulta para orientação sobre aleitamento e avaliação profissional, lá no banco mesmo. Quando eu cheguei lá elas viram que eu era doadora em potencial, pela minha quantidade de produção. Há semanas que consigo encher 3 vidros de leite”, conta a mãe de Nátali, de 4 anos, e de Gustavo Benício, de 8 meses.

Na primeira situação, Nathália foi doadora por nove meses, e atualmente, na segunda experiência, a mãe de leite diz que continuará enquanto o filho estiver mamando. “Eu sou muito grata por poder ajudar a tantos outros bebês que por diversas situações não conseguem passar pelo aleitamento da forma como o meu filho. É uma coisa natural, vem de graça para mim, e é gratificante poder doar”.

O leite é encaminhado para o laboratório do Banco de Leite, onde passa pelo processo de pasteurização, onde é purificado para ser adequadamente servido aos recém-nascidos prematuros de alto risco e baixo peso.

Diminui número de bebês prematuros que precisam de doação de leite no Amazonas

Nos primeiros nove meses do ano, o número de bebês prematuros que precisam de doação de leite humano diminuiu no Amazonas. De acordo com a coordenadora do Banco de Leite do Estado, Elizabete Hardman, ainda que tenha havido diminuição, devido a atenção das mães ao pré-natal, é necessário continua o abastecimento. Para fazer doações, basta entrar em contato com o Banco de Leite na Maternidade Ana Braga pelo telefone (92) 3647-4234.

Campanha para Doação de Leite Humano busca conscientizar importância da amamentação

Foto: Reprodução/Shutterstock
Com o objetivo de conscientizar a sociedade para a importância da doação de leite humano e incentivar a prática entre mães que amamentam, o Ministério da Saúde, em parceria com a Rede Global de Bancos de Leite Humano, lançou na última terça-feira (16), a Campanha Doe Leite Materno. A amamentação é o principal fator de redução da mortalidade na infância e, por isso, a campanha prevê o aumento do número de novas doadoras voluntárias, bem como do volume de leite humano coletado e distribuído aos recém-nascidos prematuros e de baixo peso, internados no Brasil.

Durante o lançamento, o ministro da Saúde, Ricardo Barros, destacou que o Brasil é referência mundial em doação de leite. “Este reconhecimento é mais uma conquista do SUS. O Ministério da Saúde continuará dando todo o apoio necessário para estimular cada vez mais a amamentação e a doação de leite entre as mães brasileiras, práticas que contribuíram para a redução da mortalidade infantil em todo o mundo. Espero que no próximo ano possamos comemorar um avanço no número de doações e bebês beneficiados. Doar leite humano é salvar vidas”, afirmou o ministro.

O governador Rodrigo Rollemberg destacou os resultados já alcançados no DF. “Tenho orgulho em dizer que o Distrito Federal é referência nacional em doações de leite materno. Conseguimos este resultado com o esforço de todos os profissionais, principalmente do Corpo de Bombeiros, que participa inteiramente do processo de coleta. Hoje, o DF possui 13 bancos de leite com o padrão ouro. Continuaremos com todo o empenho necessário para manter e ampliar este resultado”, destacou o governador.

A atriz e embaixadora da campanha Maria Paula reforçou a importância das mães doarem o leite materno. “A maternidade foi um divisor na minha vida. De artista, me transformei em ativista deste projeto tão maravilhoso que salva vidas. Doar leite materno possibilita que os bebês prematuros tenham sua vida preservada. Se todas as mães doarem um pouquinho do seu leite, a gente consegue mudar o mundo em apenas uma geração”, ressaltou.
BLH

Os Bancos de Leite Humano (BLH) são casas de apoio à amamentação que surgiram como uma estratégia de qualificação da assistência neonatal em termos de segurança alimentar e nutricional, com foco em ações que ajudam a reduzir a mortalidade infantil em instituições hospitalares. O trabalho é voltado a crianças que demandam cuidados especiais em unidades de terapia semi-intensiva e intensiva, ou seja, bebês que nasceram prematuros, com baixo peso. São crianças que, pelas mais variadas razões, precisam de uma atenção especializada.

A estratégia de Bancos de Leites Humano (BLHs) do Brasil, desenvolvida há 32 anos pelo Ministério da Saúde, já beneficiou, entre os anos de 2009 e 2016, mais de 1,8 milhão de recém-nascidos. Contou com o apoio de mais de 1,3 milhão de mulheres doadoras, com aproximadamente, 1,4 milhão de litros de leite coletados. Em 2016, os BLHs do país, registraram mais de 300 atendimentos em grupos, 1,7 milhão de atendimentos individuais e aproximadamente, mais de 270 mil atendimentos domiciliares.

Hoje, existem no País 221 BLH, em todos os estados e Distrito Federal, e 186 Postos de Coleta, além da coleta domiciliar. O modelo brasileiro de bancos de leite humano é focado na promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno, exclusivo, até os seis meses e continuidade da amamentação por dois anos ou mais. Além de coletar e distribuir leite humano de qualidade a bebês prematuros e de baixo peso, contribuindo para a diminuição da mortalidade infantil.

Doação 

Toda mulher que amamenta é uma possível doadora de leite humano, basta estar saudável e não tomar nenhum medicamento que interfira na amamentação. Por isso, quem estiver amamentado e quiser doar, basta procurar o banco de leite humano mais próximo ou ligar para o Disque Saúde, no número 136. Não existe quantidade mínima para fazer a doação.

Antes da coleta, é aconselhável que a doadora faça uma higiene pessoal, cobrindo os cabelos com lenço ou touca, usando pano ou máscara sobre o nariz e a boca, lavando bem as mãos e os braços, até o cotovelo, com bastante água e sabão. As mamas devem ser lavadas apenas com água e, em seguida, secadas com toalha limpa. O leite deve ser coletado em local limpo e tranquilo. O leite humano extraído para doação pode ficar no freezer ou no congelador da geladeira por até 10 dias. Nesse período, deverá ser transportado ao banco de leite humano mais próximo da sua casa.