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Segunda, 10 Mai 2021

Mulheres do Marajó recebem apoio para atendimento à saúde reprodutiva

O objetivo é manter os serviços em saúde reprodutiva e saúde da mulher mesmo durante a pandemia da Covid-19.

Moradores da Ilha de Marajó recebem cestas básicas e navio da Caixa

Em Chaves, beneficiários puderam sacar auxílio emergencial em navio atracado.

Selo vai agregar valor e reconhecimento internacional ao queijo do Marajó

Mesmo com a produção reduzida nesta época de pandemia, os produtores continuam abastecendo municípios do arquipélago marajoara.

Pará tem três casos de raiva humana confirmados

Com as duas confirmações desta terça-feira (22), já são três as mortes por raiva humana atestadas laboratorialmente pelo Instituto Evandro Chagas, em Belém.

Das oito mortes notificadas por suspeita da doença, uma ainda está sob investigação. De acordo com a Secretária de Saúde do Pará, as quatro primeiras vítimas não tiveram o sangue coletado e por esse motivo não será possível a comprovação laboratorial destes casos.

Quatro pessoas seguem internadas em estado considerado grave em Hospitais de Belém e de Breves. Nestes pacientes as coletas sorológicas foram realizadas e encaminhadas para o Instituto Pasteur, onde estão sendo analisadas.

Dos 14 casos notificados, dois foram descartados e os pacientes receberam alta.  
Foto: Divulgação/USP
A Secretaria de Saúde informou que encaminhou cinco mil doses de vacinas e mil soros para reforçar as ações de prevenção e investigação ao vírus da raiva humana no município de Melgaço, no arquipélago do Marajó.

As ações se concentram em localidades ao longo do rio Laguna, cerca de 70 km da sede do município. Cerca de 780 pessoas iniciaram a vacinação, que é administrada em quatro doses. O governo estadual também distribuiu 500 mosquiteiros para população dos morcegos – principal transmissor da doença.

Ribeirinha comemora aprovação no vestibular em rabeta e viraliza na web

Passar no vestibular de uma universidade pública federal é sem dúvida um dos momentos mais felizes para quem se dedicou, estudou e buscou a chance de cursar o ensino superior gratuito.

Maria Luane de Souza da Silva, de 18 anos é uma das novas calouras da Universidade Federal do Pará (UFPA). Em uma disputa de 109.907 candidatos para 5.908 vagas, Luane teve o acesso garantido ao curso de Licenciatura em Química.

Tradicionalmente, a comemoração de quem é aprovado no vestibular de uma universidade pública no Pará é ao som da clássica 'Marcha do Vestibular', de Pinduca, banhado a trigo, ovo, urucum, meninos com a cabeça raspada e meninas com laços de jornal e plaquinhas de 'burro', além dos desfiles em carros a céu aberto que percorrem as ruas de Belém anunciando um novo calouro.  
Foto: Maria Luane / Acervo Pessoal
Luane ganhou repercussão quando usou uma rabeta (canoa) para comemorar a aprovação, e o desfile: pelos rios da Amazônia.

Nascida na comunidade Anaraí em Cachoeira do Arari, ilha do Marajó, Pará, Luane deixou a comunidade para estudar em Belém e poder viver uma realidade de vida diferente da ribeirinha, mas voltou para a comemoração ao esforço obtido.

"Ela é filha de marajoaras ribeirinhos, deixou a comunidade para estudar. E quando soubemos da aprovação trouxemos ela de volta para comemorarmos esse momento, de forma simples, e organizando tudo muito rápido, resolvemos passear de rabeta pelo rio da comunidade, e para nossa surpresa, uma amiga fez as imagens e postou nas redes sociais, daí não imaginávamos a repercussão", contou Delma Silva, mãe de Luane.

Para Luane, a aprovação é um momento de gratidão. "É muito, muito mesmo gratificante. Agradeço aos meus professores por terem contribuído com minha aprovação, além dos meus familiares e todos que me ajudaram nessa conquista", disse.

Além do curso de Licenciatura em Química, Luane também foi aprovada em Química industrial, mas o desejo de retornar à Comunidade Aranaí para ensinar, a fez decidir pela Licenciatura, que cursará no campus Guamá, em Belém.

Boto do Araguaia sob ameaça de extinção

       

Boto do Araguaia. Foto: Divulgação/Instituto Araguaia 
Há dois anos, uma nova espécie de boto, o boto do Araguaia (Inia araguaiensis), foi reconhecida pela comunidade científica. A maior população do animal ocorre no médio Rio Araguaia, em um área com cerca de 2 mil quilômetros de extensão onde a planície inundável, rica em lagos e peixes, forma o habitat ideal para ele. Mas nem tudo é motivo para celebração: a espécie está ameaçada de extinção, principalmente por causa da severa estiagem que atinge a região.

Um episódio recente ilustra o risco: em esforço conjunto, pesquisadores do Naturantins, do Instituto Araguaia e do Instituto Nacional de Pesquisas das Amazônia (Inpa) resgataram 12 botos do Araguaia encalhados em uma lagoa no Rio Formoso, em Lagoa da Confusão, no Tocantins. "Doze animais parece pouco, mas representam quase 1% da população total dessa espécie. Se não tivéssemos feito o resgate 1% de toda a população do boto do Araguaia teria morrido em apenas uma semana", avalia a coordenadora de pesquisa do Instituto Araguaia, Thais Susana.

O instituto estima que a população da espécie seja de no máximo 1.500 animais. Essa população reduzida vem sendo dizimada por pescadores comerciais, que culpam os botos por roubar peixes de suas redes e revidam com tiros ou iscas envenenadas. Nas proximidades de certos portos de pesca ao longo do Araguaia, é possível percorrer dezenas de quilômetros sem avistar um único boto. Em 2016, a falta de chuvas e a intensificação da produção agropecuária na região da Bacia do Araguaia reduziu o nível das águas na bacia.

Os órgãos ambientais do Tocantins já se preparam para o próximo ano. "Nós nunca tínhamos visto uma seca como essa na bacia. Para evitar que animais morram nos próximos anos vamos construir uma rede de parceiros para fazer o monitoramento dos rios e lagoas da região", diz Thais.  Rios assoreados na Bacia do Araguaia. Foto: Divulgação/Instituto AraguaiaBoa notíciaAssim que a espécie foi descoberta, amostras do seu material genético foram disponibilizadas em um banco de acesso público. A pesquisadora Renata Emin, que trabalha há 12 anos com botos na região da ilha de Marajó, no Pará, utilizou o material genético disponível para comparar com amostras de pele animal coletadas no Marajó. Para sua surpresa a análise mostrou que outros espécimes do botos do Araguaia vivem na região.

O resultado indica que a extensão territorial da espécie é muito maior do que se imaginava, do início do Araguaia até a foz no Rio Amazonas. "Essa descoberta é importante porque levanta as perguntas: qual é o status da espécie? Ela está em risco de extinção? Qual o tamanho de sua população?", indaga a pesquisadores.

Para ela, mesmo sem ter uma noção exata do condição da espécie, pesquisadores conhecem bem os riscos que esses animais passam na região. "Na bacia do Marajó os animais sofrem por conflitos com pescadores. No Araguaia, problemas com uma estiagem intensificada pela atividade agropecuária aconteceram esse ano. Nós podemos estar lidando com uma espécie já em risco de extinção e nem a conhecemos ainda.", alerta a pesquisadora.

Espécie

O boto do Araguaia foi identificado em 2014 por pesquisadores do Inpa e da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). A espécie tem muitas semelhanças com o boto cor-de-rosa (Inia Geoffrensis), a diferença maior entre as eles está no DNA e no formato do crânio. Essa é a única descoberta de uma nova espécie de boto em quase 100 anos.