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Sábado, 08 Mai 2021

Internet para o interior do Amazonas: conheça iniciativas que atuam na melhoria da conexão

A internet é, sem dúvida, um dos mais significativos avanços das últimas décadas. A popularização dela se inicia em 1994, e, 25 anos depois, ainda há muito a crescer, principalmente na Amazônia, onde apenas 63% dos domicílios têm acesso à internet. No Amazonas é ainda mais restrito, e o interior é o que mais sofre com a dificuldade de conexão. O assunto foi tema de um workshop, nesta quarta-feira (2), durante a programação do 9º Fórum da Internet no Brasil, em Manaus.


Os dados do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), a partir da Pesquisa sobre o Uso das Tecnologias de Informação e Comunicação nos Domicílios Brasileiros, mostram que a conexão móvel é a predominante na região, com 46% dos acessos, ou seja, é através de dispositivos móveis que os amazonidas mais conseguem se conectar à rede mundial de computadores.
Foto: William Costa/Portal Amazônia


Durante o workshop "Acesso a internet nos Municípios do Interior do Amazonas", apresentado no 9º Fórum da Internet no Brasil, que é realizado pela primeira vez em Manaus, o debate partiu do reconhecimento da Organização das Nações Unidas (ONU), como direitos humanos o acesso à internet, que, segundo o especialista em Direito Digital, Aldo Evangelista, os municípios do interior não têm acesso a internet ou se tem é instável e baixa qualidade.


"A internet não é só você navegar na web, tem que ter infraestrutura, rede de antenas, rádios, satélite, fibra óptica para chegar um sinal de internet e em muitos municípios do interior do Amazonas isso não funciona, e isso deixa essas pessoas excluídas de acesso à internet, estar conectado é ter acesso ao mundo, e essas pessoas estão excluídas dessa realidade", pontua Aldo.


Há um cabo de fibra ótica que possibilita maior velocidade e estabilidade na conexão de internet, que chega até o Gasoduto de Coari, é um trecho pequeno, e atende organizações na cidade e proximidades, e outros locais são feitas conexões por antenas de rádios e satélite. Segundo Aldo, é necessário avaliar junto aos órgãos públicos e privados quais iniciativas são melhor para conectar o interior à internet.


"Os municípios perto de Manaus são os que possuem internet melhor, e os demais que só chegamos através dos rios, tem a dificuldade. Coari e Tefé tem internet via fibra ótica, e nos outros municípios precisamos achar uma solução, criando uma infraestrutura adequada para chegar a internet no interior do Amazonas, se por fibra ótica pelos rios,  e que já existe até Coari, satélite ou rádio e, qual seria a melhor opção", ressalta.



Amazônia Conectada e Programa Amazônia Integrada e Sustentável (Pais)


Para o diretor presidente da empresa Processamento de Dados Amazonas (Prodam), João Guilherme Moraes Silva, o interior ainda é carente de conexão em fibra ótica, por exemplo, mas há programas sendo implementados que visam a melhoria do serviço nos municípios amazonenses.


"Hoje, temos fibra ótica até Coari, para atender o Gasoduto, são apenas oito muncípios, e nos demais dividimos entre outros projetos, como o Programa Amazônia Integrada e Sustentável (Pais) que se seria a continuidade do Amazônia Conectada, que prevê mais de 9 mil quilômetros de fibra ótica pelos rios, dessa forma, sem derrubar uma árvore sequer", disse.
Foto:William Costa/Portal Amazônia

Além desses oito municípios, com acesso à internet por fibra ótica, o diretor João ressalta que satélite e rádios, são conexões muito lentas, mas ainda os principais meios de acesso no interior do Amazonas.


"Essas conexão é para uso em órgãos militares, como é o caso do Amazônia Conectada, que tem um cabo do fibra, chegando com 15 Gb, mas que pode ser distribuído para prefeituras, por exemplo, e para comunidades ribeirinhas", ressalta Marcos.


O Pais, é um projeto que ainda tramita no Senado, e tem a proposta de conectar Macapá, no Amapá e Tabatinga, no Amazonas através de cabos de fibra ótica implantados por baixo dos leitos dos rios, cabos submarinos e terrestre, unindo o Oceano Atlântico ao Pacífico.


Com o projeto, os benefícios diretos à população, seria feito, através de leilões de parte da capacidade da fibra, para provedores que desejassem oferecer conexão à comunidade.
Foto:William Costa/Portal Amazônia


Rede Nacional de Ensino e Pesquisa


Outra iniciativa que leva internet para o interior do Amazonas é a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) e conecta as instituições educacionais e hospitais de ensino, e desde 1994 atende, em Manaus, o Inpa, FioCruz, Embrapa, Ufam e outras unidades.


"A gente atende em Manaus e no interior do Estado, é nossa responsabilidade fazer o provimento de internet às instituições de ensino e pesquisa, onde elas estiverem. No Amazonas atendemos em sete municípios, nos campi no Ifam, Ufam e Mamirauá", conta Edson Nascimento Silva Junior, coordenador administrativo da RNP no Amazonas.



A conexão pela RNP é feita através de dois cabos (links) que chegam à Manaus via fibra ótica, um através da BR 319, e outro pelo linhão de Tucuruí.


"Hoje temos dois links de 3 Gb de capacidade, que chegam a 6 Gb, e distribuímos um link de 1 Gb para Roraima, e outros lugares no interior, via fibra ótica, rádio e satélite, e estão pensados outros programas, como o PAS que se somará a estrutura que temos hoje", ressalta.
Foto:William Costa/Portal Amazônia



Projeto de internet para o interior do Amazonas



Administrado pela Fundação Amazonas Sustentável (FAS), organização sem fins lucrativos que tem por missão contribuir para a conservação ambiental da Amazônia por meio da valorização da floresta em pé, da biodiversidade e da melhoria de qualidade de vida dos povos da floresta, o Projeto LASA, feito em parceria com a Lojas Americanas, que tem com um dos componentes, a Conectividade, Inclusão Digital e Capacitação Tecnológica, prevê a instalação de laboratórios de informática com internet em cada um dos nove Núcleos de Conservação e Sustentabilidade (NCS) da FAS.


Os NCS são espaços formados por salas de aula, refeitório, biblioteca, alojamento para alunos e professores, e laboratório de informática, que têm por objetivo fornecer educação para áreas remotas, além de apoiar o poder público a levar soluções em saúde e educação adaptadas à realidade das comunidades ribeirinhas do Amazonas.


O coordenador do Projeto LASA, Amandio Silva, ressalta que, apesar da distância, levar acesso à tecnologia da informação (TI) é um dos objetivos do projeto.


"O principal objetivo é capacitar e oportunizar acesso a tecnologias de informação e a conteúdos não acessos por conta das distâncias físicas entre essas comunidades e aos grandes centros. E esperamos atingir, ao menos, 1153 pessoas até o fim do projeto, que tem duração de 2 anos e meio", ressalta.


Sobre liberar o sinal de internet para acesso à comunidade, Amandio lembra que ainda está em fase de estudos, mas já há disponibilidade da rede em situações de urgência.


"Estudamos liberar sim para acesso público via celular. Pelo menos em dias e horários pré determinados, e claro que fica disponível em caráter de urgência para o comunitário", completa Amandio.



Ribeirinhos Conectados


Na comunidade Três Unidos, localizada na Área de Preservação Ambiental (APA), região ribeirinha de Manaus, e formada principalmente pela etnia Kambeba, um dos usuários de internet é o indígena Raimundo Kambeba, diretor da escola da comunidade, e que só percebe benefícios com a chegada de conexão.


"Antes a gente não sabia o que era esse mundo da internet e redes sociais. Depois que chegou a internet, tudo melhorou. Primeiro, a comunicação, em segundo, como se trabalhar a educação usando a internet, com trabalho de pesquisa, e como os comunitários estão usando para melhorar a qualidade de ensino de nossas crianças, jovens e adultos, e já pensamos em fazer uma faculdade online", conta.
Foto:Divulgação/Raimundo Kambeba


Fórum da Internet no Brasil


O Fórum da Internet no Brasil é um pré-evento para o Fórum de Governança da Internet (IGF), promovido anualmente pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) desde 2011 e consiste em atividade preparatória para o Fórum de Governança da Internet (IGF), evento global promovido pela Organização das Nações Unidas (ONU).


Esta é a 9ª edição do Fórum Brasileiro, e a primeira realizada em Manaus. Flávio Wagner, coordenador do programação do Fórum lembra que o espaço é de discussão em vários temas dentro da temática internet.


"A programação é diversa, e esse é o espírito do Fórum. A comunidade e os setores da sociedade compõem a programação, e os temas partem do desenvolvimento e uso da internet, e então temos um pouco de tudo aqui, desde economia, direitos humanos, legislação e outras discussões", conta.


Wagner lembra que um dos princípios do Fórum é circular por várias cidades e tratar pautas regionais importantes, que naturalmente a sociedade propõe.


"Na edição de Manaus, a questão da conectividade, inclusão digital das populações do interior do Estado é uma das pautas em destaque. E se espera que daqui as recomendações possam convergir em entendimentos de problemas relevantes, e depois cada um em seu papel, seja governo, sociedade ou empresas, leve a diante as discussões que tivemos aqui", ressalta.


O 9º Fórum Mundial da Internet acontece no Centro de Convenções do Amazonas Vasco Vasques, até esta sexta-feira (4), e tem entrada gratuita. Inscrições e mais informações: https://forumdainternet.cgi.br/.



Fórum da Internet no Brasil vai aproximar manauaras de discussões sobre o assunto; inscrições são gratuitas

“Caiu a internet!”, “A internet está lenta!”, “Isso é fake news!”, “Não acessa isso que tu vai ser pego pela Polícia Federal!”, “Aqui é terra sem lei!”, “Sistema está fora do ar!”.


Todas essas expressões acabam por serem corriqueiramente ouvidas em nosso dia-a-dia. Hoje, os processos estão mais rápidos e, em muitos casos, a internet tem desburocratizado as relações e o acesso à informação e conteúdos dos mais diversos possíveis.


A Internet não é uma "terra sem lei", e quem trata dela no país é o Comitê Gestos da Internet do Brasil (CGI.br), que tem a atribuição de estabelecer diretrizes estratégicas relacionadas ao uso e desenvolvimento da Internet no Brasil. Além de outras diretrizes, também promove estudos e recomenda procedimentos para a segurança dela e propõe programas de pesquisa e desenvolvimento que permitam a manutenção do nível de qualidade técnica e inovação no uso da Internet.
Foto: William Costa/Portal Amazônia

Para a construção de uma internet mais plural, segura e acessível, o CGI.br promove, pela primeira vez em Manaus (AM), a 9ª edição do Fórum da Internet no Brasil, entre os dias 1 e 4 de outubro, com uma discussão que perpassa por inclusão digital, proteção de dados, direitos humanos, diversidade, ética e outros temas.


As inscrições para o 9º Fórum da Internet no Brasil são gratuitas e podem ser feitas, no site: https://forumdainternet.cgi.br/. A professora doutora Tanara Lauschner, que também é conselheira do CGI.br e articulista do Portal Amazônia, lembra que o Fórum é a oportunidade que a região terá de discussões fora do Sudeste.


"Várias edições do Fórum foram realizadas no sudeste, e esse ano quase foi lá, mas conseguimos trazer o evento pra cá. Sabemos da dificuldade na logística da região, mas as principais pessoas que discutem internet no país, estando aqui em Manaus, vai nos ajudar a aprender, a nos envolvermos mais com as discussões de governança", conta a conselheira.


Entre os temas que serão abordados nos workshops estão: Empreendedorismo e Infraestrutura da região Amazônica; Acesso a internet no interior do Amazonas; Estratégias de enfrentamento do discurso do ódio na internet; Mulheres que "hackeiam" o sistema digital, dentre outros.
 
Foto:William Costa/Portal Amazônia

Além dos workshops, o Fórum dará a oportunidade da sociedade interagir e construir discussões em torno de uma internet melhor, e acessível, um dos grande problemas da região. A realidade do Norte do Brasil chama atenção, segundo dados da pesquisa sobre o Uso das Tecnologias de Informação e Comunicação nos Domicílios Brasileiros (TIC Domicílios 2018), realizada pelo Centro Regional de Estudos para o desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br). Apenas 63% dos domicílios do Norte tem conexão de internet, e elas são principalmente por conexões via modem ou chip 3G ou 4G.


"O principal meio de conexão da região norte é através do celular, a maioria das crianças e adolescentes, por exemplo, usam esse tipo de dispositivo ao invés de computadores, por exemplo, o que nos deixa atentos à questões como falta de infraestrutura. Essas conexões são bem baixas em velocidades e limitadas. Na zona rural, são apenas 14% das escolas com acesso à internet", pontua Winston Oyadomari, analista de pesquisas do CTIC.br/NIC.br.


A conselheira Tanara ressalta que o Fórum não é um evento só para as pessoas de tecnologia, mas internet é um discussão mais ampla que afeta as pessoas e a sociedade como um todo. "É importante termos a participação de outras áreas, não é só tecnologia, mas também relações públicas, direito, comunicação. Esse momento é de discussão para avançarmos, por exemplo, em relação a infraestrutura de internet na região", disse.


Foto:William Costa/Portal Amazônia
Para o estudante de Ciência da Computação, Joseph Levinthal, o evento é um marco para região e a oportunidade de receber grandes nomes da governança de internet, em Manaus.


"Esses eventos são bem interessantes. Eu pensava que governança na internet era muito debatido pela galera de tecnologia e no primeiro contato que eu tive, eu percebi que não, é muito mais discutido entre os cursos de direito, relações internacionais e comunicação. E participar do Fórum é a oportunidade que temos de ter um microfone aberto, discutir e dialogar com os grandes nomes da internet no país", conta o acadêmico.


Comemorações


Neste ano, o CGI.br comemora os 10 anos da Declaração de Princípios para Governança e Uso da Internet, um documento que ressalta o acesso universal, de desenvolvimento social, humano, além de celebrar os 30 anos da criação do domínio .br, pelo Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR, que faz a gestão desse registro.