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Sábado, 08 Mai 2021

Gestão de crise: como montar o seu plano de ação

"Uma das principais lições nesse momento será de rever nossas prioridades e perceber que haviam custos e despesas que poderiam ser evitados"

Crise ou oportunidade: de que lado você está?

A grande verdade é que esses momentos turbulentos nos tiram da famosa zona de conforto. E isso, seguramente, serve para nos fazer encontrar novas soluções

Equador decreta toque de recolher e tira da capital, Quito, a sede do governo

O presidente do Equador, Lenín Moreno, assinou decreto restringindo a livre circulação de pessoas em pontos estratégicos. Assinada também pelos ministros María Paula Romo, de Governo, e Oswaldo Jarrín, da Defesa, a medida vai vigorar por 30 dias, das 20h às 5h.
Foto:Reprodução/Redes Sociais
Maria Paula explicou que o decreto oficializa a transferência da sede do governo de Quito para Guayaquil e define a restrição de circulação nas áreas delimitadas pelas Forças Armadas.

Um dos objetivos da medida é fortalecer o controle em órgãos como a Controloria-Geral do Estado, a Assembleia Nacional, a Corte Nacional e o Conselho de Participação Cidadã.
"Isso é para evitar problemas como os provocados por vândalos na Controladoria. Estamos diferenciando atos de vandalismo e manifestações por diferenças políticas", afirmou Maria Paula.

Oswaldo Jarrín, ministro de Defensa, disse que o decreto estabelece regulações especiais que protegem diversos órgão vitais para o país, como aeroportos, pontos de abastecimento de água e refinarias.

Brasileiro volta a confiar na economia

O Brasil, enfim, começa a sair do atoleiro. O mercado acredita que até o final do ano o brasileiro começa a sentir de fato os efeitos da política econômica do governo, que começa a reverter expectativas desde a aprovação da Reforma da Previdência.

Em Dia da Independência da Venezuela, Nicolás Maduro pede diálogo

Os grupos políticos profundamente divididos da Venezuela fizeram comemorações paralelas no Dia da Independência do país, nessa sexta-feira (5). O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, pediu diálogo e o líder da oposição, Juan Guaidó, denunciou supostas violações de direitos humanos durante o que chama de "ditadura" de Maduro.



Roraima pede apoio para conter impactos da migração de venezuelanos

O governador de Roraima, Antônio Denarium, pediu nessa quinta-feira (9) ajuda do Congresso para conseguir recursos junto ao governo federal e conter os impactos da crise migratória de venezuelanos no estado.


Venezuela vive emergência humanitária complexa, diz ONG

A organização não governamental Human Rights Watch alertou nesta quinta-feira (4) que a conjunção de fatores, como falta de comida e escassez de alimentos, gera na Venezuela uma “emergência humanitária complexa”. Segundo a entidade, a Organização das Nações Unidas (ONU) deve dar uma “resposta forte”.

Declarar oficialmente que na Venezuela há uma “emergência humanitária complexa” é um princípio técnico da ONU que permitiria desbloquear a mobilização de recursos humanos e materiais suficientes para atender às necessidades urgentes dos venezuelanos.

O relatório "A emergência humanitária na Venezuela: uma resposta em grande escala da ONU é necessária para enfrentar a crise de saúde e alimentos", de 73 páginas, elaborado por especialistas e médicos da Faculdade de Saúde Bloomberg Public, da Universidade Johns Hopkins, e da Human Rights Watch, reúne uma série de detalhes sobre a situação no país.

"Por mais que eles tentem, as autoridades venezuelanas não podem esconder a realidade do país", disse Shannon Doocy, PhD e professor associado de Saúde Internacional na Escola Bloomberg de Saúde Pública, da Universidade Johns Hopkins, que conduziu a investigação.

Foto:Divulgação/Ansa

Estudo

No estudo, há informações sobre os níveis de mortalidade materna e infantil, surtos de doenças que poderiam ser prevenidas com a vacinação, como o sarampo e a difteria, e aumentos drásticos na transmissão de doenças infecciosas, como a malária e a tuberculose.

O relatório adverte que tais dados indicam ainda a existência de elevado nível de insegurança alimentar e desnutrição infantil, bem como alta proporção de crianças internadas em hospitais com desnutrição.

"O colapso absoluto do sistema de saúde da Venezuela, combinado com a escassez generalizada de alimentos, está exacerbando o calvário que os venezuelanos estão vivendo e colocando mais pessoas em risco. Precisamos da liderança da ONU para ajudar a acabar com esta grave crise e salvar vidas”, apelou Doocy.

Em março, a Federação Internacional da Cruz Vermelha anunciou que aumentaria sua presença na Venezuela para cobrir as necessidades de 650.000 pessoas. Dados não oficiais indicam que aproximadamente 7 milhões de venezuelanos precisam de ajuda.
Providências

A ONG recomenda que o Escritório para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) aborde o caso venezuelano como prioritário para exigir a mobilização de esforços e recursos de assistência humanitária em grande escala.

A entidade sugere ainda que as autoridades venezuelanas publiquem dados oficiais sobre doenças, epidemiologia, segurança alimentar e nutrição, para que a ONU possa avaliar de forma completa as necessidades humanitárias e a magnitude real da crise.

Mais de 150 pessoas, entre especialistas, profissionais de saúde, assistentes sociais, professores e líderes comunitários foram ouvidos na elaboração do estudo divulgado nesta quinta-feira (4).


Nicolás Maduro indica que se manterá no poder

Sem mencionar o retorno de seu opositor Juan Guaidó, autodeclarado presidente interino da Venezuela, o presidente Nicolás Maduro sinalizou, nas redes sociais, que se manterá no poder. Ele criticou indiretamente o apoio ao opositor, informando que a Venezuela é alvo de agressões.

“O mundo é testemunha excepcional de uma Venezuela que enfrenta as agressões imperiais e segue em frente com dignidade. Continuaremos a manter a bandeira dos povos livres que levantam suas vozes contra a interferência imperial”, disse Maduro, em sua conta pessoal do Twitter.
Foto: Elza Fiuza/ABR

Guaidó retornou segunda-feira (4) à Venezuela, depois de visitar cinco países da América do Sul – Colômbia, Brasil, Paraguai, Argentina e Equador. Ameaçado de prisão e sanções, o interino liderou uma manifestação contra Maduro.

O governo Maduro lembra nesta terça-feira (5) o aniversário de seis anos de morte do presidente Hugo Chávez. O local onde está enterrado o corpo dele será aberto à visitação pública, em Caracas. Haverá homenagens, com exibição de vídeos e atividades musicais e esportivas.

Chávez  assumiu a Presidência da Venezuela em fevereiro de 1999, governando o país por 14 anos até sua morte em 2013. O líder morreu em conseqüência de um câncer. Maduro foi seu último vice-presidente. As propostas e ideias de Chávez foram compiladas em  livros e documentários.


Crise econômica: Roraima decreta estado de calamidade financeira

O governador Antonio Denarium (PSL) decretou estado de calamidade financeira em Roraima, por conta da crise econômica que o Estado enfrenta. O decreto de calamidade foi disponibilizado nessa quarta (2), no Diário Oficial, mas data de sexta-feira (28), quando ele ainda era interventor do estado.

Leia também: Ação das Forças Armadas em Roraima é prorrogada até março de 2019

O governador de Roraima cita como motivos as dívidas do estado, atrasos salariais, risco de colapso de serviços essenciais como Saúde, Educação e Segurança e os impactos da migração venezuelana. A medida vale por 180 dias, mas pode ser estendida por "igual período em razão de necessidade quantas vezes forem necessárias".

Durante o período do decreto de calamidade financeira, fica vedada a realização de: quaisquer despesas que possam dispensadas pelo estado; concessão de gratificações, viagens, diárias, horas extras, ou outros tipos de despesas que venham a comprometer a folha de pagamento.
 
Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil 
O decreto também fixa a readequação da LOA 2019 - ainda não votada pelo Legislativo - renegociação de contratos já firmados, apuração dos débitos contraídos, parcelamentou e/ou reparcelamento de dívidas, de acordo com a capacidade financeira do estado, após a apuração e liquidação das dívidas existentes, incluí-las em ordem cronológica para pagamento aos credores.

Conforme o texto, fica estabelecido o chamado "Gabinete de Crise" composto pela Casa Civil, Fazenda, Planejamento, Administração, PGE e CGE. Ao grupo compete fazer ajustes econômicos que ficam submetidos à análise do governador.

Intervenção federal

A intervenção federal em Roraima começou no dia 10 de dezembro, com a publicação do Decreto 9.602, no Diário Oficial da União, e encerrou no dia 31 do mesmo mês. Por ordem do presidente Michel Temer, o governador eleito, Antonio Oliverio Garcia de Almeida, conhecido como Antonio Denarium (PSL), foi o interventor no período.

Segundo o decreto, a intervenção federal em Roraima foi definida em decorrência do “grave comprometimento da ordem pública”, devido aos problemas relacionados à segurança e ao sistema penitenciário do estado. A então governadora Suely Campos foi afastada do cargo.

Forças armadas em Roraima

A ação das Forças Armadas para Garantia da Lei e da Ordem (GLO) em Roraima, em abrigos e atividades relacionadas ao acolhimento de venezuelanos, foi prorrogada até março de 2019. A terceira edição do decreto GLO, feita em outubro, prorrogava o poder de polícia das Forças Armadas até o último dia 31.

Um violento protesto de moradores que expulsou 1,2 mil venezuelanos de Pacaraima, na fronteira com a Venezuela e principal porta de entrada dos imigrantes para o Brasil, gerou a assinatura da primeira GLO, em 28 de agosto.

As Forças Armadas atuam na segurança e parte logística dos 13 abrigos para refugiados venezuelanos em Roraima - sendo dois na região de fronteira. Os locais, que já abrigam mais de 6 mil pessoas, também funcionam com apoio da ONU e de ONGs.

Contra hiperinflação, Venezuela anuncia medidas econômicas e nova moeda

presidente da VenezuelaNicolás Maduro, anunciou nesta segunda-feira (20) um novo pacote econômico, o chamado "Madurazo". O pacote de medidas pretende conter uma inflação de 1.000.000%, de acordo com estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI) e inclui o corte de cinco zeros da moeda local, que passará a se chamar bolívar soberano. As informações são da Agência Brasil.

Foto:Divulgação/Prensa Presidencial de Venezuela
O governo define o atual momento de “ponto de reflexão”. "Vamos desmontar a perversa guerra do capitalismo neoliberal”, afirmou o presidente.

Segundo as autoridades da Venezuela, haverá um novo redesenho da política fiscal e tributária do país, incluindo subsídios para a gasolina, reajustada em quatro pontos percentuais, e a definição de câmbio único, que flutuará de acordo com as definições do Banco Central Venezuelano.

Novas notas

A nova moeda venezuelana, cujo símbolo é Bs.S., tem cinco zeros a menos em comparação ao bolívar, que coexistirá para operações bancárias menores.
Foto:Divulgação
As novas notas de Bolívar soberano são de 2, 5, 10, 20, 50, 100, 200 e 500 já estão nos bancos e serão colocadas em circulação ainda nesta segunda-feira. Os símbolos das notas têm referência ao petróleo, pois a Venezuela tem grandes reservas.

Dona das maiores reservas mundiais de petróleo, a Venezuela observa o encolhimento da sua economia.

De 1913 até este ano, o Produto Interno Bruto (PIB) do país foi reduzido pela metade, segundo o FMI, que prevê uma inflação superior a 13.000% em 2018 e um índice de desemprego de 36% até 2022.

Superar a grave crise econômica, social e política será o maior desafio de Maduro. O que se passa na Venezuela também preocupa os países vizinhos, que estão enfrentando uma crise humanitária na região, pois eles não têm estrutura para absorver os milhares de venezuelanos que fogem da hiperinflação e do desabastecimento.

Itália doa 250 mil euros para ajudar Roraima com venezuelanos

Foto:Reprodução/Human Rights Watch
Itália doará 250 mil euros (cerca de R$ 1 milhão) para o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), com o objetivo de ajudar no combate à crise humanitária na fronteira entre Venezuela Brasil. As informações são da ANSA.

O anúncio foi feito nesta terça-feira (27) pelo embaixador italiano em Brasília, Antonio Bernardini,que está em visita a Roraima. "Hoje estou em Roraima para uma visita à fronteira com a Venezuela. A Itália anuncia uma contribuição de 250.000 euros ao Acnur para ajudar os refugiados venezuelanos no Brasil", escreveu o diplomata no Twitter.

Além disso, a Itália dará a mesma quantia para o Acnur na Colômbia, país que, assim como o Brasil, vem recebendo dezenas de milhares de deslocados externos por causa da crise política, econômica e social na Venezuela.

"A cooperação italiana no Acnur permitirá o financiamento, seja na fronteira com o Brasil, seja com a Colômbia, atividades de primeira assistência em favor de civis venezuelanos - curas sanitárias e distribuição de gêneros de primeira necessidade -, com atenção particular para as categorias mais vulneráveis, como as crianças", diz uma nota do Ministério das Relações Exteriores de Roma.

Em 2017, o Brasil registrou o número recorde de 33.865 pedidos de refúgio, sendo 17.865 (52,75%) de cidadãos venezuelanos. Além disso, do total de solicitações, quase 16 mil foram apresentadas no estado de Roraima, que faz fronteira com a Venezuela.

Interiorização de venezuelanos para São Paulo e Manaus começa em abril

O processo de interiorização dos imigrantes venezuelanos que estão em Roraima começa no mês de abril, com o transporte de parte deles para as cidades de São Paulo e Manaus, informou a Casa Civil do governo estadual. O objetivo é levá-los a outros estados, onde tenham melhor estrutura para se estabelecer e aliviar a superlotação em Roraima, que faz fronteira com a Venezuela e se tornou uma das principais rotas de entrada do país para os imigrantes, especialmente pela cidade de Pacaraima. As informações são da Agência Brasil.
Foto:Diego Oliveira/Portal Amazônia
Na cidade de São Paulo, foram disponibilizadas 300 vagas para alocar os imigrantes venezuelanos. Inicialmente, no plano piloto, a capital receberá 186 pessoas – 115 homens e 71 mulheres – em nove equipamentos municipais, quatro deles especializados em migrantes, e cinco centros de acolhida para pessoas em situação de rua. Haverá também 180 vagas para Manaus. A interiorização dos venezuelanos pelo país é inevitável, independentemente das ações do governo federal, devido à sobrecarga enfrentada em Roraima, segundo avaliação da organização não governamental (ONG) Conectas, que acompanha a situação dessas pessoas.

“São homens e mulheres solteiros [que irão para São Paulo]. Preferimos começar com esse perfil para testar. Queremos fazer isso da forma mais organizada e humanizada possível para avaliar a possibilidade de famílias e crianças, mas queremos ser bastante responsáveis no primeiro momento para aprender com essa experiência”, disse o secretário municipal de Assistência Social de São Paulo, Filipe Sabará.

Questionado sobre a experiência negativa na acolhida dos haitianos, entre os anos de 2014 e 2015, quando muitos deles não se adaptaram aos lugares em que foram alojados, o secretário disse que, na época, esses imigrantes haviam sido acolhidos nos antigos albergues para população em situação de rua, que não tinham estrutura adequada às necessidades. Agora, segundo ele, mesmo alguns dos centros sendo destinados à situação de rua, são equipamentos novos, inaugurados recentemente e que contam com melhor estrutura.

“[Os atuais centros de acolhida] são espaços qualificados, com dormitórios, banheiros, chuveiros, sala de informática, sala de terapia individualizada, área de estudos, então são serviços bastante qualificados e que podem receber muito bem essas pessoas. Temos parceria com a Secretaria de Saúde, isso já faz parte do escopo do sistema de acolhida, está incluído no pacote”, disse.

Outro fator que dificultou a interiorização dos haitianos, que entravam pelo estado do Acre, foi a decisão unilateral de mandá-los para outros estados, sem a coordenação com governadores e prefeitos que os receberiam e sem a mediação do governo federal.

“O primeiro ponto é que a interiorização [dos haitianos] não foi uma política coordenada entre governos locais, entre o estado que estava mandando e o que estava recebendo e sem o papel do governo federal. Aquela foi uma decisão unilateral do governo do Acre e que foi muito problemática, porque não estava garantida a devida informação aos haitianos sobre para onde estavam indo. O fato de nem o governo do estado nem a prefeitura estarem cientes disso fez com que essas pessoas fossem simplesmente despejadas na cidade, e não houve nenhuma preparação para acolher essas pessoas”, avaliou Camila Assano, da ONG Conectas e membro do Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH).

Coube à sociedade, sobretudo à Missão Paz, fazer a acolhida emergencial na cidade, e a prefeitura teve que, às pressas, criar uma estrutura para receber essas pessoas. “São Paulo já deveria ter, é uma cidade historicamente marcada pela migração e já deveria ter essa estrutura”, acrescentou Camila.

Apesar de a Colômbia atrair a maior parte daqueles que deixam a Venezuela, tanto por fazer fronteira quanto por ter a mesma língua, o Brasil tem se mostrado um destino residual. De acordo com a Conectas, 600 mil venezuelanos entraram na Colômbia nesse último período de crise, mas o país tem fechado a fronteira em alguns momentos e passou a exigir passaporte dos imigrantes.

No Brasil, cerca de 32 mil venezuelanos já pediram refúgio ou residência temporária desde 2015, quando começou o fluxo migratório para o país, informou a Casa Civil. Mas o fluxo na fronteira é ainda maior, já que muitos deles voltam à Venezuela para buscar familiares ou para levar dinheiro para quem ficou. Por dia, entram de 600 a 800 venezuelanos no Brasil, mas eles não necessariamente se estabeleceram aqui.

O venezuelano Carlos Daniel Escalona Barroso, que trabalha atualmente na cozinha de um hotel na capital paulista, chegou ao país em junho de 2016 e já entrou com pedido de refúgio. Ele chegou a Manaus de ônibus e depois pegou um voo para Fortaleza, onde ficou por seis meses até ir para São Paulo. Após pedir refúgio ao Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), recebeu um protocolo, que pode ser usado como documento principal para tirar Carteira de Trabalho, para alugar imóveis e até para abrir conta em banco.

No entanto, Barroso encontrou dificuldades justamente nos bancos públicos – Caixa e Banco do Brasil – que não aceitaram o protocolo. Somente no Itaú, ele conseguiu a abertura da conta. “Nos bancos públicos não deu certo, eles falaram que isso não é documento”, disse. Até o momento, seu pedido de refúgio não foi concedido.

Na Venezuela, Barroso sofreu ameaças e até um sequestro por ter recusado propina em seu cargo, em um governo estadual. “Eu trabalhava na administração pública. Chegaram oferecendo uma propina, eu não aceitei e aí começaram as consequências. Chegou um ponto em que fui sequestrado, minha família foi ameaçada e eu não podia ficar sempre na mesma casa. Me levaram, apanhei na cabeça, nas costas. Depois me soltaram, mandaram correr e dispararam tiros. Fiquei muito mal emocionalmente”, contou. Foi quando decidiu sair do país.

Parcerias e cursos

A maioria (72%) dos imigrantes venezuelanos em Roraima está na faixa etária entre 20 e 39 anos; 78% têm nível educacional equivalente ao ensino médio completo e 32% têm curso superior ou pós-graduação. Os dados são de pesquisa feita pelo Conselho Nacional de Imigração (CNIg) na Acnur (Agência da Organização das Nações Unidas para Refugiados), que mostrou que, devido às características dos imigrantes, esse é um contingente com grande potencial de ser “plenamente inserido na sociedade e no mercado de trabalho brasileiro”.

A pesquisa mostrou ainda que políticas de interiorização têm ampla aceitação entre os imigrantes venezuelanos em Roraima – 77% dos entrevistados disseram que aceitariam se deslocar para outro estado caso o governo brasileiro desse apoio. A oferta de trabalho (80%) em outro lugar do país é a principal demanda para aceitar o deslocamento, seguida de ajuda econômica (11,2%) e auxílio-moradia (5,2%). Outro dado marcante é que somente 25% deles pretendem voltar para a Venezuela. Daqueles que pensam em voltar, a maioria (47%) estima um prazo superior a dois anos, mas condicionam o retorno à melhoria das condições econômicas (61%).

Para inserir os imigrantes venezuelanos no mercado de trabalho paulistano, o secretário municipal de Assistência Social contou que há um programa de ensino da língua portuguesa e parcerias para facilitar o contato entre candidatos e empresas. “Temos mantido contato com os consulados dos países que falam a língua espanhola, para que eles possam fazer o contato com empresas, tanto de origem espanhola quanto da América Latina, que facilitem a entrada dessas pessoas, o encaminhamento delas para o mercado de trabalho o mais rápido possível”.

A coordenadora de Políticas para Imigrantes e Promoção do Trabalho Decente da Secretaria de Direitos Humanos de São Paulo, Andrea Zamur, lembrou que a cidade foi a primeira a implementar o Centro de Referência e Atendimento ao Imigrante (Crai), em 2014, que é um espaço onde os imigrantes têm suas demandas ouvidas e são encaminhados para espaços onde seus pedidos poderão ser resolvidos.

“Lá, temos atendentes que são todos imigrantes, então, além da facilidade com o idioma, que geralmente é uma grande barreira, eles também têm familiaridade com a temática migratória. Esse é um espaço muito importante pra gente. É um equipamento de referência para acesso a serviços e direitos”, disse Andrea.

No contexto federal, neste mês, a Medida Provisória 823 destinou verba de R$ 190 milhões ao Ministério da Defesa para assistência emergencial aos venezuelanos. De acordo com o ministério, a verba será aplicada em programas de assistência aos refugiados em Roraima e para melhorar as ações de controle na fronteira.

“Serão executadas as seguintes ações: construção e operação de abrigos, recuperação e ampliação de espaços já existentes, instalação de postos de triagem e identificação, apoio logístico de transporte para interiorização dos imigrantes e intensificação de vigilância na linha de fronteira. Os recursos serão utilizados por demanda, à medida que forem evoluindo as ações. O emprego dos recursos tem como foco imediato a aquisição de artigos de higiene pessoal, alimentação especial para crianças e melhoria de centros de destinos já existentes, para proporcionar condições mais dignas aos imigrantes”, informou a Defesa.

Refúgio ou migração?

Os refugiados, segundo os primeiros acordos internacionais que tratam do assunto (a Convenção de 1951 e o Protocolo de 1967), são pessoas que escaparam de conflitos armados ou perseguições em seu país de origem e, para garantir a segurança, cruzaram fronteiras internacionais. Como é muito perigoso que voltem ao seu país, elas precisam de refúgio em outro lugar, onde possam ter os direitos básicos garantidos.

Já a definição de migrantes, de acordo com o Acnur, inclui aqueles que escolhem se deslocar, principalmente, para melhorar sua vida, buscar oportunidades de trabalho e educação ou procurar viver com parentes que moram fora do país de origem. No entanto, o contexto mundial trouxe a ocorrência de migrações forçadas, em que as pessoas saem de seus países não por causa de uma ameaça direta de perseguição ou morte, mas por uma situação generalizada de violação de direitos, como a fome e o desabastecimento de medicamentos, além de grave crise econômica.

Considerando um novo cenário de fuga de um país de origem, a Declaração de Cartagena (1984) incorporou a definição ampliada de refúgio, o que incluiria entre os refugiados as pessoas que tenham saído de seus países porque a sua vida, segurança ou liberdade foi ameaçada pela violência generalizada, a agressão estrangeira, os conflitos internos, a violação maciça dos direitos humanos ou outras circunstâncias que tenham perturbado gravemente a ordem pública.

Segundo orientação sobre o fluxo de venezuelanos divulgada pela Acnur no início deste mês, as circunstâncias que levaram à saída de cidadãos venezuelanos se encaixam nessa definição ampliada de Cartagena e há, portanto, de acordo com a entidade, “presunção irrefutável de necessidade de proteção internacional”. Apesar disso, o Brasil ainda não concedeu os pedidos de refúgio aos venezuelanos que chegaram aqui devido à recente crise no país.

Para Camila Assano, da Conectas, a entrada em vigor da nova Lei de Migração (13.445/2017) traz novas possibilidades de regularização migratória, além da concessão de refúgio, como autorização de residência para acolhida humanitária, mas a falta da regulamentação da lei (com detalhamento sobre quem pode pedir, como pedir e como essa residência se daria) inviabiliza que esse mecanismo seja usado atualmente com os venezuelanos.

“A nova lei é inovadora e muito avançada porque abre possibilidades de regularização. Uma delas é a autorização de residência por razões humanitárias. Só que essa residência ainda não foi regulamentada, então ela não está sendo aplicada em princípio, até onde sabemos, a nenhuma nacionalidade. A regulamentação é um ato simples, feito por meio de portaria ministerial, então o Brasil só não regulamenta porque não há vontade política”, disse Camila.

Uma das regulamentações necessárias, no entendimento da Conectas, é que, quem tiver concedida a residência por razões humanitárias, tenha a garantia da não devolução, assim como ocorre na concessão de refúgio, que é um dos princípios internacionais humanitários. O outro ponto é especificar, por exemplo, quais os documentos necessários para esse pedido. “Por ser de razão humanitária, as exigências documentais deveriam ser baixas, entendendo que a pessoa está fugindo de uma situação já de distúrbio”, afirmou.

Presidente Temer discute imigração venezuelana em Boa Vista

O presidente Michel Temer chegou a Boa Vista, onde terá reunião nesta segunda-feira (12) com a governadora de Roraima, Suely Campos, e com a prefeita da capital de Roraima, Teresa Surita. Na reunião, Temer deve tratar, entre outros assuntos, da imigração de venezuelanos. A pauta completa da reunião não foi divulgada.
Foto:Reprodução/Rede Amazônica
Temer embarcou na base aérea de Santa Cruz, no Rio de Janeiro. Após a visita, o presidente voltará para a base naval da Restinga da Marambaia, no Rio de Janeiro, onde passa o carnaval com a família.

Segundo o Palácio do Planalto, Temer deve ser acompanhado pelos ministros da Defesa, Raul Jungmann; do Gabinete de Segurança Institucional, Sérgio Etchegoyen; da Justiça, Torquato Jardim, e da Secretaria-Geral da Presidência, Moreira Franco.

A prefeitura de Boa Vista estima que cerca de 40 mil venezuelanos tenham entrado na cidade, ao fugir da crise econômica e política por que passa o país vizinho.

Na sexta-feira (9), Temer disse que a posição do Brasil é uma atuação “diplomática, responsável e contestadora” em relação ao que está ocorrendo na Venezuela e que o Brasil busca ajuda humanitária aos imigrantes que atravessam a fronteira.

Em visita a Boa Vista na semana passada, o ministro da Justiça, Torquato Jardim, anunciou um projeto-piloto para absorver mão de obra de venezuelanos que têm chegado ao país pela fronteira com Roraima.

Os imigrantes tentam escapar da grave crise econômica que assola o país vizinho, que sofre com desabastecimento generalizado de produtos e uma inflação que chega a 700% ao ano.

Ataques

No sábado (10), a Polícia Civil de Roraima prendeu o suspeito de atear fogo em casas onde estavam venezuelanos, em Boa Vista. Ele confessou o crime e, no local da prisão, foram encontrados materiais usados no ataque, como garrafas com álcool e isqueiro. Segundo a Polícia Civil, o guianense Gordon Fowler, conhecido como Jamaica, disse não ter nada especificamente contra as vítimas, e que teve um desentendimento com outros venezuelanos e teve a bicicleta roubada. O acusado disse que “tomou raiva” dos venezuelanos e decidiu se vingar.

Desde o início de fevereiro, houve pelo menos dois ataques a venezuelanos na cidade. O primeiro ocorreu na madrugada de segunda-feira (5), e as vítimas foram uma mulher e um homem que estavam dormindo na varanda de uma casa. O segundo caso foi na madrugada de quinta-feira (8), quando uma mulher e uma menina de 3 anos ficaram gravemente feridas, com boa parte do corpo atingida pelas chamas.

Nos últimos meses, aumentaram os casos de conflito entre brasileiros e venezuelanos em Roraima. Os episódios de xenofobia na região preocupam a polícia. Desde 2016, a migração de venezuelanos aumentou de forma significativa. Segundo cálculos da Prefeitura de Boa Vista, os venezuelanos já correspondem a mais de 10% da população local, de cerca de 330 mil habitantes.

"Atendimento a venezuelanos é questão nacional", diz Jungmann

O governo federal promete ampliar a ajuda ao estado de Roraima em busca de uma solução para os problemas decorrentes da presença de um grande número de imigrantes venezuelanos no estado, principalmente na capital, Boa Vista. A prefeitura estima que cerca de 40 mil venezuelanos se estabeleceram na cidade após fugir da crise econômica e política que o país vizinho atravessa.
Foto:Reprodução/Rede Amazônica
Nesta quinta-feira (8), uma comitiva interministerial partiu logo cedo de Brasília com destino a Boa Vista, onde se reuniu com autoridades locais e conversou com alguns imigrantes. Participaram da missão os ministros da Justiça, Torquato Jardim; da Defesa, Raul Jungmann, e do Gabinete de Segurança Institucional, general Sergio Etchegoyen.

Ao falar com jornalistas, o ministro da Defesa antecipou que o governo estuda medidas para ampliar a participação federal nas fronteiras, além de adotar medidas que possibilitem a interiorização dos imigrantes autorizados a permanecer no país, de forma a aliviar a demanda por assistência em Boa Vista.

Jungmann também comentou a necessidade de viabilizar a realização de um censo a fim de dimensionar o fluxo migratório. “Sabemos que temos um problema a enfrentar. Para resolvê-lo, precisamos saber sua dimensão exata”, disse.

Jungmann se disse chocado com a situação dos venezuelanos, que classificou como uma “questão humanitária”, após conversar rapidamente com alguns dos cerca de 300 venezuelanos que vivem em uma praça de Boa Vista. Eles relataram que vieram para o Brasil em busca de trabalho e de dias melhores. 
Foto:Reprodução/Rede Amazônica
“Estas pessoas não estão aqui porque querem. Eles foram empurrados para cá […] É chocante e teremos que equilibrar a questão humanitária com a situação do estado. Essa é uma situação que todo o Brasil tem que abraçar, pois não é algo com que apenas Roraima e Boa Vista têm que arcar”, acrescentou Jungmann.

Após deixar a praça, a comitiva federal seguiu para o palácio do governo, onde os ministros se reuniram com a governadora Suely Campos (PP). Mais cedo, a assessoria do governo já havia divulgado uma nota em que a governadora se queixa de que, há três anos, o povo de Roraima “vem suportando sozinho o ônus de uma crise humanitária sem precedentes no país”, com impactos sobre a rotina da população.

“Na educação, a demanda de alunos aumentou em 100%. Na saúde, temos um acréscimo de 3.350% no atendimento nos hospitais. Somente na maternidade, nascem, por dia, cinco bebês filhos de venezuelanos. O governo do estado faz o acolhimento humanitário aos imigrantes com apoio exclusivamente das ONGs [Organizações Não Governamentais] e com a solidariedade do povo roraimense, que é acolhedor, que está sensível à situação dos venezuelanos, mas que está tendo dificuldades de acessar os serviços públicos por causa dessa crise”, disse Suely Campos, acusando o crime organizado de se aproveitar da vulnerabilidade dos venezuelanos para cooptar mão de obra para o tráfico de drogas e de armas pesadas.

“Nosso estado não está em condições financeiras para arcar com todo esse processo, e nem é nossa jurisdição”, alertou a governadora, destacando que a política de atendimento a imigrantes é responsabilidade do governo federal.

Governo fará censo de migrantes venezuelanos no Brasil

O governo federal decidiu realizar um censo dos migrantes venezuelanos que entraram no Brasil em razão da crise política e econômica no país vizinho. Diante das informações do levantamento, o Palácio do Planalto analisará novas medidas a serem tomadas.
Com a deterioração da economia do país presidido por Nicolás Maduro, venezuelanos têm cruzado a fronteira e se estabelecido no Brasil, principalmente no estado de Roraima, nas cidades de Pacaraima e Boa Vista. O governo não informou quando será iniciado o censo.
Foto:Reprodução/Rede Amazônica
O tema foi discutido em reunião interministerial realizada nesta terça-feira(30), coordenada pelo ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha. Participaram os ministros Torquato Jardim (Justiça), Raul Jungmann (Defesa), Ricardo Barros (Saúde), Osmar Terra (Desenvolvimento Social), Sérgio Etchegoyen (Gabinete de Segurança Institucional) e do secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores, embaixador Marcos Galvão.
A situação tem sido monitorada pelo governo federal, que dá apoio técnico e financeiro ao estado de Roraima para atender a essa população. Durante a reunião ministerial, ficou decidido que serão intensificadas as ações na região.
No ano passado, foram repassados R$ 793 mil para abrigos destinados a migrantes indígenas e não indígenas. Além disso, foram destinadas 82 toneladas de alimentos para os venezuelanos abrigados em Pacaraima e Boa Vista, além de um repasse de R$ 42,4 milhões pelo Ministério da Saúde.

Venezuela quita dívida de US$ 262 milhões com Brasil e evita calote

A Venezuela quitou uma parcela no valor de US$ 262 milhões, que havia vencido em setembro do ano passado, com o Brasil e evitou um calote, informa nesta quarta-feira (10) o jornal "Folha de S. Paulo".
Foto:Reprodução/ANSA
De acordo com a publicação, o pagamento foi realizado na segunda-feira (8) por "meio da transferência de valores que a Venezuela tem como cotista" do Fundo Monetário Internacional (FMI). No entanto, a parcela de US$ 270 milhões que vence neste mês não entrou no acerto.

O pagamento refere-se aos créditos relativos às exportações cobertas pela Agência Brasileira Gestora de Fundos Garantidores e Garantias (ABGF), que é uma empresa pública, do território nacional para os vizinhos venezuelanos.

Caso não tivesse sido quitado em até 120 dias, ou seja, agora em janeiro, era o Brasil quem deveria pagar o financiamento realizados pelos bancos, neste caso, Banco da China, BNDES e Credit Suisse.

Não apenas o Brasil tem dinheiro a receber do governo de Nicolás Maduro, sendo que China, Rússia e até Moçambique já são afetados pelos atrasos nos pagamentos.

Por conta da situação, diversas agências de classificação de risco já declararam que Caracas está em "default seletivo", ou seja, paga um credor de cada vez - atrasando as parcelas dos outros.

Maduro acusa mídia internacional de 'mentir' sobre Venezuela

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, acusou várias agências internacionais de notícias de promoverem "mentiras" sobre seu governo, publicando informações de uma "suposta crise humunitária" no país. De acordo com o venezuelano, essa crise não existe.

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Em um vídeo transmitido pela emissora de TV pública da Venezuela, Maduro disse que, em 2017, seu governo contabilizou 3,8 mil "notícias negativas" sobre a Venezuela na mídia internacional, ressaltando que 60% das informações foram difundidas pelas agências Reuters (Reino Unido), Associated Press (Estados Unidos), AFP (França) e EFE (Espanha). Da Itália, ele acusou a emissora RAI.

"Assisti a uma reportagem da televisão italiana sobre a situação sanitária da Venezuela, cheia de mentiras que fazem parte da campanha mundial que dirigem de Washington para justificar uma intervenção externa com essa suposta crise humanitária", disse Maduro.

"A reportagem é uma imundice, parte de uma campanha nojenta, que ignora a realidade da saúde venezuelana, assim como o fato de milhares de colombianos se tratarem na Venezuela, pois os hospitais de lá são todos particulares", argumentou.

A Venezuela enfrenta nos últimos anos uma crise econômica e de escassez de alimentos, as quais levaram a um número recorde de mortalidade infantil.

A oposição disse ontem (8) que a inflação no país em 2017 bateu 2.616%, o que representaria um número quatro vezes maior do que o previsto pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Para 2018, a inflação pode chegar a 10.000%.

Brasileiro que foi preso na Venezuela publica relato sobre a situação do país

Após ficar 10 dias preso na Venezuela, o brasileiro Jonatan Diniz utilizou as redes sociais para fazer um relato sobre a situação do país de Nicolás Maduro.

"Venezuela, caso complicado de explicar... meus sentimentos e experiências pelos e com os venezuelanos e a atual situação do país daria mais que um livro certamente. Mas tentarei resumir em um post a parte da situação que acredito que as pessoas estão prontas para receber como verdade", publicou o catarinense, que foi libertado no último sábado (6).

Ele tranquilizou familiares, amigos e seguidores afirmando que está seguro, mas sem revelar a sua atual localização.

"Estou bem e em segurança, reservo meu direito de manter sigilo de onde estou ou para onde vou, espero que compreendam, tenho minha vida pessoal e particular", escreveu.

Confira o relato na íntegra:

Venezuela caso complicado de explicar… meus sentimentos e experiências pelos e com os venezuelanos e a atual situação do país daria mais que um livro certamente. Mas tentarei resumir em um post a parte da situação que acredito que as pessoas estão prontas para receber como verdade.

Fui para Venezuela a primeira vez em 2016 como mochileiro, qual cruzei de ônibus um total de 7 países sul-americanos em 45 dias e se não me engano fiquei 6 dias nessa ocasião em território Venezuelano. Venezuela foi o primeiro país que em 1 hora que eu havia colocado o pé nele, já estava no apartamento de alguém que jamais havia visto na vida, comendo uma arepa (comida típica Venezuelana) e compartilhando boas experiências sem me cobrarem um centavo pela comida, pelo metrô e muito menos pela hospedagem no apartamento de um querido casal qual eu somente havia perguntado de início uma simples informação no meio da rua.

Me interei primeiro assim sobre a situação, meio por cima e realmente me surpreendeu que com tantos problemas esse povo poderia ser tão receptivo e amável como são.

Semanas depois, por destino, acabei me apaixonando por uma venezuelana qual não tenho intensão alguma de colocá-la em todas essas notícias como eu também não tenho intensão alguma e nunca tive de pessoalmente sair em qualquer tipo de mídia ou me aproveitar dessa situação para algo pessoal ou fama (ou se quer havia imaginado a proporção que uma prisão se tornaria). Eu e ela namoramos por um ano e por todo esse ano me interei mais e mais sobre Venezuela e sua situação.

E assim dia após dia fui pegando mais carinho por esse país e essas pessoas. Quando terminamos a relação (nesse momento vivíamos em Quito, Equador), decidi por conta própria ir viver na Venezuela e saber mais afundo o que é verdade e o que é mentira que falavam de Venezuela. Participei de muitos projetos de voluntariado em filantropia e nos 3 meses que estive lá dei bastante suporte na parte de fotografia. Sendo minhas fotos usadas por diversas instituições e até minha cara muitas vezes sem nem eu saber sendo usada em campanhas publicitárias para arrecadação de doações. NUNCA COBREI 1 CENTAVO POR NENHUMA FOTO QUE ENVIEI OU NENHUMA FOTO QUE USARAM MINHA PARA AS CAMPANHAS, COMO TAMBÉM POUCO ME IMPORTA SE USARAM MINHA FOTO COM OU SEM AUTORIZAÇÃO, porque o importante é que de algum jeito essas pessoas estavam ajudando as crianças em perigo de morte por desnutrição com doações.

Os 3 meses que vivi lá (entre Maio e Agosto 2017, justo nos protestos mais fortes que Venezuela já teve), eu sim fui a muitos protestos (como observador, jamais toquei em uma arma), sim, odiei muito Maduro nesse tempo por todas as bombas lacrimógenas que tive que respirar e sim, vi muita barbaridade tanto de um lado quanto do outro. Quando eu não chorava pela notícia de mais um jovem assassinado que batalhava por liberdade e por um país melhor, eu chorava por ver crianças de 5, 6 anos prepararem bombas molotov no meio da avenida para se prepararem para os confrontos, enquanto eu via adultos de 20, 30, 40, 50, 60, 70 anos olharem a situação e não fazerem MERDA NENHUMA para afastar aquelas crianças do perigo, e pior, se eu tentava falar para as crianças não fazerem isso ainda sofria ameaças. De verdade, todos os dias era normal chorar umas 2 horas todas as manhãs ao acordar antes de começar a trabalhar, porque é impossível você ver tanta loucura, irresponsabilidade, sangue derramado e tudo por sede ao poder de ambos os lados políticos e ver os jovens que somente querem o direito de viver em um país melhor morrerem ou chorarem por ter que deixar o país que amam porque já não tem dinheiro nem para uma farinha de trigo.

Você brasileiro que vive com a realidade de um salário mínimo de cerca de 300$ mensais e tem que sustentar 2 filhos já se vê em apuros para sobreviver, agora imagina como é a realidade de uma família Venezuela de baixa renda, que o salário mínimo deles é menos de 10$ mensais, já pensou o que você seria capaz de fazer para não deixar seus filhos morrerem de fome? Quem saiba agora você comece a entender porque Caracas (Capital Venezuelana) é a cidade mais perigosa do mundo.

O que mais me indigna é que a direita faz cagada, a esquerda faz cagada, o mundo inteiro vê crianças morrerem de fome e ninguém faz MERDA NENHUMA PARA AJUDAR e ainda criticam e colocam na prisão os que tentam fazer! No final das contas essa não é só uma avaliação a respeito do que os Venezuelanos estão sofrendo ou fazendo com seu país, mas sim uma avaliação de o que nós humanos estamos vendo e fazendo a respeito… NADA!!!

É muito fácil sempre jogar a culpa nos governos, é sempre muito fácil achar um culpado, porém ninguém quer culpar o próprio espelho pela situação caótica que o mundo vive. Como você quer um mundo melhor se você não fizer nada??? Um conselho… Esperar governos resolverem a situação da fome no mundo é utopia, tentar ser humano de fato e compartir o que você tem com quem necessita não é mais que sua e minha obrigação como HUMANOS!

E para finalizar, o que passou este fim de ano é que decidí ir para Venezuela doar boa parte (a maioria na verdade) do dinheiro que eu tinha e conquistei com muito trabalho digno para iniciar o projeto @timetochangetheearth junto com amigos ao redor do mundo, que nada mais era que doar roupas, comidas, brinquedos e o que necessitasse para quem realmente precisasse. E o mais importante, tentar de alguma maneira mudar a mentalidade das pessoas, tentar encontrar uma maneira de em vez de guerrear, unir as partes para todos lutarem pelo mesmo objetivo.

Eu não me envolvo em política, não me envolvo em nenhum desses teatros criados por pessoas ocultas para fazermos acreditar que existe democracia. Eu não sou lado A nem lado B… Eu só não quero ver crianças morrerem por nossa culpa, por o que nós adultos criamos na Terra, e sim! Criamos um inferno para muitas almas. Se você que tem comida na sua mesa e para seu filho, soubesse ou visse pessoalmente as coisas que eu vi, entenderia que não há lógica nenhuma você se preocupar em dar um vídeo game novo para filho no Natal sabendo que outra criança está sendo enterrada por não ter 1 centavo de dolar (nessa ocasião cerca de 1.000Bs) para comprar comida.

Me comove muito a união que o povo brasileiro teve para me ajudar e me tirar da prisão, de verdade, sem palavras, pela primeira vez em minha vida vi nós brasileiros provarmos que somos mais fortes que governos. Como sempre disse e sempre vou dizer, o povo não deve temer o governo, o governo deve temer o povo, e em realidade, SERVIR o povo. O povo tem a força para fazer esse mundo melhor, basta nos movimentarmos e não usarmos somente orações mas sim ações para que isso torne-se realidade. Para finalizar minha reflexão sobre todo o ocorrido… “DEUS não pode mudar o mundo com o poder das suas orações, mas você pode mudar o mundo com o poder que DEUS te dá orando e principalmente AGINDO!”

Um fortíssimo abraço a todos que me apoiaram nessa jornada, sintam-se todos fortemente abraçados por mim e por DEUS. Não tenho intenção de expor minha vida pessoal, promover meu trabalho e nem tirar qualquer proveito pessoal do ocorrido, simplesmente ajudo pessoas sem esperar nada em troca, e isso é ajudar de verdade. Continuarei minha vida normal como sempre, peço que não me chamem para entrevistas ou algo a respeito, o que tenho que dizer, digo aqui e enviarei energia positiva para que quem saiba com toda essa repercussão mais gente acorde e comece a fazer não mais que suas obrigações, AMAR O PRÓXIMO COMO A TI MESMO!

*estou bem e em segurança, reservo meu direito de manter sigilo de onde estou ou para onde vou, espero que compreendam, tenho minha vida pessoal e particular.

Entenda o caso

Ele foi detido no dia 28 de dezembro pelas forças de segurança da Venezuela, no estado de Vargas. Segundo a agência oficial de notícias do país, o jovem foi acusado de manter atividades desestabilizadoras contra o regime de Nicolás Maduro.

Ele e três venezuelanos fariam parte da organização não governamental Time to Change the Earth (Tempo de Mudar a Terra, em tradução livre). Para o governo, a entidade seria uma “organização criminosa com tentáculos internacionais”, que distribuiria alimentos e bens a moradores de rua com o objetivo de obter recursos em moeda nacional com vistas a promover ações contra o governo.

Retrospectiva: o ano que a oposição desfaleceu na Venezuela

Em mais um ano de crise política, econômica e social, a Venezuela enfrentou uma situação um pouco diferente em 2017, com a oposição perdendo força devido a um racha na Mesa de Unidade Democrática (MUD).


Desde o início do governo de Nicolás Maduro, em 2013, as crises na Venezuela do partido foram aumentando, o que fez a oposição ganhar influência na sociedade. O ápice foi a eleição de uma Assembleia Nacional com ampla maioria opositora, no fim de 2015.


Mas, com a retirada dos poderes do Legislativo em manobras de Maduro e, principalmente, com a convocação e a eleição da Assembleia Constituinte em julho deste ano, que só tem parlamentares pró-governo, a MUD perdeu força por conta das divisões internas e virou uma incógnita.


"O problema da MUD, podemos dizer, é estrutural, porque é um conjunto muito heterogêneo de partidos. O que eles têm em comum é que são contra o chavismo. Mas não têm um plano juntos e possuem dois setores muito diferentes - um mais duro, liderado por Leopoldo López, e outro que aceita negociar com o governo", explicou o professor de História e Relações Internacionais da Unesp, Luis Fernando Ayerbe.


Segundo o especialista, o grupo liderado por López apostou em endurecer posição diante da nova Constituinte, em convocar os protestos e em não aceitar também a eleição para os governos dos departamentos. Por outro lado, após a vitória nas eleições regionais, há um grupo que aceitou o juramento para a Assembleia Constituinte e acredita que pode governar dessa nova maneira imposta por Maduro. "Na minha opinião, eles estão apostando nas eleições presidenciais. Se tiverem um candidato único, têm grandes chances. Se dividirem, Maduro vence", acrescentou Ayerbe.


Para o professor de Relações Internacionais do Mackenzie Francisco Américo Cassano, o enfraquecimento da MUD decorreu também da questão da Constituinte e das eleições regionais.


"Face às regras que orientaram o processo e que foram sabidamente preparadas pelo governo Maduro, foi uma decisão equivocada da oposição por ratificar o que havia sido contestado em função das fraudes existentes".


O episódio relatado pelos dois especialistas recai, especificamente, na posse de quatro dos cinco eleitos pela oposição nas eleições regionais. Todos pertencem ao Ação Democrática, partido liderado pelo opositor Henry Ramos Allup.


Antonio Barreto, em Azoátegui, Ramón Guevara, em Mérida, Laidy Gómez, em Táchira, e Alfredo Díaz, de Nueva Esparta, prestaram juramento e assumiram seus cargos. Já Juan Pablo Guanipa, eleito o governador do estado de Zulia, manteve sua posição de não jurar para a Constituinte "fraudulenta", e o governo Maduro convocou novas eleições para a região.


- Eleições presidenciais: Maduro confirmou que a Venezuela irá às urnas para escolher seu presidente no fim de 2018, mas afirmou que proibirá a oposição de participar do pleito por conta do "boicote" na disputa das eleições municipais, realizadas no início de dezembro.


Para Ayere, a postura de Maduro de "usar expedientes casuísticos" é algo que "chama atenção" e que já foi usada mais de uma vez pelo presidente durante seus quatro anos de governo.


Ele criou a Constituinte, que era algo considerado absurdo, mas que acabou ocorrendo. Ele faz isso com frequência. Então, não é inesperado ele impugnar a oposição", diz o especialista.


Para Cassano, Maduro pode usar o momento do enfraquecimento da oposição para antecipar o pleito "para o início de 2018, em função dos resultados verificados nas eleições municipais".


"Isso significa que há um forte sentimento da vitória chavista e que isso resultaria em maior apoio à reeleição de Maduro", acrescentou.


No entanto, Ayerbe destacou que o agravamento da crise econômica pode ser um ponto contra o presidente, que "não tem respostas para tirar o país dessa situação". "Ele depende muito da Rússia e da China na economia", diz o professor da Unesp, ressaltando que os chineses já começam a olhar a situação com cautela, já que a Venezuela já está sendo considerada uma nação em "default seletivo" - ou seja, paga determinadas dívidas, enquanto deixa outras em aberto.


"A economia venezuelana não desfruta de sinais esperançosos, pelo contrário a situação internacional tende a piorar e, com isso, o abastecimento interno estará ainda mais prejudicado e com graves consequências para a população", acrescenta ainda o especialista do Mackenzie.


Para Ayerbe, essa situação da crise político-econômica do país ficará ainda mais "preocupante" se ela "não for resolvida de maneira eleitoral". Ele ressalta o risco mais grave do que chamou de "intervenção interna", com diversos setores da sociedade protestando e levando o país ao colapso.


Outro fator problemático para a nação são as possíveis novas sanções norte-americanas na economia, como na questão da exportação do petróleo. Os Estados Unidos são um dos principais clientes do país e, se Donald Trump decidir cortar isso, a estatal petrolífera PDVSA pode não conseguir sair da situação precária em que está.


Recentemente, a empresa anunciou a reestruturação de sua dívida, a venda de parte de seus campos para a russa Rosneft e a quitação de US$ 593 milhões para os credores. A dívida da empresa já ultrapassa os US$ 150 bilhões.


Ou seja, os resultados eleitorais de 2018 estarão ainda mais ligados à economia e, se Maduro der passos mais duros contra a oposição, como o impedimento de disputar as eleições, a Venezuela poderá mergulhar em uma crise muito mais profunda e complicada.


Imigração


Um dos resultados mais visíveis da crise econômica na sociedade é o drástico aumento na imigração de venezuelanos para outros países. Colômbia, Brasil, Chile e Estados Unidos lideram a lista daqueles que mais receberam os cidadãos do país que fogem em busca de uma vida melhor.


Para Ayerbe, toda a questão de aprofundamento da crise econômica, levará a "um agravamento ainda maior da imigração". "Maduro se fortaleceu politicamente, mas não sabe qual resposta dar para o agravamento da crise econômica", ressalta o professor da Unesp.


Autoridades do norte do Brasil informam que até 30 mil venezuelanos já chegaram à região até o momento, número que fica bem abaixo dos 300 mil que foram à Colômbia. No entanto, os países sul-americanos já organizaram diversas reuniões para debater a crise migratória.


Intervenção internacional


Sobre a possibilidade de intervenção internacional, os especialistas apontam pontos de vista diferentes. Para Ayerbe, para que isso ocorra, seria necessário um apoio maciço dos países vizinhos e, "sem pensar em ideologias políticas", nenhum deles mostrou que está disposto a apoiar uma "intervenção externa".


Ele lembra que, quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, falou em uma "opção militar" para a Venezuela, a reação foi dura de todos os países da América do Sul - seja aqueles que tem governos mais à direita ou à esquerda.


"Por causa desse cenário, eu acredito que esteja descartado que os EUA façam uma aventura assim", ressalta o professor.


Já o professor Cassano ressaltou que a "comunidade internacional, através da ONU, tem a responsabilidade de proteger a população mundial e, em especial, dos países que afrontam os direitos humanos e sociais".


"No caso da Venezuela, há flagrante desrespeito pelas condições de vida de seus habitantes e, caso isso persista por um período mais longo, não está descartada a intervenção internacional nesse país. No entanto, para que isso ocorra tem que ser esgotados os mecanismos de negociação existentes", ressalta o especialista do Mackenzie. 

Fome mata número recorde de crianças na Venezuela, diz NYT

Desde 2014, quando a economia da Venezuela começou a entrar em colapso, o problema da fome passou a assombrar a população mais carente do país. Mas, nos últimos dois anos, a desnutrição chegou a um nível alarmante, com um número recorde de crianças mortas pela fome, segunda uma investigação do jornal "The New York Times".

O periódico norte-americano passou cinco meses na Venezuela e, de acordo com médicos de 21 hospitais públicos do país, as salas de emergência de hospitais de 17 estados estão abarrotados de crianças em um quadro grave de desnutrição. Segundo eles, a situação pode ser comparada às emergências em campos de refugiados.

Os especialistas informaram que, até 2016, a maioria dos casos de desnutrição infantil era relacionada a maus tratos na família. Agora, quase a totalidade dos casos é gerada pela escassez de alimento e da pobreza na Venezuela. Nos últimos dois anos, triplicou o número de crianças vítimas da fome.
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"Às vezes, eles morrem de desidratação nos meus braços. Em 2017, o aumento foi terrível. As crianças chegam com o mesmo peso e tamanho de um recém-nascido", disse Milagros Hernández, médica de um hospital público da cidade de Barquisimeto, no norte da Venezuela.

Para sobreviverem, as famílias de baixa renda na Venezuela se juntam, em uma espécie de gangue, para vasculhar os lixos de restaurantes. A disputa pelos restos de comida é tão intensa que muitos carregam na pele algumas cicatrizes de briga de faca para conseguir levar algo para suas casas.

Os pais, preocupados com a vida de seus filhos, ficam sem comer e, consequentemente, chegam a ter o mesmo peso que suas próprias crianças. Além disso, diversas mulheres estão aparecendo em clínicas de esterilização para não ter bebês que não possam alimentar.

O governo venezuelano, comandado pelo presidente Nicolás Maduro, tenta esconder as estatísticas negativas no setor da saúde, impondo medo aos profissionais que relatarem as mortes por desnutrição.

A Venezuela não divulgou, por quase dois anos, nenhum dado ou boletim que informe a taxa de mortalidade infantil no país. Porém, um link que apareceu em abril no site do Ministério da Saúde venezuelano informou que 11.446 crianças com menos de um ano morreram desnutridas em 2016 na Venezuela, ou seja, um aumento de 30 % em um ano. Um relatório de 2015 do mesmo Ministério indicou que, desde 2012, o índice de mortalidade de bebês de até quatro semanas subiu de 0,2% a 2%.

Os dados destes documentos ganharam repercussão tanto nacionalmente quanto internacionalmente e, após isso, foram rapidamente apagados. Em resposta, o governo venezuelano explicou que o site foi hackeado, além de ter demitido a ministra da Saúde e passado a monitorar a publicação destes boletins.

"Em alguns hospitais públicos, os diagnósticos clínicos de desnutrição foram proibidos", explicou Huníades Urbina Medina, presidente da Sociedade Venezuelana de Pediatria.

Mesmo assim, em entrevista ao NYT, médicos de nove hospitais disseram ter feito uma estimativa própria. Em um ano, eles contabilizaram 2,8 mil casos de má-nutrição, com 400 mortes infantis.


Já um relatório recente das Nações Unidas e da Organização Pan-Americana da Saúde estima que 1,3 milhão de pessoas que costumavam se alimentar na Venezuela passaram a ter dificuldades desde nos últimos três anos.

Maduro reconhece o agravamento da fome na Venezuela, mas culpa os adversários estrangeiros, como os Estados Unidos, pela crise econômica no país. O líder venezuelano também está se recusando a aceitar ajuda internacional para combater a desnutrição.

A Venezuela possui uma das maiores reservas de petróleo do mundo, mas, de acordo com especialistas, a má gestão do país contribuiu para a crise econômica atual. Já o Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou que a inflação na Venezuela poderá chegar a 2.300% em 2018.