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Quinta, 13 Mai 2021

Cientistas garantem: recifes da Amazônia existem, e estão vivos

Chegaram a dizer que eles estavam mortos, ou nem mesmo existiam; como um “fake news” da ciência. Nada disso. Os recifes da Amazônia existem, sim; estão vivos e passam muito bem, obrigado — pelo menos por enquanto —, segundo um novo trabalho publicado por cientistas da Universidade de São Paulo (USP) e outras cinco universidades públicas de pesquisa, na revista Scientific Reports.

Foto:Ronaldo F.F./Greenpeace


As conclusões são baseadas na datação de rochas e organismos que compõem os recifes marinhos localizados na foz do Rio Amazonas, entre os Estados do Maranhão e do Amapá. Descobertos há apenas cinco anos, eles formam o que os cientistas hoje chamam de Grande Sistema de Recifes do Amazonas (GARS, em inglês), com 56 mil quilômetros quadrados de extensão — do tamanho do Estado da Paraíba.


Assim como no caso da Grande Barreira de Corais da Austrália, não se trata de um único gigantesco recife, mas de uma grande rede de ambientes recifais que se conectam ecologicamente, formando o que os pesquisadores acreditam ser um “corredor de biodiversidade” entre o Mar do Caribe e o Atlântico Sul.


“É uma área extremamente complexa, com uma diversidade enorme de habitats”, diz o pesquisador Ronaldo Francini Filho, da Universidade Federal da Paraíba.


A descoberta causou surpresa mundial em 2016 — pois muitos não acreditavam ser possível haver um ecossistema desse tipo debaixo da pluma de água doce e barrenta do Amazonas — e acabou gerando uma situação de conflito entre cientistas, ambientalistas, políticos e empresas privadas, interessadas em explorar petróleo e gás na região. A organização não-governamental Greenpeace abraçou a causa e lançou uma campanha mundial pela proteção dos “corais da Amazônia”, exigindo a exclusão de atividades petrolíferas do local.


Foto:Reprodução/Jornal da USP

Nesse contexto, alguns pesquisadores passaram a questionar a existência do GARS, argumentando que não havia luz suficiente debaixo da pluma para sustentar um ecossistema recifal e que os tais recifes, na verdade, eram estruturas pré-históricas, sem vida, já mortas e soterradas pela lama. Parlamentares, militares, empresários e alguns cientistas da região começaram a se referir aos recifes como fake news.


Não faltam evidências, porém, da existência deles, incluindo centenas de horas de vídeo, fotografias, imagens de sonar, amostras físicas de rochas, sedimentos e organismos marinhos de diversos tipos. O trabalho que sacramentou a descoberta, em abril 2016, na revista Science Advances, é assinado por 39 pesquisadores, de 14 instituições; e vários outros estudos já foram publicados sobre o GARS desde então, aprofundando o conhecimento científico sobre ele. Uma descrição mais detalhada foi publicada em abril de 2018, na revista Frontiers in Marine Science.


“É um debate entre opiniões e evidências científicas”, diz o pesquisador Eduardo Siegle, do Instituto Oceanográfico (IO) da USP, coautor de diversos trabalhos sobre os recifes.


“Negar a existência dos recifes é como negar o desmatamento da Amazônia”, compara Francini Filho, que foi o primeiro cientista a mergulhar na região com um minissubmarino (o Deep Worker, do Greenpeace) e ver os recifes do Amazonas com os próprios olhos, em 2017. “Realmente, causa perplexidade ver alguns colegas assumirem essa posição.”


A questão da disponibilidade de luz já foi resolvida por um estudo publicado no ano passado, na revista Continental Shelf Research, mostrando que, mesmo nas regiões mais densas da pluma, há uma incidência mínima de luminosidade sobre o leito marinho, que é suficiente para manter um ecossistema recifal funcionando.
Foto:Ronaldo F.F./Greenpeace


Já esse novo estudo, publicado dia 23 na Scientific Reports, desmonta o argumento de que os recifes estão mortos, usando datações diretas de sua estrutura para demonstrar que eles continuam crescendo, em todos os setores do GARS, de norte a sul.


“Mesmo debaixo da pluma, os recifes estão vivos”, destaca Michel Mahiques, professor do IO-USP e especialista em sedimentologia marinha, que liderou o estudo. “Datamos diretamente o calcário dos recifes, e não há dúvida de que eles estão crescendo.”


Ele ressalta que as datações foram realizadas no laboratório Beta Analytics, nos Estados Unidos, “considerado o maior laboratório comercial para cronologia de radiocarbono no mundo”, e que a coleta das amostras foi realizada a bordo do Navio Hidroceanográfico Cruzeiro do Sul, da Marinha do Brasil, “seguindo os mais estritos padrões de amostragem oceanográfica”.


Historicamente, os resultados indicam que os recifes começaram a se formar no setor norte do GARS (o mais escuro atualmente, por conta da pluma de sedimentos do Amazonas, que flui principalmente naquela direção), entre 14 mil e 12 mil anos atrás. Depois, pararam de crescer por um período de 5 mil anos, em que o nível do mar subiu rapidamente, intensificando os efeitos da pluma. A partir de 7 mil anos atrás, em condições mais favoráveis, voltaram a crescer e começaram a se espalhar para o sul, até atingir sua configuração atual.





Nesse ponto, é importante entender o que é um recife e como ele funciona. Recifes são estruturas rígidas de origem biótica — ou seja, construídas por organismos vivos, via deposição de carbonato de cálcio — que servem de habitat para diversas espécies de fauna e flora marinha.


Os mais famosos são os recifes coralíneos, construídos e cobertos por corais, como os clássicos recifes coloridos de águas rasas do Caribe e da Austrália. Mas eles não são os únicos. Muitos recifes, especialmente os que crescem em ambientes mais fundos e menos luminosos (chamados mesofóticos), como é o caso de muitos recifes brasileiros, são construídos por algas calcárias e outros organismos, que também depositam carbonato de cálcio, mas não precisam de tanta luz para sobreviver. Eles podem até ter corais crescendo sobre eles, mas isso não significa que os corais sejam seus principais construtores. Fazendo uma analogia, é como se o coral fosse um inquilino, vivendo num prédio construído por outros organismos.


Esse é o caso dos recifes do Amazonas, que são estruturas construídas principalmente por algas calcárias, em ambientes mesofóticos e rarifóticos (entre 70 e 220 metros de profundidade, na sua maioria), com baixa ocorrência de corais — mas que, mesmo assim, sustentam uma grande diversidade de vida marinha.


Por isso, mesmo concordando com a necessidade de proteção, muitos pesquisadores discordam do slogan “corais da Amazônia”, usado pelo Greenpeace — já que os corais, de fato, não são os organismos predominantes nesse ecossistema. “Isso dá brecha para os negacionistas dizerem que os recifes não existem”, reclama Mahiques. “Funciona bem para o Greenpeace, mas não ajuda quem faz ciência. O mais importante, nesse caso, não são os corais, mas toda a biodiversidade marinha que esses recifes possibilitam existir ali”, acrescenta.

Foto:Ronaldo F.F./Greenpeace


Os pesquisadores acreditam que o GARS funciona como uma ponte — ou mais simbolicamente, um túnel — entre os ecossistemas marinhos do Caribe e do Atlântico Sul, permitindo que espécies transitem de uma região para outra, passando por baixo da pluma do Amazonas; o que ajudaria a explicar algumas semelhanças entre a biodiversidade marinha daqui e de lá.


Eles estimam que só 5% desse grande sistema foi investigado cientificamente até agora. Ou seja, há muita coisa para se descobrir ainda.


Greenpeace divulga mais imagens inéditas dos corais da Amazônia

Imagens dos corais da Amazônia captadas neste sábado (28), do submarino lançado do navio Esperanza, na costa do Amapá. Foto: Divulgação/Greenpeace
O Greenpeace divulgou nesta segunda-feira (30) mais imagens inéditas dos corais da Amazônia, formação de recifes com 9.500 quilômetros quadrados (km²) na costa do Amapá, entre o Maranhão e a Guiana Francesa. As fotos mostram mais detalhes sobre a vida submarina encontrada por cientistas no local. As primeiras imagens foram divulgadas neste sábado (28), quando a expedição teve início.
Imagens dos corais da Amazônia captadas neste sábado (28), do submarino lançado do navio Esperanza, na costa do Amapá. Foto: Divulgação/Greenpeace
O submarino de dois lugares, tripulado pelo piloto John Hocevar, da campanha de Oceanos do Greenpeace Estados Unidos, e pelo professor de Biologia Marinha Ronaldo Francini Filho, da Universidade Federal da Paraíba, em duas horas de mergulho, localizou um paredão de carbonato de cálcio a 220 metros de profundidade e a mais de 100 km da costa brasileira.
Imagens dos corais da Amazônia captadas neste sábado (28), do submarino lançado do navio Esperanza, na costa do Amapá. Foto: Divulgação/Greenpeace
No recife, foram observados corais, esponjas e rodolitos (algas calcárias), peixes como o atum e a cioba e peixes herbívoros, o que comprova a presença de algas, apesar da pouca luz do sol que chega até lá. “Ali existe um ecossistema bem diverso. Em boa parte do recife, o chão é cheio de vida. Estou me sentindo como alguém que volta de outro planeta”, conta Ronaldo. O mais surpreendente para o cientista foi ver alguns peixes-borboletas que segundo ele, podem ser de uma nova espécie.
Imagens dos corais da Amazônia captadas neste sábado (28), do submarino lançado do navio Esperanza, na costa do Amapá. Foto: Divulgação/Greenpeace
Para Thiago Almeida, da campanha de Energia do Greenpeace Brasil, as imagens mostram o que está em risco caso empresas explorem petróleo na região. “Ainda pouco conhecemos esse ecossistema e um vazamento poderia ser desastroso. Um dos blocos de petróleo está a apenas oito quilômetros do recife. Devemos defender toda a região da bacia da foz do rio Amazonas da ganância corporativa que coloca o lucro à frente do meio ambiente. Os processos de licenciamento ambiental já estão a caminho", afirma.
Imagens dos corais da Amazônia captadas neste sábado (28), do submarino lançado do navio Esperanza, na costa do Amapá. Foto: Divulgação/Greenpeace
De 23 de janeiro a 10 de fevereiro, uma equipe do Greenpeace e de cientistas estará na costa do Amapá, a bordo do maior navio da organização, o Esperanza, para registrar as primeiras imagens deste novo bioma, cuja descoberta foi anunciada ao mundo apenas no ano passado. A expedição faz parte da campanha 'Defenda os Corais da Amazônia', que pede que as empresas Total e BP cancelem seus planos de explorar petróleo na Foz do Amazonas. 
Imagens dos corais da Amazônia captadas neste sábado (28), do submarino lançado do navio Esperanza, na costa do Amapá. Foto: Divulgação/Greenpeace  
Imagens dos corais da Amazônia captadas neste sábado (28), do submarino lançado do navio Esperanza, na costa do Amapá. Foto: Divulgação/Greenpeace  
Imagens dos corais da Amazônia captadas neste sábado (28), do submarino lançado do navio Esperanza, na costa do Amapá. Foto: Divulgação/Greenpeace 

Casarão de Ideias recebe o 2° Festival Amazonas de Corais

Coral da UEA. Foto: Divulgação/Casarão de Ideias
Por três dias Manaus se tornará a capital dos corais com a segunda edição do Festival Amazonas de Corais, o Famcor. O evento acontece de 22 a 24 de setembro e contará com a apresentação de 24 grupos em nove espaços culturais da cidade, sempre das 19h às 22h. A abertura acontece na quinta-feira (22), às 10h30 no Hall do Teatro Amazonas, com os corais Vozes da Educação, Tom Sobre Tom (da Bahia) e Unimed (de Fortaleza). Toda a programação é gratuita e visa difundir e promover o segmento musical como atração cultural e turística no Estado.
Os demais locais que irão receber concertos são Auditório do ICBEU, Casarão de Ideias, Parque Cidade da Criança, Galeria de Artes do ICBEU, Auditório da Fundação Mathias Machiline, Auditório da UEA, Igreja Messiânica e Teatro da Instalação, que será o local da mostra oficial nos três dias.

Programação da mostra oficial

O público poderá conferir no primeiro dia da mostra oficial, com apresentações sempre das 19h às 22h, o espetáculo de Bossa Nova do Coral da UEA, do Coral da Sefaz, da CMM, Vozes de Júbilo, do ITB, do Projeto Musicando da UEA e do Coro Messias.

No dia 23, a segunda noite será aberta com o Coral Infantil da Fundação Glomam, Coro Esperança, Tubones, Coral da UEA, Coral Indígena Myra Yiá, Tom Sobre Tom (da Bahia), Unimed (Fortaleza) e Coral Universitário Ufam.

O último dia contará com apresentações do Coral Infantil do Liceu, Glaudium, Vozes da Educação, Maestro Gorski, Coral TCE-AM, Coral Adventista do Sétimo Dia da Zona Sul e GVCA.

"O festival leva o nome do Amazonas, tem a nossa identidade e é feito principalmente por pessoas do Estado e principalmente para o público amazonense. Queremos mostrar que há artistas fabulosos aqui, principalmente da música de coral. Convidamos o público para conhecer músicas com arranjos para corais. Vai ter um repertório preparado para encantar o público", declarou o diretor artístico do festival, Fabiano Cardoso.  A programação completa do 2° Festival Amazonas de Corais está disponível no site.

Oficinas 
Vozes da Educação. Foto: Divulgação/Casarão de Ideias
Além dos grupos de canto, o evento terá uma ampla programação acadêmica, composta por três oficinas, que proporcionará acesso a novas técnicas através do contato com profissionais renomados.

A Oficina de Regência será ministrada pelo maestro Hermes Coelho (dia 22, no Auditório do ICBEU, na avenida Joaquim Nabuco, no Centro). A Oficina de Canto será comandada por Duany Parpinelli (dia 23, às 14h, no Casarão de Ideias, na rua Monsenhor Coutinho, 275, no Centro). A Oficina de Canto Coral Infantil será ministrada pelo professor Isaías Monteiro (dia 24, às 10h, no Auditório da UEA, unidade da avenida Leonardo Malcher, no  bairro Praça 14).

"Ficamos felizes em receber o festival, porque está dentro da nossa proposta, que é receber manifestações de todas as linguagens artísticas, além de ser um local de formação. Estamos nos grandes circuitos de todas as linguagens artísticas. Isso enriquece ainda mais o nosso fazer cotidiano", disse o produtor cultural e gestor do Casarão de Ideias, João Fernandes, acrescentando que o ponto de cultura também receberá no dia 23, a partir das 16h, a apresentação do Coral da UEA, Vozes da Educação e Vozes da AEA/AM. As vagas nas oficinas serão preenchidas conforme a lotação dos espaços.