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Segunda, 10 Mai 2021

Acre confirma mais de 5,4 mil casos de dengue em 2020 e tem 15 cidades com risco de surto da doença

Dados são de casos notificados até a semana epidemiológica 51, que corresponde até o dia 19 de dezembro. Das mais de 12 mil notificações, 5.429 deram positivos para dengue em todo Acre.

Porto Velho registra quase 250 casos de dengue de janeiro a setembro de 2020

Novo levantamento para medir índice de infestação pelo Aedes aegypti em Porto Velho começa na segunda-feira, 26. Ao todo, 7 mil imóveis foram sorteados para participar da pesquisa.

População da Amazônia deve reforçar vigilância contra o mosquito da dengue

Ministério da Saúde recomendou aos municípios brasileiros a suspensão do Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti.

Ambiente silvestre: Cientistas alertam para risco de chikungunya em áreas de mata

O vírus da chikungunya pode sair das cidades para as matas brasileiras, tornando-se silvestre e impossibilitando a erradicação da doença no país. O alerta é de cientistas dos institutos Oswaldo Cruz e Pasteur, na França, que tiveram artigo publicado na revista científica internacional PLOS Neglected Tropical Diseases.

O documento foi divulgado nesta semana pela Fundação Oswaldo Cruz, no Rio. O processo é semelhante ao da febre amarela, doença de origem africana que se tornou endêmica no Brasil e, de tempos em tempos, espalha-se das matas para áreas urbanas.
Foto: Divulgação
Na pesquisa coordenada pela Fiocruz, os cientistas constataram que mosquitos silvestres como o Haemagogus leucocelaenus e a Aedes terrens, comuns na América do Sul, são capazes de transmitir o vírus da chikungunya entre três e sete dias, o que significa alto potencial de disseminação.

Hoje, tanto a chikungunya, também de origem africana, como a febre amarela são transmitidas no Brasil pelo mosquito Aedes aegypti. As duas doenças provocam febres e fortes dores pelo corpo.

Nas cidades, o transmissor da chikungunya é o mosquito Aedes aegypti, que se infecta picando uma pessoa doente e transmitindo para outras pessoas. Na floresta africana, onde foi identificada, os mosquitos silvestres contraem o vírus picando macacos doentes. A infecção humana só ocorre por acidente, quando uma pessoa é picada na mata.

Segundo o chefe do Laboratório de Mosquitos Transmissores de Hematozoários do Instituto Oswaldo Cruz (IOC) e coordenador do estudo, Ricardo Lourenço de Oliveira, o avanço para áreas silvestres torna o vírus mais difícil de ser enfrentado, podendo levar ao aumento no número de casos. “Esse cenário apresentaria um grave problema de saúde pública, uma vez que a infecção se tornaria mais difícil de controlar”, afirma. Nas florestas, o combate ao mosquito é impossível.

Para os cientistas, é necessário começar, o quanto antes, o monitoramento de regiões em áreas de mata. “É fundamental incorporar o chikungunya em uma rotina de vigilância no ambiente silvestre”, diz Lourenço. Isso inclui a verificação de mosquitos e de macacos para avaliar se a transmissão já está ocorrendo próximo a florestas e monitorar esta possibilidade.

Interiorização

Com a febre amarela, o percurso do vírus foi da cidade para as florestas. Trazidas para as Américas, a doença primeiro circulou em áreas urbanas, provocando epidemias, depois, próximo de matas. Com as campanhas de combate ao Aedes, no entanto, os episódios diminuíram.

Nas regiões de floresta, a vacinação se tornou a única forma e prevenir os casos de febre amarela, segundo a Fiocruz, apesar de inúmeros problemas de cobertura. Os cientistas lembram, no entanto, que ainda não foi descoberta vacina para a chikungunya.

Dados do Ministério da Saúde mostram que, no Rio, estado com o maior número de casos do país, o registro é duas vezes maior do que o de dengue. As 6,7 mil ocorrências em 2019 representam uma alta de 14% diante das 5,8 mil em 2018. Altos índices de notificações também foram observados em Tocantins, no Pará e no Acre.

Para prevenir a migração da chikungunya, os cientistas querem mais estudos. Os mosquitos silvestres, explicam, não se desenvolvem bem em laboratório, justamente por serem selvagens. Também não ficou comprovado que macacos conseguem hospedar o vírus.

Casos de Dengue, Chikungunya e Zika reduzem 65% em 2018 no Amazonas

Nos dois primeiros meses de 2018, os casos de dengue, febre chikungunya e vírus zika tiveram uma redução de 65% se comparado com o mesmo período de 2017, de acordo com a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM). Os dados foram divulgados, nesta terça-feira (6).  As informações são do G1 Amazonas.

Ao todos, foram notificados 2.796 casos em janeiro e fevereiro de 2017, em todo o Amazonas, contra 962 casos registrados no mesmo período de 2018.

Para a febre chikugunya, a redução foi de 91% dos casos. 20 casos foram notificados em 2018, contra 240 casos em 2017. Em se tratando de zika vírus, a redução foi de 67%, referente a 38 casos notificados em 2018 contra 117 casos em 2017.
Foto: Divulgação
Segundo o diretor-presidente da FVS-AM, Bernardino Albuquerque, a redução de casos não significa que as pessoas devam diminuir os cuidados.

"Os dados são importantes indicadores, mas a vigilância é permanente, pois estamos vivenciando a sazonalidade da transmissão das doenças.Cerca de 80% dos casos deve acontecer até maio, durante o período chuvoso da região", explicou.

Bernardino ressalta que a única forma efetiva de prevenção é não acumular água parada.

"A principal medida é não deixar que o mosquito nasça e, para isso, a população deve continuar no combate semanal de verificação de depósitos de água tanto no ambiente doméstico quanto no trabalho", concluiu.

Manaus e Porto Velho seguem em alerta contra o mosquito da dengue

357 municípios brasileiros estão em situação de risco e outras 1.139 cidades estão em alerta para um possível surto de dengue, zika e chikungunya, dentre elas, Manaus, Porto Velho, Salvador, Recife, Natal,  Maceió, Aracaju, São Luís e Vitória. Os dados são do Levantamento rápido de Índices de infestação do Aedes aegypti, conhecido como Mapa da Dengue, e foram divulgados nesta terça-feira (28) pelo Ministério da Saúde.

Período chuvoso aumenta criadouros do Aedes aegypti, diz FVS

Com aproximação do inverno amazônico, a Secretaria de Estado da Saúde do Amazonas (Susam) alerta a população para o combate ao Aedes aegypti, mosquito responsável pela transmissão de dengue, chikungunya e zika vírus. De acordo com os dados epidemiológicos da FVS, órgão da Susam, houve redução significativa dos registros destas doenças entre 2016 e 2017, mas é preciso redobrar a vigilância no período chuvoso, quando aumentam os criadouros do mosquito.
Foto:Reprodução/Fiocruz
O zika vírus é a doença transmitida pelo Aedes aegypti, que registrou a maior redução. Entre janeiro e outubro de 2017, foram notificados 620 casos, contra 5.945, no mesmo período em 2016, uma queda de 89,28%. A dengue reduziu 47%, saindo de 14.014 casos em 2016 para 7.408 em 2017. Já a chikungunya apresentou redução de 42%. Foram notificados 948 casos em 2016 e apenas 541 este ano.
“Por estarmos em uma região endêmica para o mosquito, é preciso manter o estado de alerta e as ações de vigilância, bem como as campanhas de conscientização, principalmente neste período de chuva, quando sabemos que os criadouros naturais dos mosquitos aumentam”, destaca o secretário de Estado de Saúde, Francisco Deodato Guimarães.
Para o chefe de Departamento de Vigilância Ambiental da FVS, Cristiano Fernandes, a redução de casos é importante, porém com a chegada das chuvas ela pode desaparecer se caso a comunidade não fique alerta. "Cerca de 80% dos casos transmitidos pelo Aedes aegypti acontece de novembro a maio, por isso, é necessário reforçar a principal medida de prevenção voltada para a eliminação de depósitos de água uma vez por semana", alerta.
A FVS-AM explica que o ciclo de vida do vetor desde a fase de larva até a fase adulta é de sete dias, por isso, há necessidade de manter a vigilância semanal nos locais de trabalho, escolas e também nas residências.

Ministério da Saúde destina mais R$ 10 milhões para pesquisas sobre Aedes

O Ministério da Saúde anunciou nesta quarta-feira (30) que repassará mais R$ 10 milhões para a elaboração de pesquisas sobre as doenças causadas pelo mosquito Aedes aegypti: dengue, Zika e chikungunya. Deste total, R$ 6 milhões serão destinados à criação de um banco nacional de amostras biológicas relacionadas a essas doenças, como sangue, urina e saliva.

O banco servirá de suporte aos pesquisadores, permitindo que análises futuras possam ser realizadas com a ajuda destas amostras. Segundo o ministério, a estruturação do banco deve começar ainda em este ano e a coordenação será feita em conjunto com centros de pesquisas ainda a serem definidos.

Também serão definidas prioridades de pesquisas relacionadas à chikungunya, com previsão de um estudo de abrangência nacional, e será dado auxílio a pesquisadores na publicação de artigos de grande impacto relacionados às arboviroses. Segundo a pasta da Saúde, ao todo, já foram investidos, pelo governo federal, mais de R$ 250 milhões no financiamento de pesquisas relacionadas às três doenças causadas pelo Aedes aegypti.

Renezika

O anúncio da verba foi feito pelo ministro da Saúde, Ricardo Barros, durante o 3º Encontro da Rede Nacional de Especialistas em Zika e doenças correlatas (Renezika), realizado nesta terça-feira (29) e hoje, em Brasília.

Barros disse ainda que, para ampliar a assistência, já foram destinados recursos para a habilitação de Centros Especializados em Reabilitação (CER) e para 51 novas equipes de Núcleos de Apoio de Saúde da Família. São R$ 10,9 milhões por ano para essas equipes, que contam com profissionais de fisioterapia, terapia ocupacional e fonoaudiologia.

Desde outubro do ano passado, as crianças com síndrome congênita de Zika também contam com 52 novos CERs, especializados em serviços como, por exemplo, estimulação precoce. Por ano, o Ministério da Saúde repassará R$ 114,3 milhões para o custeio dessas unidades.
Segundo o ministro, 80% das crianças com microcefalia já estão sendo atendidas com atenção especializada, mas é preciso que as prefeituras façam com que elas cheguem aos centros. “Há um esforço nosso para ampla cobertura e para que as mães utilizem esse serviço. Só que o tratamento está nos centros especializados e, às vezes a mãe está em local afastado e as equipes precisam ir ao seu encontro, não é uma operação simples”, disse.

Cerca de 300 pessoas, entre pesquisadores, gestores, profissionais da saúde, representantes da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), do Center for Disease Control and Prevention (CDC) e da Global Research Collaboration for Infectious Disease Preparedness (GloPID-R), bem como do setor produtivo público e privado, participaram do encontro da Renezika. Foram convidados também os secretários de saúde estaduais e gestores de secretarias municipais de locais em que a epidemia de zika, chikungunya ou dengue teve maior impacto.

Número de casos

Entre 1º de janeiro e 25 de março deste ano foram notificados 90.281 casos prováveis de dengue em todo o país, uma redução de 90% em relação ao mesmo período de 2016 (947.130). Segundo o ministério, também houve 97% de redução no número de óbitos, passando de 411, em 2016, para 11, em 2017.

Em relação à chikungunya, a redução do número de casos foi de 74%. Entre janeiro e 25 de março, foram registrados 26.854 casos. No ano passado, foram registrados 101.633 casos, neste mesmo período.

O Ministério da Saúde registrou 4.894 casos de Zika em todo o país este ano. Uma redução de 97% em relação a 2016 (142.664 casos). Em relação às gestantes, foram registrados 727 casos prováveis. Não houve registro de óbitos por Zika em 2017.

Estudo analisa uso de fungos amazônicos no combate ao Aedes aegypti

Fungos encontrados em solos da Amazônia podem ter potencial para auxiliar no combate de ovos e larvas do Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, zika vírus e chikungunya. É o que analisa a pesquisa intitulada “Isolamento e Identificação de Fungos Entomopatogênicos de Solos para Controle Biológico de Ovos e Larvas de Aedes aegypti nos municípios de Manaus e Presidente Figueiredo”.

O estudo, realizado no laboratório de microbiologia da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), é desenvolvido no âmbito do Programa de Apoio à Fixação de Doutores no Amazonas (Fixam-AM) da Fapeam. Iniciado em 2016 e com previsão de conclusão em 2018, a pesquisa já isolou, até o momento, 10 linhagens de espécies fúngicas encontrados nos solos de Manaus e do município de Presidente Figueiredo.
Os fungos entomopatogênicos podem parasitar insetos, matando ou incapacitando eles, sem causar malefícios ao homem (Foto:Érico Xavier/Agência Fapeam)
De acordo com a coordenadora do estudo, a bióloga Yamile Benaion Alencar, as linhagens selecionadas irão passar por testes, que indicarão a potencialidade de cada em causar a mortalidade do Aedes aegypti. Os experimentos serão realizados no laboratório de Malária e Dengue do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).

“Pretendemos fazer a identificação molecular dos fungos isolados e dos que apresentarem atividade inseticida. Com isso, poderemos determinar se o mesmo está na lista dos fungos permitidos para comercialização pelo Ministério da Agricultura, ou seja, não nocivos aos seres humanos e outros animais, mas com ação entomopatogênica para ovos, larvas e adultos do Aedes aegypti”, contou a pesquisadora.
A bióloga Yamile Benaion Alencar informou que os testes vão indicar a potencialidade do produto de causar a mortalidade do Aedes aegypti (Foto:Érico Xavier/Agência Fapeam)
Com os resultados obtidos a equipe pretende ter um produto de ação inseticida de fácil manejo, inofensivo ao homem, disponívelno mercado regional, e até mesmo nacional, evitando o uso de produtos químicos no ambiente e colaborando para o manejo correto do inseto, sem prejudicar a saúde da população humana.

Fungos EntomopatogênicosDoutora em Ciências Biológicas, Yamile Benaion Alencar, explicou que os fungos entomopatogênicos podem parasitar insetos, matando ou os incapacitando e não causam nenhum malefício ao homem.Segundo Yamile, o grupo de pesquisa já atua há alguns anos na Amazônia direcionando pesquisas para encontrar um microrganismo, no caso os fungos, de ação contra os insetos.“São fungos já conhecidos, que ocorrem naturalmente, não causam nenhum problema para a saúde do homem. Algumas espécies já são até usadas para combater pragas na agricultura. Continuamos em busca de espécies de fungos que tenham ação eficaz contra o mosquito” explicou Yamile.A pesquisadora contou que após a identificação do fungo com ação no combate aos ovos e larvas do mosquito será feita a análise dos compostos químicos em colaboração com o pesquisador doutor Hector Koolen do |Laboratório de Química Estrutural da Escola Superior em Ciências da Saúde da UEA (ESA/ UEA). 
Sobre FIXAM-AM

O Programa de Apoio à Fixação de Doutores no Amazonas (Fixam-AM) da Fapeam estimula a fixação de recursos humanos com experiência em ciência, tecnologia e inovação e/ou reconhecida competência profissional em instituições de ensino superior e pesquisa, institutos de pesquisa, empresas públicas de pesquisa e desenvolvimento, empresas privadas e microempresas que atuem em investigação científica ou tecnológica.

Manaus tem risco médio de infestação para doença transmitidas pelo Aedes aegypti

Manaus continua com risco médio de infestação para as doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti (dengue, zika vírus e febre chikungunya). De acordo com dados divulgados nesta sexta-feira (3) pela Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), o diagnóstico da Infestação de Aedes aegypti, realizado na capital amazonense no período de 23 de janeiro a 10 de fevereiro, registrou um índice de infestação de 2,6.
Médio risco compreende valores entre 1,0 e 3,9 (Foto:Reprodução/Fio Cruz)
O médio risco compreende valores entre 1,0 e 3,9. No ano passado, o índice de infestação nesse mesmo período do ano foi de 1,8. De acordo com o secretário municipal de Saúde, Homero de Miranda Leão, o resultado do levantamento realizado neste ano sofreu influência significativa das características ambientais e pluviométricas.

“O ano de 2016 apresentou uma situação atípica relacionada às chuvas, que foram menos intensas para o período, enquanto em 2017 o acúmulo mensal de chuvas tem sido bem acima da média prevista. E a maior quantidade de chuvas tem impacto direto no aumento de possíveis focos do mosquito”, afirma Homero.

A realização do levantamento é uma das estratégias da Prefeitura de Manaus para combater o mosquito Aedes aegypti, tendo o objetivo de levantar informações sobre o índice de infestação em cada localidade da capital.

“Com essas informações é possível identificar pontos críticos e elaborar estratégias mais eficientes para o combate ao mosquito. Mas é importante lembrar que esse é um trabalho que precisa ter o envolvimento de toda a sociedade. A população precisa fazer a sua parte, vistoriando de forma frequente os próprios domicílios, evitando as condições para a reprodução do mosquito”, alerta o secretário.

Para o combate ao mosquito, a Semsa mobilizou 300 profissionais para a realização do diagnóstico. O grupo visitou 29.808 imóveis, buscando identificar focos do mosquito em forma de larvas, eliminando e tratando possíveis criadouros.

Depósitos

O diagnóstico realizado pela Semsa também levantou o tipo de depósitos que mais contribuem para a proliferação do mosquito Aedes aegypti em Manaus. De acordo com o resultado, 35,2% dos depósitos são: recipientes de armazenamento de água para consumo em nível de solo, como tambores, tonéis ou camburões.

No levantamento do mesmo período em 2016, esse valor era de 41,2%. A diretora do Departamento de Vigilância Ambiental e Epidemiológica da Semsa, Adriana Lopes Elias, avalia que a redução pode ser creditada às ações de intensificação e combate ao vetor, com estratégias complementares de controle por meio da utilização do larvicida Espinosade e proteção desses depósitos com distribuição e implantação de capas protetoras nos reservatórios de água.





Já os depósitos que incluem lixo, recipientes, garrafas, latas, ferro velho, representaram 31,1% dos criadouros detectados no município de Manaus. Em 2016 esse valor era de 28,2%. “Essa situação aponta a necessidade de uma somatória de esforços, envolvendo outras secretarias municipais para que o combate ao mosquito ocorra de maneira mais efetiva”, ressalta Adriana Elias.

Áreas prioritárias

Para operacionalizar as ações de controle e combate ao Aedes, foram agregadas aos resultados do diagnóstico informações sobre a ocorrência das doenças transmitidas pelo mosquito. A composição das informações permitiu a definição das áreas prioritárias para o planejamento e a intensificação das ações de combate ao Aedes na capital.

Os técnicos da Semsa elaboraram um Mapa de Vulnerabilidade que abrange os 63 bairros oficiais, apontando 21 localidades prioritárias e classificadas em Alta Vulnerabilidade: Alvorada, Redenção, Compensa, Nova Esperança, Tarumã, Planalto, Lírio do Vale, São Jorge, Bairro da Paz, Santo António e Dom Pedro (zona Oeste); Flores, Parque 10, Aleixo e Raiz (zona Sul); Colônia Terra Nova, Cidade Nova, Santa Etelvina (zona Norte); e São José Operário, Jorge Teixeira e Tancredo Neves (zona Leste).

As ações de combate ao mosquito serão intensificadas durante o mês de março, focando inicialmente as áreas consideradas prioritárias. Serão realizadas visitas domiciliares por agentes de endemias para ações de Educação em Saúde, eliminação de focos do mosquito, controle vetorial e o fortalecimento da estratégia ‘10 Minutos contra o Aedes’, orientando a população de que são necessários apenas 10 minutos por semana para fazer uma checagem rápida no imóvel para verificar a existência de criadouros do mosquito.

Acre mantém redução nos casos de dengue, zika e chikungunya

O segundo boletim epidemiológico de 2017, publicado nesta terça-feira, 21, demonstra que até 11 de fevereiro (quarta semana epidemiológica) foram registrados 1.021 casos suspeitos de dengue no Acre, dos quais 24 (2%) confirmados.

Em período igual de 2016, foram registrados 2.738 casos suspeitos, com confirmação de 12% (335 casos). A comparação demonstra que houve redução de 63% das notificações no estado.


Aedes aegypti. Foto: Reprodução/Fiocruz

Levantamento realizado pela Divisão de Vigilância em Saúde (DVS) da Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre) aponta que a regional do Baixo Acre/Purus registrou o maior número de casos notificados (631 – 62%) em relação ao total do estado, seguida das regionais do Alto Acre (196 – 19%) e Juruá/Tarauacá/Envira (194 – 19%).

“Podemos concluir que, comparando-se o número de casos notificados nas regionais em 2017 com o mesmo período de 2016, houve redução nas três regionais, sendo que na do Baixo Acre/Purus e Alto Acre foi de 67% cada e as regionais do Juruá, Tarauacá e Envira, de 23%”, disse a gerente da divisão, Eliane Alves.

Quanto à febre chikungunya, foram notificados 70 casos suspeitos no Acre. Rio Branco continua sendo o município a apresentar o maior número de casos (44), correspondendo a 63% das notificações.

Sobre o vírus Zika, tem-se o registro de 54 casos suspeitos. Destes casos, todas as amostras estão no período de investigação e serão encaminhadas ao Instituto Evandro Chagas para análise. Em 2016 foram 211 notificações de casos suspeitos de zika vírus. Comparando as notificações no mesmo período, houve uma redução de 74%.

“Seguimos desenvolvendo as ações de conscientização e combate ao mosquito transmissor das doenças, em parceria com setor de humanização da SGA e demais secretarias e órgãos, chamando a atenção sobre as formas de transmissão, medidas preventivas e diferenças básicas entre Dengue, Chikungunya e Zika vírus, para assim formar multiplicadores no combate ao Aedes aegypti”, enfatizou Eliane.

Presidente da Fiocruz diz que é praticamente impossível erradicar o Aedes

A presidente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Nísia Trindade, disse nesta terça-feira (31) que atualmente é praticamente impossível erradicar o Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, zika, chikungunya e também da febre amarela.

“O combate ao Aedes talvez seja o maior desafio da saúde pública, afinal, existe uma série de fatores que deveriam ser realizados para que esse combate fosse de fato eficiente e acabasse com o vetor dessas doenças. Hoje é praticamente impossível acabar com ele”, disse Nísia durante seminário sobre a febre amarela e o monitoramento de primatas em território fluminense, realizada na própria fundação, em Manguinhos, zona norte da cidade.

“Por isso estamos aqui falando de controle de endemias, políticas sistemáticas de monitoramento, etc. O verão é a ocasião perfeita para a reprodução desse inseto, mas o combate tem que ser o ano inteiro, monitorando a saúde como uma só, tanto de seres humanos como de animais, já que os macacos fazem parte do ciclo silvestre da febre amarela”, completou. Com relação à febre amarela, Nísia buscou tranquilizar a população. “É importante salientar que o cenário não é de desespero. Temos vacina suficiente para aplicarmos naqueles que necessitam, e os que não precisam, peço que, por favor, não façam uso da medicação, pois estarão retirando do público-alvo”, destacou.

O subsecretário de Vigilância em Saúde do Estado do Rio, Alexandre Chieppe, reforçou o pedido da presidente da Fiocruz para o uso consciente da vacina e fez questão de ressaltar ao povo fluminense que, hoje, o Rio de Janeiro é um estado sem quaisquer indícios da febre amarela.“O povo do estado do Rio pode ficar tranquilo quanto a isso. Claro que estamos alertas, afinal, um dos nossos estados vizinhos está passando por um surto da doença, mas no nosso não existe nenhum indício da febre amarela”, destacou.

“O que estamos realizando são ações de prevenção, como um cinturão de vacinas em cidades que ficam na divisa com Minas Gerais, e oferecendo a medicação para aqueles que viajarão, com um prazo de dez dias de antecedência, para Minas. Temos vacinas o suficiente para dar conta de toda essa demanda, contanto que a sociedade colabore e não vá ao posto de saúde procurando se vacinar sem necessidade”.

Municípios são obrigados a fazer levantamento de infestação por Aedes aegypti

Resolução do Ministério da Saúde publicada nesta sexta-feira (27) no Diário Oficial da União torna obrigatória a realização de levantamento entomológico de infestação por Aedes aegypti em todos os municípios do país. O texto também estabelece que as informações sejam enviadas às secretarias estaduais de saúde e, posteriormente, ao órgão federal.
Mosquito Aedes aegypti é uma das maiores preocupações das autoridades em saúde pública no Brasil. Foto: Reprodução/Portal do Brasil
De acordo com a publicação, a decisão foi tomada levando em consideração os diversos condicionantes que permitem a manutenção de criadouros do mosquito, a cocirculação de quatro sorotipos da dengue no país e a existência de grande contingente populacional exposto previamente a infecções pelo vírus, aumentando o risco para ocorrência de epidemias com formas graves da doença e elevado número de óbitos.
A pasta também considerou a identificação de casos de febre chikungunya, com transmissão autóctone comprovada em alguns municípios e risco iminente de expansão, além do surto do vírus Zika e sua rápida dispersão para todas as regiões do país, provocando epidemias importantes acompanhadas de graves manifestações neurológicas em adultos e recém-nascidos.
Ainda segundo o ministério, levantamentos de índices de infestação devem ser utilizados como ferramenta para direcionamento e qualificação das ações de prevenção e controle do mosquito. A proposta é que municípios infestados com mais de 2 mil imóveis realizem o Levantamento Rápido de Índice de Infestação por Aedes aegypti (LIRAa), enquanto as cidades infestadas com menos de 2 mil imóveis terão de fazer o Levantamento de Índice Amostral.
Já localidades onde não há infestação deverão realizar monitoramento por ovitrampa ou larvitrampa (armadilhas que identificam a presença de mosquitos na região) ou outra metodologia validada. As informações geradas após cada levantamento realizado deverão ser consolidadas pelas secretarias estaduais de saúde e enviadas ao ministério. A resolução entra em vigor hoje.
Em 2016, das 3.704 cidades aptas a participar do LIRAa, 2.284 integraram a edição – o equivalente a 62,6% do total. Os dados mostram que, até novembro do ano passado, pelo menos 885 municípios brasileiros estavam em situação de alerta ou de risco de surto para dengue, Zika e chikungunya. O número representa 37,4% das cidades pesquisadas.

Município de Xinguara registra casos graves de chikungunya

A Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) já está dando todo o suporte necessário para o controle da febre chikungunya no município de Xinguara, no Sul do Pará. Somente nas três primeiras semanas deste ano já foram registrados 174 casos suspeitos da doença.

O município está em estado de alerta por conta do aumento de casos da doença. Alguns bairros apresentam índices de infestação predial de 17%, estando muito acima do percentual máximo de 1% recomendado pelo Ministério da Saúde. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde de Xinguara, até o momento foram confirmados dois óbitos. Outros três casos estão sob investigação.  
Foto: Reprodução/Agência Pará

Diante da complexidade do evento, a Sespa, por meio do 12º Centro Regional de Saúde (CRS), e as secretarias de Xinguara, realizaram reuniões para o planejamento de uma força-tarefa, voltada para o combate e controle do Aedes aegypti no município. Entre as atividades desempenhadas estão: orientação preventiva e eliminação dos depósitos e focos do Aedes aegypti por meio dos Agentes de Controle de Endemias e Agentes de Comunitários de Saúde em todos os bairros do município. As ações também incluem a utilização do carro fumacê, limpeza dos bairros, atendimento de denúncias recebidas por meio do Disque Dengue e avaliação no local por agentes de fiscalização. As equipes também estão orientando a população sobre a limpeza de entulhos ou depósitos irregulares.

A Sespa também já pediu o apoio do Ministério da Saúde e atua com a investigação e reforço de medicação, entomológica e clínica dos casos graves suspeitos, com o apoio de uma equipe do Instituto Evandro Chagas. Diante deste quadro, as recomendações são para que todos colaborem com as atividades em andamento, usem frequentemente repelentes durante o dia e prefiram roupas de manga longa e de cores claras. Quando possível, evitar a aglomeração de pessoas em locais com indivíduos suspeitos de terem contraído o vírus.

Os pacientes estão sendo atendidos na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do município, que passou a realizar um número maior de atendimentos por dia, passando de 80 para 300. Os casos mais graves estão sendo encaminhados para o Hospital Regional de Redenção. Foram colhidos exames a serem encaminhados ao Instituto Evandro Chagas e ao Laboratório Central do Estado (Lacen) para análise da sorologia e diagnóstico preciso da doença, que evolui de forma rápida, o que aumenta a suspeita de uma nova forma da doença.



A Sespa informa ainda que vai instalar um comitê de crise na capital para atuar na intensificação do controle e combate ao Aedes aegypti, além de um Plano Emergencial para as regiões Sul e Sudeste, locais com maior risco de proliferação da doença.

Sintomas

O vírus da febre chikungunya é transmitido pelo mesmo vetor da dengue e da zika, o Aedes aegypti, e provoca febre e dores musculares. A chikungunya caracteriza-se principalmente pelas intensas dores nas articulações. Os sintomas duram entre 10 e 15 dias, mas as dores podem permanecer por meses, e até anos.

Cientistas criam Aedes aegypti resistente ao vírus da dengue

Foto ampliada de mosquito Aedes aegypti sobre a pele. Foto: Reprodução/Agência Brasil
Pesquisadores da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, modificaram geneticamente mosquitos Aedes aegypti tornado-os mais resistentes ao vírus da dengue. A pesquisa foi publicada nesta quinta-feira (12) na revista PLoS.

Os mosquitos modificados geneticamente têm um período de vida menor que os mosquitos selvagens. Os insetos também diminuíram a quantidade de ovos postos. Em testes, os mosquitos modificados geneticamente não responderam bem aos vírus Zika e Chikungunya. Os pesquisadores acreditam que os mecanismos de infecção desses vírus devem ser diferentes do vírus da dengue, e por isso os mosquitos não conseguiram controlar a infecção.

Segundo o documento, apesar de décadas de tentativas de controle de doenças, a dengue continua sendo transmitida por mosquitos, causando cerca de 390 milhões de infecções anualmente. A pesquisa afirma que a ciência ainda não entende plenamente o processo de infecção da dengue na espécie Aedes aegypti. Entretanto, trabalhos como esse ajudam os cientistas a entenderem os mecanismos por trás da doença.

Mosquitos transgênicos

Mosquitos modificados não são novidade para os brasileiros. Em fevereiro de 2016, mosquitos transgênicos - produzidos pela empresa britânica Oxitec - foram liberados em dois bairros da cidade de Juazeiro, na Bahia. O inseto modificado conseguiu reduzir em 82% a quantidade de larvas do mosquito Aedes aegypti espalhadas na região.

Mato Grosso registra queda em notificações da Dengue

Foto: Divulgação/Gcom-MT
Índices de casos de dengue diminuíram no Estado em 2016, se comparados com os doze meses de 2015. O número de casos notificados no ano anterior foi de 28.367 mil, o que representa a incidência de 869 casos para 100 mil habitantes.

O número da doença em 2015 ultrapassou 33 mil casos. As informações são da Secretaria de Estado de Saúde (SES) e a Vigilância Epidemiológica.

Somente em dezembro, 57 municípios do Estado notificaram casos de dengue. Contudo, três cidades ganham destaque no combate à dengue: Jangada, Santa Terezinha e Conquista D’Oeste.

Em 2016, 21 óbitos foram investigados, sendo que cinco já foram confirmados e 10 descartados. Seis ainda estão em investigação.

Já as notificações pelo vírus Zika foram 24.850 casos em 2016. A incidência acumulada é de 753 casos por 100 mil habitantes.
Segundo relatório da Vigilância Epidemiológica, 13 municípios não tiveram registros de Zika: - Glória D’Oeste, Gaúcha do Norte, Santo Afonso, Canabrava do Norte, Santa Cruz do Xingu, Santa Terezinha, São José do Xingu, Vila Rica, Ponte Branca, Castanheira, Cotriguaçu, Vale de São Domingos e União do Sul.
No Estado, foram registrados 1.440 casos de febre Chikungunya. A incidência é de 44 casos por 100 mil habitantes. Ao todo, 69 municípios não tiveram registro da doença. Mas três cidades apresentaram alto risco para a doença; Acorizal, Querência e Campo Novo do Parecis.
Em dezembro, três municípios notificaram a febre Chikungunya; Cuiabá, Matupá e Nova Mutum.
Mobilização

A coordenadora de Vigilância Epidemiológica, Flávia Guimarães, explica que todo ano no mês de outubro, com o início do período chuvoso, provoca o aumento do número de mosquito Aedes Aegypti.

Com isso, a necessidade de atenção redobrada aos inúmeros criadouros, podendo ser imóveis residencial, comercial, terrenos baldios, entre outros locais com presença de recipientes que podem acumular água.
“As ações de mobilização, comunicação e educação em saúde são fundamentais para a mudança de comportamento e adoção de práticas saudáveis para a manutenção do ambiente preservando da infestação por Aedes Aegypti”, destaca.

Infectologista alerta para aumento de casos de Chikungunya na Amazônia

Foto: Reprodução/Agência Brasil
O ano começou e a guerra contra o mosquito Aedes aegypti continua. Diferente do que aconteceu em 2016, quando houve um surto de casos de Zika vírus, este ano a preocupação das autoridades de saúde é com o Chikungunya. As duas doenças, assim como a Dengue, são transmitidas pela picada do mosquito.

De acordo infectologista Antônio Magela, chefe do Departamento Clínico da Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado (FMT/HVD), unidade da Secretaria Estadual de Saúde (Susam), a previsão do aumento de casos de Chikungunya é preocupante, porque a doença apresenta sequelas que podem perdurar por até um ano após o período infeccioso.

Os casos confirmados de Chikungunya aumentaram 15 vezes de 2015 para 2016, passando de 8.528 para 134.910. O Ministério da Saúde (MS) prevê um aumento significativo da doença em 2017, em todo o país. O Amazonas registrou no ano passado 1.075 casos de Chikungunya.
Antonio Magela explica que o Chikungunya se diferencia das outras doenças transmitidas pelo Aedes aegypti, pelas dores em decorrência da inflamação das articulações. O paciente apresenta problemas que vão desde o simples movimento para segurar objetos e fechar as mãos, até casos extremos de dificuldade para se locomover. “Há relatos de pessoas que ficaram sem andar e com dores muito fortes, enquanto perduraram os efeitos da doença”, frisou.

Segundo Antonio Magela, para orientar os profissionais de saúde sobre a conduta clínica que deve ser adotada no atendimento ao paciente com Chikungunya, o MS lançou recentemente um guia com 77 páginas, com informações sobre os cuidados com as gestantes, crianças, idosos e portadores de doenças crônicas, medicamentos recomendados e exames necessários. “Esse material servirá para que o profissional avalie cada caso da doença e faça a abordagem correta ao paciente”, disse.

O médico ressalta que o Chikunguyna, assim como o Zika vírus, é uma doença relativamente nova no Brasil e que necessita de mais pesquisas para que se conheça melhor o vírus. Ele diz que, enquanto os estudos avançam, a única forma de prevenção das doenças transmitidas pelo Aedes aegypti é o combate ao mosquito. “A população precisa continuar em alerta e tomando todos os cuidados para eliminar os locais com água parada, tanto em casa como no trabalho, principalmente porque estamos no período chuvoso no Amazonas, o que redobra a preocupação. Somente em conjunto, é possível manter-se protegido dessas doenças”, enfatizou.

As medidas que devem ser adotadas para eliminar os possíveis criadouros do mosquito são simples. O recomendado é: tampar os camburões e caixas d´agua; manter as calhas sempre limpas; deixar as garrafas sempre viradas; e manter as lixeiras fechadas.

Os sintomas de Chikungunya são semelhantes aos de Dengue. O paciente apresenta febre alta, dor de cabeça e manchas no corpo. A única diferença são as dores articulares intensas. Já no caso do Zika vírus, a febre é baixa e surgem manchas nos corpos. O tratamento do Chikungunya, assim como da Dengue e Zika vírus, se dá pelos sintomas. Para os casos em que as dores nas articulações persistem, mesmo com o fim do quadro infeccioso – que dura em média de sete a doze dias –, os pacientes precisam de acompanhamento com médico reumatologista e fisioterapeuta.

Confusão entre diagnósticos de dengue, zika e chikungunya preocupa Fiocruz

Foto: Reprodução/Agência Brasil
A previsão de epidemias de zika, dengue e chikungunya no estado do Rio de Janeiro vai exigir das unidades de saúde a capacidade de identificar as diferenças entre os vírus, todos transmitidos pelo mosquito Aedes aegypti, o que preocupa a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

A confusão entre os diagnósticos pode ser perigosa para os pacientes, porque as doenças exigem tratamentos diferentes, segundo o coordenador da Rede Dengue, Zika e Chikungunya da Área de Atenção da Fiocruz, José Augusto de Britto.

“A preocupação é grande. Os profissionais precisam de capacitação para que aprendam a fazer o diagnóstico diferencial entre as três doenças. Se for dengue e estiver tratando como zika, a pessoa pode morrer”, alertou Britto. A Fiocruz propôs ao Ministério da Saúde a realização de um curso para capacitar os profissionais de saúde sobre as três doenças, o que ainda está em estudo.

Mais chikungunya

Pela primeira vez, 2017 deve ser um ano em que os casos de chikungunya podem superar os de dengue e zika, e a doença preocupa por causar dores fortes, que incapacitam quem é infectado. Caso os sintomas da chikungunya se prolonguem por mais de 15 dias, há chances de ela se tornar crônica. Neste caso, as dores nas articulações podem permanecer por mais de dois anos.

Além dos analgésicos para conter as dores, a doença requer repouso absoluto de pelo menos 15 dias, o que reduz suas possibilidades de evolução para um quadro crônico. Vital em casos de dengue, a hidratação não é prioritária em casos de chikungunya. Para ambas, o repouso é indispensável.

A semelhança de sintomas entre as três doenças é grande, mas a chikungunya se destaca pela intensidade das dores nas articulações, segundo o coordenador da Fiocruz.

“Com a dengue, é preciso tomar muito cuidado, porque mata. A zika quase não causa nada para as pessoas em geral. Faz muito mal às gestantes, que têm um risco ter seu bebê com microcefalia”, explicou o médico. “A chikungunya tem um acometimento muito intenso. Não é uma doença que mata a pessoa, mas incapacita”, resumiu.

Ao contrário da dengue e da zika, que já tiveram grande incidência em anos anteriores, a chikungunya encontrará uma população “virgem”, ou seja, sem imunidade ao vírus. A literatura médica aponta, segundo Britto, que é possível que a “taxa de ataque” da doença em situações como esta possa ser de 30% a 50% da população, mas que ainda se conhece pouco do comportamento do vírus.

“O que temos a favor é que quando o vírus da chikungunya entrou no Brasil [em 2014], entrou no Amapá e na Bahia, e a gente pensava que teria uma grande epidemia de chikungunya no país, e, no entanto, tivemos do vírus da zika”, lembrou.

O desconhecimento sobre a doença ainda impede que haja um protocolo que indique, por exemplo, analgésicos mais eficazes. Pacientes com chikungunya podem chegar a tomar doses altas demais de um analgésico simultaneamente e retornar ao serviço de saúde diversas vezes, conforme persistam os sintomas. O resultado disso pode ser a lotação de serviços públicos e privados de saúde, que também terão os casos de zika e dengue para atender.

“É muito importante que se afaste [a possibilidade de ser] dengue. Não se pode esquecer da dengue. Apesar de a gente ter uma tendência, uma possibilidade maior de chikungunya, não quer dizer que não vai ter casos de zika e dengue.”

Britto pede que a população não se assuste com a possibilidade de epidemia e se concentre em evitar a proliferação do mosquito Aedes aegypti, impedindo o acúmulo de água parada. “O importante é alertar, e não alarmar a população.”

A preocupação com a epidemia de doenças transmitidas por picadas de mosquitos fez a prefeitura do Rio de Janeiro decretar estado de alerta na cidade. O prefeito Marcelo Crivella publicou o decreto no primeiro dia de seu mandato e voltou a comentar a preocupação nesta terça-feira (3). “Queria aproveitar para fazer um apelo à população do Rio de Janeiro: o mosquito da dengue é o nosso maior inimigo.”

Amapá registra 1ª morte por chikungunya

O Amapá registrou nesta quarta-feira (28) a primeira morte por febre chikungunya no estado. A vítima, uma mulher de 46 anos, que não teve o nome divulgado, morreu em 29 de setembro no Hospital Estadual de Santana, no município onde ficou internada, em Santana (AP).

A constatação da causa da morte só foi realizada neste mês de dezembro, após investigação do setor de epidemiologia da Coordenadoria de Vigilância em Saúde (CVS-AP).

De acordo com informações divulgadas pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa-AP), a vítima também contraiu malária no mesmo período. A Sesa-AP, também diz que, segundo a família da mulher, nos 20 dias que antecederam os primeiros sintomas, a paciente que residia em Macapá, se deslocou aos municípios de Mazagão e Santana a trabalho.

Informe epidemiológico de chikungunya e dengue
Dados do último boletim epidemiológico divulgado nesta terça-feira (27) pela Sesa-AP, aponta redução dos casos de chikungunya no Estado. Segundo o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), no ano passado foram confirmados 951 casos e no mesmo período deste ano foram 171 casos. Uma redução de 82%.

Ainda conforme o boletim, o governo do Amapá em conjunto com as prefeituras, também conseguiu reduzir os casos de dengue. De 2.932 em 2015, para 1.618 este ano. Uma queda de 44,8%. As ações de combate ao Aedes executadas pelos municípios são coordenadas pela Sala Estadual de Situação, responsável por gerenciar e monitorar a mobilização e combate ao mosquito.

Luta contra o Aedes aegypti

O Aedes aegypti é um mosquito doméstico que vive dentro de casa e perto do homem. Com hábitos diurnos, o mosquito se alimenta de sangue humano, sobretudo ao amanhecer e ao entardecer. A reprodução acontece em água limpa e parada, a partir da postura de ovos pelas fêmeas. Os ovos são colocados e distribuídos por diversos criadouros. Em menos de 15 minutos é possível fazer uma varredura em casa e acabar com objetos que possam acumular água parada – ambiente propício para procriação do mosquito.

Febre chikungunya

A febre chikungunya é uma doença infecciosa febril, causada pelo vírus chikungunya, que pode ser transmitida pelos mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus. Após a picada do mosquito, os sintomas aparecem entre dois a dez dias, podendo chegar a 12. Esse é o chamado período de incubação.

A febre tem início súbito com mais de 38,5ºC e artralgia (dor articular) ou artrite intensa com início agudo e que tenham histórico recente de viagem às áreas nas quais o vírus circula de forma contínua. Dor nas articulações estão presente em 70% a 100% dos casos, é intensa e afeta principalmente pés e mãos (geralmente tornozelos e pulsos).

Para a prevenção, é fundamental reforçar as medidas, que são exatamente as mesmas recomendadas para a prevenção da dengue, de eliminação de criadouros do mosquitos nas suas casas e na vizinhança.

Combate ao Aedes aegypti é o maior desafio da saúde brasileira, diz ministro

O ministro da Saúde, Ricardo Barros, disse nesta segunda-feira (26) que o combate ao mosquito Aedes aegypti é o maior desafio da saúde brasileira atualmente. Em entrevista coletiva em que fez um balanço de seus 200 dias no ministério, Barros reforçou as previsões do governo que apontam para um aumento de casos de infecção pelo vírus Chikungunya, transmitido pelo Aedes aegypti, em 2017.

“Temos que combater o mosquito. Esse é o grande desafio da saúde até que a gente consiga um controle adequado”, avaliou. Este ano, foram registrados 263 mil casos de febre chikungunya, contra 36 mil em 2015. “O mosquito pica, recebe o vírus e passa para outra pessoa. Como cresceu muito o número de pessoas que têm [o vírus], entendemos que haverá uma ampliação [de casos].”

Em relação à dengue e ao vírus Zika, também transmitidos pelo mosquito, Barros lembrou que o ministério trabalha com um cenário de estabilidade de casos. Em 2016, foram contabilizados 1,4 milhão infecções por dengue, contra 1,6 milhão no ano passado, além de 211 mil casos prováveis de infecção por Zika em 2016 (nem todos os casos registrados foram confirmados em laboratório).

“Cada cidadão é responsável pelo combate ao mosquito. Não há força pública capaz de estar em todos os lugares eliminando os focos.”