Sidebar Menu

Manaus 30º • Nublado
Quarta, 12 Mai 2021

Força Aérea faz buscas por aeronave desaparecida no Amapá

A aeronave de prefixo PT-RDZ, fretada por uma família indígena Tiriyó, decolou no último domingo (2) da Aldeia Matalaré para o município de Laranjal do Jari, no Amapá. De acordo com a Fundação Nacional do Índio (Funai), o piloto chegou a entrar em contato com a central e relatou uma pane no sistema, que obrigaria a realização de um pouso forçado. Depois disso, o piloto não fez novo contato.
Foto: Reprodução/Rede Amazônica
A Funai não sabe se ele chegou a pousar ou se o avião caiu. A única forma de acesso à Aldeia Matalaré é por via aérea. O Exército e a Força Área Brasileira estão à frente das buscas. A operação de busca e salvamento é feita por uma aeronave C-130 Hércules e coordenada pela Salvaero Manaus.

Colômbia: religiosos e indígenas se unem para acabar com desflorestação da Amazônia

Líderes de principais tradições religiosas na Colômbia se uniram numa parceria com povos indígenas, comunidades afro-colombianas, cientistas de questões climáticas e ONGs em defesa da Amazônia e do fim da desflorestação.

A Iniciativa Inter-religiosa para Floresta Tropical será implementada pela ONU Meio Ambiente, com o apoio do governo da Noruega.

Guardiões da Floresta

Segundo a agência da ONU, a ideia é que a iniciativa possa unir líderes religiosos de diversas tradições espirituais para expressar a responsabilidade moral urgente compartilhada para acabar com o desmatamento na Colômbia e para a proteção dos povos indígenas guardiões da floresta.

A diretora interina da ONU Meio Ambiente, Joyce Msuya, acredita que a “proteção e a restauração da floresta estão entre as melhores ferramentas para lidar com a mudança climática.”  A representante acrescenta que nos últimos anos foram feitos bons progressos, mas que a “desflorestação infelizmente está aumentando em muitas partes do mundo.”

Foto:  FAO/Rudolf Hahn

Aliança

De acordo com a ONU Meio Ambiente, a aliança surge num momento crucial da história da Colômbia. Perante o Acordo de Paris, o governo se comprometeu em reduzir dramaticamente a desflorestação até 2020. Recentemente, o tribunal de mais alto nível no país reconheceu a Amazônia como uma entidade com direitos.

A agência acrescenta que a Colômbia é um dos países no mundo com maior biodiversidade. Ao mesmo tempo, a perda de áreas de florestas no país aumentou desde a assinatura do tratado de paz com a Farc em 2016.

Desmatamento

Dados apontados pela ONU Meio Ambiente indicam que a Colômbia está entre os dez países do mundo que tiveram níveis dramáticos de desmatamento em 2017. Foram ao todo quase 220 mil hectares de área de floresta perdida nesse período.

A ONU alerta também que a Colômbia não está sozinha na questão do aumento da desflorestação. Na última década, cientistas estimam que áreas de florestas tropicais do tamanho do Reino Unido, da França e da Alemanha juntos tenham desaparecido.

No mundo, é desmatada uma área equivalente a 40 campos de futebol de florestas tropicais a cada minuto.

Foto: Banco Mundial/Curt Carnemark

Direitos

Para as Nações Unidas, a nova iniciativa na Colômbia reconhece a necessidade urgente de proteger não somente as florestas, mas também os direitos dos povos indígenas, os direitos das florestas e das comunidades afrodescendentes.

A organização aponta que evidências têm demonstrado que os indígenas e outras comunidades das florestas superam todos os demais gestores de florestas tropicais quando seus direitos são reconhecidos e protegidos.

A Organização Nacional Indígena da Colômbia informou que nos últimos dois anos, pelo menos 68 membros de comunidades indígenas do país foram assassinados e 5.730 pessoas foram forçadas a deixar suas casas.

Risco de savanização da Amazônia exige medidas urgentes, indica estudo

Pesquisas desenvolvidas no Brasil e no exterior apontam para a possibilidade de mudanças climáticas extremas submeterem a Floresta Amazônica a um processo de savanização [forest dieback]. Nesse cenário, o ecossistema como é conhecido atualmente daria lugar a campos ralos e árvores esparsas, paisagem semelhante à encontrada nas savanas africanas ou no Cerrado brasileiro.

Tal hipótese, formulada há 20 anos e que indica para a perda da maior floresta tropical do mundo, deveria estar deixando os governos dos nove países amazônicos “de cabelo em pé”. Ocorre, porém, que os cientistas ainda têm várias incertezas acerca dessa projeção. Diante dessas dúvidas, o que é mais indicado fazer: aguardar, adotar medidas mitigadoras ou estabelecer ações de adaptação da população da região (30 milhões de pessoas) que seriam benéficas ambiental e socialmente, mesmo que a previsão não venha a se concretizar? A resposta a estas questões estão num artigo que acaba de ser publicado pelo PNAS, periódico científico editado pela Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos.

O primeiro autor do trabalho é ecólogo David Montenegro Lapola, pesquisador do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri) da Unicamp. Além dele, outros 11 cientistas brasileiros e estrangeiros assinam o artigo, que faz uma revisão sobre os estudos publicados em torno da hipótese de savanização da Floresta Amazônica. “Como existem muitas incertezas acerca dessa possibilidade, nós procuramos responder a uma pergunta objetiva: o que fazer frente a esse risco? Analisamos três alternativas e estimamos os custos socioeconômicos relacionados a cada uma delas”, explica Lapola.

Foto: Divulgação/Unicamp

De acordo com o pesquisador, a alternativa mais exequível é a adoção de ações adaptativas que possam trazer benefícios ambientais e sociais à região amazônica, mesmo que não ocorra o processo de savanização da floresta. “Nós apontamos 20 medidas que seriam importantes nesse sentido, a um custo estimado de US$ 122 bilhões. Entre elas estão o uso de cultivares mais resistentes à situação de seca, o incentivo à produção doméstica de energia por meio do uso de painéis solares e a ampliação da arborização nas áreas urbanas. Também indicamos a necessidade da eliminação do esgoto a céu aberto, como forma de reduzir a proliferação de doenças, e a criação do Comitê da Bacia Hidrográfica do Amazonas, que teria a atribuição de gerenciar os recursos hídricos da região”, elenca Lapola.

Todas essas providências, pontua o pesquisador do Cepagri-Unicamp, trariam ganhos imediatos e continuariam a ser importantes no caso de o processo de savanização da Amazônia se confirmar. Uma opção à estratégia de adaptação, conforme o ecólogo, seria a adoção de medidas mitigadoras. Dentre elas está a reversão da mudança climática global em curso no planeta – causa da possível savanização da Amazônia -, que seria um processo muito mais complexo e exigiria um esforço global, e não somente dos nove países amazônicos. “Pelas nossas projeções, o custo de um projeto dessa envergadura seria da ordem de US$ 64,2 bilhões. Isso implicaria acabar com o desmatamento e recuperar os 17% ou 18% da floresta que já foram degradados”, afirma.
Foto: Divulgação/Unicamp
Ocorre, continua o cientista, que isso não seria suficiente para assegurar a resiliência da floresta frente às mudanças do clima. “Não basta parar de desmatar e recuperar o que já foi degradado. Se os demais países, principalmente as grandes potências mundiais, continuarem emitindo gases de efeito estufa nos patamares atuais, a floresta continuará exposta ao risco de colapso”, pondera. A pior das alternativas, conforme o estudo publicado pela PNAS, seria não fazer nada e esperar para ver o que acontece. Nesse caso, 30 anos depois de configurada a savanização, os prejuízos alcançariam a cifra de US$ 957 bilhões a US$ 3,5 trilhões.

Permanecer impassível diante de tais projeções, reforça Lapola, seria a pior das decisões. “Vale lembrar que esses cenários foram delineados com base em episódios de secas ocorridos na Amazônia ao longo dos últimos anos, situação que se tornará frequente em caso de savanização. Ou seja, nossas análises estão sustentadas por evidências fartamente documentadas, como as secas de 2005, 2010 e 2016”, diz o pesquisador. Lapola observa, ainda, que o fato de o artigo sobre o estudo ter sido publicado neste momento de transição política no Brasil não foi proposital.

Ele considera, entretanto, que o resultado do trabalho fornece dados importantes para que a sociedade e o futuro governo em âmbito federal reflitam sobre as questões ambientais, que trazem impactos tanto sociais quanto econômicos para o país. “O Brasil precisa decidir que caminho quer adotar em relação a esse problema. A Amazônia é o maior tesouro biológico do mundo e nós estamos correndo sério risco de perdê-la - por causa das mudanças do clima ou pelo corte raso - antes que tenhamos aprendido a usar esse tesouro de maneira sustentável a nosso favor. O estudo fornece bases sólidas para ajudar a orientar a tomada de decisão”, analisa Lapola.

Foto: Divulgação/Unicamp
Boa parte dos dados que subsidiaram o estudo foi produzida pelo AmazonFace, programa financiado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) e Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). O pesquisador do Cepagri-Unicamp é o presidente do Comitê Científico do programa, que investiga os impactos das mudanças climáticas no futuro da Floresta Amazônica.
Entre as missões dos cientistas está predizer se, a despeito da tendência do aumento da concentração de dióxido de carbono (CO²) na atmosfera e do possível agravamento das mudanças climáticas, a floresta será capaz de se mostrar ou não resiliente, ou seja, de resistir a essas situações adversas, mantendo-se produtiva e sem perda significativa de biomassa e biodiversidade.

Dia Nacional da Onça-pintada: conheça dez curiosidades do maior felino das Américas

O calendário nacional acaba de ganhar uma nova data comemorativa: o Dia Nacional da Onça-pintada será celebrado pela primeira vez nesta quinta-feira (29). O dia foi instituído por uma portaria do Ministério do Meio Ambiente (MMA), e a data passa agora, a prestar homenagem à espécie que é símbolo da biodiversidade nacional.

Para entrar no clima, o Instituto Mamirauá, uma organização social de pesquisa e desenvolvimento sustentável atuante no Amazonas, listou dez fatos que você (talvez) não saiba sobre o maior felino das Américas.


1) Gigante das Américas 
Foto: Brandi Jô Petrônio/Instituo Mamirauá
A onça é um animal típico do continente americano. A atual distribuição geográfica da espécie se estende do México pela maior parte da América Central e América do Sul, até o Paraguai e o norte da Argentina. Da grande família biológica dos felídeos, a onça é a terceira maior espécie do mundo, atrás apenas do tigre e do leão. E nas Américas, a onça-pintada reina absoluta como o maior felino da região.


2) A onça-preta também é uma onça-pintada
   
Foto: André Dib/Instituo Mamirauá
A afirmação pode parecer estranha, mas é isso mesmo: as onças-pretas também são onças-pintadas. É um caso de melanismo, que acontece quando um animal tem uma grande concentração do pigmento chamado melanina na pele, o que dá o tom escuro à pelagem. As onças-pretas são raras, representando cerca de 6% de toda população da espécie. Com a ajuda de câmeras noturnas, é possível enxergar as pintas de uma onça-preta.


3) Na Amazônia, onças-pintadas vivem no topo das árvores
 
Foto: Emiliano Ramalho/Instituo Mamirauá
Se as onças-pintadas já são, naturalmente, animais únicos e impressionantes, a vida nas matas de várzea da Amazônia faz delas ainda mais diferentes. Por conta do sobe e desce do nível dos rios, as onças de lá apresentam um comportamento que, dentro da espécie, não é visto em nenhum outro lugar. Durante a época de cheia, quando os rios transbordam seus limites e enchem as florestas com água, os felinos buscam as partes mais altas das árvores para morar.

Todo esse processo se repete anualmente e pode durar até seis meses. “Esse é um comportamento inédito para grandes felinos, que precisam de grandes quantidades de alimento todos os dias para sobreviver e que até agora eram considerados terrestres”, afirmou o pesquisador Emiliano Esterci Ramalho, responsável pelo Projeto Iauaretê, desenvolvido desde 2004 pelo Instituto Mamirauá, com o objetivo de estudar a ecologia e promover a conservação da onça-pintada na várzea amazônica.


4) Reserva Mamirauá tem uma das maiores densidades de onças no planeta
  
Foto: Divulgação/Instituto Mamirauá
A grande quantidade e oferta de presas, aliada ao estado de conservação da Reserva Mamirauá, permite que essa unidade de conservação localizada no centro do estado do Amazonas abrigue uma alta densidade de onças-pintadas. Levantamentos feitos pelo Instituto Mamirauá nos últimos anos estimaram uma concentração de mais de 10 onças/100 km² dentro da reserva, a mais alta densidade de onças registrada até hoje no mundo. Um dos métodos para estimar a população de onças é o uso de armadilhas fotográficas. Pesquisadores do Instituto Mamirauá já registraram uma onça na Reserva Mamirauá interagindo com os equipamentos.


5) Seres humanos não estão na dieta das onças
  
Foto: João Cunha/Instituo Mamirauá
Não tenha medo! Apesar da (má) fama, as onças-pintadas evitam contato com o ser humano. São raros os registros de ataque de onças à nossa espécie, isso pode acontecer quando a onça se sente ameaçada ou quando tenta proteger os filhotes ou o próprio alimento (como uma caça recém-abatida).


6) Preguiças e macacos guariba estão entre alimentos preferidos na floresta amazônica
  
Foto: Anamélia de Souza Jesus/Instituo Mamirauá
Falando em dieta, a onça-pintada encontra um cardápio farto e variado na Amazônia. Na Reserva Mamirauá, estado do Amazonas, o bicho-preguiça, o macaco guariba e o tamanduá-mirim estão entre os animais mais consumidos pelos felinos. O jacaré-tinga e o jacaré-açu também entram na lista de espécies predadas por onças-pintadas na região. Os dados são do Grupo de Pesquisa Ecologia e Conservação de Felinos na Amazônia do Instituto Mamirauá.


7) As pintas de uma onça são únicas
  
Foto: Amanda Lelis/Instituo Mamirauá
O conjunto de pintas ou manchas em uma onça-pintada é único. É como a impressão digital nos dedos dos seres humanos: quando o assunto são as pintas, não existem duas onças iguais. Inclusive pesquisadores que investigam a espécie usam essa característica especial para identificar os animais.


8) Onças têm “pintinhas” dentro de cada pinta
   
Foto: Brandi Jô Petrônio/Instituo Mamirauá
Pintas dentro de uma pinta. Assim são as pintas no tronco das onças-pintadas, e essa é uma diferença desse felino para o leopardo, que não tem tal característica. Uma maneira de diferenciar um leopardo de uma onça-pintada é olhando para as manchas nos troncos desses animais: só as onças têm pintas com pintinhas menores dentro.


9) Na água e nas alturas
   
Foto: Emiliano Ramalho/Instituo Mamirauá
Ágeis e com grande destreza, as onças sobem em árvores tanto para descansar como para abrigar-se ou caçar. Elas também são excelentes nadadoras.


10) Solitárias, mas nem tanto
   
Foto: Emiliano Ramalho/Instituo Mamirauá
Onças-pintadas costumam viver sozinhas. Embora sejam animais solitários a maior parte do tempo, as onças podem ser vistas em grupos no período de reprodução ou no início da vida, quando os filhotes são cuidados pela mãe.

Maranhão terá R$ 35 milhões do Fundo Amazônia para combate a incêndios florestais

O Maranhão conseguiu a aprovação de R$ 35 milhões do Fundo Amazônia para serem aplicados na prevenção e combate a incêndios florestais e queimadas não autorizadas no estado. A verba foi aprovada na 25ª Reunião do Comitê Orientador do Fundo Amazônia (COFA), realizada na última sexta-feira (9), em Brasília.

O COFA é formado por representantes de órgãos do Governo Federal, como o Ministério do Meio Ambiente, dos Estados e da sociedade civil. Tem a atribuição de estabelecer as diretrizes e critérios para aplicação dos recursos do Fundo Amazônia.

No encontro, foram aprovados os critérios orientadores para apoio aos estados da Amazônia Legal para a prevenção e combate de incêndios florestais e queimadas não autorizadas e para a elaboração, revisão, detalhamento e implementação do Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE).

“Serão investidos cerca de R$ 35 milhões para combate a incêndios florestais, recurso esse que traremos para o estado e que serão utilizados em capacitação de servidores e de agricultores, desenvolvimento de sistemas de monitoramento do fogo, aquisição de equipamentos, construção de instalações, entre outras ações relativas ao monitoramento, combate e responsabilização por incêndios florestais”, anunciou Marcelo Coelho.
Foto: Divulgação/Agência Brasil
Atuação

A Secretaria de Estado de meio Ambiente e Recursos Naturais (Sema) está incrementando as ações efetivas de prevenção e controle a queimadas, além de atividades de conscientização da população.

Entre as iniciativas da Sema com o objetivo de diminuir o número de focos de queimadas no Maranhão estão a ampliação das fiscalizações nas unidades de conservação e as reuniões e capacitações com secretários e técnicos de Meio Ambiente dos municípios com maiores índices de queimadas.

Estão sendo realizadas, também, ações de sensibilização e educação ambiental, além da capacitação de agricultores familiares em técnicas alternativas ao uso do fogo e o desenvolvimento do Plano Estadual de Combate a Incêndio.

“Além das causas naturais de incêndios, como tempo seco, calor e ventos fortes, há, também, incêndios causados pela ação do homem, muitas vezes imprudente. Fogos de artifício, balões com gás hélio e instalações elétricas malfeitas são exemplos. Por isso, trabalhamos intensamente a questão da educação ambiental, conscientizando principalmente em relação ao uso da Queima Controlada e para os riscos que as queimadas sem os devidos cuidados podem ocasionar ao meio ambiente”, destacou o secretário Marcelo Coelho.

Para as pessoas interessadas em saber mais sobre a técnica da Queima Controlada, a Sema disponibiliza em seu site (www.sema.ma.gov.br, no item serviços) um espaço para esclarecer dúvidas recorrentes acerca do processo de queima, bem como as obrigações legais e documentos necessários aos solicitantes do processo de queima controlada.

Mato Grosso é o estado da Amazônia que teve mais focos de queimadas em setembro

Em setembro, no Mato Grosso foram 6.638 focos de queimadas. A informação é do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O que coloca o estado em primeiro lugar com mais queimadas na Amazônia Legal seguido por Rondônia, que registrou 6.035 e Amazonas, com 4.936. O estado com o menor número foi Roraima, com 17 focos.

Ainda de acordo com o Inpe, entre janeiro e setembro, Mato Grosso registrou 15.487 incêndios, quase 60% menos que o mesmo período do ano passado, quando foram registrados 25.996 focos.

O Inpe afirma que as regiões brasileiras com mais registros de incêndios no mês passado receberão reforço de brigadas de incêndio nos próximos dias para evitar novas queimadas.

Você sabia? Amazônia abriga a maior ave de rapina do Brasil e do mundo

O gavião-real vive em montanhas, nas margens de rios e lagos e até mesmo à beira-mar

Impactos da mineração na Amazônia são apresentados à Igreja europeia

A rede de organizações internacionais de inspiração católica que acompanham a Amazônia, estão reunidas desde segunda-feira (17) em Berlim, na Alemanha. As discussões tem o objetivo de refletir sobre a necessidade de trabalhar em conjunto para obter resultados de maior impacto na "outra selva", a União Europeia.

Ao lado de representantes de organizações da Igreja Católica (Adveniat, Misereor, Cáritas Espanhola, Manos Unidas, Cafod, Ccfd, Secours Catholique, Alboan, Entre Culturas, Cáritas Alemanha e Cáritas Internacionalis), dos Cardeais Cláudio Hummes (Brasil) e Pedro Barreto (Peru), respectivamente Presidente e Vice-presidente da Rede Eclesial Pan-amazônica (REPAM), e de Maurício Lopez, secretário executivo, participam das reuniões também duas lideranças amazônicas. 
Foto: Divulgação/Greenpeace
José Horlando da Silva traz a resistência de sua comunidade rural no município de Buriticupú, no Maranhão, contra os impactos do extrativismo causados pela empresa Vale do Rio Doce.

“A empresa passou dizendo que ia gerar emprego, gerar desenvolvimento... e até hoje não chegaram. Quando lutamos pelo nosso direito de procurar emprego, a empresa traz a polícia, pede que use spray de pimenta, faça espancamento nas pessoas. Meu pai, que não estava reivindicando (mas eu estava), foi processado para que eu parasse de reivindicar. Aí ele sofreu o processo, mas não foi por isso que paramos”, disse.

Horlando fala sobre os impactos desta atividade em sua comunidade. Lavouras e rios contaminados e a pesca ameaçada. 24 trens transitam o dia inteiro levando minério. Sobram 23 minutos para que as pessoas atravessem o binário. Ele conta episódios de incidentes e mortes neste arriscado atravessamento.


A discussão em torno do Questionário do Documento Preparatório para o Sínodo Amazônico destaca a necessidade de promover uma ecologia integral, olhando para a urgência de uma conversão urgente na Europa, porque os modos de vida praticados "são insustentáveis" e isso exerce pressão sobre o território amazônico.

Neste sentido, a REPAM caminha para a construção de uma Igreja capaz de influenciar a mudança de estruturas que geram esse modelo de desenvolvimento. Sem lidar com essa área, sem influenciar as políticas públicas que favorecem empresas e o poder e que atuam impactando a Amazônia, a ecologia integral não pode ser promovida.

Pronunciamento

Em nota, a assessoria de comunicação da Vale afirmou que as obras de expansão da Estrada de Ferro Carajás foram concluídas no primeiro semestre deste ano. No pico das obras foram gerados mais de 13 mil empregos. De cada 10 contratados, 8 eram maranhenses e residiam em comunidades vizinhas às obras. Mais de 3.000 pessoas foram capacitadas nas áreas de construção civil e meio ambiente. Hoje, a operação da Vale gera mais de 10 mil empregos no Maranhão.Ainda segunda informações da assessoria, a Vale realiza regularmente campanhas e ações de relacionamento voltadas à convivência segura das comunidades com a ferrovia. Além disso, investe em travessias oficiais para garantir segurança a quem precisa cruzar a via férrea. De 2013 para cá, foram construídos novos viadutos, totalizando 48 até o fim deste ano. Além dos viadutos, há passagens em nível e passarelas. Em 2017, a Estrada de Ferro Carajás foi eleita uma das ferrovias mais seguras do Brasil, segundo a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), órgão federal que regulamenta a concessão, acompanha, compara e fiscaliza as ferrovias do país.  A EFC ficou em segundo lugar com o índice de acidentes de 2,67, atrás apenas da EFVM, com 2,16. Os dados estão disponíveis no site da ANTT.No fim da nota, a empresa diz que o diálogo contínuo e transparente é condição fundamental para garantir a sustentabilidade das operações da Vale e a melhor forma para construir soluções de valor compartilhado. Neste sentido, a Vale disponibiliza diferentes formas e canais de comunicação, incluindo equipes de campo e o Alô Ferrovias (0800 285 7000), que funciona todos os dias da semana, 24h por dia.

Açaí é o principal produto agrícola da Região Norte, segundo IBGE

O consumo do açaí se espalhou, nos últimos anos, para todo o Brasil. Isso resultou na expansão e consolidação da produção da fruta na região Norte, principalmente no estado do Pará.

Segundo a Pesquisa Agrícola Municipal de 2017, divulgada nesta quinta-feira (13) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção de açaí cresceu 32% se comparada a 2015, primeiro ano que o açaí foi incluído no levantamento.
Foto: Divulgação/Agência Pará
95% da produção do açaí se concentra no estado do Pará. Em seguida, aparecem os estados do Amazonas e Roraima. O gerente de Agricultura do IBGE, Carlos Alfredo, associa a consolidação do açaí à expansão do consumo da fruta no país.

Contudo, o especialista do IBGE observa que o plantio da soja tem crescido na região Norte, em especial no Tocantins e no sul do Pará. Ele acredita que a soja pode ultrapassar o açaí e tornar-se o principal produto também da região Norte.

Inpa lança exposição sobre Mudanças Climáticas

Com o objetivo de explicar os efeitos das mudanças climáticas no futuro da floresta Amazônica, a exposição Amazônia e Mudanças Climáticas: um futuro em fotos, ilustrações e ciência leva ao público informações sobre os efeitos que o gás carbônico pode ter sobre a floresta Amazônica. A exposição abriu nesta terça-feira (11).

A curadoria da exposição é feita pelo artista suíço Marcus Maeder, da Universidade das Artes de Zurique, com fotos de João Marcos Rosa e ilustrações de Rogério Lupo. A exposição segue até novembro, no Paiol da Cultura, dentro do Bosque da Ciência do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), localizado na rua Bem-te-vi, s/nº, Petrópolis, zona Sul de Manaus. A exposição é realizada pelo Programa AmazonFace, executado pelo Inpa. 
Foto: Divuglação/AmazonFace

De acordo com o presidente do comitê científico do AmazonFACE, o pesquisador da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) David Lapola, exposição visa divulgar também o conhecimento sobre o efeito das mudanças climáticas na Amazônia, por meio de estudos científicos e tecnológicos realizados pelo Programa de Pesquisa AmazonFace.

Na exposição estarão expostas cerca de 30 fotos do fotógrafo de natureza João Marcos Rosa, que tem fotolivros publicados e realizou trabalhos para grandes revistas, como a National Geographic. As fotografias mostram o ambiente de trabalho do programa AmazonFace em campo e laboratório. A mostra inclui também alguns desenhos do ilustrador Rogério Lupo, profissional em ilustração botânica e de ecologia de paisagens.

Na exposição, haverá ainda uma estrutura de áudio e vídeo, chamada “Espírito da floresta”, criada pelo artista suíço Marcus Maeder, curador da exposição, a partir de gravações no sítio experimental da AmazonFace. “A realização dessa atividade tem intenção de envolver a sociedade científica, as instituições de pesquisa, as universidades, pesquisadores, professores e estudantes e despertar o interesse pela ciência desenvolvida aqui no Inpa e os seus métodos”, disse David Lapola. 
Foto: Divulgação/AmazonFace INPA
Sobre o Programa AmazonFace

O AmazonFace é um programa científico que tem como foco a resolução de uma das principais fontes de incerteza em relação ao impacto das mudanças climáticas sobre ecossistemas tropicais: o potencial que o aumento das concentrações atmosféricas de CO2 poderia ter para mitigar os efeitos deletérios das mudanças de temperatura e precipitação nas florestas tropicais, estimulando a produtividade e aumentando a resiliência dessas florestas à seca.

O Experimento de Pesquisa do programa está localizado na Estação Experimental de Silvicultura Tropical ZF-2 do Inpa, a 50 km norte de Manaus, BR-174.

Dia da Amazônia: conheça 10 fatos sobre a maior floresta do mundo

A Amazônia tem um dia especial para ser lembrada: 5 de setembro. Com o objetivo de alertar a todos a respeito da importância e necessidade de cuidar da Amazônia. 

'Cemitério indígena' com mais de 500 anos é descoberto no Amazonas

Arqueólogos do Instituto Mamirauá anunciaram a descoberta de nove urnas funerárias de uma população indígena que habitou, há cerca de 500 anos, a região que hoje compreende a pequena comunidade Tauary, localizada na região central do Amazonas. Os vestígios são de um período próximo ao contato com os europeus.



A descoberta aconteceu em julho. Segundo o Instituto, as urnas estavam enterradas a uma profundidade de 40 centímetros da superfície, dentro de uma área de 4 metros quadrados nas imediações da escola comunitária.

“Urnas funerárias como as que foram encontradas são comuns pela Amazônia brasileira e nas partes amazônicas de países como Peru e Equador”, afirma o arqueólogo do Instituto Mamirauá, Eduardo Kazuo Tamanaha.
Foto:Divulgação/Instituto Mamirauá
“Mas os pesquisadores costumam recebê-las da mão de moradores do local, que de fato encontram os artefatos e os retiram da terra. Agora, escavar e encontrar uma cova com as urnas dessa cultura, do jeito que estavam, e realizar todo o registro científico, é algo inédito”, explica.

No Brasil, é a primeira vez que cientistas localizam e escavam urnas funerárias da chamada Tradição Polícroma da Amazônia diretamente do solo.

Conhecida pela decoração com uso de pinturas vermelhas e pretas, a Tradição Polícroma da Amazônia é um conjunto de cerâmicas que fazem parte da pré-história da região.
Foto:Divulgação/Instituto Mamirauá
“A Tradição Policroma da Amazônia é um estilo que tem larga abrangência nas terras baixas da América do Sul, presente em um eixo oeste-leste desde o sopé (das Cordilheiras) dos Andes até a boca do rio Amazonas e também é vista nos afluentes do rio Amazonas/Solimões”, afirma a pesquisadora Márjorie Lima, do Laboratório de Arqueologia do Instituto Mamirauá.

A carência de vestígios, como a terra preta de índio (solo muito fértil e característico de antigas ocupações humanas na Amazônia), e fragmentos de cerâmica indicam que aquela seria uma área específica do sítio arqueológico, possivelmente reservada ao enterro de corpos, como um cemitério da antiga sociedade que ali vivia.

“As urnas funerárias fazem parte das práticas mortuárias de muitos grupos indígenas. Elas eram mais comuns no passado, mas ainda há relatos de alguns sepultamentos em épocas recentes sendo feitos em urnas, mas também em cestarias ou redes. Elas são muito variadas e estão intimamente ligadas às crenças e religiões praticadas, parecido com o que é praticado nos cemitérios das cidades”, ressalta Anne Rapp Py-Daniel, arqueóloga e especialista no estudo de urnas arqueológicas na Amazônia, que também participou das escavações.
Foto:Divulgação/Instituto Mamirauá
Padrão intriga os cientistas

A maneira como as urnas foram encontradas chamou a atenção dos arqueólogos. “As urnas funerárias têm rostos desenhados, o interessante é que nenhum desses rostos estava ‘olhando’ para outro. Se uma urna foi enterrada com o rosto para cima, a urna ao lado dela estava ‘olhando’ para baixo, e a seguinte estava enterrada de lado. É como se elas não quisessem olhar uma para a outra. As urnas seguiam uma ordem, claramente elas foram enterradas daquele jeito e foi intencional”, comenta o pesquisador do Instituto Mamirauá.

O conjunto das urnas arqueológicas também se diferencia pela variedade entre tipos e adornos nos acabamentos cerâmicos, como a pintura de cabeças humanas, formas animais e a presença ou ausência de bancos, onde as urnas podiam ser colocadas.
Foto:Divulgação/Instituto Mamirauá
“Alguns grupos indígenas do passado representavam a identidade dos mortos ou símbolos (de entidades, de deuses, de animais mitológicos, etc.), que acreditavam ser importantes, nessas urnas. Ou seja, elas além de receptáculo para os mortos, também contam diferentes estórias sobre a sociedade que as produziram e no que ela acreditava. Infelizmente, na grande maioria das vezes, os arqueólogos não têm o ‘dicionário’ que permita fazer uma tradução exata desses símbolos”, conta Anne Rapp Py-Daniel.

O motivo ou motivos dessa organização curiosa e para tantos detalhes ainda são desconhecidos, mas a equipe de especialistas espera encontrar pistas a partir de análises mais aprofundadas no Laboratório de Arqueologia do Instituto Mamirauá, localizado na cidade de Tefé, no Amazonas.

“Esperamos ter essas informações a partir das próprias urnas, associando ao local em que elas estavam depositadas, a sua decoração, com a morfologia, o conteúdo que tinham dentro e juntar todos esses fatores em busca de algum sentido para elas estarem ali da forma que elas estavam”, explica Eduardo Kazuo.

Urnas foram enterradas sobre a “cama” de civilização ainda mais antiga

Com base nas avaliações preliminares do material e na profundidade das covas, os arqueólogos acreditam que as urnas podem ter sido enterradas ao mesmo tempo. “Se fossem momentos diferentes de enterramento, as urnas estariam em alturas distintas. É como se tivessem escavado uma única cova e depositado uma urna ao lado da outra”, aponta o arqueólogo.
Foto:Divulgação/Instituto Mamirauá
A escavação também revelou sinais de uma sociedade ainda mais antiga que aquela que produziu as urnas funerárias. São fragmentos de cerâmica que pertencem a um grupo que habitou a mesma região, mas em um tempo diferente. “A urnas do Tauary são próximas ao ano 1500 depois de Cristo. Mas essa outra cerâmica encontrada aparenta ser muito mais antiga, com uma diferença de 40 centímetros de profundidade em relação ao período das urnas, o que indica uma passagem grande de tempo”, conta.

“Nossa hipótese é que quando o grupo que escavou os buracos para depositar as urnas, eles encontraram esse material muito mais antigo, pegaram todo esse material, espalharam e fizeram quase que um piso de cerâmica, colocando as urnas em cima dele. É uma cerâmica mais antiga que provavelmente não tem a ver com os antepassados deles”, acredita o pesquisador do Instituto Mamirauá.

Tauary, lar de riquezas do passado da Amazônia

Na comunidade Tauary, existe um grande sítio arqueológico, cuja real extensão ainda está sendo levantada pelos arqueólogos.
Foto:Divulgação/Instituto Mamirauá
Em 2014, as primeiras urnas funerárias foram encontradas no lugar e, quatro anos depois, os pesquisadores retornaram para mais investigações sobre “a trajetória histórica de ocupação do Tauary e os vestígios encontrados, sejam materiais cerâmicos ou botânicos, na terra ou sobre a terra, no presente e no passado”, como define Eduardo Kazuo, que é coordenador do Laboratório de Arqueologia do Instituto Mamirauá.

Sobre o Instituto Mamirauá

O Instituto Mamirauá é uma unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). Trabalharam juntos na expedição arqueológica o Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo (MAE-USP), o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), a Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), a Universidade Estadual do Amazonas (UEA) e a Universidade Pompeu Fabra, de Barcelona.

Veja primeiras imagens de índios isolados descobertos na Amazônia

A equipe da Fundação Nacional do Índio (Funai) percorreu mais de 180 quilômetros em embarcações por rios, estradas de terra, trilhas fechadas e outros 120 quilômetros a pé, em área de mata densa da floresta amazônica. E nos afluentes dos rios Jutaí e Juruazinho, no Amazonas, foram constatadas evidências da movimentação de índios isolados.

Toda essa ação da Funai foi feita pela expedição de "Monitoramento da Presença de Índios Isolados no Rio Juruazinho", realizada entre os dias 16 de julho e 1º de agosto pela Coordenação da Frente de Proteção Etnoambiental Vale do Javari (FPEVJ), por intermédio de seu Serviço de Proteção em Eirunepé, no Amazonas, e tem por objetivo proteger os índios isolados da Amazônia.
Foto: Divulgação/Fanai
O rio Juruazinho compreende o limite sul da Terra Indígena (TI) Vale do Javari e norte da Terra Indígena Mawetek. A TI Vale do Javari é a segunda maior do país e está localizada no sudoeste do Amazonas, na fronteira entre o Brasil e o Peru. Ocupada por seis povos contatados (Matsés, Matis, Marubo, Kanamari e Kulina-Pano), dois de recente contato (Korubo e Tsohom Djapa) e dezesseis registros em estudo de índios isolados (sendo 11 confirmados), ela possui a maior quantidade de registros confirmados de grupos de índios isolados do país. 

Já a TI Mawetek é de usufruto exclusivo do povo Kanamari e está inserida nos afluentes que formam o rio Juruá, próximo a cidade de Eirunepé, sendo contígua ao limite sul da TI Vale do Javari.
Foto: Divulgação/Funai
A expedição teve a participação da Polícia Militar do Amazonas na etapa de fiscalização e, na expedição de monitoramento de índios isolados, além da colaboração de indígenas Kanamari, que ocupam ambas as terras indígenas, e são profundos conhecedores dessa região.

A equipe encontrou provas e registrou a presença assídua de caçadores em diversos igarapés afluentes do rio Juruazinho. Duas equipes de caça que se encontravam próximas aos limites da TI Vale do Javari foram flagradas com ilícitos ambientais, sendo realizada a apreensão e soltura de animais vivos.
Foto: Divulgação/Funai
Um proprietário de terras da região, que pretendia ocupar ilegalmente parte da Terra Indígena Mawetek, foi advertido pela equipe da Funai, assim como outros dois proprietários de fazendas de gado foram notificados formalmente com prazo para retirada de seus bens e correção de suas cercas de acordo com os limites da Terra Indígena Mawetek.

"Essa é a terceira expedição terrestre de monitoramento dos índios isolados em menos de um ano nessa região. Outros dois sobrevoos também foram realizados nesse período. A proposta é manter um trabalho contínuo da FPEVJ, a partir de Eirunepé-AM, ampliando-o para outras áreas de circulação dos Índios Isolados no alto curso dos rios Jutaí e Itaquaí. A vigilância e fiscalização devem ser intensificadas na região para coibir a ação de infratores e garantir a posse plena do território pelos indígenas", afirmou Vitor Góis, servidor da Funai que coordenou os trabalhos em campo.

As atividades contaram com apoio local das da Coordenação Regional do Juruá/Funai, em Cruzeiro do Sul (AC), e da Coordenação Técnica Local da Funai em Eirunepé (AM).

Confira o vídeo dos índios isolados:

Parque Nacional da Amazônia aposta no turismo sustentável; saiba como visitar

Criado em 1974, o Parque Nacional da Amazônia leva o nome do bioma que torna o Brasil líder em biodiversidade. Foi o 15º Parque Nacional a ser criado no país e o primeiro a ser criado no bioma amazônico. Também foi o primeiro a ser aberto para visitação e atualmente é o segundo que mais recebe visitantes. No ano passado, o parque nacional recebeu mais de 3 mil visitas e continua crescendo.

O Parque Nacional da Amazônia dispõe de oito trilhas e vários outros encantos que atraem turistas locais, que vem em busca de diversão com banhos nas praias dos rios; e de fora, como observadores de pássaros e esportes de aventura. Entretanto, de acordo com a responsável pelo uso público da Unidade Especial Avançada (UNA), que gere o parque, Lívia Haubert Ferreira Coelho, a UC ainda tem um potencial ainda maior para crescer. Nos últimos meses, a UNA tem passado por capacitações contínuas na área de uso público e já apresenta resultados.  
Foto:Divulgação/ICMBio
No mês passado, por exemplo, Lívia Haubert participou de uma visita técnica aos Estados Unidos. A comissão brasileira, que contava com representantes da Coordenação Geral de Uso Público (CGEUP), visitou parques e florestais nacionais americanas geridas pelo Serviço Florestal Americano e pelo Serviço Nacional de Parques. Lá, eles conheceram metodologias de contagem de visitantes e pretendem implementar uma adaptação à realidade das UCs brasileiras.

Chamada de Rol de Oportunidades de Visitação de Unidade de Conservação (ROVUC), a metodologia consiste em simplificar o plano de uso público das UCs. “O ROVUC será um instrumento mais para o planejamento que de diagnóstico levando em conta a dinamicidade das unidades e a continuidade da gestão”, avalia Lívia.

Também dentro do Projeto “Parceria para a Conservação da Amazônia”, no final de junho passado, a UNA sediou a segunda edição do curso de Planejamento de Uso Público. O curso foi realizado com participação de instrutores norte-americanos do Serviço Florestal dos Estados com experiências em áreas protegidas nos estados de Montana e Carolina do Sul. Dentre os conteúdos apresentados estão escala de planejamento, monitoramento dos planos, trabalho com as incertezas, como construir os planejamentos de maneira participativa e diversificação de visitantes, visando as oportunidades.

Com o curso, gestores de UCs puderam pensar criticamente sobre manejo e planejamento de diversos usos em áreas protegidas brasileiras, ficar atentos às possibilidades de diálogo para desenvolver competências e consequentemente maior confiança na tomada de decisões.

O Parque Nacional da Amazônia foi palco da parte prática do curso. “Com base nestas experiências, iniciamos o processo de revisão do plano de uso público da unidade”, conta Lívia.   
Foto: Divulgação/ICMBio
Potencial turístico

O Parque Nacional da Amazônia possui um grande potencial turístico. Suas corredeiras e praias de rios são bastante utilizadas pelo público local para atividades de lazer. Trilhas com cerca de 20 km de extensão e a relativa facilidade de observação da fauna local (o Parque Nacional possui mais de 10 espécies de primatas, alguns deles sob risco de extinção). O local também é procurado por peregrinos que rumam à Capelinha de São José da Mata, rota seguida pelos fieis há quase cinquenta anos.

O estímulo ao turismo sustentável de maneira ordenada fortalece a economia local, proporciona diversificação e promove autonomia financeira, especialmente para jovens que estão prestes a entrar no mercado de trabalho.

É o caso de Kennedy Alves de Oliveira, de 19 anos. Morador de Itaituba, ele fez parte da primeira turma do ensino médio técnico em Turismo da cidade. Logo depois, ele finalizou o curso de condutor de visitantes para atuar no Parque Nacional da Amazônia.

Agora Kennedy integra o projeto Motivação para o Sucesso de Gestão em Unidades de Conservação (MOSUC). “Este curso abriu portas para mim no mercado de trabalho que não possui muitas opções para os jovens”, diz. Kennedy conta que a capacitação como condutor o auxilia muito em sua formação como futuro biólogo, especialmente na área de ecoturismo, que domina o interesse do jovem.

Além das trilhas e observação de aves, Lívia conta também que as capacitações abriram horizontes novos para atividades para turistas. Uma delas é o boiacross, um esporte propício para ser realizado nas corredeiras do Rio Tapajós. Consiste num equipamento semelhante a uma câmara de pneu de caminhão onde o participante desce as corredeiras, munido, é claro, de material de proteção.

Os primeiros testes devem ser feitos no próximo mês junto à associação de turismo local com os comunitários. "O investimento inicial é de cerca de 400 reais, bem menor do que de outros esportes como o stand up paddle ou o rafting”, afirma Lívia. Durante o período de testes, será verificada a necessidade de outros investimentos e a viabilidade turística para esse esporte.  
Caverna Maroaga | Foto: Fabricio Ferreira Silva / Acervo Pessoal
As capacitações influenciaram no processo de tomada de decisões pela equipe responsável pelo uso público. “Atualmente conhecemos melhor o nosso visitante; sabemos que o observador de aves, por exemplo, costuma passar longos dias no Parque a fim de catalogar a maior diversidade possível de aves. Essas características nos fizeram perceber que precisávamos alterar a forma como fazíamos o monitoramento da visitação”, conta Lívia.

A unidade possui, atualmente 4 áreas de camping. O pernoite no parque é praticado por cerca de um terço dos visitantes, por isso, a UNA trabalha com afinco na estruturação do parque para receber os visitantes com maior comodidade.

Bases

Recentemente, foi finalizada a reforma de uma das duas bases da unidade, a base do Uruá, onde estão os atrativos mais procurados pelos visitantes. A habitação datava da década de setenta e passou por uma reforma profunda com troca dos pisos, do banheiro e do deque do mirante, danificado pelos cupins. A casa está mais arejada, recebeu uma cobertura de manta térmica, possui agora uma varanda com espaço para redes e está muito mais segura.

Em breve, a unidade vai ganhar quatro placas de painéis solares que devem substituir a energia elétrica atualmente vinda de um gerador, o que deve economizar recursos para os cofres públicos. Garantindo energia elétrica, água e melhorando a infraestrutura, Lívia acredita que a unidade vai proporcionar uma melhor experiência para servidores e pesquisadores que precisem utilizar as bases para pernoitar.

“A visitação é uma maneira positiva de integrar a comunidade com a gestão dos parques nacionais, pois podemos mostrar às pessoas a importância da participação delas no processo de gestão e preservação das UCs, como nos conselhos, nas concessões dentre outros processos”, conclui Lívia.  
Foto: Divulgação/ICMBio

Onde fica o Parque?

O Parque Nacional da Amazônia, Unidade de Conservação de Proteção Integral, foi criado em fevereiro de 1974, pelo Decreto n° 73.683, como parte do Programa de Integração Nacional (PIN), logo após a construção da Rodovia Transamazônica, BR-230.

Localiza-se no oeste do Pará, às margens do rio Tapajós, e faz parte do mosaico de Unidades de Conservação da BR-163. O parque é responsável pela proteção de inúmeras nascentes de contribuintes dos rios Tapajós e Amazonas, além de ser habitat de várias espécies ameaçadas de extinção, como a onça pintada, anta e arara juba, animais avistados com certa freqüência no interior da UC.

Há no interior da unidade infraestrutura básica para receber o turista. É possível fazer algumas trilhas sinalizadas no interior da floresta, onde se pode avistar inúmeras espécies de aves. No verão (agosto a dezembro), com a baixa do rio, formam-se os bancos de areia que, junto as águas claras do rio Tapajós, convidam-te para um banho. Do mirante se tem uma bela vista das corredeiras e pedreiras que se afloram no período de seca.

As pessoas que desejarem visitar o parque devem levar alimentação, pois existe a possibilidade de cozinhar, repelente de insetos, protetor solar, botas/tênis para caminhada, chapéu para sol e roupas adequadas. Não existe nenhum ponto de venda nas proximidades, devendo o visitante fazer suas compras nos supermercados em Itaituba. A água potável também é precária, portanto o visitante deve levar água mineral para beber. 
Foto: Divulgação/ICMBio
Como chegar?

Via Aérea: Para visitar o Parna da Amazônia deve-se tomar um avião até a cidade de Itaituba, que é atendida pela empresa aérea Azul.

Via Rodoviária: O acesso a Itaituba também é possível por meio da Rodovia Transamazônica, BR-230, que atravessa a cidade. De Santarém, pode-se tomar um ônibus ou ir de carro pela BR-163 até Rurópolis e no entroncamento seguir a BR-230 até Itaituba.

Via Fluvial: Optando-se pela via fluvial, pode-se ir de navio ou lancha, que saem diariamente da cidade de Santarém para Itaituba.

Acesso do município de Itaituba ao Parque Nacional da Amazônia: Partindo-se de Itaituba sentido Jacarecanga, pela Rodovia Transamazônica, chega-se à primeira base do parque, às margens do igarapé Tracoá, a aproximadamente 53 km do centro da cidade.

A segunda base, próxima ao igarapé Uruá, está a 12 km da primeira, também pela BR-230. Como a rodovia não é asfaltada, o acesso fica mais difícil nos meses chuvosos - de janeiro a maio. Chega-se à unidade também por via fluvial, pelo rio Tapajós, que oferece condições de navegabilidade durante todo o ano, mas deve-se escolher um piloto experiente, que conheça bem a região, devido a travessia das corredeiras, principalmente nos meses mais secos - de agosto a dezembro.

Onde se hospedar?

A cidade de Itaituba oferece uma rede hoteleira razoável, com diárias que variam de R$ 45,00 a R$ 150,00.

No parque existem dois alojamentos na base do Uruá. Um dos alojamentos dispõe de banheiro, cozinha com fogão, dois quartos com camas e redes. Nesse alojamento possui utensílios de cozinha que podem ser utilizados pelos visitantes. O outro alojamento dispõe somente de vão amplo, varanda e sanitário, devendo os visitantes dormirem em redes. O parque não possui energia elétrica, e conta apenas com motor e gerador, que é ligado por algumas horas do dia.

Também existe a possibilidade de acampar, embora não exista infraestrutura propícia para tal, com banheiros, lavanderia, mesas etc.

A base do Uruá também dispõe de um mirante com três sanitários, onde as pessoas também costumam dormir.

Ingressos

Atualmente não são cobrados ingressos aos visitantes, mas é necessário a retirada da Guia de Visitação na sede do ICMBio em Itaituba.

Mais informações pelo telefone (93) 3518-4519.
 

Indígenas da Amazônia têm dores frequentes, mas não reclamam, diz pesquisa da USP

No ritual da tucandeira, realizado como forma de iniciação masculina pela tribo sateré-mawé, na Amazônia, para demonstrar força e coragem, meninos da aldeia têm que vestir uma luva feita de palha (saaripé) cheia de formigas tucandeiras (Paraponerinae) e resistir por, pelo menos, 15 minutos às doloridas ferroadas do inseto.

Pesquisadora do manejo e controle da dor em pacientes em hospitais e em populações vulneráveis, como moradores de rua em São Paulo, Eliseth Ribeiro Leão, professora da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein, ficou intrigada como aqueles indígenas resistiam e tratavam tamanha dor após o ritual na floresta. “Imaginava o processo inflamatório que aqueles índios apresentam quando tiram as mãos das luvas e o que fazem para curá-lo”, disse.

Foto: Marina Souza/Rede Amazônica
A fim de tentar encontrar resposta para essa e outras questões, a pesquisadora empreendeu um estudo inédito sobre as dores de indígenas na Amazônia e como elas são tratadas. Resultado do mestrado de Elaine Barbosa de Moraes, sob orientação de Eliseth, o trabalho, apoiado pela FAPESP, foi apresentado em julho no VIII Congresso Interdisciplinar de Dor (Cindor) da Universidade de São Paulo (USP). Será apresentado também em setembro no Congresso Mundial da Dor, da International Association for Study of Pain (IASP), em Boston, nos Estados Unidos.

“Há uma visão de que os indígenas suportam a dor causada por rituais, como o da tucandeira, mas não se sabia como era a comunicação dessa e de outras dores sentidas por eles e como são tratadas”, disse Eliseth à Agência FAPESP. “Decidimos mapear o perfil de dor, da experiência dolorosa dos indígenas, e também identificar que tipo de terapia eles utilizam para aliviá-la.”

Durante 23 dias, entre junho e julho de 2017, Eliseth e Elaine visitaram as tribos matis, kanamary e marubo no Vale do Javari, na divisa do Brasil com Peru e Colômbia, a 1,1 mil quilômetros de Manaus, capital do Amazonas.

Para chegar à região, que apresenta a maior densidade de povos indígenas isolados no mundo, foi preciso viajar de barco até a primeira aldeia, dos matis, carregado com tanques de gasolina suficientes para garantir o abastecimento na ida e na volta, e sob medo constante da possibilidade de o combustível ser saqueado. Tempo semelhante de navegação foi despendido para o acesso à aldeia kanamary.

Aldeia Matis | Foto: Divulgação/AIMA
Por meio de intérpretes, Elaine e Eliseth entrevistaram 45 índios das três etnias, com perguntas do tipo de que forma sentiam dor, se era forte, moderada ou fraca e onde doía, além de fatores que contribuíam para a piora ou a melhora.

Para surpresa das cientistas, no momento da entrevista 77,8% dos índios afirmaram que estavam sentindo dor, principalmente músculo-esquelética (73,2%), localizada nos membros inferiores (46,6%), coluna (37,9%), articulações (35,5%), membros superiores (33,3%) e no abdome (24,4%).

Em relação à intensidade da dor, as respostas ficaram divididas. Enquanto 37,8% dos 45 participantes da pesquisa declararam sentir dores fortes, outros 33,3% alegaram intensidade fraca. Outros 26,7% não souberam responder à pergunta.

“Observamos que a dor entre os indígenas é bastante prevalente e está muito relacionada ao estilo de vida. Os índios das três etnias trabalham diariamente em roçados, saem para caçar e carregam muito peso, como toras de madeira, por longas distâncias. Isso faz uma sobrecarga no sistema músculo-esquelético e desencadeia esse tipo de dor neles, que é muito semelhante à dos trabalhadores rurais”, disse Eliseth.

Vencer a dorAs pesquisadoras também avaliaram a “qualidade” da dor dos índios das três etnias ao pedir que expressassem espontaneamente como era a sua dor, uma vez que não existem questionários validados para utilização junto a essa população.

Segundo Eliseth, o Questionário de Dor de McGill – um instrumento desenvolvido pela McGill University, do Canadá, que analisa as várias dimensões da dor por meio de 72 descritores sensitivos, afetivos e cognitivos, com o intuito de mensurar a experiência dolorosa – é complexo e, às vezes, de difícil compreensão. 
Foto: Marina Souza / Rede Amazônica
As palavras espontâneas usadas pelos índios para expressar a experiência da dor, entretanto, foram muito semelhantes às existentes no questionário desenvolvido pela universidade canadense para avaliar a dor em pacientes em hospitais, por exemplo. Os indígenas, porém, só usaram descritores sensitivos para descrever a experiência dolorosa, como pontada e queimação.

“Constatamos que os índios não expressam muito a experiência da dor pelo lado emocional, como fazemos, em que em algumas situações avaliamos a dor como desesperadora, por exemplo. Eles não reclamam da dor”, disse Eliseth.

Ao pedir para as mulheres relatarem dores pregressas, por exemplo, nenhuma delas, das três etnias, fez referência à dor do parto. “Isso mostra que a dor para elas faz parte de um processo natural, não é vista como anormalidade”, avaliou.

Uma das hipóteses para explicar a resistência dos índios à expressão emocional da experiência dolorosa está relacionada aos aspectos culturais, que interferem no limiar da dor. Como são submetidos desde a infância a aprender a vencer a dor e passam por uma série de rituais dolorosos ao longo da vida, como o da tucandeira, isso faz com que tenham um maior limiar de dor e contenham a expressão emocional da experiência dolorosa.

Outra hipótese é a de que, como vivem em um sistema econômico de subsistência, não adianta reclamar da dor em um dia uma vez que no seguinte precisarão voltar para o roçado, caçar e garantir o alimento para sobreviver.

“A sobrevivência deles e da aldeia onde vivem depende de atividades que podem provocar dor, como caçar, trabalhar no roçado e carregar muito peso. Isso faz com que acabem se adaptando a esses quadros dolorosos e tenham que conviver com a dor para poder sobreviver”, disse Eliseth.
Foto: Marina Souza/Agência Brasil
Formas de tratamento

A resistência dos índios à expressão emocional da experiência dolorosa não significa que a dor não tenha impacto na qualidade de vida, ponderou a pesquisadora. Mais de 60% dos entrevistados disseram que a dor interfere no sono e nas atividades diárias deles e mais de 50% afirmaram que afeta seus relacionamentos. “Quando a dor se manifesta, às vezes eles se recolhem naquele dia, não vão trabalhar, e alguns falam que ficam tristes”, disse Eliseth.

Para tratar a dor, 86,7% dos índios entrevistados disseram que recorrem à medicina convencional – ou os “remédios do branco”, como anti-inflamatórios não hormonais, relaxantes musculares e corticoides – e 80% contam com a ajuda da medicina tradicional indígena como o “remédio do mato”, feito de acordo com as tradições de cada tribo com ervas e outros extratos vegetais.

Os “medicamentos do branco”, porém, foram apontados como fator de melhora da dor por apenas 22,2% dos indígenas. Já o “remédio do índio”, que envolve benzimento, pajelança, banhos, rezas, veneno de sapo, picadas de formiga, cantos e fumaça, foi apontado como fator de alívio da dor por 64,4% dos entrevistados, seguido pelo “remédio do mato”, feito a partir de extratos de plantas (60%).

“Imaginávamos que eles tomavam muito mais medicação por via oral, como infusões de ervas, e vimos que, na realidade, eles utilizam muito emplastro, como uma resina de breu-branco [Protium heptaphyllum] misturada com urucum [Bixa orellana]”, disse Eliseth.



As pesquisadoras também entrevistaram 36 funcionários do Distrito Sanitário Especial Indígena – órgão do governo federal ligado ao Sistema Único de Saúde (SUS) –, que prestam atendimento às três tribos na Amazônia para avaliar como os agentes de saúde lidam com a dor dessas populações. No total, 73% deles disseram que não investigam a dor dos índios durante o atendimento.

Do total de 45 índios das três etnias que foram entrevistados, 37% relataram automedicação com os remédios usados na medicina convencional, como os anti-inflamatórios não hormonais. “Isso provavelmente se deve ao fato de não ter um profissional de saúde com formação apropriada para avaliar a dor deles adequadamente”, disse Eliseth.

Com base nas constatações do estudo, as autoras elaboraram uma cartilha com informações e recomendações para o manejo da dor, que incluem conceitos da medicina convencional e as práticas culturais da medicina tradicional indígena, para facilitar o diálogo entre profissionais de saúde e indígenas.

“A cartilha será traduzida para as línguas das três etnias e distribuída para os profissionais dos Distritos Sanitários Especiais Indígenas e as lideranças indígenas”, disse Eliseth. 

Funai divulga imagens de índio da TI Tanaru que vive sozinho há 22 anos

Imagine passar 22 anos observando uma só pessoa. Planejando ações de vigilância do território onde vive, garantindo sua proteção contra ameaças externas. Nenhuma palavra trocada. Todo contato consistindo em fornecer alguns objetos que poderiam ser úteis para a sua sobrevivência. É esse o trabalho realizado pela Funai na Terra Indígena (TI) Tanaru, onde vive o indígena isolado popularmente conhecido como o "índio do buraco". 
Foto: Divulgação/Funai
A Frente de Proteção Etnoambiental Guaporé (FPE Guaporé) é a unidade da Funai responsável pelo monitoramento dos seus processos de ocupação e pela proteção da TI Tanaru. Esse trabalho é realizado constantemente. Periodicamente a FPE Guaporé alterna ações de monitoramento da TI Tanaru com ações de vigilância do entorno de seu território, garantindo sua proteção.

Quando há a presença confirmada ou possível de povos indígenas isolados fora de limites de terras indígenas, a Funai se utiliza do dispositivo legal de Restrição de Uso (interdição de área), amparando-se no artigo 7.º do Decreto 1775/96; no artigo 231 da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988; e no artigo 1.º, inciso VII da Lei nº 5371/67, visando a integridade física desses povos em situação de isolamento, enquanto se realizam outras ações de proteção e tramitam processos de demarcação de terra indígena. 
Foto: Reprodução/ISA
A atual delimitação da TI Tanaru foi estabelecida em 2015, por meio da Portaria do Presidente da Funai de número 1040 de 16 de outubro, que prorrogou a interdição de área por mais 10 anos. A área demarcada possui 8.070 hectares. Não obstante, as primeiras interdições de área ocorreram já na década de 1990, logo após a confirmação da existência do índio isolado da TI Tanaru.

É bastante traumático o histórico do povo indígena ao qual pertence. Na década de 80, a colonização desordenada, a instalação de fazendas e a exploração ilegal de madeira em Rondônia, provocaram sucessivos ataques aos povos indígenas isolados que até então viviam nessas regiões, num constante processo de expulsão de suas terras e de morte.  
Foto: Divulgação/Funai
Após o último ataque de fazendeiros ocorrido nos finais de 1995, o grupo que provavelmente já era pequeno (a partir de relatos, a equipe local acreditava serem seis pessoas) tornou-se uma pessoa só. Os culpados jamais foram punidos. Em junho de 1996, a Funai teve finalmente o conhecimento da existência e da traumática história deste povo, a partir da localização de acampamento e outros vestígios de sua presença. Quando a Funai finalmente confirmou sua presença, já havia apenas uma pessoa. No entanto, outros indícios anteriores levaram os servidores a crer que ali residia um grupo maior.

Nos últimos 10 anos, a Funai realizou 57 incursões de monitoramento do indígena e cerca de 40 viagens para ações de vigilância e proteção da TI Tanaru. Até a presente data a FPE Guaporé localizou 48 moradias, documentadas conforme a metodologia da Funai. Ao longo do tempo, foram registradas várias imagens suas, obtidas por acaso, durante as ações da FPE Guaporé no interior da TI Tanaru.  
Foto: Divulgação/Funai
Mesmo com uma equipe reduzida, a Funai não mediu esforços para estar presente, vigiando o entorno e monitorando suas condições de vida. "A gente sempre sabe mais ou menos em qual igarapé e em qual parte da terra indígena ele se encontra. Monitoramos ele de longe", afirma Altair Algayer, Coordenador da FPE Guaporé. Há mais de 5 anos não se observam invasões de madeireiros, desmatamentos e nenhuma outra presença de pessoas estranhas dentro dos limites da área.

A partir da confirmação da presença dele, em 1996, a Funai realizou algumas tentativas de contato, mas logo recuou ao perceber que não era da vontade dele. A última tentativa ocorreu em 2005. Deste então, os servidores que o acompanham deixam apenas algumas ferramentas e sementes para plantio em locais que ele passa frequentemente. Por volta de 2012, a Funai registrou algumas roças de milho, batata, cará, banana e mamão plantadas pelo indígena, que vive basicamente desses alimentos e da caça.  
Foto: Divulgação/Funai
O que surpreende os servidores que acompanham a trajetória do indígena isolado da TI Tanaru é a sua vontade de viver. Para Altair, "Esse homem, que a gente desconhece, mesmo perdendo tudo, como o seu povo e uma série de práticas culturais, provou que, mesmo assim, sozinho no meio do mato, é possível sobreviver e resistir a se aliar com a sociedade majoritária. Eu acredito que ele esteja muito melhor do que se, lá atrás, tivesse feito contato", disse.

Compete à Funai, por meio CGIIRC e das CFPEs, garantir aos povos isolados o pleno exercício de sua liberdade e das suas atividades tradicionais, disciplinando o ingresso e trânsito de terceiros em áreas em que se constate a presença de indígenas como Tanaru, tomando as providências necessárias à proteção desses povos.

Confira o vídeo do indígena Tanaru:

Amazônia concentra 41% das queimadas registradas pelo Inpe em 2018

Historicamente, o mês de julho abre a temporada de queimadas na Amazônia. Dos 15 mil focos de incêndio detectados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) no primeiro semestre de 2018 em todo o país, 41% foram na Amazônia. Geralmente, as queimadas não são acidentais, mas provocadas pela ação do homem, que usa o fogo para desmatar grandes áreas, iniciar cultivos e renovar pastagens.

"Até o final de 2018, os registros aumentarão significativamente, atingindo algumas centenas de milhares de focos - e isso considerando apenas os dados de um único satélite, o AQUA, tido como "referência"", afirmou o pesquisador Alberto Setzer, coordenador do programa Queimadas – Monitoramento por Satélites.

O programa Queimadas surgiu em 1998, ampliando o monitoramento da Amazônia brasileira, que o Inpe havia começado dez anos antes. Com ele, os cientistas passaram a identificar também ações de queima na floresta e incêndios em qualquer parte do país. Satélites mais precisos e acesso a dados em tempo real vem aprimorando o programa.
Foto: Divulgação/INPE
Segundo Setzer, o monitoramento de queimadas por imagens de satélites é indispensável em um país como o Brasil, com dimensões continentais e muitas regiões remotas. Com isso, as informações são atualizadas a cada três horas, diariamente. No total, são processadas cerca de 250 imagens por dia, produzidas por dez satélites diferentes.

O programa consolida todas as informações em um relatório diário automático, com tabelas e gráficos que permitem o uso inteligente das informações para trabalhos de combate aos incêndios, especialmente por grupos de brigadas de bombeiros e por secretarias de meio ambiente.

Com o Projeto Monitoramento Ambiental por Satélites no Bioma Amazônia (MSA), criado em 2014, financiado pelo Fundo Amazônia e executado pelo Inpe em parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), foram incluídos novos satélites para o monitoramento de focos de queimadas e incêndios florestais na Amazônia, Cerrado e países vizinhos.

"O refinamento desse monitoramento de queimadas na Amazônia foi feito com a inclusão de novos satélites no sistema. Para tanto foram adquiridas e instaladas quatro novas estações para rastreio, recepção e processamento dos sinais e dados e um par de antenas em Cuiabá (MT) e outro par em Cachoeira Paulista (SP)", ressalta Setzer.

Em busca de alimento, onças pintadas da Amazônia ocupam ilhas fluviais

A dinâmica dos rios na Amazônia forma as ilhas fluviais que, assim como surgem, podem sumir em questão de poucos anos. Preguiças, macacos e outros animais que vivem na copa das árvores são habitantes comuns das ilhas de rio, porém até a onça-pintada, o maior felino das Américas, é visto em pequenos pedaços de terra como esses. Um estudo recente, feito por um pesquisador associado do Instituto Mamirauá, indica que a oferta de alimentos pode determinar a presença de onças em ilhas fluviais na Amazônia Central.

Predadoras de topo de cadeia, as onças-pintadas são animais flexíveis. Esses felinos terrestres conseguem se adaptar bem a ambientes alagáveis, como é o caso das florestas amazônicas de várzea. Na temporada de cheia dos rios, as onças percorrem, a nado, lagos e rios da região e chegam a viver durante meses em copas de árvores, comportamento monitorado e registrado pela primeira vez por uma equipe científica do Instituto Mamirauá. 
Foto: Divulgação/Instituto Mamirauá
A mais nova pesquisa associada ao instituto investigou os motivos que levam onças-pintadas a se deslocar pelos corpos d’água e entre diversos habitats da floresta. Foi avaliado se a ocorrência de onças-pintadas em áreas isoladas pela água, como as ilhas, é diferente de áreas florestais contínuas e como a abundância de presas influencia a frequência de onças nesses lugares.

Para isso, o ecólogo Rafael Rabelo, que assina o estudo, fez um levantamento de duas espécies predadas por onças (o macaco guariba – Alouatta juara e a preguiça comum – Bradypus variegatus) em 24 locais na Reserva Mamirauá, dentre eles 15 ilhas fluviais e 9 áreas de floresta contínua.

“A amostragem foi feita por meio de registros de avistamentos e vestígios, tais como pegadas e fezes, ao longo de trilhas, e foi repetida quatro vezes em todos os sítios para obter o histórico de detecção da onça-pintada”, explica o pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e associado do Instituto Mamirauá. Com base nos dados coletados, Rafael calculou as probabilidades de detecção e ocorrência de onças-pintadas em cada local.
Foto: Divulgação/Instituto Mamirauá
“Descobri que a probabilidade de um local ser utilizado pela onça é de 75%, tanto nas ilhas, quanto na floresta contínua. Ou seja, a chance de encontrar um vestígio de onça em uma ilha é a mesma que na floresta contínua”, afirma Rafael. De acordo com o pesquisador, esses resultados analíticos sugerem que a água que circunda as ilhas fluviais não afeta os padrões de uso do espaço e o movimento de onças-pintadas na paisagem.

“Além disso, encontrei que quanto maior a abundância das presas em um determinado local, maior será a chance de uma onça estar presente nesse local”, ressalta. De acordo com o pesquisador, esse resultado indica que a busca por recursos alimentares pode ser o fator motivacional para as onças usarem as ilhas. 

Foto: Divulgação/Instituto Mamirauá
Preguiças podem ser as presas preferidas 

Os números do estudo também indicam que as duas espécies de presas influenciaram na probabilidade de ocorrência da onça com a mesma intensidade, mesmo que a abundância das preguiças tenha sido menor. “Ainda que a abundância de preguiças seja menor que a de guaribas, ambas espécies tiveram o mesmo efeito na probabilidade de ocorrência das onças, o que pode estar associado a uma preferência da onça-pintada por essa espécie de presa”, afirma.
Foto: Divulgação/Instituto Mamirauá
Estudo em destaque em simpósio de conservação na Amazônia

A pesquisa, chamada “Abundância de presas determina o uso de ilhas fluviais por onça-pintada (Panthera onca) na Amazônia Central”, será apresentada durante os próximos dias 3 a 6 de julho em evento especializado do Instituto Mamirauá. O Simpósio sobre Conservação e Manejo Participativo na Amazônia (Simcon) chega à 15ª edição no município de Tefé, Amazonas, com apresentações e oficinas que dão foco a iniciativas de pesquisa e extensão para a conservação do meio ambiente e desenvolvimento sustentável da região. 

Expedições à Amazônia revelam novas espécies de sapos, lagartos, aves e plantas

A ideia de passar um mês rodeado pelos barulhos da floresta tropical, sem sinal de internet ou chuveiro com água quente, dormindo em redes ou em barracas e trabalhando das cinco horas da manhã à meia-noite até mesmo nos fins de semana pode parecer estressante para muitas pessoas. Mas para o zoólogo Miguel Trefaut Rodrigues esse tipo de viagem é “a coisa mais relaxante do mundo”.

Nos últimos meses, o professor do Instituto de Biociências (IB) da Universidade de São Paulo (USP) liderou duas expedições científicas a regiões praticamente inexploradas da Amazônia. São dois os objetivos principais: expandir o conhecimento sobre os padrões evolutivos da biota neotropical e desvendar, por meio dos estudos com esses animais e plantas, as relações que a floresta atlântica e a Amazônia tiveram no passado. 
Foto: Divulgação/FAPESP
Cada viagem durou cerca de 30 dias e mobilizou ao menos 10 pesquisadores de diferentes especialidades, além da equipe de apoio logístico. O custo foi financiado pela FAPESP, por meio de projetos coordenados por Rodrigues e por sua colega do IB-USP Cristina Miyaki – ambos realizados no âmbito do Programa BIOTA-FAPESP.

“Na primeira expedição, foram coletados mais de 700 exemplares de 104 espécies diferentes, entre répteis, anfíbios, pequenos mamíferos, aves e plantas. O material ainda está sendo analisado, mas acreditamos que será possível descrever várias espécies novas. Na segunda viagem, foram coletados mais de mil espécimes de aproximadamente 110 espécies – a maioria de lagartos”, contou Rodrigues em entrevista à Agência FAPESP.

Expedições

Realizada entre os meses de outubro e novembro de 2017, a primeira expedição foi concentrada na região do Pico da Neblina – o ponto mais alto do Brasil, situado a 2.995 metros acima do nível do mar em uma unidade de conservação integral da natureza perto da fronteira com a Venezuela.

Como parte do Parque Nacional do Pico da Neblina se sobrepõe ao território pertencente aos índios Yanomami, os pesquisadores necessitaram de autorização da Fundação Nacional do Índio (Funai) e do Exército para conduzir o trabalho de campo.

“Foi uma longa negociação. Estivemos a ponto de desistir, mas conhecer a fauna da região mais alta do Brasil era um desejo de muitos anos”, contou Rodrigues. 
Foto: Divulgação/FAPESP
Ao final, decidiu-se que a expedição ocorreria sob a tutela e com o apoio logístico do Exército, que mantém um batalhão de apoio aos Yanomamis na comunidade de Maturacá, distante 150 quilômetros do município de São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas.

O grupo seguiu de Manaus para Maturacá, onde permaneceu durante 15 dias para as primeiras coletas. A segunda metade do trabalho de campo foi conduzida no alto do Pico da Neblina.

“Sabemos que em altitudes superiores a 1.700 metros prevalecem paisagens que não têm absolutamente nada a ver com a Amazônia atual: são campos abertos e com clima muito mais frio que o da floresta, possivelmente parecido com o que imperava na América do Sul durante os períodos mais frios do Quaternário [aproximadamente de 2,6 milhões de anos até cerca de 10 mil anos atrás]”, disse o pesquisador.

Entre os 700 espécimes coletados, o grupo identificou 12 espécies novas só de sapos e lagartos – além de uma pequena coruja nunca antes descrita pela ciência.

“Em relação às plantas, por enquanto, já foi identificada uma espécie nova. Mas acredito que haja pelo menos uma dezena. São grupos complexos e têm de ser avaliados por especialistas. Os pequenos mamíferos também ainda estão sob análise e muito possivelmente teremos boas surpresas”, disse Rodrigues. 
Foto: Divulgação/FAPESP
Segundo o pesquisador, o material coletado não servirá apenas para a descrição das novas espécies. Também permitirá entender padrões evolutivos e filogeográficos da fauna sul-americana.

“Vários grupos de animais estão sendo estudados sob o ponto de vista genético, morfológico e fisiológico. Alguns desses estudos ajudarão a avaliar o risco de extinção dessas espécies caso a temperatura desses locais se eleve nos próximos anos”, disse.

Já foi possível observar, por exemplo, que as espécies presentes no Pico da Neblina não têm qualquer relação de parentesco com a biota encontrada nas demais regiões amazônicas. Na avaliação de Rodrigues, tal fato indica que a floresta ainda não estava ali quando o complexo maciço que abriga a montanha se formou.

“Isso é importante, pois sugere uma possível relação da biota do Pico da Neblina com a existente nos Andes, na floresta atlântica e outros biomas. Evidências para isso já temos. Uma das espécies de lagartos que encontramos, o papavento  Anolis neblininus, faz parte de uma radiação que abrange espécies andinas e das montanhas da floresta atlântica, no Sudeste do Brasil”, disse.

A barreira fluvial

A segunda expedição amazônica foi realizada entre abril e maio de 2018, desta vez sem o apoio do Exército. “Tivemos de alugar um barco – a única maneira de se deslocar pela floresta. Passamos um mês dormindo em redes dentro do barco, onde também fazíamos todas as refeições e montamos nosso laboratório. Em cada ponto diferente do rio era necessário contratar um guia local. O Rio Negro é cheio de pedras e é muito fácil acontecer um acidente”, contou Rodrigues. 
Foto: Divulgação/ICMBio
O grupo navegou de Manaus até cerca de 80 quilômetros acima do município de Santa Isabel do Rio Negro – passando pela região em que o Rio Branco desemboca suas águas barrentas no Rio Negro. Espécimes foram coletadas em diferentes pontos desse trajeto, em ambas as margens.

“Por sua baixa densidade e alta acidez, o Rio Negro é considerado pobre do ponto de vista faunístico. Queríamos estudar a influência das águas do Rio Branco na diversidade e abundância de espécies. Outro objetivo foi entender o papel do Rio Negro como barreira geográfica para a diferenciação das espécies. Por isso coletamos em ambas as margens”, explicou Rodrigues.

Armadilhas feitas com baldes e lonas de plástico foram instaladas na mata para capturar pequenos animais – sobretudo répteis e anfíbios. A linha de pesquisa coordenada por Rodrigues tem como objetivo entender a evolução de cobras, lagartos, sapos e pererecas da fauna sul-americana.

“São animais extremamente interessantes do ponto de vista ecossistêmico, pois formam a base da cadeia alimentar. E, nesta segunda expedição, conseguimos uma coleta espetacular, mais de mil exemplares”, disse o pesquisador.

O número elevado de espécimes coletado foi necessário para atender a um dos objetivos da segunda expedição: desvendar os mecanismos de origem de um complexo de espécies de lagartos partenogenéticos do gênero Loxopholis, ou seja, espécies formadas apenas por fêmeas que se reproduzem assexuadamente. 
Foto: Divulgação/FAPESP


Esse projeto, conduzido por dois pós-doutorandos supervisionados por Rodrigues – Sérgio Marques de Souza e Tuliana Oliveira Brunes –, também procura compreender por que essa região da Amazônia concentra um alto número de lagartos partenogenéticos.

“Coletamos lagartos do gênero Loxopholis em muitos pontos diferentes. Em algumas dessas populações conseguimos encontrar machos. Existem populações bissexuais e outras formadas apenas por fêmeas com cariótipos diploides e triploides [formados por dois ou três conjuntos de cromossomos, diferentemente dos gametas sexuais humanos que possuem apenas um conjunto cromossômico].”

Também foram coletados lagartos arborícolas do gênero Anolis com o intuito de investigar a evolução dessas espécies na América do Sul – objetivo do projeto de pós-doutorado de Ivan Prates, que atualmente é bolsista da Smithsonian Institution, nos Estados Unidos. 





Durante a viagem, o grupo descobriu em três locais diferentes do Rio Negro espécies partenogenéticas pertencentes a outro gênero de lagartos: Gymnophthalmus.

“Curiosamente, encontramos esses animais em pontos mais estreitos do rio, sobre dunas de areia que testemunham uma época em que o Rio Negro tinha um clima muito mais seco que o atual. Vamos comparar a amostragem feita em cada margem e avaliar se é a mesma espécie partenogenética ou se são clones diferentes e quando se separaram. Isso vai contribuir para compreender a história do Rio Negro”, disse Rodrigues.

Apesar de ainda ter pela frente um vasto material a ser analisado, a equipe da USP já planeja a próxima expedição à Amazônia, que deve contar novamente com apoio do Exército. Desta vez o objetivo é amostrar a fauna dos altos campos do Parque Nacional de Pacaás, em Rondônia, juntamente com o time de parasitologistas do professor Erney Plessman de Camargo, do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP.

Funai é condenada por expôr trabalhadores a péssimas condições de trabalho

A decisão é da 1ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 14ª Região (TRT-RO/AC) que reconheceu o recurso ordinário do Sindicato dos Servidores Públicos Federais em Rondônia (Sindsef) e reformou a sentença da 5ª Vara do Trabalho de Porto Velho.

Fundação Nacional do Índio (Funai), em Porto Velho (RO), foi condenado pela Justiça do Trabalho a pagar R$ 50 mil de indenização a título de danos morais coletivos e R$ 5 mil de honorários sucumbenciais em decorrência da exposição de trabalhadores por anos a péssimas condições de trabalho e em ambiente perigoso.

Na petição inicial, o Sindicato pretendia a interdição da sede da Funai onde os servidores prestavam os serviços, por ausência de condições mínimas de funcionabilidade.

No entanto, em seu apelo no 2º Grau, após o juízo da 1ª instância julgar improcedente o caso, o autor da ação alegou que apesar de a ré ter locado um imóvel para realocar seus servidores em 2016, após o ingresso da ação, ficou provado que entre o período de 2012 a 2016 os servidores trabalharam em local insalubre, perigoso e inadequado, o que justificaria a reforma da decisão de primeiro grau.
Foto: Divulgação
Ao analisar o mérito, a desembargadora-relatora Maria Cesarineide de Souza Lima ressaltou que a alteração de endereço ocorreu apenas após o ajuizamento da ação e que isso não retira a existência de dano moral coletivo sofrido. Em seu voto destaca ainda que no local anterior havia riscos de desabamento e descarga elétrica, conforme comprovado em laudo pericial. Além disso, acentuou ainda que a ausência de água potável e de banheiro disponível ofendeu a dignidade dos trabalhadores.

“O dano nesse período é tão evidente que a ré sequer formulou contestação específica relativa a esse fato, limitando-se a defender a improcedência da ação tendo em vista a mudança da sede após o ajuizamento da ação”, registrou em seu voto a relatora.

Segundo a desembargadora, o valor de R$ 50 mil mostra-se adequado para reparar os bens lesados, sendo que deverá ser revestido em benefício dos próprios trabalhadores da Funai, com ações voltadas à prevenção da saúde, o que deverá ocorrer mediante a prévia concordância do Ministério Público do Trabalho (MPT) que se manifestou pelo provimento do recurso.

O julgamento ocorreu no dia 22 de maio. Integram a 1ª Turma do TRT-RO/AC também o desembargador Francisco José Pinheiro Cruz e o juiz convocado Afrânio Viana Gonçalves. Ainda cabe recurso.