Economia

Marca 'Amazônia' impulsiona negócios

Investir pesado em sustentabilidade é contrapartida de grandes empresas que atuam na região

Hellen Miranda

hmiranda@jcam.com.br


 
 
    A Amazônia possui uma ampla biodiversidade em seu território e potencial para fortalecer diversos modelos de negócios. Com isso, ao longo dos anos cada vez mais grandes marcas vêm investindo na valorização de produtos que contenham em suas fórmulas matérias-primas regionais. Entre elas, uma de cosméticos que há 17 anos possui matéria-prima local no portfólio, a exemplos de óleos especiais extraídos da andiroba. Desde 2010, a marca já investiu R$ 1 bilhão em negócios na região e em três anos espera alcançar o patamar dos R$ 1,5 bilhão. 
    Segundo o gerente de sustentabilidade da empresa, Ronaldo Freitas, a cadeia produtiva do grupo é focada nas comunidades ribeirinhas e já conta com quase 3 mil famílias. "O nome Amazônia tem contribuído bastante para a marca e nós, por outro lado, contribuímos adquirindo produtos de agricultura familiar e investindo em programas como o Carbono Neutro, sendo fundamental haver parcerias com outras empresas e representação das comunidades que vão promover o desenvolvimento sustentável", disse Freitas. 
    Nos próximos anos a expectativa da marca é ampliar para mais de 10 mil famílias o atendimento e investir ainda mais em cadeias produtivas que agregam valor local e gerem emprego e renda. A primeira comunidade fornecedora da empresa na Amazônia foi no médio Juruá, no município de Carauari, contou o gerente. Nela são trabalhadas a cadeia de andiroba e a cadeia de muru muru.
    "É importante observar que não são só fornecedores, existe uma parceria pois aprendemos muito no sentido de melhorar os processos da empresa e também apoiamos o desenvolvimento das cooperativas, que são as centrais para melhoria da qualidade de vida da população ribeirinha", explicou. 
    Ainda de acordo com Freitas, a exemplos da grande atuação da marca na amazônia, atualmente 80% de sabonetes que vão para o Sudeste do país e para o exterior são produzidos e finalizados no Ecoparque, localizado no Estado do Pará. "Nós fazemos o fluxo inverso de muitas empresas que é trazer o acabamento de produtos para a região, ou seja, que não seja uma extração apenas de matéria-prima mas que a resposta tenha em outras áreas de produtos concentrados como embalagem e frascos", declarou.   
 
Foto: Valter Mendes / Jornal do Commercio
 
    Soluções adequadas    
Outro case de sucesso foi a instalação de uma multinacional de refrigerantes na Amazônia. A marca atua na região há quase 30 anos por meio da fábrica de concentrado na Zona Franca de Manaus (ZFM). Segundo o gerente sênior de governo e alianças estratégicas, André Luiz Soares, nos últimos anos a marca vem amplificando sua atuação. "Não só patrocinando eventos culturais, como gerando uma quantidade de empregos diretos e indiretos na cadeia produtiva, que trabalha principalmente com os frutos de açaí e guaraná que são base para alguns dos nossos produtos", frisou Soares.
    "Também temos procurado construir avenidas de desenvolvimentos para as comunidades coletoras desses frutos para que tenham acesso a outros serviços como educação a fim de aumentar a qualidade de vida", acrescentou. 
    Atualmente a empresa possui essas duas cadeias de produção, sendo na região mais a leste, os municípios de Borba, Parintins ao mosaico do Apuí. "São pequenos produtores e agricultores familiares que vendem o guaraná para a marca. Além disso, tem no médio Juruá a cadeia de açaí que já evoluiu com um programa maior de desenvolvimento territorial em parceria com a fabricante de cosméticos e outras empresas", explicou.
    Para o gerente é importante a região desenhar e discutir soluções adaptadas para a realidade local sem tratá-la como se fosse um obstáculo para o desenvolvimento. "É preciso modelos de negócio e investimentos sociais de empresas e parcerias com governo e entidades que construam essas soluções compatíveis, que respeitem as cadeias produtivas como modelos de extrativismo que mantêm a floresta em pé", destacou.
  
 
Foto: Divulgação / Agência Pará
 
    Desafios    
Dentre os principais desafios para o desenvolvimento de modelos de negócios na Amazônia, estão a questão tecnológica e logística. "Ainda existente a necessidade de desenvolver tecnologias adaptadas às comunidades ribeirinhas para se fazer um processo sem deslocar mão de obra. Outro fator é a distância de deslocamento dos óleos pelos rios que podem influenciar na qualidade daquele produto", afirma o gerente de sustentabilidade da empresa de cosméticos, Ronaldo Freitas. Além disso, segundo ele, tem a diferença entre tributação de produtos, sócio-biodiversidade e de agronegócio.    
Na avaliação do gerente sênior de governo e alianças estratégicas da empresa de refrigerantes, André Luiz Soares, os gargalos são desde os mais simples aos mais complexos. "Dos mais básicos estão trazer as práticas de manejo mais adequadas, ajudar grupos a fortalecer o associativismo, acessarem canais de comercialização e distribuição variada. Já nos difíceis incluem melhorar o modelo de educação nessas comunidades, trabalhar evasão de jovens dos municípios", disse Soares, ao destacar que, a raiz comum é acreditar que o bioma da amazônia é a principal raiz de soluções.   
 
Foto: Divulgação
 

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Marca 'Amazônia' impulsiona negócios

Investir pesado em sustentabilidade é contrapartida de grandes empresas que atuam na região

Hellen Miranda

hmiranda@jcam.com.br


 
 
    A Amazônia possui uma ampla biodiversidade em seu território e potencial para fortalecer diversos modelos de negócios. Com isso, ao longo dos anos cada vez mais grandes marcas vêm investindo na valorização de produtos que contenham em suas fórmulas matérias-primas regionais. Entre elas, uma de cosméticos que há 17 anos possui matéria-prima local no portfólio, a exemplos de óleos especiais extraídos da andiroba. Desde 2010, a marca já investiu R$ 1 bilhão em negócios na região e em três anos espera alcançar o patamar dos R$ 1,5 bilhão. 
    Segundo o gerente de sustentabilidade da empresa, Ronaldo Freitas, a cadeia produtiva do grupo é focada nas comunidades ribeirinhas e já conta com quase 3 mil famílias. "O nome Amazônia tem contribuído bastante para a marca e nós, por outro lado, contribuímos adquirindo produtos de agricultura familiar e investindo em programas como o Carbono Neutro, sendo fundamental haver parcerias com outras empresas e representação das comunidades que vão promover o desenvolvimento sustentável", disse Freitas. 
    Nos próximos anos a expectativa da marca é ampliar para mais de 10 mil famílias o atendimento e investir ainda mais em cadeias produtivas que agregam valor local e gerem emprego e renda. A primeira comunidade fornecedora da empresa na Amazônia foi no médio Juruá, no município de Carauari, contou o gerente. Nela são trabalhadas a cadeia de andiroba e a cadeia de muru muru.
    "É importante observar que não são só fornecedores, existe uma parceria pois aprendemos muito no sentido de melhorar os processos da empresa e também apoiamos o desenvolvimento das cooperativas, que são as centrais para melhoria da qualidade de vida da população ribeirinha", explicou. 
    Ainda de acordo com Freitas, a exemplos da grande atuação da marca na amazônia, atualmente 80% de sabonetes que vão para o Sudeste do país e para o exterior são produzidos e finalizados no Ecoparque, localizado no Estado do Pará. "Nós fazemos o fluxo inverso de muitas empresas que é trazer o acabamento de produtos para a região, ou seja, que não seja uma extração apenas de matéria-prima mas que a resposta tenha em outras áreas de produtos concentrados como embalagem e frascos", declarou.   
 
Foto: Valter Mendes / Jornal do Commercio
 
    Soluções adequadas    
Outro case de sucesso foi a instalação de uma multinacional de refrigerantes na Amazônia. A marca atua na região há quase 30 anos por meio da fábrica de concentrado na Zona Franca de Manaus (ZFM). Segundo o gerente sênior de governo e alianças estratégicas, André Luiz Soares, nos últimos anos a marca vem amplificando sua atuação. "Não só patrocinando eventos culturais, como gerando uma quantidade de empregos diretos e indiretos na cadeia produtiva, que trabalha principalmente com os frutos de açaí e guaraná que são base para alguns dos nossos produtos", frisou Soares.
    "Também temos procurado construir avenidas de desenvolvimentos para as comunidades coletoras desses frutos para que tenham acesso a outros serviços como educação a fim de aumentar a qualidade de vida", acrescentou. 
    Atualmente a empresa possui essas duas cadeias de produção, sendo na região mais a leste, os municípios de Borba, Parintins ao mosaico do Apuí. "São pequenos produtores e agricultores familiares que vendem o guaraná para a marca. Além disso, tem no médio Juruá a cadeia de açaí que já evoluiu com um programa maior de desenvolvimento territorial em parceria com a fabricante de cosméticos e outras empresas", explicou.
    Para o gerente é importante a região desenhar e discutir soluções adaptadas para a realidade local sem tratá-la como se fosse um obstáculo para o desenvolvimento. "É preciso modelos de negócio e investimentos sociais de empresas e parcerias com governo e entidades que construam essas soluções compatíveis, que respeitem as cadeias produtivas como modelos de extrativismo que mantêm a floresta em pé", destacou.
  
 
Foto: Divulgação / Agência Pará
 
    Desafios    
Dentre os principais desafios para o desenvolvimento de modelos de negócios na Amazônia, estão a questão tecnológica e logística. "Ainda existente a necessidade de desenvolver tecnologias adaptadas às comunidades ribeirinhas para se fazer um processo sem deslocar mão de obra. Outro fator é a distância de deslocamento dos óleos pelos rios que podem influenciar na qualidade daquele produto", afirma o gerente de sustentabilidade da empresa de cosméticos, Ronaldo Freitas. Além disso, segundo ele, tem a diferença entre tributação de produtos, sócio-biodiversidade e de agronegócio.    
Na avaliação do gerente sênior de governo e alianças estratégicas da empresa de refrigerantes, André Luiz Soares, os gargalos são desde os mais simples aos mais complexos. "Dos mais básicos estão trazer as práticas de manejo mais adequadas, ajudar grupos a fortalecer o associativismo, acessarem canais de comercialização e distribuição variada. Já nos difíceis incluem melhorar o modelo de educação nessas comunidades, trabalhar evasão de jovens dos municípios", disse Soares, ao destacar que, a raiz comum é acreditar que o bioma da amazônia é a principal raiz de soluções.   
 
Foto: Divulgação
 

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