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Amazônia

Espécies de mutum, gavião real e maçarico estão entre as 65 aves da Amazônia ameaçadas de extinção

Em todo o território brasileiro, três aves já são consideradas extintas e outras três, endêmicas do Brasil, estão extintas no mundo


Perdendo apenas para os peixes, as aves são o segundo grupo de vertebrados mais diverso do Brasil, totalizando 1.903 espécies reconhecidas até 2014. A Amazônia sai na frente como o bioma com o maior número de espécies, porém, abriga 65 aves ameaçadas de extinção, dos 234 táxons oficialmente considerados ameaçados.

Pacu, curimatã e matrinxã: conheça 19 peixes que estão sob risco de extinção na Amazônia

As informações constam no Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção 2018, divulgado na última semana de janeiro, pelo Instituto de Conservação da Biodiversidade Chico Mendes (ICMBio). O Portal Amazônia já mostrou quais são os peixes ameaçados de extinção na Amazônia, que inclui espécies de Pacu, Matrinxã e Curimatã, e também os seis répteis da Amazônia que podem ser extintos.

Em todo o território brasileiro, três aves já são consideradas extintas: o maçarico-esquimó (Numenius borealis), o peito-vermelho-grande (Sturnella defilippii), e a arara-azul-pequena (Anodorhynchus glaucus). Outras três aves, endêmicas do Brasil, foram considerados extintas em todo o planeta: o gritador-do-nordeste (Cichlocolaptes mazarbarnetti); o limpa-folha-do-nordeste (Philydor novaesi) e o caburé-depernambuco (Glaucidium mooreorum).

A Mata Atlântica ainda é o bioma que possui o maior número de táxons ameaçados de extinção, são 120, seguido pela Amazônia, com 65. Em seguida, vêm o Cerrado e a Caatinga (34 táxons cada), o Pampa (16) e o Pantanal (13). Outros vinte táxons ameaçados de aves são marinhos.

Espécie de calango e outros cinco répteis podem ser extintos da Amazônia; saiba quais são

As principais ameaças às aves brasileiras apontadas durante o processo de avaliação foram o desmatamento e a fragmentação de habitat oriundos de atividades antrópicas, especialmente aquelas relacionadas às atividades agropecuárias e a expansão urbana. Outras ameaças relevantes são as queimadas e a captura de animais, seja para consumo ou para o comércio ilegal para servirem como animais de estimação.

Na Amazônia, espécies de mutum, maçarico, pica-pau e até do famoso gavião-real podem deixar de existir na fauna brasileira. O Portal Amazônia separou 10 aves que correm esse risco, confira:

Espécie: jacupiranga (Penelope pileata)

Situação: Vulnerável

Encontrado no Amazonas, Pará e Maranhão

Como boa parte das aves amazônicas, as populações do jacupiranga estão declinando em função da destruição e descaracterização avassaladoras do seu habitat. Aliado a este fator, a caça para consumo ainda impacta negativamente esta espécie. Sua área de distribuição é, atualmente, uma das mais impactadas em toda a Amazônia e as projeções são de um incremento na perda de vegetação natural.

 
Foto: Reprodução/ICMBio
 

Espécie: mutum-de-fava, mutum-fava, mutum-açu, mutum-piurí, mutum-de-assovio (Crax globulosa)

Situação: Em Perigo

Encontrado no Amazonas e Rondônia

A destruição de áreas de vegetação de várzea na Amazônia brasileira e habitat fluviais nos outros países é uma ameaça. É alvo de caça para consumo e comércio, sendo mais vulnerável que outros cracídeos, por manter-se muito próximo à beira de rios, habitat facilmente acessado por pessoas que utilizam o rio como transporte. Pode haver extinção de subpopulações isoladas devido à perda de variabilidade genética.


Espécie
: mutum-pinima (Crax fasciolata pinima)

Situação: Criticamente em Perigo

Encontrado no Pará e Maranhão

A região onde ocorre é, hoje, uma das mais descaracterizadas de toda a Amazônia. Crax f. pinima perdeu mais do que 75% de seu habitat original, estando atualmente ausente até mesmo dos maiores fragmentos florestais da região. É intolerante a alterações de habitat, sendo restrito a florestas primárias. As áreas remanescentes continuam sofrendo degradação e considera-se que não existe mais habitat ótimo para este táxon. Além disso, sofre intensa pressão de caça.


Espécie
: uiraçu-falso (Morphnus guianensis)

Situação: Vulnerável

Ocorre do sul do México à Bolívia, Paraguai, extremo nordeste da Argentina e Brasil, com registros desde a região norte até o sul do país.

A perseguição por humanos pode ser uma ameaça, considerando a baixa densidade da espécie. A existência de habitat adequado é um forte limitante à presença da espécie. Atualmente, ainda há perda de habitat na região sul do país devido à implantação de hidrelétricas, mineração e plantação de Pinus spp. Na região norte, é intensa a perda de habitat. O acúmulo de desmatamento nos últimos 40 anos na Amazônia brasileira é de aproximadamente 20%, concentrado no sul da Amazônia.


Espécie
: gavião-real, harpia (Harpia harpyja) 

Situação: Vulnerável

Encontrado no Sul do México ao leste da Bolívia, leste do Brasil e extremo nordeste da Argentina, dentro da distribuição original das florestas tropicais nas Américas. Mais de 50% da área total de sua distribuição ocorre nas florestas do Brasil.

Harpia harpyja ocorre originalmente do sul do México ao leste da Bolívia, leste do Brasil e extremo nordeste da Argentina. É citada como Quase Ameaçada na lista mundial de espécies ameaçadas e como Criticamente em Perigo em quase todas as listas estaduais de espécies ameaçadas existentes no Brasil. A situação da espécie na Amazônia é menos crítica do que em outras regiões do Brasil na atualidade, mas modelagens realizadas estimaram uma redução mínima de 27% de perda de habitat nesse bioma no tempo de três gerações da espécie (56 anos).


Espécie
:  jacamim-de-costas-marrons (Psophia dextralis)

Situação: Vulnerável

Encontrado no Pará e Mato Grosso

A maior ameaça reside na combinação do desmatamento com a caça predatória. Sua raridade natural, sensibilidade à alteração de habitat e o fato de ser espécie muito procurada por caçadores, uma vez que são aves robustas (mais de 2 kg), fazem com que possa desaparecer muito rapidamente de locais com ocupação humana.


Espécie
: maçarico-de-costas-brancas (Limnodromus griseus)

Situação: Criticamente em Perigo

No Brasil,  ocorre com frequência na costa norte e nordeste, especialmente nos estados do Amapá, Pará e Maranhão

Limnodromus griseus, espécie migratória que passa o período não-reprodutivo no Brasil, sofreu declínio de 86% em sua população no centro-norte do litoral brasileiro em um período de 25 anos. Considerando que essa população representa mais de 90% do total de indivíduos de L. griseus que migra para este país, esse declínio pode ser inferido para a população total que ocorre no Brasil. 


Espécie
: capitão-de-cinta (Capito dayi)

Situação: Vulnerável

Encontrado no Pará, Mato Grosso, Rondônia e Amazonas

A perda de habitat é a principal ameaça à espécie. Capito dayi é sensível a perturbação de habitat, ocorrendo principalmente em áreas menos perturbadas de florestas de terra firme. Grande parte de sua distribuição está nas áreas com maiores taxas de desmatamento na Amazônia.


Espécie
: pica-pau-de-belém (Piculus paraensis)

Situação: Em Perigo

Encontrado no Pará e Maranhão

A maior ameaça a Piculus paraensis reside na perda de habitat. A região é marcada por formas complexas de uso dos recursos naturais e ocupação humana, de forma que cerca de 70% do Centro de Endemismo Belém já foi desmatado. O táxon é extremamente sensível ao desmatamento, pois precisa de grandes fragmentos de mata primária para sobreviver.


Espécie
: ararajuba, guaruba (Guaruba guarouba)

Situação: Vulnerável

A distribuição inclui o oeste do Maranhão, um eixo lesteoeste na região central do Pará, o extremo sudeste do Amazonas e o extremo nordeste de Rondônia.

A principal ameaça para a sobrevivência da ararajuba na natureza é o desmatamento contínuo na Amazônia. A distribuição geográfica da espécie coincide com o arco do desmatamento e desse modo foi reduzida em aproximadamente 30% ao longo das últimas décadas e projeta-se uma perda de mais 20 a 30% nos próximos 50 anos. Embora a espécie possa tolerar certos distúrbios na floresta, as ararajubas estão ausentes em áreas com desflorestamento avançado e os bandos desaparecem sazonalmente em áreas fragmentadas, provavelmente em busca de alimento, indicando necessidade de florestas primárias.

 

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Espécies de mutum, gavião real e maçarico estão entre as 65 aves da Amazônia ameaçadas de extinção

Em todo o território brasileiro, três aves já são consideradas extintas e outras três, endêmicas do Brasil, estão extintas no mundo

Victor Cruz

jornalismo@portalamazonia.com


Perdendo apenas para os peixes, as aves são o segundo grupo de vertebrados mais diverso do Brasil, totalizando 1.903 espécies reconhecidas até 2014. A Amazônia sai na frente como o bioma com o maior número de espécies, porém, abriga 65 aves ameaçadas de extinção, dos 234 táxons oficialmente considerados ameaçados.

Pacu, curimatã e matrinxã: conheça 19 peixes que estão sob risco de extinção na Amazônia

As informações constam no Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção 2018, divulgado na última semana de janeiro, pelo Instituto de Conservação da Biodiversidade Chico Mendes (ICMBio). O Portal Amazônia já mostrou quais são os peixes ameaçados de extinção na Amazônia, que inclui espécies de Pacu, Matrinxã e Curimatã, e também os seis répteis da Amazônia que podem ser extintos.

Em todo o território brasileiro, três aves já são consideradas extintas: o maçarico-esquimó (Numenius borealis), o peito-vermelho-grande (Sturnella defilippii), e a arara-azul-pequena (Anodorhynchus glaucus). Outras três aves, endêmicas do Brasil, foram considerados extintas em todo o planeta: o gritador-do-nordeste (Cichlocolaptes mazarbarnetti); o limpa-folha-do-nordeste (Philydor novaesi) e o caburé-depernambuco (Glaucidium mooreorum).

A Mata Atlântica ainda é o bioma que possui o maior número de táxons ameaçados de extinção, são 120, seguido pela Amazônia, com 65. Em seguida, vêm o Cerrado e a Caatinga (34 táxons cada), o Pampa (16) e o Pantanal (13). Outros vinte táxons ameaçados de aves são marinhos.

Espécie de calango e outros cinco répteis podem ser extintos da Amazônia; saiba quais são

As principais ameaças às aves brasileiras apontadas durante o processo de avaliação foram o desmatamento e a fragmentação de habitat oriundos de atividades antrópicas, especialmente aquelas relacionadas às atividades agropecuárias e a expansão urbana. Outras ameaças relevantes são as queimadas e a captura de animais, seja para consumo ou para o comércio ilegal para servirem como animais de estimação.

Na Amazônia, espécies de mutum, maçarico, pica-pau e até do famoso gavião-real podem deixar de existir na fauna brasileira. O Portal Amazônia separou 10 aves que correm esse risco, confira:

Espécie: jacupiranga (Penelope pileata)

Situação: Vulnerável

Encontrado no Amazonas, Pará e Maranhão

Como boa parte das aves amazônicas, as populações do jacupiranga estão declinando em função da destruição e descaracterização avassaladoras do seu habitat. Aliado a este fator, a caça para consumo ainda impacta negativamente esta espécie. Sua área de distribuição é, atualmente, uma das mais impactadas em toda a Amazônia e as projeções são de um incremento na perda de vegetação natural.

 
Foto: Reprodução/ICMBio
 

Espécie: mutum-de-fava, mutum-fava, mutum-açu, mutum-piurí, mutum-de-assovio (Crax globulosa)

Situação: Em Perigo

Encontrado no Amazonas e Rondônia

A destruição de áreas de vegetação de várzea na Amazônia brasileira e habitat fluviais nos outros países é uma ameaça. É alvo de caça para consumo e comércio, sendo mais vulnerável que outros cracídeos, por manter-se muito próximo à beira de rios, habitat facilmente acessado por pessoas que utilizam o rio como transporte. Pode haver extinção de subpopulações isoladas devido à perda de variabilidade genética.


Espécie
: mutum-pinima (Crax fasciolata pinima)

Situação: Criticamente em Perigo

Encontrado no Pará e Maranhão

A região onde ocorre é, hoje, uma das mais descaracterizadas de toda a Amazônia. Crax f. pinima perdeu mais do que 75% de seu habitat original, estando atualmente ausente até mesmo dos maiores fragmentos florestais da região. É intolerante a alterações de habitat, sendo restrito a florestas primárias. As áreas remanescentes continuam sofrendo degradação e considera-se que não existe mais habitat ótimo para este táxon. Além disso, sofre intensa pressão de caça.


Espécie
: uiraçu-falso (Morphnus guianensis)

Situação: Vulnerável

Ocorre do sul do México à Bolívia, Paraguai, extremo nordeste da Argentina e Brasil, com registros desde a região norte até o sul do país.

A perseguição por humanos pode ser uma ameaça, considerando a baixa densidade da espécie. A existência de habitat adequado é um forte limitante à presença da espécie. Atualmente, ainda há perda de habitat na região sul do país devido à implantação de hidrelétricas, mineração e plantação de Pinus spp. Na região norte, é intensa a perda de habitat. O acúmulo de desmatamento nos últimos 40 anos na Amazônia brasileira é de aproximadamente 20%, concentrado no sul da Amazônia.


Espécie
: gavião-real, harpia (Harpia harpyja) 

Situação: Vulnerável

Encontrado no Sul do México ao leste da Bolívia, leste do Brasil e extremo nordeste da Argentina, dentro da distribuição original das florestas tropicais nas Américas. Mais de 50% da área total de sua distribuição ocorre nas florestas do Brasil.

Harpia harpyja ocorre originalmente do sul do México ao leste da Bolívia, leste do Brasil e extremo nordeste da Argentina. É citada como Quase Ameaçada na lista mundial de espécies ameaçadas e como Criticamente em Perigo em quase todas as listas estaduais de espécies ameaçadas existentes no Brasil. A situação da espécie na Amazônia é menos crítica do que em outras regiões do Brasil na atualidade, mas modelagens realizadas estimaram uma redução mínima de 27% de perda de habitat nesse bioma no tempo de três gerações da espécie (56 anos).


Espécie
:  jacamim-de-costas-marrons (Psophia dextralis)

Situação: Vulnerável

Encontrado no Pará e Mato Grosso

A maior ameaça reside na combinação do desmatamento com a caça predatória. Sua raridade natural, sensibilidade à alteração de habitat e o fato de ser espécie muito procurada por caçadores, uma vez que são aves robustas (mais de 2 kg), fazem com que possa desaparecer muito rapidamente de locais com ocupação humana.


Espécie
: maçarico-de-costas-brancas (Limnodromus griseus)

Situação: Criticamente em Perigo

No Brasil,  ocorre com frequência na costa norte e nordeste, especialmente nos estados do Amapá, Pará e Maranhão

Limnodromus griseus, espécie migratória que passa o período não-reprodutivo no Brasil, sofreu declínio de 86% em sua população no centro-norte do litoral brasileiro em um período de 25 anos. Considerando que essa população representa mais de 90% do total de indivíduos de L. griseus que migra para este país, esse declínio pode ser inferido para a população total que ocorre no Brasil. 


Espécie
: capitão-de-cinta (Capito dayi)

Situação: Vulnerável

Encontrado no Pará, Mato Grosso, Rondônia e Amazonas

A perda de habitat é a principal ameaça à espécie. Capito dayi é sensível a perturbação de habitat, ocorrendo principalmente em áreas menos perturbadas de florestas de terra firme. Grande parte de sua distribuição está nas áreas com maiores taxas de desmatamento na Amazônia.


Espécie
: pica-pau-de-belém (Piculus paraensis)

Situação: Em Perigo

Encontrado no Pará e Maranhão

A maior ameaça a Piculus paraensis reside na perda de habitat. A região é marcada por formas complexas de uso dos recursos naturais e ocupação humana, de forma que cerca de 70% do Centro de Endemismo Belém já foi desmatado. O táxon é extremamente sensível ao desmatamento, pois precisa de grandes fragmentos de mata primária para sobreviver.


Espécie
: ararajuba, guaruba (Guaruba guarouba)

Situação: Vulnerável

A distribuição inclui o oeste do Maranhão, um eixo lesteoeste na região central do Pará, o extremo sudeste do Amazonas e o extremo nordeste de Rondônia.

A principal ameaça para a sobrevivência da ararajuba na natureza é o desmatamento contínuo na Amazônia. A distribuição geográfica da espécie coincide com o arco do desmatamento e desse modo foi reduzida em aproximadamente 30% ao longo das últimas décadas e projeta-se uma perda de mais 20 a 30% nos próximos 50 anos. Embora a espécie possa tolerar certos distúrbios na floresta, as ararajubas estão ausentes em áreas com desflorestamento avançado e os bandos desaparecem sazonalmente em áreas fragmentadas, provavelmente em busca de alimento, indicando necessidade de florestas primárias.

 

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