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Casa Mamãe Margarida: mais que acolhimento, um espaço fraterno

A Casa Mamãe Margarida foi fundada no dia 2 de abril de 1986, em Manaus, e atende meninas em situação de vulnerabilidade social e com vínculos familiares rompidos


"Eu vim parar aqui por conta do meu pai ter me violentado por oito anos, desde quando eu era criança". O depoimento é de Aysha Melissa (nome fictício para preservar identidade da vítima), de 14 anos, uma das 278 meninas em vulnerabilidade social atendidas pela Casa Mamãe Margarida, em Manaus.


Aysha tem duas irmãs e um irmão, e a violência começou quando a mãe adoeceu e não pôde mais cuidar dos filhos. O caso dela se enquadra em alta complexidade, que envolve as vítimas de violência física, psicológica, sexual e de negligência.


 
Foto: William Costa/Portal Amazônia

A assistente social da Casa Mamãe Margarida, Kelly Fonseca, lembra que os casos que o abrigo recebe são de crianças muito problemáticas.


"São famílias desestruturadas, onde há a questão da droga, do álcool, da violência doméstica. Neste ano, só da escola, temos 12 crianças em que foi descoberta a situação do abuso sexual intrafamiliar, e hoje essas meninas estão em nosso acolhimento institucional", ressalta Kelly.


Sobre a saúde mental dessas meninas, Kelly lembra que elas chegam fragilizadas e pedem socorro.


"Logo que a família nos procura, muitas delas não colocam a situação e depois do nosso acompanhamento que vamos descobrindo a situação real dessas meninas, e as crianças e adolescentes nos revelam o que acontece no seio familiar. Nos casos de abuso, identificamos isso, e chamamos a família para orientar sobre isso, e o que mais acontece é a falta de coragem de muitas dessas mães em fazer a denúncia, pois geralmente o abusador é o pai, o irmão, um tio, e nesses casos as mães ficam sem reação", disse.

 
Foto: William Costa/Portal Amazônia

Os casos identificados são repassados também para o Conselho Tutelar e Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), do Amazonas.


"A gente faz a porta de entrada com o Conselho Tutelar, e quando não conseguimos, vamos com essas crianças e adolescentes até a delegacia, para fazermos a denúncia", orienta.

 
A Casa Mamãe Margarida funciona desde 1986 e faz parte da Rede Salesiana, e atua como escola de ensino fundamental e abrigo, tanto para as meninas que vem do acolhimento institucional (casos enviados pelo juizado), e as da comunidade, que chegam através dos parceiros como o Conselho Tutelar, que orienta a matrícula de meninas em situação de vulnerabilidade, como extrema pobreza, por exemplo.


 
Foto: William Costa/Portal Amazônia

Vanuza Siqueira é orientadora social da Casa Mamãe Margarida a mais de 20 anos e ressalta a importância do trabalho realizado pela instituição.


"A instituição funciona em dois sistemas, no abrigo institucional atendemos 35 meninas, que vivem aqui e que tiveram os direitos violados e são encaminhadas pelo Juizado da Infância, e temos a escola que vai de 2º período ao 5º ano, um convênio com a Secretaria Municipal de Educação (Semed), e atendemos de 0 a 18 anos, pois temos os bebês das acolhidas que ficam aqui com elas, mas na escola são de 5 a 18 anos", ressalta Vanuza.


Para as meninas que fazem parte da Casa Mamãe Margarida, há atividades no contra-turno que são pensadas para elas, e o que o voluntariado é muito importante para manter a instituição.


 
Foto: William Costa/Portal Amazônia

"Temos 278 meninas e quase 50 profissionais divididos entre arte-educadores de teatro, dança e música, informática, cuidadoras, além dos professores. Os voluntários são sempre bem-vindos e os chamamos de acordo com nossa necessidade. Hoje, precisamos de alguém para nossa biblioteca", disse.


Os trabalhos realizados pela Casa vão além dos muros, e a família é parte importante nesse processo, tanto na escola, quanto no abrigo.


"Há vários casos e cada caso é diferente do outro, uns, por exemplo, seguem em segredo de justiça e nem sabemos a história, pois estão em proteção máxima, nesses o juizado determinará se pode haver ou não o contato com a família. Mas é muito priorizado o convívio familiar e comunitário. E é todo um trabalho feito com elas e com as famílias, para que possam acolher e conviver com essa menina", conta Vanuza relembrando que é uma ex-aluna e chegou à casa pelo abrigo institucional.


 
Foto: William Costa/Portal Amazônia  

  Entre os voluntários, o artesão Valmir Miranda Cardoso, que no momento da nossa entrevista pintava em uma das paredes da quadra da Casa, um imagem que representa Dom Bosco e suas ações em prol do próximo.


"Eu faço com maior prazer, eu tenho muito haver com a casa, quando eu era de menor, com 13 anos de idade, eu vinha pra cá, brincava e as irmãs foram muito importantes na minha vida. Hoje tenho 46 anos, tenho família e sou avô, e devo muito à elas, e sempre que me chamam estou aqui para ajudar, assim como fui ajudado um dia. Eu me sinto grato, sou grato", conta Valmir.


Casa Mamãe Margarida



É uma Obra Social inaugurada em 24 de fevereiro de 1986, com ação evangelizadora, educativa e social desenvolvida e empenhada em gerar, promover, defender e cuidar da vida, tendo como ponto de partida a Caridade de Cristo Bom Pastor.


O Projeto tem como princípio básico a colher, defender e promover a vida de crianças e adolescentes do sexo feminino, que estejam vulneráveis ou já envolvidas nas várias formas de violência, sendo as principais o uso de drogas, abuso e violência sexual, violência doméstica, dentre outros.


 
Foto: William Costa/Portal Amazônia

A gravidez precoce também desponta como realidade do atendimento que a obra social oferece às suas usuárias, motivo pelo quais crianças e adolescentes são encaminhadas para a instituição, sendo que nestes casos o acolhimento acontece para a mãe e para o bebê.


A Casa também atua em dois tipos de Programas: Fortalecimento de vínculos familiares e comunitários e acolhimento institucional. Defendendo os direitos da criança e adolescente.


A direção da Casa é da irmã Liliana Maria Daou Lindoso.


Doações



Como é uma obra social, os custos mensais são grandes, e mesmo com os parceiros, com a Semed, que paga os professores do ensino fundamental, e a Secretaria de Assistência Social do Amazonas (Seas), que arca com 60% dos custos atuais das meninas do abrigo, a demanda por parceiros que ajudem a casa se manter é essencial.


Para ser voluntário e fazer doações para Casa, basta entrar em contato no número: (92) 3248-2331 (em horário comercial), ou mandar e-mail para casamamaemargarida@gmail.com.


A casa fica na Rua Penetração II, nº 27, bairro São José Operário, zona leste de Manaus.


 



Bella Causa 

 

Para dar visibilidade a luta contra a violência e abuso sexual sofrido pelas mulheres, a Fundação Rede Amazônica criou o projeto 'Bella Causa'. A ideia é desenvolver uma rede de apoio que possa identificar e ajudar unidades institucionais (abrigos com meninas de até 18 anos) nos seis estados da Região Norte com presença do Grupo Rede Amazônica.

 

 

Além disso, cada Estado contará com uma rede de embaixadoras que apoiarão a causa através de ações como palestras, exposições, bazar e campanhas de divulgação. Em Manaus, por exemplo, a embaixadora escolhida foi a jornalista Mazé Mourão. Já a primeira instituição que participará do 'Bella Causa' será a Casa Mamãe Margarida, que atende jovens mulheres em situação de vulnerabilidade social. 

 



Casa Mamãe Margarida: mais que acolhimento, um espaço fraterno

A Casa Mamãe Margarida foi fundada no dia 2 de abril de 1986, em Manaus, e atende meninas em situação de vulnerabilidade social e com vínculos familiares rompidos

William Costa

william.costa@portalamazonia.com


"Eu vim parar aqui por conta do meu pai ter me violentado por oito anos, desde quando eu era criança". O depoimento é de Aysha Melissa (nome fictício para preservar identidade da vítima), de 14 anos, uma das 278 meninas em vulnerabilidade social atendidas pela Casa Mamãe Margarida, em Manaus.


Aysha tem duas irmãs e um irmão, e a violência começou quando a mãe adoeceu e não pôde mais cuidar dos filhos. O caso dela se enquadra em alta complexidade, que envolve as vítimas de violência física, psicológica, sexual e de negligência.


 
Foto: William Costa/Portal Amazônia

A assistente social da Casa Mamãe Margarida, Kelly Fonseca, lembra que os casos que o abrigo recebe são de crianças muito problemáticas.


"São famílias desestruturadas, onde há a questão da droga, do álcool, da violência doméstica. Neste ano, só da escola, temos 12 crianças em que foi descoberta a situação do abuso sexual intrafamiliar, e hoje essas meninas estão em nosso acolhimento institucional", ressalta Kelly.


Sobre a saúde mental dessas meninas, Kelly lembra que elas chegam fragilizadas e pedem socorro.


"Logo que a família nos procura, muitas delas não colocam a situação e depois do nosso acompanhamento que vamos descobrindo a situação real dessas meninas, e as crianças e adolescentes nos revelam o que acontece no seio familiar. Nos casos de abuso, identificamos isso, e chamamos a família para orientar sobre isso, e o que mais acontece é a falta de coragem de muitas dessas mães em fazer a denúncia, pois geralmente o abusador é o pai, o irmão, um tio, e nesses casos as mães ficam sem reação", disse.

 
Foto: William Costa/Portal Amazônia

Os casos identificados são repassados também para o Conselho Tutelar e Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), do Amazonas.


"A gente faz a porta de entrada com o Conselho Tutelar, e quando não conseguimos, vamos com essas crianças e adolescentes até a delegacia, para fazermos a denúncia", orienta.

 
A Casa Mamãe Margarida funciona desde 1986 e faz parte da Rede Salesiana, e atua como escola de ensino fundamental e abrigo, tanto para as meninas que vem do acolhimento institucional (casos enviados pelo juizado), e as da comunidade, que chegam através dos parceiros como o Conselho Tutelar, que orienta a matrícula de meninas em situação de vulnerabilidade, como extrema pobreza, por exemplo.


 
Foto: William Costa/Portal Amazônia

Vanuza Siqueira é orientadora social da Casa Mamãe Margarida a mais de 20 anos e ressalta a importância do trabalho realizado pela instituição.


"A instituição funciona em dois sistemas, no abrigo institucional atendemos 35 meninas, que vivem aqui e que tiveram os direitos violados e são encaminhadas pelo Juizado da Infância, e temos a escola que vai de 2º período ao 5º ano, um convênio com a Secretaria Municipal de Educação (Semed), e atendemos de 0 a 18 anos, pois temos os bebês das acolhidas que ficam aqui com elas, mas na escola são de 5 a 18 anos", ressalta Vanuza.


Para as meninas que fazem parte da Casa Mamãe Margarida, há atividades no contra-turno que são pensadas para elas, e o que o voluntariado é muito importante para manter a instituição.


 
Foto: William Costa/Portal Amazônia

"Temos 278 meninas e quase 50 profissionais divididos entre arte-educadores de teatro, dança e música, informática, cuidadoras, além dos professores. Os voluntários são sempre bem-vindos e os chamamos de acordo com nossa necessidade. Hoje, precisamos de alguém para nossa biblioteca", disse.


Os trabalhos realizados pela Casa vão além dos muros, e a família é parte importante nesse processo, tanto na escola, quanto no abrigo.


"Há vários casos e cada caso é diferente do outro, uns, por exemplo, seguem em segredo de justiça e nem sabemos a história, pois estão em proteção máxima, nesses o juizado determinará se pode haver ou não o contato com a família. Mas é muito priorizado o convívio familiar e comunitário. E é todo um trabalho feito com elas e com as famílias, para que possam acolher e conviver com essa menina", conta Vanuza relembrando que é uma ex-aluna e chegou à casa pelo abrigo institucional.


 
Foto: William Costa/Portal Amazônia  

  Entre os voluntários, o artesão Valmir Miranda Cardoso, que no momento da nossa entrevista pintava em uma das paredes da quadra da Casa, um imagem que representa Dom Bosco e suas ações em prol do próximo.


"Eu faço com maior prazer, eu tenho muito haver com a casa, quando eu era de menor, com 13 anos de idade, eu vinha pra cá, brincava e as irmãs foram muito importantes na minha vida. Hoje tenho 46 anos, tenho família e sou avô, e devo muito à elas, e sempre que me chamam estou aqui para ajudar, assim como fui ajudado um dia. Eu me sinto grato, sou grato", conta Valmir.


Casa Mamãe Margarida



É uma Obra Social inaugurada em 24 de fevereiro de 1986, com ação evangelizadora, educativa e social desenvolvida e empenhada em gerar, promover, defender e cuidar da vida, tendo como ponto de partida a Caridade de Cristo Bom Pastor.


O Projeto tem como princípio básico a colher, defender e promover a vida de crianças e adolescentes do sexo feminino, que estejam vulneráveis ou já envolvidas nas várias formas de violência, sendo as principais o uso de drogas, abuso e violência sexual, violência doméstica, dentre outros.


 
Foto: William Costa/Portal Amazônia

A gravidez precoce também desponta como realidade do atendimento que a obra social oferece às suas usuárias, motivo pelo quais crianças e adolescentes são encaminhadas para a instituição, sendo que nestes casos o acolhimento acontece para a mãe e para o bebê.


A Casa também atua em dois tipos de Programas: Fortalecimento de vínculos familiares e comunitários e acolhimento institucional. Defendendo os direitos da criança e adolescente.


A direção da Casa é da irmã Liliana Maria Daou Lindoso.


Doações



Como é uma obra social, os custos mensais são grandes, e mesmo com os parceiros, com a Semed, que paga os professores do ensino fundamental, e a Secretaria de Assistência Social do Amazonas (Seas), que arca com 60% dos custos atuais das meninas do abrigo, a demanda por parceiros que ajudem a casa se manter é essencial.


Para ser voluntário e fazer doações para Casa, basta entrar em contato no número: (92) 3248-2331 (em horário comercial), ou mandar e-mail para casamamaemargarida@gmail.com.


A casa fica na Rua Penetração II, nº 27, bairro São José Operário, zona leste de Manaus.


 



Bella Causa 

 

Para dar visibilidade a luta contra a violência e abuso sexual sofrido pelas mulheres, a Fundação Rede Amazônica criou o projeto 'Bella Causa'. A ideia é desenvolver uma rede de apoio que possa identificar e ajudar unidades institucionais (abrigos com meninas de até 18 anos) nos seis estados da Região Norte com presença do Grupo Rede Amazônica.

 

 

Além disso, cada Estado contará com uma rede de embaixadoras que apoiarão a causa através de ações como palestras, exposições, bazar e campanhas de divulgação. Em Manaus, por exemplo, a embaixadora escolhida foi a jornalista Mazé Mourão. Já a primeira instituição que participará do 'Bella Causa' será a Casa Mamãe Margarida, que atende jovens mulheres em situação de vulnerabilidade social. 

 


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