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Sexta, 07 Mai 2021

Patrimônio histórico e artístico, Theatro da Paz, completa 143 anos nesta segunda-feira; Confira a programação

O Theatro da Paz, em estilo neoclássico, foi construído em 15 de fevereiro de 1878, e hoje comemora-se seus 143 anos de existência, desde os tempos áureos do ciclo da borracha, quando ocorreu um grande crescimento econômico na região amazônica. Na época, Belém foi considerada "A Capital da Borracha" e o espaço foi idealizado e criado para receber grandes espetáculos

Para a celebrar a data, a Secretaria de Estado de Cultura (Secult), em parceria com a Rede Cultura de Comunicação (Funtelpa), vai exibir um programa especial nesta segunda-feira (15), às 18h30, na TV Cultura (canal 2.1). Com 1 hora de duração, a iniciativa contará com a participação do diretor do Theatro da Paz, Daniel Araújo; do maestro Miguel Campos Neto, regente titular da Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz (OSTP); e do maestro Nelson Neves, regente da Amazônia Jazz Band (AJB). Haverá ainda a execução inédita da Ópera "O Telefone", de Gian Carlo Menotti, gravada como parte do Festival de Ópera de 2020.

Ações virtuais – Atendendo às demandas impostas pela pandemia de covid-19, em 2020, o Theatro da Paz precisou fechar as portas no dia 17 de março. O desafio de fazer a arte chegar até o público gerou iniciativas fecundas, como o Palco Virtual, o Tour Virtual pelos espaços da casa de espetáculos, além da criação de sítios especiais na web, como site, canal no YouTube e perfil no Instagram. O 19° Festival de Ópera e o II Curso de Formação em Ópera não apenas mantiveram vivas as ações de qualificação e produção de conteúdo, mas fortaleceram também o elo entre os espectadores e essa grande casa da cultura.

Lançado em 10 de setembro do ano passado, o Palco Virtual, projeto do Governo do Pará, por meio da Secretaria de Estado de Cultura (Secult), disponibiliza apresentações da OSTP, da Amazônia Jazz Band e do Festival de Ópera. A ação visa dar continuidade ao projeto de itinerância iniciado em 2019, que buscava descentralizar as ações do Theatro e possibilitar que novos públicos tivessem contato com as produções.

Os vídeos são divididos em três canais presentes dentro do canal principal do Theatro da Paz no YouTube, intitulados Jazz, Ópera e Concertos, que juntos já somam mais de 8.6 mil visualizações. Entre as apresentações mais assistidas, têm destaque "What the world needs now is love", executada pela AJB; a "Aria do Toreador Carmen", apresentada pela OSTP; e trechos da ópera La Bohème.

Mas, apesar desse progresso a cidade ainda não possuía um teatro de grande porte, capaz de receber espetáculos do gênero lírico. Buscando satisfazer o anseio da sociedade da época, o governo da província contrata o engenheiro militar José Tiburcio de Magalhães realizou o projeto arquitetônico inspirado no Teatro Scalla de Milão, na Itália, com uma acústica perfeita e em suas dependências é realizada uma vasta programação cultural, com destaque para o Festival de Ópera da Amazônia.

História

A construção secular, foi a primeira casa de espetáculos construída na Amazônia e tem características grandiosas: 1.100 lugares, e se destaca ainda pelos lustres de cristal, piso em mosaico de madeiras nobres, afrescos nas paredes e teto, dezenas de obras de arte, gradis e outros elementos decorativos revestidos com folhas de ouro. Atualmente, é o maior teatro da Região Norte e um dos mais luxuosos do Brasil. Com cerca de 130 anos de história, é considerado um dos Teatros-Monumentos do País.

Fonte: Pará Turismo

O prédio cultural vinha passando por problemas estruturais decorrentes da ação do tempo e das chuvas constantes na região. E por esse motivo, o Governo do Estado em parceria com a Secretária de Cultura de Estado (Secult), contratou  por meio de licitação pública, uma empresa especializada em serviços de restauro para a revitalização da fachada; pinturas internas e pinturas especiais; reforma de forro; reforma e limpeza de pisos; reforma das instalações elétricas; tratamento de esquadrias; revitalização total do Café da Paz. 

Entre a lista dos serviços incluem ainda a reforma completa dos banheiros e vestiários; e reforma do sistema de proteção contra incêndio.

Tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), em 1963, o espaço, já passou por algumas reformas e reparos, com destaques para os anos de 1905, entre as décadas de 1960 e 1970, 2000-2002, 2010 e em 2019, quando a Secult iniciou as obras de contenção e reparo no forro do prédio.

Conheça um pouco do Theatro e suas histórias:

Hall de Entrada

O hall de entrada é composto por materiais decorativos importados da Europa: ferro fundido inglês nos arcos das portas; escadaria em mármore italiano; lustre francês; bustos em mármore de carrara dos escritores brasileiros José de Alencar e Gonçalves Dias; estátuas em bronze francês; piso com pedras portuguesas formando mosaico e coladas com o grude do Gurijuba (peixe encontrado na região); paredes e teto pintados representando as artes gregas.

Fonte: Reprodução / Theatro da paz

Corredor das Frisas

Em 1905 é fechada a porta principal de acesso ao salão de Espetáculos, já que a mesma prejudicava a acústica, em seu lugar é colocado um espelho em cristal francês. Além do espelho foram acrescentadas estátuas em pedra francesa e nas paredes foram fixadas placas em ferro esmaltado contendo o regulamento da época informando que "é proibido fumar". O piso foi decorado em Parquê, utilizando as madeiras regionais como acapú e pau amarelo. 

Fonte: Reprodução / Theatro da paz

Salão de Espetáculos

A Sala de Espetáculos que originalmente possuía 1100 lugares, hoje comporta 900. As cadeiras conservam o estilo da época em madeira e palhinha adequadas ao clima da região. A balaustrada é toda em ferro inglês folheado a ouro. A pintura em afresco do teto central apresenta elementos da mitologia greco-romana fazendo uma alusão ao Deus Apolo conduzindo a Deusa Afrodite e as musas das artes à Amazônia.

No centro do teto foi adaptado o lustre em bronze americano que substituiu um grande ventilador que ajudava amenizar o calor. Nas paredes, com motivos florais, as pinturas imitam o papel de parede. O forro dos camarotes foram pintados obedecendo à hierarquia social da época; para a 1ª classe eram utilizadas as seguintes localidades: varanda, platéia, frisas, camarotes e procênios de 1ª ordem; para a 2ª classe: galerias, camarotes e procênios de 2ª ordem e para 3ª classe paraíso. Os procênios eram reservados as autoridades como: Prefeito chefe de polícia e diretores de escola. 

O Camarote Imperial, atualmente do Governador, situado na 1ª ordem de camarotes é ornamentado com mobília em madeira regional. O pano de boca pintado na França no ateliê Carpezat intitulado "Alegoria à República" foi inaugurado em 1890 em celebração a República Brasileira. 

Fonte: Reprodução / Theatro da paz

 Salão Nobreo 

Salão Nobre (Foyer), local onde a nobreza costumava se reunir, para bailes, pequenos recitais e durantes os intervalos dos espetáculos, é um espaço altamente decorado com espelhos e lustres em cristal francês e bustos em mármore de carrara de dois grandes compositores da época: Carlos Gomes e Henrique Gurjão.

O mezanino do salão era o local usado pelos músicos nos eventos sociais e freqüentado pelas pessoas do paraíso em noite de espetáculos. Quanto à pintura do teto feita em 1960 é do Pernambuco Armando Baloni, que se inspira nas musas da música ladeadas pela fauna e flora amazônica. As paredes, pintadas pelos italianos, retratam motivos neoclássicos com buquês de flores.

Fonte: Reprodução / Theatro da paz

 Frontaria

No inicio do século XX a frontaria foi o ponto mais significativo da reforma. Devido haver polêmico na norma do neoclássico italiano: na regra colunas pares e entradas impares, mas inaugurou ao contrário, com sete colunas e 6 entradas. Na reforma de 1905 foi recuado o frontão, retirando uma coluna e uma entrada, para decorar colocaram medalhões de musas, que representam as artes cênicas: comédia, poesia, música e tragédia; as laterais a dança. No centro o Brasão do Estado do Pará. As luminárias da balaustrada uma representam o dia e a outra à noite.

Fonte: Reprodução / Theatro da paz

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