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Sexta, 03 Abril 2020

Pesquisadores testam drones para monitorar ninhos de tartarugas em praias da Amazônia

Pesquisadores testam drones para monitorar ninhos de tartarugas em praias da Amazônia
Localizada às margens do Rio Solimões, no Amazonas, a praia do Horizonte é uma faixa de areia com atuais 9 quilômetros de extensão (o tamanho varia diariamente e anualmente com a variação no nível do rio). É um ponto de desova para centenas de quelônios, entre tartarugas-da-amazônia, iaçás e tracajás, e também foco de interesse de pesquisadores e ativistas, preocupados com a conservação dessas espécies. Pensando na proteção de áreas de reprodução como essa, o Instituto Mamirauá, a WWF-Brasil e a Universidade da Flórida estão testando drones para o trabalho de monitoramento.
 
Foto: Marina Secco/Instituto Mamirauá 
O objeto voador, que parece com um mini helicóptero, fez os primeiros sobrevoos na praia do Horizonte em setembro desse ano. Controlado de forma remota por um piloto integrante da pesquisa, o drone realizou percursos aéreos a diferentes altitudes, filmando e fotografando com uma câmera de alta definição o relevo da praia.

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A ideia, de acordo com a pesquisadora Marina Secco, é identificar rastros de tartarugas na areia e, assim, chegar até os ninhos. Os voos-teste foram realizados na faixa de 11 às 14 horas, quando os raios do sol chegam à superfície da terra em ângulos mais próximos a 90 graus, facilitando ainda mais a visibilidade. Os melhores resultados foram gravados a 20 metros de altura em relação à praia.

Assista ao vídeo sobre o projeto:
 

“Conseguimos ver perfeitamente os rastros de tartarugas-da-amazônia na areia, que do alto parecem marcas feitas por um tratorzinho. As marcas da iaçá, que é um quelônio de menor porte, também foram nítidas”, contou.

Com o possível sucesso do experimento, os pesquisadores esperam usar drones para contagem de ninhos, segundo informou Marina, que faz parte do Programa de Pesquisa em Conservação e Manejo de Quelônios do Instituto Mamirauá, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). 

Foto: Marina Secco/Instituto Mamirauá 
Os vídeos e as fotos captados na praia do Horizonte estão agora sob a análise de equipe da Universidade da Flórida, parceira do projeto. “A ideia é ver em que medida os pesquisadores de lá conseguem identificar os rastros de tartarugas e os ninhos nas imagens, qual a taxa de erro entre a contagem in loco (feita pelos pesquisadores do Instituto Mamirauá na praia) e a contagem feita por eles nas imagens”, explica Marina.

Os testes foram financiados pela Disney Conservation Fund, Rufford Foundation e tem apoio da WWF-Brasil. Depois da avaliação dos resultados, a expectativa dos integrantes do projeto é que os drones possam ser integrados a projetos de conservação na região amazônica.

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Tecnologia a serviço da conservação

Desde a década de 1990, o instituto apoia ações de conservação de quelônios realizadas de forma voluntária por moradores da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, onde está a praia do Horizonte. A conservação comunitária de praias, que envolve a contagem e monitoramento de ninhos de tartaruga, está nesse rol e pode ser ampliada com o auxílio dos drones. 

Foto: Marina Secco/Instituto Mamirauá 
“Uma das vantagens da tecnologia é reduzir o tempo gasto no monitoramento de uma única praia e distribuir melhor os esforços para encontrar novas áreas de desova nessa região. Em pontos de difícil acesso, também podemos usar os drones para fazer a contagem remota de ninhos dos quelônios”, explica Marina Secco.

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Além das metas diretamente ligadas à conservação, a pesquisadora aponta que os veículos aéreos não tripulados também podem ser úteis em estudos mais amplos sobre a ecologia de quelônios na Amazônia. A ferramenta tem potencial em levantamentos de altimetria (medição de altitudes) em pontos de desova nas praias.

*Com informações do Instituto Mamirauá.

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