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Domingo, 09 Mai 2021

Aquecimento pode triplicar seca na Amazônia, diz avaliação

MANAUS - As mudanças climáticas podem aumentar a frequência tanto de secas quanto de chuvas extremas na Amazônia antes do meio do século, compondo com o desmatamento para causar mortes maciças de árvores, incêndios e emissões de carbono. A conclusão é de uma avaliação de 35 modelos climáticos aplicados à região, feita por pesquisadores dos EUA e do Brasil. Segundo o estudo, liderado por Philip Duffy, do WHRC (Instituto de Pesquisas de Woods Hole, nos EUA) e da Universidade Stanford, a área afetada por secas extremas no Leste amazônico, região que engloba a maior parte da Amazônia, pode triplicar até 2100. Paradoxalmente, a frequência de períodos extremamente chuvosos e a área sujeita a chuvas extremas tende a crescer em toda a região após 2040 – mesmo nos locais onde a precipitação média anual diminuir.Já o Oeste amazônico, em especial o Peru e a Colômbia, deve ter um aumento na precipitação média anual.A mudança no regime de chuvas é um efeito há muito teorizado do aquecimento global. Com mais energia na atmosfera e mais vapor d’água, resultante da maior evaporação dos oceanos, a tendência é que os extremos climáticos sejam amplificados. As estações chuvosas – na Amazônia, o período de verão no hemisfério sul, chamado pelos moradores da região de “inverno” ficam mais curtas, mas as chuvas caem com mais intensidade.No entanto, a resposta da floresta essas mudanças tem sido objeto de controvérsias entre os cientistas. Estudos da década de 1990 propuseram que a reação da Amazônia fosse ser uma ampla “savanização”, ou mortandade de grandes árvores, e a transformação de vastas porções da selva numa savana empobrecida.
Foto: Reprodução/Ana Cintia Gazzelli - WWFOutros estudos, porém, apontaram que o calor e o CO2 extra teriam o efeito oposto – o de fazer as árvores crescerem mais e fixarem mais carbono, de modo a compensar eventuais perdas por seca. Na média, portanto, o impacto do aquecimento global sobre a Amazônia seria relativamente pequeno.Ocorre que a própria Amazônia encarregou-se de dar aos cientistas dicas de como reagiria. Em 2005, 2007 e 2010, a floresta passou por secas históricas. O resultado foi ampla mortalidade de árvores e incêndios em florestas primárias em mais de 85 mil quilômetros quadrados. O grupo de Duffy, também integrado por Paulo Brando, do Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), aponta que de 1% a 2% do carbono da Amazônia foi lançado na atmosfera em decorrência das secas da década de 2000. Brando e colegas do Ipam também já haviam mostrado que a Amazônia está mais inflamável, provavelmente devido aos efeitos combinados do clima e do desmatamento.Os pesquisadores simularam o clima futuro da região usando os modelos do chamado projeto CMIP5, usado pelo IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática) no seu último relatório de avaliação do clima global. Um dos membros do grupo, Chris Field, de Stanford, foi um dos coordenadores do relatório – foi também candidato à presidência do IPCC na eleição realizada na semana passada, perdendo para o coreano Hoesung Lee.Os modelos de computador foram testados no pior cenário de emissões, o chamado RMP 8.5, no qual se assume que pouca coisa será feita para controlar emissões de gases-estufa.Eles não apenas captaram bem a influência das temperaturas dos oceanos Atlântico e Pacífico sobre o padrão de chuvas na Amazônia – diferenças entre os dois oceanos explicam por que o leste amazônico ficará mais seco e o oeste, mais úmido –, como também mostraram nas simulações de seca futura uma característica das secas recorde de 2005 e 2010: o extremo norte da Amazônia teve grande aumento de chuvas enquanto o centro e o sul estorricavam.Segundo os pesquisadores, o estudo pode ser até mesmo conservador, já que só levou em conta as variações de precipitação. “Por exemplo, as chuvas no leste da Amazônia têm uma forte dependência da evapotranspiração, então uma redução na cobertura de árvores poderia reduzir a precipitação”, escreveram Duffy e Brando. “Isso sugere que, se os processos relacionados a mudanças no uso da terra fossem mais bem representados nos modelos do CMIP5, a intensidade das secas poderia ser maior do que a projetada aqui.”O estudo foi publicado na PNAS, a revista da Academia Nacional de Ciências dos EUA.

Campanha de proteção ao sauim-de-coleira é lançada no Amazonas

MANAUS - Uma petição pública online busca recolher 100 mil assinaturas para incentivar a criação de unidades de conservação em Manaus. A medida pretende diminuir o número de mortes de sauins-de-coleira. O animal está na lista dos ameaçados de extinção e só é encontrado no Amazonas.

Corte de árvores no campus da Ufam gera polêmica no AM; área terá estacionamento

MANAUS - A derrubada de árvores em uma área de mata do Campus da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) gerou polêmica nas redes sociais, nesta semana, em Manaus. O local é considerado o terceiro maior fragmento florestal do mundo e o maior do Brasil, segundo a própria instituição. Na área verde onde as árvores estão sendo derrubadas há uma placa de aviso de obras. Conforme informações da assessoria da universidade, a execução da obra tem autorização legal expedida pelo Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam).

Mato Grosso monta plano de ação contra garimpo ilegal

CUIABÁ - Uma multidão está no município de Pontes e Lacerda (distante a 448 quilômetros a Oeste de Cuiabá) em busca de ouro. Para coibir a extração ilegal, o Estado quer saber se o garimpo está localizado em Área de Proteção Ambiental (APA) e quais as condições de exploração. A partir do laudo, a Secretaria de Meio Ambiente tomará as providências para responsabilização dos que estiverem na área. A secretária de Meio Ambiente, Ana Luiza Peterlini, contou que uma equipe deve ir até o local para conhecer mais a fundo os problemas ambientais decorrentes da extração sem licença. “Nossa equipe vai até Pontes e Lacerda junto com as forças de segurança para identificar o que está acontecendo e agir, no sentido de conter essas irregularidades”, ressaltou. A fiscalização será realizada pelas equipes da Superintendência de Licenciamento Ambiental e Fiscalização, que fará um laudo técnico do local. 
Autorização 
Conforme a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec), a gestão, as outorgas de pesquisa e exploração e a entrega de títulos de lavras na atividade mineral são de responsabilidade do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), ligado ao Ministério de Minas e Energia.Conforme informações obtidas pela Sedec junto à superintendência do DNPM em Mato Grosso, a Mineradora Santa Elina requereu em 1991 autorização para realizar pesquisa em uma área de cerca de 6 mil/ha, mas ainda não obteve a autorização, que é dada pelo próprio DNPM e também pelo Conselho de Defesa Nacional por estar localizada em Pontes e Lacerda, município da região de fronteira com a Bolívia. Ainda segundo a superintendência do DNPM, antes das autorizações dos dois órgãos é necessário que o Incra se manifeste a respeito da compatibilidade de se manter atividade mineral na área, pois lá existe um projeto de assentamento do instituto. Apenas na fase de exploração é que a empresa deverá solicitar licença ambiental à Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), onde cabe ao Executivo Estadual atuar. Segundo a Sedec, a Companhia Mato-grossense de Mineração (Metamat) tem no atual escopo ser uma empresa de pesquisa e exploração e que a pasta está elaborando minuta para transformá-la no Serviço Geológico Estadual, com o objetivo de ser um ente gerador de dados e informações geológicas que sirvam como base para prospecção, planejamento, gestão e exploração da atividade por investidores privados. 

Amazonas decreta emergência em 12 cidades em função das queimadas

MANAUS - De janeiro a 6 de outubro de 2015 foram registrados 11.666 focos de incêndios no Amazonas, de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O governo do Amazonas vai decretar situação de emergência em 12 municípios nesta terça-feira (13) em função dos efeitos climáticos, como a baixa pluviosidade e as queimadas. Ainda durante a apresentação do decreto será apresentado o Plano Estratégico e as Ações Emergenciais de Prevenção e Controle às Queimadas e Incêndios Florestais.O decreto de Situação de Emergência tem como base o parecer técnico elaborado pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas e a Defesa Civil do Estado, considerando, entre outros fatores, “os eventos climatológicos de larga escala que teve como efeito negativo a redução significativa da precipitação pluviométrica na região Amazônica”.Queimadas na região Nos primeiros cinco dias de outubro de 2015, o Amazonas registrou 626 focos de queimadas. O número equivale a mais de 120 focos de queimada por dia. Ainda de acordo com a maior parte dos registros se deu em municípios próximos a Manaus como Careiro da Várzea, Careiro, Autazes, Manacapuru, Caapiranga, Presidente Figueiredo.A alta incidência de queimadas prejudica a qualidade do ar na região, de acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a poluição atmosférica em Manus foi considerada o dobro da considerada aceitável pela Organização Mundial de Saúde (OMS). A situação se deve a quantidade de material particulado fino disponível no ar que forma a fumaça.

Campanha mobiliza para preservação do sauim-de-coleira no Amazonas

MANAUS - Reconhecido como uma das espécies mais ameaçadas de extinção do bioma Amazônia, o sauim-de-coleira (Saguinus bicolor) é alvo de uma campanha que começa a ganhar as ruas de Manaus. A mobilização tem como foco principal estabelecer uma demanda política para criar novas Unidades de Conservação necessárias para tirar o sauim-de-coleira do caminho da extinção.Construir e fortalecer a imagem do sauim como símbolo do Amazonas (já reconhecido por decreto como o mascote de Manaus) e fazer com que a questão da sua conservação ganhe visibilidade e seja amplamente discutida na sociedade, também estão entre as propostas do movimento. “A ideia é conscientizar, sensibilizar e engajar a sociedade para a conservação do sauim-de-coleira”. “Queremos que os amazonenses sintam orgulho de serem os guardiões desse primata tão especial”, enfatiza o coordenador da campanha, Maurício Noronha.A campanha é uma iniciativa da Fauna e Flora Consultoria, em  parceria com o IBAMA, ICMBio, Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Amazônica, Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Primatas Brasileiros, Plano de Ação Nacional para a Conservação do Sauim-de-coleira, Sociedade de  Zoológicos e Aquários do Brasil, Ministério Público Federal, Projeto Sauim-de-Coleira (UFAM), Primate Education Network e Durrel Wildlife Conservation Trust.O coordenador adianta que serão realizadas ações midiáticas e um trabalho intenso nas redes sociais. Uma petição pública on line já começou a circular e pretende obter 100.000 assinaturas que serão entregues ao poder público federal e estadual, respaldando a reivindicação de criação de novas Unidades e Conservação além das que já existem.
Foto: Divulgação/ICMBioAtualmente, a espécie se encontra insuficientemente protegida em unidades de conservação. A maior parte delas não possui tamanho suficiente para garantir populações viáveis de sauins, além de estarem inseridas em categorias de uso pouco adequadas às necessidades de conservação da espécie.Como parte das atividades da campanha, será promovido um evento no Dia do Sauim, 20 de outubro próximo, no auditório da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (ALEAM), com o lançamento do livro “Sauim-de-coleira: a história de uma espécie ameaçada de extinção”. A obra, que é patrocinada pelo Porto Chibatão, conta a história do sauim, um macaco singular e fascinante, cuja sobrevivência depende de muita tenacidade e trabalho em equipe. Ele é um símbolo de resistência e resiliência. De acordo com Maurício Noronha, trata-se da publicação mais completa já escrita sobre um primata brasileiro, ricamente ilustrada, conduzindo o leitor a um emocionante encontro com o mundo natural do sauim, desvendando seus segredos e trazendo os detalhes de sua convivência conosco ao longo do tempo.O evento contará, ainda com a exposição fotográfica “Sauim-de-coleira: 192 anos de história”, que comemora o aniversário da descoberta, para a ciência, do sauim-de-coleira. “A mostra resgata a história da relação homem/sauim, estabelecendo uma linha do tempo da pré-colonização aos dias de hoje”, adianta Maurício. Serão expostas mais de 80 fotografias e ilustrações, criando um ambiente mágico e propiciando um encontro com a natureza e a história do Amazonas.
Foto: Divulgação/IbamaHaverá também a realização de uma palestra com debate, sobre o tema “Os desafios para a conservação do sauim-de-coleira”, proferida pelo Professor Dr. Marcelo Gordo, coordenador do Projeto Sauim-de-Coleira na Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e um dos maiores especialistas nessa área.Segundo Maurício Noronha, a programação ainda inclui a entrega do prêmio ‘Mérito Conservacionista 2015’, como forma de homenagear as personalidades que prestaram relevantes serviços em prol da conservação do sauim-de-coleira. O evento culmina com uma mesa redonda, reunindo especialistas no assunto e representantes do poder público local, que discutirão as estratégias para conservação dos últimos blocos florestais para o sauim-de-coleira. Para informar ao público sobre a campanha, foi criada a página CAMPANHA SALVE O SAUIM no facebook e uma petição online para a criação de Unidades de Conservação para o sauim-de-coleira (https://bit.ly/SalveoSauim). Durante o evento também serão distribuídos gratuitamente inúmeros materiais de divulgação (pôsteres, máscaras etc). O auditório da ALEAM também será adornado com bonecos gigantes do sauim.Saiba mais sobre o sauim-de-coleiraO Sauim-de-coleira só ocorre no estado do Amazonas, em parte dos municípios de Manaus, Rio Preto da Eva e Itacoatiara. Ele possui uma das menores distribuições geográficas conhecidas para primatas brasileiros, ocorrendo em apenas 7.500 km2.Hoje ele integra a Lista de Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção do Ministério do Meio Ambiente – MMA, onde é catalogado como Criticamente em Perigo. Os motivos para essa classificação se devem ao fato da espécie ter uma área de distribuição geográfica restrita, além de ter seu habitat natural dramaticamente destruído devido ao desmatamento e fragmentação, causada pelo crescimento desordenado da Região Metropolitana de Manaus. Uma espécie nessa categoria (Criticamente em Perigo) corre risco extremamente alto de extinção na natureza, em um futuro imediato. Este é o segundo estado de conservação mais grave, antes do total desaparecimento da espécie.Público-alvo da campanha
Para ter sucesso, a campanha espera contar com o apoio principalmente da sociedade de Manaus e de todos brasileiros que simpatizam com as questões ambientais.

Municípios do AM estão quase isolados devido vazante 'severa' deste ano

MANAUS - Os municípios Fonte Boa e Benjamin Constant, no Amazonas, estão praticamente isolados em razão da vazante do Rio Solimões. As embarcações de grande e médio porte, que transportam cargas e passageiros, não conseguem se aproximar dos portos, uma vez que o nível das águas está muito baixo. O Serviço Geológico do Brasil (CPRM) classifica como "severa" a intensidade da vazante deste ano.

Filhote de onça preta é resgatado em Manaquiri, no Amazonas

Esta é a quinta onça recebida pelo Ibama em 2015. Foto: Divulgação/IbamaMANAUS - Um filhote de onça preta (Panthera onca) foi resgatado na última quarta-feira (7) no município de Manaquiri, interior do Amazonas, pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). O filhote estava sob os cuidados de moradores da comunidade Araçatuba, localizada nas proximidades do Lago Mirau. Batizado de 'Grego' pelos comunitários, o animal é o primeiro espécime de onça preta recebido pelo Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) do Ibama.O Ibama informou que, de acordo com os moradores, o filhote teria sido encontrado sozinho e resgatado pelos comunitários no dia 15 de junho. A guarda do filhote está sob os cuidados do Zoológico do Centro de Instrução de Guerra na Selva (Cigs), onde recebe cuidados de veterinários e biólogos. Mediante autorização do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), poderá compor o plantel do zoológico.DiferençasA onça preta e a onça pintada são variações de uma mesma espécie (Panthera onca). A onça preta possui a pelagem escura devido à maior quantidade de melanina, característica determinada geneticamente e que é mais rara. É possível ver manchas no formato das encontradas nas onças pintadas com padrão amarelado, as mais conhecidas. As onças são os maiores felinos das Américas e são importantes na manutenção do equilíbrio dinâmico dos outros seres da floresta.Criação não autorizadaO Ibama destaca que a criação de animais silvestres sem autorização é proibida por lei e está sujeita a sanções. A criação pode oferecer riscos para a saúde e a segurança das pessoas, como é no caso desta espécie.Esta é a quinta onça recebida pelo Ibama em 2015. Além das onças, também foram recebidos um maracajá, um gato mourisco e uma jaguatirica. No total contabiliza-se oito felinos até o momento.

Licença de Belo Monte deve sair ainda esse ano, afirma Ibama

MANAUS - A última licença ambiental que a usina hidrelétrica de Belo Monte precisa para começar a operar deve sair ainda este ano, afirmou a presidente do Ibama, Marilene Ramos, em seminário na Fundação Getúlio Vargas, no Rio.De acordo com o jornal Valor Econômico, que acompanhou o evento ocorrido na segunda (05), a presidente da autarquia considera que o processo de licenciamento da usina está bastante adiantado. Marilene Ramos negou que o órgão tenha indeferido a licença para o empreendimento. Segundo ela, o órgão apenas informou à Norte Energia que ainda faltam algumas exigências a serem cumpridas.
No último dia 22 de setembro, o Ibama enviou ao consórcio Norte Energia, responsável pela construção da usina, um parecer técnico em que condiciona a emissão da licença ao cumprimento de 12 exigências previstas no programa de compensações ambientais.
Foto: Reprodução/Xingu Vivo
Fato consumado
Ao longo da construção da usina e das respectivas emissões de licenças ambientais, o consórcio construtor de Belo Monte nunca cumpriu integralmente as exigências assumidas perante o Ibama. Alvo de 15 processos na Justiça ajuizados pelo Ministério Público Federal, a maior obra em andamento no país ainda enfrenta acusações de violação de direitos indígenas, licenciamento inadequado e ausência de dados completos no Estudo de Impacto Ambiental.
Até uma etapa anômala no processo de licenciamento o empreendimento conseguiu. Pela lei, o licenciamento tem três etapas, cada um com uma licença específica: a licença prévia, a de instalação e a de operação. Belo Monte teve uma extra. Recebeu do Ibama uma "licença parcial" - que não existe na legislação -, entre a licença prévia e a instalação, que permitiu que as obras continuassem mesmo sem o consórcio construtor cumprir as condicionantes ambientais do projeto.
Em 2011, apenas 4 das 23 condicionantes impostas para a obtenção da licença parcial foram cumpridas. Entre as exigências, estavam medidas compensatórias e mitigatórias como aquisição de glebas para a construção de reassentamento urbanos em Altamira, as obras de saneamento no município e os planos específicos destinados a atender os povos indígenas afetados.
O mesmo se repetiu agora, em 2015, quando o Ibama apontou que 12 exigências previstas no programa de compensações ambientais não haviam saído do papel. Entre as exigências, estão o remanejamento de populações e limpeza de resíduos de áreas a serem alagadas, obras de saneamento nas cidades de Ressaca e Garimpo do Galo e construção de pontes para adequar o sistema viário de Altamira.

Após denúncia, polícia apreende mais de 3,5 toneladas de pirarucu em Manaus

MANAUS - Cerca de cinco toneladas de peixe foram apreendidas pelo Batalhão Ambiental da Polícia Militar do Amazonas, na noite desta quarta-feira (8), na Feira da Panair, Centro de Manaus. A apreensão aconteceu após denúncia de que uma embarcação transportava o pescado ilegal. De acordo com o Batalhão Ambiental, do total apreendido, 3,5 toneladas são de pirarucu fresco e salgado. A espécie, entre outras, está proibida para captura por estar no período do 'Defeso'.

Problema da Amazônia começa nas pequenas queimadas, avalia especialista

Manaus encoberta por fumaça. Foto: Hêmilly Lira/Portal AmazôniaMANAUS – Dados recordes de focos de queimadas na Amazônia têm recebido atenção especial dos manauaras pelo fato de Manaus, no Amazonas, ser encoberta por densa fumaça desde o dia 1º de outubro. Mas queimar a floresta para manejo de solo é uma prática comum para os habitantes da região. No entanto, o excesso da atividade traz grandes prejuízos ao meio ambiente.
De acordo com o agrônomo e pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária da Amazônia Ocidental (Embrapa), José Nestor Lourenço, a prática é antiga e já era usada pelos indígenas para subsistência. O homem antigo, que usava a terra para produzir o seu próprio alimento, realizava queimadas com intervalos de até 30 anos. A prática é uma maneira rudimentar de manejo de solo. O hábito persiste até hoje porque é um meio barato de limpar a área destinada à produção.“O ribeirinho e o pecuarista fazem queimadas para limpar seus terrenos. O problema maior hoje é que estamos sem chuva”, diz. Na opinião de Lourenço, o problema das queimadas é questão de conscientização. “Pelos dados do Inpe sobre os focos de calor, as queimadas são em vários locais e de diversos tamanhos. Isso indica que a fumaça sobre Manaus é causada desde pequenos focos em quintais até grandes queimadas para pastagem”, avalia.
Foto: Reprodução/Chico Batata
O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) aponta que de janeiro a 6 de outubro de 2015, foram registrados 11.666 focos de incêndios no Amazonas. Nos primeiros cinco dias de outubro de 2015, o estado registrou 626 focos de queimadas. Este número equivale a mais de 120 focos de queimada por dia. Ainda de acordo com a maior parte dos registros se deu em municípios próximos a Manaus como Careiro da Várzea, Careiro, Autazes, Manacapuru, Caapiranga, Presidente Figueiredo.
O monitoramento do Inpe, realizado desde 1998, mostra que o ano com o maior número de queimadas detectadas pelo Instituto era 2014, com 9.322 focos. A marca foi superada em setembro, que também entra para a história como o mês com o maior número de queimadas em 17 anos, totalizando 5.882, uma média que supera 190 focos por dia. 
Para o integrante da campanha Amazônia, do Greenpeace, Rômulo Batista, o El Niño contribui bastante para o aumento do número de queimadas. “Pelas imagens captadas por satélites, os focos de queimada estão concentrados nas proximidades de Manaus. Mas basta andar por Iranduba e Autazes para avistar queimadas”, diz.
Foto: Divulgação/Ibama
Rômulo diz que existem informações que apontam para incêndios em áreas de várzea, que pode indicar preparação para roça, e em terra firme, usada para pasto, agricultura e pecuária. “De qualquer maneira é preocupante”, opina. Ele também chama a atenção para incêndios em áreas urbanas. “Em Manaus nós temos a incineração de lixo e ainda, as ocupações ilegais, que são um problema sério. Não é difícil ver a mídia divulgar que há incêndios em áreas verdes nestes locais”, diz.
Outro fator que pode estar contribuindo para o aumento no número de queimadas é a expansão urbana além da Ponte Rio Negro. O especialista em Desenvolvimento Sustentável, Eduardo Taveira, chama a atenção para abertura de ramais e pequenas estradas nas adjacências da rodovia AM-070. “O crescimento de cidades e o aumento da urbanização no município de Iranduba, do outro lado da Ponte, também estão causando queimadas”, alerta.
O especialista acredita que a urbanização é possível, mas desde que seja planejada e não acarrete mais prejuízos ambientais. “Temos que tomara medidas para evitar situações como a que estamos vivendo em Manaus, pois meio ambiente também é qualidade vida”, diz.

Chuva melhora qualidade do ar poluído por fumaça em Manaus, aponta Inpe


Horizonte escondido pela fumaça que cobre Manaus há seis dias. Foto: Hêmilly Lira/Portal AmazôniaMANAUS – A chuva tão esperada pelos manauaras finalmente caiu na manhã desta terça-feira (6). De acordo com dados do Sistemas de Proteção da Amazônia (Sipam), até às 10h, choveu de 4 a 15 milímetros em áreas na cidade. A precipitação ajudou a melhor o ar da capital amazonense, mas não foi o bastante para limpar a atmosfera da cidade, tomada por fumaça desde o dia 1º de outubro.“Após a chuva, as imagens do Inpe mostram que há entre 30 e 40 microgramas de material particulado fino por metro cúbico na atmosfera. Isso significa uma redução de 50% em relação à situação anterior”, diz o pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Saulo Freitas. Em matéria publicada no Portal Amazônia, no último dia 2 de outubro, o monitoramento do órgão apontava o acúmulo de 60 a 80 microgramas.
O material particulado fino é o nome que se dá à poluição provocada pelas queimadas. Essas partículas são muito pequenas e nocivas à saúde, pois penetram o sistema respiratório com mais facilidade. Para a Organização Mundial de Saúde (OMS), o máximo aceitável é de 40 microgramas; acima disso, começa a apresentar riscos à saúde.
Qualidade do ar
Imagens do Inpe mostram que a qualidade do ar na capital amazonense ainda é considerada ruim. A poluição persiste porque a chuva não foi o bastante para controlar os focos de calor em áreas adjacentes à cidade. A medição pluviométrica do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), na estação da zona Centro-Sul, aponta que choveu 7,6 mm.No mapa, as áreas em azul apresentam qualidade do ar considerada 'boa'. Manaus apresenta cores amarelo e laranja, classificadas entre 'ruim' e 'péssimo'.

Imagem registrada pelo Inpe. Imagem: Divulgação/InpeChuva em ManausAs estações do Inmet na capital não registravam chuva desde 4 de setembro, quando houve 15,8 mm de precipitação. Em agosto, o acumulado foi de 10,47 mm. “As chuvas mais significativas estão previstas somente para o mês de dezembro”, acrescenta o meteorologista do Inmet, Gustavo Ribeiro.
Em 2014, no mês de agosto, choveu 32,2 mm. Já em setembro, o índice foi bem menor que este ano, acumulando apenas 0,6 mm; outubro alcançou 184,7 mm. 

Desmatamento: Pan-Amazônia perdeu território do tamanho de Rondônia

PORTO VELHO - Uma Rondônia inteira (ou o equivalente ao território do Reino Unido) foram perdidos entre 2000 e 2013. Essa é a conclusão do novo estudo da Rede Amazônica de Informação Socioambiental Georreferenciada (RAISG), lançado nesta segunda-feira (5). Ao longo desses 13 anos foram desmatados 222.249 km² nos nove países que integram a floresta amazônica.Apesar de alto, o ritmo do desmatamento está diminuindo. Até 2013, a floresta perdeu 13,3% da sua cobertura vegetal. A maior parte dessa perda ocorreu entre 1970 e 2000 (9,7%) enquanto que entre 2000 e 2013, foram desmatados 3,6% da cobertura total da floresta. O número parece pouco, mas esses 3,6% significam quase o tamanho do estado de Roraima inteiro desmatado.
A mudança no uso do solo na Amazônia começou durante a década de 70, impulsionada por políticas governamentais de modernização da infraestrutura e de promoção da expansão agrícola e da mineração.
Hoje, as principais ameaças ao bioma de toda a região são as atividades agropecuárias e as obras de infraestrutura, como estradas e hidrelétricas. Em menor grau, embora com impacto significativo, também se destacam a mineração ilegal, a exploração petroleira e os cultivos ilícitos como fatores de risco à integridade da floresta.
Os dados da publicação Deforestacíon en la Amazonía (1970-2013) foram obtidos pelos participantes da RAISG mediante a análise de imagens de satélite combinada com análises geográficas em sistemas georreferenciados. 
Foto: Everton Pimentel/Ibama

Rios da região Sul da Amazônia estão no ápice da vazante

MANAUS – Os rios no Sul da Amazônia estão em pico de vazante. É o que diz o Serviço Geológico do Brasil (CPRM). De acordo com as estações de monitoramento, nos rios Purus, Acre, Javari e Madeira, os rios estão perto do fim do período. O Solimões também apresenta o mesmo comportamento em Tabatinga.

O órgão também informa que o nível do rio Acre em Rio Branco está abaixo da média para o período. O rio Negro, na altura do Porto de Manaus, desce à média de aproximadamente 20 centímetros por dia. Nesta segunda-feira (5), o Negro registra 22, 91 metros (m). No alto curso do rio, os níveis estão abaixo da média para o período.

O mesmo acontece com a Bacia do Branco em Boa Vista, no estado vizinho de Roraima. O rio está com nível abaixo da média para esta época e semelhante ao registrado em 2014.

Na última semana, o Solimões, um dos maiores da Amazônia, baixou 1,46 m em Manacapuru. Já nas proximidades de Coari, ele baixou quase o dobro, 2,20 m. As estações localizadas na Bacia do Amazonas em Parintins, apresentam níveis semelhantes aos registrados na mesma época de 2014.

Amazonas bate recorde histórico de focos de queimada

MANAUS – O ano ainda não terminou e o Amazonas já bateu o recorde histórico de focos de queimadas. Os dados são do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que calcula 11.439 registros de incêndios entre janeiro e 4 de outubro de 2015. O número - que ainda vai crescer até dezembro - representa aumento de 22% em relação ao recorde anual anterior.O monitoramento do Inpe é realizado desde 1998. Desde então, o ano com o maior número de queimadas detectadas pelo Instituto era 2014, com 9.322 focos. A marca foi superada em setembro, que também entra para a história como o mês com o maior número de queimadas em 17 anos, totalizando 5.882, uma média que supera 190 focos por dia. Já nos primeiros quatro dias de outubro de 2015, o Amazonas registrou 399 focos de queimadas. Este número equivale a mais de 99 focos de queimada por dia. 

Comparação do total de focos ativos detectados pelo satélite de referência do Inpe em cada mês, no período de 1998 até 05/10/2015. Imagem: Reprodução/Inpe
Careiro da Várzea, na Região Metropolitana de Manaus, é o município que registrou mais focos de queimadas, com 43. Em seguida vem Careiro (41), Autazes (35), Manacapuru (32), Caapiranga (21), Humaitá (18), Presidente Figueiredo (17), Borba (17). Manaquiri (16) e Lábrea (14). De acordo com Inpe, em Manaus foram registrados quatro focos.
Fumaça em ManausOs focos de queimadas foram apontados como causas da densa fumaça que encobriu a capital do Amazonas desde a última quinta-feira (1). A situação causou preocupação e desconforto à saúde da população e ainda foi percebida nesta segunda-feira (5). 
Devido à fumaça, o Aeroporto Internacional Eduardo Gomes operou por instrumentos de 2h45 até 9h19 desta segunda-feira (5). Segundo a Empresa de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), não houve cancelamentos ou atrasos de voos durante o período. Na quinta-feira (1), o terminal já havia operado por instrumentos entre 6h e 8h43. 

Belo Monte vai mudar o pulso das águas do rio Xingu

MANAUS - Agostinho, juruna da aldeia Muratu. Cobalto, ribeirinho da ilha da Fazenda. Ambos nascidos e vividos na Volta Grande do Xingu. Pescadores não muito chegados à prosa, já na casa dos 70, eles conhecem cada braço, cotovelo e largo deste trecho do rio. Enquanto remam com a força de canoeiros experientes, revelam a preocupação com o futuro.“Aqui ó, é igarapé. Quando enche o rio, os peixes entram para comer fruta'', aponta um para a barranca seca do rio. “E quando o rio não encher mais, como vai ser?'', questiona o outro. Quase concluída, a usina de Belo Monte mudará o pulso do Xingu. Como pescar sem cheias? Como navegar o rio seco?Quando sentaram à proa lado lado para remar, os velhos pescadores comentaram com cumplicidade. “A gente já anda por aqui faz tempo, né?'', disse Agostinho. “É'' , concordou Cobalto. Talvez uma maneira de assegurar que o Xingu ainda pareça o que sempre foi: um dos rios com maior biodiversidade do país, onde vivem 24 etnias indígenas.Mas nos últimos 5 anos,  os dois viram a barragem de Belo Monte erguer-se a poucos quilômetros de suas vilas e aldeias. Ao contrário dos colegas que vivem à montante da barreira, não foram removidos ou receberam largas compensações da Norte Energia, empresa que constroi, no norte do Pará, a terceira maior hidrelétrica do mundo. Eles não foram reconhecidos ou cadastrados como “vítimas'' de Belo Monte.
Foto: Reprodução/Gustavo FaleirosNo entanto, se o Ibama conceder a licença de operação à hidrelétrica e as 11 comportas da barragem se fecharem, haverá 80% menos água na Volta Grande. Essa é a sombra que paira sobre estes moradores do Xingu.  O ciclo natural de cheias e vazantes não será mais o mesmo.
Há duas semanas, remei com Agostinho e Cobalto a bordo de Altas Horas, uma canoa verde e branca, pesada, sólida, cavada em um tronco único. Singramos 110km no Xingu junto a outras 10 canoas da expedição ByeBye Xingu. Por 4 dias, descemos o rio na companhia de jurunas, extrativistas e ribeirinhos, partindo da cidade de Altamira até as cataratas na terra indígena Paquiçamba.A “canoada'' organizada pelo Instituto Socioambiental foi uma oportunidade para ver o Xingu de perto antes do enchimento do lago da usina hidrelétrica de Belo Monte. Em Altamira, a cidade mais afetada pelo empreendimento, há obras por todo lado, novas pontes e bairros. Ali, a poeira constante, a movimentação intensa de caminhões e ônibus cheios de trabalhadores deixam mesmo a sensação de uma transformação acelerada.
Foto: Reprodução/Gustavo FaleirosCaminho percorrido pela canoada ByeBye Xingu ao longo da Volta Grande e os pontos de interesse marcados no GPS. Ver mapa ampliado aqui.No rio Xingu, acima da barragem, a mudança também é notável. No primeiro dia de nossa jornada, a cena principal eram grandes pilhas de madeira e ilhas fluviais totalmente devastadas. Por determinação do licenciamento, todas as terras que serão inundadas, incluindo as centenas de ilhas do rio, devem ser desmatadas.As ilhas que vimos já estão desocupadas e a limpeza da cobertura vegetal, avançada. Isso, no entanto, não pareceu razão suficiente para o Ibama conceder a aprovação final ao empreendimento. No último dia 23, a diretoria de licenciamento negou a licença de operação à usina Belo Monte apontando o descumprimento de 12 condicionantes. A maioria diz respeito a falhas no reassentamento da população ribeirinha à montante e o atraso na entrega do sistema de saneamento de Altamira. Os impactos para quem está na Volta Grande não estão entre os problemas mencionados. Veja aqui o parecer completoA Norte Energia promete responder às demandas do Ibama e a expectativa é que uma vez estabelecido um cronograma de solução para as pendências, a licença de operação seja emitida. A própria presidente Dilma Rousseff, em coletiva à imprensa no último dia 27, após seu discurso na Assembléia Geral da ONU minimizou a negativa do Ibama. “Tem falha? Ah, não tenha dúvida que tem. Mas fato de ter falhas não significa que a gente vá destruir esse processo. Pelo contrário, temos de reconhecê-las e melhorar'', disse a presidente segundo reportagem da BBC Brasil.A procuradora do Ministério Público Federal Thaís Santi, baseada em Altamira, prevê que os piores impactos de Belo Monte ainda estão por acontecer. “Os grandes problemas ainda estão por vir. A nossa grande preocupação a partir de agora é a Volta Grande do Xingu'', afirmou durante uma encontro com os jornalistas, ativistas e demais participantes da Canoada Bye Bye Xingu. Para ela, o histórico de “má gestão do estado e ações criminosas'' da Norte Energia revela que reconhecer os impactos que sofrem os moradores à jusante da barragem não será fácil. A procuradora ressaltou a importância do monitoramento nos próximos anos para garantir que a vazão remanescente na Volta Grande do Xingu permita a sobrevivência das comunidades, uma vez que dependem da pesca e da navegação.A  partir do momento em que comece a operar, Belo Monte criará uma disputa entre a geração de energia e a manutenção da ecologia dos 100 km de rio que terão a vazão reduzida. De acordo com o Estudo de Impacto Ambiental, o hidrograma (instrumento que determina a quantidade de água que será vertida pelas comportas), o Xingu poderá ter, à jusante da barragem, uma vazão mínima de 680 metros cúbicos por segundo (m3/s) nos períodos de seca e máxima de 8000 m3/s nos momentos de cheia. A vazão média da Volta Grande ao longo do ano é de 7500 m3/s podendo chegar a 12000 m3/s nas cheias mais severas. Não há portanto garantia de que a proposta da Norte Energia permita a manutenção da ecologia deste pedaço do Xingu.Até mesmo os técnicos do Ibama apontaram o problema.  Na concessão da licença prévia e de instalação, os pareceres técnicos indicam que não era possível concluir qual seria o impacto da mudança do regime das águas na biodiversidade e na população da Volta Grande do Xingu. Por isso, uma das condicionantes impostas na ocasião da licença instalação em 2011 foi um monitoramento por 6 anos após o início da operação de Belo Monte.
Foto: Reprodução/Gustavo FaleirosA barragem de Belo Monte interrompe o curso do Xingu na Volta Grande, a 40km à jusante de Altamira, no sítio Pimental. Ali haverá 6 turbinas gerando 233 MW. Mas não será esta a principal casa de força. Pouco antes do barramento, um canal de 20km desviará a água para um reservatório intermediário e depois à casa de força principal, com capacidade instalada de 11.000 MW. Abaixo, arraste o ponto branco para ver Belo Monte antes e depois. A imagem vermelha mostra o canal aberto para verter água do Xingu à casa de força. Foto Landsat julho 2015 e ferramenta preparadas em parceria com AstroDigital.Em nossas rodas de conversa nas noites que acampamos nas praias da Volta Grande, moradores da Ilha da Fazenda ou da aldeia juruna Miratu se queixaram diversas vezes de redução na pesca já sentida desde o início das obras.  A captura de peixes ornamentais, uma das atividades mais rentáveis, já foi afetada pela alteração na turbidez da água. De nossos acampamentos ao longo do rio Xingu pudemos ouvir os grandes estrondos vindos das obras de Belo Monte, mesmo estando a quilômetros de distância.  Funcionando por 24 horas, os canteiros emitiam luminosidade que podia sempre ser vista no horizonte, como se houvesse logo ali um estádio de futebol acesso para a partida.Pouco antes da realização da canoada, indígenas e ribeirinhos da Volta Grande navegaram ao sítio Pimental para reclamar da lama que está se acumulando no leito à jusante da barragem. Giuliarde Juruna, cacique da Aldeia Muratu, afirma que a principal reivindicação de seu povo é que possam manter o modo de vida, pescando e navegando. Mas a incerteza é grande. “Não sabemos o que vai ser'', repetiu algumas vezes nas noites em que conversamos.O Instituto Socioambiental, através de um balanço divulgado em agosto – o relatório “Belo Monte: não há condições para a Licença de Operação'', tem argumentado que os impactos sobre a pesca não são devidamente reconhecidos. Segundo o documento “explosões, iluminação excessiva, redução da transparência da água e a dragagem de praias inteiras (…) têm afugentado e causado a morte dos peixes, inviabilizando áreas de pesca tradicionalmente utilizadas.''Além da pressão para que o Ibama não emita a Licença de Operação, o ISA e as outras organizações da sociedade civil querem que o consórcio de Belo Monte se comprometa a monitorar os impactos da usina na população da Volta Grande. “O que está sendo feito aqui é um laboratório humano em grande escala'', ressaltou o coordenador-adjunto do Programa Xingu do ISA, Marcelo Salazar.Após 30 bilhões do BNDES gastos para financiar a obra – 100% a mais do que a previsão original – e de delações de pagamentos de propina por empresas que participam do consórcio, a obra de Belo Monte está próxima de chegar ao fim. Campanhas das organizações não-governamentais, mobilizações de artistas no Brasil e no mundo, nada pode parar o empreendimento. Nem mesmo uma acusação na Corte Interamericana de Direitos Humanos em 2012 foi capaz de mudar o rumo. Em todas as etapas, mesmo com as ressalvas dos técnicos de que havia problemas que inviabilizavam a obra, os dirigentes do Ibama optaram por emitir as licenças prévia e de instalação. Agora, fato consumado, a licença de operação parece ser uma questão de tempo.*Texto: Gustavo Faleiros

Pesquisadores registram presença de cachorro selvagem raro no Amazonas


Imagens feitas pelas armadilhas fotográficas. Foto: Divulgação/Instituto Mamirauá

MANAUS - Pesquisadores fizeram registros de uma espécie de cachorro selvagem raro na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã, no município de Maraã, no Amazonas. Este foi o primeiro registro da ocorrência do cachorro-vinagre (Speothos venaticus) em florestas de Igapó da Amazônia. O feito causa surpresa, pois o animal não é comum em áreas alagadas. O animal é classificado como 'quase ameaçado' pela lista vermelha da International Union for Conservation of Nature (IUCN). No Brasil, a espécie é considerada 'vulnerável' pela lista oficial de espécies ameaçadas do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio)."Supostamente, a espécie ocorre em toda a Amazônia Brasileira. Porém, a maioria dos registros confirmados estão na periferia do bioma, como Pará e Maranhão. Portando, a ocorrência dessa espécie em vastas áreas da Amazônia Central ainda é hipotética, e precisamos de registros como esses da Reserva Amanã para confirmação de que a espécie de fato ocorre nessas áreas", explica o biólogo do Instituto Mamirauá, Daniel Gomes da Rocha. O pesquisador enfatiza que apesar de ter grande área de distribuição, que engloba toda a bacia amazônica, ainda há pouco conhecimento sobre a ecologia do animal. As imagens foram feitas com a instalação de armadilhas fotográficas em diferentes pontos da reserva. Os resultados saíram em setembro em artigo no Journal of Mammalogy, da editora Oxford University Press.
Os dados foram coletados entre os anos de 2013 e 2014, por meio de amostragens no período da seca. Foram instaladas 64 armadilhas fotográficas em diferentes pontos da reserva. O cachorro-vinagre foi o único canídeo silvestre fotografado neste estudo. Outras espécies de carnívoros também foram captadas pelas câmeras, durante as amostragens, como onça-pintada, onça parda, jaguatirica, gato-maracajá, irara e quati. Além de carnívoros, espécies ameaçadas com o tatu-canstra e o tamanduá-bandeira também foram fotografadas.Daniel comenta que, entre as espécies de canídeos silvestres brasileiras, o cachorro-vinagre é uma das menos estudadas. De acordo com o pesquisador, há pouco conhecimento sobre a ecologia da espécie e sua ocorrência. "Os registros de cachorro-vinagre, apresentados no nosso trabalho, reduzem uma enorme lacuna dentro da área de distribuição da espécie na Amazônia Central e incluem a primeira documentação da espécie em floresta sazonalmente alagada por águas pretas [Igapó]. Essas informações básicas são essenciais para entender o status de conservação do cachorro-vinagre", afirmou.
Imagens feitas pelas armadilhas fotográficas. Foto: Divulgação/Instituto Mamirauá

Esse registro inédito contribui pra importantes informações científicas, que corroboram características já descritas para a espécie em outras regiões. Como, por exemplo, de que os animais preferem se deslocar em grupos com hábitos diurnos e que usam áreas próximas a corpos d'água e distantes de comunidades com população humana. Os animais foram registrados por fotografia em três eventos independentes, dois em áreas de floresta de terra firme e um em florestas de igapó.Por causa de seu comportamento arisco, há poucos registros do cachorro-vinagre em vida livre. O pesquisador destaca também que a espécie ocorre naturalmente em baixas densidades, e que a difícil logística de pesquisas em campo na Amazônia é outro fato que dificulta a documentação do animal. "Para detectar a espécie é necessário um grande esforço de campo. Em três anos de amostragem, com intensivo uso de armadilhas fotográficas, obtivemos apenas três registros da espécie", reforçou.Além da perda de habitat, que ameaça o cachorro-vinagre em toda sua área de distribuição, Daniel destaca outras ameaças locais para a espécie. "A gente acredita que as principais ameaças, na nossa área de estudo, são as doenças que podem ser transmitidas por cachorros domésticos. Como o cachorro-vinagre é uma espécie que vive em grupos familiares, se um indivíduo for contaminado, ele pode transmitir a doença para todo o grupo", comenta o pesquisador.De acordo com Louise Maranhão, médica veterinária do Instituto Mamirauá, a presença de patógenos na região já foi identificada em outras pesquisas. "A transmissão de doenças entre animais domésticos e silvestres é preocupante. Alguns patógenos comuns a ambos já foram detectados em animais silvestres na região. Já foram detectados, por exemplo, patógenos causadores de algumas doenças como hidatidose, capilariose, toxoplasmose e leptospirose. Conhecer o status epidemiológico dessas populações é importante para prevenir e evitar surtos de doenças e possíveis óbitos", completou Louise.

Pará traça metas para reduzir o desmatamento tropical no planeta


Foto: Nelson Feitosa/Ibama

BELÉM - Planejamento e estratégias para a Força-Tarefa de Governadores para o Clima e Florestas (GCF) em 2016 foram os principais assuntos tratados durante reunião em Brasília, nos dias 28 e 29 de setembro de 2015. O Pará é um dos membros fundadores do GFC, e iniciou a participação junto a outras nove províncias com a assinatura do Memorando de Entendimento com os Governos dos Estados da Califórnia, Illinois e Wisconsin (EUA). No relatório são previstos bases para cooperação em ações ligadas à mitigação de mudanças do clima, em especial no setor florestal, com foco em cooperação técnica e capacitação.Durante a reunião foram discutidas questões envolvendo as capacitações, aporte de recursos, melhor estratégia para utilização dos recursos disponíveis pelo grupo; a implementação e fortalecimento de sistemas e programas jurisdicionais de REDD; e Serviços Ambientais na Amazônia. O grupo também tratou dos rumos a serem seguidos na COP21, qual o posicionamento dos estados da Amazônia Brasileira durante o evento, assunto que será finalizado na reunião denominada Pre-COP21, que ocorrerá em novembro.Além disso, foi definida a participação dos estados membros do GCF – Pará, Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Roraima e Tocantins - na conferência Pan-Amazônica de Adaptação às Mudanças Climáticas. Na ocasião, Larissa Chermont reafirmou o interesse do Estado em sediar a próxima reunião do Fórum dos Governadores da Amazônia Legal e a Reunião do Fórum de Secretários de Meio Ambiente da Amazônia Legal, que deve acontecer ainda este ano.O GCF é uma colaboração entre 29 estados e províncias do Brasil, Indonésia, México, Nigéria, Peru, Espanha e Estados Unidos, que estão trabalhando para reduzir o desmatamento tropical no planeta através do desenvolvimento de programas jurisdicionais de alta qualidade para estabelecer práticas de baixas emissões, que sejam economicamente sustentáveis e visem a melhoria do modo de vida das comunidades florestais.A Força Tarefa engloba mais de 25% das florestas tropicais do mundo, incluindo mais de 75% das florestas do Brasil e do Peru e mais da metade das florestas da Indonésia. Os membros do GCF têm liderado o desenho e a implementação de abordagens jurisdicionais para o desenvolvimento de baixas emissões, com foco no nível subnacional de governança, onde a maioria destes esforços está acontecendo.

Foi em tom de brincadeira', diz cantor que postou fotos de animais silvestres mortos

MANAUS - O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) multou o cantor Prince do Boi por divulgar fotos de animais silvestres em redes sociais. Nas postagens, o artista faz apologia ao consumo de animais. Prince foi multado em R$ 35 mil. Em entrevista à Rádio Amazonas FM, o cantor afirmou que fez as postagens "em tom de brincadeira". Ele disse ainda que não se alimenta de animais silvestres.Foto: Divulgação/Ibama

Relatório aponta seis locais impróprios para banho em Mato Grosso

CUIABÁ - Seis locais de banho frequentados pela população foram considerados impróprios, segundo o relatório da campanha de balneabilidade realizado pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema). Cinco amostragens de 24 trechos dos principais rios mato-grossenses, em nove municípios, foram analisadas entre 3 de agosto e 15 de setembro. O estudo levou em consideração a quantidade de Escherichia coli (coliformes fecais); a incidência elevada ou anormal de enfermidades transmissíveis por via hídrica, indicadas pelas autoridades sanitárias; a presença de resíduos sólidos ou líquidos, como esgotos sanitários; o nível de PH, entre outros fatores de risco à saúde humana estabelecidos pela Resolução nº 274/2000 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). Na campanha deste ano foram classificados como impróprios para a prática de recreação e banho os rios: Cuiabá, nos trechos da comunidade de São Gonçalo Beira Rio, que apresenta essa condição desde 2007, e no trecho de Bonsucesso, no município de Várzea Grande, que está nesta categoria desde 2003. Em Cáceres, a Praia da Carne Seca, localizada no rio Paraguai, segue imprópria desde 2004 devido a presença de dragas no local, embarcações que realizam a extração de areia do rio. O córrego Piraputanga, também em Cáceres, só entrou pra lista como inadequado em 2010, 2012 e voltou agora em 2015. Embora o rio Paraguai em Barra do Bugres oscile desde 2006 entre impróprio e próprio, o banho neste local volta a ser inapropriado este ano decorrente do pH da água estar menor que seis, limite determinado pelo Conama. Já o rio Bugre, também em Barra do Bugres, permaneceu excelente pra banho por três anos consecutivos, mas devido ao pH abaixo da média neste ano o rio foi classificado como impróprio.
Foto: Andrea Lobo/SecopaBalneabilidadeO relatório é realizado anualmente pelo laboratório da coordenadoria de Monitoramento da Qualidade Ambiental da Sema. O coordenador do setor, Sérgio Batista de Figueiredo, afirma que o estudo tem o objetivo de subsidiar a atuação das prefeituras e dos órgãos de fiscalização e prever consequências futuras que decorreriam de uma expansão das atividades na área e de desenvolver medidas adequadas de controle. “A utilização da água para fins recreativos é muito comum no Estado, principalmente nos rios próximos às cidades e onde ocorre a formação de praias na época da seca. Em razão disso, torna-se relevante conhecer a qualidade da água, para garantir a preservação dos recursos hídricos e a proteção da saúde da população”. Dos 24 locais analisados, 18 foram classificados como próprios para a prática de recreação e banho. São considerados ‘excelentes' para banhistas: os rios Coxipó Açu (Cuiabá), Passagem da Conceição (Várzea Grande), Cachoeirinha, Cachoeira dos Namorados, Condomínio Portal das Águas (Praia do Manso), todos em Chapada dos Guimarães, Praia Nortefly (Nortelândia), Praia do Julião, no Rio Paraguai (Cáceres) e Praia Daveron, na Baía dos Malheiros, também em Cáceres. Na categoria ‘muito boa’ estão os rios Praia do Pari (Cuiabá), Praia de Santo Antônio, Praia das Veredas (Santo Antônio do Leverger), Praia das Embaúbas (Rosário Oeste) e a Praia do Iate Clube, na Baía dos Malheiros (Cáceres). Já o trecho ‘satisfatório’ para banhistas são: Ponte de Ferro, Coxipó do Ouro, Rio Claro, Mutuca (Cuiabá) e Martinha (Chapada). Os lugares que receberam a classificação própria nos últimos seis anos foram Ponte de Ferro, Praia do Pari e Coxipó-Açú, Passagem da Conceição, Condomínio Portal das Águas e a Praia das Embaúbas. Recomendações A constatação da presença de coliformes fecais, em um determinado local, acima de 2.000 mililitros (ml) em mais de 20% das amostras pode estar associada ao lançamento de esgoto sanitário ou fezes de animais ou a presença de microorganismos patogênicos. Sérgio afirma que isso aumenta a possibilidade do banhista contrair doenças, como poliomielite, cólera, hepatite, febre tifóide, gastroenterite, doenças da pele e outras. O coordenador alerta que nos últimos dois anos há uma tendência de piora geral na qualidade da água, principalmente nos rios da região hidrográfica do Paraguai e Araguaia-Tocantins e por isso é importante realizar práticas sustentáveis voltadas à preservação da natureza no Estado. Sérgio explica que é importante também evitar o banho após a ocorrência de chuvas de maior intensidade e a ingestão de água destes locais, sem o devido tratamento. “É necessário redobrar a atenção com as crianças e idosos, que são os mais sensíveis e menos imunes que adultos.” Monitoramento O monitoramento da balneabilidade das praias teve seu início em 1995, com a implantação dos pontos de coleta. As praias escolhidas para o monitoramento sofreram alteração de um ano para o outro. Em 1995, foram avaliadas apenas quatro praias. Em 1996 e 1997 o monitoramento não aconteceu, devido principalmente à falta de recursos financeiros. Em 1998 foram avaliadas 12 praias; em 1999, somaram 14; em 2000, 13; em 2001, 10 e em 2002 foram avaliadas 15 praias. No ano de 2003, foram avaliadas 22 praias, em oito municípios do Estado. Em 2004 foram acrescentados mais 10 dez pontos de coleta distribuídos nos municípios de Guiratinga, Jaciara, Juscimeira, Nobres e Tesouro, totalizando 32 praias em 13 municípios. Porém, em 2006 foram monitoradas apenas 24 praias. Em 2008 foram efetuadas coletas em 25 pontos; no ano de 2009 em 23 pontos e no ano de 2010 em 26 pontos. Em 2011 foram 24 praias monitoradas pela Sema. Em 2012 foram avaliados 30 pontos. Em 2013 a avaliação não pôde ser realizada por problemas logísticos. Em 2014, 20 pontos e em 2015 foram avaliados 24 trechos de rios utilizados para recreação e banho localizados nos municípios de Cuiabá, Várzea Grande, Chapada dos Guimarães, Nortelândia, Barra do Bugres, Rosário Oeste, Santo Antônio do Leverger, Cáceres e Pontal do Araguaia. Serviço Você pode comunicar a Sema caso aconteça qualquer evento ou circunstância que levante dúvidas quanto à manutenção da condição de balneabilidade do rio ou córrego. Para reclamações ou sugestões, está disponível o e-mail [email protected] e o telefone da ouvidoria 0800-65-3838. Se quiser sugerir município não cotado nesta campanha, basta protocolar um ofício na secretaria solicitando a inclusão do trecho. Lembrando que o rio a ser analisado precisa ser frequentado por pessoas com objetivo de banho e lazer. Para mais informações, acesse o relatório completo no link Balneabilidade do site da Sema: www.sema.mt.gov.br  (ícone balneabilidade na capa do site).