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Sexta, 07 Mai 2021

Variação ambiental estimula reprodução de guarás no Mangal das Garças

A chegada tardia das chuvas nesse inverno amazônico pode ter favorecido a reprodução de pássaros guarás do Mangal das Garças. A ninhada, que geralmente ocorre entre os meses de setembro e novembro, veio mais cedo. Um filhote nasceu há três dias e outros quatro ovos estão em chocadeiras para se desenvolver. O fenômeno é uma boa notícia para as aves que sofrem algum grau de ameaça na natureza – e já foram extintos em muitos lugares do planeta.

O Mangal abriga 78 exemplares, desses, 72 são adultos, cinco juvenis - os filhotes da ninhada de outubro/novembro - e o caçula nascido há três dias. "Conseguir essa reprodução é sempre um motivo de alegria também porque para eles se reproduzirem precisam ter condições ideais, como uma nutrição boa, um local que eles considerem agradável e confortável, para que tenham uma sensação de segurança, de naturalidade. A reprodução é fisiologicamente um dos momentos mais importantes e mais exigentes para os animais. Então eles têm que estar ótimos tanto nutricionalmente, quanto fisiologicamente, como comportamentalmente", explica o médico veterinário, Camilo Gonzalez.

De acordo com o especialista, a preparação para a reprodução dessas aves começa com muitos estudos. "Pessoas que vieram antes de nós deixaram protocolos bem legais como a doutora Stephania Miranda que contribuiu com a tese de doutorado dela. Saber as temperaturas ideais, o tempo que a ave vai demorar chocando. Em que momento pode se fazer uma suplementação nutricional para elas se estimularem e não perderem nutrientes demais colocando ovos. E depois a limpeza, marcação e acompanhamento na chocadeira", acrescentou o veterinário.

Foto: Divulgação

 As chocadeiras são incubadoras automáticas com controle de temperatura e umidade. O tempo ideal de incubação é de aproximadamente 25 dias.

Na época de reprodução as aves demonstram sinais físicos, como o escurecimento do bico e o inchaço ou vermelhidão do pescoço. A equipe do parque observa e aumenta a quantidade de alimento, além de colocar um suplemento para que eles percebam que há abundância de recursos e comecem a expressar comportamentos de cortejo.

Quando começam a se agrupar em casais, a equipe coloca ninhos artificiais fabricados com madeira no recinto, deixam capim cortado para eles decorarem do jeito deles, e bloqueiam a visão do recinto para eles não serem incomodados com o trânsito das pessoas.

"Há variações na ninhação, geralmente aqui el chega mais tarde, de setembro a novembro. Mas nesse clima tropical geralmente não tem um período muito limitado. Ocorrem essas coisas que se atribuem a variações ambientais que às vezes fogem da nossa percepção como humanos. Mas eles percebem o aumento na luminosidade, por exemplo, esse inverno foi um pouquinho mais ensolarado, menos chuva, frio. Muitas vezes esses dias mais luminosos e calorentos estimulam as aves a outro ciclo reprodutivo", explica o médico

Foto: Divulgação

O Mangal das Garças conta com três espaços, sendo um viveiro, a ilha dos guarás e o setor extra. "Os guarás são animais pacíficos, que estão sempre interagindo nos seus grupos sociais. Temos guarás em três espaços, podem subir nas árvores, explorar. Os que estão em reprodução ficam em um espaço mais restrito e justamente evitar perder os bebês, mas sob estímulo para expressar os comportamentos naturais. Em um espaço maior é sujeito haver alguma predação", ponderou Camilo Gonzalez.

Além disso, a equipe técnica é toda treinada com base em um manejo que prioriza o bem estar dos animais. "Temos tratadores muito experientes que já estão há mais de 10 anos trabalhando com filhote então é um trabalho em conjunto e importante. O tratamento que os guarás recebem é baseado no bem-estar animal em seus pilares. O mais próximo à natureza deles, expressar seus comportamentos, o grupo social, a forma de poleiros, alimentação, o enriquecimento ambiental, o estímulo cognitivo, tudo é um trabalho que estudamos e nos dedicamos muito e vemos o resultado na reprodução", avalia o médico. 

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