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Quinta, 23 Setembro 2021

Projeto Mundiar valoriza saberes tradicionais na aldeia Gavião Akrãtikatêjê

Projeto Mundiar valoriza saberes tradicionais na aldeia Gavião Akrãtikatêjê
Os estudantes atendidos pelo Projeto Mundiar na aldeia Akrãtikatêjê, em Bom Jesus de Tocantins, município do sudeste paraense, encerraram nesta quinta-feira (23) as aulas de boas práticas voltadas ao manejo da castanha do Pará. A ação está inserida no Projeto Florestabilidade, que tem como objetivo promover entre os estudantes o aprendizado da disciplina Estudos Amazônicos.

Na aldeia Akrãtikatêjê, do povo Gavião da Montanha, 22 indígenas voltaram para a sala de aula no segundo semestre do ano passado – seis para concluir o ensino fundamental e 22 para o ensino médio, por meio do 'Mundiar', uma metodologia implantada em 2014 pela Secretaria de Estado de Educação (Seduc), em parceria com a Fundação Roberto Marinho, destinada a corrigir a distorção escolar idade/ano e reduzir repetência e evasão de alunos da rede pública de ensino.

Eliz Sampaio, professora da turma de ensino fundamental, e Loid Souza, responsável pela turma de ensino médio, disseram que a temática Florestabilidade foi abordada dentro do projeto com todos os 22 alunos, devido à importância da preservação da história do povo Akrãnikatejê, que está ligada à coleta da castanha do Pará. “A prática do manejo e a influência do fruto na vida deste povo, e sua importância econômica, social e ambiental, foram trabalhadas com o propósito de despertar nas futuras gerações de indígenas a vocação para carreiras florestais”, destacou Eliz Sampaio.
Foto: Reprodução/Agência Pará

Diversidade

O Projeto Florestabilidade apresenta conteúdos e metodologia que valorizam o saber tradicional, as técnicas e a diversidade de perfis profissionais presentes no manejo florestal. Segundo a professora Eliz Sampaio, o projeto também fomenta uma rede colaborativa entre profissionais, aspirantes à profissão e o mercado de produtos florestais, “para divulgar oportunidades de formação e trabalho, e compartilhar boas práticas, inclusive com a formação de cooperativas, que está entre as 30 profissões que podem ser desenvolvidas pelos povos da floresta”, destacou.

O projeto foi desenvolvido em duas etapas na aldeia. Na primeira foi utilizada a metodologia telessala, com a valorização de diferentes saberes e estímulo ao conflito produtivo e ao diálogo que transforma o ensino em aprendizado. “Em seguida, houve a parte de boas práticas, com a separação e higienização dos frutos, que foram descascados e embalados. Todo o processo foi anotado pelos estudantes”, informou Eliz Sampaio.

Língua mãe

Alunos Akrãtikatêjê e professores não indígenas estão tendo aulas da língua indígena Jé, do tronco Timbira, com Kátia Tonkiré, única cacique Gavião no Brasil. “O 'Mundiar' chegou como uma grande esperança para o meu povo concluir o ensino médio. Muitos dos estudantes estavam parados há dois anos. Estou também ensinando a eles a língua do nosso povo, pois o meu grande objetivo é que, após a conclusão do ensino médio, todos os 18 alunos entrem para a universidade e possam utilizar todo o conhecimento obtido nas universidades em prol do nosso povo, aqui dentro da nossa aldeia. Por isso, estou também colaborando com a formação deles, no aprendizado da nossa língua mãe”, disse Kátia Tonkiré.

A aldeia Akrãtikatêjê está formando mais uma turma de estudantes do Mundiar. Sete novos indígenas já procuraram a cacique para solicitar a matrícula.

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