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Terça, 20 Outubro 2020

Atleta olímpico Sandro Viana reclama de exclusão do Bolsa-Atleta Municipal

MANAUSSandro Viana é um dos maiores atletas amazonenses de todos os tempos. Representante do Estado nas Olimpíadas de Pequim-2008 e Londres-2012, o velocista quer fechar seu ciclo no atletismo com a disputa dos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro. Para isso, entretanto, o veterano de 38 anos terá de vencer as adversidades. Mesmo sendo um atleta olímpico, ele ficou de fora da lista dos 18 contemplados pelo Bolsa-Atleta Municipal, concedida pela Prefeitura de Manaus, e agora enfrenta dificuldades financeiras para se manter em alto nível.
Sandro Viana é a principal referência do Amazonas no atletismo. Foto: Divulgação/Sejel-AM

A verdade é que Sandro está acostumado com a falta de apoio ao esporte no Amazonas. Foi por este motivo que há 10 anos, em 2005, ele clamou por apoio aos atletas amazonenses após conquistar o título mundial universitário. O pedido foi atendido. Começou como uma ajuda de custo, que anos mais tarde tornaria-se um apoio e hoje é uma lei.

Sandro foi o primeiro beneficiado pelo Bolsa-Atleta Municipal. Recebia o patrocínio até o ano passado, quando o contrato encerrou e o programa foi suspenso abruptamente para uma reformulação. Na retomada do auxílio, neste mês de setembro, o atleta olímpico do Amazonas ficou de fora da lista dos 18 beneficiados. O motivo? Nem Sandro sabe explicar. Para ele, os critérios para reivindicar o benefício estão confusos.

“Me sinto menosprezado. É uma situação chata, uma questão que foi tratada de maneira um pouco dura. A bolsa teve uma repaginação, mas acabei ficando de fora. É uma situação rara, pois eu sou o único atleta olímpico da lista. O critério diz que apenas atletas olímpicos são contemplados, mas não diz como isso é justificado”, disse o atleta à reportagem do Portal Amazônia.

Sandro nutre esperança de representar o Brasil no revezamento 4x100 nas Olimpíadas, mas corre contra o tempo na preparação. Faltam apenas 11 meses para os Jogos e ele agora encontra dificuldades financeiras para se manter em alto nível. Manter uma equipe multidisciplinar e bancar equipamentos e suplementos tornou-se um desafio ainda maior.

“Eu tenho um prazo curtíssimo de 11 meses pra trabalhar. Eu fiz minha parte, colaborei com medalhas e títulos. Mostrei que um amazonense pode ser profissional e de alto nível, pode ser um dos melhores do mundo, e hoje estou nessa situação. Os próprios atletas chegam comigo com cara de espanto por eu não receber a bolsa”, conta Sandro.

Sandro acredita que os atletas estão sendo prejudicados pela má formulação dos critérios para o recebimento da bolsa. “Não sei ao certo o que eles querem fazer, mas eles pedem critérios que eu não sou obrigado a apresentar. Se eu sou de uma categoria de cima, eu não tenho como apresentar critérios da categoria de baixo. Essa foi uma questão que eu expliquei, mas não foi suficiente para que regulamentassem minha situação”, lamentou.Desta forma, o sonho de encerrar a carreira conquistando uma medalha olímpica está cada vez mais distante. "A bolsa é indispensável pras minhas pretensões olímpicas. Essa é minha última Olimpíada e estou tentando conquistar a medalha que me resta".Polêmica do Bolsa-Atleta

Além de competidor olímpico, Sandro também possui duas medalhas de ouro em edições de Jogos Pan-Americanos. E ele não é o único a contestar a reformulação do Bolsa-Atleta. As judocas locais Rafaela Barbosa e Rita de Cássia, que representam a seleção brasileira da modalidade, também não foram contempladas com a bolsa.

No mês passado, o novo secretário de esportes do município, Sildomar Abtibol, justificou ao Portal Amazônia que o Bolsa-Atleta foi reformulado para 'colocar ordem' nos critérios de participação, que estavam obscuros. “Todo mundo que disputava um torneio internacional como convidado reivindicava a bolsa. Mas a regra, até mesmo do Governo Federal, é muito clara: só os atletas convocados pela seleção devem participar. Não estamos inventando nada ou criando empecilho, apenas deixando as regras mais claras para não cometer injustiças”, disse, à época.

Em ano de crise no poder público, a reformulação do Bolsa-Atleta foi pensada para enxugar custos. Desta forma, os critérios passaram a ser mais rígidos. O novo decreto diz que os atletas, além de integrarem a seleção brasileira, devem ser ranqueados até a quinta colocação em suas respectivas categorias para pleitear o benefício.

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