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Ozório Fonseca

Comparação detestável

Um ensaio sobre o estado (estágio?) moral do Amazonas atual. Leia o artigo de Ozorio Fonseca

Ozorio Fonseca


Bodes e carneiros
No Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas, dia 17/10/2015, aconteceu o lançamento de mais um livro do Dr. João Bosco Botelho, intitulado “Cordeiros e Bodes”, publicado pela Valer. O autor, por ser meu amigo e confrade em outros sodalícios, me convidou para fazer uma breve apresentação do livro e fiquei preocupado com essa missão, pois não tenho saberes para fazer análise literária. Apesar disso, durante cerca de três horas, me desliguei do mundo e me concentrei na leitura (e releitura) das 130 páginas que contam uma história análoga e/ou homóloga à que vivemos em nossos dias e que comento em meus escritos na mídia e em redes sociais.
A história fictícia nos remete ao nosso cotidiano povoado de emergentes incultos, aéticos e amorais que dominam a paisagem política desse Estado e dessa cidade onde nasci, embora tenha passado minha infância em Itacoatiara, que chamo de Principado não por ambicionar títulos nobiliárquicos, mas para chamar a atenção para a nobreza de caráter de todos os antigos governantes da Velha Serpa que morreram pobres. 
Comparação detestável
Frequentemente, quando falo ou escrevo contra o estado (estágio?) moral do meu Amazonas atual, ouço alguém dizer que é assim em todo lugar e sempre repudio esse nivelamento pelos padrões menores, pois o nível que almejo para minha terra é de elevada dignidade. O livro do Dr. João Bosco Botelho faz um paralelo com a realidade que vivemos e convivemos marcada pela degradação moral e ética da sociedade amazonense. É muito real e atual a descrição da degradação dos social e da corrupção dos costumes praticados por um casal de emergentes que, ao final, recebem duas punições exemplares: 1) uma condenação imposta por uma juíza cuja conduta correta a impedirá de chegar aos Tribunais Superiores; 2) um castigo divino ou um retorno da maldade para quem a pratica, imputando aos dois, patologias incuráveis e que produzem grande sofrimento físico e moral.
Não é só ficção
E como no livro a ficção se mistura à realidade, reproduzo aqui uma história real que poderia estar nas páginas do livro e que me foi contada por um amigo que viveu o ambiente da cúpula política do município e do estado.
Um caso concreto
A história narra um passeio de carro pelos arredores de Manaus quando meu velho amigo conduzia no banco da frente de seu carro um governante famoso e no banco traseiro um secretário e um dono de construtora. Em determinado momento entrou na conversa uma obra pequena, avaliada em R$50.000,00 e o secretário anunciou que queria 10%. O dono da construtora indicou que para continuar apoiando o governo, queria 20% e o governante decretou que para ele o percentual era 30%. Resultado a obra de R$50.000,00 teve que sofrer um “reajuste” para R$130.000,00 de forma que, retirados os 30% de um (R$ 39.000,00) os 20% de outro (R$26.000,00) e os 10% do outro (R$13.000,00), sobrassem R$52.000,00 para pagar a obra, com o indicativo de haver um resto de R$2.000,00 para premiar algum afilhado.
Similares e criativas histórias desse tipo de conduta são contadas no livro que ressalta o poder corruptor dos emergentes e de suas companheiras transformadas pela mídia e pelas colunas sociais em ícones da beleza, da elegância, da capacidade de superar suas incultas existências pelo poder do dinheiro que é roubado da sociedade como um todo e do marido que se sente um ícone do mundo econômico, social e político até que descobre ter um câncer de próstata e os primeiros sintomas da aids transmitida por sua madame contaminada pelo “personal trainer” famoso entre as “emergentes”. A descoberta do fim acontece em um luxuoso hotel de Paris o paraíso dos “nouveaux riches” onde o dinheiro não ameniza as más noticias. E ambos abandonados pelos parceiros e cúmplices, caminham em direção ao fim. Pena que é uma ficção.

Ozório Fonseca

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Um ensaio sobre o estado (estágio?) moral do Amazonas atual. Leia o artigo de Ozorio Fonseca

Ozorio Fonseca


Bodes e carneiros
No Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas, dia 17/10/2015, aconteceu o lançamento de mais um livro do Dr. João Bosco Botelho, intitulado “Cordeiros e Bodes”, publicado pela Valer. O autor, por ser meu amigo e confrade em outros sodalícios, me convidou para fazer uma breve apresentação do livro e fiquei preocupado com essa missão, pois não tenho saberes para fazer análise literária. Apesar disso, durante cerca de três horas, me desliguei do mundo e me concentrei na leitura (e releitura) das 130 páginas que contam uma história análoga e/ou homóloga à que vivemos em nossos dias e que comento em meus escritos na mídia e em redes sociais.
A história fictícia nos remete ao nosso cotidiano povoado de emergentes incultos, aéticos e amorais que dominam a paisagem política desse Estado e dessa cidade onde nasci, embora tenha passado minha infância em Itacoatiara, que chamo de Principado não por ambicionar títulos nobiliárquicos, mas para chamar a atenção para a nobreza de caráter de todos os antigos governantes da Velha Serpa que morreram pobres. 
Comparação detestável
Frequentemente, quando falo ou escrevo contra o estado (estágio?) moral do meu Amazonas atual, ouço alguém dizer que é assim em todo lugar e sempre repudio esse nivelamento pelos padrões menores, pois o nível que almejo para minha terra é de elevada dignidade. O livro do Dr. João Bosco Botelho faz um paralelo com a realidade que vivemos e convivemos marcada pela degradação moral e ética da sociedade amazonense. É muito real e atual a descrição da degradação dos social e da corrupção dos costumes praticados por um casal de emergentes que, ao final, recebem duas punições exemplares: 1) uma condenação imposta por uma juíza cuja conduta correta a impedirá de chegar aos Tribunais Superiores; 2) um castigo divino ou um retorno da maldade para quem a pratica, imputando aos dois, patologias incuráveis e que produzem grande sofrimento físico e moral.
Não é só ficção
E como no livro a ficção se mistura à realidade, reproduzo aqui uma história real que poderia estar nas páginas do livro e que me foi contada por um amigo que viveu o ambiente da cúpula política do município e do estado.
Um caso concreto
A história narra um passeio de carro pelos arredores de Manaus quando meu velho amigo conduzia no banco da frente de seu carro um governante famoso e no banco traseiro um secretário e um dono de construtora. Em determinado momento entrou na conversa uma obra pequena, avaliada em R$50.000,00 e o secretário anunciou que queria 10%. O dono da construtora indicou que para continuar apoiando o governo, queria 20% e o governante decretou que para ele o percentual era 30%. Resultado a obra de R$50.000,00 teve que sofrer um “reajuste” para R$130.000,00 de forma que, retirados os 30% de um (R$ 39.000,00) os 20% de outro (R$26.000,00) e os 10% do outro (R$13.000,00), sobrassem R$52.000,00 para pagar a obra, com o indicativo de haver um resto de R$2.000,00 para premiar algum afilhado.
Similares e criativas histórias desse tipo de conduta são contadas no livro que ressalta o poder corruptor dos emergentes e de suas companheiras transformadas pela mídia e pelas colunas sociais em ícones da beleza, da elegância, da capacidade de superar suas incultas existências pelo poder do dinheiro que é roubado da sociedade como um todo e do marido que se sente um ícone do mundo econômico, social e político até que descobre ter um câncer de próstata e os primeiros sintomas da aids transmitida por sua madame contaminada pelo “personal trainer” famoso entre as “emergentes”. A descoberta do fim acontece em um luxuoso hotel de Paris o paraíso dos “nouveaux riches” onde o dinheiro não ameniza as más noticias. E ambos abandonados pelos parceiros e cúmplices, caminham em direção ao fim. Pena que é uma ficção.