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Mazé Mourão

Feliz Manaus!

Manaus era uma cidade que quando a gente chegava em uma festa todo mundo se conhecia. Mas, não é disso que quero falar da aniversariante

Mazé Mourão

mazemanaus@gmail.com


Há tempos estou nessa fase da vida. De falar “naquele tempo”. Então... Manaus era uma cidade quando a gente chegava em uma festa todo mundo se conhecia. Mas, não é disso que quero falar da minha cidade aniversariante. Sei que os modernos fazem aquela cara de “lá vem esse papo”.  Porém, me deixa lembrar, só um pouquinho, daquele tempo...

Como não dizer que naquele tempo? Da Praça da Polícia que, aos domingos, era o caminho certo para as moças que queriam casar! Minhas irmãs mais velhas me levavam pela mão (eu era o álibi), para dar voltas infindáveis em torno do coreto, sempre com a desculpa “essa menina precisa sair de casa”, sem se importarem se eu estava com o corpo pinicando no vestido novo de organdi de seda, os sapatos comprados na Sapataria Onça. Não sei se elas acharam marido, mas que aprendi a paquerar com o olhar, disso não tenho a menor dúvida.

E queridos novos amazonenses, ainda experimentei com clamor no coração, a primeira vez que fui ao cinema com minha irmã Maria Luiza (sem tomadora de conta), assistir no Cine Avenida ao filme ‘Candelabro Italiano’! Quem já estava acomodado nas poltronas esperava para ver os cabelos das meninas voando ao passar pelas imensas bocas de ventilador embaixo da tela. Emoção, vendo a película linda, eis que, quando olho para o lado, a Maria Luiza, famosa Malu, estava aos beijos com um rapaz desconhecido. Nesse momento recebi a primeira lição de vida amorosa: não deixe nunca passar a oportunidade de beijar na boca. Beijo adiado, é beijo jamais dado!

Naquele tempo, gente contemporânea, a diversão era decorar o catálogo telefônico, e lembro até hoje do nosso número – 1307 – telefone preto e com disco para riscar o numero desejado. Lembro da inauguração da Marcly, da primeira Loja Populares, repleta de coisas bonitas, rivalizando com a Quatro Quatrocentos, do supermercado Casas do Óleo que tirou a supremacia das tabernas e das Renascença. Sou de um tempo que todos os moradores sabiam quem era o seu vizinho, onde comprar uma colher de manteiga, emcapar um botão, escolher metro de fazenda... Mas isso era naquele tempo de Manaus...

Sou de uma época, meus prezados, que descia a avenida Sete de Setembro, até o  início (saca o Paço da Liberdade?), com meu irmão Paulo onde encontrávamos os Brasil – Jair, Leila e Marlizinha -  e íamos tomar banho no rio Negro (sim, não era tecnologia, era oficial) que carinhosamente a praia (verdade!)  atendia pelo nome de Bosteiro! Foi quando surgiram as primeiras placas nas lojas com nomes em inglês e o saudoso Paulo ia ‘arremedando’ como nós, os caboclos, pronunciaríamos ‘forgeter goode’!

No meu tempo, os ídolos eram da jovem guarda, de uma Vanderléia avançadinha, do iniciante Rei Roberto Carlos e o sempre transgressor Erasmo, mas não barravam o grupo musical Blue Birds e a gritante vontade de ser Vitória que namorava Ananias, um dos componentes da banda que abalava corações e arrasava nas festinhas nos clubes Rio Negro e mingau do Ideal. Sou do tempo que manga a gente tirava do pé, peixe comprava na porta de casa e leite tinha que buscar no porto da cidade... Ah, Manaus, saudosa cidade da crônica do meio dia, do aroma de alho frito no almoço, do chá gelado e do sorvete do Messias...

E no Dia do professor era possível fazer um banquete para todos os mestres, no Colégio São Francisco de Assis e todo mundo ‘comia e bebia tudo de primeira’ e não saia falando de “essa tal de degustação”! E lembro que todos, absolutamente, compareciam todos os professores. É isso, modernos e afins, impossível não lembrar que sou desse tempo feliz da minha Manaus que completa 347 anos de existência. Parabéns. Até.

Mazé Mourão

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Feliz Manaus!

Manaus era uma cidade que quando a gente chegava em uma festa todo mundo se conhecia. Mas, não é disso que quero falar da aniversariante

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Há tempos estou nessa fase da vida. De falar “naquele tempo”. Então... Manaus era uma cidade quando a gente chegava em uma festa todo mundo se conhecia. Mas, não é disso que quero falar da minha cidade aniversariante. Sei que os modernos fazem aquela cara de “lá vem esse papo”.  Porém, me deixa lembrar, só um pouquinho, daquele tempo...

Como não dizer que naquele tempo? Da Praça da Polícia que, aos domingos, era o caminho certo para as moças que queriam casar! Minhas irmãs mais velhas me levavam pela mão (eu era o álibi), para dar voltas infindáveis em torno do coreto, sempre com a desculpa “essa menina precisa sair de casa”, sem se importarem se eu estava com o corpo pinicando no vestido novo de organdi de seda, os sapatos comprados na Sapataria Onça. Não sei se elas acharam marido, mas que aprendi a paquerar com o olhar, disso não tenho a menor dúvida.

E queridos novos amazonenses, ainda experimentei com clamor no coração, a primeira vez que fui ao cinema com minha irmã Maria Luiza (sem tomadora de conta), assistir no Cine Avenida ao filme ‘Candelabro Italiano’! Quem já estava acomodado nas poltronas esperava para ver os cabelos das meninas voando ao passar pelas imensas bocas de ventilador embaixo da tela. Emoção, vendo a película linda, eis que, quando olho para o lado, a Maria Luiza, famosa Malu, estava aos beijos com um rapaz desconhecido. Nesse momento recebi a primeira lição de vida amorosa: não deixe nunca passar a oportunidade de beijar na boca. Beijo adiado, é beijo jamais dado!

Naquele tempo, gente contemporânea, a diversão era decorar o catálogo telefônico, e lembro até hoje do nosso número – 1307 – telefone preto e com disco para riscar o numero desejado. Lembro da inauguração da Marcly, da primeira Loja Populares, repleta de coisas bonitas, rivalizando com a Quatro Quatrocentos, do supermercado Casas do Óleo que tirou a supremacia das tabernas e das Renascença. Sou de um tempo que todos os moradores sabiam quem era o seu vizinho, onde comprar uma colher de manteiga, emcapar um botão, escolher metro de fazenda... Mas isso era naquele tempo de Manaus...

Sou de uma época, meus prezados, que descia a avenida Sete de Setembro, até o  início (saca o Paço da Liberdade?), com meu irmão Paulo onde encontrávamos os Brasil – Jair, Leila e Marlizinha -  e íamos tomar banho no rio Negro (sim, não era tecnologia, era oficial) que carinhosamente a praia (verdade!)  atendia pelo nome de Bosteiro! Foi quando surgiram as primeiras placas nas lojas com nomes em inglês e o saudoso Paulo ia ‘arremedando’ como nós, os caboclos, pronunciaríamos ‘forgeter goode’!

No meu tempo, os ídolos eram da jovem guarda, de uma Vanderléia avançadinha, do iniciante Rei Roberto Carlos e o sempre transgressor Erasmo, mas não barravam o grupo musical Blue Birds e a gritante vontade de ser Vitória que namorava Ananias, um dos componentes da banda que abalava corações e arrasava nas festinhas nos clubes Rio Negro e mingau do Ideal. Sou do tempo que manga a gente tirava do pé, peixe comprava na porta de casa e leite tinha que buscar no porto da cidade... Ah, Manaus, saudosa cidade da crônica do meio dia, do aroma de alho frito no almoço, do chá gelado e do sorvete do Messias...

E no Dia do professor era possível fazer um banquete para todos os mestres, no Colégio São Francisco de Assis e todo mundo ‘comia e bebia tudo de primeira’ e não saia falando de “essa tal de degustação”! E lembro que todos, absolutamente, compareciam todos os professores. É isso, modernos e afins, impossível não lembrar que sou desse tempo feliz da minha Manaus que completa 347 anos de existência. Parabéns. Até.

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