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Mazé Mourão

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Mazé Mourão

Cheiro bom

“Manaus, antigamente, tinha um cheiro característico, de comida gostosa. Essa lembrança me veio à mente, quando senti o aroma de alho com azeite refogando a couve fresquinha”

Mazé Mourão

mazemanaus@gmail.com


Manaus, antigamente, tinha um cheiro característico, de comida gostosa. Essa lembrança me veio à mente, quando senti o aroma de alho com azeite refogando a couve fresquinha, aqui na minha casa. Pilotando essa iguaria, que gosto tanto, a Noemia, minha parceira e mãe dos meus filhos, há 49 anos. Voltei ao passado. Ainda menina, quando regressava do centro da cidade, por volta de 11 horas, em comboio com uma das irmãs Mustafa, lá vinha saindo, pelas janelas das casas, bangalôs e vilas, a fragrância do bife acebolado, do alho apurado para temperar o feijão, do peixe frito em óleo fervente. Sim, naquela época, ninguém era Fit. Vale o adendo.

 

Foto: Divulgação

Naquele tempo, as famílias se reuniam para almoçar e fazer a sesta, evitando a reverberação do sol a pino, além do mormaço característico do horário. A brejeira Manô de Mil Contrastes reascendia como se fosse um mix de tenda árabe com as nossas costumes barés. Deixemos as reminiscências de lado, por enquanto, e vamos aos fatos. Sempre que vou na feira do bairro de Aparecida, encontro aquela Manaus interiorana, repleta de frutas que não encontramos mais, como biribá (pergunta se alguma criança, nascida do Século 21, conhece tal fruta! Duvido). Encontro ingá chinela, sapoti, coisa mais meiga. Recuso-me a falar nas frutas de modernidade, estilo kiwis, olha já. Passo pelo seu Raimundo, na banca de peixe, considerado o melhor ’ticador’ de jaraqui. Posando para a foto, peço para tirar o dedo. A resposta é imediata: “se tirar, não vou ticar!”. Procede.

 

A minha caminhada termina na banca de tapioca e café com leite. Sou da tradicional. Só na manteiga Aviação, uma verdadeira delícia que, somente nós, os amazonenses, sabemos fazer. Depois, caminho despretensiosamente, como se deve caminhar em uma feira, em qualquer cidade do mundo, quando, justo nesse dia, escutei o ‘caboclo’ falar para a moça carregada de sacolas com  peixes, frutas e verduras: “Oooolha a laranja doce como o primeiro beijo!” Ela lascou-lhe um olhar de Capitu, fez um muxoxo amazonense, e foi embora. No ar, restava apenas o cheiro bom da minha saudosa Manaus.

 

Foto: Divulgação

 

     

Cheiro bom

“Manaus, antigamente, tinha um cheiro característico, de comida gostosa. Essa lembrança me veio à mente, quando senti o aroma de alho com azeite refogando a couve fresquinha”

Mazé Mourão

mazemanaus@gmail.com


Manaus, antigamente, tinha um cheiro característico, de comida gostosa. Essa lembrança me veio à mente, quando senti o aroma de alho com azeite refogando a couve fresquinha, aqui na minha casa. Pilotando essa iguaria, que gosto tanto, a Noemia, minha parceira e mãe dos meus filhos, há 49 anos. Voltei ao passado. Ainda menina, quando regressava do centro da cidade, por volta de 11 horas, em comboio com uma das irmãs Mustafa, lá vinha saindo, pelas janelas das casas, bangalôs e vilas, a fragrância do bife acebolado, do alho apurado para temperar o feijão, do peixe frito em óleo fervente. Sim, naquela época, ninguém era Fit. Vale o adendo.

 

Foto: Divulgação

Naquele tempo, as famílias se reuniam para almoçar e fazer a sesta, evitando a reverberação do sol a pino, além do mormaço característico do horário. A brejeira Manô de Mil Contrastes reascendia como se fosse um mix de tenda árabe com as nossas costumes barés. Deixemos as reminiscências de lado, por enquanto, e vamos aos fatos. Sempre que vou na feira do bairro de Aparecida, encontro aquela Manaus interiorana, repleta de frutas que não encontramos mais, como biribá (pergunta se alguma criança, nascida do Século 21, conhece tal fruta! Duvido). Encontro ingá chinela, sapoti, coisa mais meiga. Recuso-me a falar nas frutas de modernidade, estilo kiwis, olha já. Passo pelo seu Raimundo, na banca de peixe, considerado o melhor ’ticador’ de jaraqui. Posando para a foto, peço para tirar o dedo. A resposta é imediata: “se tirar, não vou ticar!”. Procede.

 

A minha caminhada termina na banca de tapioca e café com leite. Sou da tradicional. Só na manteiga Aviação, uma verdadeira delícia que, somente nós, os amazonenses, sabemos fazer. Depois, caminho despretensiosamente, como se deve caminhar em uma feira, em qualquer cidade do mundo, quando, justo nesse dia, escutei o ‘caboclo’ falar para a moça carregada de sacolas com  peixes, frutas e verduras: “Oooolha a laranja doce como o primeiro beijo!” Ela lascou-lhe um olhar de Capitu, fez um muxoxo amazonense, e foi embora. No ar, restava apenas o cheiro bom da minha saudosa Manaus.

 

Foto: Divulgação

 

     

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