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Márcya Lira

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Márcya Lira

É Dia dos Pais, vamos falar sobre o menos óbvio?

Sem beijos, sem abraços, mas com muita ausência, um tema recorrente e muito atual. Estamos falando do abandono parental


Foi assim que uma empresa varejista lançou sua campanha de Dia dos Pais 2019. Sem falar mais do mesmo, fez do óbvio o menos óbvio. Sem beijos, sem abraços, mas com muita ausência, um tema recorrente e muito atual. Estamos falando do abandono parental.


Começar essa coluna por aqui, às vésperas do Dia dos Pais, me impulsiona a querer escrever sobre o tema da forma mais romântica possível, mas fazer isso é desconsiderar as mais de 5,5 milhões de crianças que não possuem, em seus registros de nascimento, o nome do pai, de acordo com o Conselho Nacional de Justiça – CNJ. Cabe, porém, destacar que a ausência do nome no registro não pode ser considerado como a principal forma deste tipo de abandono.


 

No mundo do Direito, a indenização para estes casos ainda parece muito controverso, embora nunca tenha se falado tanto na importância de um pai na criação de um filho.

 

Foto: Shutterstock

Para reconhecer um filho, há previsão no Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA, em seu artigo 27. Também pelo Código Civil, no artigo 1596, e na própria Constituição Federal de 1988, no artigo 227, parágrafo 6º. No entanto, percebemos aí que há uma relação jurídica. E onde fica a relação do afeto?

 

Desejar ser um pai é algo que vem agregado à condição de caráter familiar. Inadvertidamente, os filhos copiarão os seus pais naquilo que eles são bons, ou não.

 

No caso da dita campanha publicitária, a história revela algo raro, o desejo de fazer diferente do exemplo que teve em casa, ou seja, o homem quando se tornou pai quis fazer completamente diferente de tudo aquilo que viveu enquanto filho, numa busca positiva de fazer com que os filhos tivessem outra sorte.

 

Lembro de minha infância e as muitas ausências do meu pai, mas houve um tempo em que ele simplesmente se fez presente e foi meu melhor presente. Passávamos horas jogando “bole”, um jogo antigo usando sementes da Amazônia. 

 

Que tempo bom! Ali foram construídas minhas melhores memórias.

 

Muitos são os impactos causados na vida da criança quando da ausência do pai. Algumas crianças começam a agir com insegurança ou até mesmo com agressividade. Na escola é possível perceber alterações de comportamento e imediatamente associar a algum tipo de mudança de rotina na vida criança, gerando dificuldade de concentração e consequentemente baixo rendimento escolar.

 

Cabe, ainda, observar que esses comportamentos citados não configuram-se como regra e nem sempre estão associados a ausência paterna somente, mas de uma ruptura em qualquer um dos meios tradicionais de convivência doméstica. 

 

A ausência do pai não representa a inexistência da figura paterna ou do masculino. Muitas crianças identificam esse referencial em um avô, um tio, ou até mesmo um professor. Esta função pode sim ser realizada por qualquer pessoa e irá permear a vida da criança até a fase adulta.

 

A presença física é muito importante, mas a presença física com qualidade é a que mais importa.  Sendo assim, é importante observar que é possível desenvolver relacionamento com os filhos, usando de atividades simples mas que marcarão a memória da criança para sempre.

 

Experimente brincar com seu filho usando brincadeiras antigas. Jogos de tabuleiro também são excelentes para gerar aproximação e qualidade de presença, além dos clássicos “pedra, papel e tesoura” ou a guerra dos dedos.

 

E pra você que é filho, aqui quatro dicas para proporcionar um dia sem festa, mas com muitos momentos memoráveis:


1. Que tal começa o dias dos pais demonstrando seu amor levando um café na cama para seu pai com tudo que ele mais gosta? Ou talvez proporcionar um piquenique que é um programa infalível.

 

2. Coloque vários cartõezinhos espalhados pela casa, pelo carro, com palavras de carinho para ele. Certamente ele se sentirá muito amado!

 

3. Separe um momento neste dia para simplesmente olharem fotografias antigas, ainda que sejam no melhor formato digital. Mostrem como vocês têm registros de momentos agradáveis na vida. Um momento assim traz muito envolvimento e marca uma boa lembrança.

 

4. Se seu pai torce para um time de futebol específico, que tal vestir toda a família com a camisa do time? Também pode proporcionar um tempo de jogos como uma partida de futebol ou basquete. Se ele não for ligado nos esportes, convide para um jogo de tabuleiro ou dominó. Mas se ele gosta mesmo é do sossego do lar, prepare a pipoca e simplesmente assistam a um bom filme juntos.

 

Neste Dia dos Pais, o importante é a presença.

 

Se o seu pai não está com você por um motivo ou outro, reconheça naqueles que estão à sua volta, a referência paterna que você deseja e simplesmente faça com ele o que você gostaria que fizessem com você neste dia especial. Esta figura pode ser o seu amigo, alguém que simplesmente você olhe e diga: Feliz Dia dos Pais!

 


É Dia dos Pais, vamos falar sobre o menos óbvio?

Sem beijos, sem abraços, mas com muita ausência, um tema recorrente e muito atual. Estamos falando do abandono parental

marcya.lira@redeamazonica.com.br


Foi assim que uma empresa varejista lançou sua campanha de Dia dos Pais 2019. Sem falar mais do mesmo, fez do óbvio o menos óbvio. Sem beijos, sem abraços, mas com muita ausência, um tema recorrente e muito atual. Estamos falando do abandono parental.


Começar essa coluna por aqui, às vésperas do Dia dos Pais, me impulsiona a querer escrever sobre o tema da forma mais romântica possível, mas fazer isso é desconsiderar as mais de 5,5 milhões de crianças que não possuem, em seus registros de nascimento, o nome do pai, de acordo com o Conselho Nacional de Justiça – CNJ. Cabe, porém, destacar que a ausência do nome no registro não pode ser considerado como a principal forma deste tipo de abandono.


 

No mundo do Direito, a indenização para estes casos ainda parece muito controverso, embora nunca tenha se falado tanto na importância de um pai na criação de um filho.

 

Foto: Shutterstock

Para reconhecer um filho, há previsão no Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA, em seu artigo 27. Também pelo Código Civil, no artigo 1596, e na própria Constituição Federal de 1988, no artigo 227, parágrafo 6º. No entanto, percebemos aí que há uma relação jurídica. E onde fica a relação do afeto?

 

Desejar ser um pai é algo que vem agregado à condição de caráter familiar. Inadvertidamente, os filhos copiarão os seus pais naquilo que eles são bons, ou não.

 

No caso da dita campanha publicitária, a história revela algo raro, o desejo de fazer diferente do exemplo que teve em casa, ou seja, o homem quando se tornou pai quis fazer completamente diferente de tudo aquilo que viveu enquanto filho, numa busca positiva de fazer com que os filhos tivessem outra sorte.

 

Lembro de minha infância e as muitas ausências do meu pai, mas houve um tempo em que ele simplesmente se fez presente e foi meu melhor presente. Passávamos horas jogando “bole”, um jogo antigo usando sementes da Amazônia. 

 

Que tempo bom! Ali foram construídas minhas melhores memórias.

 

Muitos são os impactos causados na vida da criança quando da ausência do pai. Algumas crianças começam a agir com insegurança ou até mesmo com agressividade. Na escola é possível perceber alterações de comportamento e imediatamente associar a algum tipo de mudança de rotina na vida criança, gerando dificuldade de concentração e consequentemente baixo rendimento escolar.

 

Cabe, ainda, observar que esses comportamentos citados não configuram-se como regra e nem sempre estão associados a ausência paterna somente, mas de uma ruptura em qualquer um dos meios tradicionais de convivência doméstica. 

 

A ausência do pai não representa a inexistência da figura paterna ou do masculino. Muitas crianças identificam esse referencial em um avô, um tio, ou até mesmo um professor. Esta função pode sim ser realizada por qualquer pessoa e irá permear a vida da criança até a fase adulta.

 

A presença física é muito importante, mas a presença física com qualidade é a que mais importa.  Sendo assim, é importante observar que é possível desenvolver relacionamento com os filhos, usando de atividades simples mas que marcarão a memória da criança para sempre.

 

Experimente brincar com seu filho usando brincadeiras antigas. Jogos de tabuleiro também são excelentes para gerar aproximação e qualidade de presença, além dos clássicos “pedra, papel e tesoura” ou a guerra dos dedos.

 

E pra você que é filho, aqui quatro dicas para proporcionar um dia sem festa, mas com muitos momentos memoráveis:


1. Que tal começa o dias dos pais demonstrando seu amor levando um café na cama para seu pai com tudo que ele mais gosta? Ou talvez proporcionar um piquenique que é um programa infalível.

 

2. Coloque vários cartõezinhos espalhados pela casa, pelo carro, com palavras de carinho para ele. Certamente ele se sentirá muito amado!

 

3. Separe um momento neste dia para simplesmente olharem fotografias antigas, ainda que sejam no melhor formato digital. Mostrem como vocês têm registros de momentos agradáveis na vida. Um momento assim traz muito envolvimento e marca uma boa lembrança.

 

4. Se seu pai torce para um time de futebol específico, que tal vestir toda a família com a camisa do time? Também pode proporcionar um tempo de jogos como uma partida de futebol ou basquete. Se ele não for ligado nos esportes, convide para um jogo de tabuleiro ou dominó. Mas se ele gosta mesmo é do sossego do lar, prepare a pipoca e simplesmente assistam a um bom filme juntos.

 

Neste Dia dos Pais, o importante é a presença.

 

Se o seu pai não está com você por um motivo ou outro, reconheça naqueles que estão à sua volta, a referência paterna que você deseja e simplesmente faça com ele o que você gostaria que fizessem com você neste dia especial. Esta figura pode ser o seu amigo, alguém que simplesmente você olhe e diga: Feliz Dia dos Pais!

 

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